AVISO: NOVO LOCAL DE ATENDIMENTO - Rua Saint Hilaire 96 (a 5 minutos da clínica antiga), de segunda a sábado. Maiores informações, entrar em contato via WhatsApp

Joanete (hálux valgo) – O que é? Causas e sintomas

O joanete (hálux valgo), detectado principalmente devido à presença de uma saliência na região do dedão do pé acompanhada por dor, é uma condição clínica decorrente de múltiplos fatores, desde predisposição genética até hábitos diários.

Como causa bastante desconforto é primordial fazer o seu diagnóstico e tratá-lo o quanto antes.

O hálux valgo é uma deformidade progressiva do pé, na qual a primeira articulação metatarsofalângica é afetada e é frequentemente acompanhada de incapacidade funcional significativa e dor no pé

 

O que é joanete (hálux valgo)?

Halux Valgo - Dor noes pes

Em geral detectado como uma saliência na região da base do primeiro metatarso, o joanete, conhecido tecnicamente como hálux valgo, constitui-se como uma alteração na estrutura anatômica do pé devido a causas multifatoriais.

O que acontece é um desvio lateral do hálux – dedão do pé – ao mesmo tempo em que o primeiro metatarso desloca-se medialmente. Logo, em termos visuais percebe-se uma inclinação do dedão para dentro, de forma que ele se aproxima do dedo adjacente.

Como resultado dessas modificações anatômicas e do atrito, que se torna mais frequente na primeira articulação metatarsofalangiana, surge uma inflamação a nível local, identificada a partir de inchaço e vermelhidão da área acometida.

Vale ressaltar que é mais comum que o joanete ocorra de maneira unilateral, afetando apenas um dos pés do paciente. Embora não seja impossível a presença bilateral da protuberância típica que caracteriza essa condição clínica.

Destacamos que com a evolução do quadro, devido a falta de tratamento e de mudanças de hábitos diários, a deformidade pode ocasionar outras modificações no hálux. Este pode ficar acima ou abaixo dos dedos adjacentes ou, ainda, empurrá-los para a lateral.

Consequentemente, há toda uma alteração da distribuição do peso corporal na região do pé, além do paciente sentir desconforto ao caminhar, ao calçar alguns sapatos e perder gradualmente a mobilidade articular na área afetada.

Salientamos ainda que mesmo o joanete sendo mais comum em mulheres a partir dos 20 anos de idade, é possível ocorrer nos homens também e para identificar os motivos para o seu surgimento deve-se compreender quais as suas causas principais.

Existe uma alta prevalência de hálux valgo na população geral (23% dos adultos com idades entre 18 e 65 anos e 35,7% dos adultos com mais de 65 anos). Existe uma prevalência mais alta em mulheres (mulheres 30% – homens 13%) e idosos (35,7%)

Causas comuns de hálux valgo

O surgimento do joanete depende, na maioria das vezes, da associação entre diferentes fatores. Dentre eles sabe-se que existe correlação com a genética. Além disso, algumas condições clínicas também favorecem o desenvolvimento do quadro e as citamos:

  • pé com pronação excessiva;
  • pé chato;
  • hiperflexibilidade de ligamentos;
  • anormalidades ósseas;
  • doenças reumáticas como lupus, artrite reumatoide e gota;
  • síndromes que afetam o tecido conjuntivo como a de Marfan e a de Down;
  • condições neurológicas como acidente vascular cerebral e paralisia cerebral;
  • lesões e outros traumas locais.

 

Ainda, o uso de sapatos de bico fino, salto alto ou apertados na região anterior do pé são fatores de risco, pois comprimem os dedos e favorecem os desvios típicos do hálux valgo.

 

 

Diagnóstico

halux valgo ou joanete dor no pes

O diagnóstico adequado do joanete deve ser feito a partir de uma análise dos sintomas, do histórico clínico e do pé do paciente. Por meio deste o médico atenta-se principalmente às condições do hálux e da articulação associada.

Na maioria dos casos esta abordagem inicial já permite a identificação da condição, mas para descobrir qual o nível da lesão e os danos articulares decorrentes dela é importante fazer uma radiografia da articulação metatarsofalangeana e verificar o seu alinhamento.

