Distensão na virilha: sintomas e tratamentos
A distensão na virilha costuma ser um estiramento dos músculos adutores da coxa.
- Onde fica a virilha? Na prega entre o abdome e a coxa. Por ali passam os adutores, o canal inguinal, o púbis e nervos sensitivos: cada um produz uma dor diferente.
- A distensão na virilha costuma ser um estiramento dos adutores, com dor na parte interna da coxa próxima à virilha que piora ao juntar as pernas contra resistência.
- O manejo agudo moderno é controle de carga e movimento dentro do conforto, não repouso total prolongado: a imobilidade prolongada atrasa a recuperação e enfraquece o músculo.
- A reabilitação é progressiva e guiada por critérios de força e dor; o retorno ao esporte depende de marcos cumpridos, não apenas do calendário.
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- Dor súbita na parte interna da coxa, perto da virilha, às vezes com sensação de fisgada.
- Piora ao juntar as pernas contra resistência (adução) e ao alongar a perna para o lado.
- Dor à palpação ao longo do adutor longo ou na inserção no púbis.
- Inchaço e, nas lesões maiores, hematoma que desce pela face interna da coxa.
- Dor que aparece ao chutar, acelerar ou mudar de direção.
- Perda de força para aproximar as pernas, mais evidente nas lesões maiores.
Enquanto a causa exata é esclarecida, estes cuidados ajudam a controlar a dor da distensão na virilha nos primeiros dias:
- Reduza a carga e evite alongar com força a virilha dolorida. Evite chutes, arrancadas e aberturas amplas da perna, sem imobilizar por completo; caminhar dentro do que a dor permitir ajuda a recuperação.
- Gelo por 15 a 20 minutos, algumas vezes ao dia, nas primeiras 48 a 72 horas, sempre com um pano entre o gelo e a pele.
- Isometria suave e sem dor, assim que tolerada: apertar de leve uma almofada entre os joelhos é um começo seguro.
- Analgesia por poucos dias, se necessário, para permitir o movimento — não para mascarar a dor e voltar cedo demais.
Procure avaliação sem demora se houver estalo seguido de perda súbita e acentuada de força para juntar as pernas, dor muito intensa na inserção óssea do púbis com dificuldade para apoiar o peso, ou hematoma extenso que se espalha rápido pela face interna da coxa (ver «Quando a avaliação não deve esperar», abaixo).
Distensão aguda dos adutores: dor que começa num gesto identificável, piora ao juntar as pernas contra resistência e tende a cicatrizar com a reabilitação progressiva — o quadro mais comum, tratado a seguir. Pubalgia (dor crônica da virilha): início mais arrastado e recorrente, ligado à sobrecarga repetida da virilha e da parede abdominal sobre a sínfise púbica. Avulsão: a exceção que muda a conduta — dor muito intensa e perda súbita de força merecem avaliação sem demora (ver «Quando a avaliação não deve esperar», mais abaixo).
O que é a distensão dos adutores e como reconhecer

Distensão na virilha é o termo popular para a lesão por estiramento da musculatura adutora da coxa, o grupo que traz a perna para a linha média do corpo (a adução). É uma das lesões mais comuns em esportes com aceleração, frenagem e mudança rápida de direção, como futebol, e também acontece fora do esporte, num escorregão ou numa abertura súbita da perna. No vocabulário clínico atual, ela se enquadra na chamada dor da virilha relacionada aos adutores (adductor-related groin pain), uma das cinco entidades definidas pelo consenso de Doha, descrito mais adiante.
O grupo adutor reúne cinco músculos: adutor longo, adutor curto, adutor magno, pectíneo e grácil, todos inervados sobretudo pelo nervo obturatório (raízes L2 a L4). O mais lesado, de longe, é o adutor longo, que responde pela grande maioria das distensões agudas dos adutores. O ponto de maior fragilidade é a junção miotendínea proximal e a inserção do tendão no ramo púbico; nessa região, o tendão do adutor longo se entrelaça com a aponeurose do reto abdominal, formando uma placa aponeurótica comum sobre a sínfise púbica.
É por isso que adutor e parede abdominal compartilham tanto a anatomia quanto os quadros de dor crônica. A lesão costuma ocorrer numa contração excêntrica intensa, quando o músculo gera força enquanto está sendo alongado, exatamente o que acontece ao mudar de direção com o pé fixo no chão, ao desacelerar ou ao chutar uma bola com o membro de apoio estabilizando o tronco.
O quadro típico é uma dor de início agudo na parte interna da coxa, próxima à virilha, às vezes com a sensação de uma fisgada (o paciente costuma apontar o dedo num ponto sobre o adutor longo). A dor piora ao aproximar as pernas contra resistência (a adução resistida) e ao alongar passivamente o músculo, com a perna afastada em abdução. Pode haver inchaço, dor à palpação ao longo do ventre do adutor longo ou na sua inserção púbica e, nas lesões maiores, um hematoma que desce pela face interna da coxa nos dias seguintes. Quanto maior a perda de força e mais precoce e extenso é o hematoma, maior tende a ser a gravidade.
O exame de consultório busca reproduzir a dor e medir a força adutora. No teste de adução resistida, com o paciente deitado, pede-se que junte as pernas contra a mão do examinador, e a dor na virilha reproduz a lesão. O squeeze test aplica o mesmo princípio apertando o punho do examinador ou uma bola entre os joelhos, classicamente em três posições, com o quadril a 0, 45 e 90 graus de flexão, o que ajuda a localizar a origem da dor. O bent-knee fall-out (queda dos joelhos com os pés unidos) avalia amplitude e dor ao alongamento.
A dor à palpação da inserção púbica (entese), e não só do ventre muscular, e a reprodução da dor na adução resistida são os achados que mais sustentam o diagnóstico. Quando há dinamômetro, a força de adução comparada à do lado sadio serve de medida objetiva no diagnóstico e no acompanhamento, já que dor e força no squeeze melhoram à medida que o músculo cicatriza.
