Dor nas pernas ao deitar? Saiba os principais motivos
A dor nas pernas ao deitar tem causas distintas, como pernas inquietas, cãibras noturnas, neuropatia e dor lombar que irradia. Dor que alivia ao pendurar a perna aponta origem arterial e exige avaliação sem demora.
- Dor nas pernas ao deitar não é uma doença única: é um sintoma com mais de dez causas possíveis, que vão da síndrome das pernas inquietas e das cãibras noturnas à neuropatia, à dor lombar irradiada, à insuficiência venosa e à isquemia arterial.
- O fato de a dor piorar deitado ou em repouso é a melhor pista diagnóstica, não um detalhe acessório. Inquietação que melhora ao mover sugere pernas inquietas; queimação que piora à noite sugere neuropatia; e dor no pé que alivia ao pendurar a perna para fora da cama é dor isquêmica de repouso, uma emergência vascular.
- O diagnóstico se faz pelo padrão: o que a dor é, o que a alivia e o que a piora. O tratamento depende da causa; nos quadros musculoesqueléticos e neuropáticos a abordagem é conservadora e multimodal, e a suspeita vascular é encaminhada sem demora.
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Dor tem Tratamento. Foco em tratamentos não cirúrgicos para dor, reabilitação.
Por que a dor piora deitado: o valor diagnóstico do repouso
A pergunta que mais escuto no consultório raramente é “o que pode ser dor nas pernas ao deitar”. É outra, mais precisa: “por que ela só aparece quando deito”. E a resposta a essa pergunta já é metade do diagnóstico, porque o fato de a dor piorar deitada ou em repouso não é um detalhe: é a pista mais discriminante que existe nessa queixa. Deitar não causa a dor; ele remove as distrações e altera a fisiologia que durante o dia mascarava o sintoma, e o modo como cada causa reage a essa mudança é o que as separa.
Durante o dia, o movimento, a carga de tarefas e a posição em pé competem pela sua atenção e modulam a percepção de dor. Ao deitar, três coisas mudam ao mesmo tempo. Primeiro, cai o estímulo sensorial concorrente, e o cérebro passa a “ouvir” sinais de baixa intensidade que antes ficavam em segundo plano, fenômeno especialmente forte na síndrome das pernas inquietas e nas dores neuropáticas.
Segundo, muda a posição das estruturas: ao deitar de costas ou de lado, raízes nervosas da coluna lombar e nervos periféricos podem ser tracionados ou comprimidos de outra forma. Terceiro, a circulação se reorganiza, e a posição horizontal redistribui o fluxo de sangue nas pernas, o que importa muito quando a causa é vascular.
Há ainda um ritmo biológico. Vários quadros têm piora vespertina e noturna por variação circadiana: na síndrome das pernas inquietas, por exemplo, a sinalização dopaminérgica e o metabolismo do ferro no cérebro oscilam ao longo do dia e pioram à noite. Por isso, “dor nas pernas à noite” e “dor nas pernas ao deitar” não são exatamente sinônimos: a primeira segue o relógio, a segunda segue a postura. Saber se o gatilho é o horário ou a posição já estreita bastante o diagnóstico.
O comportamento da dor no repouso resolve boa parte do diagnóstico. Desconforto que melhora ao se mexer aponta para síndrome das pernas inquietas, um quadro benigno. Dor no pé que melhora ao pendurar a perna para fora da cama aponta para isquemia arterial de repouso, uma emergência. São extremos opostos do mesmo “piorou deitado”, e confundi-los é o erro que mais custa caro.
As causas, agrupadas por mecanismo
A mesma frase, “dói quando deito”, reúne mais de dez quadros distintos, que se organizam em quatro grandes mecanismos: o nervo (sensitivomotor), o músculo, a circulação e a coluna que refere dor para a perna. Eles não são mutuamente exclusivos, uma pessoa pode ter cãibra e dor lombar ao mesmo tempo, mas cada um tem um padrão reconhecível. O que separa um do outro é sempre a tríade: o que a dor é (queimação, aperto, inquietação, choque), o que a alivia e o que a piora.
