Como aliviar a dor nas pernas: por causa, com diagnóstico e tratamento
Aliviar a dor nas pernas com segurança começa por separar a origem: arterial, venosa, de uma raiz nervosa da coluna, do músculo ou da síndrome das pernas inquietas. Cada uma tem um sinal que muda a conduta, e três delas têm um sinal de alerta que pede atendimento imediato.
- O alívio certo depende da causa, e a causa se identifica pelo padrão da dor: dor na panturrilha que aparece sempre depois de caminhar uma distância e some ao parar é arterial; peso e inchaço que pioram ao fim do dia e melhoram com a perna elevada é venoso; dor que desce da lombar pela perna em faixa, com queimação ou choque, é de raiz nervosa.
- Medida que serve para quase todas as causas benignas: manter-se em movimento dentro do tolerável costuma aliviar mais do que repouso na cama, que piora a dor de raiz nervosa.
- Três quadros pedem atendimento sem demora: dor e inchaço em uma perna só (suspeita de trombose venosa profunda), perna subitamente fria, pálida, sem pulso e dolorida (isquemia arterial aguda) e fraqueza progressiva com alteração para urinar ou dormência em sela (urgência neurológica).
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Dor tem Tratamento. Foco em tratamentos não cirúrgicos para dor, reabilitação.
Por que a perna dói: a causa muda a conduta
Dor nas pernas é um sintoma, não um diagnóstico. A mesma queixa pode nascer da artéria, da veia, de uma raiz nervosa da coluna, do músculo e do tendão, ou de um distúrbio neurológico do sono como a síndrome das pernas inquietas. O alívio que ajuda numa causa pode mascarar outra, e é por isso que o passo que muda tudo é o diagnóstico diferencial, não a lista de dicas.
A elevação da perna alivia a queixa venosa porque favorece o retorno do sangue, mas piora a dor arterial, em que o membro depende da gravidade para receber fluxo. O repouso na cama parece sensato na dor ciática e é justamente o que a prolonga. Aplicar a medida certa à causa errada deixa de aliviar e, em alguns quadros, ainda adia um diagnóstico que tem janela de tempo. Por isso este guia é organizado por causa: o que distingue cada padrão, o exame e o exame complementar que confirmam, e só então o tratamento.
Na prática do consultório de dor, a dor nas pernas costuma cair em quatro grandes grupos, e dentro de cada um há subtipos que mudam o caminho: a causa vascular (doença arterial periférica, insuficiência venosa crônica e a emergência da trombose venosa profunda), a neurogênica (radiculopatia lombar de L4, L5 ou S1, estenose do canal lombar e neuropatia periférica, com destaque para a diabética), a musculoesquelética (cãibra, síndrome do estresse tibial medial, tendinopatias) e a síndrome das pernas inquietas. Reconhecer o seu padrão é o que torna o autocuidado eficaz e seguro.
| Causa | Como se manifesta | O sinal que muda a conduta |
|---|---|---|
| Arterial (claudicação) | Dor em panturrilha, coxa ou glúteo após caminhar uma distância previsível | Some em 2 a 5 minutos parado; pé frio, pálido, pulsos reduzidos; tabagismo, diabetes |
| Venosa (insuficiência crônica) | Peso, cansaço e edema vespertino, com varizes e alterações da pele | Alivia ao elevar a perna e ao caminhar; piora em pé ou sentado imóvel |
| Radiculopatia lombar | Dor que desce da lombar ou nádega por uma faixa definida da perna | Queima, formiga ou choca; segue um dermátomo (L4, L5 ou S1); piora ao sentar e ao tossir |
| Estenose lombar | Dor e peso nas duas pernas ao caminhar ou ficar em pé, em idoso | Alivia ao flexionar o tronco (carrinho de mercado), não ao só parar de pé |
| Neuropatia periférica | Queimação, formigamento e dormência em “bota”, simétrica, distal | Pior à noite; diabetes de longa data; reflexo aquileu reduzido |
| Musculoesquelética | Dor no músculo, na canela ou no tendão após esforço ou treino | Piora ao usar e ao palpar a estrutura; melhora com repouso relativo |
| Pernas inquietas | Necessidade de mexer as pernas, com desconforto profundo ao repouso | Surge ao fim do dia e ao deitar; alivia com o movimento; atrapalha o sono |
Cada padrão tem uma página dedicada. Para a queixa na batata da perna, veja dor na panturrilha; para a dor que piora ao deitar, dor nas pernas de madrugada; para a dor em trajeto de nervo, dor ciática; e a visão geral está no guia de dor nas pernas.
