Acupuntura para rinite alérgica: alívio de espirros, coriza e coceira
A acupuntura ajuda a aliviar os espirros, a coriza e a coceira da rinite alérgica e a reduzir o uso de medicação de resgate em parte dos pacientes. É um apoio de baixo risco: não substitui o tratamento de base com corticoide nasal, anti-histamínico e, quando indicado, imunoterapia, sempre articulada com otorrino ou alergista.
- A rinite alérgica é uma inflamação da mucosa nasal mediada por IgE. A acupuntura ajuda a aliviar espirros, coriza e coceira e a usar menos anti-histamínico em parte dos pacientes, atuando sobre a inervação do nariz. É um alívio sintomático: a sensibilização alérgica de base continua sob cuidado do alergista.
- O tratamento de primeira linha é farmacológico e bem definido: corticoide intranasal (o controlador mais eficaz), anti-histamínicos H1 de segunda geração, antileucotrienos em casos selecionados e imunoterapia com alérgenos, a única opção que modifica o curso da doença. A acupuntura é adjuvante.
- Faz mais sentido para quem mantém sintomas apesar do tratamento, quer reduzir medicação ou não a tolera bem. Não é para sintomas de alarme (obstrução unilateral, anosmia, epistaxe), que exigem avaliação do otorrinolaringologista.
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A rinite alérgica e o que a acupuntura modula
A rinite alérgica é uma doença inflamatória da mucosa nasal mediada por imunoglobulina E (IgE), uma reação de hipersensibilidade do tipo I. Em quem já está sensibilizado a um alérgeno (ácaros da poeira doméstica, pólen de gramíneas, epitélio de animais, fungos), uma nova exposição liga o alérgeno às IgE fixadas na superfície de mastócitos e basófilos da mucosa, e essas células se degranulam.
Dessa degranulação saem mediadores pré-formados e recém-sintetizados: histamina, leucotrienos cisteínicos (LTC4, LTD4, LTE4), prostaglandina D2 e triptase. A histamina, agindo em receptores H1, produz a fase precoce da reação, em minutos: coceira no nariz, espirros em salva e coriza aquosa, por estímulo de terminações do nervo trigêmeo e das glândulas seromucosas. Os leucotrienos e a prostaglandina D2 explicam boa parte da congestão nasal, por vasodilatação e edema da mucosa.
Horas depois vem a fase tardia (cerca de 4 a 12 horas), quando citocinas do perfil Th2 (IL-4, IL-5, IL-13) recrutam eosinófilos, basófilos e linfócitos T para a mucosa. É essa fase que sustenta a congestão persistente e gera a hiper-reatividade nasal (priming): com a inflamação instalada, doses cada vez menores de alérgeno, e até estímulos inespecíficos como cheiro forte, fumaça e ar frio, passam a desencadear sintomas. Cada classe de medicamento age em um ponto dela.
O que a acupuntura faz, em parte das pessoas, é reduzir a intensidade dos sintomas e a necessidade de medicação de resgate. O efeito é neurofisiológico e neuroimune: o estímulo da agulha modula as vias nervosas e a liberação de mediadores do nariz, o que alivia a coceira, os espirros e a coriza. A sensibilização IgE de fundo continua sendo cuidada pelo alergista; a acupuntura entra para tornar o dia a dia mais confortável enquanto o tratamento de base age sobre a alergia. Quem quer aprofundar encontra a base em como a acupuntura funciona e nos mecanismos de ação da acupuntura.
“Fazendo acupuntura, largo de vez os remédios da rinite.”
A acupuntura alivia espirros, coriza e coceira e, em alguns casos, ajuda a reduzir doses de medicação. A sensibilização IgE é cuidada pelo alergista, então o tratamento de base e o acompanhamento com otorrino ou alergista seguem em paralelo, e a acupuntura soma a eles.
Como se classifica e se diagnostica a rinite
Antes de falar em tratamento, é preciso definir a gravidade, porque ela orienta a conduta. A classificação mais usada é a do consenso ARIA (Allergic Rhinitis and its Impact on Asthma), que abandonou a divisão antiga por estação e passou a classificar por frequência e impacto.
- Intermitente. Sintomas em menos de 4 dias por semana, ou por menos de 4 semanas seguidas.
- Persistente. Sintomas em 4 ou mais dias por semana e por mais de 4 semanas seguidas.
- Leve. Sono normal, sem prejuízo de atividades, escola, trabalho ou lazer, e sem sintomas incômodos.
