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CENTRO DE TRATAMENTO DE DOR: Acupuntura Médica, Ondas de Choque, Fisiatria e Fisioterapia.

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Dor crônica · Panorama clínico

As piores dores do mundo: 20 doenças dolorosas e como tratar

Reunimos 20 condições dolorosas comuns na prática do médico da dor, da neuralgia do trigêmeo à cólica renal e à dor oncológica: o que cada uma é, por que dói e como é tratada sem cirurgia.

Resposta direta
  • Em quem sente, a cefaleia em salvas costuma ficar no topo: num questionário com cerca de 1.600 pessoas que têm essas crises, a nota média foi 9,7 de 10, acima do parto, da pancreatite e da pedra no rim. Logo atrás vêm a neuralgia do trigêmeo, a cólica renal, a dor regional complexa e a dor oncológica mal controlada.
  • Hoje: dor súbita, a pior da vida, dor no peito por mais de 10 minutos, febre ou fraqueza que piora pedem pronto-socorro ou 192. Dor forte que dura mais de 2 semanas ou volta toda semana pede consulta.
  • A maioria dessas dores tem tratamento eficaz. O alvo é triplo: controlar a dor, recuperar a função e tratar a causa quando ela existe.
  • O caminho costuma ser um plano individualizado e sem cirurgia, com exercício como base e técnicas que se somam conforme a resposta; várias delas começam no dia da consulta.
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A pior dor do mundo existe? Como a dor é classificada

Listas de “as piores dores do mundo” circulam muito, mas a dor não se mede com uma régua única. Ela depende da intensidade do estímulo, da via que está doendo e de fatores individuais como sono, humor e experiências prévias. O que é descrito como insuportável por uma pessoa pode ser tolerável para outra.

Dito isso, certos quadros aparecem de forma recorrente quando se pergunta a quem trata dor todos os dias quais são as dores mais avassaladoras. A neuralgia do trigêmeo é classicamente descrita como uma das piores, comparada a choques elétricos no rosto. A cólica renal faz a pessoa não conseguir ficar parada.

A síndrome dolorosa regional complexa transforma um toque leve em dor lancinante. A dor oncológica mal controlada e a cefaleia em salvas (apelidada de “dor de suicídio”) completam o grupo que costuma liderar essas listas.

As piores dores do mundo, segundo quem sente

O ranking mais citado vem de um questionário internacional com pessoas que têm cefaleia em salvas e que já tinham sentido outras dores fortes: a crise ficou acima de parto, pancreatite e pedra no rim. A lista de 20 dores do sistema público britânico, sem ordem de intensidade, inclui infarto, fratura, apendicite, hérnia de disco e herpes-zóster. As mais citadas, e o que fazer:

As dores mais citadas como as piores
DorComo é a criseO que fazer
Cefaleia em salvasAtrás de um olho, de 15 minutos a 3 horas, com olho vermelho e lacrimejandoPrimeira crise: pronto-socorro. Depois, tratamento para prevenir
Neuralgia do trigêmeoChoques de segundos no rosto ao falar, mastigar ou escovar os dentesConsulta em poucos dias
Cólica renalOndas nas costas que descem para a virilha; impossível ficar paradoPronto-socorro; com febre, sem esperar
Dor regional complexaDor desproporcional depois de trauma ou cirurgia, pele que muda de corConsulta nesta semana
Pancreatite agudaAlto da barriga indo para as costas, com vômitosPronto-socorro
PartoContrações em ondasAnalgesia na maternidade
InfartoAperto no peito que vai ao braço, pescoço ou mandíbula, com suor frioMais de 10 minutos: ligue 192

Para tratar, a pergunta que decide é de onde a dor vem e como ela é gerada. A dor pode vir de tecido lesionado (dor nociceptiva, como uma fratura ou uma inflamação), de um nervo doente ou comprimido (dor neuropática, com choques, queimação e formigamento) ou de um sistema nervoso que amplifica o sinal sem lesão proporcional (dor nociplástica, como na fibromialgia). Esse enquadramento muda completamente o tratamento, porque um anti-inflamatório que ajuda numa dor inflamatória pode ser inútil numa dor neuropática. Veja os tipos de dor.

Mito

“Dor forte significa lesão grave, e dor fraca significa que não é nada sério.”

Fato

A intensidade da dor nem sempre corresponde ao tamanho da lesão. Uma neuralgia pode ser excruciante sem destruição de tecido, e um tumor pode crescer com pouca dor. Por isso a avaliação importa mais do que a nota na escala.

