Dor sacroilíaca: quando a dor no quadril vem da pelve
A dor na parte de trás da pelve e da nádega tem muitas origens: disfunção mecânica da sacroilíaca, sacroileíte inflamatória, dor referida da coluna, síndrome do glúteo profundo, tendinopatia glútea, gravidez e causas viscerais.
- A dor na parte de trás da pelve e da nádega tem origens muito diferentes: a mais comum é a disfunção mecânica da articulação sacroilíaca, mas o mesmo lugar pode doer por sacroileíte inflamatória, dor referida da coluna, síndrome do glúteo profundo, tendinopatia glútea ou causas viscerais.
- O que separa as causas é o padrão: dor de um lado no ponto de Fortin que piora ao levantar aponta a sacroilíaca mecânica; rigidez matinal longa em adulto jovem que melhora ao mexer aponta causa inflamatória; dor que desce abaixo do joelho com formigamento aponta a raiz nervosa.
- Febre, perda de peso, dor de ritmo inflamatório noturno em jovem, trauma em osteoporótico ou déficit neurológico progressivo são bandeiras vermelhas e pedem avaliação sem demora.
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Dor tem Tratamento. Foco em tratamentos não cirúrgicos para dor, reabilitação.
Onde nasce a dor na parte de trás da pelve
A dor na nádega e na lombar baixa, ao lado da coluna, ocupa um território anatômico estreito que várias estruturas compartilham: a articulação sacroilíaca, os músculos e tendões do glúteo, as raízes nervosas lombossacras, o próprio sacro e estruturas viscerais da pelve. Por isso, “dor na sacroilíaca” é uma localização, não um diagnóstico fechado, e a tarefa central é descobrir qual estrutura está doendo.
A articulação sacroilíaca é uma junta pouco móvel e muito carregada, entre o sacro e o osso ilíaco, logo abaixo da espinha ilíaca póstero-superior (a covinha na base da coluna). Quando ela é a fonte, a dor costuma ficar de um lado, abaixo dessa covinha, e a pessoa aponta o ponto com um único dedo, o chamado sinal do dedo de Fortin. Mas o mesmo ponto pode doer por causas que nada têm a ver com a articulação: uma raiz nervosa irritada na coluna, um tendão glúteo sobrecarregado, um músculo profundo comprimindo o nervo isquiático ou, mais raramente, uma fratura, uma infecção ou um problema visceral que refere dor para a pelve.
A divisão que mais orienta a conduta é entre dor mecânica (a maioria: sobrecarga, gravidez, assimetria de marcha, trauma) e dor inflamatória (sacroileíte das espondiloartrites). O ritmo dos sintomas separa as duas: a mecânica piora com o esforço e melhora com o repouso; a inflamatória traz rigidez matinal longa, melhora ao mexer-se e desperta na segunda metade da noite. As seções a seguir percorrem as causas reais agrupadas por mecanismo, antes de mostrar como diferenciá-las no exame.
Causas articulares da pelve: as mais comuns
Quando a dor vem mesmo da articulação sacroilíaca, ela se divide em dois grandes mundos com tratamentos opostos: o mecânico, ligado a carga, e o inflamatório, ligado a doença sistêmica. Reconhecer qual dos dois está em jogo é a decisão diagnóstica mais importante desta página.
Disfunção sacroilíaca mecânica
Dor de um lado, abaixo do ponto de Fortin, que piora ao levantar da cadeira, subir escada, virar na cama e apoiar mais naquela perna. Irradia para a nádega e a parte alta da coxa, mas raramente passa do joelho. Decorre de sobrecarga, assimetria de marcha ou trauma, e os testes de provocação reproduzem a queixa. É a causa mais frequente.
Sacroileíte inflamatória da espondiloartrite axial
Dor nas nádegas em adulto jovem, com início antes dos 40 anos, duração de mais de três meses, rigidez matinal acima de 30 minutos, melhora com o movimento e despertar na segunda metade da noite. Pode alternar de lado. É inflamação da articulação por doença sistêmica (espondilite anquilosante e afins), e o manejo é do reumatologista, não mecânico.
Dor da cintura pélvica na gravidez
Dor sobre uma ou ambas as sacroilíacas e a sínfise púbica que surge na gestação ou no pós-parto, pior ao andar, virar na cama e subir escada. A frouxidão ligamentar hormonal e o deslocamento do centro de gravidade sobrecarregam a articulação. Em geral é benigna e responde bem a estabilização orientada e ajuste de carga.
