Bloqueio do nervo supraescapular para dor no ombro
Uma injeção de anestésico junto ao nervo que inerva a maior parte da cápsula do ombro, na incisura da escápula, que alivia dores crônicas e abre uma janela para a fisioterapia avançar.
- O bloqueio do nervo supraescapular é uma injeção de anestésico local, isolado ou associado a um corticoide, depositada junto ao trajeto do nervo supraescapular na escápula. Como esse nervo carrega cerca de 70% da sensibilidade da cápsula do ombro, o bloqueio reduz de forma ampla a dor articular.
- Seu maior valor é ser um facilitador da reabilitação: ao baixar a dor por semanas, cria a janela em que a fisioterapia consegue recuperar movimento e força — sobretudo no ombro congelado, em que a dor trava o exercício.
- Ajuda mais na capsulite adesiva (ombro congelado) e na dor crônica do ombro, e é uma opção útil na artrose glenoumeral quando a cirurgia não está indicada ou não é desejada. O alívio dura de semanas a meses e costuma ser feito em série, junto da fisioterapia.
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O que é o bloqueio do nervo supraescapular
O bloqueio do nervo supraescapular é um procedimento de consultório: uma pequena quantidade de anestésico local, às vezes combinada a um corticoide, é depositada junto ao trajeto do nervo supraescapular, sobre a escápula (a omoplata), na parte de cima e posterior do ombro. O objetivo é interromper temporariamente a condução da dor por esse nervo — que inerva a maior parte da cápsula articular — e, com isso, aliviar dores profundas e difusas do ombro que resistem às medidas iniciais.
Vale separar desde o início a condição do procedimento. Capsulite adesiva, artrose glenoumeral e dor crônica do ombro são diagnósticos — cada um com suas causas, seus sintomas e sua evolução. O bloqueio é uma das ferramentas para tratá-los.
Quem quer entender a doença em si encontra o quadro completo nos guias sobre capsulite adesiva (ombro congelado) e artrose glenoumeral. Aqui o foco é estreito e prático: o bloqueio — o que ele faz, em que dores ajuda, como é aplicado e o que a evidência sustenta.
O que torna esse bloqueio particularmente útil é a anatomia do alvo. O nervo supraescapular não é um nervo sensitivo qualquer da pele: ele é o principal nervo sensitivo da própria articulação. Ao silenciá-lo temporariamente, o bloqueio alcança a dor onde ela nasce, na cápsula, e não apenas na superfície — o que explica por que ele é tão associado ao ombro congelado e à artrose, quadros em que a dor articular profunda é o que mais limita o movimento.
A anatomia por trás do bloqueio
Entender por onde passa esse nervo é o que explica por que o bloqueio funciona no ombro e por que uma injeção na parte de cima da escápula alcança a dor lá dentro da articulação. Vale nomear o trajeto com precisão.
O nervo supraescapular nasce do tronco superior do plexo braquial, formado pelas raízes cervicais C5 e C6. Dali, desce em direção à escápula e chega a um ponto anatômico decisivo: a incisura supraescapular, um entalhe na borda superior da omoplata. Nesse entalhe, o nervo passa por baixo do ligamento transverso superior da escápula, enquanto a artéria supraescapular passa por cima dele. Esse desfiladeiro ósseo e fibroso é um ponto onde o nervo pode ser comprimido ou irritado — e é exatamente esse ponto, ou a região logo acima dele (a fossa supraespinhal), que serve de alvo para depositar o anestésico.
Depois de cruzar a incisura, o nervo supraescapular tem duas funções que se somam. No plano motor, inerva os músculos supraespinal e infraespinal — dois dos quatro músculos do manguito rotador, responsáveis por iniciar a elevação e girar o braço para fora. No plano sensitivo, e é aqui que está a chave do bloqueio, ele carrega a informação de dor de cerca de 70% da cápsula articular, sobretudo a porção posterossuperior — justamente a região mais envolvida na dor da capsulite e da artrose. Poucos nervos oferecem um alvo tão eficiente: bloquear um único nervo, num ponto acessível da escápula, silencia a maior parte da sensibilidade dolorosa de toda a articulação.