Quando a dor não se restringe à hora de deitar, a visão geral das causas está no guia de dor nas pernas. Os cartões abaixo trazem a pista que identifica cada causa.
Origem neurológica e sensitivomotora
Síndrome das pernas inquietas
Não é dor, e sim uma urgência quase irresistível de mexer as pernas, descrita como “formigas por dentro” ou “agonia”, que surge no repouso, piora à noite e alivia imediatamente ao se movimentar. A marca é o alívio com o movimento e o retorno ao deitar de novo. Liga-se à sinalização dopaminérgica e à deficiência de ferro, que deve ser dosada. Detalhada na página sobre a síndrome das pernas inquietas.
Neuropatia periférica e diabética
Dor neuropática: queimação, ardência, choques, agulhadas ou dormência, começando pelos pés e subindo, dos dois lados. A piora noturna é clássica e muitos não toleram o peso do lençol sobre os pés. A causa mais comum é o diabetes; há ainda deficiência de vitaminas do complexo B, álcool, fármacos e tireoide. Mexer não ajuda. Ver neuropatia diabética.
Síndrome dos pés ardentes
Quando a queimação se concentra nas plantas e no dorso dos pés e arde mais à noite e no calor, o quadro se aproxima da síndrome dos pés ardentes, uma neuropatia de fibras finas. A pessoa busca o frio e descobre o chão para aliviar. Compartilha mecanismo e tratamento com a neuropatia. Detalhada em síndrome dos pés ardentes.
Origem muscular
Cãibra noturna
Contração involuntária, intensa e visível de um músculo, em geral da panturrilha ou do pé, que dura de segundos a minutos e deixa o músculo dolorido por horas. Acorda a pessoa na madrugada. Diferente das pernas inquietas, não há inquietação prévia: há a contração e a dor aguda. Costuma ser benigna, mas associa-se a desidratação, eletrólitos, fármacos e idade. Ver cãibras musculares.
Dor miofascial de ponto-gatilho
Pontos-gatilho no glúteo mínimo, no sóleo e no gastrocnêmio referem dor que desce pela perna e que aparece justamente quando o corpo relaxa na cama. O padrão do glúteo mínimo imita uma ciática; o da panturrilha é confundido com circulação. É uma das causas mais comuns e menos citadas, e o exame reproduz a dor ao comprimir a banda tensa.
Origem vascular
Dor isquêmica de repouso
Na doença arterial periférica avançada, o pé não recebe sangue suficiente. Deitado, sem a gravidade, o fluxo cai ainda mais e surge dor no pé e nos dedos que alivia ao pendurar a perna para fora da cama ou ao levantar, e piora ao elevar a perna. Esse padrão, dor isquêmica de repouso, ameaça o membro e exige avaliação vascular sem demora. É o quadro cujo atraso custa mais caro.
Claudicação intermitente
Estágio mais inicial da doença arterial: dor na panturrilha ou na coxa que surge ao caminhar uma certa distância e cessa ao parar. Em geral não dói deitado, mas sinaliza a mesma doença arterial que, avançando, leva à dor de repouso. Importa reconhecer porque é a porta de entrada da isquemia, e os fatores de risco (tabagismo, diabetes) são os mesmos.
Insuficiência venosa
Peso, desconforto, inchaço e cansaço nas pernas, piores ao fim do dia em pé e que melhoram ao elevar a perna, o oposto exato da dor arterial. Costuma vir com varizes e alterações de pele. Deitar com a perna elevada alivia, e por isso raramente é a queixa de “dor ao deitar”, mas entra no diferencial do desconforto noturno das pernas.
Trombose venosa profunda
Dor em uma única panturrilha, com inchaço, calor e vermelhidão, às vezes após repouso prolongado, imobilização ou viagem longa. Não tem o ritmo nem o alívio das outras causas: é uma dor nova, unilateral e persistente. É uma urgência médica pelo risco de embolia pulmonar e não deve ser confundida com cãibra.
