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Quadril · Artrose

Coxartrose: a artrose no quadril

Coxartrose é a artrose do quadril, o desgaste da cartilagem que dói na virilha e dá o primeiro sinal pela perda de rotação interna.

Resposta direta
  • A coxartrose é a artrose do quadril: a dor típica fica na virilha, pode irradiar para a coxa e a nádega, e piora ao caminhar e ao levantar da cadeira.
  • A rigidez matinal é curta, dura menos de trinta minutos, e a perda da rotação interna do quadril costuma ser o sinal mais precoce ao exame.
  • O tratamento começa sempre conservador, com exercício e educação como base; a artroplastia (prótese) é reservada à doença avançada com dor e limitação que não respondem ao tratamento bem conduzido.
4,9Google5,0Doctoralia

40+ anos · HC-FMUSP · USP · 30 salas · 1.500 m² · Fisioterapia e Pilates individual

Avaliação clínica

Dor tem Tratamento. Foco em tratamentos não cirúrgicos para dor, reabilitação.

O que é a coxartrose e como ela se manifesta

Diagrama comparando um quadril normal e um quadril com artrose, com a cabeça femoral e o acetábulo identificados; à direita a cartilagem aparece desgastada e irregular.
Na coxartrose a cartilagem que reveste a cabeça femoral e o acetábulo se desgasta, reduzindo o espaço articular.

A coxartrose não é só “desgaste de cartilagem”. É uma doença de toda a articulação, em que a cartilagem, o osso subcondral, a membrana sinovial e os tecidos ao redor mudam juntos ao longo do tempo.

O quadril é uma articulação esférica: a cabeça do fêmur se encaixa no acetábulo, a cavidade da bacia, revestida por cartilagem e selada pelo lábio (labrum). Na artrose, a cartilagem perde água e elasticidade, afina e se desorganiza, o espaço articular se estreita, o osso embaixo se adensa e surgem osteófitos nas bordas. O resultado é uma articulação que dói, perde amplitude e funciona pior, num processo lento e progressivo. Existem fatores que aumentam o risco: idade, história familiar, sobrepeso, deformidades prévias como o impacto femoroacetabular ou a displasia, e lesões antigas da articulação.

A queixa mais característica é a dor na virilha, muitas vezes referida pelo paciente com a mão em concha sobre a região, num gesto conhecido como sinal do C. A dor pode irradiar para a face anterior da coxa e, com frequência, descer até o joelho, o que às vezes confunde o diagnóstico. Já uma dor que fica na lateral do quadril aponta mais para tendinopatia glútea ou para a síndrome dolorosa do trocânter maior, e uma dor posterior, na nádega, sugere origem na coluna lombar ou na articulação sacroilíaca.

No início, a dor aparece com a atividade e melhora com o repouso. Há rigidez matinal e rigidez após ficar sentado por muito tempo, mas ela é curta, costuma ceder em menos de trinta minutos, o que ajuda a separar a artrose de uma artrite inflamatória, em que a rigidez é prolongada. Com a progressão, surgem dor noturna, encurtamento da passada, dificuldade para calçar meias, cortar as unhas dos pés ou entrar no carro, e a pessoa passa a mancar.

1ª
A rotação interna é, em geral, a primeira amplitude do quadril que se perde
< 30 min
Duração típica da rigidez matinal na artrose, ao contrário da artrite inflamatória
0 a 10
Escala usada para medir a intensidade da dor ao longo do tratamento
Mito

“Artrose no quadril é desgaste irreversível, então não adianta fazer nada além de esperar a prótese.”

Fato

A maioria dos quadris com coxartrose é bem controlada por anos com tratamento conservador. Exercício e controle de peso reduzem dor e melhoram a função, e muitos pacientes adiam ou nunca precisam de cirurgia.

Fisioterapeuta supervisionando exercício de elevação da perna de paciente deitada na maca
Reabilitação na clínica Exercício de elevação de perna guiado pela fisioterapeuta

O que mais pode ser: localizar a dor

Comparação de duas articulações do quadril; à esquerda o labrum está íntegro e à direita há uma rotura do labrum destacada em vermelho.
A lesão do labrum acetabular causa dor inguinal e entra no diagnóstico diferencial da coxartrose.

