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Reabilitação · Medicina esportiva e da dor

Fisioterapia para atletas: importância, benefícios e técnicas

A fisioterapia esportiva previne, trata e reabilita lesões do atleta com exercício, controle de carga e retorno progressivo ao esporte.

Resposta direta
  • Fisioterapia esportiva é a reabilitação ativa e individualizada do atleta, com foco em exercício terapêutico, ganho de força, controle de carga e retorno seguro ao esporte (return-to-play).
  • O que de fato previne lesão é força, controle motor e gestão de carga bem feita, não o alongamento isolado, cujo papel na prevenção é limitado.
  • As técnicas em clínica (terapia manual, agulhamento seco, ondas de choque, laser, eletroterapia, acupuntura) somam à base ativa para controlar dor e acelerar a reabilitação, sem substituir o exercício.
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O que é fisioterapia esportiva

Fisioterapia esportiva, ou fisioterapia para atletas, é a área que cuida da prevenção, do tratamento e da reabilitação das lesões ligadas à prática esportiva. O eixo do trabalho é o exercício terapêutico, com a carga ajustada às demandas do esporte, e a meta é um retorno à competição em que o atleta volta com a capacidade física recuperada e baixo risco de se relesionar, em vez de voltar apenas mais cedo.

Ela difere da fisioterapia ortopédica geral em três pontos. Primeiro, o alvo da alta deixa de ser a simples “ausência de dor” e passa a ser a capacidade de tolerar a carga específica do gesto esportivo, que é muito maior do que a do dia a dia: um corredor pisa com várias vezes o próprio peso a cada passada, um arremessador acelera o ombro a centenas de graus por segundo. Segundo, a reabilitação é guiada por critérios objetivos de força, simetria e potência, e não só pelo tempo decorrido. Terceiro, o desfecho desejado é o retorno ao esporte (return-to-play) com o menor risco possível de recidiva, que é alto quando o atleta volta antes de recuperar capacidade.

No nosso serviço, esse trabalho se insere em um plano multimodal, não-cirúrgico e individualizado, com atendimento de reabilitação individual, um atleta por sala. A base é sempre ativa, o exercício, e as técnicas em clínica entram para controlar a dor e remover obstáculos que atrapalham a progressão da carga. Atleta, aqui, não significa só o profissional de elite: inclui o corredor de fim de semana, o praticante de academia e o adolescente do time da escola, todos sujeitos às mesmas lesões por sobrecarga.

Força
Base que mais previne lesão
Carga
O que mais causa lesão por overuse
RTP
Retorno guiado por critérios, não só tempo
Multi
Plano multimodal e individualizado
Fisioterapeuta auxiliando exercício com halteres azuis em paciente deitada na fisioterapia
Reabilitação na clínica Fortalecimento com halteres guiado pela fisioterapeuta

Benefícios da fisioterapia para atletas

Os benefícios da fisioterapia para atletas vão além de tratar a lesão já instalada. Bem conduzida, ela atua em quatro frentes que se sustentam mutuamente: prevenir, tratar, recuperar capacidade e reduzir a recidiva. O ganho mais subestimado é o último: a maior parte das lesões esportivas que voltam o fazem porque o atleta retornou sem ter recuperado força e controle, e não por azar.

  • Previne lesões. Programas de fortalecimento e controle neuromuscular reduzem a incidência de lesões agudas e por sobrecarga em diversos esportes.
  • Trata a lesão atual. Controla a dor e a inflamação e restaura a mobilidade, criando a janela para reabilitar de forma ativa.
  • Recupera capacidade. Devolve força, potência e controle motor até os níveis que o esporte exige, medidos de forma objetiva.
  • Reduz a recidiva. O retorno por critérios, e não só por calendário, diminui a chance de a lesão voltar.
Em uma frase

O atleta não procura a fisioterapia só para “ficar sem dor”, mas para voltar a tolerar a carga do esporte. Tratar a dor sem reconstruir capacidade é o caminho mais curto para a recidiva.