Abaixo, percorremos 20 condições dolorosas que aparecem com frequência no consultório, agrupadas pelo mecanismo dominante. Para cada uma, há uma descrição curta do que é, por que dói e como costuma ser tratada na clínica. Onde já existe um material aprofundado, há um link para você ir mais fundo.

Dores neuropáticas e neurálgicas

Diagrama do nervo ciático descendo da coluna lombar pela nádega e perna, com vista posterior do trajeto do nervo e dos músculos piriforme e isquiotibiais.
A dor ciática segue o trajeto do nervo, da raiz lombar até a perna, o que ajuda a localizar onde ele está comprimido.

São dores que nascem de um nervo doente, comprimido ou hipersensível. O paciente descreve choque, queimação, agulhada ou formigamento, e muitas vezes a pele fica dolorida ao toque (alodínia). É o grupo que reúne várias das dores mais intensas que existem e que exige tratamento específico, em geral diferente dos analgésicos comuns.

1. Enxaqueca

A enxaqueca é uma dor de cabeça neurológica, em geral pulsátil e de um lado, acompanhada de náusea e sensibilidade à luz e ao som; algumas pessoas têm aura. Dói porque, na crise, as terminações do nervo trigêmeo nas membranas que envolvem o cérebro ficam hipersensíveis. Na clínica, o manejo combina identificação de gatilhos, fármacos de crise e de prevenção e, em casos crônicos, acupuntura e toxina botulínica. Veja o guia completo de enxaqueca: o que é, causas e tratamentos.

2. Cefaleia em salvas

É a dor que mais aparece no topo dos rankings. A crise dói atrás de um olho, sempre do mesmo lado, dura de 15 minutos a 3 horas e vem com olho vermelho, lacrimejamento e nariz entupido; a pessoa não para quieta. As crises chegam em períodos de semanas, muitas vezes no mesmo horário, inclusive de madrugada. Dói por um circuito do cérebro ligado ao relógio do corpo, o que explica o horário fixo das crises.

A crise se trata com oxigênio sob máscara e remédio específico; a prevenção, com remédio contínuo e, em casos selecionados, bloqueio do nervo occipital. Entenda a cefaleia em salvas.

3. Neuralgia do trigêmeo

Descrita entre as piores dores do mundo, é uma dor facial em choques elétricos de segundos, disparada por gestos banais como falar, mastigar ou tocar o rosto. Dói porque o nervo trigêmeo sofre descargas anormais, com frequência por compressão de um vaso sobre a raiz do nervo. O tratamento é medicamentoso (anticonvulsivantes como a carbamazepina são primeira linha), com bloqueios em casos selecionados e avaliação com neurocirurgião quando o remédio falha. Entenda em o que é a neuralgia do trigêmeo.

4. Neuropatia diabética dolorosa

O excesso crônico de glicose lesiona as fibras nervosas finas, sobretudo dos pés, gerando queimação, formigamento e dor que piora à noite. Dói porque os nervos periféricos passam a disparar de forma desorganizada. Além do controle da glicose, o manejo da dor usa fármacos para dor neuropática (como duloxetina, pregabalina, gabapentina e amitriptilina) e reabilitação. Aprofunde em neuropatia diabética e dor crônica.

5. Neuralgia pós-herpética

É a dor que persiste no trajeto de um nervo depois de um episódio de herpes-zóster (cobreiro). Dói porque o vírus deixa o nervo sensibilizado e lesionado, com queimação e alodínia que podem durar meses. O tratamento envolve fármacos para dor neuropática, adesivos anestésicos, capsaicina e bloqueios quando indicado, sempre dentro de um plano que também cuida do sono e do humor. Leia sobre a neuralgia pós-herpética.

6. Dor do membro fantasma

Após uma amputação, a pessoa continua sentindo dor em uma parte do corpo que não existe mais. Dói porque o cérebro mantém o mapa do membro e o sistema nervoso se reorganiza de forma desajustada. O manejo combina fármacos para dor neuropática, terapia do espelho, dessensibilização e reabilitação. Conheça a dor fantasma.

