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Dor na costela: neurite intercostal, fratura ou costocondrite?

A maioria das dores na costela vem da parede torácica: nervo intercostal irritado, costocondrite ou fratura após esforço ou trauma. A primeira tarefa é separar essas causas benignas de uma dor cardíaca ou pulmonar, que exige atendimento imediato.

Resposta direta
  • Neurite intercostal é a causa mais típica: um nervo irritado sob a costela, com dor em faixa de um lado, em queimação ou choque, que piora ao girar o tronco, respirar fundo ou tocar a pele. Na maioria das vezes não é grave.
  • O que fazer hoje: aplique calor no local por 15 a 20 minutos, 3 a 4 vezes ao dia, respire fundo algumas vezes a cada hora e olhe a pele da faixa. Bolhas ou manchas vermelhas na faixa: consulta em 1 a 2 dias. Sem melhora em 1 a 2 semanas, marque consulta.
  • Ligue 192 se a dor no peito vier com falta de ar, suor frio ou náusea por mais de 10 minutos. Os outros sinais estão em quando a dor na costela é preocupante.
  • Dor na costela direita ou esquerda? Os dois lados têm o mesmo cardápio de causas de parede torácica (nervo, músculo, cartilagem, fissura); o lado, sozinho, não define a origem. A diferença está nas vísceras vizinhas: à direita, fígado e vesícula podem referir dor sob as últimas costelas; à esquerda, é o coração que precisa ser afastado primeiro.
  • Dor localizada que piora ao tossir, respirar fundo ou apoiar, sobretudo após esforço ou trauma, sugere fratura ou fissura. Dor que reacende ao apertar a cartilagem ao lado do esterno é a costocondrite.
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Dor na costela: o que pode ser

Render 3D em tom azul da caixa torácica anterior mostrando as costelas, o esterno, as clavículas e a coluna vista de frente
Conhecer a anatomia das costelas, das cartilagens e dos nervos intercostais ajuda a localizar a origem da dor torácica

A queixa de dor na costela é uma das mais frequentes na avaliação de dor de parede torácica, e quase sempre tem origem em estruturas superficiais e benignas. O trabalho do médico tem duas tarefas em sequência: nomear com precisão a causa na parede do tórax e, antes disso, garantir que aquela dor não esconde um problema do coração ou do pulmão.

A parede do tórax é composta por arcos costais (as costelas), pelas cartilagens que ligam as costelas ao esterno, pelos músculos intercostais e por doze pares de nervos intercostais, que correm na borda inferior de cada costela junto a uma artéria e uma veia. A dor pode nascer de qualquer uma dessas estruturas, e a forma como ela se apresenta, mais do que o lado em que aparece, é o que orienta o diagnóstico.

As causas mais comuns de dor de parede torácica são a neurite ou neuralgia intercostal (irritação do nervo intercostal), a síndrome dolorosa miofascial dos músculos intercostais e da musculatura paravertebral dorsal (o que muita gente chama de contratura ou cãibra na costela), a costocondrite (inflamação da cartilagem que une costela e esterno) e as fraturas e fissuras de costela, que podem ocorrer após trauma evidente ou, em ossos frágeis, após um esforço aparentemente banal, como uma crise de tosse. Com menos frequência, a dor é referida da coluna dorsal, por compressão ou irritação de uma raiz nervosa torácica, tema que detalhamos no texto sobre alterações degenerativas da coluna dorsal.

Dor de parede torácica: origens mais comuns e suas pistas
OrigemPista típica
Neurite / neuralgia intercostalDor em faixa, queimação ou choque, no trajeto de uma costela; piora ao toque e ao movimento do tronco
Miofascial (intercostais, paravertebral)Dor em aperto com pontos-gatilho palpáveis; reproduzida pela pressão e por posturas mantidas
CostocondriteDor à frente, na junção costela-esterno; muito sensível à palpação desse ponto
Fratura / fissura de costelaDor localizada que piora ao tossir, respirar fundo, rir ou apoiar; quase sempre há história de esforço ou trauma
Referida da coluna dorsalDor que parte das costas e contorna o tórax acompanhando o arco costal

Uma característica útil reúne quase todas essas causas: a dor de parede torácica costuma ser reproduzível à palpação e muda com o movimento do tronco e com a respiração. Pressionar o ponto certo reacende a dor que o paciente sente. Esse sinal, embora não seja infalível, é uma das ferramentas mais valiosas no consultório, porque a dor de origem cardíaca raramente piora quando se aperta a parede do peito.

12
pares de nervos intercostais no tórax
Faixa
padrão típico da dor neuropática intercostal
Tosse
gatilho clássico da fratura/fissura
Palpa
dor de parede costuma ser reproduzível ao toque
Vista em ângulo baixo da sala de fisioterapia com fileiras de macas de madeira na clínica
Reabilitação na clínica Sala de fisioterapia com fileiras de macas

Dor na costela do lado direito e do lado esquerdo

A primeira pergunta de quase todo paciente é se a dor na costela direita tem causa diferente da dor na costela esquerda. A resposta clínica é direta: as causas de parede torácica (nervo intercostal, músculo, cartilagem e fissura) são as mesmas dos dois lados, e o lado, sozinho, não separa o benigno do grave. O que muda de um lado para o outro são as vísceras vizinhas que podem referir dor para baixo das costelas, e é por elas que vale percorrer cada lado.

Locador da dor na costela direita e esquerda: à direita, fígado e vesícula sob o arco costal; à esquerda, coração e baço; e a última costela onde ocorre a síndrome da costela deslizante
Onde dói de cada lado. A parede do tórax dói igual nos dois lados; o que diferencia é a víscera vizinha que pode referir dor para baixo das costelas: à direita, fígado e vesícula; à esquerda, coração e baço. As últimas costelas, mais móveis, são a sede da síndrome da costela deslizante.

Dor na costela do lado direito

No lado direito, a grande maioria das dores continua sendo de parede torácica: neurite intercostal, ponto-gatilho miofascial, costocondrite na junção com o esterno ou fissura após tosse ou trauma. O que o lado direito acrescenta é a possibilidade de dor referida do fígado e da vesícula, que ficam logo sob o gradil costal direito. A pista que separa uma da outra é a mesma de sempre: a dor de parede se reproduz quando se pressiona a costela e muda com o movimento e a respiração, enquanto a dor visceral (cólica de vesícula, por exemplo) não muda ao apertar o tórax, costuma vir após alimentação gordurosa e pode vir com náusea, e a dor de origem hepática tende a ser um peso constante logo abaixo das costelas direitas. A dor na última costela do lado direito, em ponta ou em fisgada que aparece a certos movimentos do tronco, tem ainda uma causa própria descrita logo abaixo, a síndrome da costela deslizante.

