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Saúde mental · Sinais de alerta

7 sinais de depressão que você não deve ignorar

Os sintomas de depressão nem sempre são tristeza: aqui estão os 7 sinais de alerta, como perda de prazer, cansaço persistente, irritabilidade e dores sem causa clara. Se você pensa em se machucar, ligue para o CVV no 188.

Resposta direta
  • A depressão vai muito além da tristeza: os sintomas mais ignorados são perda de prazer, fadiga, alterações de sono e apetite, dificuldade de concentração, irritabilidade, dores físicas inexplicadas e a sensação de que algo está prestes a desmoronar.
  • Dois sinais são considerados centrais: humor deprimido na maior parte do dia e perda de interesse ou prazer. Quando persistem por duas semanas ou mais e atrapalham a vida, é hora de procurar avaliação.
  • O tratamento principal é psicológico e psiquiátrico. Nosso papel, como médicos da dor, é cuidar do eixo dor-depressão: a dor crônica que alimenta o humor deprimido e o humor que amplifica a dor. Em emergência ou risco de suicídio, ligue para o CVV no 188.
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Depressão não é só tristeza

Ilustração plana com a silhueta preta de uma pessoa sentada e curvada para a frente, com motivos em espiral dourados dentro da cabeça, sobre fundo laranja
A depressão afeta o pensamento e o humor ao mesmo tempo, por isso seus sinais nem sempre aparecem como tristeza evidente

A imagem popular da depressão é a de alguém chorando, parado na cama. Existe, mas é só uma das faces. Na prática clínica, a depressão muitas vezes se esconde por trás de cansaço crônico, dores no corpo, queda de rendimento no trabalho e uma irritabilidade que a própria pessoa não entende. É a chamada depressão silenciosa, e ela é fácil de ignorar justamente porque não se parece com o estereótipo.

Do ponto de vista médico, a depressão (transtorno depressivo maior) é uma condição de saúde, não falta de força de vontade nem frescura. Envolve alterações em circuitos cerebrais que regulam humor, recompensa, sono, apetite e percepção de dor, com participação de neurotransmissores como serotonina, noradrenalina e dopamina. Por isso ela afeta o corpo inteiro, do sono ao apetite e à dor, e não fica restrita ao estado de ânimo. Entender as causas e o quadro completo é assunto da nossa página-pilar sobre depressão: causas, sintomas e tratamentos; aqui o foco é outro e complementar: reconhecer os sinais de alerta e saber a hora de pedir ajuda.

Essa distinção importa porque a demora em reconhecer a depressão tem custo. Quanto mais tempo o quadro evolui sem cuidado, mais ele tende a se aprofundar, a comprometer o trabalho, os vínculos e o sono, e a se entrelaçar com dores físicas. Em alguns casos, a pessoa só procura um médico por causa de uma dor que não passa, sem perceber que o humor está no centro do problema.

Mito

“Se eu não estou chorando o tempo todo nem deitado o dia inteiro, então não é depressão, é só uma fase.”

Fato

Boa parte das depressões se apresenta de forma sutil: cansaço, perda de prazer, irritabilidade e dores no corpo. A ausência de choro evidente não descarta o diagnóstico, e muita gente continua “funcionando” por fora enquanto sofre por dentro.

Fachada da clinica com porta de vidro, tapete vermelho de boas-vindas e jardim lateral
Nossa estrutura Entrada principal da clinica com fachada de vidro e concreto.

Sinais e sintomas de depressão além do choro

Quando se fala em depressão, os sintomas costumam ser reduzidos ao choro e à tristeza, mas a lista médica é bem mais ampla. Os critérios de depressão giram em torno de um conjunto de sintomas que duram a maior parte do dia, quase todos os dias, por pelo menos duas semanas, e que representam uma mudança em relação a como a pessoa era antes. Dois deles são considerados centrais: humor deprimido e perda de interesse ou prazer (anedonia).

Para o diagnóstico, é preciso que ao menos um dos dois esteja presente, somado a outros sintomas. A seguir, sete sinais que mais costumam ser minimizados, por quem sente e por quem está em volta.

