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Tendão e articulação · Pulso e mão

Tendinite no pulso

A tendinite no pulso é, mais precisamente, uma tenossinovite por sobrecarga repetitiva, sendo a De Quervain a forma mais conhecida. Na maioria dos casos é tratada sem cirurgia, com órtese e ajuste de atividade.

Resposta direta
  • Tendinite no pulso (ou no punho) é a irritação dos tendões e de suas bainhas no nível do punho, em geral por esforço repetitivo; tecnicamente é uma tenossinovite.
  • A forma mais comum é a tenossinovite de De Quervain, no lado do polegar, diagnosticada clinicamente pelo teste de Finkelstein, sem necessidade de exame de imagem na maioria dos casos.
  • O tratamento é não-cirúrgico, multimodal e individualizado: órtese e modificação de atividade como base, somadas a ondas de choque, laser, agulhamento, infiltração e reabilitação.
  • O tempo de afastamento varia caso a caso; o atestado é definido pelo médico após o exame, conforme a profissão e a intensidade do quadro.
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Avaliação clínica

Dor tem Tratamento. Foco em tratamentos não cirúrgicos para dor, reabilitação.

O que é tendinite no pulso

Ilustração editorial de uma mão segurando o pulso, com o trajeto do tendão destacado em terracota.
A tendinite no punho inflama os tendões e dói ao mover ou apoiar a mão.

Tendinite no pulso é a dor que surge quando os tendões que atravessam o punho ficam irritados pela sobrecarga. Na prática, o que mais se vê não é uma inflamação do corpo do tendão, mas uma tenossinovite: a irritação da fina bainha sinovial que envolve o tendão e por onde ele desliza.

O punho é uma região de passagem. Dezenas de tendões longos, que nascem nos músculos do antebraço, cruzam a articulação dentro de túneis e bainhas para mover os dedos e a mão. Cada vez que você digita, segura o celular, gira uma chave ou ergue um bebê, esses tendões deslizam dentro de suas bainhas.

Quando o movimento se repete em excesso, ou quando o tendão é forçado em uma posição desfavorável, esse deslizamento gera atrito, a bainha incha e o que era um movimento suave passa a doer. É por isso que o termo correto, na maioria dos casos, é tenossinovite, e não tendinite no sentido estrito.

Vale distinguir alguns nomes que aparecem juntos. Tendinopatia é o termo guarda-chuva para o sofrimento do tendão; tendinite sugere inflamação ativa; e tenossinovite aponta especificamente para a bainha inflamada. No pulso, três quadros concentram a maioria das queixas, descritos pelo lado e pelos tendões envolvidos.

Os principais tipos de tendinite no pulso
QuadroOnde dóiTendões envolvidos
Tenossinovite de De QuervainLado do polegar, sobre o estiloide do rádioAbdutor longo e extensor curto do polegar (1º compartimento)
Tenossinovite dos extensoresDorso do punhoExtensores do punho e dos dedos
Tenossinovite dos flexoresFace palmar do punhoFlexores do punho e dos dedos

Sobre as “fotos de tendinite no pulso” que muita gente procura: na maioria das vezes não há nada visível por fora. Em quadros mais intensos pode aparecer um leve inchaço sobre o lado do polegar ou no dorso do punho, e ocasionalmente uma sensação de creptação, um ranger fino ao mover o punho. Mas a ausência de inchaço não exclui o diagnóstico, que é sobretudo clínico, feito pela história e pelo exame, e não por uma imagem.

Mito

“Se não aparece nada na foto nem incha, então não é tendinite de verdade e não precisa tratar.”

Fato

A tenossinovite do punho costuma doer sem deformar nem inchar visivelmente. O diagnóstico é clínico, por testes como o de Finkelstein, e o tratamento precoce tende a encurtar a recuperação.

Qual estrutura, e onde

“Tendinite no pulso” não é um diagnóstico único: é um rótulo para vários tendões diferentes, e qual deles dói depende de onde dói. Se a dor é no lado do polegar, são os tendões do 1º compartimento, a De Quervain; se é nas costas do punho, são os extensores; se é na palma, os flexores. Nomear o compartimento certo é o que define a órtese e o foco do tratamento. E há uma fronteira que muda a conduta: dormência ou formigamento nos dedos não é tendão, é nervo, em geral o túnel do carpo, que é outro problema e tem outra conduta. Por isso a primeira pergunta no consultório é “qual estrutura, e onde?”.

Sala de fisioterapia com maca azul, equipamentos de treino de marcha e janela redonda
Reabilitação na clínica Sala de fisioterapia voltada ao treino de marcha e exercícios funcionais.

Causas e quem corre mais risco

Na grande maioria dos casos, a tendinite no pulso é uma lesão por sobrecarga: o tendão recebe mais carga, em repetição, do que consegue tolerar e reparar entre um esforço e outro. Não é um trauma único, e sim o acúmulo de microagressões. Por isso aparece tanto em quem trabalha o dia inteiro ao computador quanto em quem cuida de um recém-nascido.

