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Cervical · Sinal de alerta · Resposta rápida

Dor no pescoço pode ser sinal de infarto?

A dor no pescoço quase sempre é muscular, mas algumas causas ameaçam a vida: coração, aorta e artéria carótida podem referir dor para o pescoço e a mandíbula. O padrão da dor e os sintomas associados são o que separa a causa perigosa da benigna.

Resposta direta
  • Sim, a dor no pescoço pode ser sinal de infarto. A isquemia do coração, a dissecção da aorta e a dissecção da carótida referem dor para o pescoço, a mandíbula e o braço, sobretudo a do lado esquerdo.
  • O que separa essas causas perigosas da dor muscular comum é o padrão: a dor cardíaca surge ou piora ao esforço, vem com aperto no peito, falta de ar, suor frio ou náusea, e não muda quando você move ou aperta o pescoço.
  • A dor musculoesquelética, que responde pela maioria dos casos, é o oposto: reproduz-se ao girar, estender e palpar o pescoço, oscila com a postura e não traz sintomas sistêmicos.
  • Diante de aperto no peito, falta de ar, suor frio, náusea ou irradiação para o braço esquerdo, trate como emergência e chame o SAMU 192.
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Avaliação clínica

Dor tem Tratamento. Foco em tratamentos não cirúrgicos para dor, reabilitação.

Causas perigosas: coração e grandes vasos

Ilustração do coração com uma artéria coronária esquerda obstruída por placa e uma área de infarto anterior destacada na parede do ventrículo.
Quando uma coronária entope, a isquemia do coração pode irradiar para mandíbula e pescoço, simulando dor cervical.

Antes de qualquer explicação sobre dor de coluna, é preciso afastar o que tem risco de vida. As fibras que conduzem a dor do coração e dos grandes vasos entram na medula nos mesmos segmentos cervicais e torácicos altos que recebem a sensibilidade do pescoço, da mandíbula e do braço esquerdo: por convergência, o cérebro interpreta o sinal como se viesse dessas regiões. É a dor referida, e é por isso que um infarto pode doer no pescoço sem doer no peito. Estas causas são raras como origem de dor cervical, mas precisam ser afastadas primeiro pelo risco de vida.

Esforço · braço esquerdo

Infarto e síndrome coronariana aguda

A isquemia do miocárdio refere dor para o pescoço, a mandíbula, o ombro e o braço esquerdo. O padrão que denuncia o coração: dor em aperto ou peso que surge ou piora ao esforço e melhora com repouso, acompanhada de falta de ar, suor frio, náusea ou mal-estar, e que não muda ao mover ou apertar o pescoço. Em mulheres, idosos e diabéticos pode vir sem dor no peito.

Repouso · em crescendo

Angina estável e instável

A angina é a mesma isquemia em menor grau. Na estável, a dor cervical ou mandibular aparece de forma previsível ao esforço e cede em minutos com o repouso. Na instável, passa a surgir em repouso, com episódios mais longos ou frequentes: é um aviso de síndrome coronariana e exige avaliação de urgência, mesmo sem o quadro completo de infarto.

Início súbito · dilacerante

Dissecção da aorta

O rasgo na parede da aorta provoca dor de início abrupto, intensa e dilacerante (em facada ou rasgando), que pode irradiar para o pescoço, a mandíbula, o tórax e as costas e migrar conforme o sangue disseca a parede. Pode vir com diferença de pulso ou pressão entre os braços, desmaio ou déficit neurológico. É emergência de altíssima gravidade.

Lateral · após manipular

Dissecção da carótida

O rasgo na parede da artéria carótida dá dor lateral no pescoço e na cabeça, de início recente e atípico, com frequência após trauma, esforço ou manipulação cervical brusca. Pode vir com síndrome de Horner (pálpebra caída e pupila menor de um lado) e sinais de pré-AVC. Dor cervical nova com déficit neurológico é emergência vascular.

Pleura · respiração

Causas torácicas e pulmonares

Embolia pulmonar, pneumotórax e pericardite podem referir dor para a base do pescoço e o ombro. A pista é a relação com a respiração e a falta de ar: dor que piora ao inspirar fundo, com fôlego curto e, por vezes, tosse. Não segue o padrão mecânico do pescoço e pede avaliação de urgência quando há dispneia associada.

Mito

“Se não dói no peito, não é o coração.”

