CENTRO DE TRATAMENTO DE DOR: Acupuntura Médica, Ondas de Choque, Fisiatria e Fisioterapia.

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Fibromialgia · Dor · Reabilitação

O papel do médico fisiatra no diagnóstico e tratamento da fibromialgia

Em São Paulo, o fisiatra e médico da dor confirma o diagnóstico de fibromialgia e conduz um plano multimodal não-cirúrgico: exercício, sono, modulação da dor e medicação quando necessária. O objetivo é o controle da dor e a recuperação da função.

Resposta direta
  • O fisiatra é o médico que diagnostica a fibromialgia pelo quadro clínico (dor difusa por mais de três meses, fadiga, sono não reparador) e exclui doenças que a imitam, sem depender de exame que “prove” a doença.
  • A dor da fibromialgia vem da sensibilização central: o sistema nervoso amplifica os sinais, por isso sangue e imagem vêm normais e o foco do tratamento não é o músculo isolado.
  • O tratamento é multimodal e não-cirúrgico, com exercício orientado como base, mais sono, modulação da dor (incluindo acupuntura e agulhamento) e medicação adjuvante; a meta é função, não cura.
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40+ anos · HC-FMUSP · USP · 30 salas · 1.500 m² · Fisioterapia e Pilates individual

Avaliação clínica

Dor tem Tratamento. Foco em tratamentos não cirúrgicos para dor, reabilitação.

Por que um fisiatra na fibromialgia

Médico fisiatra de terno, braços cruzados, encostado em parede de tijolos aparentes na clínica
O fisiatra coordena o tratamento da fibromialgia integrando diagnóstico clínico, reabilitação e controle da dor.

A fibromialgia é uma síndrome de dor crônica generalizada, e quem a trata bem precisa entender a dor como um sistema, não como um órgão. O fisiatra, médico com formação em reabilitação e área de atuação em dor, ocupa exatamente esse lugar: conhece a musculatura, a função e os mecanismos que tornam a dor persistente.

Muitas pessoas com fibromialgia chegam depois de uma longa peregrinação: ortopedia, reumatologia, neurologia, exames repetidos, todos “normais”. A frustração é compreensível e tem uma explicação. A fibromialgia não é uma doença de uma estrutura específica que se vê numa imagem; é um distúrbio do processamento da dor, e por isso escapa de exames que procuram lesão. O papel do fisiatra começa aí: validar a queixa, dar nome ao quadro e organizar um plano em vez de pedir o décimo exame.

Na prática, o fisiatra faz três coisas que mudam o curso do tratamento. Primeiro, confirma o diagnóstico por critérios clínicos e separa a fibromialgia daquilo que a imita (hipotireoidismo, anemia, doenças reumáticas inflamatórias, deficiência de vitamina D, apneia do sono). Segundo, lê o corpo todo: identifica os pontos-gatilho miofasciais que somam dor regional ao quadro difuso, avalia a postura, o sono e o condicionamento. Terceiro, coordena um tratamento multimodal e dosa o que costuma ser o remédio mais potente e mais mal prescrito da fibromialgia: o exercício, na intensidade certa e progredido com cuidado.

Mito

“Meus exames deram tudo normal, então a dor é psicológica ou eu estou inventando.”

Fato

Os exames vêm normais porque a fibromialgia não é lesão de tecido, e sim amplificação da dor pelo sistema nervoso central. A dor é real e mensurável, e o tratamento existe; o que não existe é um exame que a “prove”.

Dr. Marcus Pai palestrando no 14o Congresso Brasileiro de Dor da SBED
Em congressos Dr. Marcus Pai palestrando no Congresso Brasileiro de Dor

Como o diagnóstico é feito hoje

Mapa das costas com musculatura e pontos-gatilho marcados em trapézio, romboides, eretores da espinha e latíssimo do dorso
Localizar os pontos dolorosos na musculatura orienta o exame físico e diferencia a fibromialgia de outras dores.

O diagnóstico da fibromialgia é clínico. Não depende mais da contagem dos antigos 18 pontos dolorosos, abandonada porque excluía muitos pacientes reais. Os critérios atuais valorizam dois eixos: a extensão da dor pelo corpo (um índice de dor generalizada, que mapeia em quantas regiões dói) e a gravidade dos sintomas associados (fadiga, sono não reparador e dificuldade de concentração, a chamada “fibro-névoa”). Quando a dor está difusa há pelo menos três meses, atinge várias regiões e vem acompanhada desse cortejo, com outras causas afastadas, o diagnóstico se sustenta.