Esse mecanismo de esforço repetitivo é o mesmo que dá nome às LER/DORT (Lesões por Esforço Repetitivo / Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho). A tenossinovite do punho é uma das apresentações clássicas das LER/DORT, ao lado da epicondilite e da síndrome do túnel do carpo. O fator de risco mais moderno é o uso intenso de telas: o gesto de segurar o celular e mover o polegar para digitar e rolar a tela sobrecarrega justamente os tendões do 1º compartimento, os mesmos da De Quervain.

Um cenário muito típico é o pós-parto. A De Quervain é tão frequente em mães e cuidadores de bebês que recebeu o apelido de “punho da mãe” ou “tendinite das mamães”. A combinação de erguer o bebê repetidamente com o polegar afastado, as mamadas em posições mantidas e as alterações hormonais e de retenção de líquido das primeiras semanas explica por que o quadro costuma surgir nesse período. Não é fraqueza nem descuido: é uma sobrecarga previsível de um gesto repetido dezenas de vezes ao dia.

Gatilhos de sobrecarga

O que costuma desencadear

Digitação e mouse por longas horas, uso intenso do celular, trabalho manual repetitivo, esportes de raquete e levantamento de peso com punho mal posicionado.

Quem corre mais risco

Perfis frequentes

Mães e cuidadores no pós-parto, trabalhadores de escritório e de linha de produção, músicos, e pessoas com hipotireoidismo, artrite reumatoide ou diabetes.

Vale lembrar que nem toda dor no punho é tendinite. O esforço repetitivo também pode irritar o nervo mediano dentro do túnel do carpo, gerando formigamento na mão, ou sobrecarregar os tendões mais acima, no antebraço. Por isso o diagnóstico preciso importa: ele direciona o tratamento. As queixas que se estendem para a mão e para os dedos são abordadas na página sobre dor nas mãos, e a sobrecarga dos tendões mais proximais, em tendinite no antebraço.

Sintomas e como reconhecer

A queixa central é dor no punho que piora com o movimento e a carga e melhora com o repouso. Na De Quervain, a dor se concentra no lado do polegar, sobre uma saliência óssea do punho chamada estiloide do rádio, e costuma irradiar tanto para o polegar quanto para o antebraço. Tarefas simples passam a doer: abrir um pote, torcer um pano, segurar uma xícara, levantar o bebê pelas axilas ou usar o polegar para digitar no celular.

Nos extensores, a dor fica no dorso do punho e piora ao estender a mão para trás, como ao se apoiar para levantar de uma cadeira. Nos flexores, fica na face palmar e piora ao fechar a mão com força. Em todos eles, é comum uma rigidez matinal breve, a sensação de punho “preso” no início do movimento, e às vezes aquele ranger fino, a creptação, durante o uso.

  • Dói ao usar, alivia ao repousar. O padrão mecânico é a marca da tendinite, ao contrário das dores que pioram à noite e em repouso.
  • Localização precisa. A De Quervain dói num ponto definido sobre o lado do polegar, não em toda a mão.
  • Gestos do polegar disparam. Pinçar, segurar, levantar peso e digitar no celular reproduzem a dor.
  • Pode haver inchaço discreto. Às vezes um pequeno edema ou creptação sobre o tendão, mas a ausência deles não afasta o diagnóstico.

Há um sinal de alerta importante: dor no punho que vem acompanhada de formigamento ou dormência nos dedos (sobretudo polegar, indicador e médio) aponta para o nervo mediano comprimido, ou seja, síndrome do túnel do carpo, um problema de nervo que é diferente da tendinite e tem outra conduta. Da mesma forma, dor que surge após queda sobre a mão estendida levanta a hipótese de fratura, em especial do osso escafoide, que pode passar despercebida. Nesses casos, a avaliação não deve esperar.

Em uma frase

Dor no lado do polegar que piora ao pinçar, segurar e levantar peso, e alivia no repouso, é o retrato típico da tenossinovite de De Quervain. Formigamento nos dedos muda a hipótese e pede avaliação específica.

Diagnóstico: o teste de Finkelstein

O diagnóstico da tendinite no pulso é clínico: feito pela história e pelo exame físico, na maioria das vezes sem necessidade de exames de imagem. A história aponta o gesto repetitivo e o padrão mecânico da dor; o exame localiza o tendão acometido e reproduz o sintoma com manobras específicas.

A manobra central para a De Quervain é o teste de Finkelstein. A pessoa dobra o polegar para dentro da palma, fecha os outros dedos sobre ele e, então, o punho é inclinado em direção ao dedo mínimo. Esse movimento estica os tendões do 1º compartimento dentro da bainha inflamada; quando reproduz a dor aguda no lado do polegar, o teste é positivo e fala fortemente a favor do diagnóstico. É um teste de consultório, simples, que dispensa aparelho.

Os exames de imagem têm papel restrito e seletivo. A ultrassonografia pode mostrar o espessamento da bainha e ajudar a guiar uma eventual infiltração. A radiografia entra quando há história de trauma, para afastar fratura, ou suspeita de artrose na base do polegar (rizartrose), que pode confundir-se com a De Quervain.