Síndrome da costela deslizante

As últimas costelas (8ª a 10ª) não se ligam direto ao esterno; prendem-se umas às outras por cartilagem, e a 11ª e a 12ª ficam livres (as costelas “flutuantes”). Quando essa cartilagem afrouxa, a ponta de uma costela escorrega sobre a vizinha e pinça o nervo intercostal: é a síndrome da costela deslizante (slipping rib). Dá uma dor em fisgada ou estalo na borda inferior das costelas, mais comum à direita, que piora ao girar o tronco, levantar peso ou apertar a margem costal. O teste do gancho (puxar a borda da última costela para a frente reproduz a dor e às vezes o estalido) ajuda a confirmar no consultório, e a maioria dos casos melhora sem cirurgia.

Dor na costela do lado esquerdo

No lado esquerdo, a causa mais comum é exatamente a mesma do direito: a parede torácica. A diferença é que à esquerda mora o coração, e por isso a regra de ouro se inverte na ordem de prioridade: diante de dor na costela esquerda com sinais de alerta (aperto no peito que piora ao esforço, falta de ar, suor frio, dor que irradia para o braço ou a mandíbula), a causa cardíaca é afastada antes de qualquer outra, mesmo que a estatística favoreça a parede torácica. Afastado o coração, vale lembrar do baço, logo sob as últimas costelas esquerdas: dor nessa região após trauma no flanco, ou que se intensifica e se acompanha de mal-estar, pede avaliação no mesmo dia. Fora esses alertas, a dor na costela esquerda que se reproduz ao toque e muda com a respiração segue a mesma lógica benigna de neurite, miofascial, costocondrite e fissura. Pontadas rápidas, que duram segundos e voltam numa certa posição, e a cãibra que trava a respiração por instantes costumam vir do nervo ou do músculo entre as costelas.

Inflamação na costela direita ou esquerda

Quando a queixa é de inflamação na costela, e não apenas de dor, o quadro que melhor corresponde a essa descrição é a costocondrite: a inflamação das cartilagens que unem as costelas ao esterno, à frente do tórax, explicada em detalhe na página de costocondrite. Não confunda com infecção: febre, vermelhidão e calor sobre a costela são raros e mudam a conduta, pedindo avaliação para excluir um processo infeccioso ou outra causa. A inflamação muscular (miosite ou estiramento dos intercostais) também entra na conta quando a dor segue uma faixa muscular tensa e piora ao torcer o tronco.

Neurite muscular, neurite intercostal e dor miofascial

O termo neurite muscular aparece muito na busca de quem sente dor na costela, mas é impreciso: neurite quer dizer inflamação ou irritação de um nervo, não de um músculo. O que as pessoas costumam chamar de neurite muscular é, na prática, uma de duas coisas. A primeira é a neurite (ou neuralgia) intercostal propriamente dita: irritação de um dos doze nervos que correm na borda inferior de cada costela, com dor em faixa, em queimação ou em choque, que segue o trajeto do nervo e piora ao toque.

A segunda é a dor miofascial intercostal: pontos-gatilho nos músculos entre as costelas e na musculatura das costas que doem em aperto e, ao serem pressionados, reproduzem a dor. A distinção importa porque o tratamento difere: a dor neuropática responde a medicação específica e a bloqueio do nervo, enquanto a miofascial responde a agulhamento dos pontos-gatilho e à reabilitação.

Dor na costela ao respirar fundo

A dor na costela que aparece ou piora ao respirar fundo não é, sozinha, sinal de gravidade: a fissura óssea, a costocondrite e a dor miofascial pioram com a respiração profunda porque o gradil costal se expande e estira a estrutura dolorida. O que muda a leitura é a companhia. Dor ao respirar que se reproduz ao apertar a costela costuma ser de parede e benigna. Já dor ao respirar acompanhada de falta de ar, febre, tosse com catarro ou sangue, ou que não muda ao tocar o tórax, obriga a excluir causa pulmonar (como pneumonia ou pleurite) ou um coágulo no pulmão, e nesse caso a avaliação é de urgência.

Dor embaixo da costela: direita e esquerda

Quando a dor fica abaixo do gradil costal, na transição entre o tórax e o abdome, entram causas diferentes das da parede torácica, e o lado orienta a investigação:

  • Embaixo da costela direita. Fígado e vesícula moram aqui. Dor em cólica depois de refeições gordurosas sugere a vesícula; peso ou dor surda constante pede avaliação do fígado. Músculo e neurite intercostal baixa também doem nessa região e pioram com o movimento do tronco.
  • Embaixo da costela esquerda. Estômago (gastrite, refluxo) e, mais raramente, o baço. Dor que queima e muda com a alimentação aponta para o estômago; dor muscular piora ao girar ou flexionar o tronco. Gases presos no intestino (o popular “ar nas costelas”) dão pontada sob as costelas que alivia ao eliminar os gases.
  • Dos dois lados, ligada ao esforço. A pontada ao correr é benigna e tem página própria: dor embaixo da costela na corrida. Fora do esforço, sobrecarga dos músculos oblíquos e da parede abdominal é causa comum: veja dor na parede abdominal e oblíquos.

Procure atendimento no mesmo dia se a dor embaixo da costela vier com febre, pele ou olhos amarelados, vômitos persistentes, ou se for súbita e intensa: esses quadros são do pronto-socorro ou do gastroenterologista, e a imagem do abdome costuma resolver o diagnóstico. Quando os exames abdominais vêm normais e a dor persiste piorando com o movimento ou a respiração, a origem costuma ser a parede torácica (neurite intercostal, pontos-gatilho ou a própria costela), e é aí que a avaliação da clínica entra.

Neurite e neuralgia intercostal: a dor em faixa

Diagrama do tronco em vista frontal e posterior com os trajetos dos nervos intercostais numerados de T1 a T12 sobre as costelas
Cada nervo intercostal segue um trajeto entre duas costelas, o que explica a dor em faixa típica da neurite intercostal

A neuralgia intercostal é a dor que surge no território de um ou mais nervos intercostais; quando há um componente inflamatório do nervo, falamos em neurite intercostal. Na prática, os termos se sobrepõem e ambos descrevem uma dor neuropática, ou seja, gerada pela disfunção do próprio nervo, e não por uma lesão do músculo ou do osso. A pessoa costuma descrever uma dor em faixa que contorna o tronco seguindo o trajeto da costela, em queimação, choque ou agulhadas, às vezes com a pele dolorida ao simples roçar da roupa.

