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Quadril · Pelve

Dor sacroilíaca: quando a dor no quadril vem da pelve

A dor na parte de trás da pelve e da nádega tem muitas origens: disfunção mecânica da sacroilíaca, sacroileíte inflamatória, dor referida da coluna, síndrome do glúteo profundo, tendinopatia glútea, gravidez e causas viscerais.

Resposta direta
  • A dor na parte de trás da pelve e da nádega tem origens muito diferentes: a mais comum é a disfunção mecânica da articulação sacroilíaca, mas o mesmo lugar pode doer por sacroileíte inflamatória, dor referida da coluna, síndrome do glúteo profundo, tendinopatia glútea ou causas viscerais.
  • O que separa as causas é o padrão: dor de um lado no ponto de Fortin que piora ao levantar aponta a sacroilíaca mecânica; rigidez matinal longa em adulto jovem que melhora ao mexer aponta causa inflamatória; dor que desce abaixo do joelho com formigamento aponta a raiz nervosa.
  • Febre, perda de peso, dor de ritmo inflamatório noturno em jovem, trauma em osteoporótico ou déficit neurológico progressivo são bandeiras vermelhas e pedem avaliação sem demora.
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40+ anos · HC-FMUSP · USP · 30 salas · 1.500 m² · Fisioterapia e Pilates individual

Avaliação clínica

Dor tem Tratamento. Foco em tratamentos não cirúrgicos para dor, reabilitação.

Onde nasce a dor na parte de trás da pelve

A dor na nádega e na lombar baixa, ao lado da coluna, ocupa um território anatômico estreito que várias estruturas compartilham: a articulação sacroilíaca, os músculos e tendões do glúteo, as raízes nervosas lombossacras, o próprio sacro e estruturas viscerais da pelve. Por isso, “dor na sacroilíaca” é uma localização, não um diagnóstico fechado, e a tarefa central é descobrir qual estrutura está doendo.

A articulação sacroilíaca é uma junta pouco móvel e muito carregada, entre o sacro e o osso ilíaco, logo abaixo da espinha ilíaca póstero-superior (a covinha na base da coluna). Quando ela é a fonte, a dor costuma ficar de um lado, abaixo dessa covinha, e a pessoa aponta o ponto com um único dedo, o chamado sinal do dedo de Fortin. Mas o mesmo ponto pode doer por causas que nada têm a ver com a articulação: uma raiz nervosa irritada na coluna, um tendão glúteo sobrecarregado, um músculo profundo comprimindo o nervo isquiático ou, mais raramente, uma fratura, uma infecção ou um problema visceral que refere dor para a pelve.

A divisão que mais orienta a conduta é entre dor mecânica (a maioria: sobrecarga, gravidez, assimetria de marcha, trauma) e dor inflamatória (sacroileíte das espondiloartrites). O ritmo dos sintomas separa as duas: a mecânica piora com o esforço e melhora com o repouso; a inflamatória traz rigidez matinal longa, melhora ao mexer-se e desperta na segunda metade da noite. As seções a seguir percorrem as causas reais agrupadas por mecanismo, antes de mostrar como diferenciá-las no exame.

15 a 30%
das dores lombares baixas crônicas têm origem na articulação sacroilíaca
1 dedo
como a pessoa costuma apontar o ponto da dor sacroilíaca (sinal de Fortin)
< 40 anos
idade de início que levanta a suspeita de causa inflamatória (espondiloartrite axial)
Sessão de acupuntura médica em evento do CREMESP
Em congressos Acupuntura médica em evento do CREMESP

Causas articulares da pelve: as mais comuns

Vista posterior da pelvis com sacro e ossos ilíacos identificados e a articulação sacroilíaca apontada entre eles.
A articulação sacroilíaca une o sacro ao ilio dos dois lados e absorve carga entre tronco e pernas.

Quando a dor vem mesmo da articulação sacroilíaca, ela se divide em dois grandes mundos com tratamentos opostos: o mecânico, ligado a carga, e o inflamatório, ligado a doença sistêmica. Reconhecer qual dos dois está em jogo é a decisão diagnóstica mais importante desta página.

