Dor nas mãos: causas, como diferenciar e tratamento
A dor nas mãos pode vir da própria articulação, de um tendão, de um nervo comprimido, de um vaso ou de uma doença inflamatória, e às vezes nem nasce na mão: começa no pescoço.
- A dor nas mãos tem causas que se separam pelo mecanismo e pela junta que dói: articular (artrose das pontas dos dedos, rizartrose do polegar, artrite reumatoide, gota), tendínea (De Quervain, dedo em gatilho), por compressão de nervo (túnel do carpo, túnel cubital), vascular (Raynaud) e sistêmica (lúpus, artrite psoriásica).
- O padrão conta mais do que a intensidade: dor ao usar com rigidez matinal curta sugere artrose; formigamento noturno em dedos específicos sugere nervo comprimido; juntas inchadas, quentes e simétricas sugerem artrite inflamatória; dedos que ficam brancos no frio apontam para causa vascular.
- Às vezes a dor nem nasce na mão: um ponto-gatilho do antebraço ou uma raiz cervical comprimida projetam dor e formigamento até os dedos. Sinais de alerta como articulação única quente com febre (artrite séptica) ou dedo isquêmico pedem avaliação imediata.
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Dor tem Tratamento. Foco em tratamentos não cirúrgicos para dor, reabilitação.
A localização decide o diagnóstico
A pergunta mais útil diante de uma dor na mão não é “o que é?”, mas “onde exatamente dói, o que piora e o que mais aparece junto?”. A mão tem mais de vinte articulações pequenas, tendões longos que correm em bainhas, três nervos principais e uma rede vascular fina; cada estrutura, ao adoecer, dói num lugar e de um jeito reconhecíveis. É essa combinação de mapa e padrão que separa uma rizartrose de um túnel do carpo, e não o exame de imagem isolado.
Vale fixar a anatomia básica. As juntas das pontas dos dedos são as interfalângicas distais (IFD); as do meio dos dedos, as interfalângicas proximais (IFP); as juntas dos nós da mão, onde os dedos encontram a palma, são as metacarpofalângicas (MCF). Na base do polegar, junto ao punho, fica a articulação trapézio-metacárpica (CMC), a que sofre na rizartrose. Saber nomear a junta que dói é meio caminho para o diagnóstico, porque cada doença tem predileção por um conjunto delas, e nervo, tendão e vaso doem fora da junta, num trajeto ou num território.
As causas se organizam melhor por mecanismo: as articulares e ósseas (artrose, artrites inflamatórias, gota), as tendíneas e por sobrecarga (De Quervain, dedo em gatilho), as neurais (compressão do mediano no carpo, do ulnar no cotovelo, dor referida da cervical) e as vasculares e sistêmicas (Raynaud, doenças do tecido conjuntivo). As seções a seguir percorrem cada grupo, com a pista que diferencia uma causa da outra.
Dor na junta da mão “ao usar” sugere artrose; dor que formiga e acorda à noite sugere nervo comprimido; juntas inchadas, quentes e simétricas sugerem artrite inflamatória; dedos que embranquecem no frio sugerem causa vascular. A localização e o gatilho contam mais do que a intensidade.
Causas articulares e ósseas
São as causas que nascem dentro da junta, na cartilagem ou na membrana sinovial. O divisor de águas entre elas é se a dor é mecânica (piora ao usar, rigidez matinal curta, sem calor) ou inflamatória (juntas inchadas, quentes, rigidez matinal longa). Reconhecer esse eixo separa a artrose, comum e de manejo conservador, das artrites que precisam de tratamento de base precoce na reumatologia.
Artrose das mãos: nós de Heberden e Bouchard
Desgaste da cartilagem das interfalângicas distais (IFD) e proximais (IFP), com reação óssea que forma caroços duros e não quentes: nós de Heberden na ponta, de Bouchard no meio do dedo. Dor mecânica, que piora com o uso e ao longo do dia, com rigidez matinal de poucos minutos. O diagnóstico é clínico, confirmado por radiografia quando preciso.
Rizartrose: artrose da base do polegar
Artrose da articulação trapézio-metacárpica (CMC), na base do polegar junto ao punho. Dói ao fazer pinça, abrir tampas, virar a chave e girar a maçaneta, e a base do polegar pode ganhar aspecto “quadrado”. É frequentemente confundida com tendinite ou dor “do punho”; palpar a junta CMC e reproduzir a dor à compressão e rotação (grind) localiza a causa.
