Gota: dor intensa nas articulações, sobretudo no dedão do pé
A gota é uma artrite pelo depósito de cristais de ácido úrico, com crise clássica de dor súbita no dedão, a podagra.
- A gota é a artrite por cristais de ácido úrico (urato); a crise típica é a dor súbita e muito intensa no dedão do pé, chamada podagra.
- Na crise, o objetivo é controlar a inflamação e a dor com anti-inflamatório, colchicina ou corticoide, escolhidos pelo médico conforme as comorbidades.
- O que muda o curso da doença é baixar o ácido úrico de forma sustentada (terapia de redução do urato, conduzida pela reumatologia), somada a dieta, peso e álcool.
- A gota não tem cura, mas é uma das artrites mais controláveis quando o urato é mantido na meta a longo prazo.
40+ anos · HC-FMUSP · USP · 30 salas · 1.500 m² · Fisioterapia e Pilates individual
Dor tem Tratamento. Foco em tratamentos não cirúrgicos para dor, reabilitação.
O que é a gota
A gota, ou artrite gotosa, é uma doença inflamatória causada pelo depósito de cristais de urato monossódico nas articulações e nos tecidos ao redor. Quando esses cristais se formam dentro da articulação, o sistema imune os reconhece como um corpo estranho e dispara uma inflamação aguda e desproporcional, que produz a dor característica.
A condição começa muito antes da primeira crise. Por anos, o ácido úrico circula elevado no sangue, a chamada hiperuricemia, sem dar qualquer sintoma. Em parte das pessoas, esse excesso lentamente cristaliza dentro e ao redor das articulações periféricas, sobretudo nas mais frias e distais do corpo, como o dedão do pé. A crise é o momento em que a inflamação contra esses cristais finalmente se torna clínica.
É a artrite inflamatória mais comum em homens adultos. Costuma surgir entre os 30 e os 60 anos no homem; na mulher, é rara antes da menopausa, porque o estrogênio favorece a eliminação do ácido úrico pelos rins. Tem forte componente metabólico e anda junto com obesidade, hipertensão, diabetes, doença renal e síndrome metabólica; por isso a gota funciona, na prática, como um aviso de que a saúde cardiometabólica precisa ser avaliada por inteiro, e não só a articulação dolorida.
Como médico da dor, vejo a gota por dois ângulos que precisam ficar claros desde o início. O primeiro é o manejo da dor da crise, agudo e urgente, em que se controla a inflamação. O segundo é a doença de fundo: o ácido úrico cronicamente alto, que continua depositando cristais entre as crises.
Tratar só a dor, sem nunca baixar o urato, é apagar incêndios enquanto a fonte do combustível permanece. As duas frentes andam juntas, e a doença de fundo é conduzida pela reumatologia.
- São cristais. A dor vem do depósito de cristais de urato, não de desgaste ou de esforço.
- Vem em crises. O padrão clássico é a dor que aparece de repente, atinge o pico em horas e regride em dias.
- Começa embaixo. O dedão do pé é o alvo mais frequente da primeira crise.
- É controlável. Sem cura, mas com excelente controle quando o ácido úrico é mantido baixo a longo prazo.
Por que o ácido úrico elevado causa a crise
O ácido úrico é o produto final da quebra das purinas, substâncias que vêm tanto da reciclagem das próprias células do corpo quanto da alimentação. Em condições normais, ele é eliminado principalmente pela urina. A hiperuricemia aparece quando o corpo produz urato em excesso, quando os rins o eliminam pouco, ou, na maioria dos casos, pelas duas coisas ao mesmo tempo. A eliminação renal reduzida responde pela maior parte dos quadros.
Acima de um certo ponto de saturação, o urato deixa de ficar dissolvido e começa a formar cristais em forma de agulha. Esses cristais se acumulam de preferência onde a temperatura é mais baixa e a circulação mais lenta, o que explica a predileção pelo dedão do pé e pelas extremidades. Eles podem ficar silenciosos por bastante tempo, até que algo desestabiliza o depósito e os expõe ao sistema imune.
Aí começa a crise. As células de defesa fagocitam os cristais e ativam um sensor inflamatório chamado inflamassoma NLRP3, que libera interleucina-1 beta e dispara uma cascata inflamatória intensa. O resultado é a articulação subitamente quente, vermelha, inchada e com dor que muitas pessoas descrevem como a pior que já sentiram. Entender essa biologia importa na prática, porque os tratamentos da crise agem exatamente sobre essa inflamação, enquanto os tratamentos de fundo agem sobre a quantidade de urato que alimenta os cristais.
O que dispara uma crise
Curiosamente, a crise costuma ser deflagrada por uma variação rápida do ácido úrico, para cima ou para baixo, mais do que pelo valor absoluto. Por isso ela pode surgir após um exagero alimentar, mas também logo que se inicia um remédio que baixa o urato. Reconhecer os gatilhos ajuda o paciente a antecipar e a evitar recaídas.
