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Mão e polegar · Artrose

Rizartrose: como tratar a artrose do polegar sem cirurgia e recuperar a função das mãos

A maioria dos casos de rizartrose, a artrose da base do polegar, melhora sem cirurgia. Órtese, exercício específico e medicação reduzem a dor e devolvem a pinça.

Resposta direta
  • Rizartrose é a artrose da articulação na base do polegar (trapeziometacarpiana); dói ao fazer pinça e força, como abrir potes, girar chaves e torcer um pano.
  • A maioria dos casos é tratada sem cirurgia: a combinação de órtese, exercício específico e controle da dor melhora a função na maior parte das pessoas.
  • A cirurgia fica reservada à dor incapacitante que persiste apesar de um tratamento conservador completo e bem conduzido.
4,9Google5,0Doctoralia

40+ anos · HC-FMUSP · USP · 30 salas · 1.500 m² · Fisioterapia e Pilates individual

Avaliação clínica

Dor tem Tratamento. Foco em tratamentos não cirúrgicos para dor, reabilitação.

O que é a rizartrose e por que ela dói

Ilustração comparando uma articulação saudável, com cartilagem lisa e espaço preservado, ao lado de uma articulação com artrose, com cartilagem desgastada e osteófitos.
Na artrose a cartilagem que amortece a articulação se desgasta e o osso forma esporões, reduzindo o espaço articular.

Rizartrose é o nome da artrose que acomete a articulação da base do polegar, a trapeziometacarpiana, onde o primeiro metacarpo encontra um pequeno osso do punho chamado trapézio. É uma das artroses mais comuns da mão, especialmente em mulheres após os 50 anos.

Essa articulação tem um formato de sela que permite o polegar girar, abrir e tocar os outros dedos, o movimento que torna a mão humana hábil. Em troca dessa mobilidade, ela é pouco estável e depende de ligamentos e de músculos para se manter encaixada. Com o tempo, a cartilagem que reveste o trapézio e o metacarpo se desgasta, o espaço articular diminui e o osso reage formando os osteófitos, as proeminências que dão à base do polegar aquele aspecto “quadrado” ou saliente.

A dor da rizartrose não vem só do desgaste da cartilagem. Ela nasce de três frentes que costumam coexistir: a sobrecarga mecânica de uma articulação instável, a inflamação sinovial local nas fases de crise, e a sensibilização das terminações nervosas ao redor da cápsula. Por isso uma radiografia muito alterada pode doer pouco e uma alteração discreta pode incomodar bastante: o que define o sofrimento é a combinação entre carga, inflamação e estabilidade, não apenas a imagem.

Para entender em detalhe o que é a doença, suas fases radiográficas e suas características, há uma página dedicada sobre o que é a rizartrose. Aqui o foco é prático e diferente: como tratar a dor e recuperar a função da mão, de preferência sem operar.

12 kgforça que a base do polegar pode sustentar numa pinça forte, multiplicada a cada gesto do dia
8 a 12semanas de tratamento conservador antes de reavaliar a estratégia
+50 anosfaixa de maior prevalência, com predomínio no sexo feminino
Mito

“Tenho artrose no polegar, então é desgaste e só a cirurgia resolve.”

Fato

A maioria das pessoas com rizartrose melhora a dor e a função sem operar. O tratamento conservador, bem feito, é a primeira linha; a cirurgia é exceção, para casos que não respondem.

Dr. Marcus Yu Bin Pai como convidado do programa Sem Censura na TV Brasil
Na mídia Dr. Marcus Pai no programa Sem Censura da TV Brasil

Como reconhecer: sintomas e diferencial

A queixa mais característica é dor na base do polegar, do lado do punho voltado para o dedo, que piora justamente nos gestos de pinça e força: abrir um pote, girar a chave na fechadura, torcer um pano, apertar o gatilho de um borrifador, segurar o celular por muito tempo. Muitas pessoas relatam perda de força para esses movimentos antes mesmo de a dor ficar intensa.

Nas fases iniciais a dor costuma ser intermitente, ligada ao uso, e melhora com o repouso. Com a progressão, pode tornar-se mais constante, surgir rigidez pela manhã e aparecer a deformidade em “zigue-zague”: a base do polegar projeta-se para fora e a ponta tende a hiperestender, o que dificulta abrir a mão para pegar objetos grandes. Reconhecer o padrão certo importa porque vários quadros da mão e do punho doem em região parecida e pedem tratamentos distintos.

