CENTRO DE TRATAMENTO DE DOR: Acupuntura Médica, Ondas de Choque, Fisiatria e Fisioterapia.

Agendar avaliação
Acupuntura · Auriculoterapia

Pontos da acupuntura auricular: o que são e para que servem

A acupuntura auricular estimula pontos do pavilhão da orelha para modular dor, ansiedade e sono. Os pontos não têm efeito mágico isolado: agem por neuromodulação, sobretudo pelo ramo auricular do nervo vago e pelo trigêmeo, com projeção ao tronco encefálico. Veja a anatomia real, as técnicas e o que a auriculoterapia pode fazer.

Resposta direta
  • Os pontos da acupuntura auricular são áreas mapeadas do pavilhão da orelha que, estimuladas com agulha ou semente, podem modular dor, ansiedade e sono por via reflexa, não por uma ação local na cartilagem.
  • A orelha é o único território cutâneo inervado por um ramo do nervo vago (ABVN); estimular a concha ativa uma via que projeta para o núcleo do trato solitário no tronco encefálico, o que dá base neurofisiológica ao método.
  • As frentes com mais respaldo são a dor (perioperatória e crônica), a náusea e o uso adjuvante em ansiedade e dependências (protocolo NADA). É um recurso que soma dentro de um plano de tratamento, de baixo risco e boa tolerância.
4,9Google5,0Doctoralia

40+ anos · HC-FMUSP · USP · 30 salas · 1.500 m² · Fisioterapia e Pilates individual

Acupuntura médica

Centro de Referência no Brasil em Acupuntura Médica. Tratamento com base em evidências, na tradição da USP e do HC-FMUSP.

O que é a auriculoterapia e o mapa do pavilhão

Aula prática com manuseio de agulhas e eletrodos de eletroacupuntura.
O manuseio correto das agulhas é parte central do treinamento.

A auriculoterapia é o ramo da acupuntura que trata estimulando pontos do pavilhão auricular, a parte externa da orelha. O princípio prático é o de uma microrregião reflexa: a superfície da orelha funciona como um mapa em que diferentes áreas se relacionam com diferentes partes do corpo e funções, e o estímulo controlado desses pontos pode repercutir à distância por vias neurais.

O mapa moderno foi sistematizado pelo médico francês Paul Nogier nos anos 1950 e ficou conhecido pela imagem do feto invertido (somatotopia auricular): o lóbulo corresponderia à cabeça e à face, o antitragus ao crânio e ao cérebro, a anti-hélice e sua raiz à coluna vertebral (sacro embaixo, cervical em cima), as fossas e a concha às vísceras torácicas e abdominais. Nogier também descreveu o chamado reflexo auriculocardíaco (RAC), ou sinal autonômico vascular, uma alteração momentânea do pulso radial usada para identificar pontos reativos. A somatotopia é um mapa clínico de orientação: serve para nomear regiões e padronizar protocolos, e o que guia o estímulo na prática é a inervação de cada relevo.

A Medicina Tradicional Chinesa tem sua própria cartografia da orelha, e a Organização Mundial da Saúde padronizou uma nomenclatura internacional dos pontos para fins de pesquisa. Na clínica esses sistemas convivem: trata-se de um campo de estímulo neural acessível e seguro.

O pavilhão tem relevos anatômicos que servem de coordenadas para os pontos: a hélice (borda externa enrolada), a anti-hélice e suas raízes (crus superior e inferior), a fossa triangular entre as raízes, a concha dividida em cymba (superior) e cavum (inferior) ao redor do meato acústico, o tragus e o antitragus que protegem a entrada do canal, e o lóbulo. Cada região tem uma inervação predominante diferente, e é essa diferença, e não uma energia, que explica por que estimular partes distintas da orelha produz efeitos distintos, como será detalhado adiante.