- Moderada a grave. Há prejuízo do sono, das atividades diárias ou do desempenho, ou os sintomas são muito incômodos. É o cenário em que o corticoide nasal se torna o pilar do tratamento.
A rinite alérgica também costuma andar acompanhada. A conjuntivite alérgica é frequente, e a associação com asma é tão comum que o ARIA trata as vias aéreas como um sistema único (“uma via aérea, uma doença”). Por isso, em quem tem rinite, vale rastrear sintomas respiratórios baixos. Discutimos esse vínculo em acupuntura para asma brônquica.
O diagnóstico é, antes de tudo, clínico: a história de espirros, coriza aquosa, prurido e obstrução, relacionados a gatilhos e a uma época ou ambiente, já sugere o quadro. O exame com rinoscopia anterior costuma mostrar mucosa pálida e edemaciada e secreção clara. A confirmação da sensibilização e a identificação do alérgeno responsável dependem de testes específicos, conduzidos pelo alergista.
O que a acupuntura alivia na rinite
A acupuntura ajuda a aliviar os espirros, a coriza e a coceira da rinite alérgica e a reduzir a necessidade de medicação de resgate. O maior estudo é o ensaio multicêntrico alemão ACUSAR (Brinkhaus et al., 2013), com 422 pacientes de rinite alérgica sazonal: quem recebeu acupuntura teve melhora significativa da qualidade de vida específica de rinite e passou a usar menos anti-histamínico. Revisões sistemáticas somando milhares de pacientes apontam na mesma direção: menos espirros, menos coriza, menos prurido e menor consumo de remédio.
O alívio é sintomático: a agulha atua sobre os nervos e o tônus autonômico do nariz, aliviando o incômodo do dia a dia, enquanto o tratamento de base cuida da alergia em si. Por isso o benefício aparece no relato de sintomas e no uso de medicação, e não nos exames de sensibilização — a IgE de base segue sob cuidado do alergista. É exatamente esse o papel da acupuntura aqui: um apoio que torna a convivência com a rinite mais fácil.
Alívio de espirros, coriza e coceira e menos medicação
Ensaios como o ACUSAR e revisões sistemáticas mostram alívio dos sintomas nasais e menor consumo de anti-histamínico com acupuntura. É um recurso complementar ao tratamento alérgico, de baixo risco, com o benefício medido pela frequência de espirros, coriza e coceira e pelo uso de medicação.
Diretrizes de rinite reconhecem esse corpo de evidência e mencionam a acupuntura como opção a considerar em pacientes interessados, sempre como complemento. A acupuntura é mais bem estabelecida na dor musculoesquelética crônica, e na rinite ocupa o lugar de um apoio sintomático — dois papéis diferentes, ambos úteis.
| Indicação | O que a acupuntura oferece | Papel |
|---|---|---|
| Dor musculoesquelética crônica (lombar, cervical, miofascial) | Analgesia bem estabelecida | Indicação central da clínica |
| Rinite alérgica (espirros, coriza, coceira) | Alívio sintomático e menos medicação | Complementar ao tratamento alérgico |
| Auriculoterapia para rinite alérgica | Reforço prático, mantido em casa | Adjuvante de reforço, baixo risco |
| Sensibilização IgE de base | Cuidada com imunoterapia pelo alergista | Fora do papel da acupuntura |
- ~8 a 12Sessões típicas de um ciclo, antes de julgar a resposta
- 1 a 2Sessões por semana na fase inicial
- 3 sintomasEspirros, coriza e coceira, o alvo do alívio
- adjuvantePapel na rinite: complementar ao tratamento de base
A expectativa se define desde a primeira consulta: a acupuntura torna os dias mais toleráveis e ajuda a usar menos remédio em parte dos pacientes, e rende melhor quando as sessões são mantidas em períodos de maior exposição ao alérgeno. É um recurso para somar ao plano do especialista, com clareza sobre o que oferece — alívio de sintomas, não a cura da alergia.
Três mecanismos por trás do alívio
O estímulo da agulha em pontos específicos ativa fibras nervosas A-delta e C da pele e do músculo e desencadeia respostas que vão além do local puncionado. Três mecanismos explicam o alívio observado na rinite. O mais bem documentado é o neural; o componente imune segue em investigação ativa.
