Dor nas pernas: o que pode ser e quando investigar
A dor nas pernas tem origem muscular, nervosa, vascular, articular ou sistêmica, e o padrão da dor é o que aponta a causa.
- A maioria das dores nas pernas é musculoesquelética (sobrecarga, ponto-gatilho, cãibra) e melhora com medidas conservadoras.
- O que diferencia a causa é o padrão: dor que desce com formigamento sugere nervo; dor na panturrilha ao caminhar que passa parada sugere vaso; dor na articulação ao apoiar sugere joelho ou quadril.
- Inchaço, dor e calor numa só panturrilha, dor de repouso ou déficit neurológico são bandeiras vermelhas e pedem avaliação sem demora.
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Dor tem Tratamento. Foco em tratamentos não cirúrgicos para dor, reabilitação.
As grandes origens da dor nas pernas
Dor nas pernas é qualquer desconforto entre o quadril e o tornozelo, com origens distintas: muscular (sobrecarga, câimbra), neurológica ou referida da coluna (ciática), vascular (arterial ou venosa), articular (joelho, quadril) e sistêmica. O padrão da dor — onde dói, quando piora e o que alivia — aponta a causa.
A dor nas pernas não é um diagnóstico, é um sintoma com origens muito diferentes. Agrupar as causas em quatro grandes sistemas organiza o raciocínio e evita o erro mais comum: tratar todas as dores como se fossem cãibra ou cansaço. O sistema acometido muda o padrão da dor, o exame e a conduta.
As seções a seguir detalham mais de vinte causas dentro desses grupos. Para cada uma, o que importa na prática é o gatilho da dor, o trajeto e o que a faz melhorar ou piorar: é esse padrão, e não o nome isolado, que aponta a origem.
Causas musculoesqueléticas: as mais comuns
Respondem pela maioria das dores nas pernas no consultório. O elo comum é a relação com a carga e com a palpação: a dor tem um músculo, um tendão ou um movimento que a reproduz, e costuma melhorar com ajuste de esforço e reabilitação.
Cãibra muscular
Contração involuntária, intensa e breve, com frequência noturna ou após esforço, mais comum na panturrilha. Cede ao alongar o músculo em contração. Quando é muito frequente ou refratária, vale investigar desidratação, distúrbio eletrolítico (potássio, cálcio, magnésio) ou efeito de medicações.
Sobrecarga e dor muscular tardia
Dor difusa que surge 24 a 72 horas após esforço não habitual (corrida longa, agachamento, caminhada em ladeira). É sensível à palpação e ao movimento, autolimitada, e melhora com carga leve e progressiva. Reflete microlesão muscular adaptativa, não uma lesão estrutural.
Dor miofascial
Banda muscular tensa com um ponto hiperirritável que, à compressão, reproduz e refere a dor para longe do local. No membro inferior atinge o glúteo médio e mínimo, o vasto lateral, o gastrocnêmio e o sóleo. Costuma simular ciática ou dor articular, e a palpação dirigida é o que diferencia.
Tendinopatias
Dor localizada sobre o tendão (aquileu, patelar, isquiotibial proximal), pior no início da atividade e ao subir escadas, com espessamento à palpação. Está ligada ao volume e à progressão de carga, não a inflamação aguda, e responde a carga controlada antes de qualquer procedimento.
Canelite e síndrome do estresse tibial medial
Dor difusa ao longo da borda medial da tíbia em quem aumentou volume ou intensidade de corrida. Dói ao impacto e melhora no repouso. Fica no meio do caminho entre a sobrecarga benigna e a fratura por estresse, que precisa ser descartada se a dor virar focal e progressiva.
Estiramento e ruptura muscular
Dor súbita durante arranque ou salto, descrita como uma pedrada, com equimose e perda de força. Atinge reto femoral, isquiotibiais e a cabeça medial do gastrocnêmio (a clássica “tennis leg”). A intensidade da perda de força orienta a gravidade e a necessidade de imagem.