- Álcool. Cerveja e destilados aumentam o urato e reduzem sua eliminação; é um dos gatilhos mais consistentes.
- Alimentos ricos em purina. Carnes vermelhas, vísceras e frutos do mar em excesso elevam a produção de ácido úrico.
- Frutose e refrigerantes. Bebidas adoçadas com frutose aumentam a uricemia.
- Desidratação e jejum. Reduzem a eliminação renal e concentram o urato.
- Medicamentos. Diuréticos e doses baixas de aspirina, entre outros, podem elevar o ácido úrico.
- Início do tratamento de fundo. Baixar o urato rápido demais, sem cobertura, pode paradoxalmente disparar crises nas primeiras semanas.
Hiperuricemia crônica
O ácido úrico alto por anos cristaliza em silêncio. É o reservatório que sustenta a doença e precisa ser tratado para mudar o curso.
A crise inflamatória
Uma variação do urato expõe os cristais, ativa o inflamassoma e produz a artrite quente e dolorosa em horas.
A crise clássica: podagra no dedão do pé
A apresentação mais típica é a podagra: a articulação na base do dedão do pé, chamada primeira metatarsofalângica, torna-se subitamente inflamada. A dor costuma começar de madrugada ou ao amanhecer, evolui para um pico em poucas horas e é tão intensa que muitos pacientes não toleram nem o peso do lençol sobre o pé. A articulação fica vermelha, quente, brilhante e muito sensível ao toque.
A primeira crise é, em geral, monoarticular, ou seja, atinge uma só articulação, e tende a resolver sozinha em alguns dias a duas semanas, mesmo sem tratamento. Essa autorresolução é traiçoeira, porque dá a falsa impressão de que o problema acabou, quando na verdade os cristais continuam ali. Além do dedão, a gota pode atingir o peito do pé, o tornozelo, o calcanhar, o joelho e, com o tempo, articulações das mãos.
Quando a doença não é controlada, as crises ficam mais frequentes, mais prolongadas e passam a envolver mais de uma articulação, a chamada gota poliarticular. Em fases avançadas, formam-se os tofos, que são acúmulos visíveis e palpáveis de cristais sob a pele, em torno de articulações, no cotovelo e na orelha. Os tofos sinalizam uma carga elevada de urato no corpo e reforçam a urgência do tratamento de fundo. Os cristais também podem precipitar nos rins e formar cálculos renais.
Um detalhe que costuma confundir: durante a crise aguda, o ácido úrico no sangue pode estar normal ou até baixo, porque ele migrou para os cristais e para a inflamação. Um exame normal no auge da dor não afasta gota. A dosagem mais útil é feita semanas depois, fora da crise, para guiar o tratamento de fundo.
É importante separar os termos que os pacientes pesquisam. Ácido úrico elevado sem sintomas é a hiperuricemia assintomática, que é um fator de risco, não a doença em si, e na maioria das vezes não exige medicação só por causa do número. Artrite gotosa aguda é a crise. E gota tofácea crônica é o estágio avançado com tofos. Já o ácido úrico baixo, que algumas pessoas buscam, raramente causa problemas articulares e não é alvo de tratamento nesse contexto.
Como a gota é diagnosticada
O diagnóstico começa pela história e pelo exame, com um quadro bastante sugestivo: uma crise de início rápido, monoarticular, com vermelhidão e dor extrema no dedão do pé, em um homem com fatores de risco metabólicos. Ainda assim, a confirmação ideal e o padrão de referência é a análise do líquido articular.
Quando possível, aspira-se um pouco do líquido da articulação inflamada e procuram-se, ao microscópio de luz polarizada, os cristais de urato. Esse exame tem dupla função: confirma a gota e, ao mesmo tempo, ajuda a afastar a artrite séptica.
Pergunta-chave
É possível aspirar e analisar o líquido da articulação inflamada?
A análise do líquido em luz polarizada é o padrão de referência: identifica os cristais de urato e descarta a artrite séptica.
Combina-se o quadro clínico com o ácido úrico sérico (lido fora da crise) e, em casos duvidosos ou crônicos, com ultrassom ou tomografia de dupla energia.
Como a gota raramente vem sozinha, a avaliação aproveita para rastrear o que costuma acompanhá-la: pressão arterial, glicemia, função renal, perfil lipídico e peso. Esse olhar mais amplo é parte do tratamento, porque controlar essas condições reduz crises e protege o coração e os rins.