Fato

A dor cardíaca pode aparecer só no pescoço, na mandíbula ou no braço, sem dor no peito, sobretudo em mulheres, idosos e diabéticos. A ausência de dor torácica não exclui o infarto, e nesses grupos o limiar para procurar emergência deve ser ainda mais baixo.

Dr. Marcus Pai entrevistado no programa Você Bonita sobre dor cervical em estudio de TV
Na mídia Dr. Marcus Pai em entrevista no programa Você Bonita

Causas musculoesqueléticas comuns

Diagrama de um ponto-gatilho miofascial mostrando banda tensa, foco ativo e nódulo de contração entre fibras musculares normais.
A dor muscular do pescoço nasce de bandas tensas e nódulos de contração, não de uma ameaça ao coração.

Afastado o perigo, a notícia tranquilizadora é que a grande maioria das dores no pescoço é musculoesquelética: vem dos músculos, das articulações facetárias e dos discos da coluna cervical. O traço que une este grupo é a reprodutibilidade mecânica: a dor surge ou muda ao girar, estender e palpar o pescoço, oscila com a postura e não traz aperto no peito, falta de ar nem suor frio. O exame neurológico do braço é normal.

Difusa · mecânica

Cervicalgia mecânica

Dor inespecífica do pescoço, sem causa estrutural definida, ligada a sobrecarga postural e tensão. Aperto e rigidez que pioram no fim do dia e com postura mantida, sem irradiação para o braço nem déficit. É a apresentação mais comum e a de melhor prognóstico, e melhora ao mover e descansar.

Ponto-gatilho · ombro alto

Dor miofascial do trapézio

Banda tensa palpável no trapézio superior e no elevador da escápula, com dor referida que contorna a orelha até a têmpora. Comprimir o ponto reproduz a dor habitual: é o sinal que confirma a origem. É o principal gerador miofascial da região e responde bem ao agulhamento e à infiltração.

Desgaste · idade

Espondilose cervical

Desgaste degenerativo da coluna: discos que perdem altura, osteófitos e artrose das facetas. Dá dor axial, rigidez matinal e estalos, com perda de amplitude. Por si só não é cirúrgica; torna-se relevante quando estreita o forame ou o canal e comprime nervo ou medula.

Agudo · travou

Torcicolo agudo

Pescoço que trava de repente, em geral ao acordar, com a cabeça presa para um lado e dor ao tentar virar. É um espasmo muscular benigno, sem déficit, que cede em dias. As primeiras horas têm orientação própria na página de torcicolo.

Outras causas referidas e neurológicas

Ilustração editorial de pessoa vista de costas com arcos de tensão em terracota irradiando da nuca, representando dor e rigidez no pescoço
Estruturas da coluna cervical projetam dor para ombros e nuca, um padrão que ajuda a separar a origem musculoesquelética.

Entre a emergência cardíaca e a dor muscular comum há um grupo intermediário: causas referidas de estruturas vizinhas e quadros de raiz nervosa. Algumas são benignas, mas confundem porque também não nascem na musculatura do pescoço. A pista de boa parte delas é que vêm com o sintoma da própria estrutura de origem, e não com os sinais cardíacos.

Queima · após comer

Refluxo e causa esofágica

O espasmo do esôfago e a doença do refluxo podem dar dor em queimação ou aperto que sobe do epigástrio para o tórax e a base do pescoço, às vezes confundida com angina. A pista: relação com refeições, posição deitada e à noite, com gosto ácido ou azia. Quando imita dor cardíaca, o coração precisa ser descartado primeiro.

Raiz · trajeto definido

Radiculopatia cervical (C5 a C8)

A compressão de uma raiz dá dor que desce pelo braço por um dermátomo, com formigamento e perda de força no miótomo. C6 atinge polegar e indicador; C7, o dedo médio e o tríceps; C8, os dedos mínimo e anular. A dor piora à extensão e à rotação do pescoço. É de coluna, não de coração, embora possa atingir o braço esquerdo.

Sobe da nuca · um lado

Cefaleia cervicogênica

Dor que nasce na nuca e sobe para um lado da cabeça, sempre do mesmo lado, desencadeada pelo movimento ou pela postura do pescoço. A origem é a coluna cervical alta. Detalhada na página de cefaleia cervicogênica.