Dor referida da coluna lombar
Radiculopatia posicional, a ciática
Uma raiz nervosa comprimida na coluna lombar, por hérnia de disco, gera dor que desce pela nádega e pela perna no trajeto do nervo (L4 a S1), com formigamento ou fraqueza. Deitar de costas com as pernas esticadas traciona a raiz e dispara o sintoma à noite; flexionar o quadril e os joelhos alivia. A posição na cama é o que delata a origem lombar. Ver o guia de lombalgia.
Estenose do canal lombar
Estreitamento do canal vertebral, comum após os 60 anos, que comprime as raízes e causa dor, peso ou cansaço nas pernas ao ficar em pé e ao caminhar (claudicação neurogênica), com alívio ao sentar ou curvar o tronco para frente. À noite, certas posturas de extensão da coluna pioram. Diferencia-se da claudicação arterial porque a postura, não a parada, é o que alivia.
“Piora deitado” e “piora à noite” não são a mesma coisa, e alongar, hidratar e regular o sono não cobrem o quadro que importa. Dor no pé ou nos dedos que melhora quando a pessoa pendura a perna para fora da cama ou se levanta, e piora ao elevar a perna, não é cãibra nem pernas inquietas: é o sinal mais característico de isquemia crítica de membro, uma emergência vascular em que cada semana de atraso pode custar tecido. É um quadro pouco frequente nesse contexto, mas é o único cujo atraso é grave, e por isso o teste de gravidade (pendurar versus elevar) abre, e não fecha, a avaliação da dor nas pernas à noite. Na direção oposta, a circulação é o primeiro medo de quase todo paciente, quando a causa muito mais comum é o ponto-gatilho do glúteo mínimo ou da panturrilha imitando uma dor de perna; confundir os dois leva a meses de exames vasculares normais e tratamento nenhum para a dor real.
Como diferenciar pelo padrão
Reunidas as causas, o que decide o diagnóstico é cruzar três informações: o que a dor é, o que a alivia e o que a piora. A tabela abaixo coloca cada causa ao lado de sua pista mais discriminante e da conduta inicial que ela aponta. Leia a coluna do meio de cima a baixo: é onde mora o diagnóstico.
| Causa provável | Pista que diferencia | Conduta inicial |
|---|---|---|
| Síndrome das pernas inquietas | Vontade de mexer as pernas no repouso; alivia ao mover, piora à noite | Investigar ferro e ferritina; medidas comportamentais; avaliação médica |
| Neuropatia periférica / diabética | Queimação e dormência nos pés, dos dois lados; não tolera o lençol; mexer não ajuda | Investigar diabetes e causas; fármaco para dor neuropática |
| Cãibra noturna | Contração súbita e visível da panturrilha; dói por horas depois | Hidratação, alongamento; revisar fármacos e eletrólitos |
| Dor miofascial (ponto-gatilho) | Dor reproduzida ao comprimir glúteo mínimo ou panturrilha; imita ciática | Agulhamento seco de ponto-gatilho; reabilitação |
| Radiculopatia / estenose lombar | Dor que desce pela perna no trajeto do nervo; muda com a posição na cama | Avaliação da coluna; reabilitação; ver guia de lombalgia |
| Insuficiência venosa | Peso e inchaço que melhoram ao elevar a perna; varizes | Medidas de elevação e compressão; avaliação com Doppler venoso |
| Isquemia arterial de repouso | Dor no pé em repouso que alivia ao pendurar a perna para fora da cama | Bandeira vermelha: avaliação vascular sem demora |
| Trombose venosa profunda | Dor nova em uma só perna, com inchaço, calor e vermelhidão | Urgência: avaliação imediata pelo risco de embolia |
Duas pistas posicionais resolvem a maioria das dúvidas perigosas, porque opõem o benigno ao grave. Vale isolá-las:
| Pergunta | Alivia ao pendurar a perna | Alivia ao elevar a perna |
|---|---|---|
| Mecanismo provável | Arterial (isquemia de repouso) | Venoso ou musculoesquelético |
| Urgência | Avaliação vascular sem demora | Acompanhamento, sem caráter de emergência |
| Rota | Cirurgião vascular | Fisiatra / médico da dor, conforme a causa |
A mesma queixa, “dói quando deito”, aponta para mecanismos opostos. Por isso a consulta não se resume a aliviar a dor: ela busca o gerador correto, porque o tratamento da síndrome das pernas inquietas nada tem a ver com o da dor radicular ou com o da isquemia arterial.