Diferenciar a gota de outras artrites
Nem toda articulação inflamada é gota, e tratar o diagnóstico errado tem consequências. A pista mais valiosa é o padrão: a gota é tipicamente uma monoartrite aguda, de início explosivo, contra um fundo de fatores metabólicos. Ainda assim, vale comparar com os principais diagnósticos que entram no diferencial.
| Condição | Padrão típico | Pista que diferencia |
|---|---|---|
| Gota | Monoartrite aguda, início em horas, dedão do pé | Cristais de urato no líquido; fatores metabólicos; crises autolimitadas |
| Pseudogota (condrocalcinose) | Joelho ou punho, mais em idosos | Cristais de pirofosfato de cálcio (birrefringência positiva); calcificação da cartilagem na imagem |
| Artrite séptica | Articulação muito inflamada, febre, prostração | Emergência; líquido com bactéria; pode coexistir com gota e precisa ser afastada |
| Artrite reumatoide | Poliartrite simétrica, mãos e punhos, rigidez matinal prolongada | Curso crônico e simétrico; autoanticorpos; ver o texto da clínica |
| Artrose (osteoartrite) | Dor mecânica, piora ao uso, sem grande inflamação aguda | Evolução lenta; pouca vermelhidão e calor; padrão degenerativo |
| Celulite / erisipela | Vermelhidão e calor na pele, com febre | Acomete a pele, não a articulação; bordas cutâneas definidas |
A confusão mais frequente é com a pseudogota, que também é uma artrite por cristais, mas de pirofosfato de cálcio, e que prefere joelho e punho. A diferenciação definitiva é feita no líquido articular. Já a comparação com a dor articular em geral e com a artrite de joelho ajuda o paciente a entender que dores articulares têm causas muito distintas, e que o tratamento certo depende de nomear corretamente a origem.
Procure atendimento de urgência se houver
- Articulação muito inflamada acompanhada de febre, calafrios ou prostração importante.
- Dor articular intensa em quem tem imunidade baixa, diabetes, prótese articular ou usou injeção na articulação recentemente.
- Quadro que não melhora como o esperado ou que piora de forma rápida e progressiva.
- Vermelhidão que se espalha rapidamente pela pele ao redor, sugerindo infecção de pele.
A artrite séptica é a razão pela qual nem toda articulação quente deve ser tratada por conta própria como se fosse gota. A infecção dentro da articulação é uma emergência que pode destruir a cartilagem em poucos dias e exige avaliação imediata. Na dúvida entre crise de gota e infecção, a regra é simples: investigar antes de assumir.
Tratamento: controlar a crise e a dor
O tratamento da gota tem duas frentes que não se substituem. A primeira, abordada aqui, é o manejo da crise, em que se controla a inflamação aguda e a dor o mais rápido possível. A segunda, na seção seguinte, é a redução do ácido úrico a longo prazo, conduzida pela reumatologia, que é o que de fato muda a história da doença. Quanto mais cedo a crise é tratada, mais rápido o alívio, por isso o início precoce, ainda nas primeiras horas, é uma regra prática importante.
A escolha entre as opções da crise não depende tanto de qual é mais forte, mas de quais são seguras para cada paciente, levando em conta rins, coração, estômago e diabetes. A decisão é médica e individualizada, com nomes, porque vários desses fármacos têm contraindicações relevantes.
Medidas imediatas
Repouso da articulação, elevação e compressa fria local enquanto o medicamento começa a agir.
Anti-inflamatório
Naproxeno, ibuprofeno, indometacina, etoricoxibe: bloqueiam a ciclo-oxigenase e reduzem a inflamação do dedão.
Colchicina
Inibe a migração leucocitária e o inflamassoma NLRP3; mais eficaz quanto mais cedo iniciada.
Corticoide
Prednisona, prednisolona, metilprednisolona: opção quando anti-inflamatório e colchicina não são seguros; oral ou intra-articular.
Infiltração de corticoide
Injeção na própria articulação quando só uma está acometida e a infecção foi afastada; concentra o efeito.
Acupuntura e eletroacupuntura
Adjuvante associada ao tratamento padrão na crise; alívio da dor e redução de marcadores inflamatórios.
Anti-inflamatórios não esteroides (AINE)
- Mecanismo
- Bloqueiam a enzima ciclo-oxigenase e reduzem a produção de prostaglandinas, mediadores centrais da inflamação e da dor; na crise gotosa, isso reduz o inchaço, o calor e a dor da articulação.
- Exemplos
- Naproxeno, ibuprofeno, indometacina e o etoricoxibe na família dos coxibes; o cetoprofeno também é um anti-inflamatório dessa classe.
- Evidência
- Forte Primeira linha na crise sem contraindicações, com boa resposta nas primeiras 24 a 48 horas quando iniciados cedo.
- O que esperar
- Alívio progressivo ao longo de poucos dias, em curso curto, apenas o necessário para controlar o episódio. Quem busca “cetoprofeno para crise de gota” deve entender que o medicamento age na inflamação, não no ácido úrico, e não substitui a investigação nem o tratamento de fundo.
- Limitações
- A escolha do anti-inflamatório e da dose é do médico, porque essa classe pode agredir o estômago e os rins e descompensar pressão e insuficiência cardíaca.
Colchicina
- Mecanismo
- Age sobre os microtúbulos das células de defesa, dificultando sua migração até a articulação e inibindo a ativação do inflamassoma NLRP3; interrompe a cascata inflamatória na origem, não pela via das prostaglandinas como os anti-inflamatório.