Sinal 1 · central

Perda de prazer (anedonia)

Coisas que davam prazer (hobbies, comida, sexo, encontrar pessoas) deixam de ter graça. É um dos sinais mais específicos e mais ignorados, porque não dói nem chama atenção.

Sinal 2 · central

Humor deprimido ou vazio

Tristeza, sensação de vazio ou desânimo na maior parte do dia. Em alguns casos, em vez de tristeza aparece irritabilidade ou uma indiferença apática.

Sinal 3

Fadiga e falta de energia

Cansaço persistente, mesmo após dormir; tarefas simples passam a exigir um esforço desproporcional. É uma das queixas mais comuns e mais confundidas com problema clínico isolado.

Sinal 4

Sono e apetite alterados

Insônia (sobretudo despertar precoce) ou sono em excesso; perda de apetite com emagrecimento ou, ao contrário, comer mais. A mudança em relação ao padrão habitual é o que importa.

Sinal 5

Dificuldade de concentração

Memória que falha, raciocínio mais lento, indecisão para escolhas banais. Costuma ser lido como “estou desligado” ou “estou ficando esquecido”, sem se ligar ao humor.

Sinal 6

Culpa e desvalor

Sensação persistente de inutilidade, autocrítica excessiva, culpa desproporcional. A pessoa passa a se enxergar como peso para os outros.

Sinal 7

Dores físicas sem causa clara

Dor de cabeça, dores musculares difusas, dor nas costas, queixas digestivas. O corpo expressa o sofrimento, e muitos só procuram ajuda por essa via.

Há ainda um oitavo elemento que não é “mais um sintoma”, e sim uma emergência: pensamentos de morte, de não valer a pena viver, ou ideias de se machucar. Esse sinal nunca deve ser minimizado nem por quem sente, nem por quem ouve. Se estiver presente, a conduta é buscar ajuda imediatamente, e existe linha gratuita e sigilosa para isso, o CVV, no 188, 24 horas por dia. Falar sobre isso não “planta a ideia”; ao contrário, abre a porta para o cuidado.

Como olhar para a lista

Não é a presença de um único item que define depressão, e sim a soma de vários, mantidos por duas semanas ou mais, com prejuízo na vida. Use estes sinais como um convite para procurar avaliação, e não como autodiagnóstico ou rótulo. Quem fecha o diagnóstico é o profissional de saúde.

Depressão silenciosa, ansiedade silenciosa e “colapso mental”

Desenho a lapis de uma criança pequena diante de uma grande criatura sombria em forma de sombra, que se projeta a partir dos pés dela
Muitas vezes a depressão age de forma silenciosa, crescendo como uma sombra que a pessoa nem sempre reconhece de imediato

Muita gente busca na internet termos como “ansiedade silenciosa” ou “colapso mental” tentando dar nome ao que sente. Vale esclarecê-los, porque descrevem experiências reais ainda que não sejam diagnósticos formais. A depressão silenciosa é aquela em que a pessoa segue cumprindo obrigações, trabalhando e sorrindo em público, enquanto por dentro há vazio, exaustão e perda de sentido. Por fora “está tudo bem”; por isso demora a ser percebida e tratada.

A ansiedade silenciosa costuma andar de mãos dadas com a depressão. É uma tensão interna constante, uma mente que não desliga, ruminação e antecipação de catástrofes, muitas vezes sem as crises visíveis de pânico. Depressão e ansiedade coexistem com enorme frequência, e o tratamento de uma costuma beneficiar a outra. Se a ansiedade é a sua queixa principal, vale também a leitura da nossa página sobre ansiedade e dor no corpo e sobre o tratamento de ansiedade e estresse.

“colapso mental” (ou “esgotamento”, “burnout”, “breakdown”) é uma expressão popular para o momento em que a pessoa atinge o limite e sente que não consegue mais funcionar, com exaustão profunda, choro, paralisia diante de tarefas e, às vezes, sintomas físicos. Não é um diagnóstico em si, mas costuma sinalizar um transtorno por trás, como depressão, transtorno de ansiedade ou burnout, que merece avaliação. Tratar o “colapso” como “fraqueza” só adia o cuidado de algo que tem tratamento.