Artrite reumatoide
Doença autoimune da membrana sinovial. Na mão, acomete as MCF e as IFP poupando as pontas (IFD), costuma ser simétrica, com juntas inchadas, quentes e moles, e rigidez matinal de mais de uma hora. Pode vir com cansaço. Reconhecer cedo é decisivo: o tratamento de base muda o curso da doença e é conduzido pela reumatologia.
Gota e artrite por cristais
Depósito de cristais de urato dentro da junta. Dá crises de dor intensa, de início rápido, com articulação muito vermelha, quente e inchada, às vezes na base de um dedo ou no punho, podendo simular infecção. Pode haver tofos (nódulos de urato). O ácido úrico elevado apoia, mas o diagnóstico de certeza é a análise do líquido articular.
Artrite psoriásica
Artrite inflamatória associada à psoríase, que pode preceder ou acompanhar lesões de pele e alterações das unhas. Na mão, tende a atingir as IFD (ao contrário da reumatoide) e pode causar dactilite, o dedo inteiro inchado em “salsicha”. Entra no grupo que precisa de avaliação e tratamento de base na reumatologia.
Trauma, fratura e lesão ligamentar
Dor que começa após uma queda, torção ou impacto direto. Fratura, luxação ou lesão de ligamento dão dor localizada, inchaço e, às vezes, deformidade ou dificuldade para mover o dedo. Dor que não cede após trauma, com deformidade ou impossibilidade de movimento, pede radiografia e avaliação sem adiar.
Causas tendíneas e por sobrecarga
Aqui a dor não vem da junta, mas dos tendões e de suas bainhas, em geral por uso repetido. Por isso a dor não é exatamente “na articulação”, e sim no trajeto do tendão, na palma ou na borda do punho, e costuma ter um gesto que a dispara. Manobras simples de provocação ajudam a confirmar.
Tenossinovite de De Quervain
Inflamação da bainha do primeiro compartimento extensor (abdutor longo e extensor curto do polegar), na borda radial do punho. Dói ao mover o polegar e ao desviar o punho, clássica em quem faz pinça e desvio repetidos (carregar bebê no colo). O teste de Finkelstein, fechar o polegar dentro da mão e desviar o punho, reproduz a dor.
Dedo em gatilho
Também chamado de tenossinovite estenosante: o tendão flexor engrossa e “prende” na polia A1, na palma, na base do dedo. O dedo trava ao dobrar e estala ou salta ao esticar, às vezes com dor na palma logo abaixo do dedo. Atinge mais o polegar e os dedos anelar e médio, e pode haver um nódulo palpável que se move com o tendão.
Tenossinovite dos extensores
Inflamação dos tendões extensores no dorso da mão e do punho, por uso repetido (digitação, mouse, instrumentos). Dói ao estender os dedos ou o punho contra resistência, com sensibilidade à palpação do trajeto do tendão e, às vezes, leve inchaço dorsal. A relação com a musculatura do antebraço está detalhada no quadro de tendinite no antebraço.
Sobrecarga do punho e cistos
O uso intenso e posições mantidas sobrecarregam o punho e podem dar dor difusa ao apoiar e carregar peso. O cisto sinovial (gânglio) é uma bolha de líquido que surge no dorso ou na face palmar do punho, em geral indolor, mas que pode incomodar ou doer conforme o tamanho e a posição. Varia ao longo do tempo e costuma ter manejo conservador.
Causas neurais e dor referida
Quando há formigamento, dormência ou fraqueza além da dor, o suspeito é um nervo, e a chave é o território: cada nervo serve uma faixa de pele e um grupo de músculos. Um detalhe importante é que a dor pode ser projetada de longe: um nervo comprimido no cotovelo ou uma raiz do pescoço fazem a mão doer sem que haja nada de errado nela.
Síndrome do túnel do carpo
Compressão do nervo mediano sob o retináculo dos flexores, no punho. Dá formigamento e dormência no polegar, indicador, médio e metade do anelar, tipicamente à noite ou ao segurar celular e volante; a pessoa “sacode” a mão para aliviar. Tinel (percussão sobre o punho) e Phalen (flexão mantida do punho) reproduzem os sintomas. É a causa mais comum de dor na mão com formigamento.
Compressão do nervo ulnar no túnel cubital
Compressão do nervo ulnar no cotovelo (túnel cubital) ou no punho (canal de Guyon). Formigamento e dormência no dedo mínimo e na metade do anelar, que pioram ao manter o cotovelo dobrado (ao telefone, ao dormir), com fraqueza para abrir e fechar os dedos nos casos avançados. O território separa-o do túnel do carpo, que poupa o mínimo.