Causa vascular: arterial, venosa e a emergência da trombose
O grupo vascular reúne três quadros muito diferentes que pedem condutas opostas. A pista mais útil é a relação da dor com o esforço e a posição: a dor arterial nasce do esforço e melhora parado; a venosa nasce de ficar imóvel e melhora com o movimento e a perna elevada; a trombose é dor recente, em uma perna só, que não segue nenhuma dessas regras.
Arterial — doença arterial periférica (claudicação intermitente)
Venosa — insuficiência venosa crônica
Trombose venosa profunda — a emergência do grupo
Elevar a perna e usar compressão ajudam na causa venosa e podem prejudicar na arterial. Por isso, antes de orientar compressão, é preciso afastar doença arterial (medir o ITB). E qualquer dor recente, em uma perna só, com inchaço e calor, é tratada como possível trombose até prova em contrário.
Causa neurogênica: raiz nervosa, canal estreito e neuropatia
A dor de origem nervosa tem uma assinatura: ela queima, choca, formiga ou adormece, em vez de doer “no músculo”, e costuma seguir um trajeto definido. Distinguir de onde vem o problema, da raiz na coluna ou do nervo periférico, muda o exame e o tratamento.
Radiculopatia lombar
A radiculopatia lombar é a base da maioria das dores ciáticas. Quando uma hérnia de disco ou um osteófito comprime uma raiz nervosa lombar, a dor desce pela perna no território daquela raiz. O padrão permite localizar o nível, porque cada raiz tem seu dermátomo (sensibilidade), seu miótomo (força) e seu reflexo:
No exame, o sinal de Lasègue (elevação da perna estendida que reproduz a dor irradiada entre 30 e 70 graus) e o Slump test indicam tensão na raiz; o Lasègue cruzado (elevar a perna sã desperta a dor na perna doente) é mais específico de hérnia. A maioria das radiculopatias por hérnia melhora em 6 a 12 semanas com tratamento conservador, e a imagem (ressonância) só muda a conduta quando há défice neurológico progressivo, suspeita de causa grave ou ausência de melhora que faça considerar procedimento. A síndrome da cauda equina (dor bilateral, retenção ou incontinência urinária, anestesia em sela) é uma emergência cirúrgica e está na seção «Síndrome das pernas inquietas».
Estenose do canal lombar
No idoso, o desgaste degenerativo estreita o canal vertebral e comprime as raízes em conjunto. Surge a claudicação neurogênica: dor, peso e formigamento nas duas pernas que aparecem ao caminhar ou ao ficar muito tempo em pé e melhoram ao flexionar o tronco, porque a flexão abre o canal. É a diferença que separa da claudicação arterial: o paciente com estenose alivia debruçado sobre o carrinho do mercado ou sentado, e tolera bem pedalar inclinado para a frente, enquanto o arterial alivia só por parar o esforço, em qualquer posição.
Os pulsos do pé estão presentes na estenose e reduzidos na doença arterial. O tratamento começa conservador, com exercício de flexão e condicionamento, e a cirurgia de descompressão fica para casos com limitação importante ou défice.
Neuropatia periférica, com destaque para a diabética
Na polineuropatia, o dano atinge os nervos mais longos primeiro, então os sintomas começam nos pés e sobem de forma simétrica, no padrão clássico em bota e luva. A causa mais comum no Brasil é o diabetes: a hiperglicemia crônica lesa as fibras finas e provoca queimação, formigamento, choques e dormência que tendem a piorar à noite, com perda da sensibilidade protetora que abre caminho para feridas no pé. O exame mostra reflexo aquileu reduzido, perda da sensibilidade vibratória (diapasão) e ao monofilamento de 10 g.