A ressonância raramente é necessária nesse contexto. O mais importante do exame é separar a tendinite de outras causas de dor no punho, porque cada uma muda a conduta.

Diagnóstico diferencial da dor no punho do lado do polegar
HipótesePadrão típicoPista que diferencia
Tenossinovite de De QuervainDor sobre o estiloide do rádio, no lado do polegarTeste de Finkelstein positivo; piora ao pinçar e levantar peso
Rizartrose (artrose da base do polegar)Dor na base do polegar, mais profundaPiora ao fazer pinça forte; crepitação articular; mais comum após os 50 anos
Síndrome do túnel do carpoFormigamento na palma e nos dedosDormência noturna em polegar, indicador e médio; sinais de compressão do nervo
Fratura do escafoideDor após queda sobre a mão estendidaDor na “tabaqueira anatômica”; história de trauma; radiografia
Tendinite no antebraçoDor mais acima, no ventre muscularDor proximal ao punho, que piora ao contrair contra resistência

Quantos dias de atestado para tendinite no pulso

Depende do caso, e quem define é o médico que examina. Não existe um número fixo de dias de atestado para tendinite no pulso, porque o afastamento precisa fazer sentido para a profissão da pessoa, para o lado acometido (dominante ou não) e para a intensidade do quadro.

Em quadros leves, muitas vezes não é o afastamento total que resolve, e sim a modificação da atividade: trocar tarefas, reduzir a digitação, usar a órtese durante o trabalho e organizar pausas. Em quadros mais intensos, sobretudo quando a função exige uso forçado e repetido do punho, alguns dias de repouso relativo costumam ser indicados para tirar a carga do tendão na fase mais dolorosa. O objetivo do atestado, quando dado, é permitir que o tendão se acalme durante a fase mais reativa, o tempo suficiente para a órtese e a redução de carga começarem a agir.

Sobre o atestado

O tempo de afastamento por tendinite no pulso é individual e definido na consulta, conforme a profissão, o lado acometido e a gravidade. Não há um número padrão, e o foco do tratamento é proteger o tendão para devolver a função com segurança, com retorno gradual às atividades.

Vale registrar um ponto: quando a tendinite tem relação com o trabalho (LER/DORT), o caso pode ter desdobramentos ocupacionais, e a documentação adequada importa. Mas a decisão clínica sobre repouso, retorno e adaptação de função é sempre médica, baseada no exame, e não em uma tabela genérica de dias.

Assista: Tendinite do Bíceps: Causas, Sintomas, Diagnóstico e Tratamento

Tratamento multimodal e não-cirúrgico

Corte do tecido (pele, gordura, músculo, tendão) com feixe de laser de alta intensidade alcançando o tendão em profundidade.
O laser de alta intensidade age por fotobiomodulação: a luz alcança o tendão e a bainha em profundidade, com efeito analgésico e anti-inflamatório que apoia a fase inicial da reabilitação.

O tratamento da tendinite no pulso é multimodal, não-cirúrgico e individualizado, e começa por identificar qual compartimento dói, porque isso muda a órtese e o gesto a corrigir. A base é sempre a mesma: tirar carga do tendão e ajustar o movimento que o sobrecarrega; sobre essa base, somam-se recursos que controlam a dor e estimulam a recuperação do tecido. A meta é devolver ao tendão a capacidade de tolerar o uso do dia a dia e reduzir o risco de recidiva, sem cair na imobilização prolongada que enfraquece a região. A cirurgia (a liberação do compartimento) fica reservada a poucos casos refratários, descritos ao final.

ReabilitaçãoProcedimentosMedicamentos

Órtese e ajuste de atividade

Spica do polegar e correção do gesto que sobrecarrega o 1º compartimento: a base que alivia mais rápido.

ModeradaBase do plano

Reabilitação e excêntrico

Exercício progressivo do punho e antebraço que devolve ao tendão a tolerância à carga e previne a recidiva.

ForteSemanas a meses

Ondas de choque

Mecanotransdução sobre o tendão nos quadros arrastados que não cederam só com órtese e ajuste de carga.

Moderada3–5 sessões

Laser de alta intensidade

Fotobiomodulação adjuvante para dor e inflamação local enquanto o punho ainda não tolera o exercício.

LimitadaSéries de sessões

Agulhamento e acupuntura

Trata o ponto-gatilho dos extensores e flexores do antebraço que mantêm a tensão sobre o tendão irritado.

ModeradaAdjuvante

Infiltração da bainha

Anestésico e, em casos selecionados, corticoide na bainha quando a dor é intensa e não cede à base.