Sinais de alerta: a dor isquêmica de repouso
A maior parte das causas de dor nas pernas ao deitar é benigna e tem tratamento conservador. Alguns achados, porém, mudam a urgência e a rota: apontam para origem arterial ou para outras condições que precisam de avaliação rápida. Procure atendimento sem demora diante de qualquer um destes:
Procure avaliação sem demora se houver
- Dor no pé ou nos dedos em repouso que melhora ao pendurar a perna para fora da cama ou ao levantar, e piora ao elevar a perna: padrão de isquemia arterial.
- Ferida que não cicatriza, pele fria, pálida ou arroxeada, perda de pelos ou ausência de pulso no pé.
- Dor em uma só perna com inchaço, vermelhidão e calor na panturrilha, que pode indicar trombose venosa profunda.
- Dor de início súbito e intenso, com perna fria e dormente: possível obstrução arterial aguda, uma urgência.
- Febre, perda de peso sem explicação, ou fraqueza progressiva nas pernas.
- Em diabéticos, qualquer lesão, bolha ou alteração de cor no pé, pelo risco de infecção e má cicatrização.
O ponto central é o teste de gravidade. A dor que alivia pendurando a perna tem mecanismo arterial e merece avaliação vascular; a dor que alivia elevando a perna costuma ser venosa ou musculoesquelética. Esse detalhe simples da história separa o que a clínica de dor acompanha do que precisa ser encaminhado ao cirurgião vascular.
Três coisas que a história, mais do que qualquer exame, costuma revelar no consultório. A primeira é a diferença entre o desconforto das pernas inquietas e a dor de fato: quem tem pernas inquietas não descreve dor, descreve uma urgência de mover, levanta para andar pelo corredor de madrugada e relata alívio enquanto se mexe. Quem tem dor neuropática ou cãibra fica imóvel, porque mexer não ajuda. Essa distinção, “preciso mover” contra “não adianta mover”, orienta boa parte do raciocínio antes de qualquer pedido de exame.
A segunda é o gesto que mais me deixa em alerta: o paciente que, ao contar a noite, diz que precisa sentar e pendurar a perna para fora da cama para a dor no pé ceder. Soa banal, mas é a descrição clássica da dor isquêmica de repouso, e merece avaliação vascular sem demora, não mais uma semana de alongamento.
A terceira é a influência da posição na dor radicular: muitos descrevem que deitar de costas com as pernas esticadas piora, e que flexionar o quadril, dobrar os joelhos ou colocar um travesseiro embaixo deles alivia. Quando esse padrão postural aparece, a origem lombar sobe na lista mesmo sem dor nas costas no momento. O que mais surpreende quem chega é descobrir que uma dor sentida inteiramente na perna pode nascer na coluna ou em um músculo da panturrilha, e não em um problema da circulação, que costuma ser o primeiro medo.
Como é avaliada
A avaliação parte da história, que aqui rende mais que qualquer exame, e segue para um exame dirigido a separar nervo, músculo, coluna e circulação. Na história, busco a tríade que define o padrão: o caráter da dor (queimação, aperto, inquietação, choque), o que a alivia (mexer, pendurar a perna, elevar a perna, mudar de posição) e o ritmo (segue o horário ou a postura). Já essas perguntas estreitam o diagnóstico antes de tocar no paciente.
Exames entram para confirmar, não para substituir o raciocínio. Solicito ferritina e saturação de transferrina diante de suspeita de pernas inquietas, glicemia e hemoglobina glicada, função renal e tireoidiana e dosagem de vitamina B12 na suspeita neuropática, e Doppler arterial ou venoso quando o exame aponta para a circulação.
Pergunta-chave
A imagem da coluna (ressonância) vai mudar a conduta?
Há déficit neurológico, dor refratária ou sinal de alerta: a ressonância muda a conduta e está indicada.
Dor radicular típica que responde ao tratamento conservador: a imagem não muda a decisão. A regra é pedir o exame que vai mudar a conduta, e não um pacote genérico.