~200
Pontos mapeados no pavilhão
Vago · V · C2-C3
Nervos que inervam a orelha
NTS
Alvo central no tronco encefálico
Adjunto
Recurso dentro de plano multimodal
Professora demonstrando modelo de pontos de acupuntura para alunas em aula pratica
Ensino e formação Aula pratica de acupuntura com modelo de pontos

A neuroanatomia da orelha: por que a inervação importa

Demonstração do aparelho de eletroacupuntura para o grupo.
A eletroacupuntura associa estímulo elétrico de baixa intensidade às agulhas.

O que diferencia a orelha de qualquer outra área da pele é a sua tripla inervação sensitiva, com a particularidade de incluir uma porta de entrada para o nervo vago. Conhecer essa distribuição é o que separa a auriculoterapia de um ritual: cada relevo do pavilhão recebe um nervo distinto, e estimular um relevo significa, na prática, estimular uma via aferente específica.

O ramo auricular do nervo vago (ABVN, também chamado nervo de Arnold ou de Alderman) é o único território cutâneo do corpo inervado por fibras vagais. Estudos de microdissecção mostram que ele inerva sobretudo a concha (cymba e cavum), parte do tragus e a face interna do pavilhão. É justamente por isso que a cymba da concha é o alvo preferencial da estimulação transcutânea do nervo vago auricular (taVNS): em estudos de ressonância funcional, a estimulação dessa região ativa o padrão clássico do trajeto vagal central. O nervo auriculotemporal, ramo do mandibular (V3, divisão do trigêmeo), inerva o tragus, a raiz da hélice e a porção anterior.

O nervo grande auricular (plexo cervical, raízes C2-C3) e o nervo occipital menor cobrem a hélice, o lóbulo e a face posterior. Fibras do nervo facial (VII) e do glossofaríngeo (IX) contribuem na profundidade do meato. Em resumo: concha = vago; tragus e frente = trigêmeo; borda e dorso = cervical.

Essas aferências convergem no tronco encefálico. As fibras vagais da concha projetam-se ao núcleo do trato solitário (NTS), a estação central de informação visceral; do NTS partem conexões para o locus coeruleus (noradrenérgico), o núcleo dorsal da rafe (serotoninérgico), o núcleo parabraquial e, daí, para a substância cinzenta periaquedutal, o sistema límbico (amígdala, ínsula) e o hipotálamo. As fibras trigeminais e cervicais entram pelo núcleo trigeminal espinal e pelo corno dorsal cervical alto, e essa convergência trigeminocervical ajuda a explicar o uso de pontos auriculares em cefaleia. É essa rede, e não um canal de energia, que torna plausível o efeito da orelha sobre dor, humor e equilíbrio autonômico.

A partir desses núcleos, os mecanismos se sobrepõem aos da acupuntura sistêmica: modulação do controle de dor em nível segmentar (teoria da comporta), ativação de vias inibitórias descendentes (substância cinzenta periaquedutal e bulbo rostroventromedial) e liberação de opioides endógenos. No componente ansiolítico e autonômico, postula-se um deslocamento do equilíbrio do sistema nervoso autônomo, com aumento relativo do tônus parassimpático (vagal) e redução da reatividade ao estresse, hipótese coerente com pequenas variações observadas em medidas como a variabilidade da frequência cardíaca. A correspondência exata entre cada ponto descrito na tradição e a neurofisiologia ainda é objeto de estudo: trata-se de um recurso de neuromodulação, não de um botão que liga um órgão específico.

Em uma frase

A orelha não cura à distância por energia: a concha é a única pele do corpo inervada por um ramo do vago, e estimulá-la abre uma via até o núcleo do trato solitário e ao sistema de controle da dor, as mesmas vias que a acupuntura sistêmica recruta.

Os principais pontos e sua base anatômica

Três nomes aparecem com frequência nas fórmulas: Shen Men, subcórtex e tronco cerebral. Eles entram porque ficam sobre relevos com inervação útil para dor e regulação.