7. Síndrome dolorosa regional complexa (SDRC)

Costuma aparecer depois de um trauma ou cirurgia em um membro e cursa com dor desproporcional, inchaço, mudança de cor e de temperatura da pele e sensibilidade extrema ao toque. Dói por uma resposta exagerada e desregulada do sistema nervoso. O tratamento precoce é decisivo: reabilitação intensiva, dessensibilização, fármacos para dor neuropática e bloqueios simpáticos em casos selecionados. Veja a síndrome complexa de dor regional.

Pistas que sugerem dor neuropática
CaracterísticaO que o paciente costuma relatar
Qualidade da dorChoque, queimação, agulhada ou “fios elétricos”
AlodíniaDor ao toque leve, roupa ou vento na pele
DistribuiçãoSegue o trajeto de um nervo ou de uma raiz
Resposta a remédiosPouca resposta a analgésico comum; melhora com fármacos específicos

Coluna e dor musculoesquelética

Corte transversal de vértebra comparando disco normal com disco herniado que projeta material para o canal vertebral e comprime a raiz nervosa.
Na hérnia de disco o material do disco projeta-se para trás e comprime a raiz nervosa, gerando dor que irradia para o membro.

São as queixas mais comuns de todas e as que mais levam à incapacidade no mundo. A boa notícia é que a maioria é benigna e responde bem ao tratamento conservador, com exercício como base. Quando há compressão de raiz nervosa, soma-se um componente neuropático que muda a abordagem.

8. Hérnia de disco

O disco entre as vértebras se desloca e pode comprimir uma raiz nervosa, gerando dor que desce pela perna ou pelo braço, com formigamento e perda de força. Dói por um misto de inflamação local e irritação do nervo. A maioria melhora sem cirurgia, com reabilitação, controle da dor e técnicas em clínica; a cirurgia fica para a perda de força que piora. Veja o guia de hérnia de disco: causas, sintomas e tratamentos.

9. Dor lombar e dor no pescoço

A dor na parte baixa das costas é quase universal ao longo da vida. Na maior parte dos casos é mecânica, ligada a sobrecarga, postura mantida e descondicionamento, sem uma lesão grave por trás. Dói por tensão muscular, sobrecarga articular e sensibilização quando se torna crônica. O tratamento é ativo: exercício, educação em dor e técnicas em clínica conforme a resposta. Aprofunde no tratamento da lombalgia.

No pescoço, a lógica é parecida: a origem costuma ser muscular e postural, com a nuca e o trapézio sobrecarregados por horas de tela, e responde a exercício para os flexores profundos do pescoço, agulhamento seco e acupuntura. Leia sobre cervicalgia: causas, sintomas e tratamento.

10. Dor ciática

É a dor que percorre o trajeto do nervo ciático, da nádega à perna, geralmente por irritação de uma raiz lombar. Dói por compressão e inflamação do nervo, com queimação e choque ao longo do membro. O tratamento prioriza reabilitação e controle da dor neuropática, com bloqueios ou procedimentos nos casos que não melhoram. Entenda a dor ciática.

Por que tratar cedo

Dor que vira crônica muda de natureza

Quando a dor musculoesquelética persiste por meses, o sistema nervoso pode se sensibilizar e amplificar o sinal. Tratar bem na fase inicial reduz a chance de cronificação.

Carga global
1ª

causa de anos vividos com incapacidade no mundo é a dor lombar, segundo estimativas da literatura.

Dor articular e reumática

Esquema com cinco tipos de fratura no osso do braço: simples, exposta, em galho verde, cominutiva e impactada.
O padrão da fratura, da linha simples ao osso fragmentado, define a intensidade da dor e a conduta de tratamento.

Aqui a dor nasce das articulações, seja por desgaste, por inflamação autoimune ou por cristais. O padrão de rigidez, o número de articulações envolvidas e o horário em que dói ajudam a distinguir entre elas, o que orienta o tratamento.

11. Artrose (osteoartrite)

É o desgaste progressivo da cartilagem das articulações, comum em joelhos, quadris e mãos. Dói por sobrecarga mecânica, inflamação local de baixo grau e sensibilização. O exercício é o tratamento de base, com perda de peso quando indicado, fármacos por períodos curtos, infiltrações e viscossuplementação em casos selecionados. Veja osteoartrose: mitos e verdades.

12. Artrite reumatoide

É uma doença autoimune em que o sistema imune ataca a membrana das articulações, causando dor, inchaço e rigidez matinal prolongada, em geral de forma simétrica. Dói pela inflamação articular ativa. O tratamento de base é conduzido pelo reumatologista com medicamentos modificadores da doença; o papel da clínica de dor é complementar, com reabilitação e controle da dor. Veja como aliviar a dor da artrite reumatoide.