Vizinha · com seu sintoma

Ouvido, garganta, mandíbula e dente

Estruturas vizinhas referem dor para o pescoço: ouvido, garganta, dentes e a articulação temporomandibular. A dor costuma vir com o sintoma da própria estrutura (otalgia, dor ao engolir, dor ao mastigar) e não muda ao mover o pescoço. É tratada em páginas específicas do blog.

Como diferenciar pelo padrão

Mapa anatômico da musculatura das costas e pescoço com pontos-gatilho marcados em trapézio, levantador da escápula, romboides e eretores.
Localizar o ponto-gatilho que reproduz a queixa orienta o diagnostico e afasta uma causa cardíaca.

O padrão da dor e os sintomas que a acompanham, mais do que a intensidade, separam a causa perigosa da benigna. A primeira tabela mapeia cada grupo à sua pista e à conduta; a segunda contrasta o padrão cardíaco com o padrão musculoesquelético, lado a lado.

Diferencial da dor no pescoço por padrão
Grupo / causaPadrão típicoO que fazer
Cardíaca (infarto, angina)Aperto ou peso ao esforço, com falta de ar, suor frio e náusea; não muda ao mover o pescoço; pode vir só na mandíbula ou no braço esquerdoEmergência: SAMU 192
Vascular (dissecção de aorta ou carótida)Dor súbita e intensa, dilacerante ou atípica, às vezes após esforço ou trauma; déficit neurológico, Horner ou diferença de pulsoEmergência: SAMU 192
Esofágica / refluxoQueimação que sobe do epigástrio, ligada a refeições e à posição deitada, com azia ou gosto ácidoDescartar o coração; investigar causa digestiva
Radiculopatia cervicalDor que desce pelo braço por um dermátomo, com formigamento e perda de força; pior à extensão e rotaçãoExame neurológico, Spurling; imagem se déficit ou refratária
Musculoesquelética / miofascialDor surda em aperto, pior no fim do dia e com postura; reproduz-se ao mover e palpar; sem sintoma sistêmicoBase conservadora após excluir o coração
Dor de origem cardíaca versus dor musculoesquelética
CaracterísticaOrigem cardíaca (referida)Origem musculoesquelética (mecânica)
GatilhoSurge ou piora ao esforço, estresse ou frio; alivia com repousoSurge ou piora com posturas, movimentos do pescoço e palpação
ReprodutibilidadeNão muda ao girar, estender ou apertar o pescoçoReproduz-se ao girar, estender e palpar a região: é mecânica
Sintomas associadosAperto no peito, falta de ar, suor frio, náusea, braço esquerdoRigidez, pontos dolorosos; alivia com calor e alongamento
Tempo e cursoContínua por minutos, intensa, com mal-estar; ou súbita e dilacerante na dissecçãoOscila ao longo do dia, varia com a posição, tende a melhorar em semanas

A pista mais útil é a reprodutibilidade mecânica: a dor muscular costuma mudar quando você move o pescoço, troca de posição ou pressiona o ponto dolorido. A dor que vem do coração ou de um vaso, ao contrário, não se altera com esses movimentos, porque a fonte não está na musculatura. Ainda assim, nenhum critério isolado é à prova de falhas: na presença de qualquer sinal de alerta, a regra é procurar emergência, mesmo que a dor pareça muscular.

As duas pistas, lado a lado

Uma dor que você consegue provocar e aliviar mexendo ou apertando o pescoço, que muda de intensidade conforme a posição e que não vem com suor, falta de ar ou enjoo, tem cara de problema muscular. O padrão perigoso é quase o oposto: dor que aparece com o esforço e melhora com o repouso, sem que tocar no pescoço mude alguma coisa. As duas pistas juntas separam o torcicolo benigno da dor que era do coração.

Sinais de alerta: chame o SAMU 192

Esta é a seção central da página. Cada sinal abaixo aponta para uma das causas perigosas do diferencial e significa que a avaliação não pode esperar. No infarto e na dissecção, cada minuto conta, porque o dano avança enquanto a artéria permanece obstruída ou rompida.

Emergência · chame o SAMU 192 agora

Procure socorro imediato se a dor no pescoço vier com

  • Dor, aperto, peso ou queimação no peito que pode subir para o pescoço, a mandíbula ou o ombro.
  • Dor irradiando para o braço esquerdo (às vezes para os dois braços) ou para a mandíbula.
  • Falta de ar, fôlego curto, suor frio, palidez, náusea ou vômito.
  • Sintomas que começam ou pioram com esforço físico e melhoram com repouso.
  • Dor súbita, dilacerante ou em facada na nuca, no tórax ou nas costas, sobretudo após esforço ou trauma: pode ser dissecção arterial.
  • Dor lateral nova no pescoço com pálpebra caída, alteração da visão, fala ou força (Horner ou pré-AVC): pode ser dissecção da carótida.
  • Tontura, sensação de desmaio, coração disparado ou batimentos irregulares.