Piora ao levantar

Disfunção sacroilíaca mecânica

Dor de um lado, abaixo do ponto de Fortin, que piora ao levantar da cadeira, subir escada, virar na cama e apoiar mais naquela perna. Irradia para a nádega e a parte alta da coxa, mas raramente passa do joelho. Decorre de sobrecarga, assimetria de marcha ou trauma, e os testes de provocação reproduzem a queixa. É a causa mais frequente.

Rigidez matinal longa

Sacroileíte inflamatória da espondiloartrite axial

Dor nas nádegas em adulto jovem, com início antes dos 40 anos, duração de mais de três meses, rigidez matinal acima de 30 minutos, melhora com o movimento e despertar na segunda metade da noite. Pode alternar de lado. É inflamação da articulação por doença sistêmica (espondilite anquilosante e afins), e o manejo é do reumatologista, não mecânico.

Frouxidão da gestação

Dor da cintura pélvica na gravidez

Dor sobre uma ou ambas as sacroilíacas e a sínfise púbica que surge na gestação ou no pós-parto, pior ao andar, virar na cama e subir escada. A frouxidão ligamentar hormonal e o deslocamento do centro de gravidade sobrecarregam a articulação. Em geral é benigna e responde bem a estabilização orientada e ajuste de carga.

Vem da junta vizinha

Coluna lombar: faceta e disco

Dor referida da articulação facetária ou do disco L5-S1, mais central e na linha da coluna, que piora ao curvar ou estender o tronco. Pode imitar a dor sacroilíaca por proximidade, mas os testes de provocação da pelve costumam ser negativos e a dor responde aos movimentos da coluna, não à carga da articulação.

Causas referidas e neurológicas

Parte das dores sentidas na sacroilíaca não nasce ali: nasce numa raiz nervosa, num nervo periférico comprimido no glúteo ou no próprio quadril, que refere dor para a região posterior da pelve. O traço comum é uma dor que foge do padrão mecânico local.

Desce abaixo do joelho

Radiculopatia lombossacra (ciática) L5-S1

Dor que nasce na nádega e desce pelo trajeto do nervo até a perna ou o pé, com formigamento, queimação ou choque no dermátomo. Piora à tosse e ao esforço (Valsalva) e à elevação da perna estendida (Lasègue). Origem na compressão de raiz na coluna, em geral hérnia L5-S1. O fato de ultrapassar o joelho a separa da sacroilíaca.

Pior ao sentar

Síndrome do glúteo profundo e do piriforme

Dor profunda na nádega, pior ao sentar por tempo prolongado e ao cruzar a perna, às vezes com formigamento posterior na coxa. Decorre da compressão do nervo isquiático pelo piriforme ou pela musculatura glútea profunda. A palpação sobre o trajeto do piriforme reproduz a dor, e a manobra de tensão do isquiático ajuda a confirmar.

Dor na virilha ao girar

Quadril: artrose e impacto femoroacetabular

Dor profunda na virilha e na frente da coxa ao girar o quadril, agachar ou ficar muito tempo sentado, com perda de rotação interna ao exame. A coxartrose costuma referir dor para a nádega e o joelho e confundir a localização. A manobra de impacto (flexão, adução e rotação interna) reproduz a queixa e aponta a articulação do quadril.

Coluna que dói ao andar

Estenose de canal e claudicação neurogênica

Dor, peso e parestesia em uma ou nas duas nádegas e pernas ao caminhar ou ficar em pé, que aliviam ao sentar e inclinar o tronco para a frente. A flexão abre o canal e descomprime as raízes. Surge no idoso e pode somar-se à dor da sacroilíaca, exigindo separar o que vem da pelve do que vem do canal estreito.

Causas musculotendíneas e miofasciais

Sequência de quatro nádegas com pontos-gatilho marcados por X e áreas vermelhas mostrando para onde a dor se espalha.
Pontos-gatilho na região glútea referem dor para a nádega e coxa, imitando uma dor da própria sacroilíaca.