13. Gota

É uma artrite causada por depósito de cristais de ácido úrico na articulação, classicamente no dedão do pé, com crises de dor intensa, vermelhidão e calor que surgem de madrugada. Dói por uma reação inflamatória aguda aos cristais. O tratamento da crise e o controle do ácido úrico são conduzidos pelo médico; a clínica de dor entra no controle sintomático e na reabilitação entre crises. Veja gota: dor intensa no dedão do pé.

14. Dor na articulação da mandíbula (DTM) e no rosto

A disfunção temporomandibular (DTM) afeta a articulação da mandíbula e os músculos da mastigação, com dor ao mastigar, estalos e dor de cabeça associada, muitas vezes ligada a bruxismo e tensão. Dói por sobrecarga muscular e articular na região, com componente miofascial frequente. O manejo combina reabilitação, agulhamento seco, infiltração de pontos-gatilho e toxina botulínica para o bruxismo em casos selecionados.

Na crise, evite chiclete e alimentos duros. Veja DTM e dor orofacial.

Sinais de alerta · não espere

Procure atendimento hoje se houver

  • Dor súbita e muito intensa, “a pior da vida”, ou que surge após trauma de alta energia: pronto-socorro.
  • Dor no peito, pescoço ou mandíbula com falta de ar, suor frio ou náusea por mais de 10 minutos: ligue 192.
  • Febre alta ou calafrios com a dor, ou dor que vem com confusão ou rigidez de nuca: pronto-socorro.
  • Fraqueza súbita ou que piora em horas ou dias, ou perda de controle de urina ou fezes: pronto-socorro.
  • Articulação quente, vermelha e muito dolorida de início rápido, sobretudo com febre (infecção ou gota): atendimento no mesmo dia.
  • Perda de peso sem explicação ou suores noturnos associados à dor: consulta nesta semana.

Mais em sinais de alerta na dor.

Dores viscerais, pélvicas e oncológicas

Ilustração tridimensional do coração com área de infarto na parede anterior e detalhe ampliado de artéria coronária com placa obstruindo o lúmen.
A obstrução de uma artéria coronária reduz o fluxo de sangue e provoca a dor visceral intensa do infarto do miocárdio.

São dores que vêm dos órgãos internos, da pelve ou de uma doença sistêmica. Muitas exigem o especialista da causa (urologia, ginecologia, oncologia, gastroenterologia), e o papel da clínica de dor costuma ser complementar, focado no controle da dor e na reabilitação.

15. Cólica renal

Provocada por um cálculo que obstrui a via urinária, é descrita entre as piores dores que existem, em cólicas que vêm em ondas e fazem a pessoa não conseguir ficar quieta. Dói por distensão e espasmo da via urinária acima da pedra. Com febre ou calafrios, é urgência no mesmo dia.

O manejo agudo é feito em pronto-socorro e pela urologia (para dor e medidas para eliminar o cálculo); a clínica de dor pode entrar no manejo de quadros recorrentes. Veja dor nos rins, cólica e dor nas costas.

16. Dismenorreia e endometriose

A dismenorreia é a cólica menstrual; quando é secundária a uma doença como a endometriose, costuma ser mais intensa e progressiva. Dói por contrações uterinas mediadas por prostaglandinas e, na endometriose, por inflamação e dor pélvica crônica. A investigação da causa cabe à ginecologia; o manejo da dor inclui anti-inflamatórios, acupuntura e eletroacupuntura, que podem reduzir a cólica, e reabilitação do assoalho pélvico.

17. Dor pélvica crônica

É a dor na pelve que dura mais de seis meses, com causas que se sobrepõem (musculoesqueléticas, viscerais, neuropáticas e nociplásticas). Dói por uma combinação de fatores, e a sensibilização central costuma ter papel importante. O cuidado é multidisciplinar e o componente miofascial e neuropático responde a reabilitação do assoalho pélvico, agulhamento e fármacos. Aprofunde em dor pélvica crônica: causas e como tratar.

18. Dor oncológica

A dor no câncer pode vir do próprio tumor, do tratamento (como a neuropatia da quimioterapia) ou de nervos comprometidos, e pode ser intensa e mista (nociceptiva e neuropática). Dói por invasão de tecidos, compressão de estruturas e lesão de nervos. O controle segue princípios consagrados de manejo escalonado, incluindo opioides quando indicado, sempre integrado à oncologia e aos cuidados paliativos, com atenção a efeitos como a constipação induzida por opioides.