E quando há suspeita da presença de alguma doença de ordem reumática, como gota, por exemplo, torna-se essencial fazer um exame específico para analisar a composição do líquido articular.

Enfim, a partir dos achados clínicos e laboratoriais é prescrito o tratamento mais adequado para o paciente e as suas singularidades, que dependem de idade, atividades diárias, doenças existentes, entre outras.

 

Sintomas

O primeiro sintoma que costuma ser percebido pelo paciente com hálux valgo é dor ao utilizar calçados fechados e/ou ao caminhar. Além disso, muitas pessoas já identificam, ao mesmo tempo, a saliência característica na região do dedão.

Isto porque existem situações em que o quadro é assintomático no princípio e o desconforto torna-se perceptível quando já houve alteração anatômica significativa do pé.

Outros sinais frequentemente presentes, principalmente quando não há um tratamento adequado, são:

  • inflamação na região do hálux;
  • inchaço da área afetada;
  • rigidez do dedão;
  • aumento da sensibilidade local;
  • presença de calos nos dedos e na planta do pé.

 

Salientamos que os pacientes, em geral, têm momentos de alívio da dor quando ficam com os pés descalços, com calçados de bicos largos e/ou em repouso. Afinal, a pressão exercida sobre o pé, decorrente do sapato ou do peso corporal, é reduzida.

 

Tratamento

Existem duas abordagens para o tratamento do joanete. A primeira é a conservadora e a segunda envolve realização de cirurgia. Salientamos que a última, normalmente é indicada apenas quando o paciente não teve melhoras com práticas menos invasivas.

Em relação ao procedimento não cirúrgico, ele é feito com os objetivos de reduzir a progressão do hálux valgo, assim como aliviar os desconfortos decorrentes como dor e inflamação local.

Dentre as ações que podem ser recomendadas estão o uso de anti-inflamatórios e analgésicos, bem como compressas com gelo, a fim de amenizar a dor.

Trocar os calçados que pressionam o hálux é também efetivo nesse sentido. Assim como utilizar órteses e amortecedores que minimizam a pressão na área dolorida e permitem que o paciente caminhe e faça exercícios mais confortavelmente.

Ainda é possível fazer sessões de fisioterapia com o intuito de reestabelecer a distribuição do peso nos pés e manter exercícios específicos para a articulação metatarsofalangeana, evitando a rigidez e perda da mobilidade do dedão.

Porém, caso o tratamento conservador não seja efetivo torna-se necessária a realização de uma cirurgia. E existem diferentes técnicas cirúrgicas que dependem das particularidades de cada paciente.

Vale ressaltar que os objetivos das intervenções cirúrgicas são tanto a correção da alteração anatômica decorrente do joanete, como o restabelecimento da funcionalidade da articulação afetada.

Mas destacamos que o hálux valgo é uma condição clínica que pode ser prevenida. Isto é feito a partir de mudanças nos hábitos diários como:

  • fazer uso de sapatos que não apertam a região anterior do pé;
  • evitar usar salto alto constantemente;
  • utilizar calçados ortopédicos ou órteses que redistribuem o peso corporal;
  • sempre que possível ficar descalço ou com calçado maleável e confortável;
  • realizar exercícios para garantir flexibilidade às articulações dos dedos do pé.

Assim, por meio das ações citadas acima, garante-se uma melhor qualidade da saúde dos pés e, especialmente, minimizam-se as chances de conviver com os desconfortos do joanete.

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 / RQE: 65523 - 65524 | Médico especialista em Fisiatria e Acupuntura. Área de Atuação em Dor pela AMB. Doutorando em Ciências pela USP. Pesquisador e Colaborador do Grupo de Dor do Departamento de Neurologia do HC-FMUSP. Diretor de Marketing do Colégio Médico de Acupuntura do Estado de São Paulo (CMAeSP). Integrante da Câmara Técnica de Acupuntura do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP). Secretário do Comitê de Acupuntura da Sociedade Brasileira para Estudo da Dor (SBED). Professor convidado do Curso de Pós-Graduação em Dor da Universidade de São Paulo (USP). Membro do Conselho Revisor - Medicina Física e Reabilitação da Journal of the Brazilian Medical Association (AMB).
Send this to a friend