O que de fato previne lesão

Mulher idosa em aparelho de Pilates do tipo Cadillac, tracionando uma barra de madeira sentada sobre o colchão azul
O Pilates com aparelhos treina controle e estabilidade do core para reduzir o risco de recidiva

A crença popular é que o alongamento antes do treino previne lesão. A evidência aponta o contrário: o alongamento estático isolado, antes do exercício, não reduz de forma consistente o risco de lesão e pode, em excesso, reduzir momentaneamente a produção de força. O que tem evidência real de prevenção é outra coisa.

Três pilares concentram o efeito protetor. O primeiro é a força: musculatura forte tolera mais carga e absorve melhor o impacto, e programas de fortalecimento reduzem de forma marcante lesões musculares e tendíneas. O segundo é o controle neuromuscular, a capacidade de estabilizar a articulação no movimento rápido, que reduz entorses e lesões ligamentares, sobretudo de joelho e tornozelo. O terceiro é a gestão de carga (load management): respeitar a progressão do volume e da intensidade do treino é, provavelmente, o fator isolado mais importante para evitar lesão por overuse.

Isso não torna o aquecimento inútil. O aquecimento ativo, com movimento progressivo e ativação muscular, prepara o tecido para a carga e tem papel diferente do alongamento estático passivo. A questão da temperatura corporal, da mobilidade dinâmica e do papel do alongamento no contexto certo é detalhada na página sobre alongamento antes do exercício.

Mito

“Para não me lesionar, basta alongar bem antes de treinar.”

Fato

O alongamento estático isolado não previne lesão de forma consistente. O que protege é força, controle neuromuscular e progressão de carga bem planejada. O aquecimento ativo prepara o tecido, mas não substitui o trabalho de força.

Gestão de carga e retorno ao esporte

Homem de regata sentado tracionando uma faixa elástica amarela com as duas mãos durante exercício de resistência
Exercícios resistidos progressivos reconstroem força e tolerância à carga depois da lesão

Lesão por sobrecarga (overuse) não surge porque o atleta treina muito, mas porque treina mais do que está preparado para tolerar naquele momento. A gestão de carga é a arte de aumentar volume e intensidade em uma velocidade que o tecido consegue acompanhar. Picos abruptos de carga, como dobrar a quilometragem em uma semana ou voltar ao volume pré-lesão de uma vez, são um gatilho clássico de tendinopatia, fratura por estresse e estiramento muscular.

O retorno ao esporte (return-to-play) obedece à mesma lógica, mas de trás para frente. Em vez de liberar o atleta por tempo (“seis semanas e está liberado”), liberamos por critérios objetivos: força simétrica entre os dois lados (em geral buscando que o lado lesionado alcance ao menos 90% do lado sadio), ausência de dor na carga esportiva, e bom desempenho em testes funcionais de salto, mudança de direção e potência. A dor muscular de início tardio que aparece ao retomar a carga, e como diferenciá-la de uma lesão real, é discutida no texto sobre dor muscular tardia.

Como progredir carga e retorno ao esporte com segurança
FaseObjetivoSinal de que pode avançar
Aguda (proteção)Controlar dor e inflamação, manter mobilidade e carga isométrica tolerávelDor em repouso cedendo; amplitude funcional recuperada
Reconstrução de forçaFortalecimento progressivo do segmento e da cadeia, com carga crescenteForça aproximando-se do lado sadio; sem dor que persiste após o treino
Reintrodução do gestoRetomar corrida, salto, arremesso ou mudança de direção de forma graduadaBoa qualidade de movimento; dor controlada na carga específica
Retorno ao esporteVolume e intensidade da modalidade, com monitoramento de cargaCritérios de força, simetria e testes funcionais atingidos

A regra prática que sintetiza tudo: quem volta cedo demais, sem recuperar capacidade, é quem mais se relesiona. A pressa de voltar é, ela própria, um fator de risco.