- Regulação autonômica. A mucosa nasal é densamente inervada por fibras parassimpáticas (que aumentam secreção e vasodilatação) e simpáticas (que produzem vasoconstrição). Pontos na face e no antebraço parecem deslocar esse equilíbrio, o que atuaria sobre a congestão e a coriza. É o mecanismo com racional anatômico mais direto para a rinite.
- Analgesia e antiprurido segmentar. As mesmas vias inibitórias descendentes (substância cinzenta periaquedutal e bulbo rostroventromedial) e a liberação de opioides endógenos que sustentam a analgesia da acupuntura contribuem para reduzir a coceira nasal e ocular, que compartilha circuitos sensoriais e mediadores com a dor.
- Modulação neuroimune. A acupuntura também influencia o eixo neuroendócrino e a liberação de mediadores inflamatórios, com protocolos que descrevem redução de citocinas pró-inflamatórias na mucosa. É uma via promissora e ainda em investigação, que complementa o efeito neural sobre os sintomas.
A auriculoterapia (estimulação de pontos no pavilhão da orelha, por agulhas, sementes ou esferas) é frequentemente procurada para rinite. Seu racional é semelhante, com forte componente de modulação autonômica via inervação do nervo vago e do trigêmeo na orelha. A auriculoterapia para rinite alérgica segue o mesmo racional em escala menor e é prática, porque o próprio paciente mantém o estímulo em casa entre as sessões; funciona bem como reforço somado à acupuntura sistêmica. Detalhamos a técnica em auriculoacupuntura e auriculoterapia.
Como tratar a rinite e onde a acupuntura entra
O tratamento da rinite alérgica é escalonado e tem base farmacológica bem definida pelo consenso ARIA. A ordem abaixo vai do que tem mais respaldo ao complementar. A acupuntura e as técnicas relacionadas que conduzimos na clínica são adjuvantes: somam-se a esse alicerce, não o substituem. A escolha e a dose de qualquer medicamento cabem ao otorrino ou ao alergista; aqui o objetivo é explicar o mecanismo de cada peça, e não orientar prescrição.
Controle ambiental e lavagem nasal
Reduzir a exposição ao alérgeno identificado (capas anti-ácaro, controle de umidade, afastamento de animais quando indicado) e fazer lavagem nasal com solução salina, que remove muco e alérgenos da mucosa. Medidas de baixo custo e baixo risco, úteis como base do plano.
Corticoide intranasal: o controlador mais eficaz
Para a rinite persistente moderada a grave, é o medicamento que mais reduz o conjunto dos sintomas, inclusive a congestão. Atua sobre toda a cascata inflamatória, e não apenas sobre a histamina.
Anti-histamínicos e antileucotrienos
Anti-histamínicos H1 de segunda geração para espirros, coriza e prurido; antagonistas de leucotrienos em casos selecionados, sobretudo quando há asma associada. Ajustados pelo médico.
Imunoterapia com alérgenos, quando indicada
A única abordagem capaz de modificar o curso da alergia, reeducando a resposta imune ao longo de anos. Conduzida pelo alergista. A acupuntura não cumpre esse papel.
Acupuntura e auriculoterapia como adjuvantes
Para reduzir sintomas residuais e a necessidade de medicação em quem mantém queixas apesar do tratamento, ou não tolera bem os remédios. Sempre articulada com o especialista.
Corticoide intranasal
- O que é
- corticosteroide aplicado em spray diretamente na mucosa nasal, como budesonida, mometasona e fluticasona (propionato ou furoato).
- Mecanismo
- liga-se ao receptor de glicocorticoide intracelular e regula a transcrição gênica, suprimindo a produção de múltiplas citocinas e mediadores; reduz o recrutamento de eosinófilos e a inflamação da fase tardia. Por agir a montante na cascata, controla os quatro sintomas cardinais, inclusive a congestão, em que os anti-histamínicos são fracos.
- Evidência
- é a classe com a maior eficácia para rinite persistente moderada a grave, com evidência de alta qualidade.
- O que esperar
- o efeito não é imediato; costuma se instalar em 12 horas a alguns dias, com benefício máximo após 2 semanas de uso regular, o que torna a adesão essencial.
- Indicações
- rinite persistente ou moderada a grave; sintomas que o anti-histamínico não controla.
- Limitações / efeitos
- ressecamento, ardência e epistaxe leve são possíveis; a técnica de aplicação (mirar para a parede lateral, não para o septo) reduz o sangramento. A dose tópica tem absorção sistêmica baixa quando usada corretamente. Não se deve suspender por conta própria.
