Infiltração articular guiada por ultrassom
Uma injeção depositada dentro da articulação com a agulha acompanhada em tempo real pelo ultrassom, para tratar dor de ombro, joelho, quadril, tornozelo e punho com a substância certa no lugar certo.
- A infiltração articular é a injeção de uma substância dentro do espaço da articulação — corticoide, ácido hialurônico ou anestésico — para tratar dor de causa articular, como a artrose e as sinovites. Guiar a agulha pelo ultrassom permite ver, em tempo real, que a ponta chegou de fato ao interior da articulação.
- A orientação por imagem melhora a precisão da agulha em relação à técnica por referências anatômicas e palpação, sobretudo em articulações profundas ou difíceis de acessar às cegas, como o quadril. Colocar a substância no alvo certo é o que dá sentido ao procedimento.
- A substância muda conforme o caso: o corticoide alivia por semanas e tem limite de repetições; o ácido hialurônico (viscossuplementação) é mais estudado no joelho. Nenhum deles altera a história natural da artrose — o eixo do tratamento continua sendo a reabilitação.
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O que é a infiltração articular
A infiltração articular é um procedimento de consultório em que uma substância é injetada dentro do espaço sinovial de uma articulação — o compartimento fechado, revestido pela membrana sinovial e banhado pelo líquido articular, onde as cartilagens de dois ossos se encontram. A finalidade é levar o medicamento diretamente ao local que dói, em concentração alta ali dentro e com pouca exposição do resto do corpo. É uma via de tratamento para dores de origem claramente articular, e não um analgésico genérico para qualquer dor perto de uma articulação.
O termo “guiada por ultrassom” descreve como a agulha chega ao alvo. Na técnica clássica, por referências anatômicas e palpação (a chamada abordagem “às cegas”), a posição da ponta é inferida pelo tato e pela anatomia de superfície. Com o ultrassom, um transdutor mostra na tela, em tempo real, a agulha avançando entre as estruturas até entrar no recesso articular — e confirma, pela distensão do espaço ou pela dispersão do líquido, que a substância foi depositada onde deveria. Ao contrário da fluoroscopia, não há radiação ionizante, e o exame é feito à beira do leito, no mesmo momento da injeção.
Vale separar duas coisas que costumam se confundir. A infiltração é uma família de procedimentos: o que se injeta, em qual estrutura e com qual objetivo varia bastante de um caso para outro. Dentro dessa família, a infiltração articular propriamente dita mira o interior da junta; há ainda as injeções em bursas, em bainhas de tendão e em pontos-gatilho musculares, que têm alvos e indicações próprios. Esta página trata do procedimento articular e serve de porta de entrada para as demais.
Por que guiar a agulha pela imagem
A lógica do ultrassom é simples de enunciar e importante na prática: um medicamento só faz o que se espera dele se estiver no lugar certo. Uma injeção que deveria ser intra-articular, mas que na verdade depositou a substância no tecido ao redor da cápsula, entrega uma dose menor ao alvo e pode irritar estruturas vizinhas. Confirmar a posição da ponta transforma uma suposição em um dado visível.
O transdutor de ultrassom emite ondas sonoras de alta frequência que atravessam a pele e são refletidas de volta pelos tecidos, formando a imagem. Com ele, o procedimento ganha três garantias que a técnica cega não oferece. A primeira é confirmar que a agulha está dentro do espaço articular: a ponta é vista atravessando a cápsula e entrando no recesso, e a distensão do espaço com o líquido injetado comprova o posicionamento intra-articular.
A segunda é desviar de estruturas que não devem ser puncionadas — vasos, nervos e tendões aparecem na tela e podem ser contornados no trajeto da agulha. A terceira é alcançar articulações profundas, como o quadril, que ficam longe da superfície e são de difícil acesso apenas pelo toque.
É por isso que a orientação por imagem se firmou como o padrão de referência em várias dessas punções. Estudos que compararam a técnica guiada por ultrassom com a técnica por palpação mostram, de forma consistente, maior taxa de posicionamento intra-articular correto da agulha com a imagem — o ganho é mais evidente justamente nas articulações onde acertar às cegas é mais difícil. A imagem não muda a doença de fundo; ela aumenta a chance de que o tratamento escolhido chegue ao compartimento que se pretende tratar.
