Nódulo de Schmörl: o que é e preciso me preocupar?
O nódulo de Schmörl é a herniação de parte do disco para dentro da vértebra vizinha. Não é tumor, é um achado de imagem comum e quase sempre assintomático.
- O nódulo de Schmörl é a entrada de parte do disco para dentro do osso da vértebra, através da placa terminal. É um achado de ressonância ou tomografia, não uma doença grave.
- É muito comum e quase sempre assintomático: aparece em boa parte das pessoas que nunca tiveram dor nas costas e costuma ser descoberto por acaso.
- Não é o caroço que se apalpa nas costas. Um nódulo de Schmörl fica dentro da vértebra e não forma saliência sob a pele.
- Quando há dor associada, em geral na fase aguda com edema ósseo, o tratamento é conservador, multimodal e não-cirúrgico, com observação e reabilitação.
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O que é o nódulo de Schmörl

O nódulo de Schmörl, ou hérnia intraesponjosa, é a herniação de uma porção do disco intervertebral através da placa terminal vertebral para dentro do osso esponjoso do corpo da vértebra. Em vez de o disco escapar para trás, em direção ao canal e às raízes nervosas, como numa hérnia clássica, parte do núcleo pulposo se projeta verticalmente, para cima ou para baixo, atravessando a placa terminal da vértebra vizinha. Por isso também é chamado de hérnia vertical ou herniação intravertebral do disco.
Para entender o achado, vale conhecer a peça que cede. A placa terminal é a interface entre o disco e o corpo vertebral, formada por duas camadas: uma placa cartilaginosa (cartilagem hialina, em continuidade com o disco) e a placa óssea subcondral (uma fina lâmina de osso cortical perfurada por canais vasculares). Essa estrutura tem dupla função: distribui a carga axial sobre o corpo vertebral e funciona como membrana semipermeável, por onde o disco, que é avascular no adulto, recebe nutrição por difusão.
Quando a placa terminal apresenta um ponto focal de fragilidade, seja por um defeito de ossificação, por um canal vascular regredido ou por degeneração, a pressão do núcleo pulposo empurra o material do disco através dela, para dentro do osso. A vértebra reage ao redor da herniação com formação de osso reativo, e é essa reentrância, com a sua borda esclerótica, que o exame de imagem mostra.
É um achado descrito há mais de um século pelo patologista alemão Christian Georg Schmorl, que o identificou em estudos de necrópsia. Aparece no laudo de ressonância magnética, tomografia ou radiografia como uma reentrância arredondada na borda superior ou inferior do corpo vertebral, em geral com um halo de osso esclerótico ao redor, mais frequente na coluna torácica baixa e na transição toracolombar. Costuma ser descrito como “nódulos de Schmörl”, “impressões na placa terminal”, “hérnias intraesponjosas” ou “herniações intraósseas do disco”. São formas de nomear o mesmo fenômeno.
A palavra nódulo confunde, porque sugere uma bolinha sólida ou um tumor. Não é nada disso. O que a imagem mostra é um defeito da placa terminal por onde o material do disco entrou no osso, com a vértebra remodelada ao redor. É, em essência, uma marca da relação entre o disco e a vértebra ao longo da vida, e na grande maioria dos casos representa um achado antigo, estável e sem qualquer significado de doença ativa.
“Tenho um nódulo de Schmörl na coluna, então tenho um tumor ou uma lesão grave que vai piorar e exigir cirurgia.”
O nódulo de Schmörl não é tumor nem fratura. É a entrada de parte do disco no osso da vértebra, um achado comum e quase sempre assintomático. Raramente exige cirurgia e, quando dói, costuma responder ao tratamento conservador.
Não é o caroço que você apalpa nas costas
Uma dúvida muito frequente de quem pesquisa sobre o tema é se aquele caroço perto da coluna, no meio das costas ou na lombar, de um lado ou de outro, seria um nódulo de Schmörl. A resposta é direta: não. O nódulo de Schmörl fica dentro do corpo da vértebra, na profundidade da coluna, e não produz nenhuma saliência sob a pele. Ele só é visto em exame de imagem, nunca ao toque.