Nem toda dor “no quadril” vem da articulação. O primeiro passo do diagnóstico é localizar onde dói, porque a região anterior, a lateral e a posterior apontam para mecanismos diferentes. A tabela resume as pistas que ajudam a separar a coxartrose das suas principais imitadoras.

Diferenciando a coxartrose das outras causas de dor no quadril
HipóteseOnde dóiPista que diferencia
CoxartroseVirilha, irradia para a coxa e o joelhoPerda de rotação interna, rigidez matinal curta, dor que piora ao andar e ao levantar
Tendinopatia glútea / dor no trocânterLateral do quadrilDor ao deitar sobre o lado e ao apoiar em uma perna só; amplitude articular preservada
Dor sacroilíaca ou lombar referidaNádega, perto da pelve e da lombarLiga-se à coluna; testes de provocação da sacroilíaca positivos
Impacto femoroacetabular / lesão do labrumVirilha, em adulto jovem e ativoDor profunda na flexão e rotação interna; manobra de impacto positiva, sem desgaste avançado
Artrite inflamatóriaQuadril e outras articulaçõesRigidez matinal prolongada, sinais sistêmicos, provas inflamatórias alteradas

A distinção nem sempre é absoluta, e os quadros podem coexistir: um quadril com artrose pode ter, ao mesmo tempo, um componente miofascial glúteo que contribui para a dor lateral. A tabela é um ponto de partida; a confirmação vem da história e do exame, descritos a seguir.

Sinais de alerta

Radiografia ampliada de um quadril com setas: a seta verde aponta o estreitamento do espaço articular e a vermelha indica um cisto subcondral no osso.
Estreitamento do espaço articular e cistos subcondrais são sinais radiográficos clássicos da artrose do quadril.

A coxartrose é uma doença crônica e, em geral, benigna na sua evolução, mas alguns sinais indicam que a avaliação não deve esperar, porque apontam para causas que mudam a conduta. Procure atendimento se notar qualquer um destes:

Sinais de alerta · não espere

Procure avaliação sem demora se houver

  • Dor intensa e súbita no quadril após queda ou trauma, com incapacidade de apoiar o peso, pela possibilidade de fratura.
  • Febre, mal-estar e dor articular que piora rápido, pela hipótese de infecção na articulação.
  • Dor noturna implacável, perda de peso sem explicação ou história de câncer.
  • Dor de início recente em quem usa corticoide por tempo prolongado ou consome álcool em excesso, pelo risco de necrose da cabeça do fêmur.
  • Dormência, formigamento ou perda de força na perna, que sugerem origem na coluna e não no quadril.

Na ausência desses sinais, a dor da coxartrose costuma seguir um curso previsível e responde ao tratamento conservador ao longo de semanas a meses. Os sinais acima não significam, por si sós, um quadro grave, mas pedem avaliação para afastar causas que exigem conduta própria.

Como o quadro é avaliado

Radiografia frontal da bacia mostrando as duas articulações do quadril, com redução do espaço articular e alterações ósseas nas cabeças femorais.
A radiografia da bacia confirma o diagnóstico ao mostrar a perda do espaço articular e o remodelamento ósseo.

A avaliação parte da história: onde a dor fica, para onde irradia, o que melhora e o que piora, como está a marcha e quais atividades do dia a dia ficaram limitadas, como calçar meias ou subir escadas. Em paralelo, rastreiam-se as bandeiras vermelhas listadas acima. O exame físico confirma a suspeita antes de qualquer imagem e é o que mais orienta a conduta.

  1. Amplitude de movimento

    Mede-se a mobilidade do quadril em todos os planos. A perda da rotação interna é o achado mais precoce e mais sensível da coxartrose; com a progressão, somam-se a perda de flexão e de abdução.

  2. Manobra de impacto (FADIR)

    Flexão, adução e rotação interna do quadril reproduzem a dor profunda na virilha quando há sofrimento intra-articular, seja por artrose, seja por lesão do labrum ou impacto.

  3. Teste de Patrick (FABER)

    Flexão, abdução e rotação externa, com a figura de quatro. A dor na virilha aponta para a articulação do quadril; a dor na nádega desloca a suspeita para a sacroilíaca.