Além do diabetes, vale investigar deficiência de vitamina B12, consumo de álcool, hipotireoidismo e uso de certos quimioterápicos. O eixo do tratamento é controlar a causa (a glicemia, no diabetes) e cuidar dos pés; a dor neuropática em si responde a fármacos específicos descritos na seção «sinais de alerta».
Causa musculoesquelética: cãibra, canelite e tendinopatias
É o grupo mais comum e, em geral, o mais benigno. A dor aqui piora ao usar e ao palpar a estrutura e melhora com repouso relativo, o que a separa das dores vascular e neurogênica. Localizar a estrutura, músculo, tendão ou periósteo, define o cuidado.
Cãibras musculares
Síndrome do estresse tibial medial (canelite)
Tendinopatias do tendão de Aquiles e patelar
Síndrome das pernas inquietas
A síndrome das pernas inquietas (doença de Willis-Ekbom) não é exatamente “dor”, mas um desconforto profundo e difícil de descrever que muitas pessoas relatam como dor nas pernas, sobretudo quando atrapalha o sono. O diagnóstico é clínico, pelos quatro critérios da IRLSSG: uma vontade de mexer as pernas, em geral acompanhada de desconforto, que (1) surge ou piora no repouso, (2) alivia com o movimento, (3) é pior ao fim do dia e à noite e (4) não é explicada por outra condição (como cãibra, desconforto posicional ou neuropatia).
A fisiopatologia envolve uma disfunção da sinalização dopaminérgica no sistema nervoso central ligada à baixa disponibilidade de ferro no cérebro, o que explica por que a investigação obrigatória inclui dosar a ferritina (e a saturação de transferrina): valores de ferritina abaixo de cerca de 75 ng/mL costumam indicar reposição de ferro, que em muitos casos reduz os sintomas. Vale também rever medicamentos que pioram o quadro (certos antidepressivos, antieméticos e anti-histamínicos) e situações associadas, como gestação e doença renal. Quando o tratamento do ferro não basta, há opções farmacológicas específicas, sempre com indicação médica, descritas na seção «tratamento multimodal». É um exemplo claro de por que identificar a causa muda tudo: a conduta aqui não tem nada a ver com calor, frio ou compressão.
Sinais de alerta: quando não se trata em casa
A maior parte das dores nas pernas é benigna, mas alguns padrões mudam a urgência e têm janela de tempo. Diante de qualquer um dos sinais abaixo, não tente aliviar em casa: procure atendimento.
Procure avaliação sem demora se houver
- Dor e inchaço em uma perna só, com calor e vermelhidão na panturrilha, sobretudo após viagem longa, cirurgia, imobilização, gestação ou câncer (suspeita de trombose venosa profunda).
- Falta de ar súbita, dor no peito ou tosse com sangue junto da dor na perna (possível embolia pulmonar): emergência.
- Perna subitamente fria, pálida, sem pulso, dolorida e dormente (a regra dos seis P da isquemia arterial aguda): emergência com poucas horas de janela.
- Fraqueza progressiva nas pernas, dificuldade ou retenção para urinar e dormência na região entre as pernas e nádegas (suspeita de síndrome da cauda equina): urgência cirúrgica.
- Dor intensa e desproporcional após trauma ou esforço, com a panturrilha tensa e dor ao alongar passivamente (suspeita de síndrome compartimental).
- Febre, vermelhidão que se espalha e dor na pele da perna (suspeita de infecção, como erisipela ou celulite).
- Dor após trauma importante, com deformidade ou incapacidade de apoiar o peso.
Fora desses sinais, vale procurar avaliação quando a dor não melhora em uma a duas semanas de autocuidado, quando é recorrente, quando atrapalha o sono ou o trabalho, ou quando você simplesmente não sabe de onde ela vem. Identificar a causa cedo evita tratar o sintoma errado por meses.
