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Dor na panturrilha: O que pode ser e como aliviar

A dor na panturrilha pode ter diversas causas. 

Você provavelmente já passou por algum desconforto nessa região. Geralmente a dor possui relação com a realização de atividade física intensa, câimbras, e em casos mais graves, problemas circulatórios. 

A sensação geralmente é de que a perna está pesada, queimando ou que de que você acabou de levar uma forte pedrada na batata da perna. 

A panturrilha é local de alguns dos principais músculos propulsores e amortecedores do corpo durante a marcha. A região é composta por dois grandes músculos, chamados gastrocnêmio e sóleo. 

Essa dupla exerce funções importantíssimas, dentre elas, não podemos deixar de citar a mais importante, sua atuação como flexor plantar. 

Caso a dor permaneça ou torne-se incapacitante, a recomendação é que se procure ajuda médica em busca do tratamento adequado. 

Na maioria dos casos a dor na panturrilha é autolimitada, associada a eventos corriqueiros, não havendo necessidade de preocupação. Contudo, caso a dor permaneça ou torne-se incapacitante, a recomendação é que se procure ajuda médica em busca do tratamento adequado. 

A região da panturrilha é constantemente requisitada, seus músculos trabalham a maior parte do tempo, sendo indispensáveis durante execução de tarefas corriqueiras como caminhar e dirigir. 

Sendo assim, diante de um problema, é essencial que se tenha noção do tamanho dos danos. Será um simplesmente desconforto ou um sinal de lesão? 

Principais causas de dor na panturrilha

Infografico causas de dor na panturrilha

Se você deseja reconhecer um possível problema na panturrilha, conhecer as principais causas é um bom começo. 

A seguir discorreremos sobre os fatores mais comumente relacionados a dor na panturrilha, diferenciando e explicando cada um deles.

Cãibras

Sem dúvidas as cãibras musculares estão entre as principais causas de dor na panturrilha. Só quem já viveu a experiência sabe o quão desconfortável pode ser. 

Reconhecer o problema é bem simples, um quadro de dor aguda à medida que os músculos da perna vão se contraindo, podendo haver formação de um nódulo visível sobre a pele. Dentre os sintomas possíveis, estão inclusos ainda vermelhidão e inchaço da área circundante. 

As cãibras são contrações musculares involuntárias, comuns após atividade física intensa, refeições ou durante o sono. 

Na maioria dos casos o seu aparecimento está relacionado a produção de ácido lático, levando a fadiga muscular. Desequilíbrios de sais minerais também são causas possíveis.

 

 

Lesões

Por ser muito requisitada, a panturrilha acaba ficando mais exposta a lesões. Neste caso a dor pode ser fruto de uma simples tensão muscular, um problema bastante comum, caracterizado pelo rompimento das fibras musculares, geralmente relacionado ao excesso de exercício. 

Podem haver ainda outros tipos de lesões, como a tendinite, por exemplo. O quadro consiste na inflamação de um dos tendões próximos à batata da perna e também pode levar a dor.

 

 

Flebite

Flebite é um processo inflamatório que acomete a parede das veias superficiais. Sua sintomatologia inclui pernas inchadas, doloridas, avermelhadas e aquecidas, sinais típicos da inflamação. Os membros inferiores são os mais acometidos, especialmente pessoas com varizes. 

Geralmente tem relação com um fluxo sanguíneo mais lento, danos locais e alterações na composição sanguínea. Quando não tratada pode evoluir para uma tromboflebite. 

Imediatamente após o rompimento o indivíduo sente dificuldades para caminhar.

Tendão de Aquiles

Além de uma dor aguda na panturrilha, o rompimento do tendão de aquiles produz um estalido audível e uma forte pressão na parte posterior do tornozelo e da perna. 

Imediatamente após o rompimento o indivíduo sente dificuldades para caminhar, já que não consegue exercer corretamente os movimentos com a perna afetada. 

Na maioria dos casos a cirurgia é a melhor opção de tratamento para reparar a ruptura.

São fatores de risco para o problema músculos fracos, sobrepeso, sapatos inadequados e sedentarismo. 

Dor ciática

A dor ciática é um problema bastante comum. O nervo ciático é o maior nervo do corpo e vai da região dos glúteos, atravessa a coxa e a panturrilha chegando aos pés. 

Normalmente a dor acomete um único lado do corpo e tem relação com hérnias de disco ou estenose espinhal, o que produz a compressão do nervo. 

Embora o distúrbio possa ser grave, na maioria dos casos se resolve com tratamentos conservadores. 

Além da dor, pode ocorrer fraqueza e paresia na perna afetada. 