  4. Marcha e Trendelenburg

    Observa-se a passada, a presença de claudicação e a queda da bacia ao apoiar em uma perna só, sinal de fraqueza dos abdutores que acompanha o quadril doloroso.

A radiografia simples da bacia e do quadril, em ortostase, é o exame de imagem inicial e quase sempre suficiente. Ela mostra os quatro achados clássicos da artrose: redução do espaço articular, esclerose do osso subcondral, osteófitos nas margens e cistos subcondrais. Vale uma ressalva importante: a gravidade da imagem nem sempre corresponde à intensidade da dor. Existem quadris com alterações marcantes na radiografia e pouca dor, e o contrário também ocorre.

Por isso a decisão de tratamento se baseia na pessoa, nos sintomas e na função, e não apenas no laudo. A ressonância magnética fica reservada a dúvidas diagnósticas, à suspeita de necrose avascular, de lesão do labrum ou quando a radiografia não explica o quadro.

Pérola clínica

Dor que desce da virilha para o joelho é uma armadilha frequente: muitos pacientes operam o joelho sem alívio quando a origem real era o quadril. Diante de uma “dor no joelho” sem achados locais que a justifiquem, examinar o quadril é obrigatório.

Assista: TENDINITE DO GLÚTEO – DOR MIOFASCIAL E TENDINOPATIA NO QUADRIL

Caminho de tratamento

O tratamento da coxartrose é multimodal, não-cirúrgico na maior parte do percurso e individualizado. As diretrizes internacionais são consistentes em um ponto: o eixo do tratamento são as medidas não farmacológicas, com o exercício e a educação como base obrigatória, sobre a qual as demais técnicas se somam conforme a apresentação e a resposta. O objetivo é reduzir a dor, preservar a função e a mobilidade, e adiar ou evitar a cirurgia, sem depender do uso crônico de medicação.

Base: educação, exercício e peso

Entender a doença, manter-se ativo dentro do conforto, fortalecer o quadril e, quando há sobrepeso, reduzir a carga sobre a articulação. É a fundação do plano.

Adjuvantes para a dor

Anti-inflamatórios por períodos curtos e com cautela, técnicas em clínica para o componente miofascial associado e neuromodulação quando indicada.

Procedimentos guiados

Infiltração intra-articular e viscossuplementação em casos selecionados, para abrir uma janela e sustentar a reabilitação.

Cirurgia

Artroplastia (prótese) na doença avançada, com dor e limitação que não respondem ao tratamento conservador bem conduzido.

Exercício e fisioterapia: a base

É a intervenção com a melhor relação entre evidência e segurança, e nenhuma outra a substitui. O programa combina fortalecimento dos músculos do quadril, em especial os abdutores (glúteo médio) e os extensores, exercícios de mobilidade, treino de equilíbrio e condicionamento aeróbico de baixo impacto, como caminhada, bicicleta e hidroterapia. O ganho de força e de controle motor reduz a sobrecarga sobre a articulação, melhora a marcha e diminui a dor.

O atendimento é individual, um paciente por sala, e a progressão é orientada. A resposta é gradual, ao longo de semanas, e depende da regularidade; manter o programa após a melhora é o que previne novas crises.

Na prática, a fisioterapia da coxartrose tem um alvo mecânico claro: corrigir a insuficiência dos abdutores que produz a queda da bacia (sinal de Trendelenburg) e sobrecarrega a articulação no apoio em uma perna só. O trabalho começa onde a dor permite, muitas vezes em cadeia fechada e com baixa amplitude, e progride em carga conforme a tolerância, sem buscar a dor. A esse núcleo somam-se a recuperação da extensão e da rotação do quadril, que a artrose limita cedo, e o reequilíbrio entre flexores e extensores. Por ser um tratamento ativo, o seu efeito depende da adesão, e parte do papel da equipe é ajustar a dose de exercício para que ele seja sustentável no longo prazo, integrado às demais técnicas da clínica descritas nesta seção.