Coluna lombar: faceta e disco
Dor referida da articulação facetária ou do disco L5-S1, mais central e na linha da coluna, que piora ao curvar ou estender o tronco. Pode imitar a dor sacroilíaca por proximidade, mas os testes de provocação da pelve costumam ser negativos e a dor responde aos movimentos da coluna, não à carga da articulação.
Causas referidas e neurológicas
Parte das dores sentidas na sacroilíaca não nasce ali: nasce numa raiz nervosa, num nervo periférico comprimido no glúteo ou no próprio quadril, que refere dor para a região posterior da pelve. O traço comum é uma dor que foge do padrão mecânico local.
Radiculopatia lombossacra (ciática) L5-S1
Dor que nasce na nádega e desce pelo trajeto do nervo até a perna ou o pé, com formigamento, queimação ou choque no dermátomo. Piora à tosse e ao esforço (Valsalva) e à elevação da perna estendida (Lasègue). Origem na compressão de raiz na coluna, em geral hérnia L5-S1. O fato de ultrapassar o joelho a separa da sacroilíaca.
Síndrome do glúteo profundo e do piriforme
Dor profunda na nádega, pior ao sentar por tempo prolongado e ao cruzar a perna, às vezes com formigamento posterior na coxa. Decorre da compressão do nervo isquiático pelo piriforme ou pela musculatura glútea profunda. A palpação sobre o trajeto do piriforme reproduz a dor, e a manobra de tensão do isquiático ajuda a confirmar.
Quadril: artrose e impacto femoroacetabular
Dor profunda na virilha e na frente da coxa ao girar o quadril, agachar ou ficar muito tempo sentado, com perda de rotação interna ao exame. A coxartrose costuma referir dor para a nádega e o joelho e confundir a localização. A manobra de impacto (flexão, adução e rotação interna) reproduz a queixa e aponta a articulação do quadril.
Estenose de canal e claudicação neurogênica
Dor, peso e parestesia em uma ou nas duas nádegas e pernas ao caminhar ou ficar em pé, que aliviam ao sentar e inclinar o tronco para a frente. A flexão abre o canal e descomprime as raízes. Surge no idoso e pode somar-se à dor da sacroilíaca, exigindo separar o que vem da pelve do que vem do canal estreito.
Causas musculotendíneas e miofasciais
Os tendões e músculos que cercam a articulação adoecem por carga e referem dor para o mesmo ponto, imitando a sacroilíaca. Como são superficiais e acessíveis, costumam ser a parte mais tratável do quadro quando bem identificados.
Tendinopatia glútea do glúteo médio e mínimo
Dor sobre o trocânter maior e a lateral do quadril, pior ao deitar sobre o lado, subir escada e ficar em pé apoiando numa perna. Está ligada à sobrecarga dos tendões do glúteo médio e mínimo em sua inserção, não a inflamação aguda. A palpação direta do trocânter e os testes de carga em apoio unipodal reproduzem a dor.
Tendinopatia isquiotibial proximal
Dor profunda na base da nádega, sobre o ísquio, pior ao sentar em superfície dura, correr e alongar a parte de trás da coxa. Decorre da sobrecarga da inserção dos isquiotibiais no túber isquiático, comum em corredores e em quem passa muito tempo sentado. A palpação do ísquio e a contração resistida do isquiotibial reproduzem a queixa.
Dor miofascial glútea e lombar
Ponto-gatilho no glúteo médio, no glúteo máximo ou no quadrado lombar que, à compressão, reproduz e projeta a dor para a nádega e a crista ilíaca, imitando ou amplificando a dor da articulação. A palpação dirigida encontra a banda tensa e a resposta de contração local, e a dor não tem ritmo inflamatório nem trajeto de nervo.
Bursite isquiática e trocantérica
Dor localizada sobre a bolsa do ísquio (ao sentar) ou do trocânter (ao deitar de lado), por atrito e sobrecarga repetida, às vezes com sensibilidade pontual à palpação. Acompanha com frequência a tendinopatia vizinha e melhora com alívio de carga e correção do gesto que a provoca, não com repouso absoluto.