Antes da graduação, vale situar a distensão dentro de um mapa maior. O consenso de Doha (Doha agreement, Br J Sports Med 2015) padronizou a linguagem da dor na virilha do atleta em torno do exame clínico, dividindo-a por estrutura de origem em cinco entidades definidas pela palpação e pelos testes: dor relacionada aos adutores, ao iliopsoas, à região inguinal, à região púbica e ao quadril. A distensão aguda dos adutores é o protótipo da dor relacionada aos adutores.
Essa divisão importa porque cada entidade tem exame, prognóstico e tratamento próprios, e porque é comum coexistirem mais de uma num mesmo atleta. O consenso também desencoraja rótulos antigos e imprecisos como “pubalgia do atleta” ou “hérnia do esporte” usados de forma genérica, em favor da estrutura efetivamente dolorida.
A gravidade da lesão muscular é classificada em três graus clínicos, conforme a extensão do dano às fibras e a perda de função. Essa graduação não é apenas acadêmica: ela orienta a expectativa de tempo de recuperação e o ritmo da reabilitação, embora o número de dias varie bastante entre pessoas. Na imagem, sistemas como a classificação de lesão muscular do British Athletics refinam esse quadro pela ressonância, graduando de 0 a 4 e, sobretudo, registrando se a lesão é miofascial, miotendínea ou intratendínea, e se atinge a entese (sufixo “c”). A relevância prática é direta: lesões que envolvem o tendão central ou a inserção púbica costumam ter recuperação mais arrastada e maior risco de recidiva do que as puramente miofasciais, o que muda a expectativa de prazo conversada com o paciente.
| Grau | O que acontece no músculo | Sinais típicos |
|---|---|---|
| Grau I (leve) | Estiramento com lesão de poucas fibras, sem perda real de força | Dor localizada, mínima perda de função, marcha preservada; recuperação costuma ser de dias a poucas semanas |
| Grau II (moderado) | Ruptura parcial de um número maior de fibras | Dor mais intensa, perda de força à adução, inchaço e hematoma frequentes, marcha alterada; recuperação de algumas semanas |
| Grau III (grave) | Ruptura extensa ou completa do ventre muscular ou do tendão | Dor forte no momento da lesão, perda importante de força, hematoma extenso, às vezes um defeito palpável; recuperação mais longa e avaliação dirigida |
A maioria das distensões é de grau I ou II e responde bem ao tratamento conservador, sem necessidade de cirurgia. A imagem não é obrigatória nos quadros leves e típicos; a ultrassonografia e a ressonância magnética ajudam a confirmar a extensão, localizar a lesão e estimar o prognóstico nos casos mais graves, na suspeita de ruptura ou avulsão, ou quando a dor não evolui como esperado.
“Puxei a virilha, então o melhor é ficar de repouso absoluto até a dor sumir por completo.”
O repouso total prolongado atrasa a cicatrização e enfraquece o músculo. Após uma fase breve de proteção, a carga controlada e o movimento dentro do conforto são o que estimulam um tecido cicatricial mais forte e o retorno mais seguro.
Depois do esforço, marque o que aconteceu
- Senti um estalo ou fisgada súbita na hora do movimento
- Apareceu mancha roxa na parte interna da coxa
- Dá para sentir uma falha no músculo ao apertar
- Não consigo apertar as pernas uma contra a outra sem dor forte
- Dor pontual ao apertar um ponto da parte interna da coxa
- Dói só ao chutar, mudar de direção ou acelerar
- Dor leve que melhora em até 48 horas
Sem nenhum desses sinais, o quadro sugere sobrecarga leve dos adutores: ajuste de carga e progressão gradual costumam resolver.
Os itens marcados sugerem estiramento leve: reduza o esforço e procure avaliação se a dor não ceder em uma a duas semanas.
Estalo, hematoma, falha palpável ou adução impossível apontam para lesão maior, que merece exame antes de voltar ao esporte.
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Onde fica a virilha e o que mora nela
A virilha é a prega que separa o abdome da coxa, de cada lado do corpo. Em poucos centímetros convivem estruturas de naturezas diferentes, e é por isso que a mesma palavra cobre dores tão distintas: músculo, canal inguinal, osso púbico, articulação do quadril e nervos sensitivos.
Os adutores, principalmente o adutor longo, com o curto, o magno, o grácil e o pectíneo, nascem no púbis e descem pela face interna da coxa: são eles que se estiram na distensão aguda dos adutores. O canal inguinal, logo acima da prega, é a passagem por onde a hérnia inguinal se anuncia como peso ou abaulamento que aumenta ao tossir. O púbis, ponto de encontro das forças do abdome e dos adutores, responde pela pubalgia do atleta. E os nervos da virilha, o ilioinguinal, o genitofemoral e o obturatório, produzem um tipo próprio de queixa: queimação, choque ou dormência na prega e na face interna da coxa, às vezes depois de cirurgia de hérnia ou de longos períodos sentado, uma dor que não piora ao apertar o músculo nem ao alongar.
Duas expressões populares merecem tradução. A cãibra na virilha é o espasmo súbito e involuntário dos adutores, comum à noite ou no fim de treinos longos: cede com alongamento suave e não deixa dor residual importante; quando passa a se repetir, vale investigar desidratação, medicamentos e o padrão de treino. Já a virilha aberta é o nome popular do estiramento: a sensação de que algo rasgou ou abriu na prega após um chute ou uma escorregada. Nada fica literalmente aberto, exceto na hérnia; o que existe é a lesão por alongamento do adutor, exatamente a distensão descrita na seção anterior.
Apertar uma bola ou o punho do examinador entre os joelhos, o squeeze test, mede a força de adução sem depender da queixa. No consultório ele ajuda a graduar a lesão no primeiro exame e, nas semanas seguintes, vira o marcador objetivo do retorno: quando o aperto deixa de doer e a força iguala a do outro lado, o adutor está pronto para receber chute e sprint de novo.