Retorno ao esporte: decisão de capacidade, não de calendário

Os prazos genéricos de “tempo de recuperação” — tantas semanas para um estiramento, tantos meses para um ligamento — são médias estatísticas de cicatrização do tecido, não a data em que aquele atleta pode competir. O retorno seguro é uma decisão de capacidade: justifica-se quando o atleta atinge metas mensuráveis de força simétrica, controle e desempenho funcional, esteja isso no prazo “do livro” ou bem depois dele. Voltar numa data porque o tecido teoricamente já cicatrizou, sem checar se a capacidade voltou, é uma das principais causas de recidiva.

Da prática clínica

Observações de consultório sobre o atleta lesionado:

O pedido mais frequente de quem chega lesionado é uma pergunta de calendário: “quando eu volto a competir?”. A resposta costuma frustrar no início, porque não é um número no calendário, e sim uma lista de marcos de força e função a cumprir. Quando explico que vou liberar quando o lado lesionado recuperar a força do lado sadio e passar nos testes de salto, e não numa sexta-feira específica, muitos relaxam, porque param de correr contra o relógio e passam a trabalhar a favor da própria capacidade.

O erro que mais vejo cobrar caro é o retorno antecipado por pressão de competição ou de treino. O atleta se sente “sem dor” depois de algumas semanas, confunde ausência de dor com recuperação e volta ao volume antigo de uma vez. Não raro a mesma lesão, ou uma vizinha que vinha compensando a carga, reaparece em poucas semanas, e o tempo total fora acaba maior do que se tivesse respeitado a progressão.

Outro padrão é o atleta que procura só a parte passiva: quer a massagem, o agulhamento, a onda de choque e o laser, mas resiste ao exercício de carga, que é justamente o que muda o curso da lesão. Costumo ser direto: os recursos em clínica existem para tirar a dor do caminho e permitir treinar a reabilitação; sozinhos, aliviam a semana e não recuperam o tendão nem o músculo.

O que mais surpreende é descobrir que, na maioria das tendinopatias, o caminho não é parar, e sim carregar o tendão de forma controlada. Quem chega convencido de que precisa de repouso absoluto costuma estranhar a prescrição de exercício, até perceber, ao longo das semanas, que a dor e a capacidade melhoram justamente com a carga bem dosada.

Assista: Fisioterapia para Dor Miofascial (Contratura muscular)

Tendinopatias, entorses e lesões por overuse

As lesões esportivas mais frequentes na rotina de uma clínica de dor e reabilitação caem em três grandes grupos, cada um com uma lógica de tratamento própria. Reconhecer o tipo orienta a escolha das técnicas.

A tendinopatia (tendão de Aquiles, patelar, do supraespinhal, epicôndilo) é uma lesão por sobrecarga em que o tendão responde mal ao estresse repetido. O termo “tendinite” sugere inflamação, mas a maioria dos casos crônicos é uma tendinopatia degenerativa, com pouca inflamação e desorganização das fibras de colágeno. Por isso o tratamento que funciona não é o repouso absoluto, e sim a carga progressiva controlada, que estimula o tendão a se reorganizar.

A entorse é uma lesão ligamentar aguda, típica de tornozelo e joelho, em que a articulação ultrapassa seu limite de movimento; aqui a reabilitação foca em recuperar estabilidade e controle neuromuscular para evitar a entorse recorrente, muito comum quando a primeira não é bem reabilitada. As lesões por overuse em geral, incluindo síndromes miofasciais e fraturas por estresse, partilham a mesma raiz de carga mal dosada.

Tendinopatia

Carga, não repouso

O tendão crônico melhora com exercício de carga progressiva (excêntrico e isométrico), que reorganiza o colágeno. Repouso absoluto enfraquece o tendão.

Entorse

Estabilidade e propriocepção

Após a fase aguda, o foco é controle neuromuscular e equilíbrio, para reduzir a entorse recorrente, que é o desfecho mais comum quando a reabilitação é incompleta.

Técnicas de fisioterapia esportiva

Fisioterapeuta aplicando aparelho de terapia por ondas de choque no antebraço de um paciente, com o painel do equipamento marcando 4000 disparos
Ondas de choque estimulam a regeneração de tendões e aceleram o retorno do atleta à carga esportiva

As técnicas de fisioterapia esportiva se organizam em torno de uma base ativa, o exercício, à qual se somam recursos para controlar dor, modular a inflamação e remover obstáculos à progressão da carga. Nenhuma das técnicas adjuvantes substitui o exercício; elas existem para que o atleta consiga treinar a reabilitação. A seguir, cada uma com seu mecanismo, sua evidência e o que esperar.