Causas ósseas, sistêmicas e viscerais
Um grupo menor de causas é mais raro, porém mais grave, e justifica a atenção às bandeiras vermelhas. Aqui a dor na pelve é a porta de entrada para um problema ósseo, infeccioso, tumoral ou de um órgão vizinho.
Fratura por estresse do sacro
Dor óssea focal na nádega e no sacro, progressiva ao impacto e à carga, em corredores que aumentaram volume ou em pessoas com osteoporose (fratura por insuficiência), incluindo idosas e gestantes no pós-parto. Há ponto doloroso bem definido sobre o sacro. A progressão e o caráter focal pedem alívio de carga e imagem (ressonância ou cintilografia).
Sacroileíte infecciosa
Dor intensa e contínua sobre a articulação com febre, calafrios e piora rápida, às vezes com vermelhidão local, em quem tem imunossupressão, diabetes, uso de drogas injetáveis ou infecção recente. É uma emergência que não cede ao repouso e não tem ritmo mecânico. Exige avaliação, exames de inflamação e imagem sem demora.
Tumor e metástase no sacro
Dor óssea constante, que piora à noite, não alivia em nenhuma posição e vem acompanhada de perda de peso, sudorese noturna ou história de câncer. O sacro e a pelve são sítios de metástase. É um padrão que rompe a lógica mecânica e obriga investigação dirigida, sobretudo em quem tem fatores de risco oncológico.
Causas viscerais e ginecológicas referidas
Endometriose, doença inflamatória pélvica, problemas do quadril profundo e até causas urinárias podem referir dor para a região sacroilíaca, sem relação com carga ou movimento da pelve. A pista é a dor que segue o ciclo menstrual, vem com sintomas pélvicos ou urinários, ou ignora os testes de provocação da articulação. Pede avaliação ginecológica ou clínica.
Como diferenciar pelo padrão
O padrão da dor (onde fica, o que a piora, como se comporta de manhã e à noite, se desce pela perna) aponta a origem antes de qualquer exame. A tabela resume as pistas que mais separam os grupos.
| Origem | Padrão típico | O que fazer |
|---|---|---|
| Sacroilíaca mecânica | Um lado, ponto de Fortin; piora ao levantar e subir escada; não passa do joelho; vários testes de provocação positivos | Estabilização da pelve e ajuste de carga; bloqueio guiado se persistir |
| Sacroileíte inflamatória | Adulto jovem; rigidez matinal > 30 min; melhora ao mexer; acorda na madrugada; pode alternar de lado | Encaminhar ao reumatologista; ressonância de sacroilíacas |
| Coluna lombar (faceta, disco) | Mais central, na linha da coluna; piora ao curvar ou estender; testes sacroilíacos negativos | Avaliar a coluna; ver dor lombar |
| Radiculopatia (ciática) L5-S1 | Desce abaixo do joelho com formigamento; Lasègue positivo; piora à Valsalva | Avaliar a raiz; ver dor ciática |
| Síndrome do glúteo profundo / piriforme | Nádega profunda, pior ao sentar; dor sobre o trajeto do piriforme | Reabilitação e liberação; ver síndrome do piriforme |
| Tendinopatia glútea / isquiotibial | Dor sobre o trocânter ou o ísquio; pior ao deitar de lado ou sentar duro; carga reproduz | Reabilitação com carga progressiva; ondas de choque se estaciona |
| Quadril (artrose, impacto) | Dor na virilha ao girar; perda de rotação interna; manobra de impacto positiva | Avaliar o quadril; ver dor no quadril |
| Gravidez (cintura pélvica) | Gestação ou pós-parto; dor sobre as sacroilíacas e a sínfise; pior ao andar e virar na cama | Estabilização orientada; ver dor na gravidez |
| Óssea, infecciosa ou tumoral (alerta) | Dor focal progressiva, noturna, que não alivia; febre, perda de peso ou trauma em osso frágil | Avaliação sem demora com imagem dirigida |
| Pista | Dor mecânica | Dor inflamatória |
|---|---|---|
| Idade de início | Qualquer idade, ligada a carga ou trauma | Antes dos 40 anos |
| Rigidez matinal | Curta, menos de 30 minutos | Longa, mais de 30 minutos |
| Resposta ao movimento | Piora com o esforço, melhora no repouso | Melhora ao mexer-se, piora no repouso |
| Dor noturna | Incomum acordar à noite | Desperta na segunda metade da noite |
| Resposta ao anti-inflamatório | Alívio parcial e pontual | Resposta marcante e mantida (teste terapêutico) |
“Dor na nádega e na lombar baixa é sempre da coluna ou um disco saindo do lugar.”