CID de depressão grave e os graus de gravidade

Quem recebe um atestado ou laudo costuma se deparar com um código CID e fica em dúvida sobre o que ele significa. O CID é a Classificação Internacional de Doenças, usada para registrar diagnósticos. No CID-10, ainda muito usado no Brasil, o episódio depressivo é codificado conforme a intensidade: F32 para o episódio depressivo (com F32.0 leve, F32.1 moderado e F32.2 grave sem sintomas psicóticos, e F32.3 grave com sintomas psicóticos), e F33 para o transtorno depressivo recorrente, em que há mais de um episódio ao longo da vida.

Vale um cuidado para não confundir códigos parecidos. O “cid depressão grave” que muita gente procura corresponde, no CID-10, ao F32.2 (episódio grave) ou ao F33.2/F33.3 (depressão recorrente grave). Já o código F33.3 às vezes aparece em buscas de forma isolada e se refere ao transtorno depressivo recorrente, episódio atual grave com sintomas psicóticos. O número, sozinho, é apenas um rótulo administrativo do quadro que o profissional identificou.

A classificação de gravidade não é burocracia. Ela orienta a conduta: quadros leves podem responder bem à psicoterapia isolada e a mudanças de rotina; quadros moderados a graves geralmente se beneficiam da combinação de psicoterapia com medicação; e quadros graves, especialmente com risco de suicídio, sintomas psicóticos ou incapacidade de se cuidar, podem exigir atenção urgente e, por vezes, suporte hospitalar. Definir isso é tarefa do médico psiquiatra, em conjunto com o paciente.

Episódio depressivo no CID-10 e o que cada grau costuma sugerir
Código (CID-10)O que descreveConduta que costuma orientar
F32.0Episódio depressivo levePsicoterapia, ajuste de rotina, sono e atividade física; reavaliação
F32.1Episódio depressivo moderadoPsicoterapia, frequentemente combinada com medicação antidepressiva
F32.2Episódio depressivo grave, sem sintomas psicóticosTratamento combinado e acompanhamento de perto; avaliar risco
F32.3Episódio depressivo grave, com sintomas psicóticosAtenção especializada urgente; pode requerer suporte intensivo
F33Transtorno depressivo recorrente (mais de um episódio)Tratamento do episódio atual e estratégia de prevenção de recaídas
Assista: Sertralina engorda? A verdade sobre peso e antidepressivos (mito derrubado)

Quando procurar ajuda, e a quem recorrer agora

A regra prática é simples: se os sinais acima persistem por duas semanas ou mais e estão atrapalhando o trabalho, os estudos, os relacionamentos ou o autocuidado, é hora de buscar avaliação profissional. Não é preciso “esperar piorar” nem chegar ao fundo. Quanto mais cedo o cuidado começa, mais simples costuma ser o caminho. E há sinais que pedem ajuda imediata, sem esperar dias.

Sinais de alerta · procure ajuda imediatamente

Busque atendimento de urgência ou ligue 188 (CVV) se houver

  • Pensamentos de morte, de não querer mais viver, ou ideias de se machucar ou tirar a própria vida.
  • Plano ou preparativos para se ferir, ou sensação de que “não há saída”.
  • Incapacidade de cuidar de si (parar de comer, beber ou se levantar) por dias.
  • Sintomas psicóticos: ouvir ou ver coisas que outros não percebem, ideias de culpa ou ruína fora da realidade.
  • Piora abrupta após início de medicação, sobretudo em jovens, com agitação intensa.
Você não está sozinho

O CVV (Centro de Valorização da Vida) oferece apoio emocional e prevenção do suicídio de forma gratuita, sigilosa e 24 horas, pelo telefone 188, por chat e por e-mail. Em emergência com risco imediato, procure também o pronto-socorro mais próximo ou ligue para o SAMU (192). Pedir ajuda é um ato de cuidado, não de fraqueza.

Para o tratamento contínuo, os profissionais de referência são o psiquiatra (médico que avalia o diagnóstico e, quando indicado, prescreve medicação) e o psicólogo (psicoterapia, com destaque para a terapia cognitivo-comportamental). Médicos de família e clínicos gerais também identificam e iniciam o cuidado, encaminhando quando necessário. A depressão é, antes de tudo, um quadro de saúde mental, e é a essa equipe que ela pertence. O nosso lugar nessa história é específico e complementar, como explicamos a seguir.