ModeradaPontual
Proteger e ajustar a cargainiciar aqui
Órtese de polegar/punhoModificação de atividadePausas e correção do gestoGelo e analgesia na fase aguda
Terapias e reabilitação ativasobre a base
Ondas de choqueLaser de alta intensidadeAgulhamento seco e acupunturaExercício excêntrico progressivo
Refratáriocasos selecionados
Infiltração guiadaAvaliação cirúrgica (raro)

Órtese e modificação de atividade: a base

O que é
A intervenção mais importante e a que costuma trazer alívio mais rápido: na De Quervain, uma órtese spica do polegar que imobiliza o polegar e o punho, somada à correção do gesto que sobrecarrega.
Mecanismo
Coloca o tendão em repouso relativo e reduz o atrito dentro da bainha, dando tempo para a irritação ceder; a modificação de atividade ataca a causa, ajustando como se segura o celular e o bebê, alternando tarefas e reorganizando o posto de trabalho.
O que esperar
Usada nas atividades que provocam dor e à noite, por algumas semanas, com alívio que costuma vir cedo.
Limitações
Imobilização relativa, não rígida nem permanente, para não enfraquecer a região; sem a mudança do gesto, qualquer outra terapia tende a ter efeito apenas temporário.

Ondas de choque

O que é
Terapia por ondas de choque extracorpóreas que aplica ondas acústicas de alta energia sobre o tendão.
Mecanismo
Mecanotransdução: o estímulo mecânico ativa a célula do tendão, favorece a neovascularização e a regeneração tecidual, além de um efeito analgésico próprio.
Evidência
Recurso com boa evidência em tendinopatias, útil sobretudo nos quadros mais arrastados, que não cederam só com órtese e ajuste de carga.
O que esperar
Em geral um ciclo de cerca de 3 a 5 sessões semanais, com melhora progressiva ao longo de semanas.
Limitações
Pode haver desconforto durante a aplicação, e há contraindicações específicas que o médico avalia.

Laser de alta intensidade

O laser de alta intensidade atua por fotobiomodulação: a energia luminosa, em profundidade, estimula o metabolismo celular e tem efeito analgésico e anti-inflamatório sobre o tendão e a bainha irritados. Entra como adjuvante, somado à órtese e à reabilitação, sobretudo para controlar a dor e a inflamação local na fase em que o punho ainda não tolera bem o exercício. É aplicado em séries de sessões, com alívio que costuma ser progressivo, e não em uma aplicação isolada.

Agulhamento seco e acupuntura

A sobrecarga dos tendões do punho raramente vive sozinha: os músculos que os movem nascem no antebraço, e quando o gesto se repete demais essa musculatura encurta e desenvolve pontos-gatilho que somam dor e mantêm a tensão sobre os tendões irritados. No agulhamento seco, uma agulha fina é direcionada a esses pontos-gatilho nos extensores e flexores do antebraço, e não sobre a bainha inflamada do punho em si; a punção da banda tensa provoca a resposta de contração local e reduz a atividade elétrica espontânea da placa motora, soltando a musculatura que tracionava o tendão. A acupuntura médica e a eletroacupuntura acrescentam uma camada de neuromodulação da dor, por mecanismos segmentares no corno dorsal da medula, ativação de vias inibitórias descendentes e liberação de opioides endógenos; entram quando se busca reduzir o uso de anti-inflamatório no membro superior.

É um recurso adjuvante: trata o componente miofascial do antebraço que acompanha a tendinite, mas não dispensa a órtese, o ajuste do gesto e o exercício, sem os quais a sobrecarga retorna ao tendão. O alívio costuma aparecer em poucos dias após a sessão, com leve dolorimento no local da punção que cede em um a dois dias.

Reabilitação e exercício excêntrico

Tirar carga do tendão acalma a dor, mas é o exercício progressivo que devolve a ele a capacidade de tolerar o uso. O eixo da reabilitação é o exercício excêntrico e o fortalecimento gradual da musculatura do punho e do antebraço: a carga controlada, bem dosada, estimula a remodelação do colágeno e prepara o tendão para o gesto do dia a dia. É a parte que previne a recidiva, porque um tendão apenas imobilizado fica frágil e volta a doer assim que a atividade retorna.

Na clínica, o atendimento de reabilitação é individual, com progressão ajustada à resposta de cada pessoa, e a terapia manual entra como adjuvante. O detalhamento da reabilitação ativa segue na próxima seção.

Infiltração em casos selecionados

Quando a dor é intensa e não cede ao tratamento de base, a infiltração da bainha do tendão com anestésico local e, em casos selecionados, corticoide, pode interromper o ciclo inflamatório e abrir uma janela para avançar a reabilitação. Pode ser guiada por ultrassom para maior precisão. É um recurso pontual, não um tratamento isolado, com efeito que costuma durar de semanas a alguns meses, sempre integrado ao ajuste de carga e ao exercício. A escolha do produto e da dose é do médico, e o detalhamento medicamentoso segue na seção própria.

Semana 1 a 2

Controle inicial

Órtese, ajuste do gesto que sobrecarrega, gelo e analgesia; reduzir a carga sobre o tendão na fase mais dolorosa.

Semana 3 a 6

Progressão

Terapias em clínica e início do exercício progressivo; a dor costuma começar a ceder e a função a melhorar.

Após 6 semanas

Reavaliação

Sem a resposta esperada, revê-se o diagnóstico e consideram-se infiltração ou, raramente, avaliação cirúrgica.