Agulha dentro do espaço
A ponta é vista atravessando a cápsula e entrando no recesso articular; o líquido injetado distende o espaço e confirma o posicionamento.
Estruturas vizinhas
Vasos, nervos e tendões aparecem na tela e são contornados; sem radiação, ao contrário da fluoroscopia.
Quais articulações costumam ser tratadas
A infiltração articular é considerada quando a dor tem origem clara dentro de uma junta — na maioria das vezes por artrose (osteoartrite), mas também por sinovites e outras condições inflamatórias articulares — e quando as medidas iniciais, como reabilitação e medicação, não bastaram para controlar os sintomas. O benefício esperado, porém, não é o mesmo em toda articulação, e é honesto graduar cada uma separadamente. As mais tratadas na prática são estas cinco.
Joelho
A articulação de acesso mais fácil e a mais estudada. Na artrose de joelho (gonartrose), a infiltração é a que reúne o maior corpo de evidência, tanto para o corticoide quanto para o ácido hialurônico. É o cenário em que o procedimento tem o respaldo mais firme.
Ombro
Usada na dor glenoumeral por artrose e em quadros inflamatórios como a capsulite. A anatomia do ombro, com tendões e bursas próximos, é onde a imagem mais ajuda a separar o alvo articular do periarticular e a colocar a substância no compartimento certo.
Quadril
Articulação profunda, de difícil acesso pela palpação, em casos selecionados de coxartrose. É a indicação em que a orientação por imagem passa de conveniência a praticamente uma necessidade, pela distância entre a pele e o espaço articular.
Tornozelo
Em casos selecionados de artrose ou sinovite do tornozelo, quando a dor limita a marcha apesar do tratamento conservador. O espaço articular é estreito, e a imagem ajuda a garantir que a agulha entrou na junta certa entre as várias do retropé.
Punho e mão
Articulações pequenas, como o punho e a base do polegar (rizartrose). O calibre reduzido do espaço torna a precisão da agulha decisiva, e o ultrassom permite acertar recessos que seriam difíceis de puncionar apenas pelo toque.
A leitura que atravessa esses cinco cenários é a de que o joelho é o terreno mais firme, e que quadril e tornozelo entram em casos selecionados, com indicação mais restrita. Em todas elas, o que define quem é candidato, qual substância usar e quantas aplicações fazer é uma avaliação que confirme a origem articular da dor pelo exame e, quando necessário, pela imagem — e que afaste causas que peçam outra conduta.
- Dor de padrão articular. Dor mecânica na junta, que piora com carga e movimento e melhora com repouso, muitas vezes com rigidez matinal curta e crepitação.
- Origem confirmada no exame. Sinais de artrose ou sinovite na própria articulação, e não dor referida de uma estrutura vizinha.
- Resposta insuficiente às medidas iniciais. Quando reabilitação e medicação bem conduzidas não controlaram os sintomas.
- Ausência de contraindicação. Sem infecção ativa na articulação ou na pele sobre ela, e sem outros impedimentos avaliados antes.
Tipos de infiltração e a família do procedimento
Nem toda infiltração é articular. A agulha guiada por imagem trata alvos diferentes conforme a estrutura que gera a dor, e vale conhecer a família inteira para entender onde a infiltração articular se encaixa. Além da junta em si, três alvos aparecem com frequência, e cada um tem sua página própria.
Viscossuplementação (ácido hialurônico)
Injeção de ácido hialurônico no espaço articular para melhorar a lubrificação e amortecer a junta, mais estudada no joelho. É a variante da infiltração articular definida pela substância — o detalhe de como o ácido hialurônico age, a evidência e o que esperar está em infiltração com ácido hialurônico.
Infiltração de bursa
Depósito de anestésico e, quando indicado, corticoide dentro de uma bursa inflamada — a bolsa de deslizamento entre tendão e osso — como na bursite do ombro ou do quadril. O alvo é a bursa, e não o interior da articulação. Veja a infiltração de bursa.
Infiltração de bainha tendínea
Aplicação ao redor da bainha que envolve um tendão inflamado, como nas tenossinovites. Aqui a agulha deposita a substância no espaço entre o tendão e sua bainha, evitando injetar o tendão. Veja a infiltração de bainha tendínea.
