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Fisgada na perna: o que pode ser?

Existe uma variedade de condições clínicas que possuem como sintoma fisgada na perna. Por isso, é preciso realizar o diagnóstico adequado, identificando assim a causa e, consequentemente, eliminando o desconforto por meio de tratamentos específicos. 

O que é?

Fisgada na perna

Uma fisgada na perna pode indicar desde um cansaço, pós intenso treinamento, como a presença de uma fibromialgia, por exemplo. Por isso, é essencial que ao apresentar tal sintoma, busque-se ajuda de um médico para descobrir a sua real causa. 

Em geral, ela não ocorre isoladamente e tem associação com diferentes sintomas, os quais ajudam o clínico a identificar a presença de alguma patologia complexa. 

Vale salientar que as condições associadas à fisgada na perna e que não envolvem maiores riscos são: 

  • Sobrecarga da musculatura ocasionada pela prática de atividade física
  • Caminhar longa distância sem que o organismo esteja habituado
  • Canelite desencadeada por excesso de treino
  • Manter-se de pé por longos períodos

A seguir, porém, iremos abordar em mais detalhes causas que exigem maiores cuidados. 

Causas comuns

Neuralgias

Quando ocorre o dano em um nervo, desenvolve-se o que chamamos de neuralgia. Essas lesões podem ser ocasionadas por trauma direto, infecção por agentes patogênicos, compressão devido a alguma modificação anatômica, processos inflamatórios, etc. 

Geralmente, a neuralgia que pode promover a fisgada na perna é a do nervo ciático, o qual abrange a área que vai desde a lombar até o pé, inervando toda região dos glúteos, coxas e pernas. 

 

Alterações na coluna lombar

A coluna lombar é responsável por sustentar o peso corporal, possibilitar a manutenção de uma postura adequada e conferir mobilidade. Além disso, é constituída por cinco vértebras e seus relativos discos intervertebrais, bem como músculos, articulações e ligamentos que garantem sua estrutura.

A alteração em qualquer um desses componentes pode desencadear patologias osteomusculares específicas, as quais apresentam como sintoma dores nas pernas. 

Para exemplificar citamos três situações reconhecidas por promoverem as fisgadas: hérnia de disco, estenose discal lombar e osteoartrite.

Condições autoimunes

As doenças autoimunes acontecem quando o sistema imunológico do paciente produz anticorpos que atacam substâncias do próprio corpo, desencadeando assim uma resposta inflamatória e comprometendo o funcionamento do organismo. 

A musculatura, o sistema nervoso ou as articulações, são exemplos de sistemas que podem ser lesionados por causa dessas patologias. 

Em relação à fisgada na perna, doenças como a esclerose múltipla, o lúpus erimatoso sistêmico e a fibromialgia costumam apresentá-la como sintoma. 

Destacamos que na esclerose múltipla o sistema nervoso é atacado pelos anticorpos; no lúpus as articulações, dentre outros sistemas, são prejudicadas; e na fibromialgia o dano ocorre nos músculos. 

Diabetes tipo II

O diabetes tipo II é uma doença caracterizada pela má absorção do hormônio insulina pelo organismo. Consequentemente, a regulação dos níveis de glicose fica alterada e gera os diferentes sintomas, dentre os quais destaca-se dores e fisgadas nas pernas. 

Ressaltamos que o seu surgimento e progressão estão relacionados ao sedentarismo, a má alimentação, a níveis elevados de triglicerídeos e a hipertensão, principalmente. 

Doença arterial periférica

Na doença arterial periférica há um acúmulo de gordura nos vasos sanguíneos. As consequências são: processo inflamatório nos vasos, enrijecimento dos mesmos e, finalmente, alteração da irrigação do sangue nas pernas. 

As causas para essa patologia são excesso de peso, hipercolesterolemia, hipertensão e idade superior a 60 anos. Além disso, ela pode ocorrer junto ao diabetes tipo II. 

Dentre as complicações mais graves da doença arterial periférica destacamos o acidente vascular cerebral e o infarto do miocárdio. 

Trombose venosa profunda

Quando há a formação de um coágulo sanguíneo em uma veia profunda, surge a trombose venosa profunda. Esta tem como consequência grave a embolia pulmonar. 