O eixo dor-depressão: onde a clínica da dor entra

Dor crônica e depressão caminham juntas com muito mais frequência do que se imagina. Quem convive com dor persistente tem risco bem maior de desenvolver depressão, e quem tem depressão sente a dor de forma mais intensa e mais difícil de controlar. As duas compartilham circuitos e neurotransmissores no sistema nervoso, sobretudo serotonina e noradrenalina, o que explica por que se alimentam mutuamente.

É um círculo: a dor rouba o sono e o ânimo, o humor deprimido amplifica a percepção dolorosa, e o conjunto piora a função e o isolamento. Esse vínculo de mão dupla é o tema da nossa página sobre como a depressão está ligada a dores nas costas.

É exatamente nesse ponto que entramos como médicos da dor. Não tratamos a depressão como condição psiquiátrica primária, isso é trabalho da saúde mental e fazemos o encaminhamento. O que cuidamos é da dor crônica que sustenta ou agrava o humor, e do componente de sofrimento físico que acompanha quadros como fibromialgia, dor lombar crônica, cefaleias e dor miofascial. Quando a dor cede e o sono melhora, o terreno fica mais favorável para o tratamento do humor avançar, e vice-versa.

Por isso o ideal, em muitos casos, é o cuidado em paralelo: a equipe de saúde mental conduzindo a depressão e a clínica da dor cuidando da dor, em comunicação. A própria fibromialgia é o exemplo mais claro dessa sobreposição entre dor crônica, sono ruim e humor.

O que o nosso arsenal não-cirúrgico e multimodal oferece nesse recorte é cuidado adjuvante da dor associada ao quadro de humor, não tratamento da depressão em si. Cada recurso vem com seu mecanismo, o nível de evidência e o que esperar.

Da prática clínica · eixo dor-depressão

Observações de consultório. O paciente que mais nos chega por essa porta não diz que está deprimido: chega por uma dor que não passa, em geral cervical, lombar ou difusa como na fibromialgia, e o humor aparece quando se pergunta pelo sono, pelo prazer e pela energia. O erro mais comum que vemos é caçar uma lesão estrutural que explique a dor toda, repetindo exames de imagem, quando o que sustenta o quadro é o nó dor-sono-humor. O limiar que usamos para insistir no encaminhamento à saúde mental, em vez de seguir tratando só a dor, é prático: dor que recidiva a cada ciclo de estresse, sono que não regula com a melhora da dor, ou perda de prazer e desânimo que persistem mesmo quando a dor cede. O que costuma surpreender quem chega é descobrir que tratar bem a dor e devolver o sono melhora o ânimo, e que o caminho inverso também vale, sem que isso torne a dor menos real.

Cuidado de saúde mental (base)

Psicoterapia e, quando indicado, medicação, conduzidas por psicólogo e psiquiatra. É a base do tratamento da depressão; tudo o que fazemos se soma a isso.

Estilo de vida e exercício

Atividade física regular, sono e exposição à luz têm efeito antidepressivo real e ajudam a dor. É recomendação de primeira linha, com boa evidência.

Tratamento da dor associada

Acupuntura, eletroacupuntura, agulhamento seco e procedimentos para a dor crônica que perpetua o humor deprimido, como adjuvantes.

Medicação de dupla ação

Alguns antidepressivos tratam, ao mesmo tempo, dor neuropática e humor; a indicação é compartilhada com a saúde mental.

Exercício físico e regularização do sono

É a intervenção com melhor relação entre evidência e segurança, e atua nas duas pontas do eixo. O exercício aeróbico regular tem efeito antidepressivo demonstrado, melhora o sono, reduz a fadiga e diminui a sensibilização dolorosa; a higiene do sono ataca a insônia que costuma acompanhar tanto a dor quanto a depressão. O que esperar: benefício gradual ao longo de semanas, melhor quando a atividade é prazerosa e sustentável. É recomendação de primeira linha em diretrizes, e a base sobre a qual as demais medidas se apoiam.