A articulação sacroilíaca é uma fonte frequente e subdiagnosticada dessa dor, mas o mesmo ponto pode doer por tendão, nervo, gravidez ou causa inflamatória. O padrão e os testes de provocação é que apontam a origem, não a localização isolada.
A dor sacroilíaca é mecânica na maioria dos casos: sobrecarga, gravidez, assimetria de marcha, “articulação travada”. Há, porém, uma exceção que muda tudo. Em um adulto jovem, dor persistente nas nádegas com rigidez matinal prolongada, que melhora ao se mexer e desperta na madrugada, pode não ser uma entorse da articulação, e sim o primeiro sinal de uma espondiloartrite axial, uma doença inflamatória sistêmica. A diferença é decisiva: a dor mecânica responde a exercício e ajuste de carga, enquanto a inflamatória exige reumatologista e classes específicas de medicação, e perder esse perfil pode adiar anos o diagnóstico correto. A pergunta que separa os dois caminhos é como a dor se comporta de manhã e à noite.
Sinais de alerta: quando não esperar
A maior parte das dores na sacroilíaca é benigna e mecânica, mas alguns sinais indicam que a avaliação não deve esperar. Procure atendimento se notar qualquer um destes:
Procure avaliação sem demora se houver
- Febre, calafrios, suor noturno, perda de peso sem explicação ou história de câncer (suspeita de infecção ou tumor).
- Dor que acorda na segunda metade da noite com rigidez matinal longa, em pessoa jovem (suspeita de causa inflamatória).
- Trauma significativo recente, como queda sobre a nádega, sobretudo em quem tem osteoporose (suspeita de fratura por estresse ou insuficiência do sacro).
- Fraqueza progressiva na perna, dormência em sela (região entre as pernas) ou perda do controle da urina ou das fezes.
- Dor que piora de forma contínua e não alivia em nenhuma posição, ou que não responde ao tratamento bem conduzido.
- Vermelhidão, calor e inchaço sobre a articulação, ou imunossupressão (alerta para infecção).
Cada item aponta para uma causa que muda a conduta: dor de ritmo inflamatório sugere espondiloartrite e pede o reumatologista; febre com dor local levanta a hipótese de infecção; déficit neurológico que progride exige investigação sem demora. A cirurgia não faz parte do tratamento habitual: na rara dor sacroilíaca mecânica incapacitante e refratária a meses de tratamento bem conduzido, com origem confirmada por bloqueio, discute-se a artrodese em serviço especializado, mas é uma exceção. Na ausência de sinais de alerta, a dor costuma responder ao tratamento conservador ao longo de algumas semanas.
Como o quadro é avaliado
O ponto de partida é a história: o lado da dor, o gesto que a piora, se houve gravidez, queda sobre a nádega ou mudança brusca de carga, e se há sinais de ritmo inflamatório. Em seguida vem o exame. A particularidade da articulação sacroilíaca é que nenhum teste isolado é confiável: o que tem valor é uma bateria de manobras de provocação, e considera-se a articulação como provável fonte quando três ou mais reproduzem a dor habitual do paciente. Esse conjunto tem boa capacidade de apontar a articulação quando vários testes concordam.
- FABER (teste de Patrick)
Com a pessoa deitada de costas, o quadril é levado a flexão, abdução e rotação externa, formando um “4” com a perna. A dor reproduzida na parte de trás da pelve sugere a articulação sacroilíaca (a dor na virilha aponta mais para o quadril).
- Thigh thrust (impulso pela coxa)
Com o quadril fletido a 90 graus, aplica-se uma força no eixo do fêmur, empurrando a coxa para baixo. Isso cisalha a articulação e reproduz a dor glútea quando a fonte é sacroilíaca. É um dos testes mais sensíveis.
- Compressão e distração
Com a pessoa deitada, comprimem-se as cristas ilíacas uma contra a outra (compressão) e, depois, afastam-se as espinhas ilíacas para fora (distração). Ambas estressam a articulação por sentidos opostos e podem reproduzir a dor.