Anti-histamínicos H1 de segunda geração
- O que é
- medicamentos que bloqueiam o receptor H1 da histamina, em apresentação oral (como loratadina, desloratadina, fexofenadina, bilastina, cetirizina, levocetirizina) ou intranasal (como a azelastina).
- Mecanismo
- agem como agonistas inversos do receptor H1, estabilizando-o no estado inativo e bloqueando os efeitos da histamina liberada na fase precoce, o que controla espirros, coriza e prurido.
- Evidência
- eficácia bem estabelecida para os sintomas dependentes de histamina; menos eficazes para a congestão.
- O que esperar
- início rápido, em 1 a 2 horas; úteis sob demanda nos dias de maior exposição. Os de segunda geração causam pouca ou nenhuma sonolência, ao contrário dos de primeira geração (como a difenidramina), que devem ser evitados como rotina.
- Indicações
- rinite intermitente ou leve; complemento ao corticoide nasal nos casos mais intensos.
- Limitações / efeitos
- a azelastina intranasal pode deixar gosto amargo; alguns orais ainda causam leve sonolência em indivíduos sensíveis. A escolha do agente cabe ao médico.
Antagonistas dos receptores de leucotrienos
- O que é
- medicamento oral que bloqueia o receptor de leucotrienos cisteínicos, sendo o montelucaste o representante usado.
- Mecanismo
- antagoniza o receptor CysLT1, neutralizando o efeito dos leucotrienos liberados pelos mastócitos e eosinófilos, mediadores importantes da congestão nasal e da resposta brônquica.
- Evidência
- ajuda nos sintomas de rinite, em geral menos que o corticoide nasal; o maior valor está em quem tem asma e rinite juntas, tratando as duas vias com um só fármaco.
- O que esperar
- tomada única diária; resposta avaliada em algumas semanas.
- Indicações
- rinite associada a asma; alternativa em quem não tolera ou não controla com as outras classes.
- Limitações / efeitos
- as agências regulatórias alertam para o risco de eventos neuropsiquiátricos (alterações de humor, sono e comportamento), o que pede atenção e decisão médica criteriosa.
Imunoterapia específica com alérgenos
- O que é
- administração regular e crescente do alérgeno ao qual o paciente é sensibilizado, na forma subcutânea (SCIT, com injeções) ou sublingual (SLIT, em gotas ou comprimidos), conduzida pelo alergista.
- Mecanismo
- é a única abordagem que modifica a doença. A exposição controlada induz linfócitos T reguladores, aumenta anticorpos bloqueadores do tipo IgG4 e desvia a resposta do perfil Th2 (alérgico) para um padrão de tolerância, reduzindo a sensibilização ao longo do tempo.
- Evidência
- redução de sintomas e do uso de medicação em alguns ensaios, com benefício que pode persistir após o término, com efeito ainda incerto sobre a progressão para asma.
- O que esperar
- é um tratamento longo, em geral de 3 a 5 anos.
- Indicações
- alérgeno bem definido, sintomas significativos apesar do tratamento medicamentoso, ou desejo de reduzir a dependência de remédios.
- Limitações / efeitos
- a SCIT exige aplicação em ambiente preparado pelo risco, ainda que raro, de reação sistêmica; a SLIT pode causar prurido oral. A acupuntura não substitui essa modalidade, que é o que mais se aproxima de tratar a causa.
Acupuntura médica e eletroacupuntura
- O que é
- inserção de agulhas finas, por médico acupunturiatra, em pontos na face (ao redor do nariz e dos seios da face), no antebraço e na região cervical; na eletroacupuntura, uma corrente de baixa frequência conecta as agulhas.
- Mecanismo (calibrado)
- modulação autonômica do tônus vascular e secretor da mucosa, ativação de vias inibitórias descendentes e liberação de opioides endógenos; a corrente de baixa frequência tende a recrutar mais esses sistemas, o que é útil quando há também tensão muscular cervical e cefaleia associadas à congestão crônica.
- Como ajuda
- alivia os sintomas nasais e reduz o uso de anti-histamínico, conforme o ensaio ACUSAR e as revisões descritos acima; é a técnica com mais respaldo para rinite dentro do arsenal complementar.
- O que esperar
- sessões semanais ou quinzenais, um ciclo inicial de cerca de 8 a 12 sessões, com reavaliação ao final; o alívio costuma ser gradual e cumulativo, e o plano só é mantido se houver resposta objetiva.
- Indicações
- sintomas residuais apesar do tratamento de base; desejo de reduzir medicação; intolerância a fármacos.