Rizartrose e seus principais diferenciais na mão
QuadroOnde dóiPista que diferencia
Rizartrose (trapeziometacarpiana)Base do polegar, na junção com o punhoPiora à pinça e à força; dor ao girar e apertar; base do polegar pode parecer “quadrada”
Tendinopatia de De QuervainBorda do punho, no lado do polegar, mais acimaDor ao desviar o punho com o polegar dobrado para dentro; típica do pós-parto e de quem carrega bebê
Síndrome do túnel do carpoPalma, polegar, indicador e médioFormigamento e dormência, piores à noite; não é dor de “força”, e sim de nervo
Artrose das pequenas articulações dos dedosArticulações ao longo dos dedos (nódulos)Nódulos visíveis (Heberden e Bouchard); a base do polegar pode estar poupada
Dedo em gatilhoBase do dedo, na palmaTravamento ou estalo ao dobrar e esticar o dedo, com clique

No consultório, um teste simples ajuda a confirmar: o grind test, em que o médico aplica leve compressão e rotação na base do polegar, costuma reproduzir a dor e, às vezes, gerar crepitação. Esses diferenciais têm páginas próprias neste blog, como a tendinopatia de De Quervain, a síndrome do túnel do carpo e o panorama geral de dor nas mãos, úteis quando o padrão não bate com o da rizartrose.

Em uma frase

Dor na base do polegar que aparece ao abrir potes e girar a chave fala a favor de rizartrose; dor mais acima, na borda do punho, ao mover o polegar para dentro, fala a favor de De Quervain. O detalhe de onde e em que gesto dói orienta a maior parte do diagnóstico.

Como é avaliada

A avaliação começa pela história e pelo exame, não pela imagem. Caracteriza-se há quanto tempo a dor existe, em quais gestos ela aparece, o quanto limita o dia a dia e se há perda de força. No exame, observam-se a forma da base do polegar, a presença de saliência óssea, a estabilidade da articulação e a amplitude de movimento.

História dirigida
Tempo de evolução, gestos que disparam a dor (pinça, girar, apertar), perda de força e impacto nas tarefas: define quanto a rizartrose limita a mão.
Inspeção e palpação
Forma da base do polegar, saliência óssea, ponto exato de dor e tônus da musculatura tenar: localiza a fonte da dor na trapeziometacarpiana.
Grind test (compressão e rotação)
Reproduz a dor ao comprimir e girar a base do polegar: sugere artrose da articulação trapeziometacarpiana.
Avaliação da frouxidão ligamentar
Reproduz e localiza a dor, e mostra a estabilidade da articulação da base do polegar.

A radiografia confirma o diagnóstico e gradua o desgaste, mas seu resultado precisa ser lido junto com o quadro clínico, porque o grau na imagem nem sempre acompanha a intensidade da dor. A ultrassonografia pode ajudar a avaliar inflamação e os tendões vizinhos quando o diferencial está em aberto.

A pergunta-chave da imagem

A radiografia decide sozinha a conduta?

Não

O tratamento não é decidido só pela radiografia: pessoas com artrose avançada na imagem podem ter pouca dor, e o inverso também ocorre. O grau na imagem é lido sempre junto ao exame e ao impacto na função.

Quando pedir imagem

Radiografia para confirmar e graduar o desgaste; ultrassonografia para checar inflamação e os tendões vizinhos quando o diferencial está em aberto. Ambas interpretadas junto ao quadro clínico.

Assista: HERNIA DE DISCO, PROTRUSÃO DISCAL, ARTROSE – Entenda porque sua Coluna doi!

Caminho de tratamento sem cirurgia

O tratamento da rizartrose é multimodal, não-cirúrgico e individualizado. Como não existe técnica que regenere a cartilagem já desgastada, o objetivo realista é reduzir a dor, estabilizar a base do polegar e recuperar a função da pinça para que a mão volte a dar conta da rotina; apagar o achado da radiografia não está em jogo. A base do plano une órtese e exercício específico; as demais técnicas se somam conforme a fase e a resposta. A cirurgia entra apenas quando esse caminho, bem conduzido, não basta.

Órtese e proteção articular

Órtese da base do polegar para as crises e atividades de carga, e ajuste de gestos do dia a dia para tirar peso da articulação.

Exercício e terapia da mão

Base ativa: fortalecimento da musculatura que estabiliza o polegar, controle motor e mobilidade, com terapia ocupacional especializada.

Técnicas em clínica

Acupuntura, eletroacupuntura, agulhamento seco, laser de alta intensidade e infiltração local quando há dor e inflamação relevantes.