Os tendões e músculos que cercam a articulação adoecem por carga e referem dor para o mesmo ponto, imitando a sacroilíaca. Como são superficiais e acessíveis, costumam ser a parte mais tratável do quadro quando bem identificados.

Dói na lateral do quadril

Tendinopatia glútea do glúteo médio e mínimo

Dor sobre o trocânter maior e a lateral do quadril, pior ao deitar sobre o lado, subir escada e ficar em pé apoiando numa perna. Está ligada à sobrecarga dos tendões do glúteo médio e mínimo em sua inserção, não a inflamação aguda. A palpação direta do trocânter e os testes de carga em apoio unipodal reproduzem a dor.

Dói ao sentar na ponta

Tendinopatia isquiotibial proximal

Dor profunda na base da nádega, sobre o ísquio, pior ao sentar em superfície dura, correr e alongar a parte de trás da coxa. Decorre da sobrecarga da inserção dos isquiotibiais no túber isquiático, comum em corredores e em quem passa muito tempo sentado. A palpação do ísquio e a contração resistida do isquiotibial reproduzem a queixa.

Banda tensa que refere dor

Dor miofascial glútea e lombar

Ponto-gatilho no glúteo médio, no glúteo máximo ou no quadrado lombar que, à compressão, reproduz e projeta a dor para a nádega e a crista ilíaca, imitando ou amplificando a dor da articulação. A palpação dirigida encontra a banda tensa e a resposta de contração local, e a dor não tem ritmo inflamatório nem trajeto de nervo.

Inchaço atrás do ísquio

Bursite isquiática e trocantérica

Dor localizada sobre a bolsa do ísquio (ao sentar) ou do trocânter (ao deitar de lado), por atrito e sobrecarga repetida, às vezes com sensibilidade pontual à palpação. Acompanha com frequência a tendinopatia vizinha e melhora com alívio de carga e correção do gesto que a provoca, não com repouso absoluto.

Causas ósseas, sistêmicas e viscerais

Um grupo menor de causas é mais raro, porém mais grave, e justifica a atenção às bandeiras vermelhas. Aqui a dor na pelve é a porta de entrada para um problema ósseo, infeccioso, tumoral ou de um órgão vizinho.

Atleta ou osso frágil

Fratura por estresse do sacro

Dor óssea focal na nádega e no sacro, progressiva ao impacto e à carga, em corredores que aumentaram volume ou em pessoas com osteoporose (fratura por insuficiência), incluindo idosas e gestantes no pós-parto. Há ponto doloroso bem definido sobre o sacro. A progressão e o caráter focal pedem alívio de carga e imagem (ressonância ou cintilografia).

Febre e dor local

Sacroileíte infecciosa

Dor intensa e contínua sobre a articulação com febre, calafrios e piora rápida, às vezes com vermelhidão local, em quem tem imunossupressão, diabetes, uso de drogas injetáveis ou infecção recente. É uma emergência que não cede ao repouso e não tem ritmo mecânico. Exige avaliação, exames de inflamação e imagem sem demora.

Dor que não alivia

Tumor e metástase no sacro

Dor óssea constante, que piora à noite, não alivia em nenhuma posição e vem acompanhada de perda de peso, sudorese noturna ou história de câncer. O sacro e a pelve são sítios de metástase. É um padrão que rompe a lógica mecânica e obriga investigação dirigida, sobretudo em quem tem fatores de risco oncológico.

Vem de outro órgão

Causas viscerais e ginecológicas referidas

Endometriose, doença inflamatória pélvica, problemas do quadril profundo e até causas urinárias podem referir dor para a região sacroilíaca, sem relação com carga ou movimento da pelve. A pista é a dor que segue o ciclo menstrual, vem com sintomas pélvicos ou urinários, ou ignora os testes de provocação da articulação. Pede avaliação ginecológica ou clínica.