O ponto Shen Men (literalmente “porta do espírito”), na fossa triangular entre as raízes da anti-hélice, é o ponto mais utilizado da auriculoterapia. É associado a um efeito calmante e analgésico geral e entra na maioria das combinações para dor, ansiedade e insônia. Na prática, é comum o profissional encontrá-lo sensível à palpação ou ao detector elétrico de pontos (que mede queda da resistência cutânea); esse Shen Men dolorido costuma indicar reatividade e orientar o estímulo, não um problema. O subcórtex (ou córtex subcortical), na face interna do antitragus, é usado pelo suposto efeito regulador sobre a excitação cortical e o sono.

O tronco cerebral, na transição do antitragus com o lóbulo, é empregado em cefaleia e tontura, coerente com a projeção dessa região (território trigeminocervical) sobre estruturas centrais. Os pontos Simpático (terminação inferior da crus inferior da anti-hélice) e Rim (na cymba da concha, território vagal) compõem fórmulas de regulação autonômica. A tabela resume localização, base anatômica e o que esperar.

Pontos auriculares frequentes: localização, inervação e o que esperar
PontoRelevo / localizaçãoInervação predominanteIndicação usual e o que esperar
Shen MenFossa triangularVago / cervical (área de transição)Ponto “mestre” calmante e analgésico; costuma estar dolorido à pressão quando reativo; relaxamento gradual somado aos demais pontos
Subcórtex (córtex subcortical)Face interna do antitragusTrigêmeo / cervicalSono e regulação da excitação; adjuvante em insônia e dor, efeito gradual
Tronco cerebralTransição antitragus-lóbuloTrigeminocervicalCefaleia e tontura; usado em combinação, resposta avaliada ao longo das sessões
SimpáticoTerminação da crus inferior da anti-héliceConcha adjacente (vago)Equilíbrio autonômico, dor visceral, vasoespasmo; compõe fórmulas de regulação
Rim · Pulmão · Fígado (Zang-Fu)Cymba e cavum da conchaRamo auricular do vago (ABVN)Pontos da concha usados no protocolo NADA e em regulação; não substituem tratamento de base
Ponto da área dolorosaConforme a somatotopia (ex.: coluna na anti-hélice, joelho na fossa)Variável conforme o relevoReforça o efeito analgésico segmentar junto à acupuntura sistêmica
Mito

“Existe um mapa fixo de pontos da orelha e basta colar a semente no lugar certo para tratar qualquer problema.”

Fato

O mapa orienta, mas a seleção é individual e guiada pelo exame, pela inervação do relevo e pela reatividade de cada orelha. A auriculoterapia é parte de um plano, não um adesivo curativo.

O que a auriculoterapia pode fazer

A auriculoterapia pode ajudar como adjuvante no alívio da dor, no controle da náusea e no manejo da ansiedade e da fissura. O que ela oferece varia de uma indicação para outra, e a resposta varia de pessoa para pessoa e não é garantida.

Em dor perioperatória e aguda está parte do melhor sinal. Uma revisão sistemática de ensaios randomizados em dor pós-operatória (Usichenko e cols.) apontou redução da intensidade da dor e do consumo de analgésicos no pós-operatório com auriculoterapia adjuvante, ainda que com resultados que variam entre estudos de protocolos. Protocolos padronizados de pontos fixos, como a chamada acupuntura de campo de batalha (cinco pontos auriculares com agulhas semipermanentes), são usados para dor aguda em contextos militares e de pronto atendimento.

Em náusea e vômito (incluindo o pós-operatório e gestacional), há indícios de benefício de estímulos auriculares e do ponto análogo ao P6, embora a maior base de evidência seja do P6 no antebraço. Em dor crônica musculoesquelética e cefaleia, a auriculoterapia tende a somar-se à acupuntura sistêmica com benefício adjuvante de magnitude variável; raramente é estudada de forma isolada.