Síndrome compartimental crônica de esforço
Dor em aperto ou queimação que aparece de forma previsível após alguns minutos de exercício e cede ao parar, tipicamente no compartimento anterior da perna em corredores jovens. A relação rígida com o tempo de exercício é o que a distingue, e a confirmação é a medida de pressão intracompartimental.
Causas neurológicas e referidas
Aqui a dor da perna nasce fora dela: na coluna, na raiz nervosa ou no nervo periférico. A pista é a qualidade neuropática (queima, formiga, dá choque) e o trajeto que segue um nervo ou um dermátomo, muitas vezes com sintomas que a posição modifica.
Ciática e radiculopatia lombossacra
Dor que nasce na nádega e desce pelo trajeto do nervo até a perna ou o pé, com formigamento, queimação ou choque no dermátomo correspondente. Piora ao tossir ou fazer força (Valsalva) e à elevação da perna estendida (Lasègue). A origem está na coluna, em geral hérnia ou compressão de raiz, não na perna em si.
Estenose de canal e claudicação neurogênica
Dor, peso e parestesia em uma ou nas duas pernas ao caminhar ou ficar muito tempo em pé, que alivia ao sentar ou inclinar o tronco para a frente (o sinal do carrinho de supermercado). A flexão abre o canal e descomprime as raízes. É o principal diagnóstico a separar da claudicação vascular.
Neuropatia periférica
Queimação, formigamento e dormência que começam nos pés e sobem de forma simétrica, em distribuição “em bota”, pior à noite. Acomete as fibras finas e tem causas tratáveis por trás: diabetes, consumo de álcool, deficiência de vitamina B12 e quimioterapia. O controle da causa muda a evolução.
Meralgia parestésica
Queimação e dormência num retângulo na face ântero-lateral da coxa, sem fraqueza e sem dor referida da coluna. Decorre da compressão do nervo cutâneo femoral lateral sob o ligamento inguinal, favorecida por cinto apertado, obesidade ou gravidez. Reconhecer evita investigar a coluna sem necessidade.
Síndrome das pernas inquietas
Urgência de mover as pernas acompanhada de desconforto profundo, que aparece no repouso e no fim do dia e alivia com o movimento. Atrapalha o sono mais do que dói. Associa-se a baixa de ferro e a vias dopaminérgicas, e a investigação simples de ferritina costuma orientar a conduta.
Causas vasculares
As causas dos vasos se dividem em arteriais (falta de chegada de sangue) e venosas (dificuldade de retorno). O que as denuncia é a relação com a marcha e com a posição, e duas delas, a trombose e a isquemia aguda, são emergências que mudam tudo no atendimento.
Doença arterial periférica e claudicação intermitente
Dor em cãibra na panturrilha que aparece após caminhar uma distância previsível e some em poucos minutos de repouso em pé. Vem com pulsos diminuídos, pé frio e perda de pelos, em fumantes, diabéticos e idosos. O índice tornozelo-braquial confirma, e a dor de repouso indica isquemia avançada.
Insuficiência venosa crônica e varizes
Peso, dor surda e inchaço que pioram em pé e ao fim do dia e aliviam com a elevação das pernas. Acompanham varizes, edema vespertino e, com o tempo, manchas escuras e endurecimento da pele do tornozelo (dermatite ocre). O mecanismo é o refluxo venoso, e a base do manejo é a compressão.
Trombose venosa profunda
Dor, inchaço, calor e vermelhidão em uma única panturrilha, instalados em horas a dias, em quem tem fator de risco (imobilização, cirurgia recente, câncer, terapia hormonal). É uma emergência pelo risco de embolia pulmonar e precisa de avaliação e ultrassom sem demora, nunca de massagem.