Como diferenciar pelo padrão

O padrão da dor (onde fica, o que a piora, como se comporta de manhã e à noite, se desce pela perna) aponta a origem antes de qualquer exame. A tabela resume as pistas que mais separam os grupos.

Dor na parte de trás da pelve: diferenciando a origem pelo padrão
OrigemPadrão típicoO que fazer
Sacroilíaca mecânicaUm lado, ponto de Fortin; piora ao levantar e subir escada; não passa do joelho; vários testes de provocação positivosEstabilização da pelve e ajuste de carga; bloqueio guiado se persistir
Sacroileíte inflamatóriaAdulto jovem; rigidez matinal > 30 min; melhora ao mexer; acorda na madrugada; pode alternar de ladoEncaminhar ao reumatologista; ressonância de sacroilíacas
Coluna lombar (faceta, disco)Mais central, na linha da coluna; piora ao curvar ou estender; testes sacroilíacos negativosAvaliar a coluna; ver dor lombar
Radiculopatia (ciática) L5-S1Desce abaixo do joelho com formigamento; Lasègue positivo; piora à ValsalvaAvaliar a raiz; ver dor ciática
Síndrome do glúteo profundo / piriformeNádega profunda, pior ao sentar; dor sobre o trajeto do piriformeReabilitação e liberação; ver síndrome do piriforme
Tendinopatia glútea / isquiotibialDor sobre o trocânter ou o ísquio; pior ao deitar de lado ou sentar duro; carga reproduzReabilitação com carga progressiva; ondas de choque se estaciona
Quadril (artrose, impacto)Dor na virilha ao girar; perda de rotação interna; manobra de impacto positivaAvaliar o quadril; ver dor no quadril
Gravidez (cintura pélvica)Gestação ou pós-parto; dor sobre as sacroilíacas e a sínfise; pior ao andar e virar na camaEstabilização orientada; ver dor na gravidez
Óssea, infecciosa ou tumoral (alerta)Dor focal progressiva, noturna, que não alivia; febre, perda de peso ou trauma em osso frágilAvaliação sem demora com imagem dirigida
Mecânica contra inflamatória: o padrão que muda o tratamento
PistaDor mecânicaDor inflamatória
Idade de inícioQualquer idade, ligada a carga ou traumaAntes dos 40 anos
Rigidez matinalCurta, menos de 30 minutosLonga, mais de 30 minutos
Resposta ao movimentoPiora com o esforço, melhora no repousoMelhora ao mexer-se, piora no repouso
Dor noturnaIncomum acordar à noiteDesperta na segunda metade da noite
Resposta ao anti-inflamatórioAlívio parcial e pontualResposta marcante e mantida (teste terapêutico)
Mito

“Dor na nádega e na lombar baixa é sempre da coluna ou um disco saindo do lugar.”

Fato

A articulação sacroilíaca é uma fonte frequente e subdiagnosticada dessa dor, mas o mesmo ponto pode doer por tendão, nervo, gravidez ou causa inflamatória. O padrão e os testes de provocação é que apontam a origem, não a localização isolada.

A exceção que muda a conduta

A dor sacroilíaca é mecânica na maioria dos casos: sobrecarga, gravidez, assimetria de marcha, “articulação travada”. Há, porém, uma exceção que muda tudo. Em um adulto jovem, dor persistente nas nádegas com rigidez matinal prolongada, que melhora ao se mexer e desperta na madrugada, pode não ser uma entorse da articulação, e sim o primeiro sinal de uma espondiloartrite axial, uma doença inflamatória sistêmica. A diferença é decisiva: a dor mecânica responde a exercício e ajuste de carga, enquanto a inflamatória exige reumatologista e classes específicas de medicação, e perder esse perfil pode adiar anos o diagnóstico correto. A pergunta que separa os dois caminhos é como a dor se comporta de manhã e à noite.