Um caroço palpável nas costas, perto da coluna ou na lombar, tem outras explicações, quase sempre benignas e fora do osso. As mais comuns são o lipoma, um acúmulo benigno de gordura sob a pele, macio e móvel; o cisto sebáceo; nódulos de gordura sensíveis (a chamada lipomatose dolorosa ou doença de Dercum, em alguns casos); e a proeminência normal de uma apófise espinhosa em pessoas magras, que pode ser confundida com um caroço. Pontos-gatilho miofasciais na musculatura paravertebral também formam nódulos endurecidos e dolorosos à palpação, sem nada de osso ou tumor por trás.
Se você sente um caroço nas costas ao toque, isso não é um nódulo de Schmörl, que é interno e invisível à mão. Um caroço palpável merece ser examinado por um médico, mas costuma ter causa benigna e superficial, como um lipoma.
Vale a regra de sempre: um caroço que cresce rápido, é fixo aos planos profundos, dói de forma persistente ou vem acompanhado de outros sintomas (febre, perda de peso, alterações da pele) deve ser avaliado sem demora. Mas, repetindo o ponto central, ele não é o nódulo de Schmörl do seu laudo. São coisas que pertencem a planos anatômicos diferentes.
Por que é tão comum e geralmente não dói
O nódulo de Schmörl é um dos achados degenerativos mais frequentes da coluna. Estudos de imagem e de necrópsia descrevem prevalências amplas, de cerca de 15% a mais de 70% conforme o método (necrópsia detecta mais que a ressonância), a região estudada e a idade da população, e ele aparece com frequência em pessoas que nunca tiveram qualquer dor nas costas. Estudo em gêmeos (coorte TwinsUK) estimou herdabilidade em torno de 70%, ou seja, há forte componente genético na fragilidade da placa terminal, mais do que na carga ocupacional. Em outras palavras, encontrar um nódulo de Schmörl na ressonância é quase um achado da rotina, e não a explicação automática para um sintoma.
A placa terminal cede e deixa o disco entrar no osso por mais de um mecanismo, que costumam se combinar:
- Fragilidade focal da placa terminal. Um ponto de menor resistência, por defeito de ossificação ou por um canal vascular que regrediu, deixa o núcleo pulposo encontrar a via de menor pressão. É a base dos nódulos do desenvolvimento, frequentes em adolescentes e adultos jovens.
- Doença de Scheuermann. Cifose torácica rígida do adolescente em que aparecem múltiplos nódulos de Schmörl, com irregularidade das placas terminais e acunhamento anterior dos corpos vertebrais. O critério clássico de Sorensen exige acunhamento anterior de pelo menos 5 graus em três vértebras adjacentes ou mais. Os nódulos aqui são parte do quadro, não a doença em si.
- Sobrecarga axial e trauma. Carga compressiva intensa ou repetida (esforço de levantamento, impacto, esporte de carga) pode romper de forma aguda uma placa terminal previamente normal. É o cenário típico do nódulo agudo e doloroso, com edema na ressonância.
- Redução da resistência óssea. Em pessoas mais velhas, a osteoporose e a fragilidade do osso subcondral facilitam a falha da placa terminal sob cargas até fisiológicas. Aqui o nódulo de Schmörl entra no mesmo espectro das fraturas de fragilidade da placa terminal, e o achado deve ser lido junto com o risco ósseo da pessoa.
- Degeneração do disco. Com o tempo, o disco perde altura e hidratação e a interface disco-vértebra se enfraquece, o que se associa a nódulos de Schmörl em estudos de base populacional.
Na maior parte das vezes, é um processo lento, antigo e já cicatrizado quando o exame é feito, com o osso remodelado ao redor da herniação.
A razão de quase nunca doer é simples: na maior parte dos casos o nódulo é antigo e estável, com o osso já remodelado ao redor, sem inflamação ativa. Por isso, o achado isolado no laudo, sem que a sua história e o seu exame apontem para aquele nível, costuma valer pouco. Vale o mesmo princípio que se aplica a tantos achados de coluna: trata-se o paciente, com a imagem como apoio ao exame. Esse raciocínio é detalhado na página sobre discopatia ou doença degenerativa do disco, que reúne os achados de imagem comuns e muitas vezes silenciosos.