Cirurgia em casos selecionados

Reservada à dor incapacitante que persiste apesar do tratamento conservador completo, com decisão compartilhada.

Órtese e proteção articular: a primeira frente

A órtese da base do polegar (que imobiliza a trapeziometacarpiana, deixando a ponta do dedo livre) é uma das intervenções mais úteis na rizartrose. Ela reduz a carga sobre a articulação instável, alivia a dor nas crises e nas tarefas de força, e protege contra os gestos que mais doem. Costuma ser usada nos períodos de dor e nas atividades de maior exigência, e não o tempo todo, para não enfraquecer a musculatura.

Junto dela vem a proteção articular: trocar o gesto de pinça fina por pegada com a palma inteira, usar abridores de potes e adaptadores de utensílios, evitar torcer panos com força e distribuir o peso ao carregar sacolas. São mudanças simples que tiram quilos de pressão da base do polegar a cada repetição ao longo do dia.

Exercício e terapia da mão: a base ativa

É a intervenção com a melhor relação entre evidência e segurança a longo prazo. O foco é estabilizar a articulação fortalecendo os músculos que sustentam o polegar, em especial o primeiro interósseo dorsal e a musculatura tenar (oponente e abdutor), que funcionam como uma “cinta dinâmica” para a base do dedo. O programa inclui ainda controle motor da pinça, mobilidade suave dentro do conforto e correção dos padrões de uso.

Conduzido por terapia ocupacional ou fisioterapia da mão especializada, com atendimento individual, o treino é progressivo e a resposta aparece ao longo de semanas; mantido depois do alívio, reduz as recorrências. O princípio é reconstruir o suporte da articulação de forma graduada; “fazer força no que dói” é justamente o que se evita.

Acupuntura médica e eletroacupuntura

Modulam a dor por mecanismos segmentares no corno dorsal da medula, pela ativação de vias inibitórias descendentes e pela liberação de opioides endógenos; na eletroacupuntura, a corrente de baixa frequência tende a recrutar mais esses sistemas, com participação de mediadores locais como a adenosina. Há evidência de benefício da acupuntura na dor da artrose em geral, com efeito útil para reduzir a dor e, com frequência, a necessidade de anti-inflamatório, o que importa numa faixa etária em que o comprimido pesa no estômago e nos rins. Na rizartrose, as agulhas são dirigidas tanto a pontos ao redor da base do polegar quanto à musculatura tenar e do antebraço que carrega a articulação; o alvo é o sintoma, porque não regeneram a cartilagem.

Costumamos propor um bloco curto de cerca de oito sessões semanais e reavaliar a pinça e a dor ao fim dele, em vez de manter um número fixo às cegas. A acupuntura médica aqui é ato médico, feita por médico com formação na área, integrada à órtese e ao exercício, que seguem sendo a base.

Agulhamento seco e infiltração de ponto-gatilho

Boa parte da dor da rizartrose não está só na articulação. A base do polegar instável obriga a musculatura tenar (oponente, abdutor curto) e os músculos do antebraço que fazem a pinça a trabalhar em tensão crônica, e essa sobrecarga forma pontos-gatilho palpáveis que doem por conta própria e alimentam o ciclo dor-espasmo-dor. É a parte da queixa que costuma ceder mais rápido. No agulhamento seco, a agulha buscada no nó muscular dispara um espasmo breve e involuntário (a resposta de contração local) que reduz a atividade elétrica da placa motora e a concentração de substâncias álgicas naquele ponto, com analgesia local e por via segmentar.

Quando o gatilho resiste à agulha seca, a infiltração com pequena dose de anestésico local no mesmo ponto quebra o ciclo. Na rizartrose o alvo é a musculatura que carrega o polegar, e não a cartilagem em si. O alívio do componente muscular pode vir logo após a sessão ou ao longo dos dois ou três dias seguintes, com um residual de dor no local por um dia ou dois.

Laser de alta intensidade e ondas de choque

O laser de alta intensidade atua por fotobiomodulação, com efeito analgésico e anti-inflamatório aplicado sobre a articulação dolorosa, como adjuvante na reabilitação da mão. As ondas de choque têm seu maior benefício em tendinopatias e na dor miofascial crônica; na artrose da base do polegar a evidência é mais limitada: entram como adjuvante para um componente miofascial ou tendíneo associado, e não como tratamento isolado da rizartrose.