No campo da ansiedade e das dependências químicas, o ponto de referência é o protocolo NADA (National Acupuncture Detoxification Association), cinco pontos da concha e da fossa usados como adjuvante em programas de tratamento. Revisões e o posicionamento do NIDA reconhecem o protocolo como recurso de baixo risco e boa aceitação. É um adjuvante para sintomas de estresse e fissura, sempre dentro de um programa mais amplo de tratamento da dependência. Em insônia leve a moderada, a auriculoterapia (em especial com sementes) costuma ser apoio, sempre combinada com higiene do sono e manejo da causa.

Boa parte do interesse recente vem da pesquisa em estimulação transcutânea do nervo vago auricular (taVNS), que dá base neurofisiológica ao que a auriculoterapia faz na concha e tem sido investigada em dor, humor, epilepsia e regulação autonômica. Esse corpo de estudos ancora o princípio geral de que estimular a concha modula circuitos centrais, as mesmas vias que a acupuntura sistêmica recruta.

O estímulo da orelha é, em geral, bem tolerado, com uma sensação breve de fisgada, calor ou pressão. Esse tema, válido para a acupuntura como um todo, está detalhado em acupuntura dói?.

O mapa da orelha na prática

A somatotopia auricular é um modelo clínico de orientação, útil para nomear regiões e padronizar protocolos: o mapa orienta, mas o que importa na prática é a inervação de cada relevo. O efeito se estrutura em algo mais geral: estimular a orelha aciona neuromodulação (as mesmas vias da acupuntura sistêmica), um componente de acalmia autonômica via aferência vagal da concha e uma parcela de expectativa que acompanha qualquer intervenção sensorial. A auriculoterapia é um complemento de baixo risco para dor, ansiedade e fissura dentro de um plano.

Técnicas e modalidades: como o estímulo é feito

Na clínica, a auriculoterapia raramente é usada sozinha. Ela entra como uma camada de neuromodulação dentro de um plano multimodal e individualizado, em que a base é sempre o tratamento da causa, a reabilitação ativa e, quando indicada, a acupuntura sistêmica. A vantagem prática da orelha é a acessibilidade e o estímulo prolongado: uma semente ou agulha semipermanente mantém um estímulo leve entre as consultas, ampliando a janela terapêutica sem novas inserções. A escolha entre as técnicas depende do quadro, da tolerância e do objetivo.

Auriculoterapia com agulha semipermanente

O que é
inserção de uma agulha auricular muito curta no ponto selecionado, mantida no lugar por minutos a alguns dias. As agulhas semipermanentes mais usadas são as do tipo ASP (em geral de aço, titânio ou ouro) e as agulhas-tachinha (press needles), fixadas com micropore.
Mecanismo (calibrado)
estímulo aferente contínuo das fibras do ponto (vagais na concha, trigeminais ou cervicais nos demais relevos), com repercussão sobre o NTS e as vias centrais de controle da dor e do tônus autonômico. O estímulo prolongado prolonga a aferência, o que pode favorecer o efeito cumulativo.
Onde entra
é a forma usada em protocolos de pontos fixos para dor aguda e perioperatória, como adjuvante.
O que esperar
a agulha semipermanente permanece de horas a poucos dias, conforme a indicação; o alívio costuma ser gradual e reavaliado ao longo das sessões.
Indicações
dor aguda e perioperatória, dor miofascial, cefaleia, como adjuvante.
Limitações e efeitos
sensibilidade ou pequena marca no ponto; a permanência prolongada exige técnica estéril rigorosa e vigilância de sinais de infecção, pela proximidade da cartilagem (ver a seção de segurança).

Sementes e esferas para acupressão auricular

O que é
fixação de uma semente de vaccaria (da planta Vaccaria segetalis) ou de uma microesfera metálica/de cristal sobre o ponto, com micropore. O paciente pressiona o ponto algumas vezes ao dia, fazendo acupressão.
Mecanismo
estímulo mecânico intermitente e de baixa intensidade do mesmo território nervoso, sem perfurar a pele; é o método de menor risco.
Onde entra
é a forma mais empregada como adjuvante em insônia, ansiedade e dor crônica; o efeito é suave e cumulativo, mantido entre as sessões.
O que esperar
a semente é mantida por alguns dias (em geral 3 a 7) e trocada periodicamente; o efeito é suave e cumulativo, dependente da adesão à pressão orientada.
Indicações
manutenção do estímulo entre sessões, insônia leve, ansiedade, apoio ao controle de hábitos.
Limitações e efeitos
irritação ou alergia ao adesivo, dermatite de contato; deve ser retirada se houver dor, vermelhidão ou calor no ponto.

