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Síndrome das Pernas Inquietas – Aprenda mais

A Síndrome das Pernas Inquietas (SPI), também conhecida como Doença de Willis-Ekbom, é um distúrbio do movimento relacionado ao sono e conhecido pela vontade incontrolável ​​de mover as pernas em repouso. Essa desordem neurossensorial-motora também pode vir por acompanhada sensações desagradáveis.

Embora seja menos comum, é possível apresentar a condição nos braços, na face, no tronco e na região genital. Os sintomas de SPI costumam surgir ao repousar a área do corpo afetada, principalmente no período noturno, e são temporariamente aliviados por movimento ou pressão. Inclusive, é comum que os portadores da síndrome andem à noite na tentativa de aliviar a sensação desconfortável.

A condição não está vinculada diretamente ao desenvolvimento de complicações, mas o fato de dificultar o sono pode interferir na qualidade de vida e propiciar problemas de saúde.

Felizmente, cuidados simples e medidas caseiras podem ser suficientes para amenizar o sofrimento de quem encara a síndrome das pernas inquietas.

Saiba mais a seguir:

Síndrome das Pernas Inquietas X Distúrbio dos Movimentos Periódicos dos Membros

O distúrbio dos movimentos periódicos dos membros (DMPM) é uma condição semelhante à SPI, mas ocorre com mais frequência durante o sono (enquanto as pernas inquietas também podem se manifestar durante o dia).

O DMPM gera movimentos involuntários, como chutes ou abalos repetitivos, que duram de 20 a 40 segundos e afetam os membros inferiores durante o sono. Eles são sucedidos de breves despertares, enquanto a SPI é caracterizada pela vontade irresistível de mover uma parte do corpo.

Apesar das diferenças, é comum que as condições apareçam juntas e ambas geram interrupção do descanso e sonolência diurna excessiva.

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Causas

Na maioria dos casos, não se sabe qual é a causa da síndrome das pernas inquietas, no entanto há suspeita de que tenha origem genética, visto que quase metade das pessoas acometidas tem um membro da família com a mesma condição. A teoria é que tais alterações estejam relacionadas ao desequilíbrio dos níveis do neurotransmissor dopamina no cérebro, o qual envia as mensagens responsáveis pelo controle do movimento muscular.

Outros fatores associados ao desenvolvimento ou agravamento da síndrome das pernas inquietas incluem:

Gravidez ou alterações hormonais

Pessoas com oscilações hormonais intensas podem manifestar os sinais e sintomas da SPI. Algumas mulheres, inclusive, desenvolvem a doença pela primeira vez na gravidez, especialmente no último trimestre. Na maioria dos casos, o quadro deixa de se manifestar após o parto.

Doenças crônicas

Algumas doenças crônicas e sistêmicas podem gerar sintomas de SPI, como anemia por deficiência de ferro, doença de Parkinson, insuficiência renal e diabetes.

Medicamentos

Alguns tipos de remédios, como os antipsicóticos, os antidepressivos, os antialérgicos e os antieméticos contêm substâncias que podem estimular crises de pernas inquietas.

Fatores de risco

A síndrome das pernas inquietas pode se desenvolver em qualquer idade, mesmo durante a infância, embora seja mais comum com o passar da idade. Outra característica dessa condição é sua prevalência maior em mulheres do que em homens.

Embora não seja grave, pode vir em conjunto com outros acometimentos que merecem atenção, como dano nos nervos, lesões na medula espinal, doenças crônicas, ingestão de bebidas alcoólicas e privação do sono.

Sinais e sintomas

É possível notar características comuns da síndrome das pernas inquietas por meio de sensações anormais e desagradáveis ​​nos membros inferiores e até mesmo superiores. Elas incluem contrações, dores musculares, cãibras, formigamento, ou dormências, além do desejo incontrolável de mover as pernas.

Os sintomas podem ocorrer quando deitado ou sentado e geralmente melhoram ao alongar, sacudir ou mover o membro afetado.

Embora ocorra com mais frequência à noite e nos momentos de repouso, a síndrome das pernas inquietas também gera sinais que afetam os momentos de vigília, como sonolência diurna, cansaço e irritação.

A condição pode se manifestar constantemente ou em crises de duração curta ou longa.

Diagnóstico

Ao notar os sinais e sintomas relacionados à síndrome das pernas inquietas, é recomendado buscar um médico, que pode ser ortopedista, neurologista, clínico geral ou especialista em sono.

Para otimizar o tempo de consulta e não esquecer informações importantes, anote as características dos sintomas, os fatores de alívio, a lista de medicamentos usados e outras informações relacionadas ao quadro antecipadamente e use-as na conversa com o especialista.