Como o achado também aparece em colunas de pessoas sem nenhuma dor, encontrá-lo na ressonância não significa que ele explique a sua. Quando se assume o nódulo como culpado só porque ele está no laudo, gasta-se atenção numa marca antiga e estável no osso, enquanto a causa que realmente dói, em geral a musculatura paravertebral com pontos-gatilho, uma faceta sobrecarregada ou o disco degenerado, segue sem ser examinada nem tratada. O laudo vira um beco sem saída: a pessoa fica com medo do nódulo, evita movimento, e a dor mecânica de fundo se cronifica. Ler o nódulo como provável espectador, e não como réu automático, é o que mantém a investigação no rumo certo.
Da prática clínica
- O susto com a palavra costuma ser maior do que o problema. Não é raro a pessoa chegar tendo lido “tumor” no susto do Google, ou ter passado dias imaginando uma operação na coluna, por causa de uma linha no laudo que descreve um achado que ela provavelmente tem há anos sem nunca ter sentido nada.
- Na grande maioria das vezes, o nódulo é um espectador. Quando reconstituo a história, a dor não bate com o nível do achado, ou existe um gatilho muscular claramente reprodutível à palpação que reproduz exatamente a queixa, e o nódulo fica em outro andar da coluna. Tratado o componente miofascial, a pessoa melhora, e o nódulo da imagem continua lá, inalterado e irrelevante.
- O que mais surpreende quem chega é descobrir que o caroço duro que ela apalpa nas costas não é o tal nódulo do exame, mas um ponto-gatilho na musculatura, palpável, doloroso e tratável, enquanto o nódulo de Schmörl é interno e nunca se sente com a mão.
- Existe a minoria que de fato dói, e ela tem outra cara: alguém mais jovem, após um esforço ou impacto recente, com dor que crava no nível da transição toracolombar e, na ressonância, o halo de edema na placa terminal. Aí o achado é levado a sério, com controle de carga e acompanhamento, e ainda assim o caminho é conservador.
- A reavaliação que mais ajuda quase nunca é repetir a ressonância. É voltar à história e ao exame com calma, porque o que muda a conduta costuma estar no corpo da pessoa e na correlação com a queixa, não numa nova imagem do mesmo osso.
Quando o nódulo de Schmörl pode doer
Existe uma minoria de casos em que o nódulo de Schmörl parece ser, de fato, uma fonte de dor. É o chamado nódulo de Schmörl agudo ou sintomático. A diferença está menos no nódulo em si e mais na atividade ao redor dele. Quando a placa terminal cede de forma recente, o osso vizinho reage com edema ósseo, isto é, inflamação e acúmulo de líquido na medula óssea da vértebra ao redor da herniação.
É na ressonância que essa diferença fica clara, pelo comportamento do sinal. O nódulo antigo e estável tem o material herniado com sinal semelhante ao do disco, sem edema ao redor, muitas vezes com um halo de osso esclerótico (Modic tipo 2, de conversão gordurosa, hipersinal em T1). O nódulo agudo e inflamatório mostra um halo de edema na medula óssea ao redor do defeito: baixo sinal em T1 e alto sinal em T2 e nas sequências com supressão de gordura (STIR), padrão de Modic tipo 1, que pode realçar após o contraste. A radiografia e a tomografia mostram a reentrância e a borda esclerótica, mas não enxergam o edema, e por isso a ressonância é o exame que separa o achado ativo do antigo.
Esse edema da placa terminal é o que ajuda a relacionar o achado à dor. A dor, quando existe, costuma ser axial: localizada na coluna, no nível afetado, tipicamente na transição toracolombar, sem irradiar para a perna em trajeto de raiz. Pode piorar com a carga e com certos movimentos e melhorar com o repouso relativo.