- Evidência
- Forte Mais eficaz quanto mais cedo é iniciada, idealmente nas primeiras horas da crise. As doses baixas atuais são tão eficazes quanto as doses altas antigas e com muito menos efeitos adversos.
- O que esperar
- Controle progressivo do episódio quando iniciada cedo. Em dose baixa, também é usada como cobertura preventiva nos primeiros meses do tratamento de fundo, para evitar as crises que o início do controle do urato pode disparar.
- Limitações
- A dose precisa ser ajustada na doença renal e em quem usa certos medicamentos, porque a colchicina tem interações importantes; diarreia e desconforto abdominal são os efeitos mais comuns.
Corticoides
- Mecanismo
- A prednisona, prednisolona ou metilprednisolona são potentes anti-inflamatórios que reduzem a expressão de múltiplos genes inflamatórios, controlando a crise de forma ampla e rápida.
- Evidência
- Forte Especialmente úteis quando o anti-inflamatório e a colchicina não são seguros, situação comum em quem tem doença renal, idade avançada ou várias comorbidades.
- O que esperar
- Podem ser dados por via oral em curso curto e decrescente, ou injetados diretamente na articulação quando uma só está acometida e a infecção já foi afastada, o que concentra o efeito onde a inflamação está.
- Limitações
- O uso é monitorado em pessoas com diabetes, porque elevam a glicemia, e a duração é a menor possível.
O manejo da dor pela clínica
Na clínica de dor, o nosso papel na gota é claro e tem limites bem definidos. Atuamos no controle da dor e na recuperação funcional, sempre de forma integrada à conduta reumatológica que trata a doença de base. Em uma crise aguda confirmada, o pilar é o tratamento anti-inflamatório descrito acima; medidas locais e a infiltração de corticoide na articulação, quando indicada e com infecção descartada, ajudam a abreviar o sofrimento.
Entre as crises, sobretudo quando restam dor e limitação na articulação que inflamou, somam-se ferramentas não farmacológicas, sempre como adjuvantes e nunca em lugar do controle do urato.
Acupuntura médica e eletroacupuntura
Na artrite gotosa têm base de evidência própria: revisões sistemáticas e ensaios em crise aguda descrevem alívio da dor e redução de marcadores inflamatórios quando a eletroacupuntura é associada ao tratamento padrão, e não em substituição a ele. Ainda é evidência limitada em tamanho e qualidade, e o peso da crise continua no anti-inflamatório, na colchicina ou no corticoide.
Fisioterapia e exercício orientado
Recuperam mobilidade e força depois que a inflamação cede e protegem a articulação a longo prazo, em especial o pé e o joelho que sofreram crises repetidas.
Laser de alta intensidade
Por fotobiomodulação, com efeito analgésico e anti-inflamatório local, entra de forma seletiva, na reabilitação e fora da fase aguda intensa.
Nenhum desses recursos baixa o ácido úrico nem dissolve cristais; eles trabalham apenas o componente doloroso e funcional.
Para uma visão mais ampla dos analgésicos e anti-inflamatórios usados no controle da dor, com seus mecanismos e cuidados, vale consultar o nosso guia de remédios para dor. Reforço, porém, o princípio central: na gota, controlar a dor sem baixar o ácido úrico não resolve a doença.
“A crise passou sozinha, então a gota está curada e não preciso de mais nada.”
A crise é autolimitada, mas os cristais permanecem. Sem reduzir o urato a longo prazo, as crises tendem a voltar, mais frequentes e mais graves.
Alguns padrões se repetem na consulta de quem chega com gota. A história mais característica continua sendo a do dedão que acorda a pessoa de madrugada, vermelho, quente e tão sensível que o peso do lençol incomoda; quando o relato é esse, em homem com fatores metabólicos, o diagnóstico clínico fica bastante provável antes mesmo do exame.
Dois pontos costumam surpreender o paciente. O primeiro é que o remédio que de fato trata a doença, o que baixa o ácido úrico, não é iniciado no meio da crise: começá-lo com a articulação em plena inflamação pode piorar o episódio, então ele entra depois, com a crise já controlada. O segundo, igualmente importante, é que quem já usa esse remédio não deve suspendê-lo quando a crise chega; parar no meio do surto tende a prolongar a inflamação. Trata-se a crise por cima do tratamento de fundo, sem interrompê-lo.
Vale também a conversa franca sobre gatilhos. Muitas recaídas têm hora e motivo: o fim de semana com cerveja, o exagero de carne vermelha ou frutos do mar, o refrigerante adoçado com frutose, um período de desidratação ou de jejum prolongado. E há a regra de segurança que nunca abandono: diante de uma única articulação muito inflamada, sobretudo com febre, calafrio ou prostração, a infecção dentro da articulação precisa ser descartada antes de assumir que é gota, porque a artrite séptica é emergência.
A crise e a doença se tratam em tempos diferentes. O anti-inflamatório, a colchicina ou o corticoide apagam o incêndio do episódio, mas não tocam na causa; baixar o ácido úrico com alopurinol ou febuxostate é o passo que mantém a doença controlada, e justamente por isso é iniciado entre as crises, não durante uma delas, e mantido por anos mesmo sem dor.