Radiculopatia cervical: dor referida do pescoço
Uma raiz nervosa comprimida no pescoço (C6 a C8) projeta dor, formigamento ou fraqueza pelo braço até a mão, seguindo a faixa daquela raiz, às vezes pior ao mover ou estender o pescoço. A pista é a dor que sobe pelo antebraço, em vez de ficar restrita a dedos específicos, e a dor cervical associada. A diferenciação completa está no guia sobre dor no pescoço e quando se preocupar.
Dor miofascial referida do antebraço
Pontos-gatilho no flexor e no extensor dos dedos e no braquiorradial referem dor para a palma, o dorso dos dedos e a base do polegar, imitando uma rizartrose ou uma tenossinovite. A pista é que a junta dolorida não tem alteração ao exame e a dor se reproduz ao comprimir uma banda tensa no antebraço, a vinte centímetros de onde dói.
Causas vasculares e sistêmicas
Um grupo menor de causas vem dos vasos e de doenças do corpo todo que se manifestam na mão. São menos comuns, mas importantes de reconhecer: algumas mudam de cor com o frio, outras são a primeira pista de uma doença sistêmica, e a isquemia aguda é uma emergência.
Fenômeno de Raynaud
Vasoespasmo das pequenas artérias dos dedos diante do frio ou do estresse: os dedos ficam brancos, depois roxos e por fim avermelhados, com dor, dormência e frieza. Pode ser primário (benigno) ou secundário a uma doença do tecido conjuntivo. O padrão trifásico bem demarcado e os gatilhos pelo frio orientam o diagnóstico.
Lúpus e doenças do tecido conjuntivo
O lúpus eritematoso sistêmico e doenças aparentadas podem dar dor e artrite nas mãos, em geral sem o dano erosivo da reumatoide, acompanhadas de sinais sistêmicos: fadiga, lesões de pele, fotossensibilidade, queda de cabelo, Raynaud. A dor articular como parte de um quadro sistêmico pede avaliação reumatológica e exames específicos.
Isquemia arterial aguda
Obstrução súbita do fluxo arterial para a mão ou para um dedo, por êmbolo ou trombose. Dá dor intensa de início abrupto, com a mão ou o dedo pálido, frio, sem pulso e com perda de força e sensibilidade. É emergência: o tempo até reestabelecer o fluxo determina se o tecido é salvo, e a avaliação tem de ser imediata.
Causas sistêmicas e endócrinas
Algumas condições gerais favorecem dor e síndromes da mão: o hipotireoidismo e a gravidez aumentam o risco de túnel do carpo pela retenção de líquido; o diabetes associa-se a dedo em gatilho e a rigidez dos dedos. Reconhecer o pano de fundo sistêmico muda a investigação e o encaminhamento.
Como diferenciar pelo padrão
O primeiro corte, e o mais útil, é separar a dor mecânica da inflamatória: as duas exigem condutas diferentes e o erro mais comum é tratar uma como se fosse a outra. Em seguida, a localização e o território fecham o diagnóstico.