19. Fibromialgia

É o protótipo da dor nociplástica: dor difusa pelo corpo, fadiga, sono não reparador e sensibilidade aumentada, sem uma lesão que explique a intensidade. Dói porque o sistema nervoso amplifica os sinais de dor (sensibilização central). Não há cura definitiva, mas os sintomas são muito controláveis com exercício gradual, educação em dor, sono, manejo do humor e fármacos específicos (como duloxetina, amitriptilina e pregabalina). Veja fibromialgia: causas, sintomas e tratamento.

20. Pancreatite

A inflamação do pâncreas causa dor intensa no abdome superior que irradia para as costas, com náusea e piora após comer. Dói pela inflamação e pelo comprometimento de estruturas vizinhas. O quadro agudo é uma emergência clínica e seu tratamento é hospitalar e gastroenterológico; mencionamos aqui pela intensidade da dor, mas o manejo principal não é da clínica de dor, que pode ter papel apenas em quadros crônicos selecionados, sempre em conjunto com o especialista.

Assista: O SEGREDO que seu Corpo Esconde: 10 Sintomas de Doenças Reumáticas Graves

Como tratamos essas dores

Apesar da variedade de causas, o tratamento da dor compartilha uma lógica. Ele é individualizado e sem cirurgia, combina técnicas, parte de uma avaliação que define o mecanismo da dor e tem o exercício como base ativa; as demais técnicas se somam conforme o quadro e a resposta. O objetivo costuma ser controlar a dor, recuperar a função e reduzir recorrências, evitando o uso crônico de medicação e a cirurgia desnecessária.

Educação em dor e movimento

Entender o mecanismo da dor e retomar a atividade dentro do conforto, já a partir da consulta, por 1 a 2 semanas. A compreensão reduz o medo do movimento e melhora a adesão.

Reabilitação e exercício

Base do plano: fortalecimento progressivo, terapia manual como apoio, reeducação postural global (RPG) e Pilates clínico com o fisioterapeuta da clínica, um paciente por sala, 1 a 2 vezes por semana. Dê 4 a 8 semanas antes de subir de degrau.

Técnicas em clínica

Acupuntura, eletroacupuntura, agulhamento seco e infiltração de pontos-gatilho quando há componente muscular ou de nervo.

Procedimentos

Bloqueios anestésicos e toxina botulínica em casos selecionados que não responderam ao plano inicial em 3 a 6 semanas.

Reabilitação e exercício: a base

É a intervenção com a melhor relação entre evidência e segurança na maior parte das dores crônicas. O exercício terapêutico melhora o controle motor, a força e a mobilidade, dessensibiliza ao movimento e corrige fatores de sobrecarga. A resposta é gradual, ao longo de semanas, e depende da regularidade. É a base; as demais técnicas se somam a ela. Veja a reabilitação individual.

Acupuntura e eletroacupuntura

Num panorama tão variado, a acupuntura não cabe em tudo. Pode reduzir crises na enxaqueca e a dor no pescoço, aliviar a cólica menstrual e somar no controle da fibromialgia; soma pouco em dores estruturais como a artrose avançada ou as viscerais agudas (cólica renal, pancreatite), onde a causa pede outro caminho. Na neuralgia do trigêmeo, entra como apoio ao remédio.

O que esperar: 6 a 10 sessões, 1 a 2 por semana, reavaliando na 3ª ou 4ª; na enxaqueca e na dismenorreia o efeito é preventivo e aparece ao longo de algumas semanas de sessões regulares; numa contratura miofascial associada à cervicalgia ou à DTM a resposta tende a ser mais rápida. Veja a acupuntura na clínica.

Agulhamento seco

Das 20 condições aqui, esta técnica tem endereço claro: as que carregam um componente miofascial, sobretudo a cervicalgia tensional e a DTM, e a dor referida de pontos-gatilho que imita irradiações de nervo sem segui-las de fato. A agulha entra no nó do músculo, que costuma dar um pequeno salto e depois relaxar. Fica de fora das dores de articulação gasta e das dores de órgão desta lista.

O que esperar depende de quão irritável está o músculo: numa cervicalgia de início recente uma sessão já pode soltar o trapézio na mesma consulta, enquanto pontos crônicos e múltiplos costumam pedir 1 a 2 sessões por semana, reavaliando após 3 a 4; uma dor surda no local por um ou dois dias é esperada e passa sozinha. Veja o agulhamento seco.