 

 

Veias Varicosas

As veias varicosas são alargadas, torcidas e inchadas, visíveis sob a pele a olho nu. Geralmente aparecem nas pernas e nos pés, causando dor, formação de coágulo sanguíneo e ulceração da pele. 

Para muitas pessoas não são motivo de preocupação, já que são pequenas e não oferecem risco à saúde. No entanto, em certos casos podem ser indícios de problemas circulatórios mais graves, necessitando de tratamento médico especializado. 

 

 

Aterosclerose

A aterosclerose é uma doença grave e silenciosa. O problema está relacionado a uma inflamação com formação de placas de gordura e cálcio na parede das artérias do corpo. 

Devido a tais placas ocorre estreitamento da passagem sanguínea e enrijecimento das artérias, formando o que chamamos de ateroma. 

Como os tecidos, neste caso das pernas, não recebem oxigênio suficiente, aparece a dor, sinal de alerta ao corpo de que algo não está correto. 

A batata da perna é uma das regiões mais afetadas por trombos.

Trombose Venosa Profunda

A trombose venosa profunda é também uma doença grave marcada pela formação de coágulos sanguíneos. A batata da perna é uma das regiões mais afetadas por trombos. No entanto, outras regiões dos membros inferiores podem desenvolvê-los, como coxas e pés. 

Geralmente a doença aparece após longos períodos de repouso, causando além da dor na panturrilha, inchaço e cãibras. 

Insuficiência arterial 

Muito comum em idosos, a insuficiência arterial produz como sintomas dor na região da panturrilha e claudicação intermitente. Geralmente o sintoma se manifesta após subidas como rampas ou escadas. 

Como o repouso alivia a dor, a pessoa tende a combinar períodos de caminhadas com breves minutos de descanso. 

O desencadear da dor varia muito de paciente para paciente. Em alguns casos o problema aparece após alguns poucos metros de caminhada, distância que tende a ser cada vez menor à medida que a obstrução arterial se agrava. 

Apesar de muitos pacientes se darem bem com uso de medicamentos, o tratamento cirúrgico ainda é bastante comum. A cirurgia visa desobstruir as artérias acometidas, permitindo o retorno do fluxo sanguíneo normal e aliviando os sintomas. 

 

 

Cisto de Baker

O cisto de Baker é formado por um acúmulo de líquido sinovial nas bainhas dos tendões e bursas da região posterior ao joelho. Em pessoas saudáveis ele circula pela articulação controlando o atrito entre os ossos. 

Em certas situações esse cisto pode acabar estourando, produzindo inchaço no joelho e dor na panturrilha. 

O diagnóstico do caso é feito por médicos ortopedistas ou reumatologistas e, a depender de sua gravidade, a retirada cirúrgica pode ser necessária. 

Síndrome da Pedrada: O que é isso?

Não poderíamos falar de dor na panturrilha sem dar espaço a síndrome da pedrada. O distúrbio se caracteriza por uma dor forte na batata da perna após realização de exercícios intensos. 

Neste caso, o sintoma advém da contração brusca e intensa do músculo tríceps sural, o que pode levar a ruptura de suas fibras. Em alguns casos é possível ouvir o estalido que marca o rompimento.

Segundo os acometidos, a sensação é de que foram atingidos por uma forte pedra ou mesmo por uma bala perdida. A dor é tão intensa que muitos acabam caindo no chão. 

O grau de ruptura muscular é variável, o que interfere ainda nos sintomas. Quando em sua configuração mais grave o problema pode deixar a pessoa incapaz de andar. 

Por causa dos seus sintomas, a síndrome da pedrada é muito confundida com trombose venosa profunda. A sintomatologia do quadro inclui dor forte na panturrilha, hematoma, endurecimento e dificuldades para apoiar o peso do corpo no calcanhar. 

Os fatores de risco para o distúrbio são diversos e bastante comuns. Dentre eles, falta de flexibilidade, desequilíbrio das forças musculares, alimentação inadequada, poucas horas de sono e estresse.

Como aliviar a dor na panturrilha

tratamento para dor na panturrilha

O primeiro passo para aliviar a dor é o descanso. Muitas vezes o problema tem relação com o excesso de esforço físico. Por isso, é

comum que o paciente se sinta melhor só de repousar a perna por alguns momentos. 

Se a caminhada normal gera dor, diminua um pouco o ritmo e evite a prática esportiva até se sentir melhor. 

Em geral, a aplicação de compressas de gelo costuma ajudar. Aplique-as por alguns minutos, sempre evitando contato direto com a pele para prevenir queimaduras. 

