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Dor neuropática · Acupuntura médica

Acupuntura e neuralgia pós-herpética: a dor que persiste depois do herpes-zóster

A acupuntura pode aliviar a neuralgia pós-herpética como adjuvante, não cura nem primeira linha. A base é medicação como gabapentinoides e antidepressivos tricíclicos.

Resposta direta
  • A neuralgia pós-herpética é a dor neuropática que persiste por mais de três meses depois das lesões de herpes-zóster (cobreiro): queimação, choques e dor ao toque leve na faixa de pele onde apareceu a erupção.
  • A base do tratamento é medicamentosa e tem evidência sólida: gabapentina ou pregabalina, antidepressivos tricíclicos em dose baixa e adesivo ou creme de lidocaína. A acupuntura é adjuvante, somada a isso.
  • Não há cura garantida nem chá que trate a neuralgia pós-herpética. O objetivo realista é reduzir a dor a um nível que devolva sono e função, e a maioria melhora com o tempo e o tratamento certo.
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40+ anos · HC-FMUSP · USP · 30 salas · 1.500 m² · Fisioterapia e Pilates individual

Avaliação clínica

Dor tem Tratamento. Foco em tratamentos não cirúrgicos para dor, reabilitação.

O que é a neuralgia pós-herpética

Pele do ombro e costas com erupção avermelhada do herpes-zóster em faixa, seguindo o trajeto de um nervo
O herpes-zóster surge em faixa ao longo de um único nervo, e e essa raiz lesada que pode manter a dor depois que a pele cicatriza

A neuralgia pós-herpética (ou nevralgia pós-herpética) é a complicação dolorosa mais comum do herpes-zóster. Define-se como a dor que permanece na mesma faixa de pele da erupção por mais de três meses depois de as bolhas terem cicatrizado.

O herpes-zóster é a reativação do vírus da varicela (catapora), que fica adormecido nos gânglios sensitivos da raiz dorsal depois da infecção da infância. Quando a imunidade cai, o vírus volta a se multiplicar, desce pelo nervo até a pele e produz a erupção em faixa, num único lado do corpo, no território de uma raiz nervosa (um dermátomo). Esse trânsito inflama e lesa o nervo. Na maioria das pessoas, o nervo se recupera e a dor cede com a pele.

Em parte delas, a lesão deixa sequela: as fibras nervosas ficam danificadas, disparam sinais de dor sem estímulo e amplificam qualquer toque. É essa dor neuropática que chamamos de neuralgia pós-herpética.

O quadro tem uma assinatura reconhecível. A dor se concentra na faixa onde esteve a erupção, em geral no tronco (entre as costelas) ou na face. As pessoas descrevem três sensações que costumam coexistir: uma queimação ou ardência contínua, choques ou pontadas em fisgada, e uma dor ao toque leve, como o roçar da roupa ou do lençol, que normalmente não doeria.

Esse último fenômeno tem nome, alodínia, e é a marca da dor neuropática. Some-se a isso coceira, formigamento e dormência na mesma área.

  • > 3 mesesde dor após o zóster definem a neuralgia pós-herpética
  • Idadeé o principal fator de risco; rara antes dos 50, frequente após os 60
  • Maioriamelhora com o tempo e o tratamento, mas pode levar meses
  • As três dores da neuralgia pós-herpética e como cada uma é tratada
    Tipo de dorComo a pessoa descreveO que costuma ajudar mais
    Queimação / ardência contínua“Pele queimando” no trajeto da antiga erupção, o dia inteiroGabapentinoides e tricíclicos; eletroacupuntura como adjuvante
    Choques / fisgadasPontadas súbitas, em raio, que vão e voltamGabapentinoides; bloqueio do nervo em casos selecionados
    Alodínia (dor ao toque leve)O roçar da roupa ou do lençol já dóiLidocaína tópica em adesivo; capsaicina em área localizada
    Coceira e dormênciaFormigamento e perda de sensibilidade na mesma faixaGeralmente melhora com o tratamento da dor; sem medida isolada

    O risco de desenvolver a neuralgia depois de um zóster cresce de forma marcante com a idade. É incomum antes dos 50 anos e torna-se frequente a partir dos 60, o que se explica pela combinação de imunidade que declina e nervos que cicatrizam pior. Dor aguda intensa durante a fase das bolhas, erupção extensa e zóster na face (sobretudo perto do olho) também aumentam a chance de a dor persistir. Essa página trata especificamente do papel da acupuntura no manejo; para a descrição completa do quadro, sintomas e evolução, veja o guia dedicado à neuralgia pós-herpética.