Isquemia arterial aguda
Perna que fica subitamente fria, pálida, sem pulso e com dor intensa de repouso, às vezes com dormência e perda de força. É uma emergência vascular (os “6 Ps”) com janela de tempo curta para salvar o membro. Diante desse quadro, o caminho é o pronto-socorro imediato.
| Aspecto | Claudicação vascular (arterial) | Claudicação neurogênica (estenose de canal) |
|---|---|---|
| O que desencadeia | Caminhar uma distância previsível | Caminhar e, sobretudo, ficar em pé com a coluna estendida |
| O que alivia | Parar de pé, em poucos minutos | Sentar ou inclinar o tronco para a frente |
| Subir ladeira ou escada | Piora (mais demanda de fluxo) | Tolera melhor (tronco flexiona) |
| Pulsos e pele | Pulsos reduzidos, pé frio, sem pelos | Pulsos normais, sem alteração de perfusão |
| Sintoma associado | Cãibra que some parado | Parestesia e peso que dependem da postura |
Causas articulares, ósseas e sistêmicas
Quando a dor não cabe bem em músculo, nervo ou vaso, entram as articulações que referem dor para a perna, o osso que sofre com carga e as condições sistêmicas (metabólicas, endócrinas e medicamentosas) que se manifestam como dor e fraqueza musculares.
Artrose de joelho e quadril
Dor que piora com o uso e melhora no repouso, com rigidez matinal curta e crepitação. A artrose de quadril (coxartrose) costuma referir dor para a virilha, a coxa e até o joelho, o que confunde a localização. A perda de mobilidade do quadril ao exame ajuda a achar a origem real.
Fratura por estresse
Dor óssea focal e progressiva ao impacto, em quem aumentou carga de treino (corredor, militar, bailarino), tipicamente na tíbia e nos metatarsos. Há um ponto doloroso bem definido sobre o osso. A progressão e o caráter focal a separam da canelite e exigem alívio de carga e imagem.
Deficiência de vitamina D e osteomalácia
Dor óssea difusa associada a fraqueza muscular proximal, com dificuldade para levantar de uma cadeira ou subir escadas. O quadro é insidioso e laboratorial, e a correção da deficiência costuma melhorar a dor e a força ao longo de semanas.
Distúrbios eletrolíticos
Baixas de potássio, cálcio ou magnésio cursam com cãibras e mialgia, às vezes com parestesias. Entram na investigação quando as cãibras são frequentes, refratárias ou associadas a vômitos, diarreia, diuréticos ou doença renal, situações em que o exame de sangue muda a conduta.
Mialgia por medicações
Dor e fraqueza musculares simétricas e proximais relacionadas ao início ou ao aumento de uma estatina são a causa medicamentosa mais comum. A relação temporal com o fármaco e a dosagem de CK orientam, e o ajuste guiado pelo médico costuma resolver sem abandonar a proteção cardiovascular.
Hipotireoidismo e causas inflamatórias
Hipotireoidismo cursa com mialgia, cãibras, rigidez e fadiga; doenças inflamatórias e reumatológicas podem dar dor muscular proximal com sinais sistêmicos. Quando a dor nas pernas vem com cansaço, alteração de peso, febre ou rigidez prolongada, a investigação olha além do aparelho locomotor.
Como diferenciar pelo padrão
O padrão da dor (o que desencadeia, como é a sensação, o que alivia e onde dói) costuma apontar a origem antes de qualquer exame. A tabela abaixo resume as pistas que mais ajudam a separar os grupos.
| Causa | Padrão típico | O que fazer |
|---|---|---|
| Muscular / tendínea (sobrecarga, ponto-gatilho) | Dor ligada ao esforço e à palpação do músculo ou tendão; melhora com repouso relativo | Ajuste de carga, alongamento, reabilitação; avaliar se for fisgada localizada |
| Cãibra | Contração súbita e intensa, muitas vezes noturna; cede ao alongar | Hidratação, alongamento; investigar causas se recorrente à noite |
| Neurológica / referida (ciática, radiculopatia) | Dor que desce da nádega pela perna, com formigamento, queimação ou choque, no trajeto do nervo | Avaliar coluna; ver dor ciática |
| Neuropatia (ex.: diabética) | Queimação e dormência bilaterais, em “bota e luva”, pior à noite | Controle metabólico e manejo da dor; dor nas pernas de diabéticos |
| Vascular venosa (insuficiência) | Peso e inchaço que pioram em pé e ao fim do dia; alívio ao elevar a perna | Medidas posturais, meia de compressão; avaliação especializada |
| Vascular arterial (claudicação) | Cãibra na panturrilha ao caminhar distância previsível; passa em poucos minutos de repouso | Avaliação vascular sem demora; ver dor na panturrilha |
| TVP (bandeira vermelha) | Dor, inchaço, calor e vermelhidão numa só panturrilha, instalação rápida | Avaliação médica imediata |
| Articular (joelho / quadril) | Dor localizada na junta, piora ao apoiar e ao usar; rigidez inicial | Reabilitação; avaliação da articulação |
- O que desencadeia. Esforço aponta músculo, tendão ou artéria; ficar em pé aponta veia; certo movimento da coluna aponta nervo.