Há ainda a infiltração de pontos-gatilho musculares, com alvo na banda tensa do músculo, detalhada em inativação e agulhamento de pontos-gatilho. O denominador comum de toda a família é o mesmo: escolher a substância certa e depositá-la exatamente na estrutura que gera a dor — e é aí que a orientação por imagem faz diferença.
Infiltração articular é a injeção dentro da junta; bursa, bainha tendínea e ponto-gatilho são alvos vizinhos, com a mesma agulha guiada por imagem e substâncias parecidas, mas indicações próprias. O nome que importa é o do alvo certo para cada dor.
A evidência de cada substância injetada
Guiar a agulha pela imagem melhora a precisão da punção. O que se injeta muda conforme o caso: o corticoide alivia por semanas; o ácido hialurônico pode durar mais, sobretudo no joelho.
Mais precisão da agulha do que a técnica por palpação
Revisões e ensaios que compararam a punção guiada por ultrassom com a técnica por referências anatômicas mostram, de forma consistente, maior taxa de posicionamento intra-articular correto da agulha com a imagem. O ganho de acurácia é mais expressivo nas articulações profundas ou de acesso difícil. É a parte mais firme do procedimento: a imagem melhora a precisão da injeção.
Reduz a dor por semanas, com limite de repetições
Na artrose, o corticoide intra-articular reduz a dor e a inflamação sinovial no curto prazo, com efeito medido em semanas. É útil para controlar uma crise inflamatória e abrir uma janela para a reabilitação. Não altera a evolução da artrose, e o uso repetido no tempo tem limites, pela possibilidade de efeitos locais sobre a cartilagem e os tecidos com aplicações frequentes. Por isso o número de infiltrações por ano é restrito e individualizado.
Benefício possível, sobretudo na artrose do joelho
O ácido hialurônico busca melhorar a lubrificação e o amortecimento da junta, e é a substância com o maior corpo de estudos na artrose do joelho, onde parte dos pacientes obtém alívio que pode durar meses. A resposta é variável e a leitura das diretrizes é heterogênea. Em outras articulações, a evidência é menor. O detalhe da técnica e da evidência está na página específica de infiltração com ácido hialurônico.
O perfil de segurança é bom quando as substâncias são bem indicadas, o que ajuda a justificar o procedimento em casos selecionados. O eixo do tratamento continua sendo a reabilitação.
Como o procedimento é feito
A infiltração articular guiada por ultrassom é ambulatorial e rápida, feita em consultório, sem internação nem sedação. Depois de identificar o alvo pela imagem e antissepsiar a pele, a agulha é avançada sob visão direta do ultrassom até entrar no espaço articular, e a substância é depositada ali. O passo a passo, do que acontece antes ao que vem depois, é este:
Antes: exame e planejamento
A avaliação confirma a origem articular da dor, escolhe a articulação-alvo e a substância mais adequada ao caso, e revê contraindicações e medicações em uso.
Durante: a punção guiada
Com o transdutor sobre a articulação e a pele antissepsiada, a agulha entra sob visão do ultrassom até o recesso articular. Confirmado o posicionamento intra-articular, a substância é injetada. Costuma durar poucos minutos.
Depois: retorno à rotina
Sem repouso prolongado obrigatório. A articulação pode ficar sensível por um a dois dias. Orienta-se poupar cargas intensas por um curto período e observar a resposta.
Reavaliação e reabilitação
Mede-se o ganho de dor e função e retoma-se o exercício terapêutico, que é o que sustenta o resultado ao longo do tempo. Decide-se então se, e quando, uma nova aplicação faz sentido.
O que se injeta varia conforme o objetivo. O anestésico local dá alívio imediato e ajuda a confirmar o alvo. O corticoide, quando associado, prolonga o efeito anti-inflamatório por semanas, com limite de repetições. O ácido hialurônico entra na lógica da viscossuplementação, sobretudo no joelho. A escolha entre eles, a dose e o volume são individualizados, guiados pela articulação, pelo diagnóstico e pela resposta anterior.
Infiltração articular guiada por ultrassom
- O que trata
- Dor de origem articular por artrose e sinovites, em ombro, joelho, quadril, tornozelo e punho, quando as medidas iniciais não bastaram para controlar os sintomas.
- Como é feita
- Injeção de corticoide, ácido hialurônico ou anestésico dentro do espaço articular, com agulha avançada sob visão direta do ultrassom, em ambiente ambulatorial.
