Pontada no peito (tórax): o que pode ser?
A pontada no peito tem muitas causas: da parede torácica (costocondrite, ponto-gatilho, neuralgia intercostal) à pleura, e algumas perigosas no coração, no pulmão e na aorta.
- A causa mais comum da pontada no peito é a parede torácica: costocondrite e síndrome de Tietze (cartilagem da costela), pontos-gatilho do peitoral e dos intercostais, neuralgia intercostal, dor muscular e a precordialgia benigna (pontada de Texidor). São benignas.
- Três pistas apontam a parede: a dor piora ao respirar fundo, tossir ou mexer o tronco, reproduz ao apertar um ponto fixo do peito, e é uma fisgada curta ou choque, não um aperto contínuo que irradia. Uma dor pleurítica também piora ao respirar e pede atenção.
- Antes de aceitar a parede, é obrigatório afastar as causas graves: síndrome coronariana (infarto/angina), embolia pulmonar, pneumotórax e dissecção de aorta. Reproduzir a dor ao toque é pista a favor da parede, não um exame que exclui o coração.
- O tratamento depende da causa. Na origem da parede é não-cirúrgico: agulhamento seco e infiltração de pontos-gatilho, acupuntura, fisioterapia e exercício; medicação por prazo definido. As causas graves seguem fluxo próprio de emergência.
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Diante de uma pontada no peito nova, siga esta ordem antes de qualquer outra coisa:
- Primeiro, confira os sinais de alarme abaixo. Se a dor for um aperto ou peso (não uma fisgada fina), irradiar para o braço, o ombro ou a mandíbula, ou vier com falta de ar, suor frio ou tontura, ligue para o SAMU (192) agora — não espere passar nem dirija você mesmo.
- Teste a reprodução. Aperte com o dedo o ponto que dói e respire fundo: se a dor piora ao apertar e ao respirar, e é uma fisgada curta e localizada, o padrão favorece a parede torácica, não o coração.
- Se o padrão for de parede, reduza por alguns dias o movimento ou o esforço que reproduz a dor (carregar peso, torcer o tronco) — a dor muscular da parede costuma melhorar com esse repouso relativo.
- Não conclua sozinho. Mesmo com padrão de parede, uma dor torácica nova merece avaliação médica, porque nenhum sinal isolado exclui o coração com certeza.
Procure emergência sem demora se houver aperto ou peso que não muda com a respiração, falta de ar súbita, ou dor que irradia para o braço/mandíbula ou “rasga” para as costas (veja «Sinais de alarme», mais abaixo).
O que é a pontada no peito e o que pode causá-la
A “pontada no peito” descreve uma dor aguda, em fisgada, agulhada ou choque, geralmente localizada num ponto do tórax. A lista de causas é longa: vai da parede torácica (pele, músculos, cartilagens, costelas e nervos que revestem o tórax) à pleura que envolve o pulmão, passando pela coluna torácica que refere dor para a frente, e inclui um grupo pequeno mas perigoso de causas no coração, no pulmão e na aorta.
A boa notícia estatística é que a maioria das pontadas, sobretudo a fisgada curta e posicional que reproduz ao apertar um ponto, vem da parede torácica e é benigna. A regra de segurança, porém, inverte a ordem do raciocínio: antes de aceitar a parede, é obrigatório afastar as causas graves. A síndrome coronariana (angina, infarto), a embolia pulmonar, o pneumotórax e a dissecção de aorta podem matar em horas, e nenhuma característica isolada da dor as exclui com certeza, ainda mais nas apresentações atípicas de mulheres, idosos e pessoas com diabetes.
Causas na parede do tórax (musculoesqueléticas)
É o grupo mais comum. A dor nasce na cartilagem que liga a costela ao esterno, no músculo, no osso ou no nervo da parede, e tem uma assinatura reconhecível: localiza-se num ponto, reproduz ao apertar e muda com a respiração e o movimento do tronco. Todas as causas abaixo são benignas e respondem a tratamento conservador.
Costocondrite
Inflamação das cartilagens que ligam costela e esterno, em geral da segunda à quinta junção. Pontada bem localizada que piora ao respirar fundo, tossir, espirrar ou abraçar, e dói à palpação da junção. Surge após esforço, tosse persistente ou sem gatilho. Veja a costocondrite em detalhe.