Tratamento: um plano multimodal, por causa e por mecanismo
Quando a dor nas pernas persiste, é intensa ou compromete a rotina, o tratamento deixa de ser uma lista de medidas caseiras e passa a ser um plano multimodal, individualizado e não-cirúrgico, conduzido por médico. A lógica é casar a ferramenta com o mecanismo dominante: exercício e técnicas miofasciais para a dor musculoesquelética e radicular; fármacos específicos para o componente neuropático; reposição de ferro e agentes próprios para a síndrome das pernas inquietas; e, quando a origem é vascular, o encaminhamento ao especialista vem antes de qualquer outra coisa. A base do plano é quase sempre ativa, e cada técnica abaixo está descrita com o que é, como age, a evidência, o que esperar, quando indicar e seus limites.
“Dor na perna” não é uma doença: é o mesmo sintoma compartilhado por problemas que pedem condutas contrárias. As medidas genéricas, calor, frio, elevar a perna, alongar, hidratar, não valem para qualquer dor. Elevar a perna e comprimir aliviam a causa venosa e podem agravar a arterial; o repouso que parece sensato é o que prolonga a dor de raiz nervosa; e nenhuma compressa resolve uma síndrome das pernas inquietas, cujo tratamento passa por dosar ferritina. Por isso o alívio depende inteiramente da causa: a pergunta útil não é “o que passar na perna”, e sim “qual perna é esta”. Errar a causa custa tempo de tratamento e, em três quadros (trombose, isquemia arterial aguda, cauda equina), custa uma janela que tem hora marcada.
Diagnóstico da causa
História, exame neurológico e vascular dirigido e, quando muda a conduta, exame complementar (ITB, eco-Doppler, ressonância, ferritina).
Reabilitação e exercício
Base do plano na causa musculoesquelética e na radiculopatia, e parte do manejo venoso e da estenose.
Técnicas em clínica
Acupuntura, eletroacupuntura, agulhamento seco, infiltração de ponto-gatilho, bloqueios e ondas de choque conforme o mecanismo.
Fármacos e encaminhamento
Medicação dirigida ao componente neuropático ou às pernas inquietas; encaminhamento vascular quando a origem é arterial ou venosa.
Reabilitação e exercício terapêutico
- O que é
- reabilitação ativa individualizada, um paciente por sala, com exercício terapêutico graduado, cinesioterapia, RPG e Pilates clínico.
- Como age
- melhora o controle motor, a força e a mobilidade, dessensibiliza ao movimento e corrige fatores de carga; na causa venosa, o exercício da panturrilha ativa a bomba muscular; na tendinopatia, a carga progressiva (sobretudo excêntrica) estimula a remodelação do colágeno; na estenose, o trabalho em flexão amplia a tolerância à marcha.
- Evidência
- o exercício é a intervenção com a melhor relação entre evidência e segurança na dor lombar e radicular e nas tendinopatias, e o programa supervisionado de marcha melhora a distância de caminhada na claudicação arterial.
- O que esperar
- resposta gradual ao longo de semanas, com o programa mantido após o alívio para reduzir recorrências.
- Indicações
- praticamente todas as causas musculoesqueléticas e neurogênicas, e como adjuvante na venosa e na arterial.
- Limitações
- exige adesão e progressão correta; carga mal dosada pode piorar a dor, por isso é orientada. É a peça que sustenta o resultado de todas as demais técnicas.
Acupuntura médica e eletroacupuntura
- O que é
- inserção de agulhas finas em acupontos por médico acupunturiatra; na eletroacupuntura, uma corrente de baixa intensidade conecta as agulhas.
- Como age
- modula a dor por mecanismos segmentares no corno dorsal da medula (a teoria da comporta), pela ativação de vias inibitórias descendentes (substância cinzenta periaquedutal e bulbo rostroventromedial) e pela liberação de opioides endógenos; a baixa frequência tende a recrutar mais esses sistemas opioides.
- Evidência
- moderada para lombalgia e para componentes neuropáticos; recomendada por diretrizes em contextos selecionados.