    Mito

    “Existe chá ou remédio caseiro para neuralgia pós-herpética; é só esperar a pele sarar que a dor passa sozinha.”

    Fato

    Nenhum chá trata dor neuropática: a lesão é no nervo, não na pele. Quando a dor persiste depois das bolhas, ela tem tratamento específico, com remédios de evidência e terapias adjuvantes, e merece avaliação.

    Dr. Marcus Pai aplicando acupuntura no antebraço de uma paciente deitada na maca, com amplas janelas e jardim ao fundo
    Atendimento na clínica Dr. Marcus Pai em atendimento de acupuntura na clínica

    O que a acupuntura faz (e o que não faz)

    Os estudos de acupuntura na neuralgia pós-herpética ainda são poucos, pequenos e de qualidade variável. O que existe sugere que ela pode reduzir a intensidade da dor em parte das pessoas, com um perfil de segurança muito bom, mas não substitui a medicação de primeira linha. Ela é, portanto, uma terapia adjuvante, somada ao tratamento de base, útil sobretudo para quem responde mal aos remédios, não os tolera ou prefere reduzir a dose.

    O mecanismo, contudo, é plausível e bem estudado em dor de forma geral. A agulha inserida estimula fibras nervosas (sobretudo as do tipo A-delta) e desencadeia três efeitos que convergem para analgesia. No nível da medula, ativa interneurônios inibitórios no corno dorsal e “fecha a comporta” da dor naquele segmento, reduzindo a transmissão dos sinais que chegam do nervo lesado. Acima disso, recruta as vias inibitórias descendentes que partem do tronco encefálico (a substância cinzenta periaquedutal e o bulbo rostroventromedial) e freiam a dor de cima para baixo.

    E provoca a liberação de opioides endógenos (endorfinas e encefalinas), os analgésicos naturais do corpo. O detalhamento desse mecanismo está na página sobre a neurofisiologia da acupuntura.

    Há, porém, uma particularidade da neuralgia pós-herpética que a separa da dor muscular comum e muda como a agulha é usada. A dor aqui nasce de fibras nervosas já danificadas e sensibilizadas, num território de pele que muitas vezes ficou parcialmente dormente, com alodínia. Isso impõe uma escolha técnica: a estimulação visa modular o segmento medular do dermátomo doente, e não “soltar” um músculo contraído. O efeito esperado é de redução, não de abolição, da dor, e ele se soma ao remédio em vez de dispensá-lo.

    Na prática da clínica, a acupuntura médica para a neuralgia pós-herpética combina pontos locais, ao redor (e não sobre) a área de alodínia, com pontos a distância, no mesmo segmento medular do dermátomo afetado, para modular aquela via específica de dor. Quando a queimação é o sintoma dominante, costumamos associar a eletroacupuntura: uma corrente elétrica suave conectada às agulhas, em baixa frequência, que tende a recrutar mais intensamente os sistemas opioide e descendente de inibição. A sensação é de leve pulsação ou formigamento, não de choque doloroso. Numa área de pele muito sensível, o estímulo é sempre titulado para baixo, no limiar do conforto.

    Acupuntura no zóster agudo versus na neuralgia pós-herpética

    A maior parte dos textos trata “acupuntura para herpes-zóster” e “acupuntura para neuralgia pós-herpética” como a mesma coisa, e não são. No zóster com bolhas ainda ativas, agulhar a faixa de pele inflamada é desaconselhável: há ferida, dor intensa e risco de levar vírus a uma pele rompida. A janela útil da acupuntura é depois, quando a lesão já cicatrizou e o que sobra é dor de nervo. Há ainda um detalhe quase nunca dito: numa área com alodínia, agulhar exatamente sobre o ponto mais doloroso costuma piorar a sensação no momento; por isso o estímulo é feito ao redor e a distância, no segmento, e não no epicentro da dor.