O mecanismo do bloqueio, então, é direto no plano local: o anestésico local interrompe temporariamente a condução dos sinais de dor por esse nervo, silenciando o disparo doloroso enquanto dura seu efeito. Mas há um segundo nível, que explica por que o alívio costuma durar muito mais do que a farmacologia do anestésico permitiria. Uma dor articular contínua mantém a via nociceptiva em estado de sensibilização: o sistema nervoso amplifica e prolonga o sinal, e o próprio movimento passa a doer mais do que a lesão justificaria.
Ao cortar temporariamente esse influxo doloroso vindo da cápsula, o bloqueio dá ao sistema uma janela para “esfriar” — e é essa modulação, somada à quebra do ciclo dor–imobilidade–mais dor, que ajuda a explicar por que uma injeção de efeito anestésico de horas pode render semanas de alívio. Quando se acrescenta o corticoide, soma-se uma ação anti-inflamatória local, útil onde há um componente inflamatório em torno do nervo ou da cápsula.
Tronco superior, raízes C5–C6
Nasce do plexo braquial, desce até a incisura supraescapular e passa sob o ligamento transverso superior, o ponto onde o anestésico é depositado.
≈ 70% da cápsula do ombro
Além de inervar o supraespinal e o infraespinal, ele carrega a sensibilidade da maior parte da cápsula, sobretudo a posterossuperior — a região que mais dói na capsulite e na artrose.
Em quais dores o bloqueio costuma ajudar
A indicação do bloqueio do nervo supraescapular parte de um alvo estreito: o nervo que inerva boa parte da cápsula e da articulação do ombro. Ele entra quando a dor é profunda, articular e crônica e já resistiu às primeiras medidas. Três cenários concentram as indicações.
Capsulite adesiva (ombro congelado)
A indicação de melhor desempenho. Na capsulite, a cápsula inflamada e retraída gera uma dor intensa que impede o movimento e trava o exercício. O bloqueio derruba essa dor e devolve a amplitude necessária para a fisioterapia trabalhar a rigidez — é onde ele mais muda o curso do tratamento.
Dor crônica do ombro
Dor persistente do ombro, muitas vezes de origem no manguito rotador, na bursa ou na própria articulação, que não cedeu à reabilitação e à medicação. O bloqueio entra como camada de analgesia para reduzir a dor e permitir avançar o tratamento ativo.
Artrose glenoumeral
No desgaste da articulação do ombro, o bloqueio é uma opção de controle da dor especialmente quando a cirurgia (prótese) não está indicada, não é desejada ou precisa ser adiada. Alivia a dor articular e ajuda a manter a função sem operar.
O padrão de dor que mais se beneficia é o da dor articular profunda: aquela dor difusa e mal localizada, sentida no fundo do ombro, que piora aos extremos do movimento e à noite, e que costuma vir acompanhada de perda de amplitude. Quando a dor é muito superficial, ou claramente originada em uma estrutura pontual fora da cápsula, o alvo pode ser outro. A definição de quem é candidato, de qual técnica e de com o quê depende de uma avaliação médica que confirme o diagnóstico e afaste causas que peçam outra conduta — a decisão pelo procedimento parte desse raciocínio clínico.
- Dor articular profunda. Dor no fundo do ombro, difusa, que piora nos extremos do movimento e à noite.
- Perda de amplitude com dor. Movimento limitado em que a dor é o que trava o exercício, como na capsulite.
- Resposta insuficiente a medidas iniciais. Quando medicação e reabilitação não bastaram para controlar a dor.
- Cirurgia não indicada ou adiada. Na artrose, quando se busca controlar a dor sem operar, ou enquanto se aguarda.
Onde o bloqueio ajuda mais
O bloqueio ajuda mais na capsulite adesiva (ombro congelado), onde derruba a dor que trava o movimento e abre a janela para a fisioterapia recuperar amplitude. Depois vem a dor crônica do ombro, como analgesia que sustenta a reabilitação, e a artrose glenoumeral, como opção de controle da dor quando a cirurgia não está indicada, não é desejada ou precisa ser adiada. O alívio dura de semanas a meses e costuma ser feito em série, junto da fisioterapia.