- O que esperar
- na dor da perna costumamos programar de 8 a 12 sessões, semanais no começo, com reavaliação por volta da quarta sessão para decidir se vale seguir; quando o componente é radicular, agulhamos também a paravertebral lombar do nível afetado, e o alívio tende a se acumular sessão a sessão, raramente já na primeira.
- Indicações
- dor miofascial da panturrilha e do glúteo, lombalgia que irradia e o componente neuropático da radiculopatia e da neuropatia diabética; útil quando se busca reduzir a polifarmácia em quem já toma vários remédios para a perna.
- Limitações
- desconforto ou equimose no local, raros; cautela em anticoagulados; em perna com déficit sensitivo por neuropatia, o ponto de inserção é escolhido com cuidado redobrado; é adjuvante e não dispensa o exercício. Para a perna que dói por causa arterial pura, ela não corrige a circulação e não substitui o encaminhamento vascular, então a usamos pelo componente miofascial ou neuropático que acompanha, nunca como tratamento da artéria doente.
Agulhamento seco e infiltração de ponto-gatilho
- O que é
- no agulhamento seco, uma agulha fina é inserida diretamente no ponto-gatilho miofascial, sem injetar substância; na infiltração, injeta-se anestésico local (ou soro fisiológico) no ponto.
- Como age
- ao atravessar a banda tensa do músculo da perna, a agulha dispara um espasmo breve e visível, a contração local, que sinaliza ter acertado o ponto; isso reduz a atividade elétrica espontânea da placa motora e a liberação local de substâncias álgicas, com efeito analgésico local e segmentar, e no glúteo costuma reproduzir a dor que o paciente reconhece como “a ciática dele” antes de afrouxar. O anestésico, quando se infiltra, interrompe o ciclo dor-espasmo-dor e relaxa a banda.
- Indicações na perna
- pontos-gatilho no gastrocnêmio e no sóleo (que dão dor na panturrilha e cãibra), no glúteo mínimo e no piriforme (que referem dor descendo a perna e imitam ciática), no tibial anterior e no quadríceps.
- O que esperar
- na perna o alívio do ponto miofascial em geral não é instantâneo; aparece nas 48 a 72 horas seguintes, depois que a dor pós-agulhamento de um a dois dias cede, e ganha consistência ao longo de algumas sessões somadas ao alongamento da panturrilha em casa.
- Limitações
- dor local transitória, equimose; cautela em anticoagulados.
Agulhamento seco
A técnica se aplica quando o componente é muscular, não na dor arterial, venosa ou de raiz nervosa pura.
Ver referências →Bloqueios e ondas de choque
- O que é
- o bloqueio injeta anestésico (com ou sem corticoide) ao redor de um nervo ou estrutura, como o bloqueio do piriforme na dor glútea que comprime o ciático; as ondas de choque extracorpóreas aplicam ondas acústicas de alta energia sobre o tendão.
- Como agem
- o bloqueio interrompe temporariamente a condução nociceptiva e abre uma janela para a reabilitação; as ondas de choque atuam por mecanotransdução, estímulo à neovascularização e à regeneração do tecido, além de efeito analgésico.
- Evidência
- ondas de choque têm boa evidência para tendinopatias (aquileia, patelar) e fascite plantar.
- O que esperar
- o bloqueio dá alívio de dias a semanas; as ondas de choque seguem um ciclo de 3 a 5 sessões semanais, com melhora ao longo de semanas.
- Indicações
- dor glútea e síndrome do piriforme (bloqueio); tendinopatias crônicas refratárias (ondas de choque).
- Limitações
- o bloqueio é temporário e faz parte de um plano; as ondas de choque têm contraindicações específicas (não aplicar sobre áreas de trombo) e causam desconforto na aplicação. Nenhuma das duas trata uma causa vascular ou neuropática de base.
Fármacos para o componente neuropático
- O que é
- medicação dirigida à dor de caráter neuropático (queimação, choque, formigamento), como na radiculopatia persistente e na neuropatia diabética, sempre com indicação, dose e duração definidas pelo médico.
