Pressão na cabeça: o que pode ser
A sensação de pressão, aperto ou cabeça “cheia” tem muitas origens possíveis: cefaleia tensional, pescoço, ATM, sinusite, ansiedade, apneia do sono, uso excessivo de analgésico e causas oculares, entre outras. Quase nunca é pressão arterial alta, ao contrário de uma crença comum.
- Pressão, aperto ou cabeça “cheia” é quase sempre benigno: na maioria das vezes é cefaleia tensional, de mecanismo miofascial no crânio e no pescoço.
- Ao contrário de uma crença comum, pressão na cabeça quase nunca significa pressão arterial alta: a hipertensão costuma ser silenciosa, sem sintomas.
- O diferencial reúne várias origens que podem coexistir: pescoço (cervicogênica), ATM, sinusite verdadeira, ansiedade, apneia do sono, uso excessivo de analgésico e causas oculares ou refrativas.
- Poucos sinais mudam a urgência: dor súbita e explosiva, pressão que piora ao deitar com vômito, febre com rigidez de nuca ou déficit neurológico pedem investigação imediata.
- O tratamento depende da causa, é multimodal e não-cirúrgico, e mira o componente muscular e os gatilhos modificáveis quando a origem é tensional.
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O que é essa sensação de pressão

Pressão, aperto, peso, cabeça “cheia” ou a sensação de um capacete apertado: é uma das queixas mais frequentes no consultório de dor, e quase sempre descreve uma dor de cabeça de caráter não pulsátil.
Diferente da enxaqueca, que costuma latejar, a dor em pressão tende a ser constritiva e constante, de intensidade leve a moderada, distribuída em faixa ao redor da cabeça ou sobre as têmporas. Essa qualidade não pulsátil é uma pista importante: ela aponta para um mecanismo miofascial e de tensão, e não para a dilatação vascular típica da enxaqueca. Na grande maioria das pessoas, o sintoma é benigno e reversível.
O substrato mais comum envolve a musculatura pericraniana: os músculos temporal, frontal, occipital e a musculatura do pescoço e dos ombros (trapézio superior, suboccipitais, esternocleidomastóideo). Quando esses músculos ficam contraídos por postura, estresse ou esforço visual prolongado, seus pontos-gatilho projetam dor para o crânio e geram a sensação de aperto. Em quadros que se repetem, soma-se um fenômeno de sensibilização central: as vias da dor ficam mais reativas, e estímulos antes inofensivos passam a doer.

Causas musculares e cervicais
A grande maioria das pressões na cabeça nasce de músculo: dos músculos pericranianos, da nuca e dos ombros, ou de uma articulação que refere dor para o crânio. São causas benignas, reversíveis e o ponto de partida do diferencial.
O fio comum aqui é a dor referida miofascial: pontos-gatilho nos músculos do pescoço, da face e do couro cabeludo projetam a sensação de aperto para áreas do crânio que ficam longe do próprio músculo tenso. Por isso o paciente sente “a testa”, mas o gatilho está no suboccipital ou no trapézio. Quando o quadro se repete, soma-se a sensibilização central: as vias da dor ficam mais reativas e o limiar cai. Estas três origens respondem bem ao trabalho sobre o músculo e o movimento.
Cefaleia tensional
A causa de longe mais comum. Aperto ou peso em faixa ao redor da cabeça (a sensação de “capacete”), dos dois lados, leve a moderado, não pulsátil, que não piora com a atividade física rotineira e sem náusea importante. Nasce dos músculos pericranianos (temporal, frontal, occipital) e do pescoço; a palpação reproduz a faixa. Veja a cefaleia tensional em detalhe.
Cefaleia cervicogênica
Pressão referida que nasce na coluna cervical alta (C1 a C3) e na nuca e sobe para a fronte, em geral de um lado e sem trocar de lado. Pista que diferencia: piora com a postura mantida e o movimento do pescoço, com rigidez e dor à pressão das articulações cervicais. Pela convergência trigeminocervical, tratar o pescoço alivia a cabeça. Veja os tipos de dor de cabeça.
Disfunção da ATM (DTM)
Dor e pressão na têmpora e na frente do ouvido, com estalido ou travamento da mandíbula, dor ao mastigar e ao abrir a boca, muitas vezes com bruxismo e apertamento dental. O ponto-gatilho do masseter e do temporal refere para a têmpora e a fronte e se sobrepõe à cefaleia tensional, perpetuando o aperto. Costuma piorar em períodos de estresse.