Esse padrão é diferente da dor miofascial, que é mais um aperto profundo, e da dor da fratura, que é localizada e mecânica. A dor neuropática intercostal tende a piorar com a rotação e a inclinação do tronco, com a respiração profunda e, de forma característica, ao toque sobre o nervo.

  • Dor em faixa. Acompanha o arco da costela, contornando o tórax de trás para a frente.
  • Caráter neuropático. Queimação, choque ou agulhada, às vezes com formigamento ou pele sensível.
  • Piora ao toque. Pressionar o trajeto do nervo reproduz a dor, sinal de nervo irritado.
  • Gatilho de movimento. Girar o tronco, tossir ou respirar fundo costuma intensificar.

As causas da neurite intercostal são variadas. Uma das mais importantes, e que não pode ser esquecida, é o herpes-zóster (o vírus da catapora reativado): nele, a dor em faixa pode anteceder em alguns dias o aparecimento das vesículas na pele, e o tratamento antiviral precoce muda o curso. Outras causas incluem o aprisionamento do nervo por contratura muscular ou cicatriz cirúrgica (por exemplo, após toracotomia ou colocação de dreno), a irritação da raiz nervosa na saída da coluna dorsal, microtraumas de repetição e, em parte dos casos, não se identifica um fator único.

A dúvida frequente é quanto tempo dura: a neurite intercostal de causa mecânica costuma melhorar em semanas com tratamento adequado, enquanto a neuralgia pós-herpética pode ser mais arrastada e exige manejo específico da dor neuropática. É grave? Quase nunca: o nervo irritado dói muito, mas não ameaça o coração nem o pulmão. Se a dor não melhora em 1 a 2 semanas de cuidados em casa, marque consulta; se aparecem bolhas na faixa, consulta em 1 a 2 dias.

Pérola clínica

Toda dor em faixa unilateral no tórax, especialmente em pessoas acima dos 50 anos ou com imunidade baixa, deve levantar a suspeita de herpes-zóster antes mesmo das bolhas na pele. Olhar a pele do trajeto doloroso em busca de bolhas iniciais, e reexaminar em poucos dias, evita perder a janela do antiviral, que funciona melhor nas primeiras 72 horas.

Diferencial: fratura, fissura e costocondrite

Ilustração comparando cinco padrões de fratura de costela: fissura (fratura incompleta), sem desvio, com desvio, segmentar e tórax instável (flail)
Conhecer o padrão da fratura de costela, da fissura ao tórax instável, orienta o tratamento e o tempo de consolidação.

Depois de reconhecer o padrão neuropático, o passo seguinte é separá-lo das duas outras grandes causas mecânicas de dor na costela: a fratura ou fissura óssea e a costocondrite. Cada uma tem uma assinatura clínica.

Fratura e fissura de costela

A fratura completa e a fissura (fratura incompleta, sem desvio) produzem uma dor bem localizada sobre o arco costal, que o paciente aponta com a ponta do dedo, e que piora de forma marcante ao tossir, espirrar, rir, respirar fundo ou apoiar o tórax. Quase sempre há uma história compatível: queda, impacto, acidente, ou um esforço de tosse intenso e prolongado, este último capaz de fraturar uma costela mesmo sem trauma direto, sobretudo em ossos enfraquecidos por osteoporose. A dor ao tossir com a sensação de uma costela “cedendo” é uma queixa típica. Vale lembrar que a radiografia simples não mostra todas as fissuras, e o diagnóstico muitas vezes é clínico, pela história e pela dor reprodutível em um ponto ósseo único.

A costocondrite, inflamação das cartilagens que unem as costelas ao osso do peito (esterno), dá dor à frente que reacende ao pressionar essa junção; abordamos esse quadro em detalhe no texto sobre costocondrite e dor no peito e na costela.

Contratura e dor miofascial intercostal

Pontos-gatilho nos músculos intercostais e na musculatura paravertebral dorsal geram dor em aperto, que pode imitar tanto a neuralgia quanto a dor de origem visceral. O que a distingue é a presença de bandas musculares tensas e de pontos dolorosos que, à pressão, reproduzem o padrão de dor que incomoda o paciente. É uma das causas mais subdiagnosticadas de dor entre as costelas.

Como diferenciar as principais causas de dor na costela
CausaCaráter da dorO que pioraSinal-chave no exame
Neurite / neuralgia intercostalEm faixa, queimação, choqueToque no trajeto, rotação do troncoDor neuropática reproduzida ao seguir o nervo; pele sensível
Fratura / fissuraLocalizada, em ponta de dedoTossir, respirar fundo, apoiarDor óssea em ponto único; história de trauma ou tosse intensa
CostocondriteAnterior, em pressãoPressionar o esterno, deitar de bruçosDor à palpação da junção costela-esterno
Miofascial intercostalAperto profundoPosturas mantidas, estresseBandas tensas e pontos-gatilho que reproduzem a dor
Cardíaca / pulmonarAperto, peso, pontada respiratóriaEsforço (coração); respirar (pleura)Não piora à palpação da parede; sinais sistêmicos
Mito

“Toda dor na costela esquerda é coisa do coração.”

Fato

A maioria das dores na costela esquerda é de parede torácica e reproduzível ao toque. Os sinais que mudam essa conta estão logo abaixo.

Quando a dor na costela é preocupante

Na maioria das vezes, a dor na costela vem da parede do tórax e não é grave. Ela preocupa quando vem com sinais do coração, do pulmão ou de um trauma forte.

Marque o que você sente

  • Aperto, peso ou dor no peito com falta de ar, suor frio ou náusea por mais de 10 minutos, que pode irradiar para o braço, a mandíbula ou as costas.
  • Falta de ar súbita ou dor intensa ao respirar após viagem longa, cirurgia ou dias de cama (risco de coágulo no pulmão).
  • Dor após trauma de alta energia, ou tosse com sangue.
  • Sensação de desmaio, palpitações fortes ou ritmo cardíaco irregular junto com a dor.
  • Bolhas ou manchas vermelhas na pele, em faixa, do mesmo lado da dor.
  • Dor que começou após uma crise de tosse ou uma queda leve e piora ao tossir ou respirar fundo.
  • Febre, tosse com catarro e dor ao respirar.
  • Dor embaixo da costela com febre, pele ou olhos amarelados ou vômitos.
  • Perda de peso, história de câncer ou imunidade baixa.
  • Dor em faixa, em queimação ou choque, que não melhorou em 1 a 2 semanas.

