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Cefaleia e enxaqueca · Medicamento

Pamelor para enxaqueca: usar ou evitar?

O Pamelor, cuja substância é a nortriptilina, é usado na prevenção da enxaqueca em dose baixa diária, reduzindo a frequência das crises. Não corta a dor já instalada e o efeito surge em semanas.

Resposta direta
  • Pamelor é o nome comercial da nortriptilina, um antidepressivo tricíclico que, em dose baixa, é usado na profilaxia da enxaqueca e de outras cefaleias, para reduzir a frequência das crises.
  • Não é analgésico nem medicação abortiva: ele não corta a crise já instalada. O benefício é preventivo e aparece de forma gradual, em geral após 2 a 4 semanas de uso contínuo.
  • Tem efeitos colaterais relevantes (sedação, boca seca, ganho de peso, efeito sobre o coração) e contraindicações, por isso é prescrito e ajustado pelo médico.
  • A medicação é uma peça do tratamento: a enxaqueca responde melhor a um plano que soma profilaxia, controle de gatilhos e recursos não-farmacológicos como acupuntura e eletroacupuntura.
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Avaliação clínica

Dor tem Tratamento. Foco em tratamentos não cirúrgicos para dor, reabilitação.

Pamelor (nortriptilina) serve para enxaqueca?

Sim, mas com um papel específico. A nortriptilina, princípio ativo do Pamelor, serve para enxaqueca como remédio de prevenção: tomada diariamente, reduz quantas crises você tem por mês e o quanto elas incomodam. Ela não foi feita para a hora da dor.

Vale separar dois mundos do tratamento da enxaqueca, porque a confusão entre eles é a dúvida mais comum de quem chega ao consultório com a caixa do remédio na mão. O tratamento abortivo (ou de crise) é o que se toma quando a dor de cabeça começa, para cortá-la: analgésicos, anti-inflamatórios e os triptanos. O tratamento profilático (ou preventivo) é o que se toma todos os dias, mesmo sem dor, para que as crises venham menos vezes e mais fracas.

A nortriptilina pertence a este segundo grupo. Tomá-la apenas no dia da crise não funciona e não é o uso correto.

A nortriptilina é um antidepressivo tricíclico. Na enxaqueca, contudo, ela não é usada por causa de um quadro de depressão, e sim pelo efeito que essa classe tem sobre as vias de dor do sistema nervoso. As doses usadas na profilaxia da cefaleia costumam ser bem menores do que as usadas no tratamento da depressão.

É um caso, frequente em medicina da dor, de um medicamento que migrou de sua indicação original para se tornar ferramenta de controle de dor crônica. A mesma lógica vale para sua “prima” mais conhecida, a amitriptilina, e para outras classes, como veremos adiante e na nossa página geral sobre antidepressivos e o que são.

A indicação de uma medicação preventiva, em geral, é considerada quando as crises são frequentes (por exemplo, a partir de quatro ou mais dias de dor por mês), quando são muito incapacitantes, quando o tratamento da crise não basta ou está sendo usado em excesso, ou quando há contraindicação aos abortivos. Essa decisão é individual e cabe ao médico que acompanha o caso.

Diário
Uso preventivo, não na crise
2 a 4 sem
Latência até começar a agir
Baixa
Dose menor que na depressão
Não
Não é abortivo da crise
Fachada da clinica com porta de vidro, tapete vermelho de boas-vindas e jardim lateral
Nossa estrutura Entrada principal da clinica com fachada de vidro e concreto.

Como a nortriptilina age na enxaqueca

A nortriptilina atua modulando as vias de dor do sistema nervoso central. O mecanismo principal é aumentar a disponibilidade de dois neurotransmissores, a noradrenalina e, em menor grau, a serotonina, ao reduzir sua recaptação nas sinapses. Esses neurotransmissores são peças centrais das vias inibitórias descendentes da dor, o sistema que o próprio cérebro usa para “abaixar o volume” dos sinais dolorosos que sobem pela medula. Ao reforçar esse freio natural, a medicação eleva o limiar para o disparo das crises.

Na enxaqueca e nas cefaleias em geral, postula-se ainda que os tricíclicos reduzam a sensibilização de circuitos do tronco encefálico e da via trigeminal, envolvida na dor de cabeça, e modulem a excitabilidade cortical. O resultado clínico é uma tendência a crises menos frequentes e menos intensas. Como o alvo é o sistema de dor, e o efeito sobre o humor é secundário nessa indicação, a nortriptilina rende bem em quadros onde a enxaqueca convive com cefaleia tensional, dor cervical ou distúrbio do sono, situações frequentes na prática.