Exercício terapêutico e treino de força: a base

É a intervenção com a melhor relação entre evidência e segurança em quase toda lesão esportiva, e o eixo de todo o resto. O mecanismo é direto: a carga progressiva estimula a adaptação do músculo, do tendão e do osso, aumenta a tolerância do tecido e melhora o controle motor que estabiliza a articulação. No tendão, o trabalho isométrico (contração mantida) tende a aliviar a dor na fase aguda, e o excêntrico (a fase de frenagem do movimento) reorganiza as fibras na fase de reconstrução.

A evidência é robusta: o exercício de carga é tratamento de primeira linha para tendinopatias e a base da prevenção de lesões e da reabilitação de entorses. O que esperar: melhora ao longo de semanas, não de dias, com progressão de carga acompanhada e mantida mesmo após o alívio, para consolidar a adaptação e prevenir recidiva. Na clínica, o atendimento é individual e a carga é ajustada ao gesto da modalidade.

Síntese de evidênciaPrimeira linha

Exercício de carga progressiva na tendinopatia

Revisões consistentes apontam o exercício de carga (isométrico e excêntrico) como tratamento de primeira linha na tendinopatia, superior ao repouso e a recursos passivos isolados, com magnitude de benefício que varia conforme o tendão e a adesão. É a intervenção que mais muda o desfecho a médio prazo.

Ver referências →

Terapia manual

A terapia manual reúne mobilizações articulares, técnicas de tecidos moles e liberação miofascial aplicadas pelo fisioterapeuta. O mecanismo combina efeito local (melhora transitória da mobilidade e redução do tônus muscular) e neurofisiológico (modulação da dor por estímulo aferente). A evidência mostra benefício quando associada ao exercício, com efeito modesto e de curta duração quando usada isoladamente. O que esperar: alívio imediato e ganho de amplitude que abrem uma janela para o atleta tolerar melhor o exercício na mesma sessão. É adjuvante, uma ponte para a base ativa, e não um tratamento de fundo.

Agulhamento seco

No agulhamento seco (dry needling), uma agulha fina é inserida diretamente na banda tensa do músculo sobrecarregado, sem injeção de substância. O mecanismo útil no atleta é mecânico antes de químico: a agulha desfaz a contratura focal da banda, e quando atravessa o ponto-gatilho dispara um espasmo reflexo breve do feixe muscular que, ao ceder, reduz a atividade elétrica anormal da placa motora e a sensibilização local. O resultado é uma musculatura que volta a contrair em toda a sua extensão, com menos dor ao alongar e ao gerar força.

A evidência é boa para a dor miofascial, comum no glúteo do corredor, na panturrilha, no manguito do arremessador e na musculatura que compensa uma articulação lesionada. O que esperar: na maioria dos atletas o alívio aparece já na sessão ou nas horas seguintes, seguido de uma dor surda no ponto agulhado por um a dois dias que costuma ser confundida com piora, mas é a resposta esperada do músculo. O ganho só se mantém se a musculatura liberada for em seguida carregada com exercício específico do gesto, e não deixada em repouso.

Eletroterapia

A eletroterapia reúne recursos como TENS e correntes de estimulação muscular. O mecanismo do TENS é a modulação da dor pela teoria da comporta, ativando fibras de grande calibre que inibem a transmissão nociceptiva; a estimulação muscular ajuda a recrutar fibras quando a contração voluntária está limitada, por exemplo logo após uma lesão de joelho. A evidência sustenta um papel de alívio sintomático e de adjuvante na ativação muscular, não de tratamento de fundo. O que esperar: alívio temporário da dor e auxílio na reativação muscular, usado como ferramenta dentro de um plano que tem o exercício no centro.