    Vale separar a acupuntura de duas coisas que aparecem nas buscas. Ela não trata a infecção do herpes-zóster em si, que na fase aguda exige antiviral; e não se confunde com “agulhamento seco”. O agulhamento seco mira pontos-gatilho na musculatura e tem outro alvo. Na neuralgia pós-herpética, a dor é da própria fibra nervosa danificada, então a lógica do tratamento é neuromodular o segmento doente; desativar nó muscular não é o objetivo, ainda que a tensão muscular secundária à dor crônica possa, em alguns casos, se beneficiar de uma abordagem combinada.

    Assista: DULOXETINA – ANTIDEPRESSIVO PARA DOR, FIBROMIALGIA, DEPRESSÃO E NEUROPATIA

    Caminho de tratamento: o que vem antes e junto da acupuntura

    O tratamento da neuralgia pós-herpética é multimodal e individualizado, e a acupuntura é uma peça dele, não o todo. A sequência abaixo reflete a hierarquia de evidência: começa-se pelas medidas com o respaldo mais forte e somam-se as adjuvantes conforme a resposta, a tolerância e as preferências de cada pessoa. A escolha do fármaco, a dose e o ajuste são definidos pelo médico, que pesa idade, função renal, coração e os outros remédios em uso.

    Primeira linha medicamentosa

    Gabapentinoides (gabapentina, pregabalina), antidepressivos tricíclicos em dose baixa (amitriptilina, nortriptilina) e lidocaína tópica em adesivo ou creme. É aqui que está a melhor evidência.

    Adjuvantes tópicos e segunda linha

    Capsaicina em alta concentração para áreas localizadas; duloxetina; em dor refratária e sob critério, opioides como o tramadol, sempre por tempo limitado.

    Acupuntura e eletroacupuntura

    Adjuvante, para reduzir a dor e a necessidade de medicação em quem responde mal ou tolera mal os fármacos. Ciclo inicial com reavaliação.

    Procedimentos e neuromodulação

    Bloqueios e estimulação elétrica percutânea (PENS) em casos selecionados e refratários, dentro do plano multimodal e com encaminhamento quando indicado.

    Gabapentinoides: gabapentina e pregabalina

    São, ao lado dos tricíclicos, o pilar do tratamento. A gabapentina e a pregabalina ligam-se à subunidade alfa-2-delta dos canais de cálcio nos neurônios sensitivos hiperexcitáveis e reduzem a liberação de neurotransmissores excitatórios, “baixando o volume” dos disparos espontâneos do nervo lesado. O alívio não é imediato: a dose é aumentada de forma gradual ao longo de uma a duas semanas para chegar à faixa eficaz com tolerância, e o efeito pleno costuma levar de duas a quatro semanas.

    Os efeitos adversos mais comuns são sonolência, tontura e inchaço nas pernas; em idosos, a dose é menor e mais cautelosa pelo risco de queda. A dose precisa ser ajustada quando a função dos rins está reduzida.

    Antidepressivos tricíclicos e duloxetina

    Em dose baixa, muito abaixo da usada para depressão, os tricíclicos como a amitriptilina e a nortriptilina modulam a dor neuropática por uma via diferente: reforçam as vias inibitórias descendentes ao aumentar serotonina e noradrenalina na medula, além de bloquear canais de sódio. São especialmente úteis quando a dor atrapalha o sono. Limitam-se pelos efeitos anticolinérgicos (boca seca, prisão de ventre, retenção urinária, sonolência) e exigem cautela em idosos e em quem tem problema cardíaco. A nortriptilina costuma ser mais bem tolerada que a amitriptilina.

    A duloxetina, um antidepressivo de classe diferente, é uma alternativa, sobretudo se houver intolerância aos tricíclicos. Para o detalhamento do uso de um tricíclico na dor neuropática, veja a página sobre amitriptilina para dor neuropática.