Esse mecanismo explica duas características que confundem o paciente. Primeiro, a latência: como o efeito depende de adaptações graduais nessas vias, ele não aparece na primeira semana. Costuma-se reavaliar a resposta após 2 a 4 semanas em dose adequada, e por vezes leva mais tempo.

Segundo, a dose baixa: o alvo analgésico é alcançado com quantidades menores do que as antidepressivas, o que ajuda a limitar efeitos colaterais. Em comparação com a amitriptilina, a nortriptilina costuma ser mais bem tolerada, sobretudo por causar menos sedação e menos boca seca em parte das pessoas, embora a escolha entre uma e outra dependa do perfil de cada paciente.

Em uma frase

A nortriptilina não “tira” a dor de cabeça do dia: ela reforça, ao longo de semanas, o freio natural do cérebro contra a dor, de modo que as crises passem a vir menos vezes. Por isso é tomada todo dia, e não só quando dói.

Como se usa e o que esperar

O padrão na profilaxia é começar com dose baixa, à noite, e subir devagar conforme a resposta e a tolerância, até a menor dose eficaz. Tomar à noite aproveita o efeito sedativo a favor do sono e reduz o incômodo durante o dia. A dose exata, o ritmo de aumento e a duração do tratamento são definidos pelo médico para cada pessoa. Os comprimidos de nortriptilina existem em diferentes apresentações de baixa dosagem justamente para permitir esse ajuste fino.

O que esperar, na prática: o efeito é cumulativo, não imediato. É comum não notar diferença nas primeiras duas semanas e perceber a queda na frequência das crises só a partir da terceira ou quarta semana, às vezes depois. Por isso a constância importa mais do que a dose alta, e abandonar o remédio cedo demais, por achar que “não fez nada”, é um erro frequente. Costuma-se manter a profilaxia por alguns meses após o controle das crises e, então, reavaliar com o médico se o desmame é possível.

A retirada também deve ser gradual. Parar a nortriptilina de forma abrupta pode causar sintomas de descontinuação (mal-estar, náusea, distúrbio do sono), então qualquer ajuste para baixo é conduzido pelo médico assistente. Da mesma forma, não se deve dobrar a dose por conta própria se uma crise vier: a medicação não atua sobre a crise aguda, e aumentar a dose sem orientação só aumenta o risco de efeitos adversos.

Semana 1 a 2

Adaptação

Início em dose baixa à noite. Pode haver sonolência e boca seca, que tendem a diminuir. Em geral, ainda sem efeito sobre as crises.

Semana 3 a 4

Início da resposta

A frequência das crises costuma começar a cair. O médico avalia se a dose precisa ser ajustada conforme a resposta e a tolerância.

Após alguns meses

Reavaliação

Com as crises controladas, discute-se a manutenção ou o desmame lento. A retirada nunca é abrupta.

Dois pontos práticos sobre o Pamelor na enxaqueca

A primeira: a nortriptilina é um preventivo de uso diário e não faz nada por uma crise que já está acontecendo. Tomar um comprimido a mais no dia da dor é inútil e só soma efeito colateral. Pela mesma razão, não faz sentido julgar o remédio “depois de uma dose”: ele só mostra serviço depois de duas a quatro semanas de constância. A segunda: ela não é escolhida no lugar da amitriptilina por ser “mais forte”, e sim por ser, em geral, mais bem tolerada, com menos sedação e menos efeito anticolinérgico (boca seca, intestino preso) em boa parte das pessoas, troca que costuma decidir quem precisa funcionar bem de dia. E há um bônus pouco comentado: por agir nas vias de dor e no sono, a nortriptilina muitas vezes melhora junto a cefaleia tensional e a insônia que andam de mãos dadas com a enxaqueca, resolvendo mais de um problema com um só ajuste.

Efeitos colaterais e cuidados

Como todo tricíclico, a nortriptilina tem efeitos colaterais que dependem da dose e do indivíduo. A maioria é leve e tende a melhorar nas primeiras semanas, mas alguns cuidados são importantes e justificam o acompanhamento médico. Os efeitos mais comuns vêm da ação anticolinérgica e sedativa da medicação.