Nada marcado? Dor que reacende ao apertar a costela e muda com o movimento é, quase sempre, da parede do tórax. Calor por 15 a 20 minutos, 3 a 4 vezes ao dia, respiração funda algumas vezes por hora e tosse com um travesseiro apertado sobre o local, por 1 a 2 semanas. Sem melhora nesse prazo, marque consulta.

Marcou um ou dois? Marque consulta nesta semana. Bolhas em faixa: consulta em 1 a 2 dias, porque o antiviral funciona melhor nas primeiras 72 horas. Febre ou pele amarelada: atendimento no mesmo dia.

Marcou item em destaque? Pronto-socorro agora ou ligue 192. Três ou mais sem destaque? Atendimento no mesmo dia, porque a soma dos sinais pede exame completo.

Dor que não se reproduz ao toque nem muda com a posição, em quem tem pressão alta, diabetes, colesterol alto ou fuma, pede investigação cardíaca antes de qualquer rótulo musculoesquelético. Convém lembrar que dor cervical e torácica também pode, em situações específicas, relacionar-se a causas cardíacas, assunto que tratamos no texto sobre dor no pescoço como possível sinal de infarto. Na ausência desses sinais, e com uma dor claramente reproduzível à palpação da parede torácica, a origem musculoesquelética é a mais provável, e a investigação pode seguir de forma ambulatorial.

Como a dor na costela é avaliada

A avaliação parte de três perguntas, nesta ordem: existe algum sinal de causa cardíaca ou pulmonar que exija ação imediata? A dor é predominantemente neuropática (em faixa, queimação), óssea (localizada, após esforço) ou miofascial? E há algo que aponte para a coluna dorsal como origem? A história e o exame respondem à maior parte disso, antes de qualquer exame de imagem.

Na história, caracterizam-se o início, o caráter e os gatilhos da dor: dor que começou após uma crise de tosse e piora ao respirar fundo aponta para fissura; dor em queimação que contorna o tronco aponta para o nervo intercostal; aperto difuso com piora postural sugere componente miofascial. Rastreiam-se sistematicamente os sinais de alerta e pergunta-se sobre erupções na pele, trauma, febre e fatores de risco cardiovascular.

  1. Inspeção da pele e da parede

    Procurar bolhas (vesículas) de herpes-zóster no trajeto doloroso, sinais de trauma, assimetria ou inchaço da cartilagem (síndrome de Tietze).

  2. Palpação dirigida

    Localizar o ponto exato de dor: arco costal (osso), junção costela-esterno (costocondrite), trajeto do nervo intercostal ou bandas musculares com pontos-gatilho.

  3. Testes de provocação

    Reproduzir a dor com a compressão da parede, a rotação e a inclinação do tronco e a respiração profunda; observar se a palpação reproduz a queixa.

  4. Avaliação cardiopulmonar quando indicada

    Ausculta, sinais vitais e, conforme o risco, eletrocardiograma e exames para excluir causa cardíaca ou pulmonar.

A imagem é dirigida pela suspeita. A radiografia de tórax ajuda quando se cogita fratura com desvio, pneumonia ou pneumotórax, mas pode não mostrar fissuras finas. A tomografia é mais sensível para fraturas e para o pulmão.

A ressonância da coluna dorsal entra quando há suspeita de origem radicular ou de causa secundária. O exame clínico bem feito resolve a maioria dos casos de dor de parede torácica sem necessidade de exames complexos, e evita o achado incidental que gera ansiedade sem mudar a conduta.

A favor de parede torácica

Dor reproduzível ao toque

Dor que muda com o movimento do tronco e a respiração e que se reacende ao pressionar um ponto da parede aponta para causa musculoesquelética.

Exige cautela

Dor que não muda ao toque

Dor torácica que não se altera com a palpação nem com a posição, em quem tem fatores de risco, pede avaliação cardíaca antes de qualquer rótulo.

Como avaliamos aqui

Na consulta, o fisiatra pede que você aponte a dor com um dedo e pressiona ali: no arco da costela, na junção com o esterno, nos músculos entre as costelas e ao lado da coluna. Olha a pele da faixa em busca de bolhas e testa a sensibilidade no trajeto do nervo. Se algo apontar para o coração ou o pulmão, você é encaminhado no mesmo dia. Quase sempre você sai com o diagnóstico e o plano, sem exame novo.

Quando há ponto-gatilho ativo, o agulhamento ou a acupuntura podem começar no mesmo dia, e a reabilitação da respiração segue com o fisioterapeuta da equipe, um paciente por sala. Na neuralgia que resiste ao remédio e aos exercícios, o bloqueio de Fischer e o bloqueio do nervo intercostal são feitos na clínica, quando indicados.

Assista: Dor no lado Esquerdo abaixo da Costela – O que pode ser?

Tratamento da dor neuropática e miofascial da costela

Definida a origem na parede torácica e afastadas as causas graves, o tratamento é sem cirurgia e montado para o seu quadro. A base é o controle da dor e a recuperação da mecânica respiratória e do movimento do tronco; as demais técnicas se somam conforme a dor seja do nervo (neurite/neuralgia intercostal), do músculo ou mista. O objetivo é reduzir a dor a um nível que não limite a respiração e a rotina, evitar que ela se arraste e evitar o uso prolongado de medicação.

Calor, respiração e movimento

Calor por 15 a 20 minutos, 3 a 4 vezes ao dia, respiração funda algumas vezes por hora, tosse com um travesseiro apertado sobre a costela e movimento leve do tronco. Analgésico comum se a dor impedir respirar fundo. Duração: 1 a 2 semanas. Suba de degrau se a dor não ceder nesse prazo.

Fisioterapia respiratória e remédio para o nervo

Exercícios de expansão do tórax e mobilidade do tronco com o fisioterapeuta, 1 a 2 vezes por semana, e exercício diário em casa. Se a dor é de nervo (faixa, queimação, choque), o médico pode associar remédio para dor neuropática. Dê 4 a 8 semanas antes de subir de degrau, ou menos se a dor impede respirar.