Mesoterapia e infiltração articular

A mesoterapia (intradermoterapia) usa microinjeções superficiais de medicamentos diluídos sobre a área dolorosa, como adjuvante no controle da dor localizada; a evidência é mais heterogênea e o recurso é seletivo. Já a infiltração articular guiada, com corticoide, pode ser considerada nas crises inflamatórias que não cedem às medidas iniciais, oferecendo alívio temporário que abre uma janela para avançar a reabilitação. É um recurso pontual, com número limitado de aplicações, e não substitui a base ativa do tratamento.

Toxina botulínica em casos selecionados

Recurso de exceção, considerado quando há forte componente de dor e espasmo na musculatura que move o polegar mantendo a queixa, em quadros refratários. A toxina botulínica tipo A bloqueia a liberação de acetilcolina na junção neuromuscular e reduz a liberação periférica de neuropeptídeos nociceptivos (como CGRP e substância P), com efeito que vai além do relaxamento muscular. Não é primeira linha e não trata a artrose em si. O efeito começa em 2 a 4 semanas e dura cerca de três a quatro meses.

Medicação, papel adjuvante

Analgésicos simples (paracetamol, dipirona) e anti-inflamatórios por períodos curtos ajudam no alívio das crises; os anti-inflamatórios em formulação tópica (gel sobre a base do polegar) têm boa relação entre benefício e segurança na artrose das mãos e poupam o estômago. Fármacos sintomáticos de ação lenta para a artrose, como a diacereína, podem ser considerados em casos selecionados, sempre com indicação médica. A medicação alivia e abre espaço para a reabilitação, mas não substitui a órtese e o exercício, que são a base.

Semana 1 a 2

Controle inicial

Órtese nas crises e na carga, proteção articular e controle da dor; reduzir os gestos que mais disparam o sintoma.

Semana 3 a 8

Progressão

Fortalecimento estabilizador do polegar e técnicas em clínica; a dor costuma começar a ceder e a força a melhorar.

Após 8 a 12 semanas

Reavaliação

Sem a resposta esperada, revê-se o diagnóstico e a adesão e discute-se infiltração ou, em poucos casos, cirurgia.

Usamos medidas objetivas: a intensidade da dor numa escala de 0 a 10, a força de pinça e preensão medida com dinamômetro e um índice de função da mão, além do retorno às tarefas que estavam limitadas. Quando a melhora não vem no ritmo esperado, antes de repetir o mesmo ciclo conferimos três coisas: se o diagnóstico está certo (a De Quervain e a artrose dos dedos andam juntas com a rizartrose e mascaram o quadro), se a órtese serve de fato e está sendo usada nas horas certas, e se a carga do exercício foi dosada para a fase. A meta é reduzir a dor a um nível que não limite a rotina e recuperar a função da pinça; o desgaste visível na radiografia faz parte da história da articulação e não desaparece com o tratamento.

Por que a cirurgia raramente é o primeiro passo

O nome “artrose” e a imagem da base do polegar “quadrada” fazem o quadro parecer um problema que só a cirurgia resolve. Na prática é o contrário: a grande maioria das pessoas controla a dor e recupera a pinça com três medidas baratas e de baixo risco, uma órtese pequena da trapeziometacarpiana usada nas crises e nas tarefas de força, hábitos de proteção articular que tiram quilos de pressão da junta a cada gesto, e fortalecimento dirigido da musculatura tenar e do primeiro interósseo dorsal, com uma infiltração de corticoide reservada para os surtos inflamatórios. A operação fica para a minoria que continua com dor incapacitante depois de meses desse caminho bem-feito, com a doença já avançada. A pergunta útil no início raramente é “qual cirurgia”; é “a órtese e o exercício estão sendo feitos do jeito certo”.

Tratamento não farmacológico: RPG, Pilates e fisioterapia

A reabilitação ativa é o eixo do tratamento da rizartrose e a medida que mais sustenta o resultado a longo prazo. Como a cartilagem desgastada não se regenera, o que mais protege a base do polegar é reconstruir o suporte muscular e ligamentar ao redor da articulação instável e reeducar o gesto. As abordagens a seguir são conduzidas na clínica, individualizadas, um paciente por sala, dentro de um plano multimodal com indicação médica.

Dois princípios guiam a reabilitação. O primeiro é proteger sem imobilizar em excesso: a órtese e o ajuste de gestos tiram carga da articulação nas crises, mas o polegar precisa de movimento e de força para se manter encaixado, e o repouso prolongado enfraquece a musculatura tenar e tende a perpetuar a dor. O segundo é a progressão graduada de carga, reintroduzindo a pinça e a preensão de forma controlada e crescente para que a articulação readquira tolerância sem deflagrar crises.