Efeitos colaterais da nortriptilina e o que costuma significar
EfeitoPor que aconteceO que costuma ajudar
Sonolência, sedaçãoAção sobre receptores que regulam o sonoTomar à noite; costuma reduzir com o tempo
Boca seca, prisão de ventreEfeito anticolinérgicoHidratação, fibras; ajuste de dose pelo médico
Ganho de peso e aumento do apetiteEfeito de classe dos tricíclicosMonitorar; rever a opção se for relevante
Tontura ao levantar (hipotensão postural)Queda momentânea da pressãoLevantar devagar; atenção em idosos
Retenção urinária, visão borradaEfeito anticolinérgicoCuidado em glaucoma e em problemas de próstata
Alterações no ritmo do coraçãoEfeito sobre a condução cardíacaECG quando indicado; cautela com dose

O ponto de maior atenção é o coração. Os tricíclicos podem afetar a condução elétrica cardíaca, sobretudo em doses mais altas, em idosos e em quem tem doença cardíaca ou alterações no eletrocardiograma. Por isso o médico pode solicitar um ECG antes ou durante o tratamento quando há fatores de risco, e a medicação é usada com cautela ou evitada nesses casos.

Também existe risco de interações: a nortriptilina não deve ser combinada com inibidores da MAO e exige cuidado com outros medicamentos que atuam na serotonina ou que afetam o ritmo cardíaco. Em superdosagem, os tricíclicos são perigosos, o que reforça a necessidade de prescrição e de mantê-los fora do alcance de crianças.

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Sinais que pedem contato com o médico

  • Palpitações, batimentos irregulares, dor no peito ou desmaio.
  • Confusão mental, agitação intensa ou febre alta associada ao uso (atenção a interações).
  • Retenção urinária, dor ou piora importante da visão.
  • Pioras do humor, ideias de se machucar ou mudança marcante de comportamento.
  • Qualquer crise de enxaqueca diferente do habitual: muito forte, súbita, com febre, alteração neurológica ou “a pior da vida”.

A nortriptilina é, em regra, evitada ou usada com cautela na gravidez e na amamentação, em quem teve infarto recente, em arritmias graves, glaucoma de ângulo fechado e retenção urinária. Idosos são mais sensíveis aos efeitos anticolinérgicos e à hipotensão.

Mito

“Pamelor é antidepressivo, então tomar para enxaqueca quer dizer que o problema é psicológico ou que vou ficar dependente.”

Fato

A nortriptilina é usada na enxaqueca pelo efeito sobre as vias de dor, em dose menor que a antidepressiva, e não porque a dor seja “da cabeça” no sentido emocional. Não causa dependência como os calmantes; ainda assim, a retirada é feita de forma gradual.

Assista: Enxaqueca dá tontura? Enxaqueca dá náuseas? Quando me preocupar?

O tratamento da enxaqueca além do remédio

Mão com luva posiciona finas agulhas de acupuntura na testa e couro cabeludo de um homem deitado.
A acupuntura entra como apoio no controle das crises quando o objetivo e reduzir a dependência de medicamentos.

A nortriptilina é uma ferramenta dentro de um plano, não o plano inteiro. O tratamento da enxaqueca que dá resultado consistente é multimodal e individualizado: combina a escolha certa de medicação preventiva, o uso racional do tratamento de crise, o controle de gatilhos e de hábitos, e recursos não-farmacológicos com boa evidência. O objetivo é reduzir a frequência e o impacto das crises e a dependência de analgésicos. A visão completa da doença está no nosso guia sobre enxaqueca, causas e tratamentos.

Outras opções de profilaxia

A nortriptilina não é a única medicação preventiva, e nem sempre é a primeira escolha. A decisão depende do perfil de crises, das outras condições da pessoa (pressão, sono, humor, peso) e da tolerância. As principais classes usadas na profilaxia da enxaqueca, todas com prescrição médica, incluem:

Classes de medicação preventiva da enxaqueca · visão geral
ClasseExemplosQuando costuma ser considerada
Antidepressivos tricíclicosNortriptilina, amitriptilinaEnxaqueca com cefaleia tensional, dor cervical ou insônia associadas
BetabloqueadoresPropranololBoa opção em quem também tem pressão alta ou ansiedade; evitar na asma
Antiepilépticos (neuromoduladores)Topiramato, valproato de sódioEnxaqueca frequente; valproato é evitado em mulheres em idade fértil sem contracepção
Bloqueadores de canais de cálcioFlunarizinaCasos selecionados; atenção a sedação e ganho de peso
Inibidores duais (recaptação)Duloxetina, venlafaxinaQuando há dor crônica ou depressão e ansiedade associadas
Anticorpos anti-CGRPTerapias específicasEnxaqueca de difícil controle, sob avaliação especializada

