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Tendinite de Aquiles: o que é, causas, sintomas e tratamentos

Também conhecida como inflamação no tendão, a tendinite de Aquiles é uma condição que afeta muitas pessoas. Seu prognóstico depende de uma série de fatores, podendo ser muito favorável ou não.

Esse problema engloba todas as inflamações e micro rupturas existentes no tendão. Costuma ser causado por diversas situações específicas, tendo sintomas bem desconfortáveis.

O objetivo desse artigo é te informar todos os detalhes sobre a tendinite de Aquiles. Descubra o que é, quais são as causas, sintomas e quais as formas de tratamento existentes hoje. Acompanhe.

Esse é o tendão mais forte que os humanos possuem, podendo suportar mais de 12 vezes seu peso corporal.

Conhecendo o tendão de Aquiles

Esse tendão é formado por um tecido chamado conjuntivo, promovendo a ligação dos músculos presentes na perna, com o osso do calcanhar.

Sabe-se que um tendão tem como principal tarefa equilibrar toda a dinâmica corporal. Então, quando os chamados músculos gêmeos se contraem, é função do tendão de Aquiles puxar o pé para baixo.

Essa condição é muito confundida com uma outra que acontece devido à inflamação entre duas bursas, que são bolsas de líquido. No caso, o nome designado é bursite e não tendinite.

Os subtipos da tendinite de Aquiles

Essas variações são diferenciadas entre si com base na região do tendão que se encontra inflamada. Por essa razão, ela pode ser:

Tendinopatia insercional do Aquiles

Esse tipo é referente a parte mais inferior do tendão, onde o mesmo se conecta ao calcanhar. É comum que outras condições ocorram em conjunto. Um exemplo é a deformidade de Haglund, que pode trazer ainda mais incômodos.

Tendinopatia não insercional do Aquiles

Nesta variação, as fibras que pertencem à região mediana do tendão começam um processo de degeneração, fazendo com que o mesmo engrosse. Geralmente, pessoas mais jovens e mais ativas são as mais afetadas aqui.

Um fator em comum entre essas duas condições da tendinite de Aquiles, é a possibilidade das fibras danificadas calcificarem. Isso está diretamente ligado à inflamações crônicas. Ainda, isso é resultado da tentativa constante de cicatrização do tendão.

Quais são as causas desse problema?

Essa é uma lesão bastante frequente. Ela não acontece devido a um trauma em particular, mas sim de uma repetição de estresse sobre o tendão. Além disso, a maioria desses danos acontece pelo desgaste do mesmo, por uso excessivo, ou até por envelhecimento.

Por isso, é fundamental que os limites corporais sejam sempre respeitados. Assim, é possível evitar esse tipo de problema, bem como outros que podem ser igualmente ou até mais preocupantes.

Não existe um perfil exclusivo de quem pode desenvolver essa condição. No entanto, atletas são comumente afetados por ela, tendo em vista que parte de sua profissão exige um esforço repetitivo. Porém, pessoas que treinam na academia, também são susceptíveis. 

Veja alguns fatores de risco para esse tipo de lesão.

  • Diabetes;
  • Hipertensão arterial;
  • Uso de antibióticos ou de fluoroquinolonas;
  • Usar calçados com pouco apoio para o pé constantemente;
  • Presença dos chamados esporões ósseos;
  • Caminhar na ponta do pé. Bastante comum em quem usa muito salto alto;
  • Mudanças repentinas na área de superfície na qual o treino acontece;
  • Obesidade;
  • Caminhar ou correr em pisos irregulares, como montanhas;
  • Excesso de treino.

Quais os sintomas?

A tendinite de Aquiles causa dois grandes sintomas, a rigidez e a dor. Essa última aparece na parte do calcanhar, atrás do pé e da perna, ou na chamada barriga da perna.

A dor também costuma surgir gradualmente por dias, a até meses.

Ela é agravada com a prática regular de atividades físicas. Pode ser notada ao subir uma escada, ou quando se intensifica uma corrida. O repouso é a melhor forma de amenizá-la.

Além disso, é comum sentir uma rigidez durante o exercício, ou ao acordar pela manhã.

É importante que a região seja analisada, pois ela pode estar avermelhada, inchada ou quente. Claro que isso depende do quão grave é essa lesão.

Algumas pessoas apresentam também um estalo quando movimentam o tendão ou até quando estão andando regularmente. Quando notado, é fundamental a procura de um especialista.

Como funciona o diagnóstico?

Continuando sobre a importância de se procurar um médico, ao descrever os sintomas, o mesmo procurará por sinais mais específicos. Confira alguns logo abaixo.