O que mais pode ser e quando suspeitar de avulsão
Nem toda dor na virilha é uma distensão muscular aguda. Quando a dor é de início mais arrastado, volta sempre que se aumenta a carga ou não melhora como uma lesão muscular deveria, vale separar a distensão de outras causas que dividem a mesma região e exigem condutas diferentes.
“Distensão” (ou o inglês groin strain) virou um rótulo guarda-chuva: muita dor que recebe esse nome não é, na verdade, uma lesão dos adutores. A própria divisão de Doha existe porque, no atleta com queixa na virilha, é comum a causa principal ser a sínfise púbica (osteíte púbica), a parede inguinal ou o próprio quadril (impacto femoroacetabular, lesão de labrum), e não o adutor longo. A consequência prática é direta: tratar como distensão de adutor uma dor que é de inserção púbica ou intra-articular leva a semanas de fortalecimento que não resolvem, justamente porque o tecido dolorido é outro. Por isso o primeiro passo não é graduar a distensão, e sim confirmar que o problema é mesmo o adutor.
Estiramento dos adutores
Início súbito num gesto identificável, dor na adução resistida e ao alongar, com hematoma nas lesões maiores. É um evento agudo com cicatrização previsível e reabilitação progressiva.
Pubalgia, osteíte púbica, hérnia inguinal, dor intra-articular
Dor de instalação progressiva e recorrente sugere síndrome dolorosa da virilha do atleta. Dor profunda na virilha com travamento ou estalo aponta para causa intra-articular do quadril, como o impacto femoroacetabular.
Usando as próprias entidades do consenso de Doha, vale percorrer os principais diferenciais. A dor relacionada ao iliopsoas dá dor mais anterior e profunda, reproduzida na flexão de quadril resistida e no alongamento do psoas, e não na adução. A dor relacionada à região inguinal, o que se chamava de “hérnia do esporte”, decorre da fragilidade da parede posterior do canal inguinal, com dor à palpação do canal e à manobra de esforço, sem hérnia verdadeira palpável em muitos casos. A dor relacionada à região púbica corresponde à osteíte púbica, sobrecarga da própria sínfise, com dor à palpação direta do osso e, na ressonância, edema ósseo subcondral.
A pubalgia, ou dor crônica da virilha, em geral é um quadro misto desses componentes, de início insidioso e ligado à sobrecarga repetida sobre a placa aponeurótica adutor-reto, e não a um trauma único. A hérnia inguinal verdadeira dá abaulamento que piora com esforço e tosse. Já a dor relacionada ao quadril, profunda na virilha e por vezes referida como um “C” da mão sobre o trocânter (o sinal do C), com estalo ou travamento, aponta para causa intra-articular, como o impacto femoroacetabular (FAI, nas variantes cam e pincer) ou lesão do labrum, e é provocada pelo teste de impacto anterior (FADIR, com flexão, adução e rotação interna). A distinção começa pela história, trauma agudo contra sobrecarga progressiva, e pelo exame; a imagem entra quando há dúvida ou sinal de gravidade.
Algumas causas exigem ser lembradas justamente porque não são musculares e mudam totalmente a conduta: a fratura por estresse do colo do fêmur ou do ramo púbico, em corredores e em quem aumentou carga rápido, com dor que piora ao apoiar o peso e à percussão; dores referidas da coluna lombar alta (raízes L1 a L2) ou de aprisionamento dos nervos ilioinguinal e genitofemoral, com dor em queimação e alteração de sensibilidade; e causas não ortopédicas, como problemas testiculares, urológicos ou intra-abdominais, que pedem avaliação fora do escopo musculoesquelético.
Há um cenário que merece atenção especial: a avulsão. Em vez de a lesão ocorrer no meio do músculo, a inserção tendínea se descola do osso, levando ou não consigo um fragmento ósseo. É mais provável quando a dor inicial é muito intensa e localizada na inserção púbica, quando há perda acentuada e súbita de força para juntar a perna, ou quando se palpa um defeito. Em adolescentes em fase de crescimento, a tração pode arrancar o núcleo de crescimento ósseo (uma avulsão apofisária), e nesses casos a queixa de dor na virilha após um esforço explosivo num jovem atleta exige investigação dirigida.
Procure atendimento sem demora se houver
- Estalo audível seguido de perda súbita e acentuada de força para juntar a perna, sugerindo ruptura ou avulsão.
- Dor muito intensa na inserção óssea do adutor no púbis, com incapacidade de apoiar o peso ou andar.
- Hematoma extenso e que se espalha rápido pela face interna da coxa nas primeiras horas.
- Um defeito ou falha palpável no trajeto do músculo.
- Dor na virilha após esforço explosivo em adolescente ou jovem em fase de crescimento.
- Febre, vermelhidão e calor na região, dormência ou formigamento na perna, ou dor que piora de forma progressiva sem trauma claro.
Esses sinais não significam, por si só, que haja algo grave, mas mudam a conduta: pedem exame de imagem e, em algumas avulsões e rupturas completas com perda funcional importante, uma avaliação sobre a necessidade de reparo. A imensa maioria das distensões, no entanto, não tem esses achados e segue o caminho conservador descrito a seguir.
Boa parte de quem chega ao consultório com o diagnóstico de “distensão na virilha” que não cicatriza não tem, no exame, uma lesão de adutor: a dor reproduz na palpação direta da sínfise púbica ou no teste de impacto do quadril (FADIR), não na adução resistida. Distinguir adutor, púbis e quadril com o paciente na maca, antes de qualquer imagem, costuma mudar o plano logo na primeira consulta.
O que mais surpreende quem teve uma distensão de verdade é o descompasso entre dor e força. Em poucos dias a virilha “não dói mais” no dia a dia, e a leitura natural é de cura; o squeeze test em três ângulos, porém, ainda mostra dor e perda de força de adução. É esse intervalo, com dor já baixa e força ainda incompleta, que explica a maioria das recidivas que vejo: o retorno acontece pela ausência de dor, e não pela força recuperada.