Acupuntura médica e eletroacupuntura

Modulam a dor por mecanismos segmentares na medula, pela ativação de vias inibitórias descendentes (substância cinzenta periaquedutal e bulbo rostral ventromedial) e pela liberação de opioides endógenos e serotonina; na eletroacupuntura, a corrente de baixa frequência tende a recrutar mais esses sistemas. No nosso uso, a acupuntura é um adjuvante para a dor crônica associada ao quadro de humor (cefaleia, dor miofascial, fibromialgia), e há ainda algum sinal de efeito sobre ansiedade e qualidade do sono, embora a evidência da acupuntura para a depressão em si seja limitada e mista; ela não substitui o tratamento psiquiátrico. O ponto importante neste contexto é o enquadramento: a indicação aqui não é o humor, e sim a dor que o acompanha; por isso o objetivo, o ritmo das sessões e o critério de resposta são definidos pela dor física, em paralelo ao tratamento da depressão conduzido pela saúde mental.

Quando a queixa de dor é difusa, como na fibromialgia, costuma fazer mais sentido como parte de um plano de regulação do sono e da sensibilização do que como sessão isolada. O recurso é detalhado em acupuntura para depressão, sempre nesse enquadramento adjuvante.

Quando há dor crônica associada

Depressão e dor crônica caminham juntas com frequência, porque compartilham os mesmos circuitos de serotonina e noradrenalina, e a tensão muscular sustentada de quem está deprimido pode organizar pontos-gatilho que somam dor ao quadro. Nenhum desses recursos trata a depressão em si, mas, havendo dor miofascial concomitante, o cuidado dela pode ser feito com agulhamento seco ou infiltração de pontos-gatilho, sempre em paralelo com o tratamento de saúde mental.

Medicação de dupla ação, papel compartilhado

Aqui o eixo dor-depressão fica mais evidente. Alguns medicamentos tratam, ao mesmo tempo, a dor crônica e o humor. Os antidepressivos da classe dos inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina (como a duloxetina) e os tricíclicos em dose baixa (como amitriptilina e nortriptilina) são usados tanto na dor neuropática e na fibromialgia quanto no tratamento da depressão. Os gabapentinoides (gabapentina, pregabalina) atuam na dor neuropática.

A indicação, a escolha, a dose e a duração são definidas pelo médico assistente. Antidepressivos têm tempo de início, efeitos adversos e necessidade de acompanhamento, e a retirada abrupta pode causar sintomas de descontinuação. Quando há depressão a tratar, essa decisão é compartilhada com a equipe de saúde mental. Para entender melhor essa classe, veja antidepressivos: o que são.

Agora

Segurança primeiro

Havendo risco de suicídio ou sinais de alerta, buscar ajuda imediata e ligar 188 (CVV). Isso vem antes de qualquer outra etapa.

Semana 1 a 2

Avaliação dupla

Encaminhamento à saúde mental para o diagnóstico e o plano; em paralelo, mapeamos a dor crônica que pode estar alimentando o humor.

Semanas seguintes

Cuidado em paralelo

Tratamento do humor pela saúde mental e da dor pela clínica, em comunicação, reavaliando resposta e ajustando o plano por metas.

O eixo dor-depressão é de mão dupla

A ligação entre dor e depressão é de mão dupla e mediada por circuitos compartilhados (serotonina e noradrenalina), o que tem uma consequência prática: não importa muito por qual ponta se começa, porque mexer numa alivia a outra; o que não funciona é tratar só uma e esperar que a segunda se resolva sozinha. Controlar bem a dor física melhora o terreno, mas não substitui o tratamento da depressão, assim como tratar a depressão não dispensa cuidar de uma dor crônica que já se tornou um gerador próprio. Por isso o cuidado é em paralelo, e não em fila.

O objetivo, no nosso recorte, é reduzir a dor e melhorar o sono e a função, criando condições mais favoráveis para que o tratamento do humor avance. A recuperação da depressão é conduzida pela saúde mental, é possível e frequente, e depende do acompanhamento adequado.

Referência reconhecida em dor

A clínica é um Centro de Dor listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED) e um Centro de Tratamento por Ondas de Choque listado pela SMBTOC, e é listada pelo CMBA (Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura).

SBED, Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor SMBTOC, Sociedade Médica Brasileira de Tratamento por Ondas de Choque CMBA, Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura

Perguntas frequentes

Depressão: sintomas, quais são os principais?