O propranolol, por exemplo, é um dos preventivos mais usados e tem perfil oposto ao da nortriptilina em alguns aspectos: pode ajudar quem tem pressão alta, mas é evitado na asma. O topiramato costuma ser eficaz, porém exige atenção a efeitos cognitivos e formigamentos. A leitura prática é que existe um leque, e escolher a peça certa para cada pessoa é parte do trabalho médico. Uma visão organizada das medicações para dor está no nosso guia de remédios para dor.

Acupuntura e eletroacupuntura: forte na enxaqueca

A acupuntura médica é um dos recursos não-farmacológicos com melhor evidência na profilaxia da enxaqueca, e a opção mais natural para quem não tolera a nortriptilina (ou os preventivos em geral), tem contraindicação cardíaca aos tricíclicos, ou simplesmente quer carregar menos comprimido.

O mecanismo conversa diretamente com o da medicação: além da modulação segmentar dos sinais dolorosos no corno dorsal da medula e da liberação de opioides endógenos, a acupuntura ativa as vias inibitórias descendentes no tronco encefálico e modula a serotonina e a noradrenalina nesse circuito, exatamente o freio que a nortriptilina reforça por via química, mas agora por estímulo neural. Na eletroacupuntura, uma corrente de baixa frequência aplicada entre as agulhas tende a recrutar mais esse sistema opioide, útil quando a enxaqueca vem acompanhada de dor cervical persistente. A evidência é favorável e citada em diretrizes: o NICE reconhece a acupuntura na profilaxia da enxaqueca, e revisões sistemáticas mostram queda no número de dias de dor por mês comparável, em parte dos estudos, à de medicações preventivas, com a vantagem de um perfil de efeitos colaterais muito mais leve.

O que esperar: diferente da nortriptilina, que só age depois de semanas de uso diário, a acupuntura costuma dar os primeiros sinais já dentro de um bloco de sessões semanais; o benefício é cumulativo e reavaliado pela contagem de dias de crise no diário de cefaleia, não pela sensação de uma sessão isolada. Quando combinada à profilaxia oral, a meta prática é a mesma de sempre: menos crises por mês com a menor carga de medicação possível. Na clínica, a acupuntura para enxaqueca é conduzida por médicos com treinamento formal na técnica e leitura neurológica do quadro, o que permite tratar no mesmo plano a dor de cabeça e o componente cervical que costuma alimentá-la.

Agulhamento seco dos pontos-gatilho

Uma parte expressiva de quem tem enxaqueca carrega também um forte componente miofascial cervical: pontos-gatilho ativos no trapézio superior, nos suboccipitais e no esternocleidomastóideo que referem dor para a região frontal, temporal e periorbitária, exatamente onde a enxaqueca dói, e que muitas vezes funcionam como o gatilho que dá a largada na crise. Reconhecer esse padrão é o que separa tratar a dor de cabeça de tratar apenas o cérebro. No agulhamento seco, a agulha é inserida diretamente na banda tensa do ponto-gatilho, sem injeção de qualquer substância.

O mecanismo é desencadear a resposta de contração local da fibra, normalizar a atividade elétrica anômala da placa motora e reduzir as substâncias álgicas acumuladas no ponto, com efeito local e segmentar que conversa com a mesma via de dor que a nortriptilina modula por cima. A evidência é consistente para a dor miofascial, e desativar o gatilho cervical costuma aliviar a carga de cefaleia precisamente no subgrupo com essa sobreposição, que é também o subgrupo em que a nortriptilina tende a render mais. O que esperar: não é um procedimento de dose única nem age sobre a crise em andamento; trabalha-se em algumas sessões, com leve dor no local do agulhamento por um a dois dias, e o ganho é avaliado pela queda de dias de dor ao longo das semanas, em paralelo à profilaxia oral.

