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Dry needling (agulhamento seco): o que é, para que serve e como funciona

O dry needling, ou agulhamento seco, insere uma agulha fina no ponto-gatilho do músculo, sem injetar nada. O objetivo é desativar o ponto, quebrar o ciclo de dor e contratura, dentro de um plano multimodal.

Resposta direta
  • O dry needling (agulhamento seco) trata o ponto-gatilho miofascial: uma agulha fina é inserida no nó muscular doloroso, sem injetar medicamento.
  • Difere da acupuntura no raciocínio e no alvo: aqui a mira é o ponto-gatilho e a banda muscular tensa, guiada pela anatomia e pelo exame, não por meridianos.
  • É um adjuvante do exercício e da reabilitação, não um tratamento isolado: a agulha cria a janela sem dor, o trabalho ativo sustenta o ganho.
  • O ponto-gatilho costuma ceder na própria sessão ou um a dois dias depois, com uma dor pós-agulhamento parecida com a de quem treinou um músculo destreinado.
  • Tem boa evidência na síndrome dolorosa miofascial; um ensaio da própria equipe, feito na dor do ombro, manteve o efeito analgésico por sete dias.
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O que é o agulhamento seco

Close de dedos segurando uma agulha filiforme muito fina apoiada sobre a pele
A técnica usa uma agulha filiforme, sem injetar nenhuma substância, daí o nome agulhamento seco

Agulhamento seco, ou dry needling, é uma técnica em que se introduz uma agulha sólida e fina (a mesma agulha de acupuntura) diretamente no ponto-gatilho miofascial, aquele nó endurecido e doloroso dentro de uma banda muscular tensa. O termo “seco” significa exatamente que nada é injetado: a agulha é o próprio instrumento terapêutico, sem anestésico, corticoide ou qualquer líquido.

É natural que muita gente procure por “massagem com agulha”, por “agulhamento”, por “dry needle” ou por “agulhamento fisioterapia” tentando descrever essa sensação de fisgar e soltar o músculo travado. Na prática clínica, o dry needling para que serve é justamente isto: desativar o ponto-gatilho que mantém o músculo encurtado, reduzir a dor local e a dor referida que ele projeta à distância, e abrir uma janela para o paciente voltar a se mover e a fortalecer a região sem o freio da contratura. Não é massagem nem é acupuntura tradicional, ainda que use a mesma agulha.

O ponto-gatilho miofascial é o protagonista. Trata-se de um ponto hiperirritável dentro de uma faixa muscular tensa que, à palpação, é doloroso, costuma reproduzir o padrão de dor que incomoda o paciente e, com frequência, refere dor para regiões vizinhas, um ponto no trapézio que projeta dor para a cabeça, um ponto no glúteo médio que simula uma dor “ciática”. A dor no pescoço, a dor lombar e muitas dores no ombro têm um componente miofascial relevante, e é nesse componente que o agulhamento seco atua.

Seco
Nada é injetado, só a agulha
PG
Alvo: ponto-gatilho miofascial
LTR
Resposta de contração local
Multi
Parte de um plano multimodal

Em um serviço médico de dor, o agulhamento seco costuma ser indicado após avaliação que define o diagnóstico, exclui sinais de alerta e situa o procedimento dentro de um plano maior, e não como um ato isolado.

Pérola clínica

O sinal que mais orienta a aplicação não é a imagem, e sim a palpação: encontrar a banda tensa, comprimir o ponto e ver o paciente reconhecer “é essa a minha dor”. Reproduzir o sintoma à palpação é o que confirma que aquele ponto-gatilho importa para o quadro.

Dr. Marcus Pai aplicando agulhas de acupuntura nas costas de uma paciente em decúbito ventral
Atendimento na clínica Agulhamento na região das costas e coluna durante atendimento

Em que o dry needling difere da acupuntura

Desenho de perfil de cabeça e pescoço com o ponto-gatilho do trapézio superior marcado e a dor referida em vermelho para a cabeça e a têmpora
Um ponto-gatilho no trapézio pode espalhar dor para a cabeça e a têmpora, padrão que orienta onde agulhar

A pergunta é frequente, e a confusão se explica: agulhamento seco e acupuntura usam a mesma agulha fina e ambos atravessam a pele. A diferença não está no material, e sim no raciocínio, no alvo e no mapa que guia a inserção. Quem procura por “acupuntura São Paulo” e quem procura por dry needling muitas vezes quer resolver a mesma dor, mas por caminhos conceituais distintos, e na clínica os dois recursos convivem.