Agulhamento seco ou acupuntura

Entra junto com o degrau 2, já no dia da consulta, quando um ponto-gatilho dos músculos entre as costelas, do serrátil ou dos músculos ao lado da coluna sustenta a dor, ou para poupar remédio. Agulhamento: 1 a 2 sessões por semana, reavaliar após 3 a 4. Acupuntura: 6 a 10 sessões, 1 a 2 por semana, reavaliar na 3ª a 4ª.

Bloqueio anestésico

Para a neuralgia intensa que resiste ao remédio e à reabilitação, ou para a dor de fratura que impede respirar. Na neuralgia, o bloqueio de Fischer, feito na clínica, coloca anestésico nos músculos e ligamentos ao lado da coluna, no nível da costela dolorida. Na fratura, a opção é o bloqueio do nervo intercostal, também feito na clínica (ficha abaixo). Pode aliviar por dias a semanas e abrir espaço para a reabilitação. Reavaliação em 3 a 6 semanas.

Bloqueio intercostal

O que é
Injeção de anestésico local (por vezes com corticoide) ao redor do nervo intercostal afetado, próximo à borda inferior da costela.
Mecanismo
Interrompe temporariamente o sinal de dor do nervo, quebra o ciclo de dor e abre uma janela para a reabilitação e para a recuperação de uma respiração mais profunda.
Evidência
Recurso útil e estabelecido na dor neuropática intensa. Moderada
O que esperar
Alívio que pode durar de dias a semanas; faz parte de um plano com reabilitação.
Indicações
Neuralgia intercostal intensa, dor após fratura que impede respirar e neuralgia pós-herpética.
Limitações
Exige domínio da anatomia: por ser feito junto à parede torácica, deve ser realizado por médico experiente, atento ao risco de pneumotórax (ar entre o pulmão e a parede do tórax). O risco é pequeno, mas existe.

Agulhamento seco e infiltração de pontos-gatilho

O que é
Agulha fina que fisga o ponto-gatilho dos intercostais, serrátil anterior ou musculatura paravertebral dorsal; a infiltração soma anestésico local (ou soro) quando o nó resiste à agulha seca.
Mecanismo
Desencadeia a contração local involuntária da banda tensa, que em seguida relaxa, com alívio da dor no ponto e na área para onde ela se espalha.
O que esperar
Alívio já na sala ou ao longo do primeiro dia; a dor pós-agulhamento, parecida com a de um treino, dura cerca de um a dois dias antes de a respiração ficar mais livre.
Indicações
Componente miofascial relevante, com bandas tensas palpáveis nos intercostais, serrátil ou paravertebral.
Limitações
O intercostal recobre a pleura, a membrana que envolve o pulmão. Por isso a inserção é tangente ao arco costal, apoiada no osso, ou na paravertebral mais espessa, com ângulo e comprimento controlados, nunca isolada como recurso único.

Acupuntura e eletroacupuntura, aplicadas no próprio trajeto doloroso e ao lado da coluna, podem ajudar tanto no componente miofascial quanto no neuropático da neurite intercostal e a poupar medicação em quem tem outras doenças ou não tolera analgésicos, perfil frequente na neuralgia pós-herpética do idoso. As agulhas torácicas seguem a regra de segurança do agulhamento seco: superficiais ou tangentes ao gradil costal. Veja acupuntura para dor nas costas.

Em casos selecionados entram o laser de alta intensidade, como apoio na dor muscular da parede do tórax, e a toxina botulínica, reservada à dor miofascial intercostal intensa que não cedeu ao tratamento: começa a agir em 3 a 7 dias, tem pico em 2 a 4 semanas e dura cerca de 3 a 4 meses.

Semana 1 a 2

Controle inicial

Analgesia para respirar fundo sem dor; afastar causa grave; iniciar calor local e mobilidade suave.

Semana 3 a 6

Progressão

Técnicas em clínica e, se neuropática, ajuste da medicação; a dor costuma começar a ceder. Fissura óssea costuma consolidar nesse período.

Após 6 semanas

Reavaliação

Sem a resposta esperada, revê-se o diagnóstico e considera-se bloqueio intercostal ou investigação adicional.

Na costela, o melhor sinal de progresso é respiratório: inspirar fundo e tossir com força sem dor incapacitante, porque é essa função que protege o pulmão. Se em duas a três semanas a respiração não está mais livre, revisa-se o diagnóstico (a fissura passou despercebida? há um componente neuropático mal controlado? a dor é referida da coluna dorsal?) antes de escalar para bloqueio intercostal ou imagem dirigida. A maior parte das dores de parede torácica cede de forma significativa em algumas semanas, enquanto a neuralgia, sobretudo a pós-herpética, costuma exigir mais tempo e um manejo dedicado da dor neuropática.

Da prática clínica

O teste do dedo separa quase tudo. No consultório, o primeiro gesto na dor na costela é pedir que a pessoa aponte o ponto com um dedo e então pressionar. Se aquele toque reacende exatamente a dor que incomoda, e ela muda quando o tronco gira ou a respiração se aprofunda, a origem é a parede torácica e o clima da consulta muda. A dor visceral, cardíaca ou pleural, não obedece ao dedo nem à posição, e essa indiferença ao toque é o que mantém o limiar de cautela alto, mesmo quando tudo o mais parece muscular.

O que costuma surpreender quem chega. Duas coisas: que uma costela possa fissurar só de tossir, sem queda nem pancada, sobretudo em osso enfraquecido; e que, na fissura, o objetivo do tratamento seja controlar a dor o bastante para voltar a respirar fundo e tossir, que é justamente o que protege o pulmão de complicar. Costuma haver alívio quando se entende que não há cirurgia de costela a temer na imensa maioria dos casos.

A parede do tórax limita as técnicas de agulha

O lado da dor quase não importa; o ponto decisivo é anatômico: o nervo intercostal corre colado à pleura, e a parede do tórax é, de todas as regiões de dor miofascial, a que mais limita as técnicas de agulha. Agulhamento seco, acupuntura e o bloqueio intercostal funcionam nessa região, mas só com inserção tangente ao osso e profundidade controlada, porque uma agulha perpendicular e funda no espaço intercostal pode causar pneumotórax. A indicação existe, e o que a torna segura é a anatomia respeitada por quem aplica. Boa parte do resultado, ainda, vem do que não tem agulha nenhuma: recuperar a respiração ampla. Falta de ar ou dor nova ao respirar nas horas seguintes a qualquer agulha no tórax pede pronto-socorro no mesmo dia.