O tratamento depende da causa
A regra de ouro é direta: trata-se a causa, não o sintoma isolado. A síndrome das pernas inquietas com ferritina baixa melhora ao repor o ferro; a neuropatia diabética exige controle do diabetes; a dor radicular pede reabilitação da coluna; a suspeita arterial é encaminhada sem demora ao cirurgião vascular. Por isso não existe um tratamento único de “dor nas pernas ao deitar”: existe o tratamento da causa que se identificou. O texto abaixo organiza a conduta por origem.
Causa musculoesquelética (dor radicular, ponto-gatilho, cãibra de repetição): é onde a clínica mais atua, com uma base conservadora, não cirúrgica e multimodal. O eixo é a reabilitação e cinesioterapia, com exercício terapêutico graduado, fortalecimento do tronco e alongamento dirigido da cadeia posterior, que estabiliza a coluna, reduz a tração sobre a raiz nervosa que dispara a dor à noite e, na cãibra, diminui a frequência das crises; é a intervenção com a melhor relação entre evidência e segurança para esses quadros. Para o componente miofascial, o agulhamento seco e a infiltração de ponto-gatilho no glúteo mínimo, no sóleo e no gastrocnêmio desativam a banda tensa que refere dor para a perna; a acupuntura e a eletroacupuntura somam analgesia por modulação segmentar e vias descendentes, úteis sobretudo quando se quer reduzir a polifarmácia no idoso.
As ondas de choque têm papel quando há tendinopatia associada. O atendimento é individual, um paciente por sala, e a resposta é gradual ao longo de semanas.
Causa neuropática (neuropatia periférica, diabética, pés ardentes): trata-se a causa de base (controle do diabetes, correção de deficiências de B12 ou função tireoidiana) e a dor com medicação adjuvante, sempre com nome, dose e duração definidos pelo médico. As classes com melhor respaldo são os antidepressivos tricíclicos em dose baixa (amitriptilina, nortriptilina), os inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina (duloxetina) e os gabapentinoides (gabapentina, pregabalina), que modulam as vias de dor e não dependem de efeito anti-inflamatório; por isso analgésicos comuns rendem pouco aqui. Tomados à noite, alguns ainda melhoram o sono.
O benefício surge ao longo de dias a semanas, com ajuste gradual. Visão geral no guia de remédios para dor.
- Síndrome das pernas inquietas
- o primeiro passo não é um analgésico, e sim dosar e corrigir o ferro quando a ferritina está baixa, o que pode reduzir muito os sintomas. O tratamento farmacológico específico é especializado e hoje favorece os gabapentinoides em primeira linha, pelo menor risco de augmentation que os agonistas dopaminérgicos.
- Causa vascular ou sistêmica
- reconhecer e encaminhar. A isquemia arterial de repouso é urgência e vai para o cirurgião vascular; a insuficiência venosa sintomática é avaliada com Doppler e tratada de forma eletiva; a trombose é emergência. A medicação, em todos os cenários, é adjuvante com prazo de reavaliação definido, e nenhuma medida substitui a investigação da causa.
Na maior parte das causas de dor nas pernas ao deitar não se opera: pernas inquietas, cãibra, neuropatia e a imensa maioria das dores radiculares se resolvem sem cirurgia. A cirurgia entra em duas situações específicas, ambas fora da clínica de dor e por encaminhamento: a revascularização na isquemia crítica de membro, muitas vezes urgente para salvar a perna, e o tratamento de varizes na insuficiência venosa sintomática. A descompressão de coluna fica reservada à minoria com déficit neurológico progressivo ou dor refratária ao tratamento conservador bem conduzido. Quase nunca se opera; quando a causa é vascular crítica, porém, a demora em encaminhar pode custar o membro.
Diagnóstico e medidas de base
Definir a causa provável, iniciar higiene do sono, hidratação e alongamento, e solicitar os exames indicados (ferritina, glicemia, Doppler se houver bandeira).
Plano dirigido à causa
Reabilitação e técnicas em clínica para o componente musculoesquelético; medicação para a dor neuropática; a dor noturna costuma começar a ceder e o sono a melhorar.