O segundo ponto é de segurança: uma articulação quente e inchada só pode ser chamada de gota depois que a infecção foi excluída. Confiar apenas no histórico de gota e tratar toda crise em casa como mais um surto pode mascarar uma artrite séptica, que destrói cartilagem em poucos dias. Por isso, na dúvida, investiga-se antes de assumir.
O tratamento de fundo: reduzir o ácido úrico
Aqui está o que realmente muda o curso da gota e onde o cuidado se articula com a reumatologia. Controlar a crise alivia o episódio; baixar o ácido úrico de forma sustentada dissolve os cristais ao longo do tempo, reduz a frequência das crises, faz os tofos regredirem e protege articulações e rins. Essa é a terapia de redução do urato, e é uma decisão e um acompanhamento que cabem ao reumatologista.
A indicação costuma surgir em quem tem crises recorrentes, tofos, cálculos renais por ácido úrico ou doença renal associada. A meta habitual é manter o urato abaixo de um determinado nível, em geral inferior a 6 mg/dL, e mais baixo ainda quando há tofos, porque é abaixo desse ponto que os cristais começam a se dissolver. O tratamento é de longo prazo, frequentemente para a vida toda, e não deve ser interrompido durante as crises.
Entre os medicamentos de fundo, com nomes, o alopurinol é o mais usado: ele inibe a enzima xantina oxidase e, com isso, reduz a produção de ácido úrico. O febuxostate age pela mesma via e é uma alternativa em situações específicas. Há ainda fármacos que aumentam a eliminação renal do urato.
Um ponto que sempre explico ao paciente: ao começar esses remédios, o urato cai e pode, paradoxalmente, disparar novas crises nos primeiros meses; por isso costuma-se associar uma cobertura preventiva, com colchicina em dose baixa ou anti-inflamatório, durante essa fase de transição. A dose é titulada aos poucos, com exames de controle.
Reumatologia
A indicação, a escolha do medicamento de redução do urato, a meta e o acompanhamento laboratorial são da reumatologia. A clínica de dor soma no controle da dor e na reabilitação.
mg/dL na maioria dos casos, e mais baixo quando há tofos, conforme a avaliação individual.
Medidas de estilo de vida que somam
As mudanças de hábito não substituem a medicação quando ela está indicada, mas reduzem crises, ajudam a atingir a meta de urato e tratam as condições que andam com a gota, como obesidade, hipertensão e diabetes. São parte do tratamento opcional.
- Reduzir o álcool, em especial cerveja e destilados, um dos gatilhos mais consistentes.
- Moderar carnes vermelhas, vísceras e frutos do mar, ricos em purina.
- Evitar bebidas adoçadas com frutose e refrigerantes.
- Manter boa hidratação ao longo do dia para favorecer a eliminação renal.
- Buscar perda de peso gradual quando há excesso, sem jejuns extremos.
- Revisar com o médico medicamentos que elevam o urato, como alguns diuréticos.
Laticínios com baixo teor de gordura e o café, dentro de uma dieta equilibrada, costumam associar-se a menor risco. Ajuste sempre individual, com orientação.
Controle agudo
Anti-inflamatório, colchicina ou corticoide, conforme as comorbidades, iniciados cedo. Não se inicia nem se suspende o medicamento de fundo por causa da crise.
Avaliação completa
Dosagem de urato fora da crise, rastreio metabólico e renal, e decisão sobre iniciar a terapia de redução do urato com a reumatologia.
Atingir e manter a meta
Titulação do medicamento de fundo com cobertura preventiva, mudanças de hábito e acompanhamento laboratorial até estabilizar o urato na meta.
Bem conduzida, a gota é uma das artrites com melhor prognóstico. Não há cura, no sentido de eliminar a tendência a produzir urato, mas há controle excelente: com o ácido úrico mantido na meta a longo prazo, os cristais se dissolvem, as crises se tornam raras ou desaparecem e os tofos regridem. A maior dificuldade, na prática, não é a falta de tratamento eficaz, e sim a adesão a um remédio que precisa ser tomado mesmo quando não há dor. Entender o porquê do tratamento contínuo costuma ser o que o sustenta ao longo do tempo.
Tratamento não farmacológico: RPG, Pilates e fisioterapia
A gota é, antes de tudo, uma doença metabólica, e por isso o tratamento não farmacológico não é um acessório: é uma das alavancas que de fato reduzem crises e ajudam o urato a chegar e a permanecer na meta. Esse pilar tem duas dimensões. A primeira é metabólica e comportamental, voltada à dieta, ao peso, à hidratação e à proteção da articulação. A segunda é a reabilitação ativa, com RPG, Pilates clínico e fisioterapia, que entra sobretudo entre as crises, quando restam dor residual, rigidez e perda de função na articulação que foi inflamada.