| Aspecto | Padrão mecânico | Padrão inflamatório |
|---|---|---|
| Rigidez matinal | Curta, poucos minutos | Longa, mais de uma hora |
| Junta ao toque | Caroço ósseo duro, não quente | Inchada, quente e mole |
| O que piora | O uso e a carga ao longo do dia | O repouso; melhora com o movimento |
| Distribuição | Uma ou poucas juntas, assimétrica | Várias juntas pequenas, simétrica |
| Conduta de base | Reabilitação, órtese, controle da dor | Tratamento de base na reumatologia, cedo |
| Causa | Onde dói / território | Pista que diferencia · o que fazer |
|---|---|---|
| Rizartrose (artrose do polegar) | Base do polegar (CMC), junto ao punho | Dói à pinça e ao girar tampa ou chave; base “quadrada”. Conservador: órtese e reabilitação. |
| Nós de Heberden / Bouchard | Pontas (IFD) e meio (IFP) dos dedos | Caroços ósseos duros, não quentes; dor mecânica. Conservador. |
| Artrite reumatoide / psoriásica | MCF e IFP (reumatoide poupa IFD); psoriásica pode atingir IFD | Inchaço simétrico, quente; rigidez > 1 h. Encaminhar à reumatologia cedo. |
| Gota | Junta única, base de um dedo ou punho | Crise aguda, muito vermelha e quente. Análise do líquido confirma. |
| De Quervain | Borda radial do polegar, no punho | Dor ao mover o polegar; Finkelstein positivo. Órtese e reabilitação. |
| Dedo em gatilho | Palma, na base do dedo (polia A1) | Dedo trava ao dobrar e estala ao esticar. Órtese e, se preciso, infiltração. |
| Túnel do carpo (mediano) | Polegar, indicador, médio e metade do anelar | Formigamento noturno; Tinel e Phalen positivos. Conservador na fase inicial. |
| Nervo ulnar (túnel cubital) | Mínimo e metade do anelar | Piora com o cotovelo dobrado. Ajuste postural; avaliar condução nervosa. |
| Radiculopatia cervical | Faixa do braço até a mão, segue a raiz | Acompanha dor no pescoço; sobe pelo antebraço. Tratar a coluna. |
| Raynaud | Dedos, simétrico, com o frio | Branco, roxo e vermelho em sequência. Proteger do frio; investigar causa. |
| Lúpus e tecido conjuntivo | Várias juntas, com sinais sistêmicos | Fadiga, pele, fotossensibilidade. Avaliação reumatológica. |
| Isquemia arterial aguda | Mão ou dedo, súbito | Pálido, frio, sem pulso. Emergência, avaliar de imediato. |
Sinais de alerta: quando procurar atendimento
A maior parte da dor na mão é benigna e tem manejo conservativo, mas alguns quadros precisam de avaliação sem demora. Os sinais a seguir apontam para infecção, doença inflamatória ativa, lesão nervosa em progressão ou isquemia.
Procure avaliação sem demora se houver
- Junta única muito quente, vermelha e muito dolorosa, com febre ou mal-estar, sugerindo artrite séptica (infecção): é urgência.
- Mão ou dedo subitamente pálido, frio, sem pulso e com perda de força, sugerindo isquemia arterial aguda: é emergência.
- Crise aguda de articulação muito inflamada, que pode ser gota e precisa ser diferenciada de infecção.
- Várias juntas pequenas inchadas e simétricas com rigidez matinal longa, sugerindo artrite inflamatória que precisa de tratamento precoce.
- Perda de força progressiva, atrofia da base do polegar ou dormência que se tornou constante e deixou de aliviar ao sacudir a mão.
- Dor após trauma com deformidade evidente, impossibilidade de mover o dedo ou inchaço intenso.
- Dor na mão com dor no pescoço, fraqueza no braço ou alteração que sobe pelo membro.
Como a dor na mão é avaliada
A avaliação é antes de tudo clínica e segue a lógica das seções acima: a história situa o mecanismo (qual junta, o que piora, há formigamento e em quais dedos, rigidez matinal curta ou longa, inchaço, uma ou as duas mãos, dor cervical associada, mudança de cor com o frio) e o exame confirma. O exame físico mapeia a dor à palpação de cada articulação e tendão, testa a força da pinça e da preensão e aplica manobras de provocação dirigidas: o teste de Finkelstein para o De Quervain, o grind (compressão e rotação) para a rizartrose, Tinel e Phalen para o túnel do carpo, a flexão mantida do cotovelo para o nervo ulnar, e a palpação de bandas tensas no antebraço para a dor miofascial referida.
Os exames complementares confirmam e refinam, não substituem o raciocínio. A radiografia mostra a artrose (espaço articular reduzido, osteófitos) e fraturas. A ultrassonografia avalia bem as tenossinovites, o derrame articular e cistos, e pode guiar uma infiltração. A eletroneuromiografia mede a condução do mediano e do ulnar e ajuda a confirmar e graduar a compressão.
Na suspeita de doença inflamatória, exames de sangue (fator reumatoide, anti-CCP, provas inflamatórias, ácido úrico, autoanticorpos) orientam, com indicação e interpretação do reumatologista. Pedir o exame certo depende de já ter uma hipótese, e por isso a localização e o padrão vêm primeiro.
O tratamento depende da causa
Não existe um tratamento único para “dor na mão”: o que ajuda depende de qual das causas acima está por trás. O princípio é tratar a causa, e a maioria dos quadros mecânicos responde sem cirurgia. O que muda é o alvo e a sequência, organizados por origem.
Causa musculoesquelética: reabilitação, acupuntura e agulhamento seco
Reabilitação ativa: cinesioterapia e fisioterapia da mão
Base do tratamento na artrose, na rizartrose e nas tenossinovites, conduzida por profissional com formação específica: fortalecimento progressivo da pinça e da preensão, exercícios de deslizamento dos tendões e proteção articular. Quando há fator postural da cadeia do membro superior, somam-se RPG e Pilates clínico para organizar a progressão.