No agulhamento seco, o alvo é o ponto-gatilho miofascial, localizado pela palpação da banda tensa e pela anatomia do músculo. O raciocínio é neuromuscular e ocidental: trata-se a disfunção da placa motora e da unidade muscular dolorosa. Na acupuntura médica, as agulhas são colocadas em acupontos, e o efeito analgésico se apoia na neuromodulação (controle da dor no corno dorsal da medula, vias inibitórias descendentes, liberação de opioides endógenos).

Os pontos podem ou não coincidir com músculos doloridos, e a sessão segue uma lógica de regulação mais ampla. Na prática da clínica, as duas abordagens não competem: somam-se conforme o quadro.

Dry needling (agulhamento seco) x acupuntura: o que muda
AspectoAgulhamento secoAcupuntura médica
Alvo da agulhaPonto-gatilho miofascial e banda tensaAcupontos, conforme o raciocínio do tratamento
Como localizaPalpação e anatomia do músculoMapa de acupontos e meridianos
Mecanismo principalLocal: desativa o ponto-gatilho, resposta de contração localNeuromodulação segmentar e central, opioides endógenos
Sensação típicaFisgada breve do “pulo” muscular ao atingir o pontoSensação de peso ou formigamento (de qi) no acuponto
Indicação centralSíndrome dolorosa miofascialDor crônica ampla, cefaleia, náusea, entre outras

Em resumo prático: se a dor tem um nó muscular palpável que reproduz o sintoma, o agulhamento seco tende a ser o recurso mais direto. Se o quadro é mais difuso, crônico ou envolve, por exemplo, enxaqueca e cefaleia, a acupuntura médica e a eletroacupuntura costumam ter papel maior. Não raro, o mesmo paciente recebe as duas técnicas ao longo do tratamento.

Mito

“Dry needling é só um nome novo e em inglês para acupuntura.”

Fato

Compartilham a agulha, mas partem de raciocínios diferentes. O agulhamento seco mira o ponto-gatilho pela anatomia e pela palpação; a acupuntura trabalha acupontos com lógica de neuromodulação.

Como funciona: o mecanismo do agulhamento

Diagrama de uma fibra muscular com banda tensa, nódulo e ampliação dos nós de contração comparados às fibras normais
O ponto-gatilho corresponde a nós de contração dentro de uma banda muscular tensa, alvo direto da agulha

O efeito do agulhamento seco se constrói em três planos que se somam: um efeito mecânico local sobre a placa motora, uma resposta neurofisiológica segmentar na medula e uma modulação central da dor.

A resposta de contração local

No agulhamento seco, a manobra que importa não é apenas atravessar a pele: é varrer a banda tensa com a ponta da agulha até disparar uma contração rápida e involuntária da própria faixa muscular, a resposta de contração local. É aquele “pulo” breve, localizado, que o paciente sente sob a agulha, distinto da contração voluntária de quem aperta o músculo. Esse espasmo curto é mais do que um detalhe: registros de eletromiografia mostram que, logo após a contração local, a atividade elétrica espontânea anormal da placa motora cai, e é justamente essa atividade que caracteriza o ponto-gatilho ativo. Na prática, o estímulo mecânico interrompe o curto-circuito da junção neuromuscular naquele ponto, e por isso o agulhamento que busca a contração local tende a aliviar mais do que a agulha que só fica parada na pele.

O que acontece no nível do músculo e do nervo

No microambiente do ponto-gatilho ativo há um excesso de acetilcolina e uma sopa de substâncias que sensibilizam os receptores de dor (substância P, CGRP, bradicinina, prótons, com pH local mais ácido). O agulhamento, ao provocar a contração local e pequenas alterações no fluxo sanguíneo, reduz a liberação dessas substâncias álgicas e ajuda a “limpar” o local, diminuindo a sensibilização periférica. O resultado é menos dor à palpação e relaxamento da banda tensa.