O traço que distingue o bloqueio supraescapular de um analgésico comum é o que ele possibilita. No ombro congelado, o obstáculo central é o círculo vicioso: a dor impede o movimento, a falta de movimento agrava a rigidez, e a rigidez sustenta a dor. Ao derrubar a dor articular por semanas, o bloqueio abre a janela em que a fisioterapia consegue, enfim, recuperar amplitude e força. O ganho não vem apenas da injeção — vem do que ela permite fazer depois.
Como o bloqueio é feito
O bloqueio do nervo supraescapular é um procedimento ambulatorial e rápido, feito em consultório, sem necessidade de internação ou sedação. A aplicação consiste em identificar o alvo sobre a escápula — pela anatomia e pelas referências ósseas, e cada vez mais com apoio da ultrassonografia, que permite ver o nervo e depositar o anestésico com precisão junto à incisura. O passo a passo, do que acontece antes ao que acontece depois, é este:
Antes: exame e localização
A consulta confirma o diagnóstico e define o alvo. O ponto sobre a escápula é localizado pelas referências ósseas e, quando disponível, pela ultrassonografia, que visualiza o nervo na incisura supraescapular.
Durante: a injeção
Com agulha fina, o anestésico (isolado ou com corticoide) é depositado junto ao trajeto do nervo, na fossa supraespinhal ou na incisura. Costuma durar poucos minutos; pode-se sentir uma pressão breve e, muitas vezes, um alívio da dor já nas primeiras horas.
Depois: retorno à rotina e reabilitação
Sem repouso obrigatório. A área pode ficar sensível por um a dois dias. Com a dor reduzida, a orientação é aproveitar a janela para avançar os exercícios de mobilidade guiados pela fisioterapia.
Série: repetição conforme a resposta
Se o bloqueio ajuda mas o alívio é parcial ou temporário, pode ser repetido em série, com intervalos definidos, para consolidar o controle da dor e sustentar o progresso da reabilitação.
O que se injeta merece uma palavra. O anestésico local (do grupo dos anestésicos amida, como a lidocaína ou a bupivacaína) é o responsável pelo efeito imediato. O corticoide, quando associado, entra para prolongar o efeito onde há inflamação em torno do nervo ou da cápsula — mas não é obrigatório em toda aplicação, e seu uso repetido tem limites.
A escolha entre anestésico isolado ou com corticoide, assim como a dose e o volume, é individualizada. Em casos que respondem bem ao bloqueio mas precisam de um controle mais duradouro, existe ainda a radiofrequência pulsada aplicada ao nervo supraescapular como recurso de escalada, que busca um efeito mais prolongado sobre a condução da dor sem destruir o nervo.
Bloqueio do nervo supraescapular
- O que trata
- Dor crônica do ombro, capsulite adesiva (ombro congelado) e artrose glenoumeral, quando a dor é profunda, articular e limita o movimento.
- Como é feita
- Injeção de anestésico local, isolado ou com corticoide, com agulha fina, junto ao trajeto do nervo supraescapular na escápula, em ambiente ambulatorial.
- Mecanismo
- Interrupção temporária da condução da dor por um nervo que inerva cerca de 70% da cápsula; quebra do ciclo dor–imobilidade; o corticoide soma ação anti-inflamatória local.
- Duração da sessão
- Poucos minutos; sem anestesia geral, sem repouso obrigatório, retorno à rotina no mesmo dia.
- O que esperar
- Alívio nas primeiras horas pelo anestésico; efeito terapêutico de semanas a meses, com duração variável; janela para a reabilitação; pode ser repetido em série.
- Recuperação
- Praticamente imediata; possível sensibilidade no ponto por um a dois dias.
- Orientação por imagem
- Cada vez mais guiado por ultrassonografia, que visualiza o nervo na incisura supraescapular e aumenta a precisão da aplicação.
- Limitações
- Controla a dor e abre janela para a reabilitação; a causa de origem segue exigindo tratamento próprio; duração variável; uso repetido de corticoide tem limites; contraindicações locais e sistêmicas devem ser avaliadas.