A história ocupa o centro da consulta. Pergunta-se por dor que migra e muda de lugar, rigidez matinal, sono que não descansa, fadiga que não cede ao repouso, sensibilidade aumentada a toque, frio, barulho e luz, e sintomas que costumam acompanhar o quadro: intestino irritável, dor de cabeça, formigamentos, ansiedade e humor deprimido. Esse padrão de dor amplificada e generalizada é o que diferencia a fibromialgia de uma dor localizada por lesão.

O exame físico tem dupla função. Confirma a sensibilidade aumentada difusa e, ao mesmo tempo, procura ativamente outras fontes de dor que coexistem e que têm tratamento próprio, como bandas tensas e pontos-gatilho miofasciais no trapézio, no glúteo e na região lombar. Os exames de sangue e de imagem não fazem o diagnóstico: servem para excluir o que imita a fibromialgia. Pedir o exame certo, e não muitos exames, faz parte do trabalho.

O que precisa ser afastado antes de fechar o diagnóstico
Condição que imitaPista que levanta a suspeitaComo se investiga
HipotireoidismoFadiga, ganho de peso, intolerância ao frio, lentidãoTSH e T4 livre
Anemia / deficiênciasCansaço desproporcional, palidez, queda de cabeloHemograma, ferritina, vitamina D, B12
Doença reumática inflamatóriaArticulações inchadas e quentes, rigidez prolongada, febreProvas inflamatórias e avaliação reumatológica
Polimialgia reumáticaDor e rigidez de cinturas após os 50 anos, VHS muito altaProvas inflamatórias; ver página dedicada
Apneia obstrutiva do sonoRonco, sono não reparador, sonolência diurnaAvaliação do sono / polissonografia
Dor miofascial regionalDor concentrada numa região, com ponto-gatilho que reproduz a queixaExame da musculatura; pode coexistir com a fibromialgia

A distinção entre fibromialgia (dor difusa por sensibilização central) e síndrome dolorosa miofascial (dor regional gerada por pontos-gatilho) é uma das mais úteis na prática, e as duas frequentemente convivem. Diferenciar a fibromialgia da polimialgia reumática também muda a conduta, porque esta última é inflamatória e tem tratamento distinto. É por isso que a avaliação médica não se resume a rotular: ela separa o que se sobrepõe.

Em uma frase

Exame normal não afasta fibromialgia, ele a confirma: a doença é de amplificação da dor, não de lesão. O exame existe para descartar o que a imita, não para “provar” o que você sente.

Por que a dor é central, e o que isso muda

Esquema do complexo do ponto-gatilho mostrando banda tensa, foco ativo, nódulo de contração e fibras musculares normais
O nódulo de contração dentro da banda tensa ajuda a entender por que o músculo mantém a dor persistente.

A fibromialgia é hoje entendida como um quadro de sensibilização central: o sistema nervoso, que deveria filtrar os estímulos, passa a amplificá-los. O volume da dor está alto. Dois fenômenos descrevem isso.

Na hiperalgesia, um estímulo que normalmente dói pouco passa a doer muito; na alodinia, um toque que não deveria doer, como o roçar da roupa, vira dor. A medula e o cérebro ficam mais “ruidosos”, e o sistema que deveria frear a dor, as vias inibitórias descendentes, trabalha de forma insuficiente.

Isso não é teoria abstrata: tem consequência direta no tratamento. Se a dor não vem de um músculo ou de um disco específico, tratar apenas o músculo ou o disco não resolve. O alvo passa a ser o próprio sistema de processamento da dor: regular o sono (que é onde a dor crônica mais se realimenta), recondicionar o corpo com exercício gradual, reativar as vias que freiam a dor e, quando preciso, usar medicação que age no sistema nervoso central, não anti-inflamatório.

Entender o mecanismo é o que separa um plano que funciona de uma sequência de tentativas frustradas. A lógica completa da sensibilização central na dor crônica é detalhada em página específica.