Síndrome de Tietze
Variante da costocondrite com inchaço visível e palpável da junção costocondral, em geral única e alta (segunda ou terceira costela). A dor é igual à da costocondrite; o que muda é a tumefação local. Benigna e autolimitada, mas o inchaço novo merece ser examinado.
Ponto-gatilho do peitoral
Banda tensa no peitoral maior ou menor que dói ao toque e refere dor justamente para a região precordial esquerda, imitando dor “do coração”. Pressionar a banda reproduz a fisgada que assusta. Perpetuado por postura à frente, estresse e esforço. Parte da síndrome miofascial.
Ponto-gatilho intercostal
Pontos-gatilho nos músculos intercostais e nos músculos das costas que se inserem no tórax geram fisgada e dor referida ao longo do espaço entre duas costelas. Reproduz ao apertar a banda e piora ao girar o tronco ou inspirar fundo. Comum em quem tosse muito ou faz esforço repetitivo.
Dor muscular da parede torácica
Estiramento ou sobrecarga dos músculos do peito e dos intercostais após exercício novo, levantamento de peso, tosse intensa ou trauma leve. Dói ao mover o braço e o tronco, piora à contração e melhora com repouso. É a “dor de músculo” clássica da parede, sem ponto-gatilho fixo.
Contusão ou fratura de costela
Dor óssea bem localizada, intensa ao respirar fundo, tossir ou deitar sobre o lado, após queda, pancada ou tosse vigorosa (a fratura por estresse existe). Dói à palpação do arco costal. Confirma-se por imagem; a dor na costela tem página própria.
Causas neurológicas e referidas
Aqui a dor não nasce no músculo nem na cartilagem, mas num nervo irritado ou numa estrutura vizinha que projeta dor para o peito. O caráter muda: surge a queimação, o choque elétrico que segue um trajeto e, num grupo, a fisgada brevíssima sem explicação estrutural.
Neuralgia (neurite) intercostal
Irritação ou compressão do nervo intercostal: dor em choque, queimação ou agulhada que segue o trajeto da costela, às vezes contornando o tórax até as costas. Pode vir após trauma, herpes-zóster ou irritação de raiz na coluna torácica. Costuma piorar ao toque do trajeto e muda pouco com a respiração, ao contrário da costocondrite.
Herpes-zóster (cobreiro)
Reativação do vírus da catapora num nervo intercostal: dor em queimação ou choque numa faixa de um lado do tórax, que pode preceder em dias a erupção de bolhas avermelhadas em faixa. A dor pode persistir como neuralgia pós-herpética. O antiviral precoce muda o curso, então a suspeita pede avaliação rápida.
Dor referida da coluna torácica
Disfunção das articulações costovertebrais e facetárias ou irritação de uma raiz na coluna torácica projeta dor para a frente do peito, “em cinturão”. Piora ao girar o tronco, à postura mantida e à palpação paravertebral, e muda com a posição da coluna, não com o esforço cardíaco.
Precordialgia benigna (Texidor)
A “precordial catch” ou pontada de Texidor: fisgada brevíssima e muito intensa de um lado do peito, em repouso ou ao se curvar, que obriga a respirar de leve por alguns segundos e some sozinha. Comum em adolescentes e adultos jovens, assusta pela intensidade e é inofensiva, mas merece ser olhada na primeira vez.
Causas pleurais e outras a reconhecer
Algumas pontadas não vêm da parede nem de um nervo, mas de estruturas internas que pedem condutas próprias. Duas merecem destaque porque também pioram ao respirar e podem ser confundidas com a parede.
Dor pleurítica
Inflamação da pleura, a membrana que envolve o pulmão (pleurite, pneumonia, após viroses): pontada que aparece ou piora claramente no auge da inspiração, ao tossir ou espirrar, e alivia ao prender o ar. Quando vem com febre, tosse, falta de ar ou escarro, a investigação é pulmonar e não da parede.
Causa digestiva (refluxo)
Refluxo gastroesofágico, gastrite ou aerofagia (engolir ar) distendem o estômago e geram queimação ou aperto retroesternal confundido com dor no peito. A queixa “arrotos constantes e dor no tórax” entra aqui: piora ao deitar após comer, vem com azia e melhora com antiácido. Conduta clínica ou gastroenterológica.