O retorno ao esporte com mudança de direção é mais lento do que o paciente espera, e a etapa que mais trava não é correr em linha reta, e sim a frenagem e o giro com o pé fixo, o gesto excêntrico que originou a lesão. Liberar corrida não é liberar pivô.
Manejo agudo: as primeiras horas e dias
Afastados os sinais de gravidade, o objetivo dos primeiros dias é proteger o tecido recém-lesado, controlar a dor e o inchaço e, logo em seguida, devolver carga e movimento de forma gradual. A ideia antiga de repouso prolongado foi substituída por um princípio mais ativo: proteger por pouco tempo e carregar cedo, dentro do que a dor permite.
- Proteger a área e ajustar a carga: reduzir o que dói (chutes, arrancadas, aberturas amplas) sem parar de se mover por completo.
- Gelo local por 15 a 20 minutos algumas vezes ao dia nas primeiras 48 a 72 horas, sempre com um pano entre o gelo e a pele, para conforto e controle do inchaço.
- Manter movimento e apoio dentro do conforto, caminhando o quanto a dor permitir, em vez de imobilizar a perna.
- Iniciar cedo contrações isométricas suaves dos adutores, sem dor, assim que toleradas: apertar de leve uma almofada entre os joelhos é um começo seguro.
- Considerar um analgésico por poucos dias, conforme orientação, para permitir o movimento.
Se a dor não ceder, a força não voltar ou surgir qualquer sinal de alerta da seção anterior, procure avaliação antes de progredir a carga.
- Evite o repouso total prolongado. Parar tudo por muitos dias atrofia o músculo, enfraquece o tecido cicatricial e prolonga o retorno.
- Evite alongar com força a virilha dolorida. Esticar até doer no início reabre a lesão e atrasa a cicatrização; a amplitude volta com a reabilitação, sem dor.
- Evite voltar cedo ao esporte só porque a dor diminuiu. A dor melhora antes de a força e a tolerância à carga se recuperarem, e é aí que a lesão recidiva.
- Evite anti-inflamatórios de rotina e por tempo prolongado. A inflamação inicial faz parte do reparo; o uso, quando indicado, é pontual e definido pelo médico.
Sobre gelo ou calor: nas primeiras horas, o gelo traz mais conforto e ajuda a controlar o inchaço. Passada a fase aguda, o calor pode ser útil antes dos exercícios para relaxar a musculatura. O ponto principal, porém, não é a compressa, e sim retomar carga e movimento de forma progressiva: é isso que define a velocidade e a segurança da recuperação.
Reabilitação progressiva e critérios de retorno
O tratamento da distensão dos adutores é multimodal, não-cirúrgico e individualizado, e a base é a reabilitação ativa com progressão de carga. As demais técnicas se somam a ela para controlar a dor e o componente miofascial, nunca a substituem. O fio condutor é avançar por etapas, guiado pela resposta de dor e força, até reconstruir a capacidade que o esporte ou a rotina exigem.
Proteção e ativação
Controle de carga, gelo nos primeiros dias e isometria suave dos adutores sem dor, mantendo o apoio dentro do conforto.
Força progressiva
Fortalecimento dos adutores em amplitude crescente, com ênfase no trabalho excêntrico (o protocolo de Copenhagen é a referência), além de quadril e core.
Gesto e potência
Retomada gradual de corrida, mudanças de direção, aceleração e frenagem, e do gesto esportivo específico, sem dor.
Retorno por critérios
Liberação quando força, amplitude e gesto estão recuperados e indolores, e não apenas quando o calendário diz.
Manejo de carga e reabilitação ativa
- O que é
- A base do tratamento. Progressão individualizada de carga sobre o adutor, do isométrico indolor ao fortalecimento concêntrico e excêntrico, integrada a quadril, glúteos e core, com retomada gradual do gesto esportivo. Atendimento individual, um paciente por sala.
- Mecanismo
- A carga controlada orienta a deposição e o alinhamento das fibras de colágeno no tecido cicatricial, recupera força e tolerância da unidade miotendínea e dessensibiliza o sistema ao movimento. A imobilidade faz o oposto: atrofia e tecido cicatricial frágil.
- Evidência
- O ensaio de Hölmich (Lancet, 1999) mostrou que um programa de treino físico ativo, centrado no fortalecimento adutor, foi superior ao tratamento passivo para a dor crônica relacionada aos adutores. A reabilitação ativa por critérios é hoje o padrão e a intervenção com melhor relação entre evidência e segurança.
- O que esperar
- Progressão ao longo de semanas, guiada por dor e força; o ganho se mantém enquanto o programa segue. É a coluna do plano, à qual as demais técnicas se somam.
- Indicações
- Praticamente toda distensão de adutor, dos graus I a III já estabilizados, e a prevenção de recidiva.
- Limitações
- Exige constância e dosagem cuidadosa; progredir carga rápido demais reabre a lesão. Não dispensa a avaliação de sinais de alerta antes de avançar etapas.
Programa de Copenhagen e trabalho excêntrico
- O que é
- Protocolo específico de fortalecimento adutor centrado no exercício de adução de Copenhagen, uma prancha lateral em que a perna de baixo, apoiada, eleva e sustenta o corpo contra a gravidade, trabalhando o adutor em contração excêntrica e concêntrica com progressão de amplitude e repetições.
- Mecanismo
- Enfatiza a contração excêntrica, na qual o músculo gera força enquanto é alongado, justamente o modo de demanda que falha na lesão. Aumenta a força excêntrica de adução e a tolerância da junção miotendínea à carga de frenagem e mudança de direção.
- Evidência
- Em futebolistas, programas de fortalecimento adutor com o exercício de Copenhagen reduziram a incidência de novas lesões na virilha em ensaios e revisões (p. ex., Harøy e cols., 2019; Bisciotti e cols., 2021). É a medida preventiva com melhor evidência para essa lesão.