A maioria dos casos de tendinite no pulso melhora com esse plano conservador bem conduzido ao longo de semanas. Para a maior parte das pessoas, o caminho é o oposto da cirurgia: proteger o tendão, modular a dor e reabilitar. As seções seguintes completam o quadro do tratamento: a reabilitação ativa (RPG, Pilates e fisioterapia), as opções cirúrgicas e fora da clínica reservadas aos casos refratários, e o detalhamento do tratamento medicamentoso.

Da prática clínica

Peço para o paciente apontar com um dedo. Antes de qualquer manobra, peço que aponte com a ponta do dedo o ponto que mais dói. Se ele aponta o lado do polegar sobre o estiloide do rádio, já penso em De Quervain; se aponta o dorso ou a palma do punho, penso nos extensores ou flexores. Esse gesto simples costuma definir o compartimento melhor do que muitos exames, e é o que orienta qual órtese pedir.

A órtese certa alivia rápido, e isso confunde. Quando a spica do polegar é bem ajustada e o gesto que sobrecarrega é corrigido, o alívio costuma vir em dias, e aí mora uma armadilha: a pessoa se sente curada e abandona o exercício. Repito sempre que o alívio inicial é da órtese tirando carga; o que segura o resultado é o fortalecimento do antebraço depois. Tendão só imobilizado volta a doer assim que a mão é usada de novo.

A pergunta que separa tendão de nervo. Sempre pergunto se há formigamento ou dormência nos dedos, principalmente à noite. Se há, desconfio do túnel do carpo, não da tendinite, e o caminho muda. Da mesma forma, dor mais funda na base do polegar ao fazer pinça forte me faz pensar em artrose (rizartrose), e dor após uma queda sobre a mão, em fratura do escafoide. São quadros que se vestem de “tendinite” e precisam ser separados antes de tratar.

A infiltração resolve casos teimosos, mas não é o primeiro passo. Numa tenossinovite que não cede à órtese e ao ajuste de carga, a infiltração da bainha com corticoide costuma abrir uma janela boa de alívio para avançar a reabilitação. O que explico é que ela é pontual e tem número limitado: repetir corticoide no mesmo tendão sem mudar o gesto que o sobrecarrega troca um problema por outro.

Tratamento não farmacológico: RPG, Pilates e fisioterapia

A reabilitação ativa é a coluna vertebral do tratamento da tendinite no pulso, e não um complemento opcional. A tenossinovite por sobrecarga melhora quando se restaura a capacidade do tendão de gerar e tolerar carga, e isso se faz com proteção inicial seguida de exercício terapêutico graduado, não com repouso prolongado, que enfraquece o tendão e prolonga o quadro. As abordagens abaixo são todas conduzidas na clínica, com atendimento individual, um paciente por sala, e se integram numa única estratégia, individualizada e não-cirúrgica. A escolha entre elas e a dose dependem da fase da dor, da apresentação clínica e da resposta a cada etapa.

Exercício e excêntrico
Forte
Fisioterapia / terapia da mão
Forte
Órtese spica do polegar
Moderada
Terapia manual + ergonomia
Moderada
Ondas de choque
Moderada
RPG (cadeias do membro superior)
Limitada
Pilates clínico
Limitada

Órtese e imobilização relativa do polegar e do punho

A órtese spica do polegar estabiliza polegar e punho em posição neutra, coloca o tendão e a bainha em repouso relativo e reduz o atrito do deslizamento dentro do 1º compartimento, baixando a sobrecarga que perpetua a irritação. Uso nas atividades que provocam dor e à noite, por algumas semanas. Imobilização relativa, não rígida nem permanente: o uso contínuo excessivo enfraquece a musculatura e o tendão, e por isso a órtese é retirada de forma progressiva à medida que o exercício avança.

ModeradaBase · algumas semanas

Fisioterapia, cinesioterapia e terapia da mão

Exercício terapêutico dirigido ao punho, à mão e ao antebraço, em três alvos: dessensibilização ao movimento na fase dolorosa com mobilização precoce dentro da faixa sem dor para evitar rigidez; recuperação da amplitude do punho e do polegar; e ganho de controle motor da musculatura extrínseca do antebraço e intrínseca da mão, que redistribui a carga. Inclui correção dos fatores posturais do membro superior, do ombro à mão. Exige adesão e progressão correta de carga; feita rápido demais pode reagudizar, por isso a dose é ajustada pela resposta nas 24 horas seguintes.

ForteResposta em semanas

Exercício progressivo e treino excêntrico

O núcleo da reabilitação: carga controlada e gradual ao tendão e à musculatura do antebraço, com ênfase no excêntrico, que ativa a célula do tendão e estimula a remodelação do colágeno. A progressão vai do isométrico na faixa sem dor ao concêntrico e excêntrico com carga, até gestos próximos aos da função e do trabalho. É a parte que devolve a função e previne a recidiva. Ganho progressivo que exige consistência; não substitui o ajuste do gesto que sobrecarrega, sem o qual a sobrecarga retorna.