- A sensação. Queimação, choque e formigamento sugerem nervo; peso e cansaço sugerem veia; dor mecânica localizada sugere músculo ou articulação.
- O que alivia. Elevar a perna alivia a veia; parar de caminhar alivia a claudicação arterial; alongar alivia a cãibra.
- A distribuição. Trajeto de nervo (uma perna), “bota e luva” (neuropatia, as duas), ou uma só panturrilha inchada (pensar em TVP).
“Dor nas pernas é sempre má circulação.”
A maioria é de origem muscular ou tendínea. A causa vascular existe e é importante, mas tem padrão próprio (peso ao fim do dia na veia; cãibra ao caminhar na artéria) e precisa ser confirmada, não presumida.
Na triagem do consultório, a pergunta que mais separa as três grandes pistas (vascular, neurogênica e muscular) é simples: a dor depende de caminhar, de ficar em pé ou de mexer a coluna e a perna? A relação com a caminhada é a que mais informa. A claudicação arterial tem uma assinatura quase cronométrica, surge depois de uma distância parecida a cada vez e cede em poucos minutos parado; já a dor da estenose de coluna também aparece ao andar, mas alivia ao sentar e curvar o tronco, não só ao parar, e essa diferença costuma valer mais que muitos exames.
O sinal que aprendi a nunca relativizar é a dor que aparece em repouso, sobretudo no pé pendente para fora da cama à noite e que melhora ao deixar a perna para baixo: ela aponta para isquemia, é o oposto da dor mecânica que melhora deitando, e muda a urgência do encaminhamento na hora. À palpação, é frequente reproduzir exatamente a queixa pressionando um ponto-gatilho da panturrilha ou do glúteo, e o que mais surpreende quem chega convencido de “má circulação” é descobrir que a dor era miofascial; o inverso também ocorre, com uma fisgada atribuída a “mau jeito” que, no exame, tinha trajeto e características de raiz nervosa.
Sinais de alerta: quando não esperar
A maior parte das dores nas pernas é benigna, mas alguns achados mudam a urgência. Procure atendimento sem demora diante de qualquer um destes:
Procure avaliação sem demora se houver
- Inchaço, dor, calor e vermelhidão em uma só panturrilha (suspeita de trombose venosa profunda).
- Falta de ar súbita, dor no peito ou tosse com sangue associadas à dor na perna (suspeita de embolia pulmonar).
- Perna fria, pálida, sem pulso ou com dor intensa de repouso (suspeita de isquemia arterial aguda).
- Fraqueza progressiva, dificuldade para caminhar ou perda de controle para urinar ou evacuar.
- Febre, vermelhidão que se alastra e dor importante (suspeita de infecção, como erisipela).
- Dor após trauma significativo, com deformidade ou incapacidade de apoiar o peso.
Cada sinal aponta uma causa que não pode esperar: o inchaço unilateral com calor levanta a hipótese de TVP, que tem risco de embolia pulmonar; a perna fria e sem pulso sugere obstrução arterial aguda; o déficit neurológico que progride, com alteração de esfíncteres, sugere compressão de raízes que exige conduta imediata. Na ausência desses achados, a dor nas pernas costuma ser benigna e pode ser conduzida de forma conservadora, com reavaliação se não melhorar.