Ansiedade e respiração curta
Crises de ansiedade e o padrão de respiração curta e alta tensionam peitorais e escalenos e dão aperto ou pontada no peito, às vezes com formigamento e palpitação. É diagnóstico de exclusão: só se assume depois de afastar o coração, porque ansiedade e doença cardíaca podem coexistir.
As causas graves que precisam ser afastadas primeiro
São menos frequentes que as da parede, mas definem a conduta: diante de uma dor no peito nova, presume-se uma destas até prova em contrário e procura-se emergência. Cada uma tem um padrão que ajuda a suspeitar, mas nenhuma se exclui por exame de toque: a confirmação é clínica e por exames feitos com urgência.
Síndrome coronariana: angina e infarto
Coração em sofrimento por falta de oxigênio: dor em aperto, peso ou opressão no centro do peito, mal localizada (mão aberta, não um dedo), que irradia para braço, ombro, pescoço ou mandíbula, piora ao esforço e vem com falta de ar, suor frio ou náusea. Não muda ao respirar nem ao apertar. Ligue 192.
Embolia pulmonar
Coágulo que entope uma artéria do pulmão: dor pleurítica de início súbito com falta de ar desproporcional, taquicardia e, às vezes, tosse com sangue. Risco maior após cirurgia, imobilização longa, viagem prolongada, câncer ou trombose na perna (panturrilha inchada e dolorida). Emergência.
Pneumotórax
Entrada de ar entre o pulmão e a pleura, que colaba parte do pulmão: dor em pontada súbita de um lado com falta de ar, sem trauma necessário em pessoas altas e magras ou com doença pulmonar. Quanto maior o pneumotórax, mais grave. Procurar emergência.
Dissecção de aorta
Rasgo na parede da maior artéria do corpo: dor torácica intensa e abrupta, “rasgando” ou “dilacerante”, que costuma migrar para as costas, entre as escápulas. Mais provável em hipertensos e em algumas doenças do tecido conjuntivo. Rara, gravíssima, tempo-dependente. Emergência imediata.
Como diferenciar pelo padrão da dor
A palavra que a pessoa escolhe já orienta o raciocínio. “Aperto” e “peso” puxam para o lado cardíaco e merecem cautela; “pontada”, “fisgada”, “agulhada” e “choque” puxam para a parede ou o nervo. O contraste mais útil é entre a dor que muda com o corpo e a que não muda.
- Fisgada curta e bem localizada: aponta com um dedo o ponto que dói.
- Reproduz ao apertar a junção costocondral ou a banda muscular.
- Piora ao respirar fundo, tossir ou girar o tronco; muda com a posição.
- Dura segundos a poucos minutos e é recorrente, sem outros sintomas.
- Aperto, peso ou opressão difusa: a mão aberta cobre o peito.
- Não muda ao apertar nem ao respirar; surge ou piora ao esforço.
- Irradia para braço, ombro, pescoço ou mandíbula, ou “rasga” para as costas.
- Vem com falta de ar, suor frio, náusea, tontura ou desmaio; dura mais de 10 a 20 minutos.
| Grupo de causa | Padrão típico | Conduta |
|---|---|---|
| Parede torácica (costocondrite, ponto-gatilho, muscular) | Fisgada localizada, reproduz ao apertar, piora ao respirar e mexer | Avaliação ambulatorial com médico de dor; tratamento conservador |
| Neuralgia intercostal / herpes-zóster | Choque ou queimação no trajeto da costela; faixa de bolhas no zóster | Avaliação; antiviral precoce se zóster; medicação neuropática |
| Referida da coluna torácica | Dor “em cinturão”, piora ao girar o tronco e à palpação paravertebral | Avaliação da coluna torácica; reabilitação dirigida |
| Precordialgia benigna (Texidor) | Fisgada de segundos em jovem, em repouso, some sozinha | Tranquilizar após exame; investigar só na primeira vez ou se mudar |
| Pleural / pulmonar | Pontada que pico no fim da inspiração, com febre, tosse ou falta de ar | Avaliação pulmonar; emergência se falta de ar ou tosse com sangue |
| Digestiva (refluxo) | Queimação retroesternal, piora deitado após comer, azia e arrotos | Avaliação clínica ou gastroenterológica |
| Grave (coração, embolia, pneumotórax, aorta) | Aperto que não muda com o corpo, falta de ar súbita, dor que rasga para as costas | Emergência imediata: SAMU 192 ou pronto-socorro |
Pontada no peito com qualquer um destes sinais é emergência até prova em contrário
- Dor em aperto, peso ou opressão no centro do peito, em vez de fisgada fina e localizada (suspeita de infarto/angina).