Enxaqueca
Nem sempre lateja desde o início: muitas crises começam com uma pressão surda que evolui para a dor pulsátil. Pistas que a separam da tensional: náusea, sensibilidade à luz e ao som, crises bem definidas e piora ao movimentar a cabeça. Pode coexistir com a tensional na mesma pessoa. Veja a enxaqueca.
Causas de cabeça e face
Algumas origens não vêm do músculo, e sim de estruturas da face: os seios paranasais, os olhos e o uso de medicação. São causas comuns de confusão diagnóstica, porque a pessoa atribui o aperto ao lugar errado.
Sinusite e congestão verdadeiras
A sinusite aguda gera peso e dor facial reais, ao redor dos olhos e na raiz do nariz, que pioram ao inclinar a cabeça, mas é um quadro autolimitado de poucos dias com sinais infecciosos: febre, secreção espessa e purulenta, obstrução nasal. A ressalva clínica importa: muito do que se chama de “sinusite crônica” é, na verdade, cefaleia tensional ou enxaqueca com sintomas nasais, e tratar o seio da face não resolve.
Causas oculares e refrativas
Erro de refração não corrigido (miopia, hipermetropia, astigmatismo, presbiopia) e o esforço visual prolongado em telas geram pressão frontal e periorbital que aparece ou piora ao final do dia de leitura e melhora com o repouso visual. A astenopia (fadiga ocular) some quando os olhos descansam. Pressão ocular com olho vermelho doloroso e visão embaçada, porém, é outra coisa: levanta glaucoma agudo e é urgência (ver «Quando é sinal de alerta»).
Uso excessivo de medicação (rebote)
A cefaleia por uso excessivo de medicação (CUEM) sustenta uma pressão difusa quase diária em quem toma sintomático com frequência: limiar de ≥10 dias/mês para triptanos, opioides e combinações, e ≥15 dias/mês para analgésicos simples (dipirona, paracetamol, anti-inflamatório). O remédio que alivia a crise passa a manter a dor. Pista: aperto presente ao acordar, alívio breve e retorno. Veja a cefaleia por abuso de analgésicos.
Causas sistêmicas e do sono
Outras origens não estão na cabeça em si, mas no estado geral, no sono e no humor. Costumam alimentar a pressão por baixo, rebaixando o limiar das outras causas, e por isso passam despercebidas se não forem perguntadas.
Ansiedade e estresse
O aperto difuso, a “cabeça pesada” e o couro cabeludo dolorido aparecem ou pioram em fases de tensão, e vêm acompanhados de tensão muscular cervical, insônia e preocupação persistente. A ansiedade aumenta o tônus dos músculos pericranianos e cervicais e amplifica a percepção da dor, o que faz dela um motor frequente da cefaleia tensional crônica, mais do que uma causa isolada.
Apneia obstrutiva do sono
Pressão matinal bilateral, presente ao despertar e que melhora ao longo da manhã, ligada à hipoxemia e à fragmentação do sono. Pistas: ronco alto, pausas respiratórias observadas por quem dorme ao lado, sonolência diurna e despertar não reparador. O sono ruim também rebaixa o limiar das outras cefaleias. Investigar com polissonografia muda o curso quando confirmada.
Pressão arterial muito alta (crise)
A hipertensão do dia a dia é silenciosa e não causa o aperto (ver «Pressão na cabeça é pressão alta?»). A exceção é a emergência hipertensiva, com elevação muito acentuada e sinais de sofrimento de órgão: aí pode surgir dor de cabeça intensa, em geral occipital, com alterações visuais, náusea ou confusão. É urgência, e não combina com o aperto leve e crônico do dia a dia.
Hipertensão intracraniana idiopática
Causa que não pode passar. Pressão quase diária que pode piorar ao deitar, com papiledema ao fundo de olho, embaçamento visual transitório e zumbido pulsátil, sobretudo em mulher jovem com sobrepeso. A pressão liquórica elevada ameaça a visão, o que torna o reconhecimento urgente e o encaminhamento à neurologia obrigatório. É a ponte entre as causas benignas e as graves da próxima seção.
Pressão na cabeça é pressão alta?