Segurança e contraindicações
O bloqueio do nervo supraescapular tem, em geral, bom perfil de segurança, especialmente quando guiado por ultrassom. Por ser uma injeção de pequeno volume numa região de referências ósseas bem definidas, os efeitos mais comuns são locais e passageiros: dor ou pressão no ponto durante a aplicação, sensibilidade por um a dois dias e, ocasionalmente, um pequeno hematoma (equimose). Uma fraqueza breve para elevar ou girar o braço pode ocorrer enquanto dura o anestésico, já que o mesmo nervo é motor do supraespinal e do infraespinal, e é esperada.
A orientação por imagem reduz o risco de a agulha atingir estruturas vizinhas. Ainda assim, como todo procedimento, há situações que exigem cautela ou o contraindicam, e por isso ele depende de avaliação médica prévia.
Situações que pedem avaliação antes do bloqueio
- Uso de anticoagulantes ou distúrbios de coagulação, pelo risco de sangramento e hematoma no local da injeção.
- Infecção ativa ou lesão na pele da região do ombro e da escápula, onde a agulha seria aplicada.
- Alergia conhecida ao anestésico local ou ao corticoide a ser utilizado.
- Gravidez, em que a indicação e a escolha das substâncias devem ser avaliadas com cuidado.
- Dor no ombro com sinais de alerta (febre, dor após trauma importante, sinais de infecção articular, déficit neurológico) que pedem investigação antes de qualquer bloqueio.
A presença de qualquer um desses fatores não descarta o procedimento de forma automática, mas muda a conversa e, por vezes, a escolha da técnica ou das substâncias. Comunicar o uso de medicamentos, alergias e condições de saúde é parte de uma indicação segura.
Depois do bloqueio: a janela para a reabilitação
A experiência mais comum após um bloqueio bem indicado é uma redução importante da dor ainda nas primeiras horas, à medida que o anestésico age. Esse alívio inicial tem um propósito que vai além do conforto imediato: ele abre a janela terapêutica em que o ombro, antes travado pela dor, volta a tolerar o movimento. É nessa janela que a reabilitação faz o trabalho que sustenta o resultado a longo prazo.
O alívio dura de semanas a meses e costuma ser feito em série, junto da fisioterapia. Quando a primeira aplicação ajuda mas o efeito é parcial, repeti-la em intervalos definidos tende a manter a dor sob controle enquanto a fisioterapia recupera amplitude e força. Quando não ajuda, a conduta é rever o diagnóstico e o alvo, em vez de insistir.
Vale reforçar o eixo do raciocínio: no ombro congelado e na dor crônica do ombro, o bloqueio não é o tratamento — é o que permite o tratamento. A cápsula retraída só recupera mobilidade com movimento progressivo, e o movimento só é possível quando a dor cede. A injeção compra esse tempo; o ganho consolidado vem do exercício feito dentro dele. Um bloqueio bem indicado com uma reabilitação bem conduzida rende muito mais do que qualquer um dos dois isolado.
Efeito anestésico
Alívio da dor pela ação do anestésico; possível fraqueza passageira para elevar o braço enquanto o efeito dura.
Janela para a reabilitação
Com a dor reduzida, a fisioterapia avança na mobilidade e na força; é a fase que constrói o ganho duradouro.
Decisão sobre a série
Se ajudou mas foi parcial, repete-se para sustentar o progresso; se não ajudou, revê-se o diagnóstico e o alvo.
O bloqueio dentro de um plano multimodal
O bloqueio do nervo supraescapular raramente é a única medida, e rende mais quando é uma camada dentro de um plano não-cirúrgico, individualizado, que também trata a causa de fundo da dor. Ele alivia e destrava a reabilitação; o que sustenta o resultado ao longo do tempo é o conjunto.
No ombro congelado, o bloqueio é o que muda o jogo: a pessoa passava semanas sem conseguir levantar o braço por causa da dor, e de repente consegue fazer os exercícios que estavam impossíveis. A injeção abre a porta, mas quem atravessa é o trabalho de mobilidade e força — um bloqueio sem reabilitação por trás desperdiça a melhor parte do que ele oferece.
Reabilitação e a parceria com a fisioterapia
Nas dores do ombro que motivam o bloqueio, a reabilitação é o eixo do resultado, e o bloqueio existe em grande parte para viabilizá-la. Na capsulite adesiva, o trabalho de recuperação de amplitude — mobilização articular, alongamentos progressivos e exercícios de deslizamento da cápsula — é o que reverte a rigidez, e só é tolerável quando a dor está controlada. Na dor crônica do manguito e na artrose, o fortalecimento do manguito rotador e dos estabilizadores da escápula devolve controle e reduz a sobrecarga articular. A fisioterapia é uma parceira essencial nesse ponto.