- Dor que irradia para o braço (sobretudo o esquerdo), ombro, pescoço, mandíbula, costas ou boca do estômago.
- Falta de ar, sudorese fria, náusea, palidez, tontura ou desmaio junto com a dor.
- Dor que começa ou piora ao esforço (subir escada, caminhar) e melhora ao parar, ou contínua por mais de 10 a 20 minutos.
- Falta de ar súbita com pontada que piora ao respirar, com ou sem tosse com sangue (suspeita de embolia pulmonar ou pneumotórax), sobretudo após cirurgia, imobilização ou com perna inchada.
- Dor torácica intensa e abrupta que “rasga” e migra para as costas (suspeita de dissecção de aorta), principalmente em hipertensos.
- Dor após trauma importante do tórax, febre alta com a dor, ou erupção em faixa na pele (zóster) merecem avaliação sem demora ainda que pareça parede.
Esses sinais não fecham o diagnóstico, mas exigem afastar a causa grave com urgência: ligue para o SAMU 192 ou vá a um pronto-socorro. Não dirija você mesmo e não espere passar. A avaliação inicial (eletrocardiograma e, quando indicado, exames de sangue e imagem) é rápida e decisiva.
Reproduzir a dor ao toque é uma pista a favor da parede, não um exame que exclui o coração, e uma dor pode ser muscular e cardíaca na mesma pessoa: a ordem correta é descartar o grave primeiro, com quem pode pedir um eletrocardiograma na hora, e só então tratar a parede com calma. Veja também o pilar dor torácica: o que pode ser.
Como a pontada no peito é avaliada
A avaliação começa pela triagem de risco e só depois caracteriza a parede. A história busca o tipo da dor (fisgada x aperto), o que a desencadeia e a alivia, a relação com a respiração e o esforço, e os fatores de risco para causa grave: idade, hipertensão, diabetes, tabagismo, história cardíaca na família, cirurgia ou imobilização recentes e trombose na perna. Diante de qualquer sinal de alarme, o eletrocardiograma e, conforme o caso, marcadores cardíacos, radiografia ou tomografia entram primeiro, antes de qualquer hipótese de parede.
Afastado o grave, o exame da parede é específico e dirigido. Palpação sistemática das junções costocondrais (reproduzir a dor na costocondrite e na Tietze, com tumefação visível nesta última), das bandas tensas do peitoral maior, do peitoral menor e dos intercostais à procura do ponto-gatilho que reproduz a fisgada referida, e do arco costal quando há suspeita de fratura. Testa-se a dor à contração resistida e ao movimento do tronco (rotação, flexão lateral), a mudança ao respirar fundo, e examina-se a coluna torácica e os pontos paravertebrais quando a dor é referida das costas. A pele é inspecionada à procura da faixa de zóster.
A imagem da parede (radiografia, ultrassom) entra quando há suspeita de fratura, e a investigação cardíaca ou pulmonar é repetida se algo novo levantar dúvida. O objetivo é simples: confirmar positivamente a origem na parede, não apenas “não achar nada no coração”.
O tratamento depende da causa
Não existe um tratamento único da “pontada no peito”: trata-se a causa. O princípio organiza tudo o que vem a seguir, e a conduta muda conforme a origem identificada na avaliação.
Como funciona o acompanhamento: consulta, plano e reavaliação
Confirmada a origem na parede, a consulta define um plano individualizado que combina reabilitação ativa com os procedimentos que o componente miofascial justificar. Um primeiro bloco de fisioterapia e, quando há ponto-gatilho, de agulhamento seco costuma girar em torno de quatro a oito sessões ao longo de quatro a seis semanas, ajustado à causa (costocondrite simples versus componente miofascial mais persistente) e à resposta. A reavaliação acontece ao fim desse bloco inicial, quando se decide manter o plano, progredir ou reabrir o diagnóstico.
Costocondrite ou dor muscular simples
Com repouso relativo do movimento que reproduz a dor e reabilitação iniciada cedo, a fisgada tende a ceder de forma consistente nesse período.