A relação com o sono merece destaque porque é de mão dupla: a dor atrapalha o sono e o sono ruim aumenta a dor no dia seguinte, num ciclo que se autoalimenta. Por isso, em fibromialgia, tratar o sono não é detalhe, é parte central do tratamento, como se discute na relação entre dor crônica e distúrbios do sono.

>3 meses
de dor difusa para considerar o diagnóstico
Central
a dor é de processamento, não de lesão
Multimodal
vários alvos ao mesmo tempo, não um só
Assista: SEU CANSAÇO É FIBROMIALGIA? Descubra os Sintomas Ocultos Agora!

O tratamento conduzido pelo fisiatra

Agulhas finas de acupuntura inseridas na região lombar de paciente deitado durante sessão
A acupuntura integra o plano de tratamento da fibromialgia para reduzir a dor difusa e melhorar o sono.

O tratamento da fibromialgia é multimodal, não-cirúrgico e individualizado, e nenhuma medida isolada resolve sozinha. A base é não-farmacológica e ativa, com o exercício no centro; as demais técnicas se somam conforme a apresentação e a resposta. A meta é reduzir a dor a um nível que não governe a rotina, recuperar a função, melhorar o sono e a disposição. A fibromialgia é crônica e não tem cura definitiva, mas a maioria das pessoas melhora de forma significativa com um plano bem conduzido e mantido.

Educação e ritmo

Entender a dor central reduz o medo do movimento; aprende-se a graduar atividade (pacing), evitando o ciclo de exagero seguido de colapso.

Exercício e sono

Base do plano: exercício aeróbico leve e progressivo, fortalecimento e higiene do sono, que é onde a dor crônica mais se realimenta.

Modulação da dor em clínica

Acupuntura, eletroacupuntura, agulhamento seco e infiltração dos pontos-gatilho que somam dor regional ao quadro difuso.

Medicação adjuvante

Fármacos que agem no sistema nervoso central, em dose e duração definidas pelo médico, para apoiar a reabilitação, não substituí-la.

Exercício, fisioterapia e Pilates clínico: a base

É a intervenção com a melhor e mais consistente evidência na fibromialgia, e o eixo de tudo o mais. O ponto delicado é a dose. Quem tem fibromialgia costuma piorar quando começa forte demais, o que reforça o medo de se mexer; e piora também quando fica parado, porque o descondicionamento aumenta a dor. A saída é começar leve e progredir devagar.

O exercício aeróbico de baixo impacto (caminhada, bicicleta, hidroginástica, exercício na água aquecida) melhora a dor, a fadiga e o humor; o fortalecimento progressivo recupera a capacidade funcional; e o Pilates clínico e o alongamento, com indicação médica, ajudam no controle motor e na mobilidade. Na clínica, o atendimento é individual, um paciente por sala, com a carga ajustada ao dia. A resposta é gradual, ao longo de semanas, e o programa é mantido a longo prazo, porque interromper costuma trazer a dor de volta. A reabilitação específica está detalhada nos exercícios para fibromialgia.

Acupuntura médica e eletroacupuntura

Modulam a dor por mecanismos segmentares no corno dorsal da medula, pela ativação das vias inibitórias descendentes (substância cinzenta periaquedutal e bulbo rostroventromedial) e pela liberação de opioides endógenos e outros neurotransmissores; na eletroacupuntura, a corrente de baixa frequência tende a recrutar mais esses sistemas. Numa dor de origem central, em que justamente as vias que freiam o estímulo trabalham mal, faz sentido fisiológico usar uma técnica que age sobre esse sistema deficiente. A evidência na fibromialgia é de qualidade moderada e aponta para alívio da dor e melhora do sono, com efeito mais consistente para a eletroacupuntura; o lugar dela é o de adjuvante dentro do plano, somada ao exercício e ao cuidado com o sono, e nunca em seu lugar.

O fisiatra costuma propor um ciclo curto, da ordem de seis a dez sessões em uma ou duas vezes por semana, e o decisivo é a reavaliação ao final: se a dor e o sono não melhoraram de forma palpável, o recurso é encerrado em vez de prolongado por inércia. Por ser uma dor difusa, o objetivo aqui é baixar o ruído de fundo o suficiente para o paciente tolerar e progredir no exercício, não zerar a dor com a agulha.