Esta é a dúvida que mais traz pacientes ao consultório, e a resposta costuma tranquilizar. A hipertensão arterial é, na maioria das vezes, assintomática, e é justamente por isso que recebe o apelido de “inimigo silencioso”. Sentir pressão na cabeça não é um marcador confiável de que a pressão arterial está alta naquele momento. O caminho inverso também é verdadeiro: muita gente com hipertensão não controlada não sente absolutamente nada.
“Pressão na cabeça é sinal de que a minha pressão arterial subiu.”
A hipertensão costuma ser silenciosa, sem sintomas. A maioria das dores em pressão vem de tensão muscular, não da pressão arterial. Só elevações muito altas, em crise, podem causar dor de cabeça, e aí com outros sinais de gravidade.
Há, portanto, uma única exceção relevante: as emergências hipertensivas, descritas na seção «Causas sistêmicas e do sono», em que a pressão sobe de forma acentuada e há sofrimento de órgãos. Esse cenário é uma urgência e não se confunde com o aperto leve e crônico do dia a dia. Para a dúvida cotidiana, a recomendação é simples: se houver preocupação com a pressão, o caminho é medi-la com aparelho, não interpretar a dor de cabeça.
Tratar a pressão na cabeça como termômetro da pressão arterial leva a dois erros: medicar a pressão sem necessidade e deixar de tratar a verdadeira causa do sintoma. Diante da dúvida, afira a pressão com aparelho; para a dor recorrente, investigue a cefaleia.
Como diferenciar pelo padrão
O tipo de aperto, onde ele se localiza, o que o piora e o que vem junto costumam apontar a origem mais provável. A tabela resume as pistas que usamos na consulta para distinguir os quadros, com o passo prático que cada um pede. Várias causas podem coexistir na mesma pessoa.
| Causa provável | Padrão da pressão | Pista que confirma | O que fazer |
|---|---|---|---|
| Cefaleia tensional | Aperto em faixa, bilateral, leve a moderado, não pulsátil | Sem náusea; não piora com a atividade física; músculos pericranianos doloridos | Tratar o componente muscular e os gatilhos; reabilitação cervical |
| Cervicogênica | Sobe da nuca para a testa, em geral de um lado | Piora com a postura e o movimento do pescoço; reproduzida à pressão cervical | Reabilitação do pescoço e técnicas de medicina física |
| Disfunção da ATM | Temporal e pré-auricular, ligada à mastigação | Estalido, travamento e dor ao abrir a boca; bruxismo | Abordar a articulação e o componente miofascial; avaliação odontológica |
| Enxaqueca | Começa em pressão e evolui para latejante, em crises | Náusea, fotofobia e fonofobia; piora ao movimentar a cabeça | Manejo da crise e prevenção de enxaqueca; investigar gatilhos |
| Sinusite verdadeira | Peso facial que piora ao inclinar a cabeça | Febre, secreção purulenta e obstrução nasal; dura dias, não meses | Tratar a sinusite aguda; não atribuir dor crônica ao seio da face |
| Ocular ou refrativa | Pressão frontal que piora lendo ou na tela, ao fim do dia | Melhora com repouso visual; some ao corrigir o grau | Avaliação oftalmológica e correção do erro refrativo |
| Ansiedade e estresse | Aperto difuso, “cabeça pesada”, em fases tensas | Tensão muscular, insônia e preocupação persistente | Cuidado da saúde mental e do sono junto ao tratamento físico |
| Apneia do sono | Pressão matinal que melhora ao longo da manhã | Ronco, pausas respiratórias, sonolência diurna; sono não reparador | Polissonografia e tratamento da apneia |
| Uso excessivo de medicação | Difusa, quase diária, presente ao acordar | Sintomático ≥10 ou ≥15 dias/mês conforme a classe; alívio breve e retorno | Retirar o sintomático com orientação médica |
| Hipertensão intracraniana | Diária, pode piorar deitada, com sintoma visual | Papiledema, embaçamento transitório, zumbido pulsátil | Encaminhar à neurologia; fundo de olho e imagem |
| Causa grave (rara) | Padrão novo, súbito ou progressivo | Qualquer sinal de alerta (ver «Quando é sinal de alerta») | Investigação imediata, por vezes em emergência |
Na prática, o cenário mais comum é a combinação: uma cefaleia tensional de base com componente cervical, em alguém estressado e com sono ruim, às vezes mantida por analgésico quase diário. Por isso o tratamento não persegue um diagnóstico único, e sim desfaz as camadas que sustentam o aperto.