RPG e retreino de movimento

A Reeducação Postural Global (RPG) e o retreino do gesto esportivo corrigem padrões de movimento que sobrecarregam estruturas e perpetuam a lesão. O mecanismo é a reorganização das cadeias musculares e do controle motor, redistribuindo a carga de forma mais eficiente. A evidência aponta benefício na correção de fatores posturais e biomecânicos que contribuem para a dor, dentro de um plano individualizado. O que esperar: ganho gradual de qualidade de movimento que reduz o estresse sobre o segmento lesado. O método, suas indicações e seus limites são detalhados na página sobre Reeducação Postural Global.

Acupuntura, eletroacupuntura e infiltração de ponto-gatilho na dor do atleta

Quando a dor é o principal obstáculo à reabilitação, a acupuntura médica e a eletroacupuntura ajudam a modular o sintoma e a reduzir o uso de medicação. O mecanismo envolve a modulação segmentar no corno dorsal da medula (teoria da comporta), a ativação de vias inibitórias descendentes e a liberação de opioides endógenos; na eletroacupuntura, a corrente de baixa frequência tende a recrutar mais esses sistemas. A evidência é moderada para diversas dores musculoesqueléticas.

Quando o ponto-gatilho é resistente ao agulhamento seco e à terapia manual, a infiltração de ponto-gatilho com anestésico local (ou soro fisiológico) interrompe o ciclo dor-espasmo-dor e relaxa a banda tensa. O que esperar: alívio que abre espaço para o atleta avançar na carga; são recursos adjuvantes, conduzidos por médico, sempre dentro do plano ativo. Na clínica, esses procedimentos são feitos por médicos com formação específica em acupuntura e em dor, integrados ao mesmo plano de reabilitação por carga, e não como terapia à parte.

O remédio tem lugar quando a dor limita o dia a dia, sempre com indicação médica e por tempo definido. As classes, os efeitos e os cuidados estão no guia de remédios para dor.

Avaliar e controlar a dor

Diagnóstico do tipo de lesão, controle da dor e da inflamação com recursos adjuvantes, mantendo a mobilidade possível.

Reconstruir força

Exercício de carga progressiva (isométrico e excêntrico no tendão), fortalecimento do segmento e de toda a cadeia.

Reintroduzir o gesto

Retreino de movimento, corrida, salto e mudança de direção de forma graduada, com técnicas em clínica destravando obstáculos.

Retornar ao esporte

Liberação por critérios de força, simetria e testes funcionais, com gestão de carga para prevenir recidiva.

Semana 1 a 2

Fase aguda

Controlar dor e inflamação, iniciar carga isométrica tolerável e manter a mobilidade; recursos adjuvantes para permitir o movimento.

Semana 3 a 8

Reconstrução

Fortalecimento progressivo e retreino do gesto; a dor costuma ceder e a função melhora à medida que a carga avança.

Após 8 semanas

Retorno e manutenção

Reintrodução plena do esporte por critérios objetivos e manutenção do trabalho de força para reduzir recidiva.

Medimos a intensidade da dor numa escala de 0 a 10, a força com dinamômetro e a simetria entre o lado lesionado e o sadio, e o desempenho em testes funcionais de salto e potência. Quando a força e os testes funcionais não evoluem no prazo previsto, o passo seguinte é reexaminar o atleta e o diagnóstico, ajustar a dose de carga e investigar o que trava a progressão, em vez de repetir o mesmo programa por mais semanas esperando outro desfecho. A meta é devolver o atleta ao esporte com a capacidade física que a modalidade exige e com o menor risco de recidiva.

Sinais de alerta no atleta

A maior parte das dores do esporte é por sobrecarga e responde bem à reabilitação. Ainda assim, alguns sinais indicam que a avaliação médica não deve esperar, porque apontam para lesões que mudam a conduta. Procure atendimento sem demora diante de qualquer um destes:

Sinais de alerta · não espere

Procure avaliação sem demora se houver

  • Estalo audível no momento da lesão, com inchaço imediato e incapacidade de apoiar ou usar o membro (sugere lesão ligamentar ou ruptura).
  • Deformidade visível da articulação ou do osso, ou suspeita de fratura após trauma.
  • Dor que acorda à noite, piora de forma progressiva e não cede com o repouso (atenção a fratura por estresse ou outras causas).
  • Dormência, formigamento ou fraqueza no membro, sugerindo comprometimento nervoso.
  • Febre, vermelhidão e calor sobre a articulação, que levantam suspeita de infecção.
  • Dor torácica, falta de ar ou desmaio durante o esforço, que exigem avaliação imediata.