Vale separar bem os tempos. Durante a crise aguda, a articulação está intensamente inflamada e a conduta é repouso relativo, elevação, frio local e o controle medicamentoso da inflamação; não é hora de carga nem de exercício resistido sobre o dedão ou o joelho em plena podagra. Já na intercrise, o movimento passa a ser aliado: a inatividade prolongada enrijece, atrofia e perpetua a dor, ao passo que a reabilitação progressiva devolve mobilidade, força e confiança no membro. O princípio é simples: na crise, proteger; fora dela, mover de forma graduada.
Frente metabólica e comportamental
Dieta: reduzir purinas, álcool e frutose
Moderar carnes vermelhas, vísceras e frutos do mar reduz a carga de urato; o álcool, sobretudo a cerveja, e a frutose de refrigerantes elevam a uricemia. Isolada, a dieta baixa o ácido úrico de forma modesta, da ordem de 1 mg/dL, e não substitui a terapia de redução do urato quando indicada. Restrições extremas e jejuns prolongados são contraproducentes, porque a privação aguda eleva o urato e pode disparar crise.
Perda de peso e controle das comorbidades
A obesidade e a resistência à insulina reduzem a eliminação renal do urato; perder peso de forma lenta e sustentada reduz crises e protege coração e rins. Dietas-relâmpago e quedas abruptas podem, no curtíssimo prazo, precipitar crises. Alguns diuréticos elevam o ácido úrico e sua revisão cabe ao médico assistente, que pode preferir alternativas como a losartana.
Hidratação e proteção articular
Boa ingesta hídrica favorece a eliminação renal do urato e reduz cálculos; a desidratação é gatilho clássico. Calçados largos, solado adequado e órteses quando indicadas reduzem o microtrauma sobre a primeira metatarsofalângica cristalizada. Medidas de baixo custo e baixo risco; a meta hídrica é individualizada em quem tem doença renal ou cardíaca.
Reabilitação ativa na intercrise
RPG, a reeducação postural global
Trabalha as cadeias musculares por posturas de alongamento ativo sustentado e contração isométrica e excêntrica. Útil quando crises repetidas no pé ou no joelho levaram a compensações antálgicas, alterando a pisada e sobrecarregando outras articulações. Adjuvante, em sessões individualizadas, um paciente por sala; não age sobre o ácido úrico nem sobre a inflamação aguda.
Pilates clínico
Conduzido por fisioterapeuta, foca controle motor, estabilização e fortalecimento progressivo de baixa a moderada carga, sem impacto agressivo sobre a articulação inflamada. Útil na reabilitação e na manutenção, para prevenir o descondicionamento. Não substitui o controle do urato e respeita a fase aguda, em que a articulação não é exercitada sob carga.
Fisioterapia e cinesioterapia na recuperação
Reabilitação ativa com exercício terapêutico, terapia manual como adjuvante e, de forma seletiva, laser de alta intensidade fora da inflamação aguda. Recupera amplitude, força e controle motor da articulação que ficou rígida e dolorida após a crise. Nenhuma dessas medidas baixa o ácido úrico, papel que cabe à terapia de redução do urato.
- Na crise, proteger: repouso relativo, elevação e frio local; sem carga sobre a articulação inflamada.
- Na intercrise, mover: reabilitação progressiva com fisioterapia, RPG e Pilates clínico para recuperar mobilidade e força.
- Reduzir álcool, purinas e frutose, e manter boa hidratação ao longo do dia.
- Buscar perda de peso gradual e tratar hipertensão, diabetes e dislipidemia em conjunto.
- Proteger a articulação com calçado adequado e revisar com o médico fármacos que elevam o urato.
Estas medidas reduzem crises e ajudam a atingir a meta de urato, mas não dissolvem cristais por si sós quando há indicação de medicação de fundo.
Tratamento cirúrgico e opções fora da clínica
A gota é, na imensa maioria dos casos, uma doença de tratamento clínico, e a cirurgia tem papel pequeno e excepcional. Bem conduzida, com o ácido úrico mantido na meta a longo prazo, ela raramente chega ao ponto de exigir intervenção cirúrgica. Quando a cirurgia entra em cena, em geral é sinal de que a doença evoluiu por anos sem controle adequado do urato. Estas opções cirúrgicas não são realizadas em nossa clínica; o manejo é conduzido pelo reumatologista, com encaminhamento ao cirurgião quando necessário.
Conservador · regra
Controle do urato e reabilitação
- Terapia de redução do urato na meta dissolve os cristais e faz os tofos regredirem sem bisturi.
- Controle da dor da crise e reabilitação ativa entre as crises.
- Conduzido pela reumatologia, com a clínica de dor somando no controle da dor e na função.
Cirúrgico · exceção
Remoção de tofos volumosos ou complicados
- Indicado quando o tofo ulcera e infecta, comprime nervo ou tendão, limita o movimento, deforma de forma incapacitante ou cursa com dor refratária ao tratamento otimizado.
- Exérese de tofos, drenagem do tofo infectado, sinovectomia e, em articulação muito destruída, artrodese ou artroplastia, conduzidas pelo ortopedista.