Reabilitação e fisioterapia cervical

Quando há um componente cervical claro, a reabilitação ativa entra como base. O mecanismo é ganhar controle motor e resistência da musculatura profunda do pescoço (a flexão craniocervical), corrigir a sobrecarga postural da cabeça projetada à frente e dessensibilizar o movimento. A evidência apoia o exercício terapêutico e a terapia manual como adjuvantes na cefaleia de contribuição cervical. O que esperar: ganhos ao longo de semanas, com um programa individual mantido para prevenir recorrências, em atendimento individualizado.

Hábitos somam, mas com peso desigual na enxaqueca: o horário regular de sono (dormir e acordar na mesma hora, inclusive no fim de semana) e a regularidade das refeições pesam mais que conselhos genéricos, porque o jejum e a privação ou o excesso de sono estão entre os gatilhos mais reprodutíveis do quadro. Anotar crises, sono e gatilhos no diário de cefaleia é o que permite ver o padrão e flagrar o ponto crítico: passar de cerca de dez a quinze dias de analgésico por mês instala a cefaleia por uso excessivo de medicação, em que o próprio remédio de crise perpetua a dor e mascara a resposta à profilaxia.

Toxina botulínica na enxaqueca crônica

Para a enxaqueca crônica (em linhas gerais, 15 ou mais dias de dor de cabeça por mês, por mais de três meses), refratária às medidas anteriores, a toxina botulínica tipo A é uma opção consolidada, aplicada em um protocolo de pontos definidos na cabeça e no pescoço. O mecanismo vai além do relaxamento muscular: ela bloqueia a liberação de acetilcolina na junção neuromuscular e reduz a liberação periférica de neuropeptídeos ligados à dor, como o CGRP e a substância P, com efeito antinociceptivo. A evidência é boa especificamente na enxaqueca crônica, não na episódica. O que esperar: o efeito começa em 2 a 4 semanas, dura cerca de 3 a 4 meses e tende a ser cumulativo entre os ciclos.

O que a medicação faz

Reduz a frequência

A profilaxia, como a nortriptilina, abaixa o número e a intensidade das crises e dá espaço para a reabilitação funcionar.

O que o plano faz

Sustenta o resultado

Controle de gatilhos, acupuntura, agulhamento e exercício atacam outras engrenagens da enxaqueca e reduzem a dependência de remédio.

Da prática clínica

Algumas observações recorrentes do consultório:

  • A confusão mais comum é tratar um preventivo como se fosse analgésico. Muita gente chega tendo tomado a nortriptilina “só nos dias de crise” e concluído que não serviu. Ela é de uso diário, e o efeito é cumulativo: costuma aparecer entre a segunda e a quarta semana, não na primeira dose.
  • Quando a escolha é entre nortriptilina e amitriptilina, o que costuma pesar na prática é a tolerância, não a potência. Para quem precisa render de dia, a nortriptilina, em geral menos sedativa e com menos boca seca, tende a ser a aposta inicial mais confortável.
  • O ganho que mais surpreende o paciente raramente é só a dor de cabeça: por agir no sono e nas vias de dor, ela frequentemente arruma de quebra a insônia e a cefaleia tensional que vinham junto, e essa melhora do conjunto costuma ser o que sustenta a adesão.
  • O cuidado que merece franqueza é o coração. Em pessoas com mais idade, arritmia, alteração no eletrocardiograma ou infarto recente, os tricíclicos pedem cautela ou são evitados, e os efeitos anticolinérgicos (boca seca, intestino preso, retenção urinária) são mais sentidos. É por isso que a avaliação prévia, e às vezes um eletrocardiograma, não é burocracia.

Em resumo deste ponto: a nortriptilina pode ser uma boa peça da profilaxia, sobretudo quando há dor cervical, cefaleia tensional ou insônia associadas, mas é dentro de um plano que ela rende. Decidir entre ela e as outras opções, e somar os recursos não-farmacológicos certos, é o que transforma o controle da enxaqueca em algo sustentável.

A clínica

A clínica é um Centro de Dor listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED) e um Centro de Tratamento por Ondas de Choque listado pela SMBTOC. É também listada pelo CMBA, Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura.

Conheça a clínica
SBED, Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor
SMBTOC, Sociedade Médica Brasileira de Tratamento por Ondas de Choque
CMBA, Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura

Perguntas frequentes

Pamelor para que serve?