Terapia da mão e cinesioterapia dirigida

Reabilitação ativa individualizada por terapia ocupacional ou fisioterapia da mão. Fortalece o primeiro interósseo dorsal e a musculatura tenar (oponente e abdutor curto) como “cinta dinâmica” que reduz a subluxação dorsorradial da base do metacarpo, com treino de controle motor da pinça e reeducação do gesto.

Moderada1ª linha

Órtese e proteção articular

Órtese da base do polegar (imobiliza a trapeziometacarpiana, deixa a ponta livre) usada nas crises e nas tarefas de força, somada à adaptação de gestos e utensílios. Estabiliza externamente a articulação instável e tira quilos de pressão da junta a cada repetição. Usada só nos períodos de exigência, para não enfraquecer a musculatura tenar.

ModeradaNas crises e na carga

Reeducação Postural Global (RPG)

Trabalho por cadeias musculares (mão, antebraço e cintura escapular) com posturas de alongamento ativo mantidas, contração isométrica em posição alongada e controle respiratório. Busca reequilibrar a tensão da musculatura que move o polegar e reduzir a sobrecarga que chega à base a partir de padrões de uso de todo o membro superior.

LimitadaOpção de exercício

Pilates clínico

Exercícios de controle, estabilização e respiração adaptados ao quadro, no solo ou em aparelhos com molas que graduam a resistência. O ganho de controle escapulotorácico e do punho cria uma base estável a partir da qual a pinça trabalha com menos sobrecarga. Forma estruturada e bem tolerada de exercício, sem superioridade sobre a cinesioterapia.

LimitadaOpção de exercício

Terapia manual

Mobilização da trapeziometacarpiana e liberação da musculatura tenar e do antebraço, como adjuvante para reduzir a dor e abrir janela para o exercício, não como tratamento isolado. Analgesia por mecanismos segmentares e descendentes, de curta duração quando usada sozinha. Contraindicada diante de sinais inflamatórios agudos ou de alerta.

LimitadaAdjuvante

A evidência separa o que é base do que é complemento: o exercício específico com órtese é primeira linha pelas diretrizes de osteoartrite, com efeito moderado sobre dor e função que depende sobretudo da adesão e da progressão; RPG, Pilates e terapia manual entram como formas alternativas ou adjuvantes de exercício, escolhidas conforme o perfil e a preferência da pessoa.

Exercício específico + órtese
Moderada · 1ª linha
RPG / Pilates clínico
Limitada
Terapia manual (com exercício)
Limitada

A resposta é gradual, ao longo de semanas, e depende da regularidade; o programa é mantido após o alívio para consolidar o ganho e reduzir recorrências. Carga mal dosada na fase muito irritável pode aumentar a dor de forma transitória, o que reforça a necessidade de supervisão. Nenhuma dessas técnicas substitui o fortalecimento específico da musculatura tenar nem a órtese, que seguem como base do tratamento da base do polegar.

Da prática clínica

Observações de consultório:

  • A queixa quase nunca chega como “dor na mão”. Chega como “não consigo mais abrir o pote de palmito”, “perco a chave de tanto que dói girar na porta” ou “deixei cair a panela”. É a pinça com força que denuncia a base do polegar, e muita gente percebe a perda de força antes da dor incomodar de verdade.
  • A saliência óssea “quadrada” na base do polegar costuma assustar mais que doer. Pacientes chegam achando que aquele “caroço” é o problema a ser cortado; explicar que é o osso reagindo ao desgaste, e que o tratamento mira a dor e a função e não o formato, costuma tirar um peso grande.
  • O que mais resolve é o que parece pequeno demais: a órtese certa da trapeziometacarpiana e os hábitos de proteção articular. Quando a pessoa entende que pode usar a palma inteira em vez da pinça fina e troca alguns utensílios, parte da dor cede antes mesmo de o fortalecimento fazer efeito.
  • A infiltração de corticoide funciona bem para apagar um surto inflamatório, mas é janela, não solução: o alívio abre espaço para fazer o exercício que sustenta o resultado. Quem usa a injeção e para por aí costuma voltar com a mesma queixa.
  • O que mais surpreende quem chega decidido a operar é descobrir, depois de algumas semanas de órtese e exercício, que a mão voltou a dar conta da rotina. A cirurgia continua sendo uma boa ferramenta, mas para a minoria que realmente esgotou o caminho conservador.

Tratamento cirúrgico e opções fora da clínica

A cirurgia é parte legítima do cuidado da rizartrose, mas é a exceção, não a regra: na maioria dos casos, o tratamento conservador bem conduzido controla a dor e recupera a função. Estas opções não são realizadas em nossa clínica; apresentamos o quadro completo e o momento de procurá-las e encaminhar.