Eletroestimulação auricular e taVNS

O que é
aplicação de microcorrente elétrica ao ponto, seja conectada a agulhas auriculares (eletroacupuntura auricular), seja por um eletrodo de superfície na concha (estimulação transcutânea do nervo vago auricular, taVNS).
Mecanismo
recrutamento mais intenso e controlável das fibras aferentes, sobretudo vagais na concha, com ativação documentada em neuroimagem do trajeto NTS e estruturas associadas; permite ajustar parâmetros (frequência baixa de 1 a 20 Hz, intensidade confortável abaixo do limiar de dor).
Onde entra
a taVNS é a linha de pesquisa mais ativa, investigada em dor, depressão, epilepsia e regulação autonômica, com ativação documentada em neuroimagem das vias vagais centrais.
O que esperar
sessões com o estímulo aplicado por minutos, em ciclo; sensação de formigamento ou pulsação suave na orelha.
Indicações
quando se busca um estímulo mais forte e mensurável do território vagal.
Limitações e efeitos
formigamento, leve desconforto local; cautela em portadores de marca-passo e em arritmias, pelo componente autonômico.

Protocolo NADA de cinco pontos

O que é
protocolo padronizado de cinco pontos auriculares fixos (Shen Men, Simpático e os pontos Rim, Fígado e Pulmão na concha), com agulhas, usado como adjuvante em programas de dependências, estresse e desastres.
Mecanismo
combina o efeito calmante de Shen Men, a regulação autonômica do Simpático e a aferência vagal dos pontos da concha; postula-se efeito sobre fissura e reatividade ao estresse.
Onde entra
recurso de baixo risco e boa aceitação, reconhecido em programas de tratamento como adjuvante para estresse e fissura, conforme revisões e o NIDA.
O que esperar
sessões em grupo ou individuais, repetidas; alívio sintomático de ansiedade e fissura, dentro de um programa.
Indicações
adjuvante em dependência química e tabagismo, ansiedade e contextos de estresse agudo.
Limitações e efeitos
não trata a dependência isoladamente; mesmos cuidados de assepsia das agulhas auriculares.

Integração com a acupuntura sistêmica

O que é
a auriculoterapia somada à acupuntura médica do corpo, e não usada como técnica isolada. Na orelha, o estímulo é central e prolongado; no corpo, a acupuntura permite tratar o segmento e o ponto doloroso diretamente.
Mecanismo
a acupuntura sistêmica age por modulação segmentar no corno dorsal (teoria da comporta), por vias inibitórias descendentes (substância cinzenta periaquedutal e bulbo rostroventromedial) e por opioides endógenos, com a eletroacupuntura de baixa frequência recrutando mais esses sistemas; a auriculoterapia acrescenta a aferência da concha ao núcleo do trato solitário e o componente autonômico. As duas camadas atuam sobre a mesma rede de controle da dor por entradas diferentes.
Onde entra
soma-se à acupuntura sistêmica, atuando na mesma rede de controle da dor por uma entrada diferente e reforçando a neuromodulação do plano.
O que esperar
a auriculoterapia acompanha o ritmo das sessões de acupuntura corporal e mantém o estímulo da orelha no intervalo entre elas, ampliando a janela sem novas inserções no corpo; o avanço é avaliado por metas de dor, sono ou ansiedade, não por um número fixo de sessões.
Indicações
dor musculoesquelética, cefaleia e quadros com componente central e periférico, quando se deseja reforçar a neuromodulação.
Limitações e efeitos
desconforto ou equimose local da acupuntura corporal; cautela em anticoagulados; a orelha sozinha raramente basta, e a base do plano continua sendo o tratamento da causa. Os benefícios da acupuntura estão detalhados em página própria.