Como a dor nas pernas é avaliada
A avaliação parte de uma triagem prática: a dor parece muscular/articular, tem caráter neuropático (trajeto, queimação, formigamento) ou há sinais que apontam para o vaso? A história e o exame respondem à maior parte disso antes de qualquer imagem.
- História dirigida
Início, o que piora e o que alivia, relação com esforço, postura e horário; presença de formigamento, peso ou cãibra; fatores de risco vascular e metabólico.
- Inspeção e palpação
Inchaço, varizes, cor e temperatura da pele; palpação de músculos e tendões em busca de pontos-gatilho e do ponto exato de dor.
- Exame vascular
Pulsos periféricos (pedioso e tibial posterior), comparação entre as duas pernas e sinais de estase venosa.
- Exame neurológico
Força por miótomo, reflexos e sensibilidade; manobras como a elevação da perna estendida (Lasègue) quando se suspeita de raiz lombar.
A imagem e os exames são dirigidos pela suspeita, não pedidos em bloco. Ultrassom com Doppler venoso quando se cogita TVP; índice tornozelo-braço e Doppler arterial na suspeita de claudicação; ressonância de coluna na radiculopatia com déficit ou dor persistente; e exames laboratoriais (incluindo glicemia e função tireoidiana) quando o quadro sugere neuropatia. Pedir imagem de coluna cedo demais costuma revelar achados degenerativos comuns mesmo em quem não tem dor, o que pode gerar preocupação e intervenções desnecessárias.
O tratamento depende da causa
O tratamento da dor nas pernas começa pela causa. Aliviar o sintoma sem entender o mecanismo funciona por pouco tempo e costuma atrasar o que realmente resolve. Por isso a conduta se organiza por origem. A maior parte do trabalho do consultório de dor recai sobre as causas musculoesqueléticas e neuropáticas, sempre dentro de um plano multimodal e individualizado; as causas vasculares e sistêmicas seguem caminhos próprios, e o papel aqui é reconhecê-las e encaminhar no tempo certo.
Origem musculoesquelética: reabilitação ativa e procedimentos médicos
Para sobrecarga, dor miofascial e tendinopatia, a base é a reabilitação ativa. A cinesioterapia com progressão de carga reconstrói a capacidade do tecido; a reeducação postural global (RPG) e o Pilates clínico corrigem o gesto e o desequilíbrio que adoeceram o músculo ou o tendão. Sem essa base, qualquer alívio é temporário.
Sobre ela, o componente miofascial responde bem ao agulhamento seco, à infiltração de ponto-gatilho e à acupuntura médica, que reduzem a dor referida da banda tensa e devolvem amplitude para reabilitar. Nas tendinopatias do aquileu e do patelar, o eixo é a carga progressiva e a paciência; as ondas de choque entram como adjuvante nos casos que estacionam após semanas de reabilitação bem conduzida. A medicação tem papel coadjuvante e prazo definido: anti-inflamatório por período curto na crise, analgésico para permitir o movimento. Ela abre espaço para reabilitar, não é o tratamento em si.
Quando a dor se concentra num ponto de aprisionamento ou numa entese específica, a infiltração ecoguiada de ponto-gatilho e os bloqueios dirigidos (por exemplo, do piriforme na dor glútea profunda que desce pela coxa) aliviam o suficiente para a reabilitação avançar; a eletroacupuntura e a PENS ajudam no componente neuropático sobreposto.
Origem neuropática: tratar o nervo e a coluna
Quando a dor é neuropática (ciática, radiculopatia, neuropatia periférica), o plano combina reabilitação dirigida ao padrão de raiz e mobilização neural com o controle farmacológico da dor neuropática por classes apropriadas: gabapentinoides, duloxetina e antidepressivos tricíclicos em dose ajustada, escolhidos pelo perfil do paciente. Em casos selecionados e refratários, procedimentos guiados por imagem têm lugar. Na claudicação neurogênica da estenose, o condicionamento em flexão, o ganho de capacidade de marcha e o controle de peso são parte do tratamento. Na neuropatia periférica, tratar a causa de fundo (controle glicêmico no diabético, reposição de B12, revisão de fármacos neurotóxicos) muda a evolução mais do que qualquer analgésico isolado.