- Gaenslen
Uma perna é trazida ao peito enquanto a outra pende para fora da maca, em hiperextensão. A torção resultante carrega a articulação sacroilíaca e provoca a dor do lado afetado.
- Sinal do dedo de Fortin e palpação
Pede-se que a pessoa aponte o ponto de maior dor; a indicação com um dedo logo abaixo da espinha ilíaca póstero-superior reforça a suspeita, complementada pela palpação local.
A imagem tem papel restrito na dor mecânica. Radiografia e ressonância não confirmam, por si só, que a articulação é a fonte da dor, porque alterações degenerativas são comuns mesmo em quem não sente nada. A ressonância ganha importância quando há suspeita de causa inflamatória, ao mostrar edema ósseo (sacroiliíte ativa), ou para afastar outras causas. Na prática, o teste que mais ajuda a confirmar a origem é terapêutico e diagnóstico ao mesmo tempo: o bloqueio guiado da articulação, descrito adiante.
Um único teste positivo não fecha nem afasta o diagnóstico. O que dá segurança é o conjunto: três ou mais manobras de provocação reproduzindo a mesma dor que trouxe a pessoa à consulta, somadas ao ponto de Fortin e à exclusão das outras origens. É a concordância que importa, não o teste isolado.
O gesto de apontar costuma valer mais que muitas palavras: quem tem dor da sacroilíaca quase sempre indica o ponto com um único dedo abaixo da covinha da bacia; quem tem dor lombar axial passa a mão aberta pela coluna; quem tem dor do quadril leva a mão à virilha. Um teste de provocação isolado engana com facilidade, e o que ganha consistência é agrupar as manobras e exigir que três ou mais reproduzam a mesma dor que trouxe a pessoa. O perfil que mais merece atenção é o da dor de ritmo inflamatório em adulto jovem, que pede o reumatologista, mesmo quando a queixa parece banal.
O tratamento depende da causa
O tratamento da dor na parte de trás da pelve começa pela causa. Aliviar o sintoma sem definir a origem funciona por pouco tempo e costuma atrasar o que resolve. Por isso a conduta se organiza por mecanismo: a maior parte do trabalho recai sobre as causas musculoesqueléticas e neuropáticas, dentro de um plano multimodal e individualizado; as causas inflamatórias, ósseas e viscerais seguem caminhos próprios, e o papel aqui é reconhecê-las e encaminhar no tempo certo. A meta é reduzir a dor, devolver a função e diminuir as recorrências, sem uso crônico de medicação nem procedimentos desnecessários.
Origem musculoesquelética: reabilitação ativa e procedimentos médicos
Para a disfunção sacroilíaca mecânica, a dor da gravidez, a tendinopatia glútea e o componente miofascial, a base é a reabilitação ativa. A cinesioterapia fortalece o glúteo máximo e médio e a musculatura profunda do tronco, que estabilizam a pelve em cada passo (o mecanismo de force closure que “trava” a articulação na carga); a reeducação postural global (RPG) e o Pilates clínico corrigem a assimetria de carga e os padrões de marcha que sobrecarregam um lado. Sem essa base, qualquer alívio é temporário.
Sobre ela, o componente miofascial responde ao agulhamento seco, à infiltração de ponto-gatilho e à acupuntura médica: a agulha atinge a banda tensa no glúteo médio, no glúteo máximo ou no quadrado lombar e desencadeia a resposta de contração local, que reduz a dor referida e devolve amplitude para reabilitar. É uma vantagem prática na sacroilíaca, articulação profunda e de acesso difícil, cujos músculos vizinhos são superficiais e acessíveis.
Nas tendinopatias glútea e isquiotibial, o eixo é a carga progressiva, e as ondas de choque entram como adjuvante nos casos que estacionam após semanas de reabilitação bem conduzida. Quando a dor persiste apesar da reabilitação ou quando há dúvida sobre a origem, o bloqueio guiado por imagem da articulação é diagnóstico e terapêutico ao mesmo tempo, e a radiofrequência dos ramos laterais fica reservada à dor refratária com origem confirmada.