Conservador · 1ª escolha

Órtese, exercício e dor

  • Indicado desde o início, para a grande maioria dos casos
  • Órtese da base do polegar, fortalecimento da musculatura tenar e proteção articular
  • Técnicas em clínica e infiltração para os surtos inflamatórios
  • Controla a dor e recupera a pinça sem imobilização prolongada nem riscos cirúrgicos
VS

Cirúrgico · exceção

Quando o conservador se esgota

  • Dor incapacitante que persiste apesar de tratamento completo e prolongado (em geral além de 6 meses, com órtese, exercício e, quando indicado, infiltração)
  • Perda importante de função que compromete trabalho e vida diária
  • Estadiamento radiográfico (Eaton e Littler) e comprometimento da articulação vizinha (escafotrapeziotrapezoidal) orientam a técnica
  • Decisão compartilhada com o cirurgião da mão

Não existe uma única operação para todos os casos, e generalizar leva a erro. A tabela abaixo resume as principais técnicas, quando costumam ser consideradas e o que esperar de cada uma. O detalhamento do procedimento, dos riscos e da recuperação cabe ao cirurgião da mão que conduzirá o caso, com decisão compartilhada com o paciente.

Principais opções cirúrgicas na rizartrose
ProcedimentoQuando considerarO que esperar
Trapeziectomia (retirada do trapézio)Rizartrose avançada e dolorosa refratária ao tratamento conservador; é a técnica mais usada e a referência de comparaçãoBom alívio da dor na maioria; imobilização inicial e reabilitação de alguns meses para recuperar força de pinça, que pode ficar discretamente reduzida
Trapeziectomia com suspensão e interposição (LRTI)Quando se busca preencher o espaço e suspender o metacarpo, frequentemente usando uma fita de tendãoResultados de dor e função semelhantes aos da trapeziectomia isolada nos estudos comparativos, com recuperação mais longa; a escolha é técnica e individual
Artroplastia trapeziometacarpiana (prótese)Casos selecionados, sobretudo com bom estoque ósseo, quando se prioriza recuperação mais rápida da forçaRecuperação funcional que pode ser mais rápida a curto prazo; exige seguimento pelo risco de soltura ou desgaste do implante ao longo dos anos
Artrodese trapeziometacarpiana (fusão)Pessoas jovens e de alta demanda de força que toleram perda de mobilidade, sem artrose das articulações vizinhasArticulação indolor e forte, à custa da perda do movimento de oposição ampla; risco de não consolidação e de sobrecarga das articulações vizinhas
Osteotomia do primeiro metacarpoRizartrose inicial em pessoas jovens, em casos muito selecionadosRedistribui a carga na articulação para adiar procedimentos maiores; indicação restrita e menos frequente

A trapeziectomia, com ou sem suspensão e interposição de tendão, é o procedimento mais consolidado e oferece bom alívio da dor na maioria das pessoas; ensaios clínicos que compararam a trapeziectomia isolada com as variações que acrescentam reconstrução ligamentar não mostraram vantagem consistente das técnicas mais complexas em dor e função, apenas mais tempo de cirurgia e de recuperação. A artroplastia com prótese pode acelerar a recuperação da força a curto prazo, mas adiciona o risco de falha do implante ao longo do tempo. A artrodese entrega uma articulação forte e indolor à custa da mobilidade, o que a reserva a perfis específicos.

Qualquer que seja a técnica, a reabilitação da mão no pré e no pós-operatório é parte essencial do resultado. Operar não significa que o tratamento conservador fracassou; é a ferramenta certa para a minoria que dela precisa.

Além da cirurgia, há situações conduzidas por outros serviços que podem fazer parte do percurso. Quando a dor articular das mãos vem acompanhada de rigidez matinal prolongada, inchaço de várias articulações ou acometimento simétrico, é preciso afastar uma artrite inflamatória (como a artrite reumatoide ou a artrite psoriásica), cujo tratamento de base é conduzido pelo reumatologista, com fármacos modificadores de doença que atuam sobre a causa. Esse rastreio importa porque a conduta muda por completo: a rizartrose é uma artrose mecânica, e não uma doença inflamatória sistêmica. Quando o quadro exige essas opções, o papel do cuidado de base é reconhecer o momento, explicar o que cada caminho oferece e encaminhar a quem o executa, mantendo a reabilitação como eixo antes e depois de qualquer procedimento.

