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Gota: dor intensa nas articulações. Aprenda mais

A gota é uma forma de artrite (inflamação das articulações) causada por altos níveis de ácido úrico.

A gota pode ser uma condição dolorosa, mas que pode ser gerenciada para reduzir a frequência com que ocorrem ataques de gota.

A gota é caracterizada pelo inchaço das articulações A base do dedão do pé é mais comumente afetada pela gota. Mais de uma articulação pode ser afetada pela gota em algumas pessoas.

Os sintomas podem surgir rapidamente, com inchaço ocorrendo dentro de algumas horas. A articulação inchada pode ser muito dolorosa e sensível ao toque. Durante o inchaço, a pele que cobre a articulação pode ficar vermelha e brilhante na aparência.

Aprenda mais sobre a gota, seus sintomas, diagnóstico e tratamento.

O que é gota?

GOTA

Conhecida há milênios, a gota é uma doença inflamatória, reumatológica, e metabólica que ocorre devido ao alto nível de ácido úrico na corrente sanguínea (acima de 6,8 mg/dL, sem solubilização), condição chamada de hiperuricemia. 

Quando está em alta quantidade no organismo, o ácido úrico viaja pela corrente sanguínea e pode se depositar nas articulações, formando cristais que causam reações inflamatórias e dor intensa na região. 

Desta forma, a gota acomete as extremidades articulares, como joelho, cotovelo, tornozelo e, especialmente, o dedão do pé (local onde, normalmente, ocorre a primeira crise). O distúrbio é um tipo de artrite, chamada de artrite gotosa.

O depósito desses cristais debaixo da pele pode formar protuberâncias nos pés, dedos, joelhos, cotovelos, mãos e orelhas, chamadas de tofos.

De onde vem o ácido úrico?

O ácido úrico aparece no organismo por meio da decomposição de uma molécula chamada purina, que tem duas fontes principais:

Fonte interna: consequência do processo natural de renovação celular. Quando uma celular morre, seu DNA sofre desintegração e dá origem à purina. Esse processo equivale a 80% do ácido úrico no organismo

Alimentação: responsável pelos outros 20% da produção de ácido úrico no corpo. A purina é encontrada, principalmente, em alimentos que são boas fontes de proteína.

Por que o dedão do pé é a articulação mais afetada?

Apesar de não haver uma conclusão científica para esta pergunta, existem algumas hipóteses bem aceitas.

Uma delas está relacionada ao pH dessa região, que é mais ácido do que no restante do corpo. Como o ácido diminui o ponto de solubilização, isso eleva as chances de se formarem cristais de ácido úrico.

Outra hipótese levantada é de que nessa extremidade a temperatura é mais fria do que nas outras articulações, e tal qual acontece com a acidez, o frio diminui a taxa de solubilidade do ácido úrico.

Alguns estudiosos também acreditam que a pressão durante a caminhada pode estimular mais a formação dos cristais.

O fato é que as articulações dos membros inferiores têm sim probabilidade maior de terem gota. E isso acontece devido ao peso do corpo que precisam sustentar.

Entretanto, vale lembrar que a gota também pode acometer articulações dos membros superiores, como cotovelo e dedos da mão, e até a orelha.

O que pode provocar as crises de gota?

A causa principal da gota é a alta concentração de ácido úrico na corrente sanguínea, que pode provocar o depósito de cristais nos tecidos, especialmente nas articulações. Como consequência ocorre a inflamação do local, acompanhada de inchaço e dor.

Esse aumento do ácido úrico pode ser provocado pela produção em excesso ou pela deficiência na sua eliminação. Mas é importante observar que nem todos os indivíduos que registram hiperuricemia vão, necessariamente, desenvolver a gota.

Associado a essa taxa alta no sangue estão alguns fatores de risco como:

  • sexo masculino
  • idade entre 40 e os 50 anos
  • dieta excessiva de carne vermelha e frutos do mar
  • consumo exagerado de álcool, especialmente cerveja e vinho tinto, que possui concentração alta de purina
  • alta ingestão de refrigerante
  • sobrepeso e obesidade
  • sedentarismo
  • colesterol alto
  • predisposição genética
  • trauma físico
  • cirurgias
  • quimioterapia
  • uso de diurético
  • uso de medicamentos com ácido acetilsalicílico

Os homens são mais predispostos a ter gota. Dificilmente o organismo das mulheres desencadeia a gota antes de entrar na menopausa por isso, normalmente, elas já têm mais de 60 anos quando sofrem com aparecimento da doença.

Quais são os principais sintomas?

