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Você sabe o que é nevralgia?

Já ouviu falar em nevralgia? Muitas pessoas consideram a condição a pior dor do mundo. O distúrbio é, na verdade um conjunto de sintomas dolorosos associados a lesões nervosas. 

O problema é mais comum em mulheres, em uma proporção de 3 para 2, e sua prevalência é maior após os 40 anos de idade. 

O principal sintoma da nevralgia é a dor aguda, intensa e crônica do tipo choque ou pontadas. O incômodo permanece por alguns segundos, podendo durar ainda alguns minutos.

Existem muitas causas possíveis. Em alguns casos o problema tem origem em uma doença subjacente, as situações clínicas mais comuns são o herpes-zoster, a diabetes, a hanseníase, o câncer, a infecção por vírus da imunodeficiência humana, síndrome do túnel do carpo, a lombalgia, e as doenças neurológicas centrais.

Contudo, o mais comum é que tudo se inicie após uma compressão prolongada da região. Como quando deixamos os pés por muito tempo em uma mesma posição e isso faz com que ele adormeça. 

Você provavelmente já passou por uma situação assim. 

O diagnóstico da condição é bastante desafiador, o que acaba por levar a diversos erros.

Ao longo deste artigo discutiremos mais sobre esse e outros assuntos para que você tire todas as suas dúvidas sobre a nevralgia. 

O que é nevralgia?

Nevralgia ou neuralgia é o nome dado a dor em um ou mais nervos. Geralmente o sintoma é provocado por alguma alteração estrutural ou funcional nas células nervosas, que acabam por gerar excitação dos receptores de dor. 

A condição de classifica de duas maneiras: a nevralgia central e a nevralgia periférica. 

O nome já nos diz muito sobre as diferenças. Fala-se em nevralgia central quando a dor está localizada na medula espinal ou no cérebro. Já a nevralgia periférica é aquela que acomete as demais áreas ao entorno das citadas. 

Quatro tipos de mecanismos estão associados a essa dor: mudanças no funcionamento dos canais iônicos celulares, aumento da sensibilidade das fibras, sinais interligados e danos no cérebro e na medula cerebral. 

Falaremos mais sobre isso adiante. 

Tipos

Existem 5 tipos de nevralgias e a principal diferença entre eles é a sua localização. Apresentaremos cada um deles a seguir. 

Nevralgia do trigêmeo

Você provavelmente já ouviu falar sobre nevralgia do trigêmeo, este é o tipo mais conhecido. 

A condição se caracteriza por alterações no nervo trigêmeo, o que provocar dor aguda em forma de pontadas nas distribuições de seus ramos, neurônios responsáveis pela propriocepção da mandíbula, dos músculos intrínsecos do olho e das articulações temporomandibulares. 

O problema é predominante em pessoas acima dos 50 anos de idade, acometendo cerca 155 a cada milhão. 

Nevralgia do trigêmeo atípica

Quando a nevralgia do trigêmeo acomete apenas um dos lados da face, ela é chamada atípica. Nesses casos a dor geralmente é constante e do tipo queimação, podendo se estender até a região do pescoço. 

O distúrbio é predominante em mulheres de meia-idade, em especial entre aquelas em estado deprimido. Ainda não se sabe explicar com clareza a relação entre a depressão e a dor, mas este é um dos muitos casos em que elas aparecem associadas. 

Nevralgia occipital

A nevralgia occipital se caracteriza pela dor persistente no crânio, na maioria dos casos descrita como sensação de choques elétricos. A região acometida é aquela inervada pelos nervos occipitais, e vai do couro cabeludo ao pescoço, incluindo a parte da cabeça atrás das orelhas. 

Esse tipo de nevralgia é conhecido pela dor persistente no crânio, com choque elétrico ocasionalmente na distribuição de nervos occipitais.

Dentre os fatores de risco para esta condição podemos citar lesões no pescoço, cirurgias, anomalias estruturais congênitas e adquiridas, e sobrecarga repetitiva do pescoço.

Nevralgia do glossofaríngeo

Este tipo de nevralgia provoca alterações da sensibilidade na região do ouvido, na base da língua, na fossa tonsilar e na região do ângulo da mandíbula. O quadro é unilateral e vem acompanhado de episódios de dor do tipo choque, com início e término abruptos. 

O problema é bastante raro e afeta mais homens, de maneira geral acima dos 40 anos de idade. 

Nevralgia pós-herpética

A condição é considerada do tipo pós-herpética quando relacionada ao herpes-zoster. O distúrbio atinge predominantemente idosos que possuem lesões no ramo oftálmico. 

Ainda não se sabe explicar ao certo qual a relação entre a doença e o sintoma. 

Nevralgia Intercostal

A nevralgia intercostal provoca dor na região dos nervos intercostais, localizados entre as costelas. 

As causas para tal são variáveis e vão desde lesões e traumatismos a infecções e complicações cirúrgicas. 