Quando é sinal de alerta
A imensa maioria das dores em pressão é benigna. Ainda assim, alguns sinais indicam que a avaliação não deve esperar, e alguns deles trocam a sala de consulta pela emergência. Procure atendimento se notar qualquer um destes:
Procure avaliação sem demora se houver
- Dor de cabeça súbita e explosiva, atingindo o máximo em segundos, descrita como a pior da vida.
- Pressão que piora ao deitar ou ao acordar, com náusea ou vômito, que sugere pressão intracraniana aumentada.
- Febre, rigidez de nuca, confusão, sonolência fora do comum ou crise convulsiva.
- Fraqueza, dormência, dificuldade para falar, alteração da visão ou do equilíbrio.
- Olho vermelho doloroso com visão embaçada e halos, que levanta glaucoma agudo.
- Dor que começa após os 50 anos, muda de padrão ou piora de forma progressiva.
- Dor após trauma na cabeça, ou em quem usa imunossupressor ou tem câncer.
- Dor que piora ao tossir ou ao fazer esforço, ou que desperta a pessoa do sono.
Cada sinal aponta para uma causa que muda a conduta: a dor explosiva levanta a hipótese de hemorragia subaracnóidea; febre com rigidez de nuca sugere meningite; a pressão que piora deitada com vômito aponta para hipertensão intracraniana; o déficit neurológico que progride pede neuroimagem sem demora. Diante de qualquer um, a investigação tem prioridade sobre o alívio sintomático. Em dor súbita e intensíssima ou sinais neurológicos, procure o pronto-socorro ou acione o SAMU 192. Na ausência desses sinais, a pressão na cabeça costuma ser uma cefaleia primária e responde bem ao tratamento conservador ao longo de algumas semanas.
Como o quadro é avaliado
A avaliação parte de uma pergunta prática: é uma cefaleia primária (tensional ou enxaqueca), tem origem no pescoço, na ATM, no sono ou na medicação, ou há sinais que apontam para algo além disso? Na história, caracteriza-se a qualidade da dor (pressão contra pulsação), a localização, a duração, os fatores que melhoram e pioram, a relação com sono, estresse, postura e leitura, e o levantamento de todos os analgésicos usados e em quantos dias do mês. Em paralelo, rastreiam-se as bandeiras vermelhas. O exame complementa a história antes de qualquer imagem.
Decisão de imagem
Quadro típico e sem bandeiras vermelhas?
A imagem raramente é necessária. Pedir tomografia ou ressonância cedo demais, sem indicação, costuma gerar achados incidentais e preocupação sem mudar a conduta.
Imagem reservada para sinais de alerta, exame neurológico alterado (sobretudo papiledema) ou dor que muda de padrão e não responde ao tratamento.
O tratamento depende da causa
Não existe um tratamento único da pressão na cabeça: o que funciona depende de qual origem, das mapeadas acima, sustenta o aperto. O princípio que organiza tudo é tratar a causa, não apenas o sintoma. Como na maioria das vezes a pressão é tensional, de fundo muscular e de gatilhos modificáveis, a base é ativa e educativa, e as técnicas em clínica se somam conforme a apresentação e a resposta. Dois passos costumam mudar o curso antes de qualquer remédio: desfazer o uso excessivo de analgésico, quando há rebote, e regularizar sono, hidratação, refeições, postura e estresse.
Com a origem identificada, o tratamento se organiza por causa. Quando há componente muscular e cervical (tensional, cervicogênica, ATM), o eixo é a medicina física, descrita abaixo. Quando o motor é a enxaqueca, instituem-se prevenção e manejo da crise próprios da enxaqueca.
As causas sistêmicas e do sono pedem tratar a própria condição: abordar a apneia, cuidar da ansiedade e do sono, corrigir o erro refrativo com o oftalmologista. E as causas graves (hipertensão intracraniana, evento vascular, infecção) não são manejadas na clínica: o papel aqui é reconhecê-las pelos sinais de alerta e encaminhar sem demora.
Reabilitação ativa e procedimentos médicos no componente miofascial
Quando a pressão tem origem muscular e cervical, a base do tratamento é ativa. As técnicas abaixo se somam conforme o exame identifica o ponto-gatilho dominante e a resposta às primeiras semanas.
Cinesioterapia e reabilitação cervical
- O que é
- Programa de alongamento e fortalecimento dirigido ao trapézio superior, aos suboccipitais, ao elevador da escápula e à musculatura profunda do pescoço, junto com correção postural da cabeça, ombros e coluna cervical.