Diante de qualquer um desses sinais, a conduta é uma só: ligue para o SAMU 192 ou vá ao pronto-socorro mais próximo. Não dirija sozinho se houver alternativa. Tomar um analgésico para a dor pode mascarar o quadro e atrasar o socorro.

Vale um alerta específico: em mulheres, idosos e pessoas com diabetes, o infarto costuma se apresentar de forma atípica. A dor no peito pode ser discreta ou ausente, e os sintomas predominantes podem ser falta de ar, fadiga intensa, náusea, dor no pescoço ou na mandíbula e mal-estar difícil de descrever. Por isso, nesses grupos, o limiar para procurar atendimento deve ser ainda mais baixo. Na dúvida entre dor muscular e dor do coração, a escolha segura é a emergência.

Da prática clínica

No consultório, a primeira coisa que se faz com uma dor cervical é tentar reproduzi-la: pedir para girar e estender o pescoço, inclinar a cabeça e pressionar o trapézio e a nuca. Quando a dor aparece e some com esses movimentos, e fica ligada à posição, o padrão fala a favor de origem mecânica. O sinal que muda a conduta é o oposto: dor que surge ao subir uma escada ou caminhar depressa, que vem com suor, falta de ar ou enjoo, e que não se reproduz ao apertar o pescoço. Esse padrão não é de músculo, e a avaliação passa a ser de emergência.

O cuidado redobra com mulheres, pessoas com diabetes e idosos: nesses grupos a dor cardíaca pode chegar discreta, mascarada como cansaço, mal-estar ou uma dor vaga na mandíbula e no pescoço. Diante de uma queixa cervical que não se reproduz à palpação e vem junto desses sintomas, a postura segura é não tratar como coluna até o coração ter sido visto. A regra prática é simples: na dúvida entre músculo e coração, o coração vem primeiro, e a porta é o pronto-socorro.

Como é avaliada

A avaliação tem uma ordem fixa: primeiro excluir as causas de risco de vida, só depois investigar a coluna. Exames de imagem da coluna não avaliam o coração — se a suspeita é cardíaca, a investigação certa é cardiológica, não a ressonância cervical.

Pergunta-chave

Há algum sinal cardíaco ou vascular?

Sim

O caminho é o pronto-socorro. Eletrocardiograma e troponina confirmam ou afastam a isquemia; a angiotomografia investiga a dissecção da aorta ou da carótida. Não é investigação de coluna.

Não

Afastado o perigo, investiga-se a origem cervical mecânica e o eventual componente de raiz nervosa.

Afastado o perigo, falam a favor de origem cervical mecânica os sinais abaixo. Quando a dor desce para o braço com formigamento, investiga-se um componente de raiz nervosa (radiculopatia), que é de coluna e não de coração.

Dor reproduzida ao mover ou palpar o pescoço
Aponta para origem cervical mecânica
Pontos-gatilho no trapézio e nos suboccipitais
Componente miofascial
Relação com postura, sono e esforço repetitivo, sem sinais de alerta
Reforça a causa mecânica e afasta o perigo
Dor que desce para o braço com formigamento; teste de Spurling positivo
Sugere raiz nervosa (radiculopatia) — de coluna, não de coração

Excluir o que tem risco

Rastrear os sinais cardíacos e vasculares; na presença deles, a avaliação é de emergência com eletrocardiograma, troponina e, se indicado, angiotomografia.

História dirigida

O que desencadeia e alivia a dor, relação com esforço, postura e movimento, irradiação para o braço e fatores de risco cardiovascular.

Exame do pescoço

Mobilidade cervical e palpação de trapézio, elevador da escápula e suboccipitais, tentando reproduzir a dor e localizar pontos-gatilho.

Exame neurológico do braço

Força por miótomo, reflexos e sensibilidade quando há irradiação, com o teste de Spurling para o componente radicular.

Imagem da coluna

Pedir ressonância agora?

Reservada

Para déficit neurológico, suspeita de radiculopatia ou dor que persiste apesar do tratamento.