Nevralgia isquiática

Você provavelmente já ouviu falar sobre esse tipo de dor. O nervo ciático é o maior do corpo e vai da pélvis a região posterior da coxa, se ramificando até os pés. 

Muitos outros distúrbios podem estar associados ao quadro, como hérnias de disco na região lombar, síndrome piriforme e a estenose espinhal. 

Causas

Já demos diversas pistas em relação às causas da nevralgia. Toda a dor experimentada por esses pacientes se origina da produção anormal de impulsos em um nervo sensitivo, que acaba por transmitir ao sistema nervoso central sensações dolorosas em situações inesperadas. 

Todo esse mecanismo será explicado em mais detalhes a seguir quando falarmos sobre a fisiopatologia. 

O problema pode estar relacionado a diferentes situações, algumas possíveis causas foram relacionadas abaixo. 

  • Uso de medicamentos
  • Diabetes
  • Infecções como HIV
  • Sífilis
  • Herpes-zoster 
  • Hérnia de disco
  • Doença de Lyme
  • Pressão nos nervos 
  • Porfiria
  • Insuficiência renal crônica
  • Trauma
  • Inflamações
  • Infecções
  • Tumores

Existem ainda alguns casos de causa completamente desconhecida. Geralmente esses são mais difíceis de diagnosticar, sendo avaliados a partir dos fatores de risco presentes. 

Fisiopatologia

Há quem diga que a dor na nevralgia é como sentir uma facada. Como vimos, o problema é conhecido como uma das piores dores do mundo. Há de se pensar que não seja algo muito confortável. 

Neste tópico entenderemos um pouco mais sobre a origem dessa dor que é fruto de alterações provocadas por diferentes causas, como pudemos ver anteriormente.

O quadro geralmente é provocado pela compressão da raiz de um nervo, na maioria das vezes o nervo trigêmeo. Tal compressão se dá de diferentes maneiras, por alterações na estrutura óssea, por problemas ligamentares, por distúrbios musculares ou mesmo por um vaso sanguíneo tortuoso. 

Essas mudanças estruturais acabam provocando a desmielinização das fibras nervosas devido a lesões isquêmicas, que acabam deixando de desempenhar suas funções de maneira correta. 

Muitas vezes tais alterações resultam na redução do limiar de excitabilidade do nervo afetado, modificando o sistema nociceptivo do nervo em questão e impedindo que ele realize seu papel da maneira esperada, o que faz com que o mesmo envie sinais de dor ao cérebro mesmo sem um estímulo que faça sentido. 

A verdade é que não se conhece ainda muitos detalhes sobre a fisiopatologia da nevralgia, e devido há várias causas possíveis, tal processo pode se encaminhar de diversas maneiras. 

Sintomas da nevralgia

A nevralgia é uma síndrome, e é a dor a sua principal característica. O incômodo aparece em alta intensidade e possui manifestações bastante variáveis. 

Na maioria das vezes a dor é abrupta e constante. No entanto, alguns pacientes descrevem a condição como pulsátil e intermitente, indo e voltando de horas em horas e de duração variável entre poucos segundos a alguns minutos. 

Em alguns casos, menos comuns, o sintoma só aparece quando a zona atingida é pressionada. 

Além da dor, surgem ainda sintomas como vermelhidão ou palidez na pele da região acometida, tremor muscular e sudorese. Podem ainda surgir manifestações psíquicas devido ao intenso sofrimento doloroso.

A localização da dor varia de acordo com o tipo da nevralgia, os locais mais acometidos são a face, a região posterior do pescoço e as regiões do nervo ciático. 

Em síntese, os sintomas da nevralgia são: 

  • Dor na região do nervo lesionado
  • Função debilitada provocada pela dor e pela fraqueza muscular
  • Maior sensibilidade da pele
  • Pontada intermitente ou sensação de queimação
  • Desconforto que piora com toque, pressão ou movimento

O quadro pode durar entre dias e meses e quando não tratado, pode acabar produzindo algumas complicações. 

Diagnóstico

Se você tem sentido algum dos sintomas descritos aqui, deve procurar ajuda médica. Diversas especialidades podem participar do diagnóstico e tratamento da nevralgia. Além do clínico geral, podemos citar neurologistas, neurocirurgiões, médicos especialistas em dor e fisiatras

Dor aguda em choque ou queimação, repetitiva ou constante, de intensidade moderada a grave, de início e fim abrupto geram suspeita para o distúrbio. 

Durante a anamnese o médico fará uma série de perguntas. Listaremos as mais comuns para que você esteja preparado. 

  • Você possui alguma doença crônica? 
  • Quando esses sintomas começaram? 
  • A dor é frequente ou ocasional? 
  • Qual a intensidade dos sintomas? 
  • Como você descreveria a sua dor? 
  • Há irradiação? 
  • Existem fatores de piora e melhora? 

Além dessas, é possível que sejam avaliados os hábitos e vícios, e o histórico familiar de doenças do paciente. 

Assim, se segue o exame físico. 

