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Gonartrose e tratamento com fisioterapia

A gonartrose, ou artrose do joelho, é um quadro clínico que pode progredir lenta ou rapidamente, dependendo bastante da individualidade do paciente, seu histórico clínico e seus hábitos cotidianos.

Mas o que é certo é que ela leva a uma perda gradual da mobilidade articular e, consequentemente, pode ocasionar perda da funcionalidade motora do indivíduo caso não haja uma intervenção com tratamento adequado a tempo.

A fisioterapia é uma das abordagens costumeiramente indicada, visando complementar outros tratamentos como o farmacológico e até mesmo cirurgias quando estas são realmente necessárias.

A seguir abordamos o que é essa patologia e como a fisioterapia é eficiente para promover a melhora da qualidade de vida do paciente com gonartrose.

 

 

Gonartrose: o que é?

Gonartrose também é conhecida como osteoartrose ou artrose do joelho. É uma condição na qual a cartilagem desta articulação sofre um processo degenerativo gradual que, aos poucos, limita a mobilidade do paciente, por ocasionar redução do espaço articular e, em decorrência, bastante dor e desconforto para a realização de atividades diárias.

Dependendo do momento em que o diagnóstico é obtido é possível curá-la. Porém, em diversas situações o indivíduo apenas identifica o quadro quando a patologia já evoluiu o suficiente para não ser mais curável. Nestes casos, os tratamentos visam o alívio das dores e a redução da velocidade de progressão da doença.

As dificuldades para que seja feito um diagnóstico precoce decorrem do fato de que os sintomas da gonartrose podem ser semelhantes aos de outras condições clínicas mais simples, como um cansaço muscular por excesso de sobrecarga, por exemplo.

Ainda, uma vez que a progressão da patologia pode ser lenta, dependendo dos hábitos do indivíduo, este consegue suportar os sintomas iniciais sem imaginar que seja necessário buscar ajuda médica.

Portanto, é preciso estar sempre atento aos sinais associados à artrose do joelho, bem como as suas causas e fatores de risco. Assim, fica mais fácil realizar o diagnóstico na fase inicial da doença e até mesmo eliminá-la do organismo.

 

 

Causas e fatores de risco

A osteoartrose do joelho pode ser de origem primária, quando a causa não é conhecida, ou secundária, quando há uma condição clínica inicial e é esta que desencadeia o processo de degeneração da cartilagem e consequente inflamação da área articular.

Entre as condições clínicas mais frequentes destacamos algumas:

  • traumas e lesões na articulação;
  • doenças autoimunes;
  • infecções;

Porém, a gonartrose mais comum é a idiopática. Nestes casos, geralmente o paciente apresenta o comprometimento de ambos os joelhos e até mesmo de outras articulações do corpo.

Além disso, estudos acadêmicos têm demonstrado uma associação recorrente entre a artrose de joelho primária e o processo natural de envelhecimento do sistema osteomuscular.

Especificamente em relação aos fatores de risco para essa patologia, a maioria dos estudos na área da reumatologia demonstram um vínculo não só da idade, mas também do gênero e da obesidade com o surgimento da gonartrose.

Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia, a doença torna-se frequente em pacientes com mais de 60 anos e, inclusive, 85% dos indivíduos com mais de 75 anos apresenta diagnóstico positivo para ela.

Ademais, as mulheres costumam ser mais acometidas pela artrose no joelho do que os homens e o excesso de peso corporal também predispõe ao quadro devido ao alto impacto que acaba sobrecarregando a articulação.

 

Sintomas

 

Os sintomas da gonartrose tendem a aumentar com a progressão da doença, mas desde o início do quadro já é perceptível:

  • dor ao realizar movimento com a articulação;
  • dificuldade para mover o joelho após um período de repouso;
  • rigidez articular ao acordar;
  • inchaço e vermelhidão da região.

Se um tratamento não é iniciado precocemente, as dores aumentam tanto em intensidade quanto em frequência. E é possível, ao longo do tempo, visualizar a deformidade articular ocasionada pela degeneração da cartilagem, assim como pela formação de osteófitos – bicos de papagaio – na área acometida.

Como resultado, os pacientes apresentam dificuldade para caminhar e precisam adaptar seus movimentos, o que é facilmente identificado pelo ato de mancar.

Enfim, à medida que a doença evolui, progridem também os sintomas e a incapacitação motora do paciente. Por isso, o ideal é que o diagnóstico seja obtido o quanto antes, no princípio do desenvolvimento do quadro clínico.