A modulação segmentar e central

O estímulo da agulha também viaja pelo nervo até a medula, onde participa da modulação da dor no corno dorsal (a lógica da teoria da comporta) e recruta vias inibitórias descendentes que partem do tronco encefálico, com liberação de opioides endógenos. É por isso que o alívio muitas vezes ultrapassa o ponto agulhado e a própria sessão, e por que a técnica dialoga tão bem com a acupuntura, que se apoia nas mesmas vias. A correspondência exata entre o ponto-gatilho e os mecanismos centrais ainda é objeto de estudo, e o efeito é multifatorial.

Efeito local

Desativa o ponto-gatilho

A contração local reduz a atividade elétrica anormal da placa motora e a liberação de substâncias que doem.

Efeito a distância

Modula a dor na medula

O estímulo recruta vias inibitórias e opioides endógenos, o que ajuda a explicar o alívio além do ponto.

O que diz a evidência, por condição

A evidência mais consistente do agulhamento seco está na síndrome dolorosa miofascial, ou seja, quando a dor é mantida por pontos-gatilho. Revisões mostram que a técnica reduz a dor e melhora a sensibilidade à pressão a curto prazo, sobretudo quando integrada ao exercício e à terapia manual. Em outras condições, o benefício existe, porém é mais variável.

Ensaio clínico · nossa equipe1 em cada 2

Agulhamento seco com efeito analgésico duradouro na dor do ombro

Ensaio duplo-cego e controlado por agulha sham, conduzido pela nossa equipe no Grupo de Dor do HC-FMUSP, comparou o agulhamento seco dos pontos-gatilho do ombro a um placebo de agulha. O alívio se manteve por sete dias, ou seja, cerca de um a cada dois pacientes obteve melhora significativa que não teria com o sham. É um estudo de uma única região (o ombro) e de seguimento curto: confirma o efeito do agulhamento no ponto-gatilho, que se sustenta a longo prazo com a reabilitação. Pai MYB e cols., Pain Reports, 2021.

Ver referências →

Por condição, a síntese clínica costuma ser a seguinte. Na dor cervical (cervicalgia) com pontos-gatilho no trapézio superior e no elevador da escápula, há benefício de curto prazo na dor e na amplitude de movimento. Na dor lombar (lombalgia), o agulhamento dos pontos-gatilho do quadrado lombar e dos glúteos ajuda quando o componente miofascial é dominante, sempre como adjuvante do exercício.

No ombro, dá suporte ao quadro miofascial associado, como ilustra o estudo da própria equipe. Na cefaleia do tipo tensional e na cervicogênica, o agulhamento dos suboccipitais e do trapézio pode reduzir a frequência das crises.

Revisões sistemáticasBenefício de curto prazo

Dry needling na síndrome dolorosa miofascial

Metanálises apontam redução da dor e da sensibilidade à pressão no curto prazo, com magnitude variável e melhor resultado quando o agulhamento é combinado com exercício. A variação entre os estudos pede leitura cautelosa.

Ver referências →

Dois pontos orientam a decisão. Primeiro, boa parte do benefício é de curto a médio prazo; sem o trabalho ativo que se segue, o ponto-gatilho tende a voltar. Segundo, o agulhamento seco não trata a causa que gerou a sobrecarga (postura, fraqueza, estresse, ergonomia): ele desativa o efeito doloroso e cria a janela para corrigir a causa. Por isso a frase que repetimos em consulta: a agulha abre a porta, o exercício mantém a porta aberta.

Dois pontos que definem o agulhamento seco

Primeiro, o dry needling não trata meridiano nenhum: ele trata um tecido concreto, o ponto-gatilho dentro da banda muscular, guiado pela palpação e pela anatomia, e por isso a sensação que confirma o acerto é o “pulo” da contração local, não a sensação de qi. Segundo, ele é um adjuvante da carga: a agulha reduz a dor o suficiente para o músculo voltar a ser fortalecido, e é a carga progressiva que muda o ponto-gatilho a longo prazo. Quem agulha e não treina costuma aliviar por algumas semanas e recair, o que faz parecer que “a agulha não funcionou”, quando o que faltou foi a metade ativa do plano.

Indicações, contraindicações e segurança

Quem pergunta “agulhamento a seco para que serve” quer saber, no fundo, em que quadros ele ajuda. A principal indicação do agulhamento seco é a síndrome dolorosa miofascial, com pontos-gatilho ativos que reproduzem a queixa. Na prática, isso aparece em quadros muito comuns: dor no trapézio e na nuca, dor cervical, dor lombar de componente muscular, dor no ombro, dor glútea que imita ciática, dor na panturrilha e dores de origem postural ou por esforço repetitivo.