Sinais de alerta: quando não esperar

A maior parte das dores na sacroilíaca é benigna e mecânica, mas alguns sinais indicam que a avaliação não deve esperar. Procure atendimento se notar qualquer um destes:

Sinais de alerta · não espere

Procure avaliação sem demora se houver

  • Febre, calafrios, suor noturno, perda de peso sem explicação ou história de câncer (suspeita de infecção ou tumor).
  • Dor que acorda na segunda metade da noite com rigidez matinal longa, em pessoa jovem (suspeita de causa inflamatória).
  • Trauma significativo recente, como queda sobre a nádega, sobretudo em quem tem osteoporose (suspeita de fratura por estresse ou insuficiência do sacro).
  • Fraqueza progressiva na perna, dormência em sela (região entre as pernas) ou perda do controle da urina ou das fezes.
  • Dor que piora de forma contínua e não alivia em nenhuma posição, ou que não responde ao tratamento bem conduzido.
  • Vermelhidão, calor e inchaço sobre a articulação, ou imunossupressão (alerta para infecção).

Cada item aponta para uma causa que muda a conduta: dor de ritmo inflamatório sugere espondiloartrite e pede o reumatologista; febre com dor local levanta a hipótese de infecção; déficit neurológico que progride exige investigação sem demora. A cirurgia não faz parte do tratamento habitual: na rara dor sacroilíaca mecânica incapacitante e refratária a meses de tratamento bem conduzido, com origem confirmada por bloqueio, discute-se a artrodese em serviço especializado, mas é uma exceção. Na ausência de sinais de alerta, a dor costuma responder ao tratamento conservador ao longo de algumas semanas.

Como o quadro é avaliado

Radiografia frontal da pelve mostrando sacro, ossos ilíacos e as duas articulações sacroilíacas.
A radiografia de pelve ajuda a avaliar as sacroilíacas e a investigar sinais de esclerose ou estreitamento.

O ponto de partida é a história: o lado da dor, o gesto que a piora, se houve gravidez, queda sobre a nádega ou mudança brusca de carga, e se há sinais de ritmo inflamatório. Em seguida vem o exame. A particularidade da articulação sacroilíaca é que nenhum teste isolado é confiável: o que tem valor é uma bateria de manobras de provocação, e considera-se a articulação como provável fonte quando três ou mais reproduzem a dor habitual do paciente. Esse conjunto tem boa capacidade de apontar a articulação quando vários testes concordam.

  1. FABER (teste de Patrick)

    Com a pessoa deitada de costas, o quadril é levado a flexão, abdução e rotação externa, formando um “4” com a perna. A dor reproduzida na parte de trás da pelve sugere a articulação sacroilíaca (a dor na virilha aponta mais para o quadril).

  2. Thigh thrust (impulso pela coxa)

    Com o quadril fletido a 90 graus, aplica-se uma força no eixo do fêmur, empurrando a coxa para baixo. Isso cisalha a articulação e reproduz a dor glútea quando a fonte é sacroilíaca. É um dos testes mais sensíveis.

  3. Compressão e distração

    Com a pessoa deitada, comprimem-se as cristas ilíacas uma contra a outra (compressão) e, depois, afastam-se as espinhas ilíacas para fora (distração). Ambas estressam a articulação por sentidos opostos e podem reproduzir a dor.

  4. Gaenslen

    Uma perna é trazida ao peito enquanto a outra pende para fora da maca, em hiperextensão. A torção resultante carrega a articulação sacroilíaca e provoca a dor do lado afetado.

  5. Sinal do dedo de Fortin e palpação

    Pede-se que a pessoa aponte o ponto de maior dor; a indicação com um dedo logo abaixo da espinha ilíaca póstero-superior reforça a suspeita, complementada pela palpação local.

A imagem tem papel restrito na dor mecânica. Radiografia e ressonância não confirmam, por si só, que a articulação é a fonte da dor, porque alterações degenerativas são comuns mesmo em quem não sente nada. A ressonância ganha importância quando há suspeita de causa inflamatória, ao mostrar edema ósseo (sacroiliíte ativa), ou para afastar outras causas. Na prática, o teste que mais ajuda a confirmar a origem é terapêutico e diagnóstico ao mesmo tempo: o bloqueio guiado da articulação, descrito adiante.