O contexto importa muito: um nódulo recente em uma pessoa jovem após um esforço, com edema na imagem e dor que bate exatamente naquele nível, conta uma história diferente de um nódulo antigo descoberto por acaso. O tema do edema do osso, sua leitura e seu significado é aprofundado na página sobre edema ósseo.
| Aspecto | Incidental (a regra) | Sintomático / agudo (minoria) |
|---|---|---|
| Como surge no laudo | Achado isolado, sem outras alterações | Acompanhado de edema ósseo na placa terminal |
| Sintoma | Nenhum; descoberto por acaso | Dor axial no nível afetado, sem trajeto de nervo |
| Idade do achado | Antigo, estável, já remodelado | Recente, ativo, em fase inflamatória |
| Correlação clínica | Não bate com a queixa | Dor coincide com o nível do nódulo |
| Conduta | Reassurance, manter-se ativo | Reabilitação, controle de carga, analgesia pontual |
Há ainda um ponto importante de diagnóstico diferencial. A placa terminal é território de mais de uma doença: infecções (espondilodiscite) e tumores (metástases, mieloma, lesões primárias) também começam ou se manifestam ali, e em fase inicial podem imitar um nódulo com edema. O que separa o achado benigno das causas atípicas são detalhes da imagem e o contexto clínico. A favor de um nódulo de Schmörl pesam o defeito focal bem delimitado, em continuidade com o disco, e a borda esclerótica.
Devem acender o alerta a destruição da placa terminal com perda da sua definição, o acometimento de duas vértebras vizinhas com o disco entre elas (típico de infecção), uma coleção em partes moles ou no espaço epidural, a substituição focal da medula óssea com rompimento da cortical (sugestiva de tumor) e o realce difuso após o contraste. Um nódulo de tamanho desproporcional, em paciente com sintomas sistêmicos ou dor que não se comporta como mecânica, é exatamente a situação em que a ressonância com contraste e, por vezes, a biópsia entram, conforme detalhado adiante.
A maioria absoluta dos nódulos de Schmörl é benigna. Mas, porque infecção e tumor também acometem a placa terminal, um achado atípico (edema exuberante, destruição óssea, coleção, dor não mecânica ou sinais sistêmicos) muda o raciocínio: deixa de ser um nódulo de rotina e passa a exigir investigação dirigida. É essa leitura, e não o tamanho do nódulo isolado, que define a conduta.
Mesmo nos casos sintomáticos e benignos, atribuir a dor exclusivamente ao nódulo é uma probabilidade, não uma certeza. A coluna costuma ter mais de uma fonte de dor ao mesmo tempo, como a musculatura paravertebral com pontos-gatilho, as articulações facetárias e o próprio disco degenerado. Por isso o exame correlaciona o achado de imagem com o que o corpo relata, e o tratamento é multimodal, atacando os mecanismos que realmente sustentam a queixa.
Sinais de alerta
O nódulo de Schmörl, por si só, é benigno. O que exige atenção é a dor nas costas acompanhada de sinais que apontam para outras causas, independentemente do que o laudo descreve. Procure avaliação sem demora se notar qualquer um destes:
Procure avaliação sem demora se houver
- Febre, suores noturnos, perda de peso sem explicação ou história de câncer.
- Dor que não alivia com o repouso, piora à noite e desperta do sono.
- Fraqueza nas pernas, dormência na região da sela ou perda do controle da urina ou das fezes.
- Dor após trauma significativo, sobretudo em pessoa com osteoporose ou em uso de corticoide.
- Primeiro episódio de dor importante após os 50 anos, ou em pessoa imunossuprimida.
- Um caroço palpável que cresce rápido, é fixo, dói de forma persistente ou muda a pele sobre ele.
Esses sinais não são exclusivos do nódulo de Schmörl; valem para qualquer dor nas costas. Eles ajudam a separar o achado benigno e comum de causas que mudam a conduta, como fratura, infecção ou doença tumoral. Na ausência deles, a dor de fundo mecânico costuma responder bem ao tratamento conservador ao longo de algumas semanas. A investigação completa dessas bandeiras é detalhada no guia de tratamento da lombalgia.
Caminho de tratamento
Para a imensa maioria das pessoas, o nódulo de Schmörl não precisa de tratamento nenhum. Trata-se de um achado de imagem assintomático, e a melhor conduta é a tranquilização (reassurance) bem feita: explicar que o achado é comum, antigo e benigno, e orientar a pessoa a manter-se ativa, sem medo do movimento. O repouso prolongado e a evitação de atividade, por receio do laudo, costumam piorar a dor nas costas em vez de protegê-la. Não se opera, não se infiltra e não se investiga um nódulo de Schmörl incidental sem sintoma correspondente.