- Como age e quais são
- os antidepressivos amitriptilina e nortriptilina (tricíclicos) e a duloxetina (inibidor da recaptação de serotonina e noradrenalina) reforçam as vias inibitórias descendentes da dor; os gabapentinoides gabapentina e pregabalina reduzem a liberação de neurotransmissores excitatórios ao se ligarem à subunidade alfa-2-delta dos canais de cálcio, diminuindo a excitabilidade das vias da dor.
- O que esperar
- usam-se em dose baixa, com ajuste progressivo conforme tolerância e resposta, e o efeito leva dias a semanas.
- Limitações e efeitos
- sonolência, boca seca e tontura são comuns no início; os tricíclicos pedem cautela em idosos, glaucoma e arritmia. Para a fase muscular aguda, analgésicos simples e anti-inflamatórios por períodos curtos ajudam; relaxantes musculares têm papel limitado e causam sonolência. São princípios ativos, não marcas; a medicação alivia e abre espaço para a reabilitação, mas não substitui a base ativa.
Tratamento dirigido das pernas inquietas
- O que é
- uma abordagem própria, que começa por corrigir o que pode estar por trás.
- Como age
- a reposição de ferro (oral ou, em casos selecionados, endovenosa) corrige a baixa disponibilidade de ferro que prejudica a sinalização dopaminérgica, e é a primeira medida quando a ferritina está baixa; rever e suspender medicamentos que pioram o quadro (alguns antidepressivos, antieméticos e anti-histamínicos) costuma ajudar.
- Fármacos
- quando o ferro não basta, usam-se agentes específicos, hoje com preferência pelos gabapentinoides (gabapentina, pregabalina) em muitos casos, e os agonistas dopaminérgicos reservados por médico atento ao fenômeno de piora paradoxal com o uso prolongado.
- O que esperar
- a resposta ao ferro pode levar semanas; o acompanhamento é necessário.
- Limitações
- a escolha é individualizada e exige seguimento. É o exemplo mais claro de por que o tratamento segue a causa, e não o sintoma.
Manejo vascular: reconhecer e encaminhar
- O que é
- o conjunto de medidas para as causas arterial e venosa, conduzido pelo angiologista ou cirurgião vascular.
- Como se conduz
- a suspeita de trombose venosa profunda é confirmada (eco-Doppler) e tratada com anticoagulação, com urgência; a insuficiência venosa crônica usa compressão graduada, cuidado da pele e procedimentos sobre as veias com refluxo; a doença arterial periférica combina controle agressivo dos fatores de risco (cessar o tabagismo, controlar diabetes, pressão e colesterol), programa supervisionado de marcha e, conforme a gravidade, revascularização.
- O papel do médico da dor
- reconhecer o padrão cedo, orientar e encaminhar, e não insistir em técnicas miofasciais ou em calor e compressão que não tratam a circulação e, na causa arterial, podem prejudicar.
Algumas observações de consultório que ajudam a triar a dor na perna antes de qualquer tratamento. A pergunta que mais separa as causas é simples: a dor vem ao caminhar e some quando você para, ou ela já está lá em repouso? A que aparece com a marcha e some parado puxa para o lado vascular ou para a estenose do canal; a que dói à toa, sentado ou deitado, costuma ser de raiz nervosa, miofascial ou das pernas inquietas. Vale perguntar também como a pessoa alivia sozinha, porque o corpo costuma acertar a fisiologia: quem eleva a perna e melhora quase sempre tem componente venoso; quem precisa pendurar a perna fora da cama para a dor da panturrilha ceder pode estar sinalizando isquemia, um dado que pede atenção, não calor nem alongamento.
O sinal que mais pesa para encaminhar antes de tratar é a claudicação que encurta: quando a distância até a dor aparecer vem caindo de semana em semana, ou quando a dor passa a vir em repouso e à noite, isso sugere doença arterial avançando e vai para o vascular, não para a sala de exercício. E há um detalhe que costuma surpreender quem chega: a melhora de uma dor de raiz nervosa raramente acompanha a melhora da dormência ou da fraqueza no mesmo ritmo, a dor cede primeiro e a sensibilidade demora, o que assusta sem necessidade quando ninguém avisa.