Tratamento não farmacológico: RPG, Pilates e fisioterapia

A reabilitação ativa é o eixo do tratamento da dor de parede torácica e a medida que mais sustenta o resultado ao longo do tempo. Na dor da costela, ela tem uma tarefa adicional e específica: recuperar a respiração ampla. A dor, sobretudo na fissura e na neurite intercostal, leva a pessoa a respirar de forma superficial e a evitar tossir, e essa proteção, mantida por dias, favorece o acúmulo de secreção e a atelectasia (partes do pulmão que se fecham), com risco de pneumonia. Restaurar a mecânica respiratória, a mobilidade do tronco e a tolerância ao movimento é parte do tratamento. As abordagens são conduzidas na clínica, individualizadas, um paciente por sala, dentro do plano com indicação médica.

Evite a imobilidade prolongada: poupar o tronco e a respiração perpetua a dor e expõe ao risco pulmonar, ao passo que o movimento orientado dentro do conforto acelera a recuperação. A progressão é graduada, reintroduzindo a amplitude respiratória, a rotação e a carga de forma controlada e crescente. A escolha entre as técnicas e a ordem de introdução dependem do diagnóstico (neuropático, ósseo ou miofascial), da fase e da resposta de cada pessoa.

Fisioterapia respiratória e exercício

O que é: reeducação respiratória (respiração diafragmática, inspiração profunda sustentada, tosse assistida e protegida) com exercício para o tronco. Em geral, inspirações fundas segurando 3 a 5 segundos, 5 a 10 vezes a cada hora acordado; o fisioterapeuta ajusta na consulta.
Mecanismo: os exercícios de expansão pulmonar recrutam o diafragma e os músculos acessórios, reabrem as partes do pulmão que se fecham e mobilizam secreção, prevenindo atelectasia e pneumonia em quem respira superficialmente por dor; a tosse protegida (apoiar a parede ou um travesseiro sobre a costela dolorida) permite expectorar sem o pico de dor. O exercício recupera a mobilidade da caixa torácica e da coluna dorsal e dessensibiliza o tronco ao movimento.
Limitações: resposta gradual e dependente da regularidade; na fase muito dolorosa a analgesia é o que permite respirar fundo e iniciar; exercício mal dosado pode aumentar a dor de forma transitória, o que reforça a supervisão e a reavaliação diante de piora, falta de ar nova ou sinais de alerta.

Fortebase

Reeducação Postural Global (RPG)

O que é: método que trabalha o corpo por cadeias musculares, com posturas de alongamento ativo mantidas e progressivas, com indicação médica.
Mecanismo: alonga de forma global a cadeia respiratória e a cadeia anterior do tronco, frequentemente retraídas em quem adotou postura antálgica em flexão, com contração isométrica em posição alongada associada ao controle respiratório, reabrindo a caixa torácica e reduzindo a tensão intercostal e paravertebral.
Limitações: benefício sobre dor e flexibilidade comparável ao de outros programas de exercício, sem superioridade clara; as posturas mantidas podem ser desconfortáveis no início e precisam ser dosadas; não é indicada como recurso isolado nem substitui a reeducação respiratória e o fortalecimento progressivo.

Moderadaopção de exercício

Pilates clínico

O que é: exercícios de controle, estabilização e respiração adaptados ao quadro, no solo ou em aparelhos com molas que graduam a resistência.
Mecanismo: ativa a musculatura estabilizadora do tronco e o controle motor da respiração, trabalha de forma explícita o padrão respiratório e a expansão costal, integra diafragma e parede abdominal e recupera a mobilidade da coluna dorsal e das costelas, descarregando a musculatura intercostal sobrecarregada.
Limitações: efeito semelhante ao de outras formas de exercício, sem superioridade sobre outros exercícios; exige adaptação na fase irritável e supervisão; exercícios de rotação e extensão mal dosados podem agravar a dor da costela, o que reforça o plano individualizado e a indicação médica.

Moderadabem tolerado

Terapia manual

O que é: mobilização das articulações costovertebrais e costotransversárias e da coluna dorsal, e liberação dos tecidos moles intercostais e paravertebrais, como adjuvante para reduzir a dor e facilitar o exercício, não como tratamento isolado.
Mecanismo: alívio da dor, com melhora transitória da mobilidade e da tolerância ao movimento, abrindo uma janela para a reabilitação ativa progredir.
Limitações: efeito de curta duração quando usada isolada; o papel é de complemento do exercício. Contraindicada sobre uma fratura ou fissura recente, em que a manipulação local pode agravar a lesão, e diante de suspeita de causa cardíaca, pulmonar, infecção ou outros sinais de alerta, situações em que a prioridade é a avaliação médica.

Moderadaadjuvante
Fisioterapia respiratória
Forte
Exercício
Forte
RPG
Moderada
Pilates clínico
Moderada
Terapia manual (com exercício)
Moderada

Tratamento cirúrgico e opções fora da clínica

Na dor de parede torácica, a cirurgia é a exceção rara: a grande maioria dos quadros, incluindo a neurite e a neuralgia intercostal, a costocondrite e a fratura simples de costela, se resolve com tratamento conservador bem conduzido. Ainda assim, existem situações em que um procedimento cirúrgico ou um cuidado especializado fora do nosso escopo são parte legítima do percurso. Estas opções não são realizadas em nossa clínica; o quadro abaixo reúne quais são, quando procurá-las e a quem encaminhar.