Quando existe dor associada, sobretudo na fase aguda com edema ósseo, o tratamento é conservador, multimodal e não-cirúrgico, individualizado conforme a apresentação e a resposta. O objetivo não é apagar o nódulo da imagem, que tende a se estabilizar sozinho, mas controlar a dor, recuperar a função e devolver à coluna a força e a tolerância à carga. A base é ativa, com exercício orientado, e as demais técnicas se somam a ela conforme o componente predominante (mecânico, miofascial ou inflamatório).
Importa também o que não se indica: terapias dirigidas a tendinopatias, como as ondas de choque, o laser de alta intensidade ou a viscossuplementação articular, não têm racional para uma lesão da placa terminal e do osso esponjoso, e não compõem o plano aqui. Quando o achado se insere num contexto de osteoporose, a investigação e o tratamento da fragilidade óssea fazem parte do cuidado.
Tranquilização e movimento
Entender que o achado é comum e benigno, evitar o repouso prolongado e manter-se ativo dentro do tolerável. Para a maioria, este passo basta.
Reabilitação e exercício
Base do plano quando há dor: estabilização do tronco, fortalecimento progressivo e controle motor, com terapia manual como adjuvante.
Controle de carga e técnicas em clínica
Ajuste temporário das cargas na fase aguda, com acupuntura e eletroacupuntura para o componente miofascial associado.
Fármacos pontuais e investigação adicional
Analgésicos e anti-inflamatórios por períodos curtos; raramente, investigação extra quando a dor não bate com o achado ou não cede.
Reabilitação, exercício e controle de carga: a base
É a intervenção com a melhor relação entre evidência e segurança na dor axial de fundo mecânico, e o eixo de tudo o mais. O foco é o controle motor e a estabilização do tronco: ativação da musculatura profunda (transverso do abdome e multífidos), fortalecimento progressivo de glúteos e cadeia posterior e dessensibilização ao movimento, para que a pessoa volte a confiar na própria coluna. Na fase aguda de um nódulo sintomático, faz-se um controle temporário de carga, reduzindo os esforços que reproduzem a dor sem cair na imobilidade, e a carga é reintroduzida de forma progressiva. A Reeducação Postural Global (RPG) e o Pilates clínico, com indicação médica, ajudam a corrigir padrões posturais que sobrecarregam a transição toracolombar.
Na clínica, o atendimento de reabilitação é individual, um paciente por sala. A resposta é gradual, ao longo de semanas, e o programa é mantido depois do alívio para reduzir recorrências.
Acupuntura médica e eletroacupuntura
Aqui o alvo não é o nódulo dentro do osso, que a agulha não alcança nem precisa alcançar, e sim o sofrimento miofascial e a sensibilização que se instalam ao redor da transição toracolombar dolorida. A acupuntura modula a dor por mecanismos segmentares no corno dorsal da medula, no mesmo metâmero do nível afetado, pela ativação de vias inibitórias descendentes e pela liberação de opioides endógenos; na eletroacupuntura, a corrente de baixa frequência tende a recrutar mais esses sistemas opioides. Para uma dor axial toracolombar de fundo mecânico, isso se traduz em agulhamento de acupontos paravertebrais nos segmentos correspondentes, frequentemente combinado com pontos a distância. Há evidência moderada para a dor lombar e cervical crônica, com recomendação de diretrizes em contextos selecionados, e a técnica é especialmente útil quando se quer baixar a dose de anti-inflamatório na fase aguda.
O número de sessões segue a resposta, não um pacote fixo: costuma-se reavaliar por volta da terceira ou quarta sessão e seguir enquanto houver ganho mensurável de dor e de função, já que o alívio aqui é cumulativo, não imediato. Na clínica, a acupuntura é ato médico: quem agulha a transição toracolombar é o mesmo profissional que examinou a coluna e localizou a fonte da dor, o que importa numa região em que a leitura do nível e da anatomia decide onde a agulha entra.
O remédio tem lugar quando a dor limita o dia a dia, sempre com indicação médica e por tempo definido. As classes, os efeitos e os cuidados estão no guia de remédios para dor.