- O que esperar
- Ganho de força ao longo de semanas; a versão é dosada por número de repetições e amplitude. Mantido após a alta como prevenção, sobretudo em quem repete distensões.
- Indicações
- Fase de fortalecimento da reabilitação e prevenção primária e secundária em esportes de pivô, como o futebol.
- Limitações
- É exigente; introduzido cedo demais ou com dor, pode irritar a inserção. A progressão deve respeitar a tolerância de cada etapa.
Terapia manual e trabalho miofascial
- O que é
- Técnicas manuais sobre adutores, quadril e parede abdominal, incluindo liberação miofascial e mobilizações, somadas ao exercício.
- Mecanismo
- Reduz o tônus de bandas tensas e a dor à palpação, melhora a amplitude e a tolerância ao movimento, abrindo janela para progredir a carga. O efeito é sobretudo sintomático e de curto prazo.
- Evidência
- A terapia manual associada ao exercício tem evidência de benefício na dor musculoesquelética, com magnitude variável; isolada, não sustenta o resultado.
- O que esperar
- Alívio que costuma ser de curta duração, usado como adjuvante para destravar a reabilitação ativa.
- Indicações
- Componente miofascial e rigidez que limitam o exercício.
- Limitações
- Não substitui o fortalecimento; cautela sobre lesões agudas recentes e inserções muito dolorosas.
Agulhamento seco e infiltração de pontos-gatilho
- O que é
- No agulhamento seco, uma agulha fina é inserida diretamente no ponto-gatilho miofascial do adutor ou da musculatura do quadril, sem injeção de substância. Na infiltração, injeta-se anestésico local ou soro fisiológico no mesmo ponto.
- Mecanismo
- A agulha, dirigida à banda tensa palpável no ventre do adutor longo ou no iliopsoas, busca a contração reflexa breve da fibra (a contração local) e, com ela, a queda da hiperatividade da placa motora e da concentração local de substâncias que sensibilizam o nociceptor naquele segmento. Na prática da virilha, isso desfaz o ponto-gatilho satélite que a marcha antálgica instala no iliopsoas e nos adutores vizinhos depois da lesão, reduzindo a dor referida para a face interna da coxa. Na infiltração, o anestésico depositado no mesmo ponto bloqueia a aferência e relaxa a banda, abrindo a janela indolor que o fortalecimento excêntrico exige.
- Evidência
- Boa evidência para o componente miofascial da dor.
- O que esperar
- Em geral a dor à palpação do ponto-gatilho cede já na sessão ou ao longo dos dois a três dias seguintes, com um desconforto pós-agulhamento na coxa interna por um ou dois dias, semelhante a dor de treino. O número de sessões é definido pelo quanto o componente miofascial está travando o fortalecimento; quando a dor à adução resistida deixa de ser miofascial e passa a ser da inserção púbica, o agulhamento perde indicação e o foco volta à carga.
- Indicações
- Pontos-gatilho no adutor longo e no iliopsoas que mantêm dor e impedem progredir o fortalecimento após a distensão.
- Limitações
- Adjuvante, não substitui o fortalecimento; dor local transitória e equimose; cautela em anticoagulados.
Ondas de choque e laser de alta intensidade
- O que é
- Recursos adjuvantes e seletivos. As ondas de choque aplicam ondas acústicas de alta energia sobre o tecido; o laser de alta intensidade entrega fotobiomodulação com laser de alta potência.
- Mecanismo
- A ondas de choque atua por mecanotransdução, com estímulo à neovascularização e à regeneração tecidual, além de efeito analgésico. O laser de alta intensidade age por fotobiomodulação, com efeito analgésico e anti-inflamatório em profundidade.
- Evidência
- A melhor evidência da ondas de choque está nas tendinopatias crônicas, não na lesão muscular aguda. Faz mais sentido quando a dor da virilha se cronifica na inserção tendínea do adutor; na fase aguda da distensão, o papel é limitado.
- O que esperar
- Ciclo de cerca de 3 a 5 sessões semanais para a ondas de choque, com melhora ao longo de semanas; o laser é usado em séries, como complemento da reabilitação.
- Indicações
- Tendinopatia adutora crônica e dor de inserção que não cede com o trabalho ativo.
- Limitações
- Nenhum desses recursos substitui a progressão de carga; desconforto na aplicação; a ondas de choque tem contraindicações específicas, como sobre áreas de trombo.
Bloqueios e medicação adjuvante
- O que é
- Em dores localizadas e refratárias, um bloqueio anestésico ou uma infiltração guiada por ultrassom, e o uso pontual de medicação para controlar a dor e permitir o movimento.
- Mecanismo
- O bloqueio interrompe temporariamente a condução nociceptiva e abre uma janela para avançar a reabilitação. Os analgésicos reduzem a dor para permitir a carga; os anti-inflamatórios, quando indicados, modulam a dor, com a ressalva de que a inflamação inicial faz parte do reparo muscular.
- Evidência
- São medidas de suporte dentro de um plano ativo, não tratamentos da lesão em si; a literatura desencoraja o uso rotineiro e prolongado de anti-inflamatórios na lesão muscular aguda.
- O que esperar
- Alívio temporário, de dias a semanas no caso do bloqueio, usado para destravar a progressão e não como tratamento isolado.
- Indicações
- Dor que impede a reabilitação ativa apesar das medidas iniciais.
- Limitações
- Efeito temporário; a prescrição, a dose e a duração são sempre definidas pelo médico, com atenção a efeitos adversos e comorbidades.
Fase aguda
Proteção, controle de carga, gelo e isometria suave indolor. O objetivo é controlar dor e inchaço sem imobilizar.
Força progressiva
Fortalecimento dos adutores em amplitude crescente, trabalho excêntrico e de quadril e core. A dor à adução resistida vai cedendo.
Gesto, potência e retorno
Corrida, mudanças de direção e gesto esportivo sem dor, com retorno liberado por critérios de força e função. Os prazos variam muito com o grau.