Origem neuropática e inflamatória: tratar a causa de base
Quando a dor é neuropática (radiculopatia L5-S1, síndrome do glúteo profundo), o plano combina reabilitação dirigida ao padrão de raiz e mobilização neural com o controle farmacológico por classes apropriadas: gabapentinoides, duloxetina e antidepressivos tricíclicos em dose ajustada ao perfil do paciente, sempre com titulação e reavaliação. Já na sacroileíte inflamatória das espondiloartrites, a abordagem muda por completo e é conduzida pelo reumatologista: o anti-inflamatório deixa de ser só analgésico e funciona como teste terapêutico e primeira linha, e na falha avançam-se terapias direcionadas (anti-TNF, anti-IL-17). Operar ou infiltrar uma articulação inflamada por doença sistêmica não trata a causa, e reconhecer esse perfil para encaminhar é parte essencial do cuidado.
Causas ósseas e viscerais: reconhecer e encaminhar
A fratura por estresse ou insuficiência do sacro pede alívio de carga e, conforme o caso, investigação de osteoporose; a sacroileíte infecciosa e o tumor são emergências que seguem direto para o serviço apropriado; as causas viscerais e ginecológicas se resolvem com a especialidade de origem, não com tratamento local da pelve. A medicação tem papel adjuvante e prazo definido na dor mecânica: anti-inflamatório por período curto na crise e analgésico para permitir o movimento, sob indicação médica, abrindo espaço para reabilitar sem substituir o exercício. Identificada a origem, o tratamento começa pela base ativa e pelo controle da dor que permite o movimento, reavalia-se em poucas semanas e só então se decide a próxima camada. Quando os testes positivos não cedem e a dor estaciona, o passo é reabrir o diferencial, não repetir o mesmo bloco de sessões.
A clínica
A clínica é um Centro de Dor listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED) e um Centro de Tratamento por Ondas de Choque listado pela SMBTOC. É também listada pelo CMBA, Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura.
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Perguntas frequentes
Dor sacroilíaca é dor no quadril ou na coluna?
Nenhuma das duas, embora se confunda com ambas. A articulação sacroilíaca fica na parte de trás da pelve, entre o sacro e o osso ilíaco, abaixo da cintura. A dor aparece na nádega e na lombar baixa, de um lado, e por isso é tomada por dor lombar ou por dor no quadril. O exame e os testes de provocação ajudam a definir a origem.
Como sei se a dor é da sacroilíaca e não um nervo ciático?
A dor sacroilíaca costuma ficar na nádega e na parte alta da coxa e raramente desce abaixo do joelho. A ciática verdadeira segue o trajeto de um nervo, desce até a perna e o pé e vem com formigamento ou fraqueza. Quando a dor glútea piora ao sentar e há suspeita de compressão glútea, vale ver a página sobre a síndrome do piriforme.
Qual exame confirma a dor sacroilíaca?
Não há um exame de imagem que confirme sozinho a dor mecânica, porque alterações degenerativas são comuns mesmo sem dor. O diagnóstico se apoia no conjunto de três ou mais testes de provocação positivos e, quando preciso, no bloqueio guiado da articulação, que confirma a origem se o alívio for expressivo. A ressonância é útil sobretudo quando se suspeita de causa inflamatória.
A dor sacroilíaca tem cura?
A maioria dos casos mecânicos melhora muito com tratamento conservador, e muitos ficam livres da dor ao corrigir a sobrecarga e fortalecer a musculatura. Em alguns casos a dor é recorrente e o objetivo passa a ser controlá-la e preservar a função. Quando a causa é inflamatória, o manejo é específico e acompanhado pelo reumatologista.
Por que a dor apareceu na gravidez ou no pós-parto?
Na gestação, alterações hormonais aumentam a frouxidão dos ligamentos da pelve e o peso desloca o centro de gravidade, o que sobrecarrega a articulação sacroilíaca. É uma causa comum e, em geral, tratável de forma conservadora e segura, com exercício e estabilização orientados.
Posso continuar me exercitando?
Sim, e manter-se ativo é parte do tratamento. O repouso prolongado tende a piorar. O que muda é a forma: evitam-se, no início, os gestos que mais provocam a dor (apoiar em uma perna só, cargas assimétricas) e prioriza-se o fortalecimento de glúteos e tronco, com progressão orientada.
Esse problema também ocorre na lombar baixa comum?