    Lidocaína e capsaicina tópicas

    Os tópicos têm um lugar especial na neuralgia pós-herpética justamente porque a dor é localizada numa faixa de pele. O adesivo de lidocaína a 5% bloqueia os canais de sódio das fibras nervosas superficiais hiperativas, alivia a alodínia e quase não é absorvido para o resto do corpo, o que o torna seguro e bem tolerado, inclusive em idosos, sendo uma opção de primeira linha. A capsaicina em alta concentração age depletando a substância P e dessensibilizando os receptores TRPV1 das terminações nervosas da pele; provoca queimação no início da aplicação e, por isso, em concentrações altas é um procedimento médico, não de automedicação. Os detalhes desse mecanismo estão na página sobre capsaicina para dor neuropática.

    Onde entra a acupuntura e a eletroacupuntura

    Com a base medicamentosa montada, a acupuntura soma-se ao plano com dois objetivos práticos: ampliar o alívio em quem ficou no meio do caminho e permitir reduzir doses de remédios que causam efeitos adversos, em especial a sonolência e a tontura dos gabapentinoides e dos tricíclicos, que pesam mais nos idosos. Na neuralgia pós-herpética, costumamos propor um ciclo de avaliação de 8 a 12 sessões, uma a duas vezes por semana, mais longo que num quadro muscular agudo porque a dor de nervo responde de forma lenta e cumulativa; ao final do ciclo a dor é medida de novo na escala e o plano é decidido a partir dela, mantendo, espaçando ou encerrando. Em quem responde, o intervalo entre sessões vai sendo alargado em vez de simplesmente repetir a frequência inicial.

    Como em qualquer dor neuropática, parte das pessoas tem resposta pequena ou nula, e isso é colocado de forma clara antes de começar, justamente porque a acupuntura aqui é adjuvante e não a base. Na neuralgia pós-herpética, dois cuidados de segurança ganham peso extra: agulhar com técnica estéril uma pele que pode ter perdido parte da sensibilidade e da barreira após o zóster, e redobrar a atenção em quem usa anticoagulante ou tem imunidade comprometida, situação comum justamente nesse público.

    Da prática clínica

    Quem chega ao consultório por essa dor costuma ter um perfil parecido: uma pessoa acima dos 60 anos, que teve o zóster há alguns meses, cuja pele já cicatrizou e que ouviu, equivocadamente, que “depois que sara não tem mais o que fazer”. O erro mais comum que vemos é o oposto da pressa do zóster agudo: aqui a dor neuropática é subtratada, com dose de gabapentinoide ou de tricíclico parada cedo demais, antes de chegar à faixa eficaz, por causa da sonolência inicial que costuma ceder. O que mais surpreende os pacientes é descobrir que o roçar da roupa doer não é “frescura” nem sinal de algo novo se alastrando, mas a alodínia clássica do nervo lesado, e que isso tem nome e tratamento. Quanto à acupuntura, o limiar que usamos para indicá-la é prático: ela entra quando a medicação de base, em dose adequada, não alivia o suficiente ou cobra um preço alto em efeitos adversos, e não como primeira tentativa isolada.

    Bloqueios e neuromodulação (PENS) para casos refratários

    Quando a dor não cede ao plano de base bem conduzido, há recursos de segunda etapa. Os bloqueios anestésicos (injeção de anestésico, por vezes com corticoide, na região da raiz ou do nervo afetado) podem interromper temporariamente a condução da dor e abrir uma janela de alívio para avançar a reabilitação. A estimulação elétrica nervosa percutânea (PENS) é uma opção de neuromodulação para a dor neuropática localizada, aplicada em ciclos com resposta reavaliada; o princípio está descrito na página sobre PENS. São recursos pontuais, dentro do plano multimodal, e podem exigir encaminhamento a serviço de dor de maior complexidade nos quadros mais resistentes.

    Semana 1 a 2

    Início e titulação

    Começa a medicação de primeira linha em dose baixa, com aumento gradual; introduz-se lidocaína tópica na área dolorosa. Ainda sem efeito pleno.

    Semana 2 a 6

    Ajuste e adjuvantes

    A dose chega à faixa eficaz e a dor costuma começar a ceder. Se a resposta é parcial ou o efeito adverso pesa, soma-se a acupuntura ao plano.

    Após 6 a 8 semanas

    Reavaliação

    Mede-se a dor por escala, revê-se o que ajudou e o que pode ser reduzido. Sem resposta adequada, consideram-se procedimentos ou encaminhamento.