Tratamento medicamentoso

A medicação tem papel adjuvante e por tempo definido na rizartrose: ajuda a controlar a dor e a inflamação para que a reabilitação avance, mas não reverte o desgaste da cartilagem nem substitui a órtese e o exercício, que são a base. A prescrição, a dose e a duração são definidas pelo médico, com atenção às comorbidades, às interações e ao perfil de efeitos adversos.

Classes medicamentosas na rizartrose
ClassePara quêEvidênciaO que esperar e cuidados
Anti-inflamatório tópico (diclofenaco em gel)Aplicado sobre a base do polegar; primeira escolha medicamentosa na rizartrose por ser a articulação superficialModeradaAlívio útil com absorção sistêmica muito menor que a do comprimido, o que reduz os efeitos adversos
Anti-inflamatório oral (ibuprofeno, naproxeno, diclofenaco)Ciclos curtos para as crises de dor mecânica e inflamatóriaModeradaCautela pelos riscos gastrointestinal, renal e cardiovascular, sobretudo em idosos e com comorbidades, perfil frequente na rizartrose
Analgésicos simples (paracetamol, dipirona)Alívio da dor; úteis em quem tem contraindicação aos anti-inflamatóriosLimitadaEfeito modesto na osteoartrose; atenção à dose total diária e, no paracetamol, à função hepática
Infiltração de corticoideSurto inflamatório que não cede às medidas iniciais; idealmente guiada por ultrassom dada a pequena dimensão da articulaçãoModeradaAlívio de semanas a meses; recurso pontual, com número limitado de aplicações, adjuvante da reabilitação
Sintomáticos de ação lenta (diacereína)Casos selecionados, com indicação médicaLimitadaEfeito modesto e início lento. Glucosamina e condroitina têm evidência fraca e inconsistente e não modificam a evolução, com bom perfil de segurança

Os opioides não são primeira linha na rizartrose e ficam reservados a situações específicas e por curtíssimo prazo, pelo risco de efeitos adversos, tolerância e dependência. Nenhuma medicação isolada resolve a causa, o uso prolongado sem reavaliação não é desejável, e o melhor resultado vem da combinação criteriosa de controle da dor com órtese e reabilitação ativa. Para entender melhor as classes e os cuidados, veja o nosso guia de remédios para dor.

Sinais de alerta · não espere

Procure avaliação sem demora se houver

  • Base do polegar quente, muito vermelha e inchada, com dor intensa em repouso e febre: possível artrite séptica, uma emergência — não é hora de infiltrar a articulação.
  • Início súbito e explosivo de dor, vermelhidão e inchaço em horas, às vezes com edema brilhante: sugere artrite por cristais (gota ou pseudogota), não desgaste, e o tratamento é diferente.
  • Dor que começou após queda sobre a mão ou torção forte do polegar, com inchaço e dor ao apertar a “tabaqueira anatômica”: pode ser fratura do escafoide ou luxação da articulação trapézio-metacarpal, e exige radiografia.
  • Dor predominante na lateral do punho logo acima do polegar, que piora ao desviar o punho com o polegar fechado na mão (teste de Finkelstein): aponta para tendinite de De Quervain, e não para a artrose da base.
  • Dormência ou formigamento no polegar, indicador e médio, sobretudo à noite: sugere síndrome do túnel do carpo associada, que muda a investigação e a conduta.
  • Dor desproporcional, queimação contínua, alterações de cor, temperatura, suor ou inchaço da mão inteira, com hipersensibilidade ao toque: pode indicar síndrome dolorosa regional complexa.
  • Travamento, estalido doloroso ou perda súbita de força para pinçar, com deformidade visível da base do polegar: pode haver instabilidade ou subluxação da articulação que requer avaliação específica.
  • Piora rápida e progressiva da dor e da deformidade em poucas semanas, fugindo do curso lento habitual da artrose: merece reavaliação para excluir outras causas.

O sinal mais urgente é a articulação quente, muito vermelha e dolorosa em repouso, especialmente com febre: nessa situação assume-se artrite séptica até prova em contrário, porque uma infecção articular destrói a cartilagem em dias e qualquer infiltração com corticoide está contraindicada. A conduta muda completamente — em vez de repouso e anti-inflamatório, indica-se punção do líquido articular para análise e início precoce de antibiótico.

A clínica

A clínica é um Centro de Dor listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED) e um Centro de Tratamento por Ondas de Choque listado pela SMBTOC. É também listada pelo CMBA, Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura.

Conheça a clínica
SBED, Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor
SMBTOC, Sociedade Médica Brasileira de Tratamento por Ondas de Choque
CMBA, Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura

Perguntas frequentes

Artrose do polegar tem tratamento sem cirurgia?