ForteEixo · semanas a meses

RPG, reeducação postural global

Trabalha o corpo por cadeias musculares, com posturas mantidas de alongamento ativo e contração isométrica e excêntrica. Na tendinite do punho, atua sobre a cadeia do membro superior: retrações do antebraço, do ombro e da região cervicoescapular alteram como a carga chega ao punho, e reequilibrá-las reduz a sobrecarga distal a cada gesto repetido. Evidência específica para tenossinovites é limitada e a magnitude varia; soma-se ao fortalecimento e ao controle motor, que permanecem a base, e não os substitui.

LimitadaComplementar

Pilates clínico

Exercício de controle motor e estabilização com finalidade terapêutica, no solo ou em aparelhos, supervisionado e adaptado ao quadro. Atua sobretudo na estabilização da cintura escapular e do tronco e no controle do membro superior sob carga leve, dando base mais estável ao gesto da mão e distribuindo melhor a carga ao longo do braço. Não dispensa o fortalecimento dirigido do antebraço e o treino excêntrico; é complemento qualificado, não atalho.

LimitadaControle motor

Terapia manual e ergonomia

Mobilização articular e de tecidos moles aplicada pelo terapeuta, somada à correção ergonômica do gesto. A terapia manual reduz a dor e melhora transitoriamente a mobilidade, abrindo janela para o exercício (efeito sobretudo neurofisiológico e de curto prazo). A ergonomia ataca a causa: punho neutro ao digitar, apoio do antebraço, ajuste de teclado e mouse, micropausas, e segurar o celular e erguer o bebê com as duas mãos em vez de pinçar com o polegar afastado. O efeito da terapia manual isolada é transitório; o ganho duradouro vem do exercício e do ajuste do gesto.

ModeradaAbre janela p/ exercício

Ondas de choque no arsenal da clínica

Ondas acústicas de alta energia sobre o tendão, por mecanotransdução: o estímulo mecânico ativa a célula do tendão, favorece a neovascularização e a regeneração tecidual, com efeito analgésico próprio. Nas tenossinovites do punho é usada de forma seletiva, sobretudo nos casos que não cederam só com órtese e ajuste de carga. Em geral um ciclo de 3 a 5 sessões semanais. Pode haver desconforto durante a aplicação; há contraindicações específicas que o médico avalia, e o recurso soma-se à reabilitação ativa, não a substitui. O laser de alta intensidade, descrito na seção de tratamento da clínica, segue a mesma lógica de adjuvante físico.

Moderada3–5 sessões

Tratamento cirúrgico e opções fora da clínica

Na grande maioria dos casos, a tendinite no pulso é uma tenossinovite por sobrecarga que responde ao tratamento conservador, e a cirurgia não faz parte do caminho; a cirurgia entra apenas nas situações de exceção descritas a seguir. Estas opções cirúrgicas não são realizadas em nossa clínica, cuja atuação é a medicina não-cirúrgica da dor e a reabilitação; quando indicadas, o cuidado é compartilhado com o cirurgião de mão.

Conservador · 1ª escolha

Caminho da maioria

  • Órtese spica do polegar e modificação de atividade como base.
  • Reabilitação ativa e exercício excêntrico progressivo.
  • Ondas de choque, laser, agulhamento e, quando indicada, infiltração.
  • Resolve a maioria dos casos ao longo de semanas, sem incisão.
VS

Cirúrgico · exceção

Casos refratários

  • Considerada só quando a dor persiste apesar de tratamento conservador completo e bem conduzido, em geral por vários meses.
  • Ou em quadro recidivante que não se estabiliza com as medidas conservadoras.
  • Decisão compartilhada, baseada na evolução clínica, não num achado de imagem isolado (o espessamento da bainha é comum).
  • Não realizada em nossa clínica; cuidado compartilhado com o cirurgião de mão.

Quando se chega a esse ponto, na De Quervain o procedimento é a liberação cirúrgica do 1º compartimento extensor: uma pequena incisão sobre o estiloide do rádio abre o teto fibroso do túnel, descomprime a bainha e devolve o deslizamento livre aos tendões do abdutor longo e do extensor curto do polegar. É um procedimento ambulatorial, em geral sob anestesia local, com boas taxas de alívio nos casos bem selecionados. A recuperação envolve cuidado com a ferida, mobilização precoce e algumas semanas de reabilitação até o retorno pleno à função. Há riscos a considerar, como lesão do ramo sensitivo do nervo radial, formação de cicatriz dolorosa e, raramente, subluxação dos tendões, razões pelas quais a cirurgia fica reservada aos casos refratários e não é a primeira escolha.

Liberação do 1º compartimento (De Quervain)
Abertura cirúrgica do teto do túnel sobre o estiloide do rádio para descomprimir a bainha. Reservada a casos refratários ao tratamento conservador completo; procedimento ambulatorial, em geral sob anestesia local.
Liberação da bainha dos extensores ou flexores
Mesmo princípio de descompressão aplicado a outros compartimentos quando a tenossinovite é refratária e localizada. Indicação criteriosa, após falha das medidas conservadoras.
Quando considerar
Falha de um tratamento conservador completo por vários meses, ou quadro recidivante que não se estabiliza, com decisão compartilhada e correlação clínica.
O que esperar
Alívio em boa parte dos casos selecionados; recuperação com cuidado da ferida, mobilização precoce e algumas semanas de reabilitação. Riscos incluem lesão do ramo sensitivo do nervo radial e cicatriz dolorosa.