Medimos a intensidade da dor numa escala de 0 a 10, a dor e a força no squeeze test em diferentes ângulos, a simetria de força de adução entre as duas pernas (idealmente medida com dinamômetro) e a tolerância ao gesto esportivo. Numa coorte de atletas com reabilitação por critérios (Serner e cols., 2020), o retorno ao esporte exigiu marcos cumpridos, como força e amplitude recuperadas e gesto indolor, e não apenas tempo decorrido. Os critérios de retorno reúnem amplitude completa e indolor, força de adução próxima à da perna sadia, palpação e squeeze sem dor, gesto esportivo específico sem dor e confiança para a tarefa.
Liberar pela força e pela função, e não só pelo calendário, é o que mais reduz o risco de recidiva, já que a recorrência é o principal problema dessa lesão. Para quem repete distensões, manter o programa de força adutora, como o de Copenhagen, mesmo depois da alta, é a medida de prevenção com melhor evidência.
A dor some antes de a força voltar. O erro mais comum na distensão da virilha é confundir alívio com recuperação e retomar o esporte cedo demais. Recuperar a força adutora, sobretudo a excêntrica, e cumprir os critérios de retorno é o que transforma uma lesão isolada em algo que não vira um problema crônico de repetição.
Tratamento não farmacológico: RPG, Pilates e fisioterapia
A reabilitação ativa é o eixo do tratamento da distensão dos adutores, e a fisioterapia é onde ela acontece de forma estruturada e supervisionada. Cada abordagem cumpre um papel distinto: a cinesioterapia constrói a carga sobre o adutor, o controle motor reorganiza o gesto sobre a sínfise púbica, a RPG trata o desequilíbrio entre cadeias e o Pilates clínico consolida a estabilização do tronco e da pelve. São recursos oferecidos na clínica em atendimento individual. Nenhum substitui a progressão de carga sobre o adutor; eles a tornam mais segura e duradoura.
Fisioterapia e cinesioterapia
- O que é
- Reabilitação ativa por exercício terapêutico, do isométrico indolor à carga concêntrica e excêntrica progressiva, integrando adutores, abdutores, glúteos, flexores do quadril e core. É onde o programa de fortalecimento adutor, incluindo o exercício de adução de Copenhagen, é dosado e progredido com supervisão.
- Mecanismo
- A carga controlada orienta a deposição e o alinhamento das fibras de colágeno do tecido cicatricial, recupera força e tolerância da unidade miotendínea e dessensibiliza o sistema ao movimento de adução, frenagem e mudança de direção. Também corrige déficits a distância, como fraqueza de glúteo médio e de core, que sobrecarregam o adutor.
- Evidência
- Forte É a base do tratamento conservador da dor relacionada aos adutores. O ensaio de Hölmich (Lancet, 1999) mostrou superioridade do treino físico ativo sobre o tratamento passivo, e revisões posteriores reforçam o fortalecimento adutor como a intervenção com melhor relação entre evidência e segurança.
- O que esperar
- Resposta ao longo de semanas, guiada por dor e força. Em geral, ciclos com sessões supervisionadas combinadas a exercícios em casa; o ganho se mantém enquanto o programa segue, e a manutenção previne recidiva.
- Indicações
- Praticamente toda distensão de adutor, dos graus I a III já estabilizados, e a prevenção primária e secundária em esportes de pivô.
- Limitações
- Exige constância e dosagem cuidadosa; progredir carga rápido demais reabre a lesão. Não dispensa a reavaliação de sinais de alerta antes de avançar etapas.
Programa de Copenhagen e trabalho excêntrico
- O que é
- Protocolo de fortalecimento adutor centrado no exercício de adução de Copenhagen, uma prancha lateral em que a perna de baixo, apoiada, eleva e sustenta o corpo contra a gravidade, trabalhando o adutor em contração excêntrica e concêntrica com progressão de amplitude e repetições.
- Mecanismo
- Enfatiza a contração excêntrica, na qual o músculo gera força enquanto é alongado, justamente o modo de demanda que falha na lesão. Aumenta a força excêntrica de adução e a tolerância da junção miotendínea à carga de frenagem e mudança de direção.
- Evidência
- Forte Em futebolistas, programas com o exercício de Copenhagen reduziram a incidência de novas lesões na virilha em ensaios e revisões (Harøy e cols., 2019; Bisciotti e cols., 2021). É a medida preventiva com melhor evidência para essa lesão.
- O que esperar
- Ganho de força ao longo de semanas, dosado por número de repetições e amplitude. Mantido após a alta como prevenção, sobretudo em quem repete distensões.
- Indicações
- Fase de fortalecimento da reabilitação e prevenção primária e secundária em esportes de pivô, como o futebol.
- Limitações
- É exigente; introduzido cedo demais ou com dor, pode irritar a inserção. A progressão deve respeitar a tolerância de cada etapa.
Controle motor e estabilização
Treino do recrutamento coordenado entre adutores, transverso do abdome, assoalho pélvico e tronco profundo, para que a pelve e a sínfise púbica fiquem estáveis no gesto. Reduz o pico de tensão na junção miotendínea, atuando sobre a coordenação, não só a força bruta. Relevante porque adutor longo e reto abdominal compartilham a placa aponeurótica sobre o púbis. Limitação: sozinho não recupera a força do esporte; soma-se ao fortalecimento progressivo.
Reeducação postural global (RPG)
Trabalha o corpo por cadeias musculares, com posturas de alongamento ativo global mantidas e contração isométrica e excêntrica. Busca reduzir a retração e o desequilíbrio que sobrecarregam os adutores e a sínfise púbica. Limitação: não recupera por si só a força excêntrica de adução exigida pelo esporte; sem superioridade demonstrada sobre o exercício convencional. Complementa, não substitui.