- Limitações / efeitos
- desconforto ou pequeno hematoma no ponto, raros; cautela em uso de anticoagulante. Não substitui o controlador.
Auriculoterapia
- O que é
- estimulação de pontos do pavilhão auricular, com agulhas semipermanentes, sementes de mostarda ou microesferas que o paciente pressiona em casa.
- Mecanismo (calibrado)
- ação sobre o tônus autonômico nasal pela inervação vagal e trigeminal da orelha; racional semelhante ao da acupuntura sistêmica, em escala menor.
- Como ajuda
- alivia sintomas como reforço prático, somada à acupuntura com agulhas; é adjuvante de baixo risco.
- O que esperar
- útil entre as sessões e em quem prefere uma abordagem menos invasiva; o paciente mantém o estímulo em casa.
- Indicações
- complemento à acupuntura sistêmica.
- Limitações / efeitos
- irritação local no ponto de pressão; soma ao tratamento de base, sem substituí-lo.
Acupuntura a laser
- O que é
- fotobiomodulação dos mesmos pontos por luz de baixa intensidade, sem punção.
- Mecanismo (calibrado)
- postula-se efeito sobre a microcirculação e a inflamação local, sem o estímulo mecânico da agulha.
- Como ajuda
- estudos sugerem alívio de sintomas na rinite; é uma alternativa indolor à agulha, dentro da mesma lógica adjuvante.
- O que esperar
- aplicação sem punção, bem tolerada.
- Indicações
- crianças, idosos ou pessoas com fobia de agulha.
- Limitações / efeitos
- uso de proteção ocular durante a aplicação. Veja acupuntura a laser.
Agulhamento seco para a dor miofascial associada
- O que é
- agulha inserida diretamente em pontos-gatilho miofasciais, sem injeção de substância. Não trata a rinite, e entra apenas quando a congestão crônica e o esforço respiratório geram dor miofascial na musculatura cervical, no masseter e na face, com pontos-gatilho que perpetuam cefaleia e sensação de pressão.
- Mecanismo
- a agulha provoca a resposta de contração local, reduz a atividade elétrica espontânea da placa motora e a liberação local de substâncias álgicas, com analgesia local e segmentar.
- Evidência
- consolidada para a dor miofascial. O alvo aqui é a dor muscular, não a alergia.
- O que esperar
- alívio da tensão facial e cervical em 24 a 72 horas, como parte de um plano voltado ao sintoma muscular.
- Indicações
- dor miofascial cervical e facial secundária à congestão.
- Limitações / efeitos
- dor local transitória; cautela em anticoagulados.
Início
Manter o tratamento de base do otorrino ou alergista, em especial o corticoide nasal de uso contínuo, e iniciar as sessões; registrar a frequência de espirros, coriza e o uso de medicação de resgate.
Avaliação da resposta
Comparar os sintomas e o consumo de remédio com o início. Se houver melhora consistente, o ciclo segue; se não houver, a acupuntura é suspensa, sem insistir.
Manutenção ou alta
Quem responde pode fazer sessões de manutenção espaçadas, sobretudo em períodos de maior exposição (estações de pólen, por exemplo). A decisão sobre dose de medicação segue com o especialista.
Para quem faz sentido e quando procurar o médico
A acupuntura como adjuvante costuma ser uma escolha razoável para alguns perfis: quem mantém espirros, coriza e coceira apesar do tratamento de base bem conduzido; quem deseja reduzir a quantidade de medicação; quem não tolera bem os anti-histamínicos (sonolência, boca seca) ou prefere uma abordagem menos medicamentosa; e gestantes ou pessoas com restrições a fármacos, sempre com avaliação individual e em diálogo com o obstetra ou o especialista.
Há sintomas que mudam a prioridade e pedem avaliação médica antes de pensar em qualquer terapia complementar. Eles indicam que o quadro pode não ser uma rinite alérgica simples, ou que há uma complicação a investigar.
Avaliação com otorrino ou alergista se houver
- Obstrução nasal persistente de um só lado, ou sangramentos nasais (epistaxe) repetidos.
- Secreção nasal espessa e amarelo-esverdeada com febre e dor na face, sugerindo rinossinusite bacteriana.
- Perda do olfato (anosmia) que não melhora, ou suspeita de pólipos nasais.
- Falta de ar, chiado no peito ou tosse persistente, que podem indicar asma associada.
- Sintomas que não respondem ao tratamento adequado ou pioram de forma progressiva.