Avaliação e causa

Definir o diagnóstico e tratar a origem do problema; a orelha não substitui essa etapa nem dispensa a investigação de sinais de alerta.

Base ativa

Reabilitação, exercício e higiene do sono conforme o quadro; é o eixo do plano.

Neuromodulação

Acupuntura sistêmica, eletroacupuntura, agulhamento seco e auriculoterapia, somados conforme a indicação e a evidência de cada desfecho.

Reavaliação por metas

Resposta medida ao longo das sessões (dor, ansiedade, sono); se a orelha não está somando, troca-se a técnica, revê-se a seleção de pontos ou retira-se a camada, em vez de repetir o mesmo estímulo.

Para que serve: principais indicações

As indicações com maior racional concentram-se em quatro frentes, sempre como recurso adjuvante. Em dor, a auriculoterapia soma-se à acupuntura sistêmica e ao agulhamento seco no manejo da dor aguda e perioperatória, da dor musculoesquelética crônica, da cefaleia e da dor miofascial, contribuindo para o controle do sintoma e, muitas vezes, para a redução da necessidade de analgésicos. Em ansiedade, exploram-se o efeito calmante de pontos como Shen Men e a modulação vagal; o tema é detalhado na nossa página sobre o efeito ansiolítico da acupuntura.

Em náusea, é proposta como apoio, sobretudo no pós-operatório. E no apoio a hábitos e dependências, como na cessação do tabagismo e no manejo da fissura, o protocolo NADA tem uso consagrado como ferramenta de suporte, dentro de um programa mais amplo.

Dor

Adjuvante analgésico

Dor aguda e perioperatória, musculoesquelética crônica, cefaleia e dor miofascial, somada à acupuntura e ao agulhamento seco, com possível economia de medicação.

Ansiedade, sono e fissura

Regulação e calma

Apoio em ansiedade, insônia leve a moderada e fissura (protocolo NADA), pela modulação vagal e pelo efeito calmante de pontos como Shen Men.

Fora dessas frentes, a técnica é por vezes proposta como apoio em zumbido e dor visceral. Nesses casos, é um recurso complementar de baixo risco, que soma ao plano sem substituir a investigação da causa. Em qualquer indicação, o passo inicial é o mesmo: avaliar o quadro e construir um plano, em vez de aplicar uma fórmula pronta.

Segurança: a cartilagem da orelha pede cuidado

A auriculoterapia é um procedimento de baixo risco quando bem aplicada, mas a anatomia da orelha impõe um cuidado específico que justifica fazê-la com profissional e técnica estéril. O pavilhão é formado por cartilagem elástica com pobre suprimento sanguíneo, coberta por pele fina aderida ao pericôndrio. Uma infecção que atinja a cartilagem, a condrite ou pericondrite, é difícil de tratar, costuma ser causada por Pseudomonas aeruginosa ou Staphylococcus aureus e, se negligenciada, pode levar à deformidade do pavilhão (a chamada orelha “em couve-flor”). O risco é maior com agulhas semipermanentes mantidas por dias do que com sementes de superfície.

Por isso, valem regras claras: antissepsia da orelha antes da inserção, material estéril e de uso único, e atenção redobrada quando a agulha fica no lugar por mais tempo. Há também situações de cautela: pessoas em uso de anticoagulantes ou com distúrbios de coagulação; portadores de lesões, dermatite ou alergia ao adesivo na orelha; pessoas imunossuprimidas ou diabéticas descompensadas, em quem qualquer infecção é mais perigosa; e gestantes, em quem alguns pontos são evitados. A auriculoterapia é tão segura quanto a assepsia e o plano que a sustentam.