Técnicas em clínica para o componente miofascial

Muitos quadris com artrose têm, somada à dor articular, uma dor miofascial da musculatura glútea e periarticular, com pontos-gatilho que amplificam o desconforto lateral e dificultam a marcha. O alvo aqui não é a cartilagem: são o glúteo médio e mínimo, o tensor da fáscia lata, o piriforme e o quadrado lombar, que se sobrecarregam quando o quadril doloroso passa a ser poupado e a bacia perde estabilidade no apoio. Para esse componente, a acupuntura médica e a eletroacupuntura modulam a dor por mecanismos segmentares e pela ativação de vias inibitórias descendentes, com evidência de benefício na dor da osteoartrose e utilidade quando se busca reduzir a necessidade de medicação.

No agulhamento seco, a agulha é inserida no ponto-gatilho do glúteo ou do trocânter até obter a contração local visível; esse estímulo reduz a banda tensa, devolve comprimento ao músculo e alivia a dor lateral que o paciente sente ao deitar de lado e ao subir escada. Não há injeção de substância, e o efeito é local e segmentar.

Infiltração intra-articular e viscossuplementação

Infiltração intra-articular do quadril

Em geral guiada por imagem porque a articulação do quadril é profunda, usa anestésico com corticoide para controlar a inflamação local e reduzir a dor em crises mais intensas, abrindo uma janela para avançar na reabilitação. O alívio costuma durar de semanas a alguns meses.

Moderadaguiada por imagem

Viscossuplementação

Com a injeção de ácido hialurônico, busca melhorar a viscoelasticidade do líquido articular. A evidência no quadril é mais heterogênea do que no joelho, e o recurso é aplicado de forma seletiva, sempre combinado ao exercício e à reabilitação.

Limitadaseletiva

Ambos são pontuais, dentro do plano multimodal, e não substituem a base ativa.

Laser de alta intensidade e ondas de choque

O laser de alta intensidade atua por fotobiomodulação, com efeito analgésico e anti-inflamatório em profundidade, como adjuvante na reabilitação. As ondas de choque têm seu maior benefício comprovado em tendinopatias e na dor miofascial crônica; na artrose articular pura a evidência é mais limitada. Por isso esses recursos entram como adjuvantes para um componente periarticular ou tendíneo associado, e não como tratamento da cartilagem em si.

Semana 1 a 2

Controle inicial

Educação sobre a doença, ajuste das atividades, início do exercício orientado e controle da crise de dor.

Semana 3 a 12

Progressão

Fortalecimento do quadril, condicionamento de baixo impacto e, quando há sobrepeso, controle de peso; a dor costuma ceder e a função melhora.

Após 3 meses

Reavaliação

Sem a resposta esperada, revê-se o plano e consideram-se procedimentos, como a infiltração guiada, ou a avaliação cirúrgica na doença avançada.

Da prática clínica

Alguns padrões se repetem no consultório e ajudam a calibrar a expectativa de quem chega com o diagnóstico de coxartrose. O primeiro é como a queixa se apresenta: raramente a pessoa diz “dói o quadril”. Ela descreve a virilha que incomoda ao caminhar, a dificuldade nova de calçar a meia ou de cortar a unha do pé, o pé que custa a entrar no carro. Esse trio, virilha mais perda de rotação interna que aparece na hora de calçar, costuma localizar a origem antes mesmo da radiografia, e é o que separa a artrose do quadril de uma dor lombar ou de joelho que veio parar ali.

O segundo padrão é a dor que não está onde a articulação está. Muitos chegam com dor na lateral do quadril, em cima do trocânter, e saem surpresos ao descobrir que parte dela vem da musculatura glútea sobrecarregada, e não só da cartilagem. Reproduzir essa dor pressionando o ponto-gatilho do glúteo, e vê-la responder ao tratamento miofascial, costuma melhorar o dia a dia enquanto se trabalha o quadril como um todo. É comum o paciente sentir esse alívio lateral antes de a dor profunda da virilha ceder.

O terceiro padrão diz respeito à prótese. A pergunta que mais ouço logo na primeira consulta é “vou precisar operar?”, muitas vezes feita por quem já chega convencido de que a cirurgia é inevitável e iminente. O que surpreende é a constatação de que a maioria atravessa anos com dor controlada antes que a artroplastia entre em pauta, e que o exercício não é uma etapa para “ganhar tempo” antes da cirurgia, e sim o tratamento que sustenta a função enquanto durar.