Entre as opções fora da clínica que não são cirúrgicas, o encaminhamento ao cirurgião ou especialista em mão é o passo natural quando o quadro foge do esperado, recidiva ou há dúvida diagnóstica, para confirmar a hipótese e discutir a conduta. Quando a tendinite tem relação com o trabalho (LER/DORT), o cuidado também envolve a medicina do trabalho, com adequação ergonômica do posto e a documentação ocupacional adequada, que correm em paralelo ao tratamento clínico.

Tratamento medicamentoso

A medicação tem papel adjuvante na tendinite no pulso, nunca de protagonista. O que sobrecarregou o tendão foi a dose do gesto repetido, e isso se corrige com proteção, ajuste de atividade e reabilitação; nenhum remédio trata essa causa. A função do medicamento é controlar a dor da fase mais aguda para abrir espaço ao trabalho ativo.

A prescrição vem com dose e duração definidas pelo médico, atenta a efeitos adversos e comorbidades. As opções farmacológicas para dor musculoesquelética são detalhadas no guia de remédios para dor.

Classes medicamentosas na tendinite do punho
ClassePara quêEvidênciaO que esperar e cautelas
Analgésicos simples (paracetamol, dipirona)Controlar a dor nas fases de maior incômodoModeradaBom perfil de segurança em períodos curtos.
Anti-inflamatórios orais (ibuprofeno, naproxeno)Aliviar a dor na fase mais agudaModeradaApenas por períodos curtos; não devem virar uso contínuo, pelos riscos gastrointestinais, renais e cardiovasculares.
Anti-inflamatórios tópicos (diclofenaco em gel)Dor local sobre o compartimento doloridoModeradaOpção útil por ser estrutura superficial: boa concentração local e menor exposição sistêmica.
Infiltração de corticoide na bainhaDor importante na De Quervain que não cede à baseForteEfeito de semanas a alguns meses, nem sempre definitivo; número restrito por possível efeito deletério no tendão, atrofia ou despigmentação da pele.

Analgésicos e anti-inflamatórios orais e tópicos

Os analgésicos simples, como o paracetamol e a dipirona, ajudam a controlar a dor nas fases de maior incômodo e têm bom perfil de segurança quando usados por períodos curtos. Os anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs), como ibuprofeno ou naproxeno, podem aliviar a dor na fase mais aguda, porém por períodos curtos: não devem virar uso contínuo, pelos riscos gastrointestinais, renais e cardiovasculares. Os anti-inflamatórios tópicos, como o diclofenaco em gel aplicado sobre o compartimento dolorido, são uma opção útil na tendinite do punho, por ser uma estrutura superficial, com boa concentração local e menor exposição sistêmica. Há uma cautela específica: usar anti-inflamatório para mascarar a dor e seguir com o mesmo gesto repetido tende a prolongar a lesão de fundo, porque remove o sinal de alerta sem remover a sobrecarga.

Infiltração de corticoide na bainha

A infiltração de corticoide na bainha do tendão, associada a anestésico local, é a opção medicamentosa de maior impacto na De Quervain quando a dor é importante e não cede ao tratamento de base. Atua reduzindo a inflamação dentro do compartimento, interrompendo o ciclo inflamatório e abrindo uma janela para avançar a reabilitação; tem boa evidência de alívio na tenossinovite de De Quervain, em especial quando combinada com a órtese. Pode ser guiada por ultrassom para maior precisão na deposição dentro da bainha. O efeito costuma durar de semanas a alguns meses e nem sempre é definitivo.

Há limitações relevantes: infiltrações repetidas de corticoide associam-se a possível efeito deletério sobre o tendão, atrofia ou despigmentação da pele no local, e por isso o número é restrito e a indicação, criteriosa. A escolha do produto e da dose é do médico, e o recurso soma-se ao ajuste de carga e ao exercício, não os substitui.

Vale registrar que o manejo da tendinite do punho, por ser uma dor por sobrecarga, raramente envolve as classes usadas na dor crônica neuropática ou difusa; quando há um componente miofascial associado no antebraço, a estratégia preferencial é não farmacológica, com agulhamento e as demais técnicas já descritas, mantendo a farmacoterapia no papel de apoio pontual.

Como prevenir a recidiva

Como a tendinite no pulso nasce da sobrecarga, prevenir a volta passa por revisar o gesto que a causou. Algumas medidas simples reduzem o risco de recidiva, sobretudo em quem trabalha ao computador, usa muito o celular ou cuida de um bebê.

No trabalho e nas telas

Ergonomia e pausas

Manter o punho neutro ao digitar, apoiar o antebraço, ajustar a altura do teclado e do mouse e fazer micropausas regulares. Segurar o celular com a mão toda, não só com o polegar.

No pós-parto

Proteger o polegar

Erguer o bebê com as duas mãos e o punho neutro, em vez de “pinçar” com o polegar afastado, e alternar a posição nas mamadas. A órtese ajuda nas semanas de maior demanda.