Se a dor na panturrilha se tornar um problema reincidente ou incapacitante, procure ajuda médica. Além disso, deve consultar especialistas pessoas que apresentam outros sintomas concomitantes, pois esses podem ser alertas de comorbidades.

 

 

Medicamentos

O uso de fármacos deve se restringir a indicações médicas. A automedicação é contraindicada e oferece riscos à saúde. 

Alguns remédios podem ajudar no alívio da dor e no fortalecimento dos vasos sanguíneos, muitas vezes relacionados ao quadro. Devido a grande diversidade de causas possíveis, também são diversas as opções medicamentosas. 

Dentre os fármacos mais utilizados podemos citar: 

  • Anti-inflamatórios, como Diclofenaco e Ibuprofeno, que ajudam a controlar os processos inflamatórios e seus sintomas
  • Anaalgésitos, como Paracetamol ou Dipirona, remédios que atuam diretamente sobre a dor 
  • Relaxantes musculares, como o Musculare, que pode promover o relaxamento muscular, melhorando a circulação sanguínea 
As meias elásticas favorecem o retorno sanguíneo ao coração e aliviam o cansaço.

Meias elásticas

A compressão é uma das primeiras medidas a serem tomadas em casos de dor na panturrilha. Geralmente é utilizada uma atadura de compressão elástica, ou uma meia. A ideia é evitar que surjam novos processos inflamatórios. 

As meias elásticas favorecem o retorno sanguíneo ao coração e aliviam o cansaço. Ao utilizar o recurso, lembre-se de cuidar para não exagerar na compressão.  

Assim como os medicamentos, o uso de bandagens deve ser feito estritamente quando prescritas por um médico. Seu uso de forma inadequada pode levar a complicações.

Atividade física

A atividade física, quando realizada da maneira correta e sob acompanhamento adequado, pode ajudar no alívio da dor. Para esses casos devem ser escolhidos exercícios que trabalhem com segurança os músculos da panturrilha. 

Em busca de evitar a dor, o ideal é que se mantenha uma rotina de exercícios. A depender da causa do problema, devem ser escolhidos os de baixo impacto. 

De maneira geral, é recomendado evitar ficar parado muito tempo em uma mesma posição, alerta válido principalmente para pessoas que trabalham várias horas sentadas. 

 

 

Alongamento

Os alongamentos são muito utilizados em situação de dores musculares e articulares. O exercício é realmente bastante eficiente no controle da dor, inclusive da dor na panturrilha.

Para realizar os exercícios, basta que a pessoa mantenha o músculo a ser trabalho em sua extensão máxima por determinado período, retornando-o ao repouso em seguida. 

Mais uma vez o acompanhamento é importante, pois previne lesões e complicações por má execução. 

Existem muitos benefícios em criar o hábito de alongar-se, dentre eles: 

  • Aumento da flexibilidade
  • Relaxamento
  • Ativação da circulação sanguínea
  • Prevenção de lesões esportivas 
  • Prevenção de tendinites 

 

 

Elevar as pernas

A elevação das pernas ajuda o sangue a retornar ao coração, o que coopera para o alívio da dor e do inchaço nas pernas. 

Na prática, basta colocar algumas almofadas embaixo dos pés durante 20 minutos todos os dias e você já se sentirá melhor. 

 

 

Perder peso

O excesso de peso é prejudicial em todos os sentidos. No que diz respeito a dor na panturrilha, ele gera sobrecarga muscular e articular aumentando o risco de fraturas. Além disso, dificulta o retorno sanguíneo ao coração. 

Por isso, perder peso é parte essencial do tratamento deste tipo de problema. Geralmente o melhor caminho para o emagrecimento é a combinação de uma dieta balanceada com uma rotina de atividades físicas.

 

 

Fisioterapia

A fisioterapia pode contribuir para o alívio das dores sejam elas musculares ou articulares. Dentre os recursos mais utilizados poderíamos citar o alongamento e as atividades concêntricas e excêntricas. A irradiação de PNF também pode ajudar. 

O tratamento deve ser pensado de forma individual, considerando as peculiaridades de cada caso. 

Em geral, deve se ter cuidado para não ultrapassar o limite da dor, o que poderia vir a prejudicar a recuperação. 

dor na perna

Fique sempre atento aos sintomas

Sentir dor na perna é algo bastante comum.

Muitas vezes o sintoma não se passa de uma consequência do cansaço de um dia cheio ou de uma caminhada além do que se está acostumado. 

No entanto, como vimos ao longo deste artigo, a dor na panturrilha pode ser sinal de vários tipos de problemas, incluindo doenças mais graves como aterosclerose e trombose. 

Diante disso, é sempre necessário ficar atento aos sintomas.