- Resolve a consequência local, não a doença; sem controle do urato no pós-operatório, os tofos podem se reformar.
A cirurgia na gota não trata a causa: ela remove a consequência local de um urato cronicamente alto. Sem o controle do ácido úrico no pós-operatório, os tofos podem se reformar e a cicatrização, em área de pele fina e mal vascularizada sobre o tofo, costuma ser lenta e sujeita a complicações. Por isso a regra é otimizar primeiro a terapia de redução do urato e reservar a cirurgia para o tofo que já causou dano estrutural ou que não responde. A decisão é multidisciplinar, entre reumatologia e ortopedia.
Há ainda uma frente de manejo fora da clínica de dor que merece registro: os casos graves, refratários ou complicados por doença renal são conduzidos pela reumatologia, que dispõe de recursos como a terapia de redução do urato titulada com exames, os agentes uricosúricos e, em situações selecionadas e raras de gota tofácea grave e refratária, terapias específicas de degradação do ácido úrico. Esse manejo especializado, assim como a cirurgia, está fora do escopo da clínica de dor, cujo papel é o controle da dor e a reabilitação, sempre integrado à conduta reumatológica.
- Quando considerar cirurgia
- Tofo que ulcera e infecta, comprime nervo ou tendão, limita o movimento, deforma de forma incapacitante ou cursa com dor refratária ao tratamento clínico otimizado.
- Procedimentos possíveis
- Exérese de tofos, drenagem de tofo infectado, sinovectomia e, em articulação muito destruída, artrodese ou artroplastia; conduzidos pelo ortopedista.
- O que esperar
- Resolve o problema local, não a doença; cicatrização sobre o tofo costuma ser lenta; o urato precisa ser controlado para evitar recidiva.
- Fora da clínica de dor
- Cirurgia e manejo dos casos refratários ou com doença renal são da ortopedia e da reumatologia; nossa atuação é controle da dor e reabilitação.
Tratamento medicamentoso
O tratamento medicamentoso da gota é completo apenas quando contempla as duas frentes da doença, com os nomes. A primeira frente é o controle da crise aguda, em que se combate a inflamação. A segunda é o tratamento de longo prazo, a terapia de redução do urato, que é o que muda o curso da doença e cabe ao reumatologista.
As duas não se substituem, e há uma regra prática essencial: durante a crise não se inicia nem se suspende o medicamento de fundo. A dose e a duração de cada fármaco são individualizadas conforme rins, coração, estômago, diabetes e interações.
| Classe | Como age | Quando se usa | Evidência |
|---|---|---|---|
| Anti-inflamatório (naproxeno, ibuprofeno, indometacina, etoricoxibe) | Bloqueiam a ciclo-oxigenase e reduzem prostaglandinas. | Primeira linha sem contraindicação renal, cardíaca ou gástrica; curso curto, maior dose tolerada iniciada cedo. | Forte |
| Colchicina | Age nos microtúbulos das células de defesa e inibe o inflamassoma NLRP3. | Mais eficaz quanto mais cedo iniciada; dose baixa, tão eficaz quanto a antiga dose alta e com menos diarreia; ajuste na doença renal e atenção a interações. | Forte |
| Corticoide (prednisona, prednisolona, metilprednisolona) | Anti-inflamatório amplo, reduz múltiplos genes inflamatórios. | Quando anti-inflamatório e colchicina não são seguros; oral em curso curto e decrescente ou injetado na articulação quando só uma está acometida e a infecção foi afastada; monitorar glicemia no diabético. | Forte |
Na crise, a escolha entre as três classes depende menos de potência e mais da segurança para cada paciente. Esta seção complementa o detalhamento por mecanismo apresentado na seção de tratamento da crise.
| Fármaco | Como age | Quando se usa | Evidência |
|---|---|---|---|
| Alopurinol | Inibe a xantina oxidase e reduz a produção de ácido úrico. | Primeira linha do tratamento de fundo; dose titulada aos poucos até a meta (em geral < 6 mg/dL, mais baixo quando há tofos), com controle laboratorial. | Forte |
| Febuxostate | Atua pela mesma via enzimática do alopurinol. | Alternativa em intolerância ou resposta insuficiente ao alopurinol, em situações específicas. | Moderada |
| Agentes uricosúricos | Aumentam a eliminação renal do urato. | Quando a via de produção não basta; conforme a função renal e a avaliação da reumatologia. | Moderada |
| Profilaxia (colchicina em dose baixa ou anti-inflamatório) | Cobre a inflamação enquanto o urato cai. | Nos primeiros meses do tratamento de fundo, porque a queda do urato pode disparar crises na fase de transição. | Forte |
O tratamento de fundo busca manter o ácido úrico abaixo da meta, em geral inferior a 6 mg/dL e mais baixo quando há tofos, porque é abaixo desse ponto que os cristais se dissolvem. É de longo prazo, frequentemente para a vida toda, conduzido e monitorado pela reumatologia, e não deve ser interrompido durante as crises.