Órtese sob medida
Dá repouso seletivo à estrutura inflamada sem imobilizar a mão inteira: estabiliza a base do polegar na rizartrose, mantém o punho neutro à noite no túnel do carpo, repousa os tendões no De Quervain e reduz o travamento no dedo em gatilho.
Agulhamento seco
No componente miofascial, com pontos-gatilho no flexor e no extensor dos dedos referindo dor para a palma e os dedos, agulha a banda tensa do antebraço buscando a resposta de contração local e reduzindo a dor referida.
Acupuntura e eletroacupuntura
Modulam a dor por mecanismos segmentares e vias inibitórias descendentes, úteis em quem tem várias juntas pequenas doloridas e não tolera bem anti-inflamatórios.
Ondas de choque
Opção para a tendinopatia que não cede.
Infiltração guiada por ultrassom
Controla a inflamação na bainha — primeiro compartimento extensor no De Quervain, polia A1 no dedo em gatilho — nos casos que não respondem à órtese e à terapia.
Causa neuropática, vascular ou inflamatória: tratar a origem
Quando a causa é neuropática, o tratamento mira o nervo: no túnel do carpo inicial, órtese noturna e exercícios de deslizamento do nervo; na compressão ulnar, ajuste da postura do cotovelo. Em quadros sintomáticos, adjuvantes neuropáticos (gabapentina, pregabalina ou duloxetina) podem ser considerados, sempre com titulação e indicação médica. Quando a origem é vascular (Raynaud) ou sistêmica (lúpus, artrite reumatoide ou psoriásica), o papel da clínica é reconhecer e encaminhar: a artrite inflamatória tem tratamento de base na reumatologia com medicamentos que modificam o curso da doença, e começá-lo cedo é o que muda o prognóstico; as medidas de reabilitação e controle de dor somam-se a esse cuidado, sem substituí-lo. O manejo da dor inflamatória crônica está no texto sobre como aliviar a dor da artrite reumatoide.
Medicação, papel adjuvante
A medicação alivia a fase de dor e abre espaço para a reabilitação, mas não corrige a causa mecânica nem substitui a base ativa. Na artrose das mãos, os anti-inflamatórios tópicos sobre a junta dolorida têm boa relação entre benefício e segurança e poupam o estômago; analgésicos simples ajudam no controle da dor. Os anti-inflamatórios orais ficam para períodos curtos nas crises, com cautela em idosos e em quem tem doença gástrica, renal ou cardiovascular, e por prazo definido.
A escolha, a dose e a duração cabem ao médico. Sobre a cirurgia: ela é considerada em uma minoria, após tratamento conservador bem conduzido que não bastou, ou diante de sinais de alerta como déficit neurológico progressivo, atrofia da base do polegar ou travamento que não cede; nesses casos a avaliação do cirurgião da mão complementa, e não substitui, o cuidado não cirúrgico da dor.
Dor na mão: como aliviar no dia a dia
Enquanto a avaliação acontece, algumas medidas simples ajudam a controlar a dor na mão e a proteger as articulações, sem mascarar o diagnóstico. Elas valem como cuidado inicial.
- Poupe a pinça e a força. Use utensílios de cabo grosso, abridores de tampa e adaptações que reduzem a carga sobre o polegar e os dedos.
- Calor e frio conforme a fase. Calor local relaxa e melhora a rigidez da artrose; frio ajuda quando há inchaço e calor agudo na junta.
- Pausas no uso repetido. Em tarefas de digitação, costura ou celular, intervalos curtos e frequentes evitam a sobrecarga de tendões e nervo.
- Órtese à noite no formigamento. No túnel do carpo, manter o punho neutro durante o sono costuma reduzir a dormência noturna.
Se a dor persiste além de algumas semanas, muda de padrão, surge com inchaço de várias juntas ou vem com formigamento que não passa, a avaliação não deve esperar. A dor na mão tem causas muito tratáveis, e quanto mais cedo se define qual é, mais simples costuma ser o caminho.
Referência reconhecida em dor
A clínica é um Centro de Dor listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED) e um Centro de Tratamento por Ondas de Choque listado pela SMBTOC, e é listada pelo CMBA (Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura).
Perguntas frequentes
Dor nas juntas da mão: o que pode ser?