  • Dor cervical e na nuca. Pontos-gatilho no trapézio superior, elevador da escápula e suboccipitais.
  • Dor lombar e glútea. Quadrado lombar, glúteo médio e piriforme, quando o componente miofascial domina.
  • Dor no ombro. Infraespinhal, supraespinhal e deltoide, associada ao quadro do manguito.
  • Cefaleia de origem cervical. Suboccipitais e trapézio, na cefaleia tensional e cervicogênica.

Sobre o agulhamento a seco riscos: trata-se de um procedimento seguro quando feito por profissional treinado, e os efeitos mais comuns são leves e passageiros, dor no local do agulhamento, pequena equimose (rouxo) e, às vezes, cansaço no músculo por um a dois dias. Eventos sérios são raros. O cuidado anatômico é essencial em regiões sobre o tórax e a parede costal, onde a técnica mal executada poderia, em mãos não treinadas, atingir a pleura e causar pneumotórax; por isso a profundidade e a direção da agulha seguem referências anatômicas precisas.

Cautela e contraindicações · converse com seu médico

Situações que pedem avaliação antes do agulhamento

  • Uso de anticoagulantes ou distúrbios de coagulação (risco maior de equimose ou sangramento).
  • Infecção ativa de pele ou ferida no local a ser agulhado.
  • Medo intenso de agulhas (belonefobia) ou histórico de desmaio com agulhamento.
  • Gestação, linfedema no membro, ou prótese e material de síntese na região, que pedem ajuste da técnica.
  • Imunossupressão importante, pela atenção redobrada à assepsia.

Nenhum desses itens é, sozinho, uma proibição absoluta. São situações em que o médico pesa risco e benefício, ajusta a técnica (calibre da agulha, número de pontos, regiões a evitar) ou opta por outro recurso do plano. Como em qualquer procedimento, usa-se agulha estéril e descartável e técnica de assepsia.

Assista: O QUE SÃO PONTOS-GATILHO OU TRIGGER POINTS? NÓDULOS MUSCULARES x DORES CRÔNICAS

O que esperar na sessão de agulhamento seco

Profissional inserindo uma agulha fina na musculatura do ombro e pescoço de um paciente deitado, palpando o ponto com os dedos
Na sessão, o ponto é palpado e a agulha fina atinge a musculatura profunda para soltar a banda tensa

A sessão começa pela avaliação, não pela agulha. O médico localiza pela palpação a banda tensa e o ponto-gatilho que reproduz a queixa, marca os pontos, faz a antissepsia da pele e então insere a agulha fina, com ou sem o auxílio de um tubo guia. Ao atingir o ponto-gatilho, pode ocorrer a resposta de contração local, aquele “pulo” breve, que costuma ser um bom sinal de que o alvo foi alcançado.

Avaliação e localização

Palpação da banda tensa, confirmação de que o ponto reproduz a dor e marcação dos pontos a agulhar.

Antissepsia e inserção

Limpeza da pele e introdução da agulha estéril e descartável até o ponto-gatilho, com cuidado anatômico.

Estímulo do ponto

Pequenos movimentos da agulha buscam a resposta de contração local; a agulha pode permanecer alguns minutos.

Pós e orientação

Movimento suave e alongamento da região; orientação sobre a dor pós-agulhamento e o que fazer em casa.

As dry needling agulhas são finas e sólidas, e a sensação não é a de uma injeção: a maior parte das pessoas relata um leve toque na pele e, ao atingir o ponto, uma fisgada curta seguida de alívio. O número de pontos e o tempo de permanência da agulha variam conforme o músculo e a tolerância. Em geral, a sessão dura poucos minutos por região.

Depois da sessão: o que é normal

Há dois tempos de resposta no agulhamento seco, e vale conhecer os dois para não se assustar. Em parte das pessoas, quando a contração local foi bem disparada, a banda tensa solta logo ali e o paciente sai da sessão com o músculo mais leve e a amplitude maior. Em outra parte, o que se sente nas primeiras horas é o contrário: uma dor pós-agulhamento surda, parecida com a de um músculo destreinado no dia seguinte ao treino, que costuma durar de um a dois dias e só então dá lugar ao alívio. Essa dor tardia é esperada justamente nos músculos que mais twitcharam, melhora com calor local, hidratação e movimento suave, e não é sinal de que algo deu errado.