Em geral, não

Raramente é necessária nas primeiras semanas de uma dor mecânica sem sinais de alerta.

Assista: Dor de Cabeça Todo Dia? Pode Ser Seu Pescoço!

O tratamento depende da causa

Não existe um tratamento único para a dor no pescoço, porque a queixa reúne causas muito diferentes. O princípio é tratar a causa identificada na avaliação, e a primeira condição é que os sinais de alerta tenham sido afastados. As condutas de coluna descritas aqui pressupõem que o coração e os grandes vasos já foram descartados.

Nas causas cardíacas e vasculares (infarto, angina instável, dissecção da aorta ou da carótida), o tratamento não é da clínica da dor: é uma emergência hospitalar. A síndrome coronariana se trata com a reabertura da artéria (reperfusão por angioplastia ou trombolíticos, conduzida pela cardiologia); a dissecção exige controle pressórico e avaliação cirúrgica vascular urgente. O papel aqui é um só: reconhecer o padrão e acionar o SAMU 192 sem demora. Nas causas referidas digestivas, como o refluxo, o tratamento é da causa de origem, depois de o coração estar descartado.

Na origem musculoesquelética e miofascial, que responde pela maior parte dos casos, a base é a reabilitação ativa, multimodal e individualizada: cinesioterapia com treino dos flexores profundos do pescoço (flexão craniocervical, um leve aceno de “sim” sem projetar o queixo) e estabilização escapulotorácica, organizada como RPG ou Pilates clínico conforme a apresentação, em atendimento individual. As ondas de choque entram quando há um componente de tendinopatia ou dor miofascial crônica associada, não como regra na dor axial pura.

Fisioterapia e agulhamento seco: a base do componente miofascial

A fisioterapia ativa é a intervenção com a melhor relação entre evidência e segurança na dor cervical mecânica, e a regularidade pesa mais do que a escolha da modalidade. Quando há banda tensa que reproduz a dor habitual, o agulhamento seco do trapézio superior e do elevador da escápula é o recurso que mais rápido desativa o gerador miofascial: a agulha provoca uma contração breve que reduz a atividade da placa motora, com efeito analgésico local e segmentar. A infiltração de pontos-gatilho com anestésico complementa nos pontos resistentes, e a acupuntura médica modula a dor por vias segmentares e inibitórias descendentes. Todas essas técnicas só fazem sentido com o coração descartado, porque agulhar a musculatura cervical não tem efeito sobre uma artéria coronária obstruída.

Na origem neuropática e radicular, trata-se o conflito raiz-disco: a maioria das radiculopatias melhora com conduta conservadora ao longo de semanas, e o controle da dor neuropática pode incluir antidepressivos em dose baixa (amitriptilina, nortriptilina, duloxetina) ou gabapentinoides (gabapentina, pregabalina), com indicação, dose e prazo definidos pelo médico.

Medicação é adjuvante e com prazo: analgésicos simples e anti-inflamatórios em ciclos curtos na fase sintomática, relaxante muscular por poucos dias no espasmo agudo, com a menor dose eficaz pelo menor tempo. Diante de qualquer suspeita cardíaca, um analgésico pode mascarar o quadro e atrasar o socorro.

Quando a cirurgia é considerada: a dor mecânica e miofascial do pescoço praticamente nunca opera. A avaliação de um cirurgião de coluna se justifica diante de mielopatia, déficit motor progressivo ou radiculopatia incapacitante e refratária com imagem correlata; fora desses critérios, o caminho é conservador. A suspeita cardíaca não é questão cirúrgica de coluna: é emergência médica.

Semana 1 a 2

Controle inicial

Reduzir gatilhos posturais e iniciar mobilidade e ativação dos flexores profundos.

Semana 3 a 6

Progressão

Fortalecimento e técnicas em clínica conforme a causa; a dor costuma começar a ceder.

Após 6 semanas

Reavaliação

Sem a resposta esperada, revê-se o diagnóstico, relê-se os sinais de alerta e considera-se imagem ou procedimento.

Reconhecimento

Centro de Dor

Listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED)

Centro de Tratamento por Ondas de Choque

Listado pela Sociedade Médica Brasileira de Tratamento por Ondas de Choque (SMBTOC)

Clínica listada

Listada pelo Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura (CMBA)

Perguntas frequentes

Dor no pescoço do lado esquerdo tem relação com o coração?