Exame Físico

O médico fará uma avaliação completa do indivíduo, dando mais ênfase a região da dor. O principal objetivo do exame é identificar a localização do sintoma e o grau de sensibilidade da zona afetada. 

Através de alguns testes simples, será possível analisar desde sensações anormais sobre a pele a perda de reflexos, alterações musculares e existência de nódulos de tensão. 

Exames Complementares

Quando são necessários exames complementares, a ressonância magnética é o teste mais utilizado. O exame permite uma visualização detalhada no nervo comprimido, além de em alguns casos ajudar na identificação da causa do problema. 

Tal avaliação é essencial ao diagnóstico diferencial, excluindo outras síndromes como a esclerose múltipla, por exemplo. 

Alguns outros testes podem contribuir para o diagnóstico, dentre eles exames de sangue, eletromiografia e punção lombar.

Tratamentos

Existem algumas opções de tratamento para quem sofre de nevralgia. Toda a terapia deve ser direcionada e acompanhada pelo médico, que dará todas as orientações ao paciente. 

Analgésicos comuns como dipirona e paracetamol muitas vezes não são eficazes no tratamento da neuralgia do trigêmeo. Geralmente, o tratamento conservador incluirá um medicamento anticonvulsivante – um tipo de medicamento usado para tratar a epilepsia – para ajudar a controlar sua dor.

Os anticonvulsivantes não foram projetados originalmente para tratar a dor, mas podem ajudar a aliviar a dor nos nervos, diminuindo os impulsos elétricos nos nervos e reduzindo sua capacidade de enviar mensagens sobre a dor.

Eles precisam ser tomados regularmente, não apenas quando os ataques de dor acontecem, mas você pode parar de tomá-los se os episódios de dor cessarem e você estiver em remissão.

Medicamentos 

O objetivo principal do tratamento medicamentoso é o alívio da dor, que de tão intensa, acaba gerando sérios danos à qualidade de vida do paciente. Com a dor controlada, fica mais fácil lidar com a causa do problema. 

De maneira geral, o uso de fármacos deve se restringir a prescrição médica. A automedicação oferece riscos à saúde e por isso é contra indicada. 

Bloqueadores nervosos

Os bloqueadores provocam interrupção nociceptiva, sendo úteis tanto para o diagnóstico quanto para o tratamento deste tipo de síndrome. Os índices de melhora chegam a 50% dos casos. 

O tratamento é comprovadamente eficaz no alívio de dores crônicas e pode ser feito em nervos, músculos, ligamentos, tendões e em cavidades articulares. 

Dentre as substâncias mais utilizadas nesse tipo de terapia estão analgésicos locais, corticosteróides opióides, clonidina, cetamina, ácido hialurônico e fenol. 

Toxina Botulínica 

A toxina botulínica é muito utilizada em disfunções musculares. No entanto, diversas outras possibilidades terapêuticas já foram avaliadas, dentre elas, o uso da substância no trato da nevralgia do trigêmeo. 

O mecanismo deste tratamento é simples. A toxina age sobre a contração muscular bloqueando a liberação de acetilcolina nos terminais nervosos das fibras musculares.

A sua utilidade na nevralgia é consequência desse processo, que acaba por gerar efeito retrógrado, inibindo a transmissão neural em diferentes receptores. 

Desta forma, a substância acaba desempenhando uma importante função inibitória na liberação de neurotransmissores tanto a nível periférico quanto central. Tal fato explica sua ação no controle da dor. 

Acupuntura 

Diversos estudos comprovaram a eficácia da acupuntura no trato da nevralgia. Um estudo do Grupo de Dor do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP encontrou que pacientes que recebiam tratamento com acupuntura apresentavam alívio em dor da neuralgia do trigêmeo após 10 sessões semanais de acupuntura, e que apresentavam também diminuição da dose de medicamentos anticonvulsivantes que são utilizados com frequência nestes casos.

De maneira geral, a acupuntura é muito utilizada no alívio de dores, sejam essas nervosas ou musculares. 

O tratamento é simples e não possui efeitos colaterais, uma das melhores opções para o caso. 

Cirurgia 

Quando nenhuma das alternativas anteriores surte o efeito esperado, a cirurgia pode ser recomendada. 

O tratamento cirúrgico pode seguir por três vertentes: 

  • Injeção de álcool 
  • Termocoagulação com radiofrequência 
  • Cirurgia de remoção de tumor ou vaso responsável pela compressão 

Apesar de invasiva, esse tipo de terapia tem gerado ótimos prognósticos. 

Se você tem sentido alguns dos sintomas aqui descritos e suspeita de um caso de nevralgia, não deixe de agendar uma consulta. Cuide de sua saúde e preserve sua qualidade de vida. 

Referências bibliográficas

NHS – Trigeminal Neuralgia

Tratamento Famacológico da Neuralgia do Trigêmeo: Revisão Sistemática e Metanálise

Neuralgia – Medlines Plus

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