Pequenas equimoses podem aparecer, sobretudo em quem usa anti-inflamatório ou tem pele clara, e somem em poucos dias. A orientação é evitar esforço pesado no mesmo dia e manter a região se movendo dentro do conforto, em vez de repouso absoluto, que tende a deixar o músculo mais rígido.

Dia 0

Sessão

Possível resposta de contração local; alívio imediato em parte dos casos.

24 a 72h

Resposta

Dor pós-agulhamento leve que cede; o alívio costuma se consolidar nesse intervalo.

Ao longo do ciclo

Reavaliação

Algumas sessões conforme a resposta, sempre acopladas ao exercício para sustentar o resultado.

Quanto ao número de sessões, não há receita fixa, e a régua é a resposta. Um ponto-gatilho recente e único pode soltar em uma a três aplicações; um quadro crônico, com vários pontos e uma sobrecarga ainda ativa, costuma exigir mais sessões espaçadas e sempre acopladas ao exercício. A pergunta que faço a cada reavaliação é simples: a dor está caindo de uma sessão para a outra e o intervalo sem dor está aumentando? Quando a resposta é sim, seguimos; quando o mesmo ponto volta no mesmo lugar após três ou quatro agulhamentos, o caminho não é insistir na agulha, e sim mudar a estratégia, revisar a causa da sobrecarga e considerar a infiltração do ponto ou outro recurso do plano.

Da prática clínica

Algumas observações de consultório. A primeira é o que o paciente sente: a contração local é uma fisgada curta e involuntária, diferente de “dor de agulha”, e quem já a sentiu costuma reconhecê-la na sessão seguinte e até apontar quando o ponto certo foi atingido. A segunda é a pergunta que mais aparece, quase sempre “isso é acupuntura?”. A agulha é a mesma, mas o que explico é que aqui a mira é o nó do músculo guiado pela palpação, não um acuponto; entender essa diferença costuma deixar a pessoa mais à vontade com o procedimento. A terceira é sobre quais quadros respondem melhor: pontos-gatilho recentes e bem palpáveis, em músculos superficiais como o trapézio superior, tendem a soltar mais rápido do que dores crônicas difusas, em que a agulha ajuda, mas é só uma parte do plano. E o que mais surpreende os pacientes é a dor pós-agulhamento que pode vir nas horas seguintes: avisada de antemão, ela é vivida como “o músculo trabalhou”; sem aviso, é facilmente confundida com piora. Por isso essa conversa entra na própria sessão.

Como o agulhamento seco se combina com as demais técnicas

O agulhamento seco raramente é usado sozinho. Ele é uma camada de um tratamento multimodal, não-cirúrgico e individualizado, cuja base ativa é sempre o exercício. As demais técnicas somam-se a ele conforme a apresentação clínica e a resposta, com o objetivo de reduzir a dor, recuperar a função e diminuir recorrências, evitando o uso crônico de medicação e a cirurgia desnecessária.

Reabilitação e exercício: a base

Nenhuma agulha sustenta o resultado sozinha. A reabilitação ativa, com cinesioterapia, fortalecimento progressivo, terapia manual como adjuvante e, conforme o caso, RPG e Pilates clínico, é o que corrige a causa da sobrecarga: fraqueza, controle motor e postura. O agulhamento desativa o ponto-gatilho e reduz a dor o bastante para o paciente conseguir treinar; o exercício, mantido, impede que o ponto volte. A resposta é gradual, ao longo de semanas, e depende da regularidade.

Acupuntura médica e eletroacupuntura

Usam a mesma agulha, mas atuam por neuromodulação: modulam a dor no corno dorsal da medula e por vias inibitórias descendentes, com participação de opioides endógenos; na eletroacupuntura, uma corrente de baixa frequência reforça esse efeito. Combinam-se bem com o agulhamento seco quando há, além do ponto-gatilho, um componente de dor mais amplo ou crônico, e a escolha entre uma técnica e outra, ou de ambas na mesma sessão, é uma decisão médica baseada no exame. Na prática, é comum agulhar o ponto-gatilho que reproduz a queixa e, na mesma consulta, somar acupontos à distância quando a dor já se espalhou para além daquele músculo.