Pérola clínica

Um único teste positivo não fecha nem afasta o diagnóstico. O que dá segurança é o conjunto: três ou mais manobras de provocação reproduzindo a mesma dor que trouxe a pessoa à consulta, somadas ao ponto de Fortin e à exclusão das outras origens. É a concordância que importa, não o teste isolado.

Da prática clínica

O gesto de apontar costuma valer mais que muitas palavras: quem tem dor da sacroilíaca quase sempre indica o ponto com um único dedo abaixo da covinha da bacia; quem tem dor lombar axial passa a mão aberta pela coluna; quem tem dor do quadril leva a mão à virilha. Um teste de provocação isolado engana com facilidade, e o que ganha consistência é agrupar as manobras e exigir que três ou mais reproduzam a mesma dor que trouxe a pessoa. O perfil que mais merece atenção é o da dor de ritmo inflamatório em adulto jovem, que pede o reumatologista, mesmo quando a queixa parece banal.

O tratamento depende da causa

Render 3D do corpo de uma pessoa em decúbito ventral com agulha posicionada sobre a articulação sacroilíaca.
A infiltração guiada na sacroilíaca alivia a dor e ajuda a confirmar que a articulação e a fonte do problema.

O tratamento da dor na parte de trás da pelve começa pela causa. Aliviar o sintoma sem definir a origem funciona por pouco tempo e costuma atrasar o que resolve. Por isso a conduta se organiza por mecanismo: a maior parte do trabalho recai sobre as causas musculoesqueléticas e neuropáticas, dentro de um plano multimodal e individualizado; as causas inflamatórias, ósseas e viscerais seguem caminhos próprios, e o papel aqui é reconhecê-las e encaminhar no tempo certo. A meta é reduzir a dor, devolver a função e diminuir as recorrências, sem uso crônico de medicação nem procedimentos desnecessários.

Origem musculoesquelética: reabilitação ativa e procedimentos médicos

Para a disfunção sacroilíaca mecânica, a dor da gravidez, a tendinopatia glútea e o componente miofascial, a base é a reabilitação ativa. A cinesioterapia fortalece o glúteo máximo e médio e a musculatura profunda do tronco, que estabilizam a pelve em cada passo (o mecanismo de force closure que “trava” a articulação na carga); a reeducação postural global (RPG) e o Pilates clínico corrigem a assimetria de carga e os padrões de marcha que sobrecarregam um lado. Sem essa base, qualquer alívio é temporário.

Sobre ela, o componente miofascial responde ao agulhamento seco, à infiltração de ponto-gatilho e à acupuntura médica: a agulha atinge a banda tensa no glúteo médio, no glúteo máximo ou no quadrado lombar e desencadeia a resposta de contração local, que reduz a dor referida e devolve amplitude para reabilitar. É uma vantagem prática na sacroilíaca, articulação profunda e de acesso difícil, cujos músculos vizinhos são superficiais e acessíveis.

Nas tendinopatias glútea e isquiotibial, o eixo é a carga progressiva, e as ondas de choque entram como adjuvante nos casos que estacionam após semanas de reabilitação bem conduzida. Quando a dor persiste apesar da reabilitação ou quando há dúvida sobre a origem, o bloqueio guiado por imagem da articulação é diagnóstico e terapêutico ao mesmo tempo, e a radiofrequência dos ramos laterais fica reservada à dor refratária com origem confirmada.

Origem neuropática e inflamatória: tratar a causa de base

Quando a dor é neuropática (radiculopatia L5-S1, síndrome do glúteo profundo), o plano combina reabilitação dirigida ao padrão de raiz e mobilização neural com o controle farmacológico por classes apropriadas: gabapentinoides, duloxetina e antidepressivos tricíclicos em dose ajustada ao perfil do paciente, sempre com titulação e reavaliação. Já na sacroileíte inflamatória das espondiloartrites, a abordagem muda por completo e é conduzida pelo reumatologista: o anti-inflamatório deixa de ser só analgésico e funciona como teste terapêutico e primeira linha, e na falha avançam-se terapias direcionadas (anti-TNF, anti-IL-17). Operar ou infiltrar uma articulação inflamada por doença sistêmica não trata a causa, e reconhecer esse perfil para encaminhar é parte essencial do cuidado.