Origem vascular e sistêmica: reconhecer e encaminhar
As causas vasculares não se tratam com o arsenal da dor musculoesquelética. A doença arterial periférica pede controle rigoroso de fatores de risco (cessação do tabagismo, controle de glicemia, pressão e colesterol) e programa estruturado de caminhada, com avaliação vascular para decidir se há indicação de revascularização. A insuficiência venosa se maneja com compressão elástica graduada, elevação e cuidados de pele.
A trombose venosa profunda e a isquemia arterial aguda são emergências e seguem direto para o serviço apropriado. As causas sistêmicas (distúrbio eletrolítico, deficiência de vitamina D, hipotireoidismo, mialgia por estatina) se resolvem corrigindo o fator de base, em geral com o clínico ou o especialista da área, e não com tratamento local da perna.
Identificada a origem, o tratamento começa pela base ativa e pelo controle da dor que permite o movimento, reavalia em poucas semanas e só então decide a próxima camada: um procedimento guiado, um ajuste farmacológico ou um encaminhamento. A duração e a intensidade de cada etapa se ajustam à resposta funcional ao longo do acompanhamento.
Autocuidado e prevenção
Boa parte das recorrências pode ser reduzida com hábitos simples, ajustados à causa. Pequenas medidas constantes costumam valer mais do que esforços pontuais.
- Progredir treino e caminhadas de forma gradual, respeitando a recuperação muscular.
- Alongar panturrilha e coxa, sobretudo se há cãibras noturnas, e manter boa hidratação.
- Elevar as pernas ao fim do dia e usar meia de compressão se há peso e inchaço de origem venosa.
- Fazer pausas para mover as pernas em viagens longas e períodos sentado prolongados.
- Controlar glicemia, pressão e peso, e não fumar, quando há risco vascular ou neuropático.
Dor que persiste, piora ou vem com sinais de alerta merece consulta.
Movimento e progressão
Manter as pernas ativas, com aumento gradual de carga e mobilidade dentro do conforto, costuma acelerar a recuperação musculoesquelética.
Imobilidade e excesso súbito
Longos períodos parado favorecem estase venosa e cãibra; o salto brusco de carga favorece sobrecarga e tendinopatia.
Centro de Dor
Listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED)
Centro de Tratamento por Ondas de Choque
Listado pela Sociedade Médica Brasileira de Tratamento por Ondas de Choque (SMBTOC)
Clínica listada
Listada pelo Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura (CMBA)
Perguntas frequentes
Dor nas pernas o que pode ser?
As causas se agrupam em quatro origens: muscular ou tendínea (a mais comum, por sobrecarga, ponto-gatilho ou cãibra), neurológica ou referida (ciática, radiculopatia, neuropatia), vascular (insuficiência venosa, claudicação arterial, trombose) e articular (joelho e quadril). O padrão da dor orienta a causa, e a avaliação confirma.
O que é o desconforto nas pernas que piora à noite ou em repouso?
Desconforto, peso ou necessidade de mexer as pernas em repouso, sobretudo à noite, pode ter várias causas, de cãibras e insuficiência venosa à síndrome das pernas inquietas e à neuropatia. O detalhamento e como aliviar estão no guia de dor nas pernas de madrugada.
Benerva (vitamina B1) serve para dor nas pernas?
A vitamina B1 (tiamina) faz sentido como reposição quando há deficiência, situação em que pode aliviar sintomas de neuropatia carencial. Não é, porém, um analgésico para qualquer dor nas pernas: é coadjuvante, e não a base do tratamento. A indicação cabe ao médico assistente.
Acordar com dor nas pernas é normal?
Acordar com dor pode relacionar-se a cãibras noturnas, sobrecarga do dia anterior, posição ao dormir ou a um componente neuropático que piora à noite. Se é recorrente, vale identificar a causa; veja como aliviar a dor de madrugada.