Quando a prótese de fato se justifica, dor que tira o sono e limita a rotina num quadril já muito desgastado, a conversa muda de tom: aí ela deixa de ser uma ameaça e passa a ser uma boa solução, com um dos melhores resultados da ortopedia. Reconhecer esses dois momentos, o de adiar e o de indicar, é parte central do cuidado.

Radiografia e dor na coxartrose

A radiografia, tida como o “veredito” da artrose, é um guia fraco para decidir o que fazer. Existem quadris com o espaço articular bastante reduzido na imagem e pouca dor, e o contrário, dor importante com alterações discretas, também é comum, porque a dor vem da articulação somada ao componente miofascial glúteo, à fraqueza dos abdutores e à sensibilização, não da espessura da cartilagem isolada. A consequência prática é contraintuitiva: tratar a imagem leva a operar cedo demais, enquanto tratar a pessoa, a força do glúteo médio, a marcha, a dor lateral, o peso, costuma controlar o quadro por anos sem mexer na articulação. O grau na radiografia diz o quanto a cartilagem se desgastou; ele não diz o quanto vai doer, nem quando, ou se, a prótese será necessária.

Tratamento não farmacológico: RPG, Pilates e fisioterapia

As medidas não farmacológicas são o eixo do tratamento da coxartrose, e não um complemento opcional. As diretrizes da OARSI, do ACR e do NICE convergem em colocar o exercício terapêutico, a educação e o controle de peso como primeira linha, recomendados de forma ampla, antes e durante qualquer outra medida. O objetivo é claro: melhorar a força e o controle dos músculos que estabilizam o quadril, reduzir a carga que atravessa a articulação a cada passo, ampliar a mobilidade que a artrose tende a tirar e dessensibilizar o movimento que o paciente passou a evitar.

Cinesioterapia e fortalecimento
Forte
Hidroterapia
Moderada
Perda de peso (com sobrepeso)
Moderada
Terapia manual + exercício
Moderada
RPG
Limitada
Pilates clínico
Limitada

Cinesioterapia e fortalecimento

Reabilitação ativa individualizada, com exercício progressivo dosado conforme a tolerância. Fortalecer os abdutores (glúteo médio e mínimo), os extensores (glúteo máximo) e o core melhora o controle da bacia no apoio em uma perna só, reduz a sobrecarga sobre a cartilagem remanescente, corrige a marcha de Trendelenburg e diminui a dor; soma-se a mobilidade em flexão, abdução e rotação, planos que a coxartrose limita primeiro. É a intervenção com a melhor relação entre evidência e segurança, com redução de dor e ganho de função comparáveis, a curto prazo, aos anti-inflamatórios. Limitação: exige constância e progressão bem dosada; iniciar com carga excessiva pode exacerbar a dor.

ForteBase obrigatóriaResposta em semanas

Reeducação postural global (RPG)

Trabalha o corpo em cadeias musculares, não músculo a músculo. No quadril com artrose, o encurtamento da cadeia anterior (flexores do quadril, reto femoral) e da posterior interfere na postura da bacia e na distribuição da carga. Usa posturas mantidas de alongamento ativo, com contração isométrica e excêntrica, para recuperar a extensão do quadril e o equilíbrio entre grupos musculares. Limitação: evidência específica na coxartrose ainda limitada e heterogênea; entra como forma de organizar o trabalho ativo dentro do plano, somada ao fortalecimento, não como técnica isolada.

LimitadaAdjuvante ao exercício

Pilates clínico

Conduzido por profissional com formação em reabilitação, organiza a progressão do exercício com foco em controle motor e estabilização. O trabalho do centro de força (transverso do abdome, assoalho pélvico, multífidos e glúteos) melhora a estabilidade da bacia e do tronco, e pode ser graduado do solo aos aparelhos conforme a tolerância à carga. Limitação: é um meio de tornar o fortalecimento mais preciso e bem tolerado, não um tratamento à parte da artrose; o ganho vem da regularidade, não do método.