Causas ósseas e viscerais: reconhecer e encaminhar

A fratura por estresse ou insuficiência do sacro pede alívio de carga e, conforme o caso, investigação de osteoporose; a sacroileíte infecciosa e o tumor são emergências que seguem direto para o serviço apropriado; as causas viscerais e ginecológicas se resolvem com a especialidade de origem, não com tratamento local da pelve. A medicação tem papel adjuvante e prazo definido na dor mecânica: anti-inflamatório por período curto na crise e analgésico para permitir o movimento, sob indicação médica, abrindo espaço para reabilitar sem substituir o exercício. Identificada a origem, o tratamento começa pela base ativa e pelo controle da dor que permite o movimento, reavalia-se em poucas semanas e só então se decide a próxima camada. Quando os testes positivos não cedem e a dor estaciona, o passo é reabrir o diferencial, não repetir o mesmo bloco de sessões.

A clínica

A clínica é um Centro de Dor listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED) e um Centro de Tratamento por Ondas de Choque listado pela SMBTOC. É também listada pelo CMBA, Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura.

Conheça a clínica
SBED, Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor
SMBTOC, Sociedade Médica Brasileira de Tratamento por Ondas de Choque
CMBA, Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura

Perguntas frequentes

Dor sacroilíaca é dor no quadril ou na coluna?

Nenhuma das duas, embora se confunda com ambas. A articulação sacroilíaca fica na parte de trás da pelve, entre o sacro e o osso ilíaco, abaixo da cintura. A dor aparece na nádega e na lombar baixa, de um lado, e por isso é tomada por dor lombar ou por dor no quadril. O exame e os testes de provocação ajudam a definir a origem.

Como sei se a dor é da sacroilíaca e não um nervo ciático?

A dor sacroilíaca costuma ficar na nádega e na parte alta da coxa e raramente desce abaixo do joelho. A ciática verdadeira segue o trajeto de um nervo, desce até a perna e o pé e vem com formigamento ou fraqueza. Quando a dor glútea piora ao sentar e há suspeita de compressão glútea, vale ver a página sobre a síndrome do piriforme.

Qual exame confirma a dor sacroilíaca?

Não há um exame de imagem que confirme sozinho a dor mecânica, porque alterações degenerativas são comuns mesmo sem dor. O diagnóstico se apoia no conjunto de três ou mais testes de provocação positivos e, quando preciso, no bloqueio guiado da articulação, que confirma a origem se o alívio for expressivo. A ressonância é útil sobretudo quando se suspeita de causa inflamatória.

A dor sacroilíaca tem cura?

A maioria dos casos mecânicos melhora muito com tratamento conservador, e muitos ficam livres da dor ao corrigir a sobrecarga e fortalecer a musculatura. Em alguns casos a dor é recorrente e o objetivo passa a ser controlá-la e preservar a função. Quando a causa é inflamatória, o manejo é específico e acompanhado pelo reumatologista.

Por que a dor apareceu na gravidez ou no pós-parto?

Na gestação, alterações hormonais aumentam a frouxidão dos ligamentos da pelve e o peso desloca o centro de gravidade, o que sobrecarrega a articulação sacroilíaca. É uma causa comum e, em geral, tratável de forma conservadora e segura, com exercício e estabilização orientados.

Posso continuar me exercitando?

Sim, e manter-se ativo é parte do tratamento. O repouso prolongado tende a piorar. O que muda é a forma: evitam-se, no início, os gestos que mais provocam a dor (apoiar em uma perna só, cargas assimétricas) e prioriza-se o fortalecimento de glúteos e tronco, com progressão orientada.