    A resposta é acompanhada por uma medida objetiva, a intensidade da dor numa escala de 0 a 10, além do impacto no sono e nas atividades do dia a dia. A meta é reduzir a dor a um nível que devolva o sono e a função, não necessariamente zerá-la. A neuralgia pós-herpética tende a melhorar com o tempo na maioria das pessoas; o tratamento encurta o sofrimento e dá qualidade de vida durante esse percurso. Para entender onde a neuralgia pós-herpética se encaixa no espectro da dor que vem do nervo, vale a leitura da página sobre dor neuropática.

    Fase aguda: o antiviral importa para prevenir a neuralgia

    Há uma janela que muda o desfecho, antes de a neuralgia se instalar: diante das primeiras lesões do herpes-zóster, iniciar um antiviral precocemente, idealmente dentro das primeiras 72 horas do aparecimento da erupção, encurta a fase aguda e reduz a gravidade da dor. Os antivirais usados são o aciclovir e seus parentes de melhor absorção, o valaciclovir e o fanciclovir. Quem busca “aciclovir para herpes zoster” precisa saber disto: o antiviral atua sobre a multiplicação do vírus na fase aguda, mas não trata a neuralgia já estabelecida meses depois, quando a dor decorre da lesão do nervo, e não mais do vírus ativo.

    O controle adequado da dor durante a fase das bolhas também conta, porque dor aguda intensa e mal tratada é fator de risco para a dor crônica persistir. Por isso, no zóster, costuma-se associar analgésicos e, quando indicado, já iniciar precocemente os medicamentos da dor neuropática em quem tem alto risco. E há prevenção primária: a vacina contra o herpes-zóster, recomendada para adultos a partir dos 50 anos, reduz tanto a chance de ter zóster quanto a de desenvolver a neuralgia depois. Essas decisões, antiviral, analgesia e vacina, são individualizadas e médicas.

    Fase aguda do zóster

    Antiviral cedo

    Aciclovir, valaciclovir ou fanciclovir nas primeiras 72 horas encurtam a crise e reduzem a dor. Atuam sobre o vírus, não sobre a neuralgia futura já instalada.

    Dor que persiste

    Tratamento neuropático

    Passados meses, a dor é do nervo lesado. Aí entram gabapentinoides, tricíclicos e lidocaína; o antiviral já não tem papel. A acupuntura soma-se como adjuvante.

    Quando procurar ajuda sem demora

    Diagrama de tronco visto por trás com uma faixa em terracota marcando um dermátomo torácico
    Lesões em faixa que não cruzam a linha média do corpo são o sinal clássico do zoster e merecem início rápido do tratamento

    A neuralgia pós-herpética em si não é uma emergência, mas algumas situações ligadas ao zóster e à sua dor pedem avaliação rápida, porque mudam a conduta. Procure atendimento sem demora diante de qualquer um destes:

    Sinais de alerta · não espere

    Procure avaliação sem demora se houver

    • Herpes-zóster na face, sobretudo perto do olho, na ponta ou na lateral do nariz, ou com vermelhidão e dor no olho, pelo risco à visão.
    • Lesões ainda ativas (bolhas) acompanhadas de febre alta, confusão, dor de cabeça intensa ou rigidez de nuca.
    • Fraqueza muscular nova na área afetada, ou paralisia da face junto com lesões no ouvido.
    • Erupção muito extensa, em mais de um lado do corpo, ou em pessoa com imunidade comprometida (câncer, HIV, uso de imunossupressor).
    • Dor súbita e diferente do padrão habitual, ou que não responde de forma alguma ao tratamento bem conduzido.

    O zóster oftálmico exige avaliação oftalmológica; lesões no ouvido com paralisia facial sugerem a síndrome de Ramsay-Hunt; e sinais de comprometimento do sistema nervoso central pedem investigação imediata. Fora desses cenários, a dor neuropática que persiste depois do cobreiro tem tratamento próprio, com bom horizonte de alívio, e é justamente o que conduzimos na clínica.