Infiltrações e bloqueios

Infiltração de pontos-gatilho

Injeção de anestésico local (ou soro fisiológico) que interrompe o ciclo dor-espasmo-dor quando o ponto-gatilho é resistente ao agulhamento.

Moderadaponto resistente

Bloqueios anestésicos

Bloqueios do nervo occipital, do supraescapular e da coluna (facetário e radicular) interrompem temporariamente a condução da dor e abrem uma janela para avançar a reabilitação.

Moderadajanela p/ reab.

Infiltrações articulares e viscossuplementação

Infiltrações articulares e viscossuplementação com ácido hialurônico que ajudam em quadros como a artrose.

Moderadaartrose

O que esperar: alívio de dias a semanas, sempre combinado com exercício para sustentar o resultado. Veja infiltração e bloqueio.

Toxina botulínica

A toxina botulínica tipo A relaxa o músculo e reduz a liberação de substâncias que mantêm a dor acesa. Tem papel consolidado na enxaqueca crônica e na dor miofascial intensa que não cedeu, e é usada no bruxismo associado à DTM em casos selecionados. O que esperar: começa a agir em 3 a 7 dias, pico em 2 a 4 semanas, efeito por cerca de 3 a 4 meses. Veja a toxina botulínica na dor crônica.

Remédios

A medicação apoia o plano e é sempre prescrita pelo médico, com dose e duração definidas. Analgésicos e anti-inflamatórios servem para alívio por períodos curtos; analgésico comum no máximo 2 a 3 dias por semana, para não gerar dor de cabeça por excesso de remédio. Na dor neuropática e na dor crônica, consideram-se antidepressivos em dose baixa e remédios para dor de nervo; na neuralgia do trigêmeo, anticonvulsivantes como a carbamazepina. Classes e cuidados estão no guia de remédios para dor.

Dia da consulta

Avaliação e controle inicial

Definir o mecanismo da dor, aliviar o quadro agudo e iniciar movimento dentro do conforto.

Semana 1 a 3

Progressão

Reabilitação e técnicas em clínica conforme o quadro. A dor costuma começar a ceder e a função a melhorar.

Semana 3 a 6

Reavaliação

Sem a resposta esperada, revê-se o diagnóstico e considera-se procedimento ou investigação adicional.

Se 3 a 4 sessões da mesma técnica não mudaram a nota da dor (0 a 10) nem o que você consegue fazer, o diagnóstico do mecanismo é refeito antes de somar procedimentos.

Da prática clínica

O paciente que mais chega a uma clínica de dor com um panorama como este já passou por vários especialistas e traz uma pilha de exames de imagem; o trabalho inicial costuma ser reordenar o que já existe em torno de um mecanismo, antes de pedir mais exame. O engano mais frequente que vemos é tratar toda dor forte como inflamação e insistir em anti-inflamatório por semanas numa dor que é neuropática ou nociplástica, onde ele pouco acrescenta e o tempo perdido pesa. O sinal para parar e repensar é a ausência de qualquer ganho objetivo após um ciclo curto. E o que costuma surpreender quem chega é descobrir que a meta combinada é devolver função: muita gente melhora a vida com a dor caindo de oito para três, mesmo sem chegar a zero.

Como avaliamos a sua dor aqui

Na consulta, o fisiatra pergunta como a dor começou, como ela é (choque, queimação, aperto, pontada) e o que a piora. No exame, procura o ponto que reproduz a dor, testa força, reflexos e sensibilidade, passa a mão de leve na pele para ver se o toque dói e examina as articulações. A maioria sai sabendo o tipo de dor e com o plano, muitas vezes sem exame novo. Agulhamento seco, acupuntura, infiltração de ponto-gatilho ou bloqueio do nervo occipital podem começar no mesmo dia.

A reabilitação é feita com o fisioterapeuta da clínica, e o plano é revisto em 3 a 6 semanas. Quando a causa pede outro especialista (urologia, ginecologia, reumatologia), fazemos o encaminhamento. Atendimento particular, com recibo para pedir reembolso.

Referência reconhecida em dor

A clínica é um Centro de Dor listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED) e um Centro de Tratamento por Ondas de Choque listado pela SMBTOC, e é listada pelo CMBA (Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura).