Reavaliação
Sem a resposta esperada, a primeira pergunta é se o gerador foi identificado certo, antes de empilhar mais tratamento; revê-se o diagnóstico e a conduta.
A meta é reduzir a dor a um nível que não atrapalhe o sono e tratar a causa de fundo. O melhor termômetro não é a nota de dor isolada, e sim quantas noites por semana o sintoma ainda acorda o paciente; quando esse número não cai no prazo, a primeira suspeita é diagnóstica (uma cãibra rotulada como pernas inquietas, um glúteo mínimo lido como ciática), e não a falta de mais do mesmo tratamento.
Centro de Dor
Listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED)
Centro de Tratamento por Ondas de Choque
Listado pela Sociedade Médica Brasileira de Tratamento por Ondas de Choque (SMBTOC)
Clínica listada
Listada pelo Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura (CMBA)
Perguntas frequentes
Dor nas pernas ao deitar, o que pode ser?
As causas mais comuns são a síndrome das pernas inquietas (vontade de mexer as pernas que alivia ao mover), as cãibras noturnas, a neuropatia periférica (queimação nos pés que piora à noite) e a dor lombar que irradia para a perna. Há ainda a causa vascular arterial, menos frequente mas importante: dor no pé em repouso que melhora ao pendurar a perna para fora da cama. Como a dor se comporta ao deitar ajuda a diferenciar, e a avaliação médica confirma a origem.
Por que a dor nas pernas piora quando deito ou à noite?
Deitar não causa a dor, mas remove as distrações do dia, muda a posição de nervos e raízes da coluna e redistribui a circulação. Alguns quadros, como a síndrome das pernas inquietas, têm ainda um ritmo biológico que piora à noite. Por isso o mesmo sintoma pode ter origens diferentes, e identificar se o gatilho é o horário ou a posição é parte do diagnóstico.
Quando a dor nas pernas à noite é sinal de problema de circulação?
O padrão de alerta é a dor no pé ou nos dedos em repouso, deitado, que melhora ao pendurar a perna para fora da cama ou ao levantar, e piora ao elevar a perna. Isso sugere origem arterial (isquemia) e pede avaliação vascular sem demora, principalmente se houver pele fria, ferida que não cicatriza ou ausência de pulso no pé. Já a dor que melhora elevando a perna costuma ser venosa ou musculoesquelética.
Dor nas pernas ao deitar pode ser da coluna?
Sim. Uma raiz nervosa comprimida na coluna lombar, por hérnia de disco ou estenose do canal, pode gerar dor que desce pela nádega e pela perna no trajeto do nervo. Deitar de costas com as pernas esticadas traciona a raiz e pode disparar a dor à noite, com formigamento ou fraqueza. Mudar de posição costuma aliviar. A avaliação é feita junto com a história da dor lombar.
O que ajuda a aliviar a dor nas pernas na hora de dormir?
Depende da causa, mas medidas gerais ajudam: alongar a panturrilha antes de deitar, manter boa hidratação, evitar cafeína e álcool à noite, usar um travesseiro entre os joelhos e regular o horário de sono. Essas medidas potencializam o tratamento dirigido à causa identificada. A escolha do medicamento depende do tipo de dor e dos demais fármacos em uso, e cabe ao médico assistente.
Qual médico procurar para dor nas pernas ao deitar?
O médico fisiatra ou da dor é um bom ponto de partida para diferenciar as causas musculoesqueléticas e neuropáticas e conduzir o tratamento conservador. Quando há suspeita vascular (dor que melhora pendurando a perna, ferida que não cicatriza), o encaminhamento é ao cirurgião vascular. A avaliação inicial define a rota mais adequada ao seu caso.
Referências9 fontes citadas neste artigoVerOcultar
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Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação médica individual. Como a mesma “dor nas pernas ao deitar” tem causas diferentes, o que se faz por um quadro pode ser inútil ou contraproducente em outro, e a conduta precisa ser individualizada caso a caso. Diante de dor no pé em repouso que melhora ao pendurar a perna, procure avaliação sem demora.