Entre os principais sintomas de depressão, os dois centrais são humor deprimido e perda de prazer. A eles somam-se fadiga, alterações de sono e apetite, dificuldade de concentração, sentimento de culpa ou inutilidade, lentidão ou agitação, e dores físicas sem causa clara. Em casos graves, podem surgir pensamentos de morte. Para o diagnóstico, vários sintomas precisam durar duas semanas ou mais e atrapalhar a vida. Quem fecha o diagnóstico é o profissional de saúde mental.

O que é ansiedade silenciosa e como ela se liga à depressão?

Ansiedade silenciosa é uma tensão interna constante, com mente que não desliga, ruminação e preocupação excessiva, sem as crises visíveis de pânico. Ela coexiste com muita frequência com a depressão, e tratar uma costuma beneficiar a outra. Não é um diagnóstico formal isolado, mas é um sinal de que vale procurar avaliação de saúde mental.

Qual é o CID da depressão grave?

No CID-10, o episódio depressivo grave sem sintomas psicóticos é o F32.2, e com sintomas psicóticos é o F32.3. Na depressão recorrente (mais de um episódio), o episódio atual grave corresponde a F33.2 (sem psicose) ou F33.3 (com psicose). O código é um rótulo do quadro identificado pelo profissional e não substitui a avaliação clínica.

O que fazer diante de pensamentos de morte ou de se machucar?

Procure ajuda imediatamente. Ligue para o CVV no 188 (gratuito, sigiloso, 24 horas), procure o pronto-socorro mais próximo ou ligue para o SAMU (192). Fale com alguém de confiança e não fique sozinho. Esses pensamentos são um sintoma que tem tratamento, e pedir ajuda é o passo certo.

Antidepressivos servem para dor também?

Sim, alguns. Antidepressivos como a duloxetina (inibidor de recaptação de serotonina e noradrenalina) e os tricíclicos em dose baixa, como amitriptilina e nortriptilina, são usados tanto na dor neuropática e na fibromialgia quanto na depressão, pois atuam em circuitos compartilhados. A indicação, a dose e a duração são definidas pelo médico assistente, que conduz o acompanhamento e a retirada, pois essa classe exige ajuste cuidadoso.

A clínica da dor trata depressão?

O tratamento da depressão é da saúde mental (psiquiatra e psicólogo), e é para lá que encaminhamos. O nosso papel, como médicos da dor, é cuidar da dor crônica associada ao quadro de humor, o chamado eixo dor-depressão, em paralelo e em comunicação com a equipe de saúde mental. Cuidar bem da dor e do sono ajuda o tratamento do humor a avançar.

Evidência científica · resumos da nossa biblioteca

Resumos em linguagem clara de estudos revisados pelo Dr. Marcus Yu Bin Pai.

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Dr. Marcus Yu Bin Pai
Sobre o autor
Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP 158.074RQE 65.523 / 65.524 / 655.241

Médico especialista em Fisiatria e Acupuntura pela Associação Médica Brasileira, com área de atuação em Dor. Doutor em Ciências pela USP e médico colaborador do Grupo de Dor do HC-FMUSP.

Revisão médica e editorial

Conteúdo revisado clinicamente por Prof. Dr. Hong Jin Pai. Tem finalidade educativa e cita fontes.

Referências2 fontes citadas neste artigoVerOcultar
  1. Conselho Federal de Medicina (CFM). Diretrizes de conduta e publicidade médica; vedação ao sensacionalismo e à promessa de desfechos terapêuticos.
  2. Serretti A. Anhedonia and Depressive Disorders. Clinical psychopharmacology and neuroscience: the official scientific journal of the Korean College of Neuropsychopharmacology. 2023. doi:10.9758/cpn.23.1086. PMID:37424409.
Atualizado em 2 jun 2026 Leitura 9 min

Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação médica individual nem o acompanhamento de saúde mental. A depressão é uma condição de saúde com tratamento; o diagnóstico, a gravidade e o plano são definidos pelo psiquiatra e pelo psicólogo, em conjunto com o paciente, e o que esta clínica oferece é o cuidado complementar da dor associada ao quadro de humor. Em caso de pensamentos de morte ou risco imediato, ligue para o CVV no 188 ou procure um pronto-socorro.

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