Na consulta, o médico se concentra principalmente nas descrições dos sintomas e seus gatilhos, assim como questiona se o paciente apresenta alguma outra doença. Também será pedido o histórico médico e familiar, visto que a SPI tem cunho genético.

Algumas perguntas feitas pelo médico incluem:

  • Qual é a frequência dos sintomas?
  • Os sintomas surgiram quando?
  • Qual é a intensidade do incômodo?
  • Mover as pernas ou braços ajuda a aliviar os sintomas?
  • Como é a qualidade do sono?
  • Apresenta algum distúrbio do sono?

Os exames laboratoriais, como hemograma e ultrassom, podem investigar a presença de quadros concomitantes, como insuficiência renal, anemia e gravidez, além de descartar os que geram sintomas semelhantes à SPI, como doença de Parkinson, fibromialgia e problemas circulatórios.

Já a polissonografia é usada para estudar o padrão de sono do paciente. O exame registra as ondas cerebrais, os batimentos cardíacos, a respiração e os movimentos das pernas durante uma noite inteira. Ele é capaz de apoiar o diagnóstico de SPI e identificar a presença de outras perturbações do descanso.

A identificação da síndrome das pernas inquietas em crianças é mais difícil devido à dificuldade de os pequenos descreverem o que sentem, o que pode resultar em diagnósticos imprecisos, como o que se refere a dores de crescimento ou transtorno de déficit de atenção com hiperatividade.

Complicações

Apesar de a síndrome não levar a outras condições graves, seus sintomas podem ser incômodos e incapacitantes ao ponto de prejudicar a qualidade de vida do indivíduo.

Isso se explica pelo fato de o acometimento dificultar o descanso e o sono, o que pode resultar em transtornos de depressão e ansiedade e sonolência diurna.

Inclusive, há estudos que indicam que os portadores da síndrome das pernas inquietas apresentam maior risco de hipertensão arterial e doenças cardíacas ao longo da vida, porém ainda faltam pesquisas para confirmar tais descobertas.

Tratamentos

Como a síndrome das pernas inquietas não tem cura, o tratamento visa aliviar os sintomas. Em pessoas com crises leves a moderadas, mudanças no estilo de vida são indicadas, como começar a se exercitar regularmente, estabelecer padrões regulares de sono e evitar o uso de cafeína, álcool e tabaco. O tratamento de condições associadas, como diabetes ou anemia, também pode proporcionar melhora do quadro.

Suplementos com ferro e medicamentos são úteis, mas nenhum trata efetivamente a condição em todos os indivíduos, portanto pode ser necessário testar diferentes métodos até alcançar o mais adequado para cada paciente. Além disso, alguns remédios tomados regularmente podem perder efeito ao longo do tempo, tornando necessária a troca por outras drogas.

A maioria dos medicamentos prescritos para o tratamento da SPI não é recomendada durante a gravidez. Como alternativa, o médico pode indicar técnicas caseiras para aliviar as crises..

Outro cuidado determinante no combate à doença é a interrupção do uso de medicamentos capazes de gerar ou piorar os episódios de pernas inquietas, como antidepressivos, antialérgicos e antipsicóticos.

Em geral, as opções de tratamento incluem:

 

 

Cuidados caseiros

Algumas atitudes caseiras podem proporcionar alívio dos sintomas de SPI, como massagear as pernas, tomar um banho ou fazer compressas quentes ou frias no membro afetado.

Exercícios aeróbicos e de alongamento moderados também são capazes de amenizar as crises.

Benefícios ainda podem ser colhidos por uma dieta pobre em açúcar e com alimentos ricos em ferro, como carne vermelha, oleaginosas, cacau, feijão, grão-de-bico, abacate e aveia.

 

Atividades físicas

Um estudo da Restless Legs Syndrome Foundation, publicado em 2006, constatou que uma combinação de exercício aeróbico moderado e treinamento de resistência da parte inferior do corpo três vezes por semana reduziu a gravidade dos sintomas de SPI em cerca de 50%.

A pesquisa ainda descobriu que foram necessárias seis semanas para obter o máximo benefício e alívio dos sintomas.

 

Suplementação

Pessoas que apresentam baixa de ferro, caracterizada pela baixa saturação de ferritina e transferrina, e que têm SPI geralmente recebem como primeiro tratamento o uso de suplementos orais. Embora eles sejam vendidos sem necessidade de prescrição, é recomendado somente usá-los sob indicação médica.