    A clínica

    A clínica é um Centro de Dor listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED) e um Centro de Tratamento por Ondas de Choque listado pela SMBTOC. É também listada pelo CMBA, Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura.

    Conheça a clínica
    SBED, Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor
    SMBTOC, Sociedade Médica Brasileira de Tratamento por Ondas de Choque
    CMBA, Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura

    Perguntas frequentes

    A acupuntura para herpes zoster funciona?

    Na fase aguda do herpes-zóster, o tratamento que muda o curso é o antiviral precoce (aciclovir, valaciclovir ou fanciclovir) somado ao controle da dor; a acupuntura não substitui isso. Já na neuralgia pós-herpética, a dor que persiste meses depois, a acupuntura pode ajudar a aliviar a dor como terapia adjuvante, somada à medicação de base. A evidência é limitada, então ela é uma ajuda, não uma cura.

    Existe chá para neuralgia pós-herpética?

    Não. Nenhum chá ou remédio caseiro trata a neuralgia pós-herpética, porque a dor vem de uma lesão no nervo, não de algo na pele ou no estômago. O tratamento com evidência envolve medicamentos específicos para dor neuropática (gabapentinoides, antidepressivos em dose baixa, lidocaína tópica) e terapias adjuvantes como a acupuntura, sempre com avaliação médica.

    Quantas sessões de acupuntura são necessárias?

    O ciclo inicial costuma ter de 6 a 10 sessões, uma a duas vezes por semana, com reavaliação ao final. Algumas pessoas notam alívio nas primeiras sessões, outras só ao completar o ciclo, e parte não responde. A decisão de manter, espaçar ou suspender é tomada a partir dessa resposta, medida de forma objetiva pela intensidade da dor.

    A acupuntura substitui os remédios para a dor neuropática?

    Não. A base do tratamento são os medicamentos com melhor evidência (gabapentina ou pregabalina, tricíclicos em dose baixa e lidocaína tópica). A acupuntura é adjuvante: entra para ampliar o alívio e, em quem responde bem, ajudar a reduzir a dose de remédios que causam sonolência ou outros efeitos, principalmente em idosos. A retirada de qualquer medicamento é feita pelo médico.

    A neuralgia pós-herpética tem cura?

    Não se promete cura, mas a maioria das pessoas melhora com o tempo e o tratamento adequado, ainda que isso possa levar meses. O objetivo realista é reduzir a dor a um nível que devolva o sono e a função. Quanto mais cedo a dor é tratada de forma correta, melhor tende a ser o controle.

    Quanto tempo dura a dor depois do herpes-zóster?

    Na maioria, a dor acompanha as lesões e cede em poucas semanas. Quando persiste por mais de três meses, configura a neuralgia pós-herpética. A partir daí o tempo é variável: muitos melhoram ao longo de meses, e o tratamento serve para encurtar e suavizar esse percurso. Idade mais avançada e dor aguda intensa tornam a persistência mais provável.

    Evidência científica · resumos da nossa biblioteca

    Resumos em linguagem clara de estudos revisados pelo Dr. Marcus Yu Bin Pai.

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    Dr. Marcus Yu Bin Pai
    Sobre o autor
    Dr. Marcus Yu Bin Pai
    CRM-SP 158.074RQE 65.523 / 65.524 / 655.241

    Médico especialista em Fisiatria e Acupuntura pela Associação Médica Brasileira, com área de atuação em Dor. Doutor em Ciências pela USP e médico colaborador do Grupo de Dor do HC-FMUSP.

    Revisão médica e editorial

    Conteúdo revisado clinicamente por Prof. Dr. Hong Jin Pai. Tem finalidade educativa e cita fontes.

    Referências1 fonte citada neste artigoVerOcultar
    1. Conteúdo médico educativo, elaborado e revisado por médico, em conformidade com as resoluções do Conselho Federal de Medicina (CFM) sobre publicidade e informação em saúde.
    Atualizado em 2 jun 2026 Leitura 9 min

    Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação médica individual. A acupuntura é uma terapia adjuvante e seus resultados variam entre pessoas; não há promessa de cura.

    Equipe médica · Jardim Paulista · 40+ anos

    Centro de Tratamento de Dor, Fisiatria e Acupuntura Médica.

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