A gota afeta uma articulação de cada vez, normalmente, aparecendo primeiro no dedão do pé e se espalhando para as juntas do joelho e tornozelo. Podendo atingir até punho, mão e cotovelo.

Uma crise pode durar vários dias (de 3 a 10, mais ou menos), com maior intensidade nas primeiras 12 horas após o início da crise da gota.

O primeiro sinal é uma pequena dor e incômodo na articulação que tende a ficar completamente inflamada após algumas horas. Ocasionando, assim outros sintomas. 

O quadro normal de gota podeincluir:

  • dor na articulação (normalmente começa de madrugada e é tão intensa que desperta o sono)
  • inflamação na região
  • vermelhidão e inchaço
  • Rigidez nas articulações
  • formação de cálculos que resultam em cólica renal
  • acúmulo de cristais debaixo da pele, que formam protuberâncias 
  • febre e calafrios

Os primeiros sintomas aparecem, normalmente, durante a noite, em períodos mais frios, fator que favorece a cristalização de ácido úrico. A duração e a frequência variam para cada pessoa.

Relatos de pacientes revelam a crise de gota como extremamente dolorosa sendo impossível colocar um sapato ou até mesmo encostar o pé no chão ou colocar um cobertor por cima para dormir. Esse forte incômodo é descrito como cacos de vidro que espetam no interior da articulação, sensação que vem do acúmulo de cristais de ácido úrico.

Apesar de mais raro, alguns pacientes podem ter uma crise que some e nunca mais volta. Em geral, acontecem surtos de curta duração que passam e voltam a aparecer depois de algum tempo.  

Não é toda dor nas articulações que pode ser considerada gota.

Como é dado o diagnóstico?

O quadro de gota é tão característico que o diagnóstico é dado essencialmente após a avaliação do histórico clínico do paciente, associada ao exame de sangue que mostra taxas elevadas de ácido úrico na corrente sanguínea. 

Mesmo dispensando muitos exames, podem ser solicitadas radiografias, exame para dosar o ácido úrico na urina e coleta do líquido da articulação infeccionada, para identificar a presença de cristais. 

Mais uma vez, reforçamos que a taxa elevada de ácido úrico não indica, sozinha, uma condição da doença. Ou seja, nem todo mundo que apresenta nível alto de ácido úrico na corrente sanguínea vai, necessariamente, desenvolver gota. A genética somada aos hábitos alimentares e à capacidade de eliminar o excesso pela urina é que determinam o aparecimento da doença. 

Da mesma forma, não é toda dor nas articulações que pode ser considerada gota. Existem outros distúrbios como artrose e reumatismo que causam a mesma condição de incômodo nas juntas.

Qual o tratamento indicado para gota? 

A gota é uma doença que não tem cura definitiva. Portanto, o tratamento é focado em diminuir a inflamação da articulação e, consequentemente a dor nas crises mais agudas. Também existe a preocupação em fazer a adequação da hiperuricemia, para evitar episódios futuros. 

Durante as crises, é recomendado fazer repouso e usar bolsas de gelo na região afetada para atenuar as dores intensas. 

O tratamento medicamentoso pode incluir antiinflamatórios não-esteróidais (AINEs), analgésicos, colchicina e corticosteróides, entre outros medicamentos que podem ser usados de forma associada ao não. 

Também é comum serem receitadas medicações específicas para diminuir o nível de ácido úrico no organismo. 

Esses medicamentos devem sempre ser usados sob prescrição médica e com cuidado por pacientes com hipertensão, insuficiência renal, gastrite e ulceração péptica.

Quando há presença de tofos que prejudicam a função articular, pode ser necessária uma intervenção cirúrgica para a retirada. 

Para prevenir novos episódios de gota no futuro é fundamental evitar os fatores que estimulam a formação de ácido úrico. E, para direcionar essa prevenção, o reumatologista deverá investigar se o distúrbio é causado pela produção em excesso de ácido úrico ou pela falha na eliminação.  

Quando a causa vem do acúmulo por falha para eliminar o ácido úrico, que é a causa mais frequente do distúrbio, o médico indicará o tratamento mais eficaz para aguçar esse processo. No caso de uma hiperprodução, que é a forma mais rara da gota, ele vai receitar medicamento para diminuir a síntese da substância.

Além do tratamento medicamentoso, o reumatologista deve passar orientações para mudança no estilo de vida. Especialmente em relação à dieta, que deve moderar alimentos com alta concentração de purina, e ao sobrepeso ou obesidade, com forte recomendação para adesão de uma rotina de exercícios físicos adequado ao perfil.

É ainda necessário aumentar a ingestão de líquidos para melhorar o fluxo urinário.

E se não for realizado o tratamento adequado?