Sim, e o tratamento sem cirurgia é a primeira linha. A combinação de órtese da base do polegar, exercício específico para estabilizar a articulação, técnicas em clínica e medicação no tempo certo melhora a dor e a função na maior parte das pessoas. A cirurgia fica reservada aos casos que não respondem a um tratamento conservador completo.

Artrose nas mãos tem cura?

Não existe, hoje, tratamento que regenere a cartilagem já desgastada. Isso não significa conviver com a dor: o objetivo do tratamento é controlar o sintoma, recuperar a força e a função e reduzir as crises, o que é alcançável na maioria dos casos mesmo com a artrose presente na imagem. Veja também a página de dor nas mãos.

Qual a diferença entre rizartrose e artrose no polegar?

São o mesmo quadro. “Rizartrose” é o termo técnico para a artrose da articulação na base do polegar (trapeziometacarpiana). Quando alguém fala em artrose no polegar ou artrose na base do dedão, costuma estar se referindo a ela. Para entender as fases e características em detalhe, há a página sobre o que é a rizartrose.

Preciso usar a órtese o dia inteiro?

Em geral, não. A órtese costuma ser usada nas crises de dor e nas atividades de maior carga, como tarefas que exigem força ou pinça repetida. Usá-la o tempo todo pode enfraquecer a musculatura que precisa ficar forte para estabilizar o polegar. O esquema de uso é individualizado de acordo com a fase do quadro.

Posso fazer exercício mesmo com dor na base do polegar?

Sim, e o exercício específico é a base do tratamento. O objetivo é fortalecer de forma progressiva e orientada os músculos que estabilizam o polegar, dentro de um limite tolerável de desconforto; forçar justamente o que dói é o que se evita. Um profissional da terapia da mão ajusta a carga e a técnica ao seu caso, o que evita piora e acelera a recuperação.

É a mesma coisa que tendinite de De Quervain?

Não. A rizartrose dói na base do polegar, na junção com o punho, e piora ao fazer pinça e força. A tendinopatia de De Quervain dói mais acima, na borda do punho, e piora ao desviar o punho com o polegar dobrado para dentro. São quadros diferentes, com tratamentos distintos, e o exame ajuda a separá-los.

Quando devo procurar um especialista?

Quando a dor na base do polegar limita tarefas do dia a dia, não melhora com medidas simples ao longo de algumas semanas, recorre com frequência ou vem com perda de força e deformidade. Um médico fisiatra ou da dor pode confirmar o diagnóstico, afastar os diferenciais e montar o plano de tratamento conservador adequado ao seu caso.

Evidência científica · resumos da nossa biblioteca

Resumos em linguagem clara de estudos revisados pelo Dr. Marcus Yu Bin Pai.

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Agulhas finas de acupuntura inseridas na região do punho e da mao, com a mao do profissional posicionando uma das agulhas.
A acupuntura usa agulhas finas em pontos do punho e da mao para modular a dor da rizartrose sem medicação.
Dr. Marcus Yu Bin Pai
Sobre o autor
Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP 158.074RQE 65.523 / 65.524 / 655.241

Médico especialista em Fisiatria e Acupuntura pela Associação Médica Brasileira, com área de atuação em Dor. Doutor em Ciências pela USP e médico colaborador do Grupo de Dor do HC-FMUSP.

Revisão médica e editorial

Conteúdo revisado clinicamente por Prof. Dr. Hong Jin Pai. Tem finalidade educativa e cita fontes.

Referências2 fontes citadas neste artigoVerOcultar
  1. Meireles SM; Jones A; Natour J. Orthosis for rhizarthrosis: A systematic review and meta-analysis. Seminars in arthritis and rheumatism. 2019. doi:10.1016/j.semarthrit.2018.07.013. PMID:30170704.
  2. Thakker A; Ramchandani JP; Divall P; Sutton A; Johnson N; Dias J. What Are the Most Clinically Effective Nonoperative Interventions for Thumb Carpometacarpal Osteoarthritis? An Up-to-date Systematic Review and Network Meta-analysis. Clinical orthopaedics and related research. 2025. doi:10.1097/corr.0000000000003300. PMID:39560669.
Atualizado em 31 mai 2026 Leitura 9 min

Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação médica individual. A escolha da órtese, o desenho do programa de exercício, a indicação de infiltração e a decisão sobre cirurgia na rizartrose dependem do exame e do grau de cada caso, e o plano é individualizado em consulta.

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