Pilates clínico
Exercícios de controle motor e estabilização de tronco e pelve, no solo ou em aparelhos, conduzidos por fisioterapeuta com foco terapêutico. Uma pelve estável reduz a sobrecarga na placa aponeurótica adutor-reto durante o gesto. Útil na transição entre força e retorno ao gesto e como manutenção preventiva. Limitação: não fornece, isolado, a carga excêntrica específica do adutor.
Terapia manual
Técnicas manuais sobre adutores, quadril e parede abdominal, incluindo liberação miofascial e mobilizações, sempre somadas ao exercício. Reduz o tônus de bandas tensas e a dor à palpação, abrindo janela para progredir a carga. Limitação: efeito sobretudo sintomático e de curto prazo; não substitui o fortalecimento; cautela sobre lesões agudas recentes e inserções muito dolorosas.
Na prática da clínica, essas abordagens são combinadas de forma individualizada: a base é sempre a cinesioterapia com progressão de carga, e RPG, Pilates clínico, controle motor e terapia manual entram conforme o que limita cada pessoa. O atendimento é individual, com o plano ajustado a cada reavaliação de dor, força e gesto.
Tratamento cirúrgico e opções fora da clínica
A grande maioria das distensões dos adutores, inclusive boa parte das de grau II, cicatriza com tratamento conservador, sem cirurgia. A cirurgia é exceção e entra apenas em situações estruturais bem definidas ou quando uma dor da virilha relacionada à parede inguinal não cede após meses de reabilitação bem conduzida. Estas opções cirúrgicas não são realizadas em nossa clínica; o quadro abaixo descreve quando a cirurgia é cabível, quando não é e o momento de procurar o cirurgião.
Conservador · 1ª escolha
Reabilitação ativa por carga
- Resolve a imensa maioria das distensões de adutor, dos graus I a III.
- Operar um músculo que cicatrizaria sozinho não traz benefício.
- Fortalecimento adutor progressivo, com ênfase excêntrica, e retorno por critérios de força e função.
- Conduzido na clínica, em atendimento individual.
Cirúrgico · exceção, fora da clínica
Avaliação especializada
- Reservado a lesões estruturais bem definidas ou dor inguinal refratária.
- Parte sempre de avaliação especializada com exame de imagem.
- Pesa o nível de atividade, a localização e o desvio da lesão.
- Encaminhamento ao especialista; reabilitação mantida no pré e no pós quando indicada.
As situações em que a avaliação cirúrgica é considerada são poucas e específicas. A primeira é a avulsão com fragmento ósseo muito desviado ou a ruptura completa do tendão adutor com perda funcional importante, sobretudo em atletas de alta demanda. A segunda é a dor relacionada à região inguinal, antes rotulada de hérnia do esporte, quando a fragilidade da parede posterior do canal inguinal mantém dor incapacitante apesar da reabilitação.
A terceira, mais rara, é a tenotomia dos adutores, reservada a dor crônica de inserção refratária a todo o tratamento conservador. Em paralelo, causas que imitam a distensão, como hérnia inguinal verdadeira ou fratura por estresse do colo do fêmur ou do ramo púbico, têm condutas próprias, fora do escopo musculoesquelético, que também não são feitas aqui.
| Quando considerar | Procedimento ou conduta | O que esperar |
|---|---|---|
| Ruptura completa ou avulsão óssea desviada do adutor, com perda de força importante em atleta de alta demanda | Reinserção tendínea ou fixação do fragmento (cirurgia ortopédica) | Cirurgia seguida de reabilitação prolongada; indicação individual, decidida com imagem; a maioria das avulsões pequenas é tratada sem cirurgia |
| Dor relacionada à parede inguinal posterior persistente após meses de reabilitação adequada | Reparo da parede inguinal (cirurgia da chamada hérnia do esporte) | Indicada após falha do tratamento conservador bem conduzido; retorno ao esporte ao longo de semanas a meses; resultados variáveis |
| Dor crônica de inserção do adutor, refratária a todo o tratamento conservador | Tenotomia dos adutores (liberação tendínea) | Procedimento de exceção; alívio possível com perda parcial de força de adução; decisão criteriosa |
| Hérnia inguinal verdadeira (abaulamento que piora com esforço e tosse) | Herniorrafia / hernioplastia | Tratamento cirúrgico próprio da hérnia, não da distensão; avaliação com cirurgião geral |
| Fratura por estresse do colo do fêmur ou do ramo púbico | Manejo ortopédico dedicado, eventual fixação | Conduta urgente e específica; não é lesão muscular e muda completamente o tratamento |
Para a distensão muscular comum, portanto, não há papel para a cirurgia. Nosso papel, quando uma dessas situações é identificada, é reconhecê-la, orientar e encaminhar ao especialista adequado, mantendo a reabilitação no pré e no pós quando indicada.
Tratamento medicamentoso
O medicamento tem, na distensão dos adutores, um papel adjuvante e por tempo curto: serve para controlar a dor o suficiente para permitir o movimento e a progressão da reabilitação, não para tratar a lesão em si. Quem cicatriza o músculo é a carga controlada, não o comprimido. A prescrição, a dose e a duração são sempre definidas pelo médico, considerando comorbidades, outros medicamentos em uso e contraindicações.
| Classe | Para quê | Evidência | O que esperar e ressalvas |
|---|---|---|---|
| Analgésicos simples (paracetamol, dipirona) | Primeira escolha para a dor aguda; mantêm o movimento e o apoio dentro do conforto | Moderada | Bom perfil de segurança e não interferem na fase inflamatória inicial do reparo. Usados por poucos dias, conforme a dor, costumam bastar. |
| Anti-inflamatórios (ibuprofeno, naproxeno) | Dor mais intensa, em curso curto | Limitada | A inflamação inicial faz parte do reparo muscular, e a literatura desencoraja uso rotineiro e prolongado na lesão aguda. Quando indicados, são pontuais, na menor dose eficaz e pelo menor tempo, com atenção a efeitos gástricos, renais e cardiovasculares. |
| Relaxantes musculares | Papel limitado e secundário, por período curto | Limitada | Não tratam a lesão e não substituem a reabilitação. Atenção à sonolência. |
| Aplicações locais (bloqueio anestésico / infiltração guiada por ultrassom) | Dor de inserção localizada e refratária, para abrir janela à reabilitação | Moderada | Interrompe temporariamente a aferência nociceptiva. Medida de suporte dentro de um plano ativo, não tratamento isolado. |
| O que evitar | Corticoide no tendão adutor; opioides; automedicação prolongada | Evitar | Corticoide no tendão é evitado pelo risco de enfraquecimento e ruptura. Opioides não têm papel na distensão muscular comum. A automedicação prolongada mascara a dor e favorece o retorno precoce, principal causa de recidiva. |
Nenhum desses medicamentos acelera por si só a cicatrização ou substitui o trabalho de carga. A regra prática é simples: usar o mínimo necessário para se mover com conforto, pelo menor tempo, e concentrar o esforço na reabilitação ativa.