O bloqueio, conduzido pela avaliação médica, abre uma janela de baixa dor; dentro dela, a fisioterapia recupera a amplitude da cápsula e o controle do manguito. Sem essa reabilitação atravessando a janela, o alívio passa; com ela, vira função de ombro que permanece.
Infiltração articular e viscossuplementação
Quando a dor tem forte componente intra-articular, como na artrose glenoumeral, a infiltração articular de corticoide ou a viscossuplementação com ácido hialurônico atuam dentro da própria articulação — o corticoide controlando a inflamação, o ácido hialurônico melhorando a viscoelasticidade do líquido articular. São alvos complementares ao bloqueio: enquanto o bloqueio silencia o nervo que carrega a dor, a infiltração trata o ambiente inflamatório dentro da articulação. A escolha entre um e outro, ou a combinação, depende do quadro. O funcionamento da viscossuplementação é detalhado em infiltração com ácido hialurônico.
Agulhamento seco e infiltração de pontos-gatilho
A musculatura ao redor do ombro — deltoide, infraespinal, redondo menor, subescapular, trapézio — costuma abrigar pontos-gatilho miofasciais que somam dor referida e ajudam a perpetuar o quadro. O agulhamento seco (dry needling) e a infiltração de pontos-gatilho com anestésico atuam sobre essa camada muscular, complementando o bloqueio do nervo — enquanto o bloqueio trata a dor articular pela via do nervo, essas técnicas tratam o músculo que também dói. Vale a distinção entre bloquear um nervo e infiltrar um ponto-gatilho: são alvos diferentes, muitas vezes usados juntos no mesmo plano.
Como a musculatura periarticular participa da dor do ombro, o bloqueio costuma se combinar ao trabalho sobre os pontos-gatilho — a abordagem por agulha que a nossa equipe estuda no Grupo de Dor do HC-FMUSP. É um recurso complementar, de alvo miofascial.
Medicação e tratamento de base da condição
Conforme a condição de origem, o bloqueio se soma ao tratamento de fundo. Na capsulite, o eixo é a recuperação de amplitude e o controle da inflamação da cápsula. Na artrose glenoumeral, o manejo combina controle da dor, fortalecimento e, quando a doença avança e a função se perde, a discussão cirúrgica.
Analgésicos e anti-inflamatórios podem compor o manejo em fases de dor mais intensa, sempre com indicação, dose e duração definidas pelo médico. O quadro completo de cada condição está nos guias sobre capsulite adesiva (ombro congelado), artrose glenoumeral e tendinopatia do manguito rotador.
Referência reconhecida em dor
A clínica é um Centro de Dor listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED) e um Centro de Tratamento por Ondas de Choque listado pela SMBTOC, e é listada pelo CMBA (Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura).
Perguntas frequentes
O bloqueio funciona para capsulite (ombro congelado)?
Sim, é justamente uma de suas melhores indicações. Na capsulite adesiva, a dor intensa da cápsula inflamada e retraída impede o movimento e trava o exercício. O bloqueio do nervo supraescapular reduz essa dor por semanas, o que abre a janela para a fisioterapia recuperar a amplitude perdida. Ensaios clínicos mostram alívio da dor e ganho de movimento, com resultados comparáveis, em vários estudos, à infiltração intra-articular de corticoide. O maior valor do bloqueio aqui é destravar a reabilitação, que é o que reverte o ombro congelado.
Quanto tempo dura o efeito?
A duração é variável de pessoa para pessoa. O alívio inicial vem do anestésico e dura horas; o efeito terapêutico mais duradouro pode se estender por semanas e, em parte dos casos, por alguns meses, sobretudo quando se associa o corticoide. Não é possível prometer um tempo fixo, e há quem responda pouco. Por isso o bloqueio costuma ser pensado em série, integrado à reabilitação, e a duração observada em cada aplicação orienta o intervalo e a decisão sobre repetir.