Sinais de alerta · procure avaliação

Retire o estímulo e procure o médico se, após a aplicação, houver

  • Dor crescente, vermelhidão que se espalha, calor ou inchaço no pavilhão da orelha.
  • Secreção, pus ou ponto que não cicatriza no local da agulha ou da semente.
  • Febre ou mal-estar associados à orelha tratada.
  • Deformidade, endurecimento ou mudança de cor da cartilagem.
  • Reação alérgica ao adesivo (coceira intensa, bolhas) onde a semente foi fixada.
Assista: Acupuntura – Quando ela pode ser útil?

Como integra o tratamento e o que esperar

Na prática, a sequência é simples e individualizada. A primeira sessão é de avaliação e mapeamento; a partir dela, o estímulo é mantido entre as consultas pela semente ou pela agulha semipermanente, e a resposta é medida por metas de dor, ansiedade ou sono. A auriculoterapia ganha valor quando integrada às demais camadas do plano, e não como gesto isolado.

Sessão 1

Avaliação e mapeamento

Definição das queixas e seleção dos pontos pela palpação, pela reatividade da orelha e, quando usado, pelo detector elétrico de pontos; aplicação de agulha ou semente sob assepsia.

Semana 1 a 2

Estímulo mantido

Semente ou agulha semipermanente conservada por alguns dias, com pressão leve orientada; troca periódica, vigilância de sinais locais e nova avaliação.

Após o ciclo

Reavaliação por metas

Resposta verificada por metas de dor, ansiedade ou sono; o plano é mantido, ajustado ou combinado com outras modalidades conforme o resultado.

O resultado mais consistente vem da combinação: a base ativa que trata a causa, a acupuntura sistêmica quando indicada e a auriculoterapia como camada de neuromodulação acessível e de estímulo prolongado. Quem responde bem à orelha tende a perceber, já nas primeiras semanas, mais um relaxamento e uma facilidade para dormir do que um apagar súbito da dor; quem não percebe nada não precisa insistir na técnica.

Da prática clínica

Na minha experiência, a auriculoterapia rende quando entra como camada de um plano mais amplo: oferecida como recurso único, costuma decepcionar; somada à acupuntura corporal, à reabilitação e ao manejo da causa, com frequência soma um pouco. O efeito que os pacientes mais relatam não é uma analgesia espetacular, e sim uma sensação de acalmia e de sono mais fácil nos dias seguintes à aplicação na concha, coerente com o componente autonômico vagal; parte desse alívio percebido carrega o componente de expectativa, o que não o torna menos útil. No protocolo NADA, vejo-o como apoio de baixo risco para ansiedade e fissura dentro de um programa, jamais como o tratamento da dependência. E o detalhe que mais oriento é prosaico: higiene do ponto. A semente sai ou se molha, o paciente esquece de pressionar, e qualquer vermelhidão, calor ou dor que aumenta na orelha é sinal de retirar o estímulo e me procurar, porque infecção de cartilagem é o único risco que realmente me preocupa nessa técnica.

A clínica

A clínica é um Centro de Dor listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED) e um Centro de Tratamento por Ondas de Choque listado pela SMBTOC. É também listada pelo CMBA, Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura.

Conheça a clínica
SBED, Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor
SMBTOC, Sociedade Médica Brasileira de Tratamento por Ondas de Choque
CMBA, Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura

Perguntas frequentes

Para que serve o ponto Shen Men na auriculoterapia?

Shen Men, na fossa triangular da orelha, é o ponto mais usado da auriculoterapia, associado a um efeito calmante e analgésico geral. Entra na maioria das combinações para ansiedade, insônia e dor, e é um dos cinco pontos do protocolo NADA. É comum que esteja dolorido à pressão quando há reatividade, o que ajuda o profissional a localizá-lo. Sozinho, não é um tratamento; faz parte de uma fórmula individual.

Qual nervo da orelha a auriculoterapia estimula?