Esse problema também ocorre na lombar baixa comum?

Sim, e os dois quadros coexistem com frequência. A dor sacroilíaca é uma das causas da dor lombar baixa crônica, ao lado da faceta, do disco e da musculatura. Por isso a avaliação da lombalgia inclui testar a articulação sacroilíaca quando a dor é baixa e de um lado.

Evidência científica · resumos da nossa biblioteca

Resumos em linguagem clara de estudos revisados pelo Dr. Marcus Yu Bin Pai.

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Dr. Marcus Yu Bin Pai
Sobre o autor
Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP 158.074RQE 65.523 / 65.524 / 655.241

Médico especialista em Fisiatria e Acupuntura pela Associação Médica Brasileira, com área de atuação em Dor. Doutor em Ciências pela USP e médico colaborador do Grupo de Dor do HC-FMUSP.

Revisão médica e editorial

Conteúdo revisado clinicamente por Prof. Dr. Hong Jin Pai. Tem finalidade educativa e cita fontes.

Referências2 fontes citadas neste artigoVerOcultar
  1. Cohen SP; Chen Y; Neufeld NJ. Sacroiliac joint pain: a comprehensive review of epidemiology, diagnosis and treatment. Expert review of neurotherapeutics. 2013. doi:10.1586/ern.12.148. PMID:23253394.
  2. Lee A; Gupta M; Boyinepally K; Stokey PJ; Ebraheim NA. Sacroiliitis: A Review on Anatomy, Diagnosis, and Treatment. Advances in orthopedics. 2022. doi:10.1155/2022/3283296. PMID:36620475.
Atualizado em 31 mai 2026 Leitura 9 min

Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação médica individual. Como a dor sacroilíaca tem origens diferentes, mecânica, ligada à gestação ou inflamatória, a conduta descrita aqui é geral e precisa ser individualizada para o seu caso em consulta.

Sem comentários

Deixe o seu comentário.
  • Edio Corrêa Filho

    Tive recentemente o diagnóstico de Sacroilíte e a dor não cessa mesmo depois de vários medicamentos e fisioterapia. Me indicaram um médico fisiatra. O que acha da indicação?

  • Há 4 meses apareceu uma dor na lateral da cintura, com o passsar dos dias foi piorando ao ponto de precisar de ajuda pra levantar da cama.A noite doi muito pra virar e a dor se esparrama pela cintua, como uma dor de coluna.
    Passei num clinico, urologista, ortopedista, neurologista,neufrologista e por ultimo estou sendo acompahado por um reumatologista que disse que esses sintomas que venho dentindo é caracterisco da sacro.
    Ainda não pude retornar pra entrega dos exames solicitados pelo ultimo medico.
    Podem me ajudar?
    Obrigado.

  • Edmilson de Oliveira Nascimento

    Boa noite.
    Tenho uma enflamacao crônica nas articulações.segunda ressonância Mg.
    Devo procurar um ortopedista.
    Ou um especialista em coluna.

  • Boa noite
    foi-me diagnosticado uma sacrolielite em Setembro de 2019 já fiz vários tipos de medicação e nada de melhoras pelo contrário cada vez pior
    visto que estou a ser seguida pelo médico de família e não tenho melhoras devo procuras um especialista?
    qual?
    obrigada

  • boa noite, Dr!
    fiz uma ressonância magnética e no laudo deu “edema no terço médio da porção iliaca da sacroiliaca direita de aspecto mecânico” poderia me explicar por gentileza do que se trata?

    • Boa noite Lucas. Infelizmente, não é possível interpretar um exame complexo como a ressonância magnética com apenas informações do texto. É preciso avaliar o contexto do paciente. Um médico especialista em dor pode avaliar, e afastar outras causas. Muitas lesões são comuns da idade, ou degenerativas e não geram dor. Postamos também recentemente no YouTube um vídeo esclarecendo algumas dúvidas sobre sacroileíte. O vídeo pode ser acessado aqui. Atenciosamente, Equipe Dr. Marcus

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