LimitadaControle motor

Hidroterapia e controle de carga

O exercício em piscina aquecida usa a flutuação para reduzir a carga sobre o quadril enquanto se trabalha força, amplitude e condicionamento. É especialmente útil na fase mais dolorosa ou na artrose avançada, quando o exercício em solo ainda incomoda, com evidência de alívio de dor a curto prazo. Em paralelo, o controle de carga no dia a dia (ajustar distâncias, alternar atividade e descanso, e usar bengala no lado oposto quando indicado) reduz o estresse mecânico sem impor repouso, que seria contraproducente.

ModeradaFase dolorosa

Terapia manual

Mobilizações articulares e técnicas de tecidos moles com papel adjuvante: podem ampliar de forma transitória a mobilidade e reduzir a dor, criando uma janela para o exercício render mais. Limitação: o benefício aparece quando ela é combinada ao exercício, e não usada de forma isolada; por isso entra dentro do programa ativo, para destravar a progressão, não como tratamento em si.

ModeradaCombinada ao exercício

Perda de peso e educação

Quando há sobrepeso, a redução de peso é uma das medidas com maior impacto sobre a dor do quadril, porque diminui de forma direta a carga que atravessa a articulação a cada passo; combinada ao exercício, soma efeito analgésico e funcional, com metas realistas desde o início. A educação em saúde fecha a base: entender que manter-se ativo dentro do conforto protege a articulação, que a dor nem sempre reflete dano novo e que a constância sustenta o resultado muda a forma como o paciente conduz o próprio tratamento.

ModeradaCarga direta

Tratamento cirúrgico e opções fora da clínica

A cirurgia tem um papel real e bem definido na coxartrose, mas é um recurso para o fim do percurso, não o seu início. Para a maioria dos pacientes, o tratamento conservador bem conduzido controla a dor e preserva a função por anos. A avaliação cirúrgica entra quando há dor importante e limitação funcional persistentes, que comprometem o sono, o trabalho e as atividades do dia a dia, num quadril com artrose avançada à imagem, apesar de um tratamento conservador adequado e por tempo suficiente. A decisão é compartilhada com o cirurgião ortopedista e se baseia nos sintomas e na função, não apenas no laudo da radiografia.

Conservador · 1ª escolha

Eixo do tratamento, por anos

  • Exercício, educação e controle de peso como base, com técnicas em clínica para o componente miofascial e procedimentos guiados pontuais.
  • Controla a dor e preserva a função na maioria dos quadris, adiando ou evitando a cirurgia.
  • É o que conduzimos: levar o paciente o mais longe possível com qualidade de vida.
VS

Cirúrgico · exceção

Doença avançada e refratária

  • Indicado quando dor e limitação persistem apesar de tratamento conservador adequado e por tempo suficiente.
  • Realizado fora da nossa clínica, com cirurgião ortopedista; nosso papel é preparar antes e reabilitar depois.
  • Decisão compartilhada, baseada em sintomas e função, não só no laudo da imagem.

Estas opções não são realizadas em nossa clínica, voltada ao tratamento não cirúrgico da dor. A escolha entre os procedimentos depende da idade, do grau de desgaste, da anatomia e dos objetivos de cada pessoa.

Artroplastia total do quadril (prótese)

Para artrose avançada com dor e limitação refratárias ao tratamento conservador bem conduzido, em geral no adulto de meia-idade ou mais velho. Uma das cirurgias com melhor resultado em alívio de dor e ganho de qualidade de vida; recuperação ao longo de semanas a meses, com reabilitação. As próteses modernas têm durabilidade longa, mas finita.

Doença avançada refratáriaReabilitação no pós

Osteotomia (femoral ou periacetabular)

Casos selecionados em adultos jovens, com deformidade ou displasia que sobrecarrega a articulação e cartilagem ainda preservada. Reorienta a carga para poupar a articulação e adiar a prótese; recuperação mais longa, com restrição de carga inicial.

Adulto jovemPreserva a articulação

Artroscopia do quadril

Papel restrito na artrose; reservada a problemas associados, como certas lesões do labrum ou impacto femoroacetabular sem desgaste avançado. Benefício limitado quando a artrose já está estabelecida, e por isso indicada de forma criteriosa.