SBED, Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor SMBTOC, Sociedade Médica Brasileira de Tratamento por Ondas de Choque CMBA, Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura

Perguntas frequentes

Qual é a pior dor do mundo?

Num questionário internacional com cerca de 1.600 pessoas que têm cefaleia em salvas, a crise ficou no topo, com média de 9,7 de 10. A neuralgia do trigêmeo, a cólica renal, a síndrome dolorosa regional complexa e a dor oncológica mal controlada costumam ser citadas logo atrás entre as piores dores descritas por quem as vive. Como a dor é uma experiência individual, nenhum ranking vale igual para todos.

Quais são as piores dores do mundo numa lista?

Listas variam, mas costumam reunir dores neuropáticas e viscerais intensas: neuralgia do trigêmeo, cólica renal, dor regional complexa, cefaleia em salvas, dor oncológica, dor do membro fantasma, gota em crise e dores do parto. Para tratar, o que decide é identificar o mecanismo da dor.

A dor do parto é a pior dor do mundo?

É uma das mais fortes, mas no questionário com pessoas que já tinham sentido as duas, o parto recebeu nota perto de 7 de 10, abaixo da cefaleia em salvas. Hoje a analgesia de parto controla boa parte dessa dor.

Essas doenças dolorosas têm cura?

Depende da condição. Algumas têm causa tratável e podem resolver; outras, como a fibromialgia, não têm cura definitiva, mas têm sintomas muito controláveis com o tratamento certo. De modo geral, o objetivo é controlar a dor e recuperar a função, dentro de um plano individualizado.

Quando devo procurar um médico da dor?

Quando a dor dura mais de 2 semanas, volta com frequência, tem características neuropáticas (choque, queimação, formigamento) ou limita a sua rotina. Um médico fisiatra ou da dor pode definir o mecanismo da dor e montar o plano. Com qualquer sinal da caixa de alerta, procure atendimento no mesmo dia.

Todas as dores intensas são tratadas na clínica de dor?

Não. Causas como cólica renal, pancreatite, gota e endometriose têm o tratamento principal conduzido por outros especialistas (urologia, gastroenterologia, reumatologia, ginecologia). A clínica de dor atua de forma complementar, no controle da dor e na reabilitação, e encaminha quando a causa exige o especialista.

Dr. Marcus Yu Bin Pai
Sobre o autor
Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP 158.074RQE 65.523 / 65.524 / 655.241

Médico especialista em Fisiatria e Acupuntura pela Associação Médica Brasileira, com área de atuação em Dor. Doutor em Ciências pela USP e médico colaborador do Grupo de Dor do HC-FMUSP.

Atuação acadêmica e institucional
  • Diretor do Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura
  • Professor Colaborador da Pós-Graduação em Dor da USP
  • Ex-membro da Câmara Técnica de Acupuntura do CREMESP
Revisão médica e editorial

Conteúdo revisado clinicamente por Prof. Dr. Hong Jin Pai. Tem finalidade educativa e cita fontes.

Referências6 fontes citadas neste artigoVerOcultar
  1. Cohen et al. Dor crônica: revisão sobre impacto, melhores práticas e novos avanços. The Lancet. 2021. ver resumo
  2. Nijs et al. Como reconhecer a sensibilização central em pacientes com dor musculoesquelética. Manual Therapy. 2010. ver resumo
  3. Hylands-White et al. Visão geral das abordagens de tratamento para manejo da dor crônica. Rheumatology International. 2016. ver resumo
  4. Scholz J, Finnerup NB, Attal N, et al. The IASP classification of chronic pain for ICD-11: chronic neuropathic pain. Pain. 2019;160(1):53 a 59. doi:10.1097/j.pain.0000000000001365 acessar
  5. National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Chronic pain (primary and secondary) in over 16s: assessment of all chronic pain and management of chronic primary pain. NICE guideline NG193. 2021. acessar
  6. Burish MJ, Pearson SM, Shapiro RE, et al. Cluster headache is one of the most intensely painful human conditions: results from the International Cluster Headache Questionnaire. Headache. 2021;61(1):117 a 124. doi:10.1111/head.14021 acessar
Leitura 21 min

Como cada uma destas 20 condições tem um mecanismo próprio, o tratamento descrito aqui só faz sentido depois de um diagnóstico individualizado, e várias delas exigem o especialista da causa.

Equipe médica · Jardim Paulista · 40+ anos

Centro de Tratamento de Dor, Fisiatria e Acupuntura Médica.

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