- Orientação por imagem
- O ultrassom confirma que a agulha está dentro do espaço articular e afasta estruturas vizinhas; sem radiação ionizante, ao contrário da fluoroscopia.
- Duração
- Poucos minutos por aplicação; sem anestesia geral, com retorno à rotina no mesmo dia.
- O que esperar
- Corticoide: alívio de semanas. Ácido hialurônico: benefício possível de meses no joelho, variável. Anestésico: alívio imediato e curto. Pode ser repetido com intervalos definidos.
- Recuperação
- Praticamente imediata; possível sensibilidade na articulação por um a dois dias e orientação de poupar cargas intensas por um curto período.
- Limitações
- Controla sintomas e abre janela para a reabilitação; não regenera a cartilagem nem interrompe a progressão da artrose; o corticoide tem limite de repetições; contraindicada em infecção ativa; a resposta é variável entre pessoas.
Segurança e quando não é indicada
A infiltração articular tem, em geral, bom perfil de segurança quando bem indicada e feita com técnica asséptica. Os efeitos mais comuns são locais e passageiros: dor ou pressão no ponto durante a aplicação, sensibilidade na articulação por um a dois dias e um discreto hematoma. Com o corticoide, pode ocorrer uma reação inflamatória transitória nas primeiras 24 a 48 horas (a chamada crise pós-injeção) e, no ponto de aplicação, afinamento da pele ou alteração de cor com o uso repetido. Ainda assim, como todo procedimento invasivo, tem situações em que exige cautela ou está contraindicado, e por isso depende de avaliação médica prévia.
Situações em que a infiltração não é indicada, ou pede avaliação
- Infecção ativa na articulação ou na pele sobre o ponto de punção — é a contraindicação mais importante, pelo risco de levar a infecção para dentro da junta.
- Suspeita de artrite séptica (articulação quente, muito inchada e com febre), que precisa ser investigada e tratada antes de qualquer infiltração.
- Uso de anticoagulantes ou distúrbios de coagulação, pelo risco de sangramento dentro da articulação.
- Diabetes descompensado, pela possibilidade de elevação transitória da glicemia com o corticoide.
- Alergia conhecida à substância a ser injetada, ou prótese articular no local, que muda a conduta.
A presença de qualquer um desses fatores não descarta o tratamento de forma automática — a maioria muda a conversa, a substância ou o momento, e apenas a infecção ativa é uma barreira firme. Comunicar o uso de medicamentos, alergias e condições de saúde é parte de uma indicação segura.
O que esperar depois e a série de aplicações
A recuperação da infiltração articular costuma ser rápida. Não há necessidade de repouso prolongado; orienta-se apenas poupar cargas e esforços intensos sobre a articulação por um curto período, e observar como a dor responde. Quando se usa anestésico, pode haver um alívio quase imediato, que serve inclusive para confirmar que a dor vinha daquela junta.
O efeito do corticoide se instala ao longo de dias, e o do ácido hialurônico tende a se construir ao longo de semanas. Alivia a dor e a inflamação por um período e abre espaço para a reabilitação; não regenera a cartilagem.
A duração do benefício é variável. Com o corticoide, o alívio costuma ser medido em semanas; com o ácido hialurônico no joelho, parte dos pacientes tem meses de melhora. Por isso a infiltração é frequentemente pensada como parte de um plano com reavaliação: se ajudou mas o efeito passou, pode ser repetida com intervalos definidos, respeitando o limite de aplicações de corticoide por ano; se não ajudou, insistir não faz sentido, e a conduta é rever o diagnóstico ou a estratégia.
Reação local e alívio inicial
Possível sensibilidade na junta e, com corticoide, uma reação inflamatória transitória. Com anestésico, alívio imediato que ajuda a confirmar o alvo.
Efeito terapêutico
O corticoide reduz a dor por semanas; o ácido hialurônico constrói o benefício ao longo de semanas, com duração de meses em parte dos casos no joelho.
Reavaliação e reabilitação
Retoma-se o exercício terapêutico, que sustenta o ganho; decide-se se e quando repetir, respeitando o limite de corticoide por ano.
A infiltração dentro de um plano multimodal
O ponto mais importante desta página é o mais fácil de esquecer quando se busca por uma injeção que resolva: a infiltração articular é uma camada dentro de um plano, e não o plano inteiro. Ela alivia e abre janela; o que sustenta o resultado ao longo do tempo é o conjunto — reabilitação, ajuste de carga e, quando cabe, medicação. É assim que ela rende mais, e é assim que a abordamos.