Conservador · 1ª escolha

Resolve a imensa maioria

  • Neurite e neuralgia intercostal
  • Costocondrite e síndrome de Tietze
  • Fratura e fissura simples (osso consolida sozinho em semanas)
  • Dor miofascial intercostal
  • Controle da dor para respirar fundo e tossir, prevenindo complicação pulmonar
VS

Cirúrgico / fora da clínica · exceção

Minoria, casos graves ou refratários

  • Tórax instável e fraturas múltiplas com grande desvio
  • Pneumotórax ou hemotórax associado ao trauma (urgência)
  • Herpes-zóster: antiviral precoce, ideal nas primeiras 72 h
  • Neuralgia intercostal refratária: radiofrequência pulsada, crioablação, neurólise
  • Causa secundária identificada (oncológica, reumatológica, infecciosa)

A fratura de costela raramente é operada

É importante desfazer um receio comum: a fratura ou a fissura simples de costela não é fixada cirurgicamente. O osso consolida sozinho em algumas semanas, e o tratamento é o controle da dor para permitir respirar fundo e tossir, justamente para prevenir as complicações pulmonares. A cirurgia de fixação das costelas (osteossíntese, ou fixação cirúrgica do gradil costal) fica reservada a situações específicas e graves, conduzidas pela cirurgia torácica em ambiente hospitalar: o tórax instável (quando vários arcos costais fraturam em mais de um ponto e um segmento da parede passa a se mover de forma paradoxal a cada respiração), as fraturas múltiplas com grande desvio e dor incontrolável, e algumas fraturas que não consolidam. Nesses cenários, a fixação pode reduzir o tempo de ventilação mecânica e as complicações, mas eles são a minoria dentro do universo das fraturas de costela e nada têm a ver com a fissura isolada que motiva a maioria das consultas.

Quando o cuidado vai além do tratamento conservador da dor na costela
SituaçãoQuando considerarConduta e o que esperar
Tórax instável e fraturas múltiplas gravesSegmento da parede com movimento paradoxal, várias costelas fraturadas em mais de um ponto, dor incontrolável ou falência respiratóriaFixação cirúrgica do gradil costal (osteossíntese) pela cirurgia torácica; pode reduzir o tempo em ventilação e as complicações; recuperação hospitalar e prolongada
Pneumotórax ou hemotórax associado ao traumaFalta de ar, fratura por trauma de alta energia, dor súbita intensa ao respirarAvaliação de emergência; pode exigir drenagem torácica; é uma urgência, não um procedimento eletivo
Herpes-zóster (neurite por reativação viral)Dor em faixa com vesículas, sobretudo acima dos 50 anos ou em quem tem imunidade baixa; quanto antes, melhorAntiviral oral precoce conduzido por médico, idealmente nas primeiras 72 horas; reduz a duração e o risco de neuralgia pós-herpética
Neuralgia intercostal refratáriaDor neuropática intensa e persistente apesar de medicação, bloqueios e reabilitação bem conduzidosProcedimentos de neuromodulação ou de lesão controlada do nervo (radiofrequência pulsada, crioablação ou, em casos selecionados, neurólise), em serviços especializados de dor; resposta variável
Causa secundária identificadaDor de parede torácica com sinais de alerta, lesão óssea suspeita na imagem ou doença de baseInvestigação e tratamento da causa (oncológica, reumatológica, infecciosa) pelo serviço pertinente, com o controle da dor integrado a esse manejo

Quanto à neuralgia intercostal que não cede: antes de cogitar qualquer procedimento sobre o nervo, esgota-se o tratamento clínico: medicação para dor neuropática, bloqueios anestésicos do nervo intercostal e reabilitação. Quando a dor persiste apesar disso, serviços especializados de dor dispõem de técnicas mais invasivas, como a radiofrequência pulsada, a crioablação e, em situações muito selecionadas, a neurólise (lesão química ou térmica do nervo). São recursos de exceção, com resposta variável e risco de gerar nova dor por lesão do nervo, reservados a casos refratários e bem avaliados, e não substituem o cuidado de base.

O herpes-zóster não é um caso cirúrgico, mas o seu tratamento antiviral é uma janela de tempo conduzida pelo médico, e iniciá-lo cedo é o que mais reduz o risco da neuralgia pós-herpética, uma das formas mais difíceis de dor neuropática da parede torácica. Em todos esses caminhos, o papel do cuidado de base é reconhecer o momento, explicar o que cada opção oferece e encaminhar a quem a executa.

Tratamento medicamentoso

A medicação na dor da costela tem dois papéis distintos, conforme a origem da dor. Na dor mecânica de curta duração (fissura, costocondrite, sobrecarga muscular), os analgésicos e anti-inflamatórios têm papel adjuvante e por tempo definido: controlam a dor o suficiente para manter a respiração ampla, o que na fissura é parte essencial do tratamento, mas não aceleram a consolidação do osso. Na dor neuropática da neurite e da neuralgia intercostal, os remédios que acalmam o nervo são a base do controle medicamentoso, porque os analgésicos comuns costumam ter resposta limitada. A prescrição, a dose, a duração e qualquer alteração do tratamento são definidas pelo médico assistente, com atenção às comorbidades, às interações e ao perfil de efeitos adversos.

Os remédios para dor de nervo mais usados são amitriptilina, nortriptilina, duloxetina, gabapentina e pregabalina. No herpes-zóster, o antiviral iniciado cedo, idealmente nas primeiras 72 horas das bolhas, reduz a duração do quadro e o risco de neuralgia pós-herpética. Relaxantes musculares e opioides têm papel limitado; o opioide ainda pode deprimir a respiração justamente quando ela precisa ser ampla.

Nenhuma medicação isolada resolve a causa, o uso prolongado sem reavaliação não é desejável, e o melhor resultado vem da combinação criteriosa do controle da dor com a reabilitação ativa. Para entender melhor as classes e os cuidados, veja o nosso guia de remédios para dor.

Reconhecimento

Centro de Dor

Listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED)

Centro de Tratamento por Ondas de Choque

Listado pela Sociedade Médica Brasileira de Tratamento por Ondas de Choque (SMBTOC)

Clínica listada

Listada pelo Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura (CMBA)

Perguntas frequentes

Dor na costela direita ou esquerda tem causas diferentes?

As causas de parede torácica (nervo intercostal, músculo, cartilagem, fissura) são as mesmas dos dois lados. O lado isolado não define a origem. O que orienta o diagnóstico é o caráter da dor e o que a piora. Diante de dor torácica com sinais de alerta, porém, a causa cardíaca é sempre afastada primeiro.

Dor na costela ao tossir ou ao respirar, o que pode ser?

Dor localizada que piora ao tossir, respirar fundo ou apoiar sugere fissura ou fratura de costela, sobretudo após esforço ou trauma. Tosse intensa e prolongada pode, por si só, fissurar uma costela. Se houver febre, falta de ar ou expectoração, é preciso excluir causa pulmonar como pneumonia.

Quanto tempo dura a neurite intercostal?

A neurite intercostal de causa mecânica costuma melhorar em algumas semanas com tratamento adequado. Quando a causa é o herpes-zóster, a dor pode persistir como neuralgia pós-herpética e exige manejo específico da dor neuropática, por vezes mais prolongado. Se não melhorar em 1 a 2 semanas de cuidados em casa, marque consulta.