Quando a dor for esportiva ou ligada a movimento de raquete, vale revisar a técnica e a empunhadura, da mesma forma que se faz na epicondilite lateral (cotovelo de tenista), outra lesão de sobrecarga do mesmo grupo. Manter a musculatura do antebraço forte e o gesto bem distribuído é o que dá ao tendão a folga para tolerar o uso sem inflamar de novo.

A clínica

A clínica é um Centro de Dor listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED) e um Centro de Tratamento por Ondas de Choque listado pela SMBTOC. É também listada pelo CMBA, Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura.

Conheça a clínica
SBED, Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor
SMBTOC, Sociedade Médica Brasileira de Tratamento por Ondas de Choque
CMBA, Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura

Perguntas frequentes

Quantos dias de atestado para tendinite no pulso?

Não existe um número padrão. O tempo de afastamento por tendinite no pulso é individual e definido pelo médico na consulta, conforme a profissão, o lado acometido e a intensidade do quadro. Em casos leves, muitas vezes a modificação de atividade e a órtese bastam; em casos mais intensos, alguns dias de repouso relativo podem ser indicados para tirar a carga do tendão. A decisão é sempre clínica.

Tendinite no pulso e tendinite no punho são a mesma coisa?

Sim. “Pulso” e “punho” são nomes populares para a mesma região, a articulação entre a mão e o antebraço. Tendinite no pulso e tendinite no punho descrevem o mesmo quadro: a irritação dos tendões que cruzam essa articulação, em geral uma tenossinovite por esforço repetitivo.

Como saber se é tendinite de De Quervain?

O quadro típico é dor no lado do polegar, sobre o punho, que piora ao pinçar, segurar e levantar peso. O exame usa o teste de Finkelstein: ao dobrar o polegar dentro da mão e inclinar o punho para o lado do dedo mínimo, surge a dor característica. O diagnóstico é clínico e deve ser confirmado em consulta, que também afasta outras causas como rizartrose e síndrome do túnel do carpo.

Existem fotos de tendinite no pulso? O que se vê?

Na maioria das vezes não há nada visível por fora. Em quadros mais intensos pode haver um leve inchaço sobre o lado do polegar ou no dorso do punho, e às vezes uma sensação de ranger fino ao mover. Mas a tenossinovite costuma doer sem deformar nem inchar de forma evidente, por isso o diagnóstico é feito pelo exame, e não por uma imagem.

Tendinite no pulso tem cura ou volta sempre?

A maioria dos casos melhora bem com tratamento conservador. Como é uma lesão de sobrecarga, ela pode retornar se o gesto que a causou não for ajustado. Por isso o tratamento não termina no alívio da dor: a reabilitação e a correção da ergonomia e do gesto são o que reduz o risco de recidiva. Quem volta ao mesmo movimento sem mudar nada tende a recidivar; quem ajusta o gesto e fortalece o antebraço costuma ficar bem de forma duradoura.

Posso continuar trabalhando e usando o celular com tendinite no pulso?

Depende da intensidade. Em quadros leves, a chave costuma ser a modificação de atividade: usar a órtese, fazer pausas, ajustar a forma de segurar o celular e alternar tarefas. Em quadros mais intensos, pode ser necessário reduzir ou afastar temporariamente o uso forçado do punho, conforme orientação médica. Manter o gesto sobrecarregando o tendão tende a prolongar a recuperação.

Evidência científica · resumos da nossa biblioteca

Resumos em linguagem clara de estudos revisados pelo Dr. Marcus Yu Bin Pai.

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Dr. Marcus Yu Bin Pai
Sobre o autor
Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP 158.074RQE 65.523 / 65.524 / 655.241

Médico especialista em Fisiatria e Acupuntura pela Associação Médica Brasileira, com área de atuação em Dor. Doutor em Ciências pela USP e médico colaborador do Grupo de Dor do HC-FMUSP.

Revisão médica e editorial

Conteúdo revisado clinicamente por Prof. Dr. Hong Jin Pai. Tem finalidade educativa e cita fontes.

Referências2 fontes citadas neste artigoVerOcultar
  1. Ferrara PE; Codazza S; Cerulli S; Maccauro G; Ferriero G; Ronconi G. Physical modalities for the conservative treatment of wrist and hand's tenosynovitis: A systematic review. Seminars in arthritis and rheumatism. 2020. doi:10.1016/j.semarthrit.2020.08.006. PMID:33065423.
  2. Challoumas D; Ramasubbu R; Rooney E; Seymour-Jackson E; Putti A; Millar NL. Management of de Quervain Tenosynovitis: A Systematic Review and Network Meta-Analysis. JAMA network open. 2023. doi:10.1001/jamanetworkopen.2023.37001. PMID:37889490.
Atualizado em 31 mai 2026 Leitura 9 min

Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação médica individual. A escolha da órtese, da dose de carga na reabilitação e da eventual infiltração depende de qual compartimento do punho está acometido e da intensidade do quadro, e por isso precisa ser individualizada no exame.

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