A pergunta que mais ouço antes do procedimento é uma variação de “essa injeção vai regenerar minha cartilagem?”. Prefiro combinar desde ali o que significa dar certo: menos dor por um período, o suficiente para a pessoa voltar a se mover e treinar. Quando a dor cai, a infiltração cumpriu seu papel de abrir a janela — o que preenche essa janela e mantém o ganho é o exercício.
O outro ponto é a origem da dor. Muita dor “de artrose” tem um componente muscular e postural ao redor da junta, e ignorá-lo faz o alívio da infiltração durar menos. Por isso o procedimento quase nunca vem sozinho: caminha com o trabalho de força, mobilidade e controle da carga.
Reabilitação e a parceria com a fisioterapia
O exercício terapêutico é a intervenção com a melhor relação entre evidência e segurança na artrose e na maioria das dores articulares crônicas, e o eixo de todo o resto. Fortalecer a musculatura que protege a junta — o quadríceps no joelho, os glúteos no quadril, o manguito rotador no ombro —, recuperar mobilidade e ajustar a carga do dia a dia é o que dá ao corpo condições de tolerar a articulação desgastada e de manter o alívio que a infiltração começou. A fisioterapia é uma parceira valiosa nesse ponto: fisiatria e fisioterapia se complementam, uma conduzindo a estratégia médica e o procedimento, a outra desenvolvendo a reabilitação, e juntas ampliam o alcance do que a injeção inicia. Na artrose do joelho especificamente, esse raciocínio é detalhado no guia sobre gonartrose e tratamento com fisioterapia.
Viscossuplementação e a escolha da substância
Quando o alvo é a lubrificação e o amortecimento da junta, sobretudo no joelho, a viscossuplementação com ácido hialurônico é a variante da infiltração articular pensada para esse objetivo, com um perfil de efeito mais gradual e potencialmente mais duradouro que o do corticoide em parte dos casos. A escolha entre corticoide, ácido hialurônico ou anestésico não é aleatória: depende da articulação, do predomínio inflamatório ou mecânico do quadro, do número de aplicações já feitas e da resposta anterior. O detalhe dessa substância, do que ela faz e da evidência que a sustenta, está em infiltração com ácido hialurônico.
Medicação e controle de carga
Conforme o quadro, a infiltração se soma ao tratamento de fundo da artrose. No campo farmacológico, analgésicos e anti-inflamatórios podem controlar crises, e há medicamentos usados especificamente na artrose, sempre com indicação, dose e duração definidas pelo médico. O controle do peso e o ajuste da carga sobre a articulação — evitar sobrecarga sem cair na imobilidade — completam o conjunto. A medicação e a infiltração aliviam e abrem espaço para a reabilitação, mas não substituem o trabalho ativo, que é o que muda o curso funcional do quadro.
Avaliação e base
Confirmar a origem articular da dor, iniciar a reabilitação e definir, com o médico, se há indicação de infiltração e com qual substância.
Infiltração e retomada ativa
Feita a punção guiada, retoma-se o exercício à medida que a dor cede; o alívio abre espaço para ganhar força e mobilidade.
Decisão por metas
Medir dor e função; manter o que funciona, e decidir sobre nova aplicação respeitando o limite de corticoide por ano.
Centro de Dor
Listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED)
Centro de Tratamento por Ondas de Choque
Listado pela Sociedade Médica Brasileira de Tratamento por Ondas de Choque (SMBTOC)
Clínica listada
Listada pelo Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura (CMBA)
Perguntas frequentes
Qual a vantagem da infiltração guiada por ultrassom?
A vantagem é a precisão. Com o ultrassom, a agulha é acompanhada em tempo real na tela e a ponta é vista entrando no espaço da articulação, o que confirma que a substância foi depositada dentro da junta, e não no tecido ao redor. A imagem também ajuda a desviar de vasos, nervos e tendões, e é especialmente útil em articulações profundas ou de difícil acesso, como o quadril. Ao contrário da fluoroscopia, o ultrassom não usa radiação. Colocar o medicamento no lugar certo é o que dá sentido ao procedimento.
O corticoide “estraga” a cartilagem?