  • Limitação ao mover o tornozelo, principalmente para flexionar o pé;
  • Dor no meio do tendão, para identificar uma possível tendinite não insercional;
  • Dor atrás do calcanhar, na parte inferior do tendão, para uma possível tendinite insercional;
  • Edema ao longo do tendão de Aquiles e na região do calcanhar;
  • Aumento no tendão de Aquiles;
  • Presença de esporões ósseos na área inferior do tendão e na parte de trás do calcanhar.

Essa não é uma condição tão simples de se identificar. Em cerca de 25% dos pacientes, o diagnóstico não é o correto logo de primeira. Por essa razão, é comum que uma série de exames seja solicitada, como relatórios de imagem.

Para se obter uma melhor visualização dos ossos, o raio-x ainda é uma das opções mais comuns na identificação da tendinite de Aquiles. Com ele, é mais simples de ver se houve ali uma calcificação.

Lembrando que essa última pode ocorrer nos dois tipos. A diferença está que na não-insercional, ela só aparece em casos bem graves. Isso justifica o conjunto de exames pedidos antes de se obter um diagnóstico concreto.

Além disso, a ressonância magnética também pode ser de grande ajuda. Ela não é essencial para avaliar esse problema. No entanto, facilita a quantificação da lesão e o planejamento para uma possível cirurgia.

Alguns outros exames podem entrar nesse combo. Estudos analíticos são bem comuns para caracterizar o dano, ao mesmo tempo que descartam outros tipos de patologias possíveis.

E então, essa doença tem cura?

A resposta é depende. Quando se tem um prognóstico favorável e um tratamento eficiente, geralmente o paciente não apresenta sequelas. No entanto, em alguns casos as medidas podem não ser suficientes, sendo necessária uma cirurgia.

Se todos os cuidados não forem tomados corretamente, essa condição pode acarretar dores crônicas e ainda alguma incapacidade física. Portanto, é imprescindível que tudo seja seguido à risca.

Quais os tratamentos existentes?

Na sua grande maioria, as alternativas se voltam para a redução da inflamação e da dor. Porém, isso não acontece de forma imediata, podendo levar até meses. Ainda que o tratamento seja feito cedo, esse período de recuperação pode se manter.

A tendinite de Aquiles é bastante complexa nesse sentido. Se o paciente já estava sentindo muitas dores antes de buscar ajuda, é provável que ele ainda sofra com isso por pelo menos 6 meses. 

Veja algumas das formas de tratamento mais comuns utilizadas hoje.

 

Descanso

Esse é o primeiro passo a ser tomado. É importante que as atividades que estejam causando a dor sejam imediatamente interrompidas. Uma alternativa, é modificar a rotina de exercícios a fim de evitar maiores esforços.

 

Gelo

A aplicação de gelo na região ajuda a diminuir o inchaço e a dor. É recomendado que ela dure no máximo 15 minutos, tendo em vista que pode causar queimaduras. No entanto, esse processo pode ser repetido várias vezes ao dia.

 

Uso de anti-inflamatórios

Esses medicamentos chamados não-esteroides, os AINE’s, são muito conhecidos. O ibuprofeno bem como o naproxeno, atuam na redução da dor e do inchaço. É regra que esse tipo de remédio seja sempre prescrito na forma de comprimidos ou tópica.

Apesar de serem eficientes nesses dois sintomas acima, eles não têm qualquer ação na diminuição do espessamento do tendão afetado. E claro, como qualquer medicamento, eles podem trazer alguns efeitos adversos.

Esses últimos variam de paciente para paciente. Por esse motivo, esse tratamento jamais deve ser aplicado por conta própria. É necessário um acompanhamento médico.

 

Injeções de cortisona

Esse tipo de esteroide, cortisona, é um anti-inflamatório muito forte. Porém, apesar disso, ele geralmente não é nem de longe a primeira opção dos médicos da área.

 Isso porque já é comprovado que injeções com esse medicamento podem acabar provocando outras lesões, e até mesmo a ruptura do tendão.

 

Fisioterapia

Essa é uma das ferramentas mais úteis aqui no tratamento da tendinite de Aquiles. É tarefa do especialista criar um programa completo de reabilitação que vá de encontro com as queixas de cada paciente.

Apesar da sua comprovada eficiência, ela funciona melhor em portadores de tendinite não-insercional. Contudo, isso não invalida sua importância, sendo recomendada para ambas condições.