O lado esquerdo, sozinho, costuma refletir tensão muscular ou postura e não indica problema cardíaco. A preocupação aumenta quando essa dor vem com aperto no peito, falta de ar, suor frio, náusea ou irradiação para o braço esquerdo, em especial ao esforço. Nesse cenário, trate como emergência e chame o SAMU 192.

Dor no pescoço e no braço esquerdo, é infarto?

Pode ser dor referida do coração, mas também pode ser de origem cervical, como uma raiz nervosa irritada. A diferença prática: a dor de coluna costuma mudar com o movimento do pescoço e do braço; a cardíaca não, e vem com os outros sinais de alerta. Diante de qualquer dúvida com sintomas cardíacos associados, procure emergência.

Dor no pescoço e falta de ar, o que pode ser?

Falta de ar associada à dor no pescoço, ao peito ou ao braço é um sinal de alerta que pede avaliação de emergência, porque pode indicar causa cardíaca ou pulmonar. Não é um padrão típico de dor muscular. Ligue para o SAMU 192 ou vá ao pronto-socorro.

Como saber se a dor é muscular e não do coração?

A dor muscular tende a ser mecânica: reproduz-se ao mover ou apertar o pescoço, alivia com calor e alongamento e oscila com a postura. A dor do coração não muda com esses movimentos e vem com aperto no peito, falta de ar e suor frio. Como nenhum critério é infalível, na dúvida com sinais cardíacos a escolha segura é a emergência.

Mulheres e diabéticos têm sintomas diferentes?

Sim. Em mulheres, idosos e pessoas com diabetes, o infarto pode se apresentar sem a dor clássica no peito, com sintomas como falta de ar, cansaço intenso, náusea ou dor no pescoço e na mandíbula. Por isso o limiar para procurar atendimento deve ser mais baixo nesses grupos.

Já fui ao pronto-socorro e o coração estava bem. E agora?

Afastada a causa cardíaca, a investigação se volta para a coluna cervical. Se a dor é mecânica, recorrente ou irradia para o braço, vale uma avaliação com médico fisiatra ou da dor para definir a origem e montar o plano de tratamento descrito acima.

Dor no pescoço que melhora com o movimento pode ser do coração?

Quando a dor melhora claramente ao mover ou alongar o pescoço, isso aponta para origem muscular. A dor cardíaca, em geral, não responde ao movimento do pescoço, mas costuma piorar com esforço físico. Ainda assim, se houver sinais de alerta, procure avaliação.

Evidência científica · resumos da nossa biblioteca

Resumos em linguagem clara de estudos revisados pelo Dr. Marcus Yu Bin Pai.

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Dr. Marcus Yu Bin Pai
Sobre o autor
Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP 158.074RQE 65.523 / 65.524 / 655.241

Médico especialista em Fisiatria e Acupuntura pela Associação Médica Brasileira, com área de atuação em Dor. Doutor em Ciências pela USP e médico colaborador do Grupo de Dor do HC-FMUSP.

Revisão médica e editorial

Conteúdo revisado clinicamente por Prof. Dr. Hong Jin Pai. Tem finalidade educativa e cita fontes.

Referências4 fontes citadas neste artigoVerOcultar
  1. Gross A, Kay TM, Paquin JP, et al. Exercises for mechanical neck disorders. Cochrane Database of Systematic Reviews. 2015;(1):CD004250.
  2. Blanpied PR, Gross AR, Elliott JM, et al. Neck Pain: Revision 2017. Clinical Practice Guidelines. Journal of Orthopaedic & Sports Physical Therapy. 2017;47(7):A1-A83.
  3. North American Spine Society. Diagnosis and Treatment of Cervical Radiculopathy from Degenerative Disorders: Evidence-Based Clinical Guidelines for Multidisciplinary Spine Care. NASS; 2011.
  4. Sociedade Brasileira de Cardiologia. Diretriz da Sociedade Brasileira de Cardiologia sobre Angina Instável e Infarto Agudo do Miocárdio. Arquivos Brasileiros de Cardiologia.
Atualizado em 31 mai 2026 Leitura 9 min

Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação médica individual nem o atendimento de emergência. Diante de sinais de alerta cardíacos, ligue para o SAMU 192 ou procure o pronto-socorro mais próximo, sem esperar para ver se a dor passa. As condutas de coluna aqui descritas pressupõem que a causa cardíaca já foi afastada; qual delas se aplica, e em que dose, depende de uma avaliação individualizada presencial.

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