As crises mais leves de gota costumam desaparecer cerca de dois dias após os primeiros sintomas. Enquanto as mais graves rapidamente evoluem para um quadro de dor que aumenta em poucas horas e pode permanecer por apenas uma semana ou durar várias até os sintomas desaparecerem por completo.

Normalmente, após a crise, o paciente consegue retomar sua rotina diária e ter uma vida tranquila. Assim, muitas pessoas não busquem ajuda médica.

O problema disso é que sem o tratamento adequado, uma nova crise pode aparecer em poucos meses (ou mesmo anos) e na mesma ou em outras articulações. E o intervalo tende a ir diminuindo enquanto a intensidade da dor aumenta a cada novo episódio. 

Sem o tratamento adequado, a gota pode ocasionar complicações graves como:

  • crises recorrentes de artrite gotosa
  • complicações renais, como cálculo e insuficiência 
  • deformações articulares
  • depósitos de cristais de monourato de sódio em cartilagens, articulações, tendões e bursas
  • aumento do risco de AVC e infarto do miocárdio
  • disfunção erétil

Pode ainda gerar um quadro grave que exige operação para remoção dos tofos gotosos.

Existem formas de prevenir a crise de gota?

Sim. Inclusive é fortemente recomendada a mudança de hábitos logo após o primeiro episódio de crise.

Cerca de 20% do ácido úrico no organismo vem da dieta, portanto, quem já teve episódios de gota deve consumir com moderação os alimentos que estimulam a produção dessa substância. O melhor é apostar em uma dieta equilibrada, farta em vegetais.

Outros alimentos que também oferecem uma certa proteção contra o desencadeamento da gota são: leite e derivados desnatados, café, cerejas, frutas cítricas e outras fontes de vitamina C. 

A bebida alcoólica também deve ser evitada, porque altera o fluxo urinário, fazendo com que os rins eliminem menos ácido úrico. A cerveja é a bebida que mais deve ser evitada, pois, além do álcool, contém cevada, cereal com alto teor de purina, molécula que estimula a produção do ácido. 

A atividade física é sempre muito bem vinda, pois ajuda a evitar o sobrepeso e atua de forma preventiva a desordens que podem aumentar o risco do surgimento de dores nas juntas – durante as crises, entretanto, o recomendado é suspender os exercícios e fazer repouso.

Quais são as principais recomendações para quem é portador de gota?

Nunca é demais repetir as recomendações para evitar episódios recorrentes da doença. Veja as dicas para quem tem histórico de gota:

  • procurar tratamento adequado
  • realizar acompanhamento médico frequente, se houver doenças associadas como diabetes, hipertensão arterial, etc.
  • evitar consumir sardinha, frutos do mar e miúdos (fígado e rim), embutidos, feijão, grão-de-bico, refrigerante e suco industrializado
  • consumir uma quantidade suficiente de carboidratos
  • durante a crise, não se deve consumir carne vermelha e pele de aves (uando a doença está em tratamento, esses itens podem ser consumidos de forma moderada)
  • evitar o excessivo consumo de bebida alcoólica
  • evitar a dieta hipercalórica, pois o sobrepeso sobrecarrega a articulação inflamada e é um dos fatores de risco para gota
  • aumentar a ingestão de água
  • abandonar o estilo de vida sedentário e realizar atividades físicas regulares
  • tomar os medicamentos de acordo com as orientações médicas

Em resumo, a gota é uma doença reumática desencadeada pela alta concentração de acido úrico no sangue, que provoca o acúmulo de cristais nas articulações. É um distúrbio que não tem cura, mas quando o tratamento ocorre de forma adequada não interfere na qualidade de vida do paciente.

Para que o doente possa viver bem é importante buscar ajuda médica e realizar o tratamento adequado, com medicamentos e mudanças no estilo de vida. Complicações nos rins e deformações articulares podem ocorrer caso a doença não seja bem tratada.

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 / RQE: 65523 - 65524 | Médico especialista em Fisiatria e Acupuntura. Área de Atuação em Dor pela AMB. Doutorando em Ciências pela USP. Pesquisador e Colaborador do Grupo de Dor do Departamento de Neurologia do HC-FMUSP. Diretor de Marketing do Colégio Médico de Acupuntura do Estado de São Paulo (CMAeSP). Integrante da Câmara Técnica de Acupuntura do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP). Secretário do Comitê de Acupuntura da Sociedade Brasileira para Estudo da Dor (SBED). Professor convidado do Curso de Pós-Graduação em Dor da Universidade de São Paulo (USP). Membro do Conselho Revisor - Medicina Física e Reabilitação da Journal of the Brazilian Medical Association (AMB).
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