- Mecanismo
- Reduz a sobrecarga mecânica sobre os pontos-gatilho que referem aperto para o crânio, melhora a amplitude de movimento de C1 a C3 e diminui o disparo sustentado da musculatura pericraniana; o condicionamento aeróbico regular tem efeito preventivo próprio sobre a frequência da cefaleia tensional.
- Evidência
- Forte Primeira linha na cefaleia tensional e na cervicogênica; é a intervenção com a melhor relação entre benefício sustentado e segurança neste quadro.
- O que esperar
- Sessões individuais, progressivas ao longo de semanas, com exercícios de manutenção para fazer em casa; o efeito é cumulativo, não imediato, e se mantém pelo hábito de manter a rotina de exercícios além do consultório.
- Indicações
- Cefaleia tensional frequente ou crônica, componente cervicogênico identificado no exame, postura de trabalho prolongada em tela ou tarefa fixa.
- Limitações
- Exige adesão ao longo de semanas; sozinha, tende a ser insuficiente quando o ponto-gatilho já está muito ativo, cenário em que se soma o agulhamento.
Agulhamento seco e infiltração dos pontos-gatilho
- O que é
- Inserção de agulha fina, guiada pelo exame, nos pontos-gatilho do trapézio superior, dos suboccipitais, do esternocleidomastóideo e do temporal, que desenham exatamente a faixa e o “capacete” da queixa; a infiltração usa a mesma localização com anestésico local.
- Mecanismo
- A agulha busca a banda tensa do ponto-gatilho e a resposta de contração local que antecede a queda do tônus muscular, interrompendo o ciclo de dor referida para o crânio.
- Evidência
- Moderada Bom perfil de resposta no componente miofascial pericraniano e cervical, com o alívio mais consistente aparecendo nas 24 a 72 horas seguintes à sessão.
- O que esperar
- Dolorimento local passageiro no ponto tratado por 1 a 2 dias; costuma-se repetir em poucas sessões, associado à cinesioterapia, e não como técnica isolada e repetida indefinidamente.
- Indicações
- Ponto-gatilho identificado à palpação, reproduzindo a faixa de dor característica; cefaleia tensional ou cervicogênica que não cedeu apenas com exercício.
- Limitações
- Trata o gatilho muscular, não a causa que o mantém ativo (postura, estresse, sono); sem esse ajuste, o ponto tende a reativar.
Acupuntura médica
- O que é
- Inserção de agulhas finas em pontos da musculatura pericraniana e cervical, incluindo pontos locais sobre o temporal, o occipital e o trapézio superior, e pontos à distância.
- Mecanismo
- Mira a mesma musculatura pericraniana e cervical que sustenta o aperto, com efeito local sobre o tônus muscular e efeito central sobre a modulação da dor.
- Evidência
- Moderada Redução documentada da frequência da cefaleia tensional e do consumo de analgésicos em uso regular ao longo de semanas.
- O que esperar
- Ciclo de sessões semanais nas primeiras semanas, com reavaliação da frequência e da intensidade da pressão para decidir manutenção ou espaçamento.
- Indicações
- Cefaleia tensional frequente, sobretudo quando associada a tensão muscular difusa e estresse; pode se somar ao agulhamento seco pontual.
- Limitações
- Não é indicada como tratamento das causas sistêmicas, oculares ou graves listadas acima; o benefício é sobre o componente muscular e tensional.
Ondas de choque
- O que é
- Aplicação de ondas acústicas de alta energia sobre a musculatura ou a inserção tendínea afetada, fora da cabeça em si.
- Mecanismo
- Estimula a remodelação do tecido miofascial e tendíneo tratado, com efeito analgésico e sobre a rigidez local.
- Evidência
- Limitada para a pressão na cabeça isoladamente; a evidência é sólida para dor miofascial cervical e tendinopatias, não para a cefaleia em si.
- O que esperar
- Entra apenas como complemento, quando o exame mostra dor miofascial cervical relevante ou tendinopatia associada ao quadro.
- Indicações
- Componente cervical com pontos-gatilho muito rígidos e persistentes, ou tendinopatia concomitante do ombro ou pescoço.
- Limitações
- Nunca é usada como tratamento da cefaleia tensional em si, apenas do componente miofascial cervical selecionado.