 

Realizando o diagnóstico adequado

 

A primeira etapa do diagnóstico da osteoartrose do joelho é clínico e, em geral, coletando informações sobre o histórico do paciente, seus sintomas e observando a articulação, o médico já identifica a patologia.

Mas radiografias são frequentemente pedidas com o objetivo de verificar a presença de cistos e/ou osteófitos, pois assim detecta-se como está a progressão da doença e quais devem ser os objetivos do tratamento.

Outros exames como de sangue, ressonância magnética ou tomografia computadorizada são exigidos quando há suspeita de outras patologias ou de lesões na articulação, as quais costumam ser as causas primárias para a artrose nessas situações específicas.

Tratamentos frequentemente indicados

 

Na grande maioria das vezes, após o diagnóstico da artrose de joelho é possível aplicar uma abordagem conversadora para o tratamento da doença. Desta forma, unem-se algumas intervenções complementares como uso de medicamentos, prática regular de exercícios físicos e fisioterapia.

O objetivo principal é aliviar as dores e desconfortos decorrentes da patologia, assim como retardar o processo de evolução do quadro clínico. Consequentemente consegue-se minimizar e/ou atrasar o surgimento de diversos sintomas que aparecem progressivamente ao longo do desenvolvimento da gonartrose.

Vale ressaltar que visando a redução das dores, pode-se optar por terapias alternativas como acupuntura, massagens e injeção de ácido hialurônico na articulação comprometida.

Todas estas agem favoravelmente como formas de promover a analgesia da região dolorida, sem apresentar os efeitos adversos comuns aos fármacos convencionais.

Porém, se o diagnóstico só ocorre quando o quadro já está bastante avançado é preciso uma outra abordagem, no caso a cirúrgica.

A seguir apresentamos algumas especificidades de alguns tratamentos indicados.

 

Medicamentoso

 

Os principais fármacos utilizados costumam ser os analgésicos e os anti-inflamatórios não esteroidais. Os objetivos são tanto a redução do processo inflamatório que acomete a articulação, bem como o alívio das dores características da osteoartrose, que se tornam frequentes e debilitantes.

Porém, tais drogas, se utilizadas cronicamente, acarretam diversos efeitos colaterais e diminuem a qualidade de vida do paciente, pois predispõem a outras condições clínicas também comprometedoras da saúde.

Portanto, atualmente muitos estudos têm verificado a eficácia de outros tipos de medicamentos.

Dentre eles citamos os sulfatos de glucosamina e de condroitina. Ambos tem como função principal aumentar a síntese do tecido cartilaginoso. Logo, tendem a desacelerar a degeneração da articulação, ao mesmo tempo em que apresentam menos efeitos adversos.

Prática regular de exercícios físicos

 

Uma importante recomendação aos pacientes com gonartrose é que mantenham, ou iniciem, a prática regular de exercícios físicos, pois o sedentarismo é tanto um fator de risco para adquirir a doença como um acelerador da evolução da mesma.

Porém, não são quaisquer exercícios indicados aos indivíduos com artrose no joelho. Primeiramente, atividades de alto impacto devem ser evitadas, como corridas e saltos, por exemplo.

O que é ideal são exercícios de baixo impacto, que promovam o fortalecimento da musculatura da coxa – parte anterior e posterior – e pernas, predominantemente.

Nesse sentido, as atividades aquáticas como natação e hidroginástica são bastante aconselhadas, além da musculação bem orientada por profissional qualificado.

Alongamentos também são indicados, podendo ser feitos individualmente ou durante práticas como pilates ou yoga, pois além de favorecer o próprio fortalecimento da musculatura, reduzem dores existentes, por meio do relaxamento proporcionado pela correta execução dos exercícios.

Muito importante, vale ressaltar, é manter a regularidade da prática física. Ao menos duas vezes na semana e durante cerca de 30 a 45 minutos para que os benefícios sejam garantidos.

 

Cirurgia do joelho

 

Caso o quadro clínico já esteja bastante avançado, pode ser aconselhável realizar uma cirurgia do joelho. Existem três tipos de procedimentos que podem ser feitos: uma artroscopia, uma osteotomia ou a substituição do tecido danificado por uma prótese.

A primeira é a cirurgia menos invasiva, pois um pequeno instrumento é inserido no joelho do paciente – um artroscópio – e o reparo é feito proporcionando um tempo de recuperação mais curto, bem como menos dor e desconforto.

Já a osteotomia exige uma intervenção mais complexa, porém não é caracterizada pela inserção de uma prótese na articulação. Há apenas a correção do dano na própria ossatura do corpo do indivíduo.

