Exercícios para fibromialgia: entenda a sua importância no tratamento
O exercício é a intervenção com melhor evidência na fibromialgia, à frente de qualquer medicamento isolado. Não é malhar pesado, e sim um programa graduado e consistente.
- Exercício é a intervenção de primeira linha com a melhor e mais consistente evidência na fibromialgia: reduz dor, fadiga e impacto da doença e melhora a função e o sono.
- O que tem mais respaldo é o exercício aeróbico de baixo impacto (caminhada, bicicleta, hidroginástica) somado a fortalecimento progressivo; tai chi e ioga têm boa evidência como práticas mente-corpo.
- A regra de ouro é começar muito abaixo do que você imagina e progredir devagar (start low, go slow). Uma piora inicial leve é comum, não significa dano e não é motivo para parar.
40+ anos · HC-FMUSP · USP · 30 salas · 1.500 m² · Fisioterapia e Pilates individual
Dor tem Tratamento. Foco em tratamentos não cirúrgicos para dor, reabilitação.
Por que o exercício é o centro do tratamento
A pergunta que mais ouço de quem tem fibromialgia é direta: “se dói o corpo todo, como vou me exercitar?”. A resposta também é direta, e contraintuitiva. O movimento bem dosado é justamente o que mais melhora a dor difusa, a fadiga e a qualidade de vida na fibromialgia, com nível de evidência que nenhum remédio isolado alcança.
A fibromialgia é uma síndrome de sensibilização central: o sistema nervoso amplifica os sinais de dor, e estímulos que não deveriam doer passam a doer. Não há lesão nos músculos ou nas articulações que justifique a queixa, e é por isso que exames de imagem e de sangue costumam vir normais. O alvo do tratamento, portanto, não é “consertar” um tecido, e sim recalibrar esse processamento exagerado da dor. O exercício faz exatamente isso.
Os mecanismos são vários e somam-se. A atividade física regular ativa as vias inibitórias descendentes da dor (a chamada analgesia induzida pelo exercício), libera opioides e canabinoides endógenos, melhora o padrão de sono, reduz sintomas de ansiedade e depressão que andam junto com a doença e combate o descondicionamento físico que o sedentarismo da dor impõe. Há ainda um ganho central: voltar a se mover com segurança reduz o medo do movimento (a cinesiofobia), um motor importante da incapacidade na fibromialgia.
Doer ao se mexer não quer dizer que se está machucando. Na fibromialgia a dor é processamento amplificado, e não dano em articulação ou músculo, então o desconforto durante e logo após o esforço é o sistema nervoso reagindo a um estímulo novo, não um tecido se rasgando. É exatamente o oposto da intuição que vale para uma lesão: aqui o movimento graduado e suave acalma esse sistema em vez de prejudicar as juntas. Por isso o erro típico não é “se exercitar de menos”, e sim fazer demais nos dias bons, gastando num pico o que deveria virar uma dose pequena e diária. O entendimento desse mecanismo, mais do que a escolha da modalidade, é o que separa quem desiste de quem segue.
O exercício não cura a fibromialgia, porque não existe cura para a síndrome, e o efeito não é imediato nem linear. O benefício se constrói ao longo de semanas a meses de prática consistente. A meta é reduzir a dor a um patamar que não comande a sua vida, recuperar disposição e função, e dar ao sistema nervoso uma rotina de estímulos que o acalme. Para entender a doença por inteiro, vale ler o guia de fibromialgia: causas, sintomas e tratamento.
“Academia é bom para fibromialgia? Se eu treinar pesado e suar bastante, ataco a doença de frente e melhoro mais rápido.”
O treino intenso e mal dosado costuma desencadear surto de dor e fadiga, e faz a pessoa desistir. Academia pode entrar, sim, mas com carga muito leve e progressão lenta. Quem ganha é a consistência, não a intensidade.
O programa, modalidade por modalidade
Um bom programa para fibromialgia combina quatro componentes, cada um com um papel. Eles não competem entre si: a base é o aeróbico de baixo impacto, o fortalecimento e a mobilidade sustentam o ganho, e as práticas mente-corpo trabalham a regulação da dor e do estresse. A seguir, cada modalidade com o como fazer e o que esperar, sempre dentro da lógica do start low, go slow.
1. Aeróbico de baixo impacto e graduado: a base
É o componente com a evidência mais forte. Caminhada, bicicleta (ergométrica ou na rua, em terreno plano) e, sobretudo, exercícios na água são as melhores portas de entrada porque distribuem a carga e poupam as articulações. Caminhada é boa para fibromialgia e é o exercício mais acessível de todos: não exige equipamento e a dose é fácil de controlar. A regra não é a velocidade nem a distância, e sim a regularidade e a progressão suave.
- Comece muito leve
Pode ser 5 a 10 minutos de caminhada em ritmo confortável, em que você ainda consegue conversar, ou 5 minutos de bicicleta sem resistência. Sim, parece pouco. É proposital: o ponto de partida tem que ser uma dose que você termina sem piorar no dia seguinte.
- Progrida pelo tempo, não pela dor
A cada 1 a 2 semanas, se a dose anterior está sendo bem tolerada, aumente cerca de 10% no tempo (por exemplo, de 10 para 11 ou 12 minutos). Só avance a duração antes de pensar em aumentar a intensidade.