O corticoide intra-articular controla a dor e a inflamação por semanas e é seguro quando usado de forma pontual e com intervalos adequados. A preocupação com efeito sobre a cartilagem existe apenas com o uso repetido e frequente ao longo do tempo, e é por isso que o número de aplicações por ano é limitado e individualizado. Usado dentro desse limite, é uma ferramenta útil para atravessar uma crise inflamatória e abrir espaço para a reabilitação. O que ele não faz — em nenhuma dose — é regenerar a cartilagem ou parar a evolução da artrose.
Quantas infiltrações posso fazer por ano?
Não há um número único para todos, e ele depende da substância. Para o corticoide, existe um limite conservador de aplicações por ano na mesma articulação, justamente para evitar efeitos do uso repetido, e o intervalo entre elas é definido pelo médico conforme a resposta. O ácido hialurônico segue outra lógica, geralmente em ciclos. A decisão de repetir considera quanto a aplicação anterior ajudou e por quanto tempo — se o alívio foi bom e durou, repetir faz sentido; se não ajudou, a conduta é rever a estratégia em vez de insistir.
A infiltração dói?
A aplicação é feita com agulha fina e costuma provocar uma picada e uma sensação de pressão dentro da articulação enquanto a substância entra. Quando se usa anestésico, é comum sentir alívio da dor logo após. Pode haver sensibilidade na junta por um a dois dias, e com o corticoide uma reação inflamatória transitória nas primeiras 24 a 48 horas, que passa sozinha. Não requer anestesia geral nem repouso prolongado, e o retorno às atividades leves é no mesmo dia.
Quando a infiltração não é indicada?
A contraindicação mais importante é a infecção ativa na articulação ou na pele sobre o ponto de punção, pelo risco de levar a infecção para dentro da junta — por isso uma articulação quente, muito inchada e com febre precisa ser investigada antes. Também pedem cautela o uso de anticoagulantes ou distúrbios de coagulação, o diabetes descompensado (o corticoide pode elevar a glicemia), a alergia à substância a ser injetada e a presença de prótese no local. A avaliação médica prévia é o que define, caso a caso, se o procedimento pode ser feito e com qual substância.
Quem realiza a infiltração articular?
A infiltração articular é realizada pelo Dr. Marcus Yu Bin Pai (CRM-SP 158.074 · RQE 65.523), médico especialista em Fisiatria com área de atuação em Dor e colaborador do Grupo de Dor do HC-FMUSP. A indicação é definida em avaliação individual, antes do procedimento.
Posso fazer a infiltração articular no mesmo dia da avaliação?
Na maioria dos casos, sim. É um procedimento ambulatorial, feito em consultório, que costuma levar de uma a duas horas contando o preparo e um período de observação. A confirmação depende da avaliação médica no dia.
Preciso de internação? Volto para casa no mesmo dia?
Não é necessária internação. É um procedimento ambulatorial: depois de um breve período de observação, você recebe alta e vai para casa no mesmo dia.
Preciso evitar atividade física depois?
Convém evitar esforço intenso e atividade física de impacto nos primeiros dias. As orientações específicas de repouso e de retorno às atividades são passadas pelo médico após o procedimento, de acordo com o seu caso.
Ultrassom melhora a acurácia da punção articular
Metanálises que compararam a injeção intra-articular guiada por ultrassom com a técnica por referências anatômicas encontraram maior taxa de posicionamento intra-articular correto da agulha com a imagem, com ganho mais evidente em articulações de acesso difícil.
Alívio de curto prazo na artrose
Revisões sistemáticas mostram que o corticoide intra-articular reduz a dor da artrose do joelho no curto prazo, com efeito que se dissipa em semanas, sem alterar a progressão estrutural da doença — o que sustenta seu uso pontual e com limite de repetições.
Mais estudado na artrose do joelho
O ácido hialurônico é a substância com o maior corpo de estudos na artrose do joelho; parte dos pacientes obtém alívio que pode durar meses, com resposta variável e recomendação heterogênea entre as diretrizes.
Referências5 fontes citadas neste artigoVerOcultar
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Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação médica individual. A indicação da infiltração articular, a escolha da substância e a definição do número de aplicações são decisões individualizadas, que dependem do exame e do diagnóstico de cada caso. A indicação de qualquer procedimento ou medicamento cabe exclusivamente ao médico assistente.