Papel restritoIndicação criteriosa

A artroplastia resolve a dor da articulação desgastada, mas não dispensa a reabilitação nem o cuidado com a musculatura ao redor; a osteotomia tenta preservar a articulação própria em quem ainda é jovem. Como em qualquer cirurgia, há riscos a pesar, de infecção e trombose a soltura ou desgaste do implante com o tempo, o que reforça por que ela é reservada aos casos em que o tratamento conservador já não basta.

Tratamento medicamentoso

A medicação tem papel adjuvante e sintomático na coxartrose: alivia a dor e permite avançar na reabilitação, mas não trata a causa mecânica nem altera a evolução do desgaste. Por isso ela acompanha a base ativa, em vez de substituí-la, e é usada de preferência em cursos curtos, na menor dose eficaz, com a escolha calibrada pelas comorbidades.

Classes medicamentosas na coxartrose
ClassePara quêEvidênciaO que esperar e cautelas
ParacetamolDor leve a moderada; alternativa a quem não pode usar anti-inflamatórioLimitadaEfeito modesto sobre a dor da artrose, costuma ser coadjuvante. Respeitar a dose total diária, sobretudo em hepatopatas.
Anti-inflamatório oralReduzir dor e inflamação; efeito mais consistente que o paracetamolModeradaCursos curtos. Risco gastrointestinal, renal e cardiovascular, maior no idoso e em doença renal, hipertensão, insuficiência cardíaca, gastrite/úlcera ou uso de anticoagulante.
Anti-inflamatório tópicoAlívio local com menor exposição sistêmicaModeradaAlternativa em casos selecionados e na contraindicação relativa ao anti-inflamatório oral. A penetração no quadril, articulação profunda, é menor do que em articulações superficiais como o joelho.
DuloxetinaDor persistente, sobretudo com sensibilização central ou contraindicação ao anti-inflamatórioModeradaPode causar náusea, sonolência e boca seca; introdução e retirada graduais.

Anti-inflamatórios não esteroides (AINE)

O que é
Classe que reduz dor e inflamação na osteoartrose, com efeito mais consistente que o paracetamol; disponível em forma oral e tópica.
O que esperar
Alívio da dor que viabiliza a reabilitação. O uso preferencial é em cursos curtos, na menor dose eficaz, em vez de uso crônico.
Evidência
Efeito sintomático mais consistente que o paracetamol na osteoartrose, sem modificar a evolução do desgaste.
Indicações
Dor que não cede com medidas simples, em períodos de maior intensidade; a escolha do agente e a proteção gástrica, quando indicada, são individualizadas.
Limitações
Risco gastrointestinal, renal e cardiovascular, maior no idoso e em quem tem doença renal, hipertensão, insuficiência cardíaca, gastrite ou úlcera, ou usa anticoagulante. A versão tópica oferece menor exposição sistêmica, mas com penetração limitada no quadril, que é profundo.

Duloxetina

O que é
Antidepressivo inibidor da recaptação de serotonina e noradrenalina, com efeito analgésico próprio na dor crônica da osteoartrose.
Mecanismo
Modula as vias inibitórias descendentes da dor, atuando no componente de sensibilização central que pode acompanhar a artrose.
Indicações
Dor persistente, em especial quando há componente de sensibilização central ou contraindicação aos anti-inflamatório.
Limitações
Pode causar náusea, sonolência e boca seca; a introdução e a retirada devem ser graduais.

A infiltração intra-articular guiada por imagem, descrita entre os procedimentos da clínica, é também uma opção medicamentosa de uso pontual: o corticoide alivia a dor por semanas a poucos meses em crises mais intensas, abrindo janela para a reabilitação, enquanto a viscossuplementação com ácido hialurônico tem, no quadril, evidência mais heterogênea do que no joelho. Os opioides têm papel muito restrito na artrose, reservados a situações excepcionais e por curto prazo, pelo risco de efeitos adversos e dependência. Já glicosamina e condroitina têm evidência fraca e inconsistente sobre a dor, e não modificam a doença, de modo que não são recomendadas de rotina. Nenhum medicamento substitui o exercício; a função da farmacoterapia é viabilizar a base ativa e o controle das crises.

Reconhecimento

Centro de Dor

Listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED)

Centro de Tratamento por Ondas de Choque

Listado pela Sociedade Médica Brasileira de Tratamento por Ondas de Choque (SMBTOC)

Clínica listada

Listada pelo Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura (CMBA)

Perguntas frequentes

Onde dói a artrose do quadril?