A acupuntura é considerada segura quando praticada por médico com formação específica, com agulhas estéreis e descartáveis; os eventos adversos são raros e leves (pequeno hematoma ou desconforto no ponto). Ainda assim, ela não dispensa o diagnóstico correto. Tratar uma “rinite” que na verdade é rinossinusite crônica, desvio de septo com obstrução ou pólipo apenas adia a solução do problema, e essa distinção é do otorrinolaringologista.
Na rinite alérgica, a acupuntura é um reforço, não a base: ela pode aliviar espirros, coriza e coceira e ajudar a usar menos remédio, mas o corticoide nasal, a imunoterapia e o diagnóstico continuam com o otorrino ou o alergista.
A clínica
A clínica é um Centro de Dor listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED) e um Centro de Tratamento por Ondas de Choque listado pela SMBTOC. É também listada pelo CMBA, Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura.
Conheça a clínica

Perguntas frequentes
Acupuntura para rinite alérgica funciona mesmo?
Sim, como apoio para os sintomas. A acupuntura ajuda a aliviar os espirros, a coriza e a coceira e a diminuir o uso de anti-histamínico em parte dos pacientes, segundo ensaios clínicos randomizados, com destaque para o estudo multicêntrico alemão ACUSAR. O alívio é sintomático: a agulha atua sobre a inervação do nariz, enquanto a sensibilização alérgica de base segue com o alergista. Funciona como recurso complementar, somado ao tratamento de base.
A acupuntura cura a rinite ou substitui os remédios?
Não. A rinite alérgica depende de uma sensibilização IgE que a acupuntura não desfaz. Ela não substitui o controle ambiental, o anti-histamínico, o corticoide nasal ou a imunoterapia. Em alguns casos, pode permitir reduzir doses ao longo do tempo, mas essa decisão é sempre do médico assistente. Não interrompa a medicação, em especial o corticoide nasal, por conta própria.
Qual é o tratamento mais eficaz da rinite alérgica?
Para a rinite persistente moderada a grave, o corticoide intranasal (como budesonida, mometasona ou fluticasona) é o medicamento mais eficaz, porque atua sobre toda a cascata inflamatória e controla também a congestão. A imunoterapia com alérgenos é a única opção que modifica o curso da doença. Anti-histamínicos e antileucotrienos têm papel complementar, e a acupuntura é adjuvante. A escolha é do médico.
Quantas sessões de acupuntura são necessárias para a rinite?
Um ciclo inicial costuma ter cerca de 8 a 12 sessões, geralmente 1 a 2 por semana, com reavaliação ao final. Se houver melhora consistente dos sintomas e do uso de medicação, o tratamento pode seguir com sessões de manutenção espaçadas, sobretudo em períodos de maior exposição ao alérgeno. Sem resposta, não se insiste.
Auriculoterapia para rinite alérgica tem o mesmo efeito?
A auriculoterapia (pontos na orelha) segue racional parecido, com foco na modulação autonômica via inervação vagal e trigeminal, em escala menor que a acupuntura sistêmica. É um adjuvante de baixo risco, prático e útil como reforço entre as sessões, sempre somado ao tratamento de base.
A clínica trata rinite alérgica?
O foco da clínica é dor e doenças musculoesqueléticas, com acupuntura médica. Na rinite, oferecemos a acupuntura como terapia complementar para alívio de sintomas, sempre em articulação com o otorrinolaringologista ou o alergista, que conduzem o diagnóstico, o corticoide nasal e a imunoterapia. Não tratamos a alergia de forma isolada nem prometemos cura.
Resumos em linguagem clara de estudos revisados pelo Dr. Marcus Yu Bin Pai.
Ver a biblioteca científica completaReferências3 fontes citadas neste artigoVerOcultar
- Brinkhaus B, et al. Acupuncture in patients with seasonal allergic rhinitis: a randomized trial (ACUSAR). Annals of Internal Medicine. 2013;158(4):225-234.
- Bousquet J, et al. Allergic Rhinitis and its Impact on Asthma (ARIA) guidelines: revisão e atualização. Allergy / J Allergy Clin Immunol.
- Conselho Federal de Medicina. Resolução que reconhece a Acupuntura como especialidade médica e regula sua prática no Brasil.
Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação médica individual. A acupuntura, na rinite alérgica, é terapia complementar e não substitui o diagnóstico e o tratamento conduzidos por otorrinolaringologista ou alergista.