Como saber se é dor na costela ou no coração?

A dor de parede torácica costuma ser reproduzível ao toque e muda com o movimento e a respiração. A dor cardíaca tende a ser um aperto que piora ao esforço, sem mudar com a palpação, e pode vir com falta de ar e suor frio. Dor no peito com falta de ar, suor frio ou náusea por mais de 10 minutos: ligue 192.

Lesão no músculo da costela tem quais sintomas?

A lesão muscular intercostal causa dor em aperto que piora com a respiração profunda, a tosse e os movimentos do tronco, com pontos dolorosos à palpação. Costuma vir após esforço, torção ou tosse repetida. O exame que reproduz a dor ao pressionar a musculatura ajuda a confirmar.

Quando a dor na costela é preocupante?

É preocupante quando vem com aperto no peito, falta de ar, suor frio, palpitações, desmaio ou tosse com sangue, ou quando surge após trauma de alta energia: pronto-socorro ou 192. Bolhas em faixa, febre ou dor que não melhora em 1 a 2 semanas pedem consulta. O checklist separa cada conduta.

Dor entre as costelas pode ser neuralgia?

Sim. A dor entre as costelas, em faixa, em queimação ou choque, que segue o trajeto de uma costela e piora ao toque, é o padrão clássico da neuralgia intercostal. Vale inspecionar a pele do trajeto, pela possibilidade de herpes-zóster, e avaliar a coluna dorsal como possível origem.

Ansiedade causa dor na costela?

A ansiedade não inflama o nervo, mas deixa tensos os músculos entre as costelas e ao lado da coluna, faz respirar curto e aumenta a atenção à dor, o que pode manter uma neurite ou um ponto-gatilho doendo por mais tempo. Aperto no peito com falta de ar, suor frio ou náusea por mais de 10 minutos não deve ser atribuído à ansiedade: ligue 192.

Uma costela mais alta que a outra é problema?

Quase sempre é diferença de formato de nascença ou leve rotação do tronco, como na escoliose, e não dói por si. Marque consulta se a saliência surgiu de repente, depois de um trauma, se dói ao toque ou se está crescendo.

Quem trata dor na costela?

Depois de afastadas causas cardíacas e pulmonares, a dor de parede torácica costuma ser conduzida pelo médico fisiatra ou da dor, que define a origem (neuropática, óssea ou miofascial) e monta o plano, com medicação dirigida, técnicas em clínica e reabilitação.

Dr. Marcus Yu Bin Pai
Sobre o autor
Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP 158.074RQE 65.523 / 65.524 / 655.241

Médico especialista em Fisiatria e Acupuntura pela Associação Médica Brasileira, com área de atuação em Dor. Doutor em Ciências pela USP e médico colaborador do Grupo de Dor do HC-FMUSP.

Atuação acadêmica e institucional
  • Diretor do Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura
  • Professor Colaborador da Pós-Graduação em Dor da USP
  • Ex-membro da Câmara Técnica de Acupuntura do CREMESP
Revisão médica e editorial

Conteúdo revisado clinicamente por Prof. Dr. Hong Jin Pai. Tem finalidade educativa e cita fontes.

Referências6 fontes citadas neste artigoVerOcultar
  1. Fazekas D, Doroshenko M, Horn DB. Intercostal Neuralgia. StatPearls. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2023. acessar
  2. Mott T, Jones G, Roman K. Costochondritis: Rapid Evidence Review. Am Fam Physician. 2021;104(1):73 a 78. acessar
  3. Kuo K, Kim AM. Rib Fracture. StatPearls. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2023. acessar
  4. Chen N, Li Q, Yang J, Zhou M, Zhou D, He L. Antiviral treatment for preventing postherpetic neuralgia. Cochrane Database Syst Rev. 2014;2014(2):CD006866. doi:10.1002/14651858.CD006866.pub3. acessar
  5. Sollie et al. Acupuntura superficial no tratamento da neuralgia pós-herpética crônica. British Journal of Pain. 2022. ver resumo
  6. Ma et al. Como a acupuntura pode aliviar a dor neuropática: mecanismos através do sistema sensorial. Frontiers in Neuroscience. 2022. ver resumo
Leitura 36 min

Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação médica individual. Como o ponto de partida da dor na costela é separar a parede torácica de uma causa cardíaca ou pulmonar, o diagnóstico e a conduta precisam ser individualizados em consulta, com exame da própria pessoa. Diante de dor torácica com sinais de alerta, procure atendimento de emergência.

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  • Sinto uma dor terrível embaixo e costela flutuante, não sei identificar se é o rim ou a costela sei q sou muito ao movimentar ao deitar não consigo respirar de dor ao lado direito.e nessa crise que estamos estou com medo de ir ao hospital.oq devo fazer?
    Obrigada
    Att Renata chagas

  • Sinto muita dor na parte de trás próximo das escápulas. Na região das costelas mas atrás. Muito forte! Parece interna. Mas não sinto falta de ar. As vezes trava que não consigo mexer. Isso já tem mais de mês. Piora e melhora. O que pode ser?

  • Tenho um inchaço na costela esquerda embaixo dos seios e doi muito, principalmente se eu dormir do lado oposto ou se eu me sentar de mal jeito,é como se eu estivesse dado um mal jeito nela. Gostaria de mandar uma foto se possível. Obg

  • Sentir uma queimação em todas as costas ate pescoço ai depois so ficou do lado esquerdo das costas me ocasionando uma quentura na cabeça algo que nunca sentir antes goataria se saber se tem alguma orientação ja entrei em contato com o neuro e como estamos em tempo de pandemia nao podemos no expor muto

  • Paulo Roberto Feital

    Boa noite primeiramente parabéns D.Marcos. Marcos venho sentindo umas dores na costela do lado esquerdo bem no meio do peito, acredito mais o menos que seja a terceira de baixo paracima D.a muito anos sofri um assalto dentro da condução e o ladrão ao ver que eu estava demorando para dar os meus pertences ai ele me de com o cano do revólver no meu peito que doeu muito tive que ir até ao um Hospital porque quando eu respirava doía muito na chapa do tórax ficou direitinho a marca do cano do revólver. Isso aconteceu a mais de 20 Anos mais todas as vezes que faço muito esforço e pego peso fica doendo muito oque devo fazer D.Marcos agradeço a sua atenção e aguardo resposta obrigado.

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