Finalmente, a medida mais drástica é a substituição da articulação comprometida por uma prótese. Este procedimento só é considerado quando realmente não há a possibilidade de uma boa qualidade de vida a partir dos outros tratamentos indicados previamente.

 

A fisioterapia no tratamento da gonartrose

 

O tratamento com a fisioterapia é comumente indicado pelo médico como um complemento tanto às abordagens conservadoras como às cirúrgicas.

O fisioterapeuta deve, portanto, conhecer e acompanhar a situação do paciente para que planeje as sessões adequadamente e escolha as melhores técnicas. Assim, promove uma melhora do quadro clínico e do bem estar do indivíduo acometido pela gonartrose.

 

Objetivos dessa abordagem terapêutica

 

Os objetivos fundamentais da fisioterapia nos casos de artrose de joelho são:

  • amenizar e controlar a dor;
  • fortalecer e alongar a musculatura que envolve o joelho;
  • estabilizar a articulação;
  • ampliar a funcionalidade do paciente para as atividades cotidianas;
  • retardar o processo de degradação da cartilagem articular;
  • garantir melhor qualidade de vida pelo maior tempo possível.

Ou seja, quando aplicada em conjunto com os outros tratamentos, favorece a autonomia e a independência do indivíduo, mantendo a autoestima e a autoconfiança, possibilitando a prática de atividades de lazer, profissionais e/ou cotidianas.

Salientamos também que a fisioterapia é primordial após os procedimentos cirúrgicos, pois apenas com a realização das sessões o paciente consegue restabelecer a funcionalidade articular e recuperar gradualmente a mobilidade do joelho.

 

Técnicas utilizadas

 

Para que o fisioterapeuta defina quais técnicas são utilizadas durante o tratamento, ele deve, inicialmente, conhecer a fase da doença na qual o paciente se encontra, bem como a idade do mesmo e outras características como atividades físicas que realiza, hábitos alimentares, histórico clínico e patologias presentes na família.

Na sequência, consegue estabelecer a melhor maneira para que os resultados almejados sejam alcançados durante as sessões, sempre objetivando alcançar os benefícios associados à abordagem no menor tempo possível.

E dentre as técnicas frequentemente utilizadas destacamos:

  • exercícios de fortalecimento e alongamento muscular;
  • práticas de propriocepção e equilíbrio;
  • hidroterapia;
  • eletroterapia;
  • termoterapia;
  • massagens terapêuticas;
  • pilates;

É comum inclusive que o profissional utilize mais de uma dessas técnicas, pois juntas elas tendem a ser ainda mais eficientes.

 

Planejamento das sessões

 

Finalmente, o planejamento das sessões, tanto em relação à frequência quanto à duração, é determinado a partir dos mesmos dados citados no tópico anterior e relativos à especificidade de cada paciente e sua doença.

Porém, em geral, estabelece-se um mínimo de duas sessões por semana e, ainda, alguns exercícios podem ser indicados para serem feitos diariamente em casa, dependendo da evolução do quadro e das capacidades do paciente no momento.

Há situações, porém, nas quais são indicadas sessões diárias, na presença de um profissional, pois apenas assim consegue-se obter os efeitos esperados.

Lembramos que à medida que o indivíduo vai progredindo, as dores reduzindo e a progressão da doença torna-se mais lenta, o planejamento pode e deve ser modificado.

Em relação a definição da duração do tratamento, esta só acontece após análise dos resultados iniciais obtidos com a fisioterapia. Portanto, é impossível prever uma duração mínima e máxima. Afinal, cada caso é único, assim como as respostas dos pacientes às técnicas aplicadas.

 

Convivendo com a gonartrose

Antes de finalizarmos, reforçamos que nem sempre a artrose do joelho tem cura, porque se o diagnóstico ocorre tardiamente os danos articulares são irreversíveis e limitadores da funcionalidade do indivíduo.

Mas devemos lembrar que os vários tratamentos, dentre eles a fisioterapia, são capazes de reduzir as dores e a velocidade de progressão da patologia. Além disso, adquirir alguns hábitos saudáveis pode ser uma ótima maneira de lidar com a doença e conviver com ela positivamente.

Alguns exemplos de atitudes que devem ser incorporadas à rotina são a prática de exercícios físicos regular e uma alimentação equilibrada e nutritiva, visando, dessa forma, também o controle do peso e evitando uma sobrecarga sobre os joelhos.

Enfim, embora a gonartrose seja altamente debilitante, comprometer-se com a saúde articular e do corpo como um todo garante aos pacientes melhores condições para desempenhar as atividades cotidianas e viver melhor.

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