A dor típica da coxartrose fica na virilha e pode irradiar pela face anterior da coxa, às vezes até o joelho. Dor na lateral do quadril costuma vir de tendinopatia glútea, e dor na nádega aponta mais para a coluna lombar ou a articulação sacroilíaca. Ver o guia completo da dor no quadril ajuda a localizar a origem.

Qual é o primeiro sinal da coxartrose?

Ao exame, a perda da rotação interna do quadril costuma ser o sinal mais precoce, muitas vezes antes de a dor se tornar limitante. No dia a dia, isso aparece como dificuldade para cruzar a perna, calçar meias ou entrar no carro. Por isso o exame físico é tão importante no diagnóstico.

Coxartrose tem cura?

A artrose é uma condição crônica e as alterações já instaladas na cartilagem não se revertem, então não se fala em cura. A boa notícia é que o quadro é, na maioria das vezes, bem controlado por anos com tratamento conservador, com bom alívio da dor e da função. Muitos pacientes adiam ou nunca precisam de prótese.

Posso fazer exercício com artrose no quadril?

Não só pode como deve. O exercício orientado é a base do tratamento e reduz a dor, ao contrário do que muitos temem. A escolha recai sobre atividades de baixo impacto, como caminhada, bicicleta e hidroterapia, combinadas ao fortalecimento do quadril, com progressão individualizada.

Quando a artrose do quadril precisa de prótese?

A artroplastia é considerada quando há dor e limitação importantes e persistentes, que afetam o sono, o trabalho e a rotina, em um quadril com artrose avançada, apesar de um tratamento conservador bem conduzido. A decisão é compartilhada com o ortopedista e se baseia nos sintomas e na função, e não isoladamente na imagem.

A radiografia mostra artrose, mas dói pouco. Devo me preocupar?

A gravidade da imagem nem sempre corresponde à dor. Há quadris com alterações marcantes na radiografia e pouco sintoma, e o tratamento se guia pelos sintomas e pela função, não pelo laudo isolado. O foco é manter a mobilidade e prevenir crises com exercício e controle de peso.

Evidência científica · resumos da nossa biblioteca

Resumos em linguagem clara de estudos revisados pelo Dr. Marcus Yu Bin Pai.

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Dr. Carlos Roberto Baba
Sobre o autor
Dr. Carlos Roberto Baba
CRM-SP 47.825RQE 12.910 / 19.925

Médico com atuação em queixas ortopédicas, articulares, tendíneas e Acupuntura Médica.

Revisão médica e editorial

Conteúdo revisado clinicamente por Dr. Marcus Yu Bin Pai. Tem finalidade educativa e cita fontes.

Referências2 fontes citadas neste artigoVerOcultar
  1. Teirlinck CH; Verhagen AP; van Ravesteyn LM; Reijneveld-van de Vendel EAE; Runhaar J; van Middelkoop M; Ferreira ML; Bierma-Zeinstra SM. Effect of exercise therapy in patients with hip osteoarthritis: A systematic review and cumulative meta-analysis. Osteoarthritis and cartilage open. 2023. doi:10.1016/j.ocarto.2023.100338. PMID:36817089.
  2. Gibbs AJ; Gray B; Wallis JA; Taylor NF; Kemp JL; Hunter DJ; Barton CJ. Recommendations for the management of hip and knee osteoarthritis: A systematic review of clinical practice guidelines. Osteoarthritis and cartilage. 2023. doi:10.1016/j.joca.2023.05.015. PMID:37394226.
Atualizado em 31 mai 2026 Leitura 9 min

Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação médica individual. Dois quadris com a mesma imagem podem doer de formas muito diferentes, e o quanto cada pessoa responde ao exercício, à infiltração ou à indicação de prótese é individualizado caso a caso no consultório.

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  • Tenho coxoartrose e sinto muitas dores no quadril dores na coxa e no joelho fiz duas cirurgias de foragem no quadril 1 em 2018, eb1 em 2019, as duas sem sucesso. Estou aguardando artoplastia total do quadril desde 2020 . se eu colocar a prótese tenho chance de ficar totalmente boa.

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