Infiltração de pontos-gatilho

Quando o ponto resiste ao agulhamento seco, a infiltração com anestésico local (ou soro fisiológico) injeta a substância no próprio ponto-gatilho, interrompendo o ciclo dor-espasmo-dor e relaxando a banda tensa. É o passo seguinte natural para pontos refratários, e costuma ser combinada com o exercício para sustentar o resultado.

Referência reconhecida em dor

A clínica é um Centro de Dor listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED) e um Centro de Tratamento por Ondas de Choque listado pela SMBTOC, e é listada pelo CMBA (Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura).

SBED, Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor SMBTOC, Sociedade Médica Brasileira de Tratamento por Ondas de Choque CMBA, Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura

Perguntas frequentes

O que é dry needling e para que serve?

Dry needling, ou agulhamento seco, é a inserção de uma agulha fina no ponto-gatilho miofascial, sem injetar nada. Serve para desativar esse ponto, reduzir a dor (local e referida) e o espasmo, e permitir que a reabilitação avance. É usado na síndrome dolorosa miofascial e em dores do pescoço, lombar e ombro com componente muscular.

Dry needling é a mesma coisa que acupuntura?

Não. Usam a mesma agulha, mas o agulhamento seco mira o ponto-gatilho pela palpação e pela anatomia, com raciocínio neuromuscular, enquanto a acupuntura trabalha acupontos com lógica de neuromodulação. As duas podem ser combinadas no mesmo tratamento.

O agulhamento a seco dói?

A inserção costuma causar pouco desconforto, porque a agulha é fina. Ao atingir o ponto-gatilho, pode haver uma fisgada curta e a contração local (um “pulo” do músculo). Depois, é comum uma dor leve, parecida com a de um treino, por um a dois dias.

Quais são os riscos do agulhamento seco?

É seguro quando feito por profissional treinado. Os efeitos mais comuns são dor local, pequena equimose e cansaço muscular passageiros. Eventos sérios são raros; em regiões sobre o tórax, a técnica exige cuidado anatômico. Há cautelas em quem usa anticoagulante, tem infecção de pele no local ou medo intenso de agulhas.

Quantas sessões são necessárias?

Varia. Quadros agudos e localizados podem responder a poucas aplicações; quadros crônicos costumam precisar de um ciclo, com reavaliação. O resultado se sustenta quando o agulhamento é acoplado ao exercício e à correção dos fatores que geraram a sobrecarga.

Em quanto tempo o agulhamento faz efeito?

O alívio pode ser imediato em parte dos casos ou aparecer ao longo de 24 a 72 horas. É comum uma dor pós-agulhamento leve nesse intervalo, que cede com calor, hidratação e movimento suave.

Agulhamento seco serve para dor no pescoço e lombar?

Sim, quando há pontos-gatilho. Na dor no pescoço trata-se trapézio, elevador da escápula e suboccipitais; na dor lombar, quadrado lombar e glúteos. Sempre como adjuvante do exercício.

Evidência científica · resumos da nossa biblioteca

Resumos em linguagem clara de estudos revisados pelo Dr. Marcus Yu Bin Pai.

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Dr. Marcus Yu Bin Pai
Sobre o autor
Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP 158.074RQE 65.523 / 65.524 / 655.241

Médico especialista em Fisiatria e Acupuntura pela Associação Médica Brasileira, com área de atuação em Dor. Doutor em Ciências pela USP e médico colaborador do Grupo de Dor do HC-FMUSP.

Revisão médica e editorial

Conteúdo revisado clinicamente por Prof. Dr. Hong Jin Pai. Tem finalidade educativa e cita fontes.

Referências2 fontes citadas neste artigoVerOcultar
  1. Pai MYB, et al. Dry needling has lasting analgesic effect in shoulder pain: a double-blind, sham-controlled trial. Pain Reports. 2021;6(2):e939.
  2. Lucena-Anton et al. Effectiveness of Dry Needling of Myofascial Trigger Points in the Triceps Surae Muscles: Systematic Review. Healthcare. 2022. doi:10.3390/healthcare10101862.
Atualizado em 1 jun 2026 Leitura 13 min

Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação médica individual. A indicação do agulhamento seco, o número de sessões e a decisão de combiná-lo com outras técnicas dependem do exame e devem ser individualizados caso a caso.

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