Na ausência desses sinais, a dor esportiva por sobrecarga costuma responder bem à fisioterapia ao longo de algumas semanas. A presença de qualquer bandeira vermelha, porém, pede avaliação antes de retomar o treino.

A clínica

A clínica é um Centro de Dor listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED) e um Centro de Tratamento por Ondas de Choque listado pela SMBTOC. É também listada pelo CMBA, Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura.

Conheça a clínica
SBED, Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor
SMBTOC, Sociedade Médica Brasileira de Tratamento por Ondas de Choque
CMBA, Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura

Perguntas frequentes

O que é fisioterapia esportiva?

É a área da fisioterapia voltada à prevenção, ao tratamento e à reabilitação das lesões ligadas ao esporte. O eixo é o exercício terapêutico com carga ajustada à modalidade, e a meta é o retorno seguro ao esporte, forte e com baixo risco de recidiva, não apenas a ausência de dor.

Quais os principais benefícios da fisioterapia para atletas?

Previne lesões por meio de força e controle neuromuscular, trata a lesão atual controlando dor e inflamação, recupera força e potência até o nível que o esporte exige e reduz a recidiva ao liberar o retorno por critérios objetivos, e não só por tempo. O benefício mais subestimado é justamente evitar que a lesão volte.

O alongamento previne lesão esportiva?

O alongamento estático isolado, antes do treino, não previne lesão de forma consistente segundo a evidência. O que de fato protege é força, controle neuromuscular e gestão de carga. O aquecimento ativo prepara o tecido para o esforço, mas tem papel diferente do alongamento passivo. Veja a página sobre alongamento antes do exercício.

Quais são as técnicas de fisioterapia esportiva?

A base é o exercício terapêutico e o treino de força. A ele se somam terapia manual, agulhamento seco, ondas de choque para tendinopatias, laser de alta intensidade, eletroterapia, RPG e retreino de movimento e, no controle da dor, acupuntura, eletroacupuntura e infiltração de ponto-gatilho. As técnicas adjuvantes apoiam, mas não substituem, o exercício.

Qual o tratamento indicado de fisioterapia para tendinite?

Para a maioria das tendinopatias crônicas (o que se chama popularmente de tendinite), o tratamento de primeira linha é o exercício de carga progressiva, com trabalho isométrico para a dor e excêntrico para reorganizar o tendão. As ondas de choque são um bom adjuvante nos casos rebeldes. O repouso absoluto enfraquece o tendão e não resolve.

Quando posso voltar a treinar depois de uma lesão?

O retorno deve ser por critérios, não só por tempo: força simétrica entre os lados, ausência de dor na carga esportiva e bom desempenho em testes funcionais. Voltar antes de recuperar capacidade é o principal fator de recidiva. A liberação deve ser individualizada e acompanhada por profissional.

Ft. Diene Oliveira Cruz
Sobre a autora
Ft. Diene Oliveira Cruz
Fisioterapeuta · CREFITO-3 197124-F

Fisioterapeuta com atuação em fisioterapia ortopédica, RPG e Pilates clínico, integrada ao plano médico de tratamento da dor.

Revisão médica e editorial

Conteúdo revisado clinicamente por Dr. Marcus Yu Bin Pai. Tem finalidade educativa e cita fontes.

Referências7 fontes citadas neste artigoVerOcultar
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Atualizado em 31 mai 2026 Leitura 9 min

Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação médica individual. O esporte praticado, a lesão, a fase de recuperação e os objetivos competitivos de cada atleta mudam a conduta, de modo que o programa de reabilitação e a liberação para o retorno devem ser individualizados após exame.

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