Pamelor é o nome comercial da nortriptilina, um antidepressivo tricíclico. Além da depressão, é muito usado em dose baixa para o controle de dor crônica e na profilaxia (prevenção) da enxaqueca e de outras cefaleias, reduzindo a frequência das crises. Na enxaqueca, serve como preventivo de uso diário, não como remédio para cortar a crise.

Pamelor serve para enxaqueca e dor de cabeça?

Sim, como profilaxia. A nortriptilina é usada para reduzir a frequência das crises de enxaqueca e é útil também na cefaleia tensional crônica e em quadros com dor cervical associada, pelo efeito sobre as vias de dor. Não é um analgésico para a hora da dor.

Qual a diferença entre Pamelor 10mg e 25mg?

São apresentações com diferentes quantidades de nortriptilina por comprimido. As doses menores permitem iniciar o tratamento devagar e ajustar fino, o que é a regra na profilaxia da enxaqueca, em que se usa a menor dose eficaz. A dose e a apresentação certas para você são definidas pelo médico.

Quanto tempo o Pamelor leva para fazer efeito na enxaqueca?

O efeito é gradual. Na profilaxia da enxaqueca, a resposta costuma começar a aparecer em 2 a 4 semanas de uso contínuo na dose adequada, às vezes mais. Por isso a constância é essencial e não se deve abandonar o tratamento cedo demais por achar que não funcionou.

Quais os efeitos colaterais do Pamelor (nortriptilina)?

Os mais comuns são sonolência, boca seca, prisão de ventre, ganho de peso e tontura ao levantar. O cuidado maior é com o coração: os tricíclicos podem afetar a condução cardíaca, então o médico pode pedir um eletrocardiograma (ECG) quando há fatores de risco. Há contraindicações e interações importantes, o que torna o acompanhamento médico indispensável.

Posso parar de tomar quando a enxaqueca melhorar?

Não por conta própria. Costuma-se manter a profilaxia por alguns meses após o controle das crises e, então, fazer a retirada de forma gradual, orientada pelo médico. Parar de repente pode causar sintomas de descontinuação.

Pamelor (nortriptilina) engorda?

Pode aumentar o apetite e levar a algum ganho de peso, um efeito de classe dos antidepressivos tricíclicos que tende a depender da dose. Nem todo mundo apresenta esse efeito, e ele costuma ser monitorado ao longo do tratamento. Se o ganho de peso for relevante para o seu caso, o médico pode ajustar a dose ou rever a escolha do preventivo.

Pamelor (nortriptilina) dá sono?

Pode dar sonolência, sobretudo no início, por isso costuma ser tomado à noite, o que aproveita esse efeito a favor do sono e reduz o incômodo durante o dia. A sedação tende a diminuir nas primeiras semanas de uso. Em comparação com a amitriptilina, a nortriptilina costuma sedar um pouco menos em parte das pessoas, mas a resposta é individual.

Prof. Dr. Hong Jin Pai
Sobre o autor
Prof. Dr. Hong Jin Pai
CRM-SP 36.399RQE 29.862

Médico com atuação em Acupuntura Médica, dor, ensino clínico e formação médica continuada. Diretor técnico da Clínica Dr. Hong Jin Pai.

Revisão médica e editorial

Conteúdo revisado clinicamente por Dr. Marcus Yu Bin Pai. Tem finalidade educativa e cita fontes.

Referências3 fontes citadas neste artigoVerOcultar
  1. Silberstein SD, et al. Evidence-based guideline update: pharmacologic treatment for episodic migraine prevention in adults: report of the Quality Standards Subcommittee of the American Academy of Neurology and the American Headache Society. Neurology. 2012;78(17):1337-1345. acessar
  2. Jackson JL, et al. Tricyclic antidepressants and headaches: systematic review and meta-analysis. BMJ. 2010;341:c5222. acessar
  3. Cellera Farmaceutica S.A. PAMELOR (cloridrato de nortriptilina): bula do paciente. Agencia Nacional de Vigilância Sanitaria (Anvisa). Capsulas 10 mg, 25 mg, 50 mg e 75 mg. acessar
Atualizado em 31 mai 2026 Leitura 9 min

Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação médica individual. No caso específico da nortriptilina (Pamelor) para enxaqueca, a decisão de iniciar a profilaxia, a dose, o ritmo de aumento, a necessidade de eletrocardiograma e o desmame são individualizados e definidos pelo médico assistente, que pondera o seu padrão de crises, as comorbidades cardíacas e o seu histórico de saúde.

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