Centro de Dor
Listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED)
Centro de Tratamento por Ondas de Choque
Listado pela Sociedade Médica Brasileira de Tratamento por Ondas de Choque (SMBTOC)
Clínica listada
Listada pelo Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura (CMBA)
Perguntas frequentes
Quanto tempo demora para curar uma distensão na virilha?
Depende do grau. Lesões de grau I costumam melhorar em dias a poucas semanas; as de grau II levam algumas semanas; as de grau III, com ruptura extensa, são mais demoradas e pedem avaliação dirigida. O tempo varia muito entre pessoas, e o melhor guia não é o calendário, mas a recuperação da força e o cumprimento dos critérios de retorno.
Posso continuar treinando ou jogando com a virilha estirada?
Não enquanto há dor ao chutar, acelerar ou mudar de direção. Forçar uma virilha lesada tende a aumentar a lesão e a atrasar o retorno. O caminho é controlar a carga, reabilitar de forma progressiva e voltar quando a força e o gesto estiverem recuperados e indolores. Atividades que não doem podem ser mantidas para preservar o condicionamento.
Devo ficar de repouso absoluto?
Não. Uma fase breve de proteção é útil, mas o repouso total prolongado enfraquece o músculo e atrasa a recuperação. O manejo atual é controle de carga com movimento e apoio dentro do conforto, e a introdução precoce de isometria suave e, depois, de fortalecimento progressivo.
Distensão na virilha ou pubalgia, como saber a diferença?
A distensão é um evento agudo, com dor que começa num gesto identificável e tende a cicatrizar com a reabilitação. A pubalgia é uma dor mais arrastada e recorrente, ligada à sobrecarga repetida da virilha e da parede abdominal sobre a sínfise púbica. Quando a dor não passa ou volta sempre, vale investigar a pubalgia e outras causas.
Quando a distensão pode ser uma avulsão?
Suspeita-se de avulsão quando há estalo seguido de perda súbita e acentuada de força, dor muito intensa na inserção óssea do adutor no púbis, defeito palpável, ou dor após esforço explosivo em adolescente em fase de crescimento. Nesses casos, a imagem é indicada e a conduta pode mudar, incluindo, em rupturas e avulsões selecionadas, a avaliação de reparo.
O que ajuda a evitar que a distensão volte?
A medida com melhor evidência é manter um programa de força dos adutores, com ênfase no trabalho excêntrico, como o exercício de Copenhagen, somado ao fortalecimento de quadril e core. Completar a reabilitação até os critérios de retorno, em vez de parar quando a dor some, e progredir a carga de treino de forma gradual também reduzem a recidiva.
Preciso de ressonância para uma distensão na virilha?
Na maioria dos casos leves e típicos, não. A história e o exame bastam. A ultrassonografia e a ressonância ficam reservadas a lesões mais graves, suspeita de ruptura ou avulsão, dúvida diagnóstica com outras causas de dor na virilha ou quando a evolução não acompanha o esperado.
Referências9 fontes citadas neste artigoVerOcultar
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- Serner A, et al. Return to sport after criteria-based rehabilitation of acute adductor injuries in male athletes: a prospective cohort study. Orthop J Sports Med. 2020;8(1):2325967119897247. doi:10.1177/2325967119897247 acessar
- Harøy J, et al. The adductor strengthening programme prevents groin problems among male football players: a cluster-randomised controlled trial. Br J Sports Med. 2019;53(3):150 a 157. doi:10.1136/bjsports-2017-098937 acessar
- Bisciotti GN, et al. The conservative treatment of longstanding adductor-related groin pain syndrome: a critical and systematic review. Biol Sport. 2021;38(1):45 a 63. doi:10.5114/biolsport.2020.97669 acessar
- Pollock N, et al. British athletics muscle injury classification: a new grading system. Br J Sports Med. 2014;48(18):1347 a 1351. doi:10.1136/bjsports-2013-093302 acessar
- Morihisa et al. Agulhamento Seco para Pontos-Gatilho Musculares dos Membros Inferiores: Revisão Sistemática. The International Journal of Sports Physical Therapy. 2016. ver resumo
- Romero-Morales et al. Prevalência, diagnóstico e tratamento de lesões musculoesqueléticas em atletas de elite. Disease-a-Month. 2024. ver resumo
- Korakakis et al. Efetividade da terapia por ondas de choque extracorpóreas em condições comuns dos membros inferiores. British Journal of Sports Medicine. 2018. ver resumo
Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação médica individual. O grau da distensão, a estrutura realmente dolorida na virilha e o ritmo seguro de retorno só se definem no exame, e a conduta é sempre individualizada para cada caso.

Sem comentários
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Muito bom o texto! Principalmente para mim que tive uma queda de costas.
Gostei muito do texto! Esclarecedor e sugestivo para quem sofre do mal.
Flanax…Flancox…
Bem esclarecedor. Boa linguagem para leigos. Muito obrigada.
Qual remédio é indicado pra distensão na virilha.
Texto muito bem escrito, detalhado e profissional!
Parabéns pelo conteúdo, foi de muita ajuda.