Entre os efeitos colaterais dessas drogas, há dor de estômago e constipação, que costumam ser aliviadas com a troca da marca do produto.

Caso os níveis de ferro não melhorem após a suplementação oral, pode ser necessário administrar a substância por via intravenosa.

 

Anti-convulsivos

Os medicamentos anti-convulsivos são uma das primeiras opções de tratamento para os portadores de SPI moderada ou grave, podendo reduzir distúrbios sensoriais e dores. Tais remédios são muito eficazes e não geram piora progressiva dos sintomas, assim como ocorre com os dopaminérgicos.

Apesar dos benefícios, alguns pacientes podem apresentar efeitos colaterais como tontura, cansaço e sonolência.

 

Dopaminérgicos

Esses medicamentos visam aumentar o efeito da dopamina no cérebro. Embora geralmente sejam usados no tratamento da doença de Parkinson, são capazes de reduzir os sintomas da SPI quando tomados à noite.

Tais drogas geram poucos efeitos colaterais, os quais incluem enjoo e tontura, que melhoram após algumas semanas de tratamento.

Com o passar do tempo, a eficácia do remédio diminui. Além disso, o uso em longo prazo pode levar à piora dos sintomas em parte dos indivíduos, gerando crises de pernas inquietas em outros momentos do dia além da noite.

Outro efeito colateral importante que ocorre em algumas pessoas é o desenvolvimento de comportamentos compulsivos ou obsessivos.

Felizmente, essa progressão adversa é revertida facilmente por meio da interrupção do uso dos medicamentos relacionados à dopamina.

 

Opióides

Medicamentos opioides, como metadona, codeína, hidrocodona e oxicodona, podem ser prescritos para tratar indivíduos com sintomas graves de síndrome das pernas inquietas cuja resposta aos demais tratamentos foi insuficiente. Em geral, pequenas doses são suficientes para controlar os sintomas da condição.

Prisão de ventre, tontura, náusea, apneia do sono e risco de dependência são alguns dos efeitos colaterais desses compostos.

 

Benzodiazepínicos

Pessoas cuja qualidade do sono é prejudicada pela síndrome das pernas inquietas podem ser indicadas a usar medicamentos benzodiazepínicos, como clonazepam (conhecido como Rivotril) e o lorazepam. Quando tomados antes de dormir, eles ajudam a obter um descanso mais profundo e regenerador.

Seus efeitos adversos incluem sonolência diurna, redução de energia e dificuldade de concentração. Como esses medicamentos são capazes de agravar a apneia do sono em alguns casos, não devem ser usados em pessoas com essa condição.

 

Acupuntura

O tratamento com agulhas finas que estimulam os pontos do corpo se mostra eficaz em pacientes com neuropatia e acredita-se que também seja bom para a estimulação das partes do cérebro envolvidas na síndrome das pernas inquietas. O método é pouco dolorido e visa tratar o problema, e não apenas aliviar seus sintomas.

A moxabustão, uma prática antiga da Medicina Tradicional Chinesa, também ajuda a controlar a SPI. A técnica usa a erva artemísia vulgaris aquecida sob a pele para estimular os pontos do corpo usados na acupuntura, de modo a energizar e alinhar as energias e induzir um fluxo sanguíneo suave, capaz de reduzir os impulsos nos membros superiores e inferiores.

Prognóstico

Após o diagnóstico de síndrome das pernas inquietas, o prognóstico do paciente varia de acordo com os cuidados que forem adotados.

Há indivíduos que respondem bem aos tratamento e seus sintomas desaparecem progressivamente ao longo do tempo, todavia, pessoas cujas crises são graves podem ter dificuldade em encontrar medicamentos eficazes e ainda apresentarem piora dos sintomas com o passar do tempo.

Prevenção

Ainda não foram identificados meios de evitar o surgimento da síndrome das pernas inquietas, mas adotar um padrão de sono regular, realizar atividades físicas e manter bons níveis de cálcio são bons meios de reduzir o risco desse e de outros distúrbios.

 

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 / RQE: 65523 - 65524 | Médico especialista em Fisiatria e Acupuntura. Área de Atuação em Dor pela AMB. Doutorando em Ciências pela USP. Pesquisador e Colaborador do Grupo de Dor do Departamento de Neurologia do HC-FMUSP. Diretor de Marketing do Colégio Médico de Acupuntura do Estado de São Paulo (CMAeSP). Integrante da Câmara Técnica de Acupuntura do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP). Secretário do Comitê de Acupuntura da Sociedade Brasileira para Estudo da Dor (SBED). Professor convidado do Curso de Pós-Graduação em Dor da Universidade de São Paulo (USP)

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