Veja quais são os fatores de melhora e piora, se a dor é local ou irradiada, se existem outros sintomas como edema e hematomas na região dolorida, além de possíveis sinais sistêmicos de comorbidades. 

Se necessário, não deixe de procurar ajuda médica. 

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 / RQE: 65523 - 65524 | Médico especialista em Fisiatria e Acupuntura. Área de Atuação em Dor pela AMB. Doutorando em Ciências pela USP. Pesquisador e Colaborador do Grupo de Dor do Departamento de Neurologia do HC-FMUSP. Diretor de Marketing do Colégio Médico de Acupuntura do Estado de São Paulo (CMAeSP). Integrante da Câmara Técnica de Acupuntura do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP). Secretário do Comitê de Acupuntura da Sociedade Brasileira para Estudo da Dor (SBED). Professor convidado do Curso de Pós-Graduação em Dor da Universidade de São Paulo (USP). Membro do Conselho Revisor - Medicina Física e Reabilitação da Journal of the Brazilian Medical Association (AMB).

11 Comentários

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  • As informaçoes foram muito util para mim so fiquei em duvida se é sindrome da pedrada ou se é trambose, ja fiz varios doopher tem dado normal, obigado.

  • Tenho hérnia de disco que comprime o ciático.
    Essa dor é com fraqueza, queimação, também febril, impossível permanecer de pé.. preciso deitar e por as pernas para cima.

  • Gostei muito do artigo, é esclarecedor. A menos de um mês, fui diagnosticada com burcite do lado esquerdo, fiz o tratamento recomendo com antiinflamatório por 8 dias, e gelo no local 15 minutos 3x ao dia. Fiquei bem após o tratamento, duas semanas depois estou com uma dor aguda na panturrilha… Será que não era burcite, mas sim o nervo ciático?

  • Gostaria de obter mais informações…tomo medicamento pra dormir e medicamento pra crise de ansiedade..em dezembro fiz uma cirurgia de emergência de apêndice e nos exames antes da cirurgia apareceu pedras de vesícula, gastrite crônica na biopsia,e henia da minha última gravidez e também problemas de hemorróidas.. já estava marcado pra fazer duas cirurgias das 4 . mas com a pandemia o plano de saúde cancelou…de uns dias pra cá começaram a surgir alguns sintomas..a mais de 15 dias uma dor forte no peito e meu coração acelera muito.tambem dores de cabeça e estômago, acredito que seja por causa da gastrite crônica que apareceu na biopsia, dores na região do rim. E minha batata da perna inchada e um peso .. será que isso todos esses sintomas tem a ver com a pedra de vesícula?

  • Muito obrigado, sou atleta de tenis de mesa, tenho 60 anos, e me ajudou muito. Tive uma lesão enquanto me exercitava em casa, mas com gelo e repouso acho que resolvo, e vou me cuidar mais.

  • Foi bastante útil suas explicações
    Como colega, aposentado, a família acha que devemos saber de tudo .
    Tem histórico de esforço não habitual, no dia anterior, tendo acordado assim.
    Não apresenta sintomatologia , nem exame físico que faça pensar em algum problema angiologico. Muito grato, caro colega .

  • Gostei muito do artigo mas não identifiquei minha situação. Sinto dor na panturrilha aguda quando ao andar
    8 a 10 metros, dor abaixo do pé ate o dedão. Quando sentado dor forte latejante no pé e dedo. O que pode ser e qual especialista procurar?

  • A minha dor na panturrilha é somente ao deitar. Percebo que por várias vezes fico contraindo e relaxando o músculo da panturrilha, não consigo evitar.

  • Estou sentindo a sola do pé esquenta e doi as perna , tenho vazinhos será que é circulação sinto formigamentos nos pes e pernas

  • Olá,estou grávida de 5 a 6 semanas,na minha última gravidez tive tvp ,tem 4 dias que sinto uma dor na panturrilha,a dois está pior, ao levantar eu não suporto andar a dor persiste o que pode ser? Perigoso.?

  • O artigo é bastante esclarecedor, apesar de conciso consegue abordar diversos aspectos e situações envolvendo a panturrilha. Excelente!
    Tenho sentido, eventualmente, sintomas semelhantes aos descritos na “síndrome da pedrada”, porém não sinto depois de exercícios físicos e sim após o sono, logo após levantar da cama e quase sempre na perna direita. Às vezes a dor é tão intensa que tenho que me jogar ao chão ou sobre o sofá. Curiosamente a dor costuma passar completamente depois de alguns minutos ou depois de algumas horas. Mas, enquanto presente é uma dor que incomoda muito e é, temporariamente, incapacitante.

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