Componente miofascial com ponto-gatilho
Bandas tensas mais estabelecidas do peitoral ou dos intercostais respondem mais devagar, porque dependem da reabilitação ativa para desligar o padrão de dor referida, não apenas do procedimento pontual.
Se os marcadores não acompanham o esperado
Quando a dor, o número de fisgadas por dia ou a capacidade de respirar fundo não melhoram como previsto, o passo é reabrir o diagnóstico, reconsiderar a coluna torácica ou o nervo, e, diante de qualquer dúvida nova sobre coração ou pulmão, encaminhar.
Origem na parede torácica (costocondrite, Tietze, pontos-gatilho, dor muscular). É o terreno da clínica de dor e o tratamento é não-cirúrgico e multimodal. Na parede torácica a punção das técnicas com agulha é sempre tangencial e apoiada na costela, pela proximidade da pleura.
Reabilitação ativa
Base do tratamento: cinesioterapia, mobilidade da coluna torácica e das costelas, alongamento dos peitorais, fortalecimento dos estabilizadores da escápula e reeducação respiratória diafragmática, em RPG ou Pilates clínico conforme o perfil, conduzida por fisioterapeuta.
Agulhamento seco e infiltração de pontos-gatilho
Quando há componente miofascial, desativam o ponto-gatilho na parede torácica. A punção é sempre tangencial e apoiada na costela, pela proximidade da pleura.
Acupuntura e eletroacupuntura
Modulam a dor referida do peitoral e dos intercostais. Na parede torácica a punção é sempre tangencial e apoiada na costela, pela proximidade da pleura.
Ondas de choque
Reservadas à dor miofascial crônica e às tendinopatias que não cederam às medidas iniciais; não como primeira escolha.
Agulhamento seco e fisioterapia para o componente miofascial
Quando a fisgada nasce de um ponto-gatilho do peitoral ou dos intercostais, o agulhamento seco tem valor duplo: a banda tensa que, ao ser pressionada, reproduz a dor referida para o precórdio é ao mesmo tempo o diagnóstico e o alvo. A agulha fina provoca a resposta de contração local, afrouxa a banda e desliga a dor referida; o ponto teimoso pode receber infiltração com anestésico local para abrir janela ao exercício. A acupuntura, ato médico nesta clínica, soma ação segmentar sobre o nervo intercostal e ajuda a soltar a respiração curta que realimenta a costocondrite. Nada disso substitui o exercício: a fisioterapia é o que sustenta o alívio e reduz recorrência.
Origem neuropática (neuralgia intercostal, pós-zóster). Trata-se o nervo e a causa. O herpes-zóster pede antiviral precoce prescrito pelo clínico. A dor neuropática responde a classes específicas, por prazo definido: antidepressivos tricíclicos em dose baixa (amitriptilina, nortriptilina) e gabapentinoides (gabapentina, pregabalina), com ajuste gradual e atenção a sonolência, tontura e cautela cardíaca nos tricíclicos. Casos refratários no trajeto de um nervo podem se beneficiar de bloqueio anestésico seletivo, que também confirma a origem.
Medicação adjuvante. Na fase aguda da costocondrite e da dor muscular, analgésicos simples (paracetamol, dipirona) e anti-inflamatórios (ibuprofeno, naproxeno) por períodos curtos ajudam a abrir janela para a reabilitação, com cautela gástrica, renal e cardiovascular; relaxantes musculares têm papel pontual e noturno. Os opioides não têm lugar na pontada de parede comum. A medicação alivia, mas não substitui a base ativa.
Origem vascular, pulmonar ou sistêmica. Aqui a conduta é reconhecer e referir: síndrome coronariana, embolia pulmonar, pneumotórax e dissecção de aorta seguem o fluxo de emergência e o tratamento do especialista; o refluxo é avaliado pela clínica ou gastroenterologia. Quanto à cirurgia, ela não tem papel na dor de parede torácica benigna, porque não há lesão estrutural a operar; é considerada apenas pela doença de base que a exija (por exemplo, fratura de costela instável ou tratamento de uma causa grave identificada), conduzida por outro especialista, nunca para “operar a dor muscular”.