Investigação adicional
Em situações raras, faz sentido investigar mais. Isso ocorre quando há dúvida se a lesão da placa terminal é mesmo um nódulo de Schmörl benigno ou outra coisa (frente a edema muito exuberante, lesão de tamanho desproporcional, destruição óssea, dor não mecânica ou qualquer sinal de alerta), ou quando a dor não corresponde ao achado e não cede ao tratamento bem conduzido. Nesses casos, a investigação dirigida pode incluir ressonância com contraste para caracterizar o padrão de realce, exames laboratoriais (hemograma, VHS, PCR) quando se cogita infecção, e, diante de suspeita persistente de tumor ou infecção, a biópsia.
Vale notar que a reavaliação raramente significa repetir a ressonância de rotina de imediato: significa rever a história, o exame e a adesão, e só então decidir, em conjunto, se algum exame complementar agrega. A cirurgia, por sua vez, praticamente não tem papel no nódulo de Schmörl isolado.
Controle inicial
Reduzir a sobrecarga sem imobilizar, controlar a dor com medidas simples e iniciar mobilidade e ativação do tronco, mantendo-se ativo.
Progressão
Fortalecimento progressivo, estabilização e técnicas em clínica conforme o componente miofascial; a dor costuma começar a ceder.
Reavaliação
Sem a resposta esperada, revê-se o diagnóstico e considera-se, em casos selecionados, a investigação adicional.
Medimos a intensidade da dor numa escala de 0 a 10, um índice de incapacidade funcional e o retorno às atividades. O objetivo é reduzir a dor a um nível que não limite a vida e fortalecer a coluna, não fazer o nódulo desaparecer da imagem, o que não é necessário.
Centro de Dor
Listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED)
Centro de Tratamento por Ondas de Choque
Listado pela Sociedade Médica Brasileira de Tratamento por Ondas de Choque (SMBTOC)
Clínica listada
Listada pelo Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura (CMBA)
Perguntas frequentes
Nódulo de Schmörl é grave? Preciso me preocupar?
Na grande maioria das vezes, não. É um achado de imagem muito comum, antigo e benigno, presente em boa parte das pessoas que nunca tiveram dor nas costas. Não é tumor nem fratura. O que define se há algo a tratar é a sua história e o exame, não o achado isolado no laudo.
O nódulo de Schmörl é aquele caroço que sinto nas costas, perto da coluna?
Não. O nódulo de Schmörl fica dentro do corpo da vértebra e só aparece em exame de imagem; ele não forma caroço sob a pele. Um caroço palpável nas costas ou na lombar costuma ser superficial e benigno, como um lipoma (gordura), um cisto ou um ponto-gatilho muscular. Mesmo assim, vale mostrar a um médico para confirmar.
Nódulo de Schmörl dói?
Na maioria dos casos, não. Quase sempre é assintomático e descoberto por acaso. Uma minoria pode doer, sobretudo na fase aguda, quando há edema ósseo na placa terminal e a dor coincide com o nível afetado. Mesmo assim, costuma responder ao tratamento conservador.
Nódulo de Schmörl é uma hérnia de disco?
É um tipo especial de herniação, mas diferente da hérnia clássica. No nódulo de Schmörl, parte do disco entra no osso da vértebra (para cima ou para baixo), através da placa terminal, e não para trás, em direção às raízes nervosas. Por isso não costuma comprimir nervo nem causar dor que desce pela perna. Veja a diferença na página sobre hérnia de disco.
Nódulo de Schmörl precisa de cirurgia?
Praticamente nunca. A cirurgia não tem papel no nódulo de Schmörl isolado. Quando há dor, o tratamento é conservador: tranquilização, manter-se ativo, reabilitação e, na fase aguda, controle de carga e analgesia pontual. A investigação adicional fica reservada a situações específicas.
Tenho nódulos na coluna lombar no laudo, o que fazer?
O passo seguinte é levar o laudo a uma consulta para que o achado seja interpretado junto com a sua história e o seu exame, e não tratado como diagnóstico por si só. Nódulos de Schmörl e outros achados degenerativos são comuns e muitas vezes silenciosos. O médico avalia se há correlação com a sua dor e define a conduta.
Referências5 fontes citadas neste artigoVerOcultar
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Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação médica do seu caso, que depende de examinar você e correlacionar o laudo com a sua história. Decidir se esse achado tem ou não relação com a sua dor, e qual conduta seguir, é uma análise individualizada que cabe ao médico assistente.