Agulhamento seco e infiltração de pontos-gatilho

Este é um ponto que o fisiatra examina com atenção, porque a fibromialgia raramente vem sozinha: sobre o fundo de dor difusa, muitos pacientes carregam uma dor miofascial regional sobreposta, com pontos-gatilho ativos no trapézio, nos glúteos, na região lombar e no pescoço que adicionam picos de dor localizada e bem identificável. Distinguir essas duas camadas importa, porque a regional tem tratamento próprio: aliviá-la não cura a fibromialgia, mas remove um peso concreto e costuma destravar o exercício que a dor localizada estava impedindo. No agulhamento seco, o estímulo mecânico da agulha no ponto-gatilho desencadeia a resposta de contração local e reduz a atividade elétrica espontânea da placa motora, com analgesia local e segmentar; quando o ponto resiste, a infiltração com anestésico local (ou soro fisiológico) interrompe o ciclo dor-espasmo-dor. Em quem tem fibromialgia, como o corpo está mais sensível, a dor pós-agulhamento no local pode incomodar um pouco mais e durar um ou dois dias, e o fisiatra costuma começar por poucos pontos e graduar.

O resultado é melhor quando essas sessões sustentam, e não substituem, o trabalho de exercício. A técnica e suas indicações estão descritas em agulhamento seco (dry needling) e na infiltração de ponto-gatilho.

Laser de alta intensidade e ondas de choque

As ondas de choque têm seu maior valor na dor miofascial crônica e em tendinopatias; na dor difusa da fibromialgia, a evidência é limitada, e o recurso entra apenas quando há um componente miofascial ou tendíneo regional associado, não como tratamento da fibromialgia em si.

Toxina botulínica para casos refratários

A toxina botulínica tipo A não é tratamento da fibromialgia generalizada. Seu papel é restrito a um componente miofascial regional refratário que persiste apesar do tratamento bem conduzido, por exemplo um trapézio ou um elevador da escápula em espasmo doloroso mantido. Ela bloqueia a liberação de acetilcolina na junção neuromuscular e reduz a liberação periférica de neuropeptídeos nociceptivos (como CGRP e substância P), com efeito antinociceptivo que vai além do relaxamento muscular.

O efeito começa em 2 a 4 semanas e dura cerca de três a quatro meses. A indicação, o produto e as doses cabem ao médico, e o uso aqui é off-label e seletivo.

Medicação, papel adjuvante

Na fibromialgia, os medicamentos que funcionam agem no sistema nervoso central, e não os anti-inflamatórios, que têm pouco efeito porque não há inflamação a combater. Em dose baixa e à noite, a amitriptilina (antidepressivo tricíclico) ajuda na dor e no sono; a duloxetina (inibidor da recaptação de serotonina e noradrenalina) atua sobre dor e humor; e a pregabalina ou a gabapentina (gabapentinoides) reduzem a hiperexcitabilidade neuronal. A escolha depende do perfil de cada pessoa, sobretudo do sono e do humor, e cada fármaco tem efeitos adversos a vigiar (sonolência, ganho de peso, tontura). Opioides são desencorajados na fibromialgia: trazem pouco benefício e risco real, e tendem a piorar a sensibilização.

A indicação, a dose e a duração são definidas pelo médico assistente. O panorama das opções é discutido nos medicamentos para fibromialgia e, de forma geral, no guia de remédios para dor.

Saúde mental e sono, sem rodeio

Ansiedade, depressão e insônia caminham com a fibromialgia e amplificam a dor; tratá-las não é “psicologizar” a doença, é tratar peças que mantêm o quadro. A terapia cognitivo-comportamental tem boa evidência para a dor crônica, e o cuidado com o humor pode envolver o psiquiatra quando há quadro depressivo importante. Esse vínculo é explorado em fibromialgia e depressão. Em sofrimento emocional agudo ou pensamentos de morte, o apoio é imediato: o Centro de Valorização da Vida atende pelo 188, 24 horas.

Semana 1 a 4

Diagnóstico e início

Confirmar o quadro, afastar o que imita, educar sobre a dor central, iniciar exercício leve e cuidar do sono.

Semana 4 a 12

Progressão

Progredir o exercício, tratar pontos-gatilho em clínica e ajustar a medicação adjuvante; a dor e a fadiga costumam começar a ceder.

Após 12 semanas

Reavaliação e manutenção

Medir o ganho, manter o que funcionou e rever o que não respondeu; o plano é contínuo, não um curso que termina.