 

Exercícios de alongamento

Essa forma de tratamento é para fortalecer os músculos e reduzir a tensão no local. Pode ser feita tranquilamente em casa, com recomendação médica. Existem uma série de exercícios que podem ser executados nesse intuito.

Protocolo de fortalecimento excêntrico

Consiste em apertar o músculo enquanto ele está esticado. Uma contradição é que, caso não seja aplicado de maneira correta, pode danificar o tendão de Aquiles.

Por essa razão, é necessário a presença de um fisioterapeuta para fazer esse tratamento. Quando todo o processo for ensinado ao paciente, ele pode fazer em casa. É normal que se sinta algum desconforto, mas não é comum uma dor exagerada.

 

Calçado de apoio e ortóteses

É uma excelente alternativa para reduzir as dores causadas pela lesão. Essa é uma metodologia que funciona melhor na tendinite insercional. É recomendado o uso de calçados que sejam mais suaves na parte do calcanhar, para não forçar o tendão.

Além disso, muitas pessoas optam pelo uso de palmilhas. Elas protegem esse tendão, evitando o atrito entre o calcanhar e o sapato. Meias de silicone também são um bom complemento aqui.

No caso do paciente apresentar dores muito fortes, geralmente o médico receita uma bota de caminhada, mesmo que por pouco tempo. Elas vão relaxar o tendão, para que ele esteja mais suscetível aos efeitos da fisioterapia.

Porém, é importante que não se use de forma prolongada no tratamento da tendinite de Aquiles. Isso porque essa bota pode acabar enfraquecendo alguns músculos, acarretando mais um problema.

 

Terapia de ondas de choque extracorporal

Apesar do nome causar um certo espanto, assim como a maioria, esse procedimento não é invasivo. As ondas de choque vão atuar diretamente na cicatrização do tendão afetado.

Entretanto, importante ressaltar que não existem tantas pesquisas que confirmem a eficiência dessa terapia. Porém, por não ser arriscada, ela é uma alternativa que vem antes de uma intervenção cirúrgica.

Como funciona o tratamento com cirurgia?

Ele só acontece no caso de o paciente ainda reclamar de dor após seis meses dado início a algum dos tratamentos acima. Não existe um só tipo de procedimento aqui, tudo dependente da localização da tendinite e dos danos causados.

Portanto, o médico precisa estar seguro desses detalhes antes de planejar a cirurgia. Veja algumas das intervenções que podem ser efetivas nesses casos.

  • Remoção do tecido peritendinoso afetado;
  • Incisões de caráter longitudinal no tendão, isoladas ou em conjunto com excisões na lesão intratendinosa relacionada;
  • Transferência do tendão de Aquiles. Só é feito em casos onde 50% do mesmo está danificado.
  • No caso de tendinite insercional, o esporão ósseo é retirado.

Importante ressaltar que todos esses processos citados podem ser feitos de três maneiras. A primeira delas é através de cirurgia aberta, sendo a forma mais invasiva.

A segunda é utilizando técnicas percutâneas, e a terceira é por via artroscópica. O que vai definir qual delas será escolhida são os exames realizados e o que cada um deles diz ao especialista.

Algumas complicações podem acontecer. As mais comuns estão relacionadas à anestesia, hemorragia, dores e formação de coágulos. Porém, a maioria dos pacientes se recupera sem problemas.

O tempo no qual essa recuperação ocorre depende da quantidade de danos que foram reparados. No caso de atletas, isso também influencia na retomada ou não das atividades esportivas.

Uma curiosidade é que geralmente a cirurgia não funciona tão bem em pessoas que não são atletas. Nesse caso, podem haver mais complicações, e ainda, a necessidade de outras intervenções.

Por fim, você sabe tudo sobre a tendinite de Aquiles. Lembre-se sempre de buscar ajuda médica se se identificar com o que foi descrito nesse artigo. Só assim você terá chances de melhorar sua qualidade de vida.

 

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 / RQE: 65523 - 65524 | Médico especialista em Fisiatria e Acupuntura. Área de Atuação em Dor pela AMB. Doutorando em Ciências pela USP. Pesquisador e Colaborador do Grupo de Dor do Departamento de Neurologia do HC-FMUSP. Diretor de Marketing do Colégio Médico de Acupuntura do Estado de São Paulo (CMAeSP). Integrante da Câmara Técnica de Acupuntura do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP). Secretário do Comitê de Acupuntura da Sociedade Brasileira para Estudo da Dor (SBED). Professor convidado do Curso de Pós-Graduação em Dor da Universidade de São Paulo (USP). Membro do Conselho Revisor - Medicina Física e Reabilitação da Journal of the Brazilian Medical Association (AMB).
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