Os fatores de risco associados à trombose são: doenças cardíacas, distúrbios da coagulação, lesões nas veias, hereditariedade, sobrepeso, tabagismo, gravidez e redução do fluxo sanguíneo por imobilidade. 

Embora a formação dos trombos possa ocorrer em qualquer veia profunda, é mais frequente nas veias das pernas, e são nesses casos que pode apresentar como sintoma a fisgada na região. 

Síndrome da perna inquieta

Síndrome da perna inquieta, ou doença de Willis-Ekbom, é uma patologia caracterizada pela necessidade do paciente em movimentar suas pernas de forma incessante em momentos específicos do seu dia. Estes são associados aos períodos de repouso, mais especificamente antes de dormir. 

Logo, tal condição compromete bastante a rotina do paciente, pois este fica cansado e sonolento pela falta de uma noite dormida com qualidade. 

Mesmo que seja complexa a identificação da causa específica da síndrome, sabe-se que existe relação com níveis reduzidos de ferro e dopamina no organismo, assim como o excesso de consumo de cafeína e absorção de nicotina.

O diagnóstico da condição exige uma investigação cuidadosa.

Diagnóstico

Para descobrir a causa da fisgada na perna o médico deve fazer um diagnóstico que envolve tanto o exame físico e a coleta de dados sobre o histórico do paciente, como exames de imagem e de sangue, visando identificar ou excluir determinadas patologias. 

Como exemplo podemos citar exames de imagem como as radiografias, a ressonância magnética, a ultrassonografia com doppler, a tomografia computadorizada, etc. 

Já em relação aos exames sanguíneos, ressaltamos que eles são bastante singulares para cada suspeita de doença associada ao sintoma em questão.

Sintomas

Em geral, a fisgada na perna é acompanhada por outros sintomas, principalmente quando indica uma patologia mais complexa. 

Elencamos abaixo certos sinais frequentemente associados a ela: 

  • Fraqueza na perna 
  • Redução da coordenação motora 
  • Perda da sensibilidade 
  • Câimbras
  • Inchaço 
  • Vermelhidão
  • Formigamento
  • Queimação
  • Mobilidade reduzida 

É essencial que o paciente esteja atento a todos os sintomas presentes quando vai ao médico, pois são eles que fornecem os indicativos para o clínico sobre quais as possíveis doenças relacionadas e, consequentemente, quais exames realizar.

Tratamento

Dor na perna

Como a fisgada na perna pode ser decorrente de uma diversidade de condições clínicas, é necessário realizar um diagnóstico completo para, na sequência, fazer o tratamento específico para cada situação. 

Porém, antes mesmo da identificação da causa pode-se aliviar os sintomas por meio de medidas como: 

  • Termoterapia
  • Liberação miofascial
  • Repouso
  • Uso de fármacos tópicos com ação analgésica e/ou anti-inflamatória

Desta maneira, consegue-se uma redução do desconforto até que se compreenda a causa inicial da fisgada na perna. 

Existem também certas medidas preventivas que reduzem a possibilidade de desenvolver algum quadro clínico causador dessas fisgadas. Dentre elas citamos: 

  • Minimizar a influência de situações estressantes no dia a dia
  • Prática constante de exercícios físicos
  • Manter postura adequada durante as atividades cotidianas 
  • Alimentação saudável e balanceada
  • Evitar sobrepeso
  • Não fumar

Além disso, manter-se atento aos sinais do próprio corpo é uma conduta importante, e a partir dela pode-se buscar ajuda médica e identificar patologias em seus estágios iniciais, evitando assim a progressão e o agravamento de doenças que comprometem gravemente a saúde geral do paciente. 

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 / RQE: 65523 - 65524 | Médico especialista em Fisiatria e Acupuntura. Área de Atuação em Dor pela AMB. Doutorando em Ciências pela USP. Pesquisador e Colaborador do Grupo de Dor do Departamento de Neurologia do HC-FMUSP. Diretor de Marketing do Colégio Médico de Acupuntura do Estado de São Paulo (CMAeSP). Integrante da Câmara Técnica de Acupuntura do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP). Secretário do Comitê de Acupuntura da Sociedade Brasileira para Estudo da Dor (SBED). Professor convidado do Curso de Pós-Graduação em Dor da Universidade de São Paulo (USP). Membro do Conselho Revisor - Medicina Física e Reabilitação da Journal of the Brazilian Medical Association (AMB).

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