Definir a causa
Exame dirigido, afastar sinais de alerta e iniciar movimento orientado e medidas casadas com o diagnóstico.
Progressão por mecanismo
Exercício, técnicas em clínica e, se houver componente neuropático, ajuste fino da medicação. A dor costuma ceder.
Reavaliação
Sem a resposta esperada, revê-se o diagnóstico, considera-se investigação adicional, procedimento ou encaminhamento.
Referência reconhecida em dor
A clínica é um Centro de Dor listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED) e um Centro de Tratamento por Ondas de Choque listado pela SMBTOC, e é listada pelo CMBA (Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura).
Perguntas frequentes
Como saber se a dor na perna é circulação ou nervo?
Pelo padrão. A dor de circulação arterial aparece sempre depois de caminhar uma distância parecida e some em poucos minutos parado, com o pé frio e os pulsos reduzidos. A dor de nervo queima, choca ou formiga, segue uma faixa definida da perna (um dermátomo) e costuma piorar ao sentar e ao tossir, na radiculopatia. A venosa dá peso e inchaço que pioram ao fim do dia e aliviam com a perna elevada. Em caso de dúvida, o exame e exames como o índice tornozelo-braço e a ressonância definem a origem.
Acordar com dor nas pernas, o que pode ser?
Pode ser cãibra noturna, sobrecarga do dia anterior, componente venoso, neuropatia (que piora à noite) ou a síndrome das pernas inquietas, em que o desconforto e a vontade de mexer as pernas surgem ao deitar e atrapalham o sono. A conduta muda muito conforme a causa, então, se a dor nas pernas atrapalha o sono com frequência, vale investigar. Tratamos esse padrão no guia de dor nas pernas de madrugada.
Posso usar meia de compressão por conta própria?
A compressão graduada ajuda na insuficiência venosa, mas a indicação e a força corretas devem ser definidas em consulta, porque há contraindicações. A mais importante é a doença arterial periférica: comprimir uma perna que já recebe pouco sangue pela artéria pode prejudicar. Por isso, antes de indicar compressão, o médico afasta a causa arterial, em geral medindo o índice tornozelo-braço.
Benerva (vitamina B1) serve para dor nas pernas?
A tiamina (vitamina B1, o princípio ativo do produto conhecido por esse nome) tem papel definido na deficiência dessa vitamina, que pode cursar com sintomas neurológicos nas pernas. Para a dor nas pernas comum, de origem muscular, venosa ou por sobrecarga, não há razão para esperar que uma vitamina resolva a queixa. Em quadros neuropáticos, é mais útil investigar e corrigir causas específicas, como a deficiência de vitamina B12. A indicação de qualquer suplemento é definida pelo médico depois de identificada a causa.
Calor ou frio: o que usar na dor da perna?
Como regra, frio nas primeiras 48 horas de uma lesão ou esforço agudo, para conter dor e inchaço; calor depois disso, para relaxar a musculatura antes de alongar. Em ambos, proteja a pele e limite a 15 a 20 minutos. Atenção: se há suspeita de trombose, não massageie nem aplique calor, e se há suspeita de causa arterial, não use nenhum dos dois. Nesses casos, procure avaliação.
Dor na perna pode ser trombose? Como saber?
A trombose venosa profunda costuma dar dor em uma perna só, com inchaço, calor e vermelhidão na panturrilha, muitas vezes após viagem longa, cirurgia, imobilização, gestação ou câncer. A probabilidade é estimada por um escore clínico e confirmada por ultrassom com Doppler, às vezes com o exame D-dímero. É uma situação que pede avaliação sem demora, porque o coágulo pode se deslocar para o pulmão. Na dúvida, não tente aliviar em casa e procure atendimento.
Referências9 fontes citadas neste artigoVerOcultar
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Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação médica individual. Como a dor na perna pode nascer da artéria, da veia, de uma raiz nervosa, do músculo ou das pernas inquietas, a conduta correta depende de definir a causa em exame, e o plano só é individualizado depois dessa definição.