Medimos a intensidade da dor numa escala de 0 a 10, a qualidade do sono, o nível de fadiga e o questionário de impacto da fibromialgia, além do retorno concreto às atividades. Esses números evitam decisões pela impressão do dia e mostram a tendência ao longo das semanas. Quando a melhora não acompanha o esperado, o plano é reexaminado peça a peça e ajustado; repetir o mesmo na esperança de outro resultado não é conduta.

A expectativa fica alinhada desde a primeira consulta: a fibromialgia tende a ser crônica e flutuante, com fases melhores e piores, e o trabalho do fisiatra é ampliar as boas e amortecer as ruins. O panorama mais amplo da doença está no guia de tratamento da fibromialgia.

O valor do fisiatra na fibromialgia

O fisiatra não oferece “mais um tratamento” isolado para a fibromialgia, como se houvesse uma técnica especial à espera. O valor está em montar e sustentar um plano coerente cujo eixo é o exercício graduado, encaixando sono, humor, educação em dor e medicação central nas doses e nos tempos certos. É justamente essa coordenação que o cuidado fragmentado e de modalidade única costuma deixar de fora, e é por isso que tanta gente acumula consultas e exames sem um plano que progrida.

Da prática clínica

Algumas observações recorrentes no acompanhamento da fibromialgia. A parte mais difícil quase nunca é prescrever, e sim convencer a começar o exercício: quem dói o tempo todo associa movimento a piora, e o primeiro ganho costuma vir de uma dose pequena que não provoca a crise temida.

Muitos pacientes chegam aliviados só por ouvir que a dor é real, tem nome e tem um plano, depois de anos sendo mandados de especialista em especialista com exames normais. A virada raramente é uma intervenção isolada; é a sensação de que alguém finalmente está coordenando o conjunto em vez de tratar um pedaço de cada vez.

Costuma surpreender que a meta não seja zerar a dor. Quando se troca “ficar sem dor” por “voltar a dormir, trabalhar e sair de casa com a dor sob controle”, a frustração cede e a adesão melhora, porque o objetivo passa a ser alcançável.

Quando procurar e o que muda a conduta

A fibromialgia é um diagnóstico de quadro clínico, mas alguns sinais indicam que a avaliação não deve esperar, porque apontam para causas que mudam a conduta ou para uma doença diferente que precisa ser tratada antes. Procure atendimento sem demora se notar qualquer um destes:

Sinais de alerta · não espere

Procure avaliação sem demora se houver

  • Articulações inchadas, quentes e vermelhas, ou rigidez matinal muito prolongada, que sugerem doença inflamatória.
  • Febre persistente, perda de peso sem explicação ou suores noturnos.
  • Fraqueza muscular real (não só cansaço), dificuldade para subir escada ou levantar os braços.
  • Dor nova e localizada que muda de padrão, ou dor que acorda à noite de forma progressiva.
  • Início após os 50 anos pela primeira vez, sobretudo com dor e rigidez de cinturas.
  • Pensamentos de morte ou sofrimento emocional intenso; procure ajuda imediata (CVV 188).

Cada item aponta para uma hipótese diferente: articulações inflamadas sugerem doença reumática que não é fibromialgia; febre e perda de peso levantam infecção ou doença sistêmica; fraqueza verdadeira pede investigação neuromuscular; e dor de cinturas após os 50 anos lembra a polimialgia reumática. A presença de qualquer um desses sinais justifica avaliação para descartar outra causa antes de atribuir tudo à fibromialgia. Na ausência deles, o quadro costuma ser conduzido com segurança pelo plano multimodal descrito acima.

Referência reconhecida em dor

A clínica é um Centro de Dor listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED) e um Centro de Tratamento por Ondas de Choque listado pela SMBTOC, e é listada pelo CMBA (Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura).

SBED, Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor SMBTOC, Sociedade Médica Brasileira de Tratamento por Ondas de Choque CMBA, Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura

Perguntas frequentes

Qual médico trata fibromialgia, fisiatra ou reumatologista?

Os dois podem, e o ideal costuma ser um trabalho integrado. O reumatologista é fundamental para afastar e tratar doenças reumáticas inflamatórias que imitam a fibromialgia. O fisiatra (médico de reabilitação e da dor) tem um papel central na condução do tratamento, porque a base é não-farmacológica: dosar o exercício, modular a dor com técnicas em clínica e coordenar o plano multimodal. Na clínica, o foco é exatamente essa condução do tratamento da dor.