Como sei se a dor é de circulação?
A dor venosa costuma dar peso e inchaço que pioram em pé e ao fim do dia, com alívio ao elevar a perna. A dor arterial (claudicação) é uma cãibra na panturrilha que aparece ao caminhar e passa parado. Inchaço com calor numa só panturrilha pede avaliação sem demora pelo risco de trombose. Detalhe em dor na panturrilha.
Dor que desce da coluna para a perna é ciática?
Dor que parte da nádega e desce pela coxa e pela panturrilha, com formigamento ou choque, costuma ter origem na raiz nervosa lombar, quadro conhecido como dor ciática. Veja o guia sobre dor ciática.
Dor nas pernas em quem tem diabetes é diferente?
Pode ser. A neuropatia diabética dá queimação, dormência e dor que pioram à noite, em geral nas duas pernas. O controle metabólico é parte do tratamento. Veja como aliviar dores nas pernas de diabéticos.
Quando devo procurar um especialista?
Quando a dor não melhora em algumas semanas, recorre com frequência, irradia com formigamento ou fraqueza, ou diante de qualquer sinal de alerta (sobretudo inchaço e calor numa só panturrilha). Um médico fisiatra ou da dor define a origem e monta o plano, encaminhando ao especialista vascular quando necessário.
Referências6 fontes citadas neste artigoVerOcultar
- Bateman A, et al. Condições musculoesqueléticas que imitam radiculopatia lombossacral. Muscle & Nerve. 2024. ver resumo
- Tu JF, et al. Acupuntura reduz dor e melhora função na ciática crônica por hérnia de disco. JAMA Internal Medicine. 2024. ver resumo
- Powell A. Office Evaluation of Leg Pain. Seminars in Interventional Radiology. 2009;26(4):281 a 285. acessar
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Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação médica individual.

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Tive sintomas de covid19 recentes e junto uma gastrite . agora sinto dores no peito e na parte da frente das coxas ao tocar e ao andar. Devo ir a uma emergência?
Dr estou com muita dor pernas geralmente são a noite do joelho pra baixo não incha muita dor as vezes parece ser dentro do osso me ajuda
Bom dia !Dr estou sentindo muita dor na perna esquerda, mas as vezes doi tudo pescoço costas e as duas pernas , de vezes e quando tenho uns calafrios calafrios que só passa com compressa de água quente, já fiz vários exames e não descobrem o meu problema, o que devo fazer ?obrigado..
Depois de ter covid por 2 vezes venho sentindo bastante dor na parte da frente da colocas e acompanhadas as vezes com tonturas uma sensação de mau estar fiz uma dorĺex da perna e estou com com refluxo na parte acima do tornozelo na minha perna direita isso acabou rompendo uma úlcera no mas de outubro de 2020 cicatrizou so que tem uns 2 meses que o local acima do meu tornozelo estar endurecido e bem dolorido tenho tomado profenidd mas tem melhoras tomei uma bezetacil tem 15 dias nao vi muito resultado desde que continua endurecido o local e dolorido quando elevo as pernas ao invés de melhorar so piora sinto uma fisgada no local a minha preocupação é estava com consulta marcada com o angiologista mais foi adiada para final de abril por conta da pandemia estou preocupada por estar sentindo câimbra dor na região afetada e agora dor na parte da coxas o que fazer
Faz alguns dias que estava sentindo dor na lombar, tomei alguns medicamentos e daí a dor desceu para a coxa esquerda próximo ao joelho, uma dor tipo queimação, não consigo andar é uma dor intensa, estou tomando anti inflamatório e analgésicos mas não estão adiantando, o que devo fazer?? Quais os procedimentos devo tomar? É uma dor insuportável. Obrigada pela orientação, obs: nunca tive antes, tenho 67 anos
Sinto dores nas pernas em repouso, tenho que dormir com botija quente de verão e inverno, só assim é que atua a dor, já fui várias vezes ao médico e não sabem o que é.