As causas mais comuns são a artrose (rizartrose na base do polegar, nós de Heberden e Bouchard nos dedos), a síndrome do túnel do carpo, a tenossinovite de De Quervain, o dedo em gatilho e a artrite reumatoide. A dor referida da coluna cervical também entra na lista. O que diferencia é a localização exata e o padrão: dor “ao usar” sugere artrose; formigamento noturno sugere túnel do carpo; juntas inchadas e simétricas sugerem artrite inflamatória.
O que pode ser dor na junta da mão só de um lado?
A dor em uma junta isolada costuma apontar para artrose daquela articulação (por exemplo, rizartrose na base do polegar), uma tenossinovite localizada como o De Quervain, ou um dedo em gatilho. Já o inchaço de várias juntas pequenas dos dois lados sugere artrite inflamatória. Uma junta única muito quente, vermelha e muito dolorosa, sobretudo com febre, é sinal de alerta e pede avaliação sem demora.
Dor na parte de cima da mão direita ou esquerda: o que é?
A dor no dorso da mão pode vir de tenossinovite dos tendões extensores, de artrose das articulações do punho ou ainda ser dor referida de um ponto-gatilho do antebraço. Quando há formigamento associado que sobe pelo braço, vale considerar origem no nervo ou na coluna cervical. A localização exata e o que piora orientam o diagnóstico, confirmado no exame.
Dor na mão como aliviar enquanto aguardo a consulta?
Poupe a pinça e a força, use cabos grossos e adaptações, faça pausas no uso repetido, aplique calor na rigidez ou frio no inchaço agudo, e, no formigamento noturno, mantenha o punho neutro com uma órtese ao dormir. São medidas de cuidado inicial; se a dor persiste, muda de padrão ou vem com inchaço de várias juntas, procure avaliação.
Como diferenciar artrose de artrite reumatoide nas mãos?
A artrose é desgaste: dói ao usar, com rigidez matinal curta, caroços ósseos duros (Heberden e Bouchard) nas pontas dos dedos e na base do polegar, sem calor. A artrite reumatoide é inflamatória: juntas inchadas, quentes e moles, geralmente simétricas, com rigidez matinal longa (mais de uma hora), poupando as pontas dos dedos. A confirmação envolve exame, radiografia e, na suspeita de artrite reumatoide, exames de sangue avaliados pela reumatologia.
Dor na mão precisa de cirurgia?
Na maioria das vezes, não. Artrose, túnel do carpo inicial, De Quervain e dedo em gatilho costumam responder ao tratamento conservador, com órtese, terapia da mão, técnicas em clínica e, quando indicado, infiltração. A cirurgia é considerada quando há perda de força progressiva, dormência persistente do túnel do carpo, travamento que não cede ou falha do tratamento conservador bem conduzido, sempre com decisão compartilhada.
Referências10 fontes citadas neste artigoVerOcultar
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Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação médica individual. Como a mesma “dor na mão” pode ser artrose, compressão de nervo, tendão ou doença inflamatória, o que vale para um quadro pode não valer para outro: o diagnóstico e a conduta precisam ser individualizados em consulta, após exame.

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Tenho um inchaço na segunda falange do dedo médio da mão direita o que me impede de fazer as duas últimas articulações (2º e 3º falanges) . O dedo mantém~se direito com dor intensa. o maior inchaço verifica-se entre a mão e articulação da segunda falange! será gota?; estou tomando um comprimido de Alopurinol 100 mg 1x/dia e 1 comprimido diclofenac 50 mg 3x/dia. será este medicamento aconselhável. o sintoma começou dia 30 de Abril. Já não será tempo a mais? obrigado
boa noite
sinto muito formigamento nas mãos dor no pescoço cansaço ao acordar.
Minhas veias estão grossas e saltadas, “mãos”.
Só me sinto bem ao me movimentar, tomar banho quente e caldos quentes leite café etc…
Qual será o motivo?
Boa noite devido a minha profissão carrego muitas caixas pesadas e tenho tido muitas dores nos pulsos nos dedos e tenho muita dormência de manhã. O que poderei fazer ou tomar.
Bom dia!
Meu nome é Rosiane Santos, sou imigrante e isso creio resume que nesses anos tenho tido inúmeras funções. E todas que requer atos de repetição e por horas as vezes. Tenho uma dor horrível nas duas mãos, que me trava o dedo grande e se torna aguda na palma da mão. Será que posso resolver com massagens e exercícios ou melhor ir ao médico. Obrigada.