A resposta é acompanhada por marcadores próprios do tórax: a intensidade numa escala de 0 a 10, o número de fisgadas por dia, a dor à palpação da junção e do ponto-gatilho e, sobretudo, a capacidade de inspirar fundo, tossir ou abraçar sem disparar a dor.
Centro de Dor
Listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED)
Centro de Tratamento por Ondas de Choque
Listado pela Sociedade Médica Brasileira de Tratamento por Ondas de Choque (SMBTOC)
Clínica listada
Listada pelo Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura (CMBA)
Perguntas frequentes
Pontada no peito é sinal de problema no coração?
Na maioria das vezes, não. A pontada curta, bem localizada, que piora ao respirar fundo ou ao apertar o ponto, costuma vir da parede torácica (músculo, cartilagem ou nervo). O coração tende a doer de outra forma: aperto ou peso no centro do peito, com irradiação para o braço ou a mandíbula, falta de ar e suor, que piora ao esforço. Diante desse padrão de aperto, procure emergência (SAMU 192). Como nenhum sinal isolado exclui o coração com certeza, dor no peito nova merece avaliação médica.
Aperto no peito o que pode ser?
“Aperto no peito” ou “aperto no coração” pode ter causa cardíaca, sobretudo se vier com falta de ar, suor, irradiação ou piora ao esforço, e nesse caso é emergência. Também pode ser ansiedade, refluxo ou tensão muscular. Por isso a conduta diante de um aperto novo e persistente é afastar o coração primeiro, em pronto-socorro. Já a pontada que muda ao respirar e reproduz ao toque é tipicamente da parede torácica.
Sinto pontadas no peito esquerdo, devo me preocupar?
Pontada no peito esquerdo nem sempre é o coração: a parede torácica esquerda também tem músculos, cartilagens e nervos que doem em fisgada. Se a dor é curta, reproduz ao apertar e piora ao respirar, costuma ser muscular ou costocondrite. Se é um aperto contínuo, com irradiação para o braço esquerdo, falta de ar ou suor, trate como possível emergência e vá ao pronto-socorro. Na dúvida, é sempre mais seguro ser avaliado.
O que é a sensação de “choque no peito”?
A sensação de choque, agulhada ou queimação que segue o trajeto de uma costela sugere irritação de um nervo intercostal (neuralgia intercostal). Costuma ser benigna e responde a acupuntura, agulhamento e, quando necessário, medicação para dor neuropática. Quando vem em faixa na pele com vermelhidão e bolhas, pode ser herpes-zóster e exige avaliação médica.
Tenho arrotos constantes e dor no tórax, o que pode ser?
Esse padrão costuma apontar para causa digestiva, como refluxo gastroesofágico, gastrite ou aerofagia (engolir ar em excesso), que distende o estômago e gera desconforto retroesternal parecido com dor no peito. Não é o foco da nossa especialidade, mas é importante reconhecer: se a dor vem com azia, queimação que sobe e piora ao deitar após comer, o caminho é a avaliação clínica ou gastroenterológica. A coexistência com tensão muscular também é comum.
Quando a pontada no peito é emergência?
É emergência quando a dor é em aperto ou peso, irradia para o braço, ombro, pescoço ou mandíbula, vem com falta de ar, suor frio, náusea ou tontura, piora ao esforço ou dura mais de 10 a 20 minutos sem mudar com a respiração. Nesses casos, ligue para o SAMU 192 ou vá ao pronto-socorro imediatamente, sem dirigir você mesmo. Falta de ar com tosse com sangue ou dor após trauma também pedem avaliação urgente.
Resumos em linguagem clara de estudos revisados pelo Dr. Marcus Yu Bin Pai.
Ver a biblioteca científica completaReferências2 fontes citadas neste artigoVerOcultar
- Conselho Federal de Medicina (CFM). Resoluções sobre publicidade médica e princípios éticos da prática (vedação a garantia de resultado e a promessa de cura).
- Winzenberg T; Jones G; Callisaya M. Musculoskeletal chest wall pain. Australian family physician. 2015. PMID:26510139.
Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação médica individual. Dor no peito pode ter causa grave, e nenhum texto consegue afastar coração, pulmão ou aorta a distância: na presença de sinais de alarme, procure emergência (SAMU 192) antes de assumir que é a parede do peito. As condutas descritas valem para a dor de parede torácica já avaliada e individualizada caso a caso.