A condução de toda essa estratégia medicamentosa de longo prazo, com a meta de urato, a titulação e o acompanhamento laboratorial, é da reumatologia. A clínica de dor soma no controle da dor e na reabilitação. O princípio central permanece: na gota, controlar a dor sem baixar o ácido úrico não resolve a doença.
Centro de Dor
Listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED)
Centro de Tratamento por Ondas de Choque
Listado pela Sociedade Médica Brasileira de Tratamento por Ondas de Choque (SMBTOC)
Clínica listada
Listada pelo Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura (CMBA)
Perguntas frequentes
O que causa o ácido úrico elevado?
O ácido úrico elevado, ou hiperuricemia, resulta de produção aumentada de urato, eliminação renal reduzida ou, na maioria dos casos, das duas coisas. Contribuem fatores genéticos, dieta rica em purina e frutose, álcool, obesidade, doença renal e alguns medicamentos, como diuréticos. Nem todo ácido úrico alto causa gota, mas é o principal fator de risco.
Quais são os sintomas do ácido úrico alto?
O ácido úrico alto em si costuma ser assintomático por anos. Os sintomas aparecem quando os cristais se depositam e inflamam, na forma da crise de gota: dor súbita e intensa, vermelhidão, calor e inchaço de uma articulação, classicamente o dedão do pé. Com o tempo, sem controle, podem surgir tofos e cálculos renais.
O cetoprofeno serve para a crise de gota?
O cetoprofeno é um anti-inflamatório não esteroide e, como outros anti-inflamatório, pode ser usado por um médico no controle da inflamação da crise quando não há contraindicação renal, cardíaca ou gástrica. Ele age na inflamação e na dor, não no ácido úrico, e não substitui o tratamento de fundo. A escolha do anti-inflamatório e da dose é médica.
O ácido úrico baixo é um problema?
No contexto da gota, o ácido úrico baixo não causa as crises articulares e geralmente não preocupa. O objetivo do tratamento de fundo é justamente manter o urato baixo, em geral abaixo de 6 mg/dL, porque é nesse patamar que os cristais se dissolvem. Valores muito baixos isolados raramente têm repercussão clínica e devem ser interpretados pelo médico.
Por que a primeira crise costuma ser no dedão do pé?
A articulação na base do dedão, chamada podagra quando inflamada, é mais fria e mais distante do centro do corpo, o que favorece a cristalização do urato. Também sofre carga e microtraumas ao caminhar. Por isso é o alvo mais frequente da primeira crise, embora tornozelo, joelho e peito do pé também sejam comuns.
A gota tem cura?
A gota não tem cura no sentido de eliminar a tendência a produzir ácido úrico, mas tem controle muito bom. Mantendo o urato na meta a longo prazo, com tratamento de fundo e mudanças de hábito, as crises tornam-se raras ou desaparecem e os tofos regridem. O tratamento costuma ser contínuo, mesmo sem dor.
Qual a diferença entre gota e artrite reumatoide?
A gota é uma artrite por cristais de ácido úrico, costuma vir em crises agudas de uma articulação e relaciona-se a fatores metabólicos. A artrite reumatoide é uma doença autoimune, crônica, que tende a acometer várias articulações de forma simétrica, com rigidez matinal prolongada. São doenças distintas, com tratamentos diferentes, e a diferenciação é feita pelo médico. Veja também o texto da clínica sobre como aliviar a dor da artrite reumatoide.
Quando devo procurar um especialista?
Procure avaliação após a primeira crise para confirmar o diagnóstico, e com mais urgência se as crises recorrem, se há tofos, cálculos renais ou doença renal, situações em que a reumatologia indica o tratamento de redução do urato. Qualquer articulação muito inflamada com febre exige atendimento imediato, para afastar infecção.
Referências6 fontes citadas neste artigoVerOcultar
- FitzGerald JD, et al. 2020 American College of Rheumatology Guideline for the Management of Gout. Arthritis Care Res (Hoboken). 2020;72(6):744 a 760. acessar
- Richette P, et al. 2016 updated EULAR evidence-based recommendations for the management of gout. Ann Rheum Dis. 2017;76(1):29 a 42. acessar
- Dalbeth N, et al. Gout. Lancet. 2021;397(10287):1843 a 1855. acessar
- McKenzie BJ, et al. Colchicine for acute gout. Cochrane Database Syst Rev. 2021;8(8):CD006190. acessar
- Ni et al. Eletroacupuntura para artrite gotosa aguda: uma revisão sistemática e meta-análise. Frontiers in Immunology. 2024. ver resumo
- Wei et al. Eletroacupuntura melhora dor da gota através da redução da inflamação. Chinese Medicine. 2023. ver resumo
Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação médica individual. Na gota, a conduta na crise e a meta de ácido úrico no tratamento de fundo precisam ser individualizadas conforme rins, coração, estômago, diabetes e medicações em uso, e podem mudar de uma pessoa para outra. Diante de uma articulação muito inflamada com febre, procure atendimento para descartar infecção.