O bloqueio substitui a fisioterapia?
Não — ele existe em grande parte para permitir que ela avance. No ombro congelado e na dor crônica do ombro, a dor é o que impede o movimento, e é o movimento guiado pela fisioterapia que recupera amplitude e força. O bloqueio derruba a dor e abre a janela; a fisioterapia atravessa essa janela e constrói o ganho duradouro. O papel médico está em indicar e realizar o bloqueio no momento certo; o da fisioterapia, em transformar essa trégua em amplitude e força. É a soma dos dois que resolve o ombro.
Quais são os riscos do bloqueio?
O perfil de segurança é bom, sobretudo quando o procedimento é guiado por ultrassom. Os efeitos mais comuns são locais e passageiros: dor ou pressão no ponto durante a aplicação, sensibilidade por um a dois dias e, às vezes, um pequeno hematoma. Como o nervo também é motor do supraespinal e do infraespinal, pode haver fraqueza breve para elevar ou girar o braço enquanto o anestésico dura, o que é esperado. Situações como uso de anticoagulantes, infecção na pele do local, alergia às substâncias e gravidez pedem avaliação prévia. A orientação por imagem reduz o risco de atingir estruturas vizinhas.
Quantas vezes o bloqueio pode ser repetido?
Não há um número único para todos. Quando o bloqueio ajuda mas o alívio é parcial ou temporário, ele pode ser repetido em série, com intervalos definidos pelo médico conforme a resposta e o progresso da reabilitação. O que mais limita a repetição é o uso do corticoide, que em excesso tem efeitos indesejados; o anestésico isolado tem menos restrições. Em casos que respondem bem mas precisam de controle mais duradouro, a radiofrequência pulsada do nervo supraescapular existe como recurso de escalada. A decisão de manter, espaçar ou suspender a série é individualizada.
Quem realiza o bloqueio do nervo supraescapular?
O bloqueio do nervo supraescapular é realizado pelo Dr. Marcus Yu Bin Pai (CRM-SP 158.074 · RQE 65.523), médico especialista em Fisiatria com área de atuação em Dor e colaborador do Grupo de Dor do HC-FMUSP. A indicação é definida em avaliação individual, antes do procedimento.
Posso fazer o bloqueio do nervo supraescapular no mesmo dia da avaliação?
Na maioria dos casos, sim. É um procedimento ambulatorial, feito em consultório, que costuma levar de uma a duas horas contando o preparo e um período de observação. A confirmação depende da avaliação médica no dia.
Preciso de internação? Volto para casa no mesmo dia?
Não é necessária internação. É um procedimento ambulatorial: depois de um breve período de observação, você recebe alta e vai para casa no mesmo dia.
Preciso evitar atividade física depois?
Convém evitar esforço intenso e atividade física de impacto nos primeiros dias. As orientações específicas de repouso e de retorno às atividades são passadas pelo médico após o procedimento, de acordo com o seu caso.
Bloqueio supraescapular vs. infiltração intra-articular no ombro congelado
Ensaios clínicos randomizados na capsulite adesiva mostram que o bloqueio do nervo supraescapular alivia a dor e melhora a amplitude de movimento, com resultados que, em vários estudos, se equiparam aos da infiltração intra-articular de corticoide, e com bom perfil de segurança.
Alívio consistente e ganho funcional na dor persistente
Revisões sistemáticas e ensaios controlados na dor crônica do ombro apontam redução da dor e melhora funcional com o bloqueio supraescapular, útil sobretudo quando a dor limita a reabilitação, e melhor quando integrado a uma estratégia que trate a causa de fundo.
Opção conservadora quando a cirurgia não é o caminho
Na artrose glenoumeral, o bloqueio é estudado como recurso de controle da dor para quem não tem indicação de prótese, não a deseja ou precisa adiá-la, com alívio útil da dor articular e duração variável — uma opção conservadora para preservar função.
Referências6 fontes citadas neste artigoVerOcultar
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Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação médica individual. A indicação do bloqueio do nervo supraescapular, a escolha das substâncias e a condução da série são decisões individualizadas, que dependem do exame e do diagnóstico de cada caso. A indicação de qualquer procedimento ou medicamento cabe exclusivamente ao médico assistente.