Existe exame que confirma a fibromialgia?

Não. A fibromialgia é uma síndrome de dor de origem central, não uma lesão de tecido, e por isso não aparece em exame de sangue nem em ressonância. O diagnóstico é clínico, pela história e pelo exame, com critérios de dor difusa por mais de três meses e sintomas associados. Os exames servem para descartar o que imita a fibromialgia (tireoide, anemia, doenças reumáticas), não para prová-la.

Fibromialgia tem cura?

Não há cura definitiva, e desconfie de quem prometer uma. A fibromialgia tende a ser crônica e flutuante. O que existe, e funciona, é controle: a maioria das pessoas reduz a dor de forma significativa, melhora o sono e recupera função com um tratamento multimodal bem conduzido e mantido. A meta é viver bem, com a dor sob controle, e não zerá-la.

Acupuntura funciona para fibromialgia?

A evidência é de qualidade moderada e aponta para alívio da dor e melhora do sono, em especial com a eletroacupuntura, como parte de um plano e não como tratamento isolado. Faz sentido fisiológico, porque a acupuntura ativa as vias que freiam a dor, justamente o sistema que está deficiente na fibromialgia. Não é cura nem substitui o exercício e o cuidado com o sono, mas pode ser um recurso útil dentro do conjunto.

Por que o exercício, se eu já sinto dor e fadiga?

Porque o exercício orientado é o tratamento com a melhor evidência na fibromialgia: melhora a dor, a fadiga e o humor. O segredo é a dose. Começar forte demais piora, e ficar parado também piora pelo descondicionamento. Por isso se começa leve e progride devagar, com a carga ajustada por um profissional. O exercício recondiciona o corpo e ajuda a recalibrar o sistema que amplifica a dor.

Fibromialgia e dor miofascial são a mesma coisa?

Não, mas costumam coexistir. A fibromialgia é dor difusa por sensibilização central, espalhada pelo corpo. A síndrome dolorosa miofascial é uma dor regional gerada por pontos-gatilho num músculo específico. Muitas pessoas com fibromialgia têm pontos-gatilho miofasciais sobrepostos, e tratá-los (com agulhamento seco ou infiltração) alivia uma camada concreta da dor, dentro do plano geral.

Onde tratar fibromialgia em São Paulo?

O tratamento deve ser conduzido por médico especialista em dor e reabilitação, idealmente com uma equipe multidisciplinar (fisioterapia, e quando necessário psicologia e psiquiatria). Na Clínica Dr. Hong Jin Pai, em São Paulo, o atendimento da fibromialgia segue esse modelo: avaliação médica para diagnóstico e plano, com técnicas de modulação da dor e reabilitação individual. O primeiro passo é uma consulta para confirmar o quadro e montar o tratamento.

Evidência científica · resumos da nossa biblioteca

Resumos em linguagem clara de estudos revisados pelo Dr. Marcus Yu Bin Pai.

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Dr. Marcus Yu Bin Pai
Sobre o autor
Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP 158.074RQE 65.523 / 65.524 / 655.241

Médico especialista em Fisiatria e Acupuntura pela Associação Médica Brasileira, com área de atuação em Dor. Doutor em Ciências pela USP e médico colaborador do Grupo de Dor do HC-FMUSP.

Revisão médica e editorial

Conteúdo revisado clinicamente por Prof. Dr. Hong Jin Pai. Tem finalidade educativa e cita fontes.

Referências2 fontes citadas neste artigoVerOcultar
  1. Hawkins, R.A. Fibromyalgia: A Clinical Update. The Journal of the American Osteopathic Association. 2013. doi:10.7556/jaoa.2013.034.
  2. Siracusa et al. Fibromyalgia: Pathogenesis, Mechanisms, Diagnosis and Treatment Options Update. International Journal of Molecular Sciences. 2021. doi:10.3390/ijms22083891.
Atualizado em 31 mai 2026 Leitura 9 min

Este material tem finalidade educativa e não substitui a avaliação médica individual. Na fibromialgia, em que a apresentação muda muito de uma pessoa para outra, a conduta precisa ser individualizada por um médico que examine o caso; o que se descreve aqui são princípios gerais, não uma prescrição.

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