Medicação, papel adjuvante. Analgésicos simples e anti-inflamatórios em períodos curtos ajudam nas crises, mas o uso frequente pode transformar a dor em diária, o que reforça a preferência por tratar a causa. Quando a pressão é muito frequente ou já crônica, considera-se profilaxia com antidepressivo em dose baixa, como a amitriptilina ou a nortriptilina, com indicação, dose e duração definidas pelo médico e prazo de 4 a 8 semanas para avaliar a resposta, atento a efeitos adversos e comorbidades. Havendo ansiedade ou insônia importantes, o cuidado da saúde mental e do sono faz parte do plano. A cirurgia não trata a pressão na cabeça de origem tensional; ela só entra no manejo de algumas causas graves específicas (como derivar a hipertensão intracraniana), em serviço especializado, e por isso não há um “procedimento” para o aperto comum.
Centro de Dor
Listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED)
Centro de Tratamento por Ondas de Choque
Listado pela Sociedade Médica Brasileira de Tratamento por Ondas de Choque (SMBTOC)
Clínica listada
Listada pelo Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura (CMBA)
Perguntas frequentes
Pressão na cabeça é pressão alta?
Em geral, não. A hipertensão arterial costuma ser silenciosa e não causa esse aperto no dia a dia. A maioria das dores em pressão vem de tensão muscular, ou seja, de cefaleia tensional. Só elevações muito acentuadas da pressão, em crise, podem causar dor de cabeça. Se houver dúvida, o certo é medir a pressão com aparelho.
Sinto a cabeça pesada e apertada o dia todo. O que pode ser?
O padrão de aperto contínuo, leve a moderado e dos dois lados é típico da cefaleia tensional, muitas vezes ligada a estresse, sono irregular, postura e excesso de telas. Quando ocorre em 15 ou mais dias por mês, fala-se em forma crônica, que merece avaliação e um plano de tratamento.
É enxaqueca ou cefaleia tensional?
A pressão sem pulsação, sem náusea e que não piora com esforço sugere cefaleia tensional. A enxaqueca costuma latejar, vir em crises e acompanhar náusea e sensibilidade à luz e ao som. Os dois quadros podem coexistir, e uma pressão pode ser o início de uma crise de enxaqueca.
Pode ser sinusite?
A sinusite aguda gera peso facial real, mas vem com febre, secreção espessa e obstrução nasal, e dura poucos dias. Uma pressão recorrente, sem infecção em curso, costuma ser cefaleia tensional ou enxaqueca com sintomas nasais, e não sinusite. Tratar o seio da face nesses casos não resolve a dor.
A pressão pode vir do pescoço?
Sim. Quando a pressão sobe da nuca para a testa, é mais de um lado e piora com a postura e o movimento do pescoço, pensa-se em origem cervical. As várias origens são comparadas na página sobre os tipos de dor de cabeça.
Quando devo me preocupar?
Procure avaliação sem demora diante de dor súbita e explosiva, febre com rigidez de nuca, fraqueza ou dormência, alteração da fala, da visão ou do equilíbrio, dor que começa após os 50 anos, muda de padrão, piora ao deitar ou ao tossir, ou surge após trauma. São os sinais de alerta da seção «Quando é sinal de alerta».
Resumos em linguagem clara de estudos revisados pelo Dr. Marcus Yu Bin Pai.
Ver a biblioteca científica completaReferências2 fontes citadas neste artigoVerOcultar
- Maguire T. Community-based headache management. International journal of clinical practice. Supplement. 2015. doi:10.1111/ijcp.12653. PMID:25907019.
- García-Azorín D; Santana-López L; Lozano-Alonso JE; Ordax-Díez A; González-Osorio Y; Rojo-Rello S; Eiros JM; Sánchez-Martínez J; Recio-García A; Sierra-Mencía Á; Sanz-Muñoz I; Guerrero-Peral ÁL. InfluenCEF study: Clinical phenotype and duration of headache attributed to influenza infection. Cephalalgia: an international journal of headache. 2023. doi:10.1177/03331024231212900. PMID:37950674.
Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação médica individual; pressão na cabeça com sinais de alerta, sobretudo o quadro súbito e explosivo ou o que piora ao deitar com vômito, exige avaliação presencial imediata. Como a origem do aperto difere de pessoa para pessoa, o plano para a pressão na cabeça precisa ser individualizado após consulta.

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Esta matéria e muito interessante.pois nos deixa. Informados. E por dentro das doenças que fazem parte de nossas. Vidas. Eu adorei saber pois para mim foi de muito proveito.