Depende do relevo. A concha (cymba e cavum) é o único território cutâneo do corpo inervado por um ramo do nervo vago (ABVN, ou nervo de Arnold), e por isso é o alvo da estimulação vagal auricular. O tragus e a frente recebem o nervo auriculotemporal (trigêmeo); a borda, o lóbulo e o dorso recebem o nervo grande auricular (C2-C3). Essas vias convergem para o núcleo do trato solitário no tronco encefálico.

O que é o protocolo NADA?

É um protocolo padronizado de cinco pontos auriculares fixos (Shen Men, Simpático, Rim, Fígado e Pulmão) usado como adjuvante em programas de dependência química, tabagismo, ansiedade e estresse. É um recurso de baixo risco e boa aceitação, que compõe um programa mais amplo de tratamento da dependência, como adjuvante para o estresse e a fissura.

Auriculoterapia com semente ou com agulha, qual a diferença?

A agulha auricular, em geral semipermanente (tipo ASP ou tachinha), é inserida pelo profissional e dá um estímulo mais intenso, mantido por horas a poucos dias. A semente de vaccaria ou a microesfera é fixada com micropore sobre o ponto e pode ser pressionada pelo paciente ao longo do dia, prolongando um estímulo mais suave e de menor risco entre as sessões. A escolha depende do quadro, da tolerância e do objetivo.

A auriculoterapia tem riscos?

É de baixo risco quando bem aplicada, mas exige técnica estéril pela proximidade da cartilagem. O principal cuidado é evitar a condrite (infecção da cartilagem), mais provável com agulhas mantidas por dias. Vermelhidão crescente, dor, calor, secreção ou febre na orelha tratada pedem retirada do estímulo e avaliação médica. Há cautela em anticoagulados, em lesões ou alergia na orelha e em gestantes.

A auriculoterapia substitui a acupuntura no corpo?

Não. A auriculoterapia é um recurso adjuvante, uma camada de neuromodulação que costuma somar-se à acupuntura sistêmica, ao agulhamento seco e à reabilitação, não os substituir. O melhor resultado vem da combinação dentro de um plano individualizado, com a base sempre no tratamento da causa.

Evidência científica · resumos da nossa biblioteca

Resumos em linguagem clara de estudos revisados pelo Dr. Marcus Yu Bin Pai.

Ver a biblioteca científica completa
Dra. Celia Yunes Portiolli
Sobre a autora
Dra. Celia Yunes Portiolli
CRM-SP 27.971RQE 5.148 / 19.469

Médica Especialista em Acupuntura, Dor e Pediatria. Atua com tratamentos em acupuntura, laserterapia e ventosaterapia para pacientes adultos e pediátricos.

Revisão médica e editorial

Conteúdo revisado clinicamente por Dr. Marcus Yu Bin Pai. Tem finalidade educativa e cita fontes.

Referências3 fontes citadas neste artigoVerOcultar
  1. Usichenko TI, et al. Auricular acupuncture for postoperative pain control: a systematic review of randomised clinical trials. Anaesthesia. 2008;63(12):1343-1348.
  2. Peuker ET, Filler TJ. The nerve supply of the human auricle. Clinical Anatomy. 2002;15(1):35-37.
  3. Round R, Litscher G, Bahr F. Auricular acupuncture with laser. Evidence-Based Complementary and Alternative Medicine. 2013;2013:984763.
Atualizado em 04 jun 2026 Leitura 13 min

Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação médica individual. A auriculoterapia é um recurso adjuvante de baixo risco e evidência limitada, não um tratamento isolado nem uma cura; a indicação dos pontos e das técnicas é individualizada e deve ser feita por profissional após avaliação.

Equipe médica · Jardim Paulista · 40+ anos

Centro de Tratamento de Dor, Fisiatria e Acupuntura Médica.

Quatro décadas de medicina da dor não cirúrgica, tudo em um só endereço:

Na mídia Globo Folha de S.Paulo Estadão UOL Band SBT IstoÉ ESPN Vogue Marie Claire TV Gazeta