Sim, e os dois quadros coexistem com frequência. A dor sacroilíaca é uma das causas da dor lombar baixa crônica, ao lado da faceta, do disco e da musculatura. Por isso a avaliação da lombalgia inclui testar a articulação sacroilíaca quando a dor é baixa e de um lado.
Resumos em linguagem clara de estudos revisados pelo Dr. Marcus Yu Bin Pai.
Ver a biblioteca científica completaReferências2 fontes citadas neste artigoVerOcultar
- Cohen SP; Chen Y; Neufeld NJ. Sacroiliac joint pain: a comprehensive review of epidemiology, diagnosis and treatment. Expert review of neurotherapeutics. 2013. doi:10.1586/ern.12.148. PMID:23253394.
- Lee A; Gupta M; Boyinepally K; Stokey PJ; Ebraheim NA. Sacroiliitis: A Review on Anatomy, Diagnosis, and Treatment. Advances in orthopedics. 2022. doi:10.1155/2022/3283296. PMID:36620475.
Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação médica individual. Como a dor sacroilíaca tem origens diferentes, mecânica, ligada à gestação ou inflamatória, a conduta descrita aqui é geral e precisa ser individualizada para o seu caso em consulta.

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Bom dia! Minha esposa-LEIDYNALVA SANTOS RADICCHI, 75 anos, desde ago 2014, quando em um exercício na Academia, sentiu uma dor muito forte na região sacro-lombar. Dai suspendeu os exercícios e começaram a “VIA-CRUCIS”, de exames e médicos (NEURO-CIRURGIÃO – ORTOPEDIA). Teve tratamento de infiltração (2 vezes) nos quadris; fez tratamento com fisiatra (36 sessões de 01 hora cada), sofreu o tratamento do TOC (NO CREB)- 4 SESSÕES. Seus exames de Ressonância Magnética da coluna sacro-lombar e dos quadris (fala em um estrangulamento entre a L3 A L1, agravado pela artrose local. Nos quadris, o DIREITO com a cabeça do fêmur prejudicada e, ambos, a artrose se apresenta. Toma várias medicações para DOR, sem qualquer resultado. Quero saber se há algum tratamento, não invasivo, que mitigue sua dor ou qualquer ajuda que a ensina sobrepujar sua fibromialgia diuturna. Nossos contatos – tel 21979723887. Desde já nossos agradecimentos. Radicchi
Alongamento e musculação ( pernas, quadris , core , abdômen e dorsal) devem melhorar bastante. Procure uma academia de musculação competente.
Boa tarde
Queria um esclarecimento maior sobre uma deformidade que tenho na região do sacro, ele é saltado pra fora como se o cóccix tivesse girado pra fora e com inflamação.
Segundo um médico que me avaliou disse que tenho uma vértebra de transição.
É possível corrigir isso?
Ouço até comentários maldosos a respeito e fico mal, pessoas que falam que era um rabo…oque você me diz?
Uma cirurgia iria melhorar esse quadro?
Olá , nos últimos 3 anos venho sofrendo com dores nas articulações e na coluna lombar cérvical, quadril e tornozelos. tenho causos entre meus irmãos . será que com 51 anos já vou ter que começar a acietar que não sou mais o homem que era me acostumar que daqui pra frente será só sofrimento ? obrigado.
tenho dores virilhA abdômen e glúteos e percebo rotação do quadril ! Ninguém
Descobre a origem mas percebi que houve mudança da musculatura do abdômen e uma sensação de que os feixes de trás foram
P
A frente me ajudem a resolver
Boa tarde. Ha uns meses tive um emagrecimento notável e como não estava a acompanhar com exercício fisico a perda de volume foi drástica, incluindo os glúteos e notei que apartir daí notava-se uma saliencia, penso eu que na região sacro lombar, um pequeno alto que acaba por se notar porque contraria a curva da coluna e a contracurva para os glúteos, fica ali no meio. Iria consultar um médico para tratar do assunto, mas entretanto impos-se a pandemia do Covid-19 e não sei se devo ir ao médico agora por não saber se é uma situação urgente. Como trabalho sentada sinto alguma dor nessa região sacro-lombar e tambem na zona do piriforme, ali nos glúteos e as vezes irradia pela perna. Se puderem elucidar-me sobre o que poderá ser e se devo procurar agora um médico ou se devo esperar que a situação da pandemia atenue. Fico a aguardar resposta.
Obrigada.