- Mire uma faixa-alvo realista
O objetivo de médio prazo é chegar, ao longo de semanas a meses, a algo em torno de 20 a 30 minutos, 2 a 3 vezes por semana, em intensidade leve a moderada. Esse alvo é flexível e individual; quem está muito descondicionado leva mais tempo, e tudo bem.
- Hidroginástica e exercício na água
A água morna reduz a carga sobre o corpo e tem efeito relaxante e analgésico, o que a torna uma das modalidades mais bem toleradas na fibromialgia. É uma excelente escolha para quem sente muita dor ao caminhar em solo ou tem sobrepeso associado.
O que esperar: nas primeiras 2 a 4 semanas, é comum sentir-se mais cansado ou um pouco mais dolorido nas horas seguintes ao exercício. Isso costuma diminuir à medida que o corpo se adapta. A melhora de disposição e sono frequentemente aparece antes da redução clara da dor, que tende a se consolidar entre a sexta e a décima segunda semana de prática regular.
2. Fortalecimento progressivo
O treino de força melhora a dor, a função e a autoeficácia (a sensação de ser capaz), e combate a fraqueza que vem do descondicionamento. O medo de que “musculação piora a fibromialgia” não se sustenta quando a carga é leve e a progressão é lenta; o que piora é começar pesado demais.
- Carga muito leve no início
Comece com o peso do próprio corpo, faixas elásticas ou halteres bem leves. A primeira meta é aprender o movimento e tolerá-lo, não levantar muito.
- Poucas repetições, boa execução
1 a 2 séries de 8 a 12 repetições por grupo muscular, 2 vezes por semana, com pausa generosa entre as séries. Priorize grandes grupos (pernas, costas, peito) e a qualidade do movimento.
- Progressão lenta e por etapas
Aumente a carga ou as repetições só depois que a dose atual estiver confortável por pelo menos 1 a 2 semanas. Pequenos incrementos, espaçados, evitam o surto.
- Supervisão faz diferença
Iniciar com um fisioterapeuta ou educador físico que conheça a fibromialgia ajuda a ajustar a técnica e a dose. O atendimento individualizado é o ideal para calibrar a progressão ao seu caso.
O que esperar: dor muscular leve de início (a clássica dor de quem voltou a treinar) é esperada e diferente de um surto. Ganhos de força aparecem em poucas semanas; o efeito sobre a dor difusa é mais gradual e depende da constância.
3. Alongamento e mobilidade
A rigidez, sobretudo matinal, é uma queixa frequente na fibromialgia. O trabalho de mobilidade e alongamento suave não substitui o aeróbico e o fortalecimento, mas alivia a sensação de corpo “travado”, melhora a amplitude de movimento e prepara o corpo para as outras atividades. Isso responde diretamente à busca por alongamentos para as dores mais comuns, em especial nas mulheres, que são a maioria das pessoas com a doença.
- Alongue no conforto, sem dor
Leve cada movimento até sentir um estiramento suave, nunca dor. Mantenha 20 a 30 segundos, respirando devagar, e repita 2 a 3 vezes. Estique pescoço, ombros, coluna, quadris e pernas.
- Aproveite a manhã e os intervalos
Uma rotina curta ao acordar ajuda a soltar a rigidez matinal. Pequenas pausas de mobilidade ao longo do dia, sobretudo no trabalho sentado, evitam o acúmulo de tensão.
- Mobilidade antes do esforço
Use movimentos suaves e amplos como aquecimento antes da caminhada ou do fortalecimento, em vez de alongamentos estáticos longos.
4. Práticas mente-corpo: tai chi e ioga
As práticas que integram movimento lento, respiração e atenção têm evidência crescente e específica na fibromialgia. O tai chi combina movimento de baixo impacto, equilíbrio e foco respiratório; ensaios clínicos mostraram benefício sobre dor, sono, fadiga e qualidade de vida comparável, e em alguns estudos superior, ao exercício aeróbico convencional. A ioga, com posturas adaptadas e respiração, também reduz dor e sintomas associados. O ganho dessas práticas vai além do músculo: elas atuam sobre o estresse e a regulação autonômica, que alimentam a sensibilização central.
- Procure aulas adaptadas
Prefira turmas voltadas para iniciantes ou para dor crônica, com instrutor que aceite adaptar posturas. Avise sobre a fibromialgia.
- Respeite os limites do dia
Em dias de mais dor, faça uma versão mais curta e suave. A prática regular, mesmo que breve, vale mais do que sessões longas e esparsas.
- Constância acima de tudo
O benefício do tai chi e da ioga aparece com a prática repetida ao longo de semanas. Encare como hábito, não como tratamento pontual.
5. Exercício supervisionado: fisioterapia, cinesioterapia, RPG e Pilates clínico
Para muita gente, o passo mais difícil não é qual exercício fazer, e sim conseguir dosar e progredir sem desencadear surto. É aqui que a reabilitação supervisionada entra como porta de entrada segura. Na fisioterapia e na cinesioterapia, o exercício terapêutico é prescrito e ajustado individualmente, o fisioterapeuta calibra carga e progressão ao seu caso e ensina o pacing na prática, o que reduz o medo do movimento e a chance de começar alto demais. O mecanismo é o mesmo do exercício livre, ganho de controle motor, força e mobilidade com dessensibilização gradual ao movimento, mas com supervisão para sustentar a adesão nas primeiras semanas, que são as de maior abandono.
RPG (reeducação postural global)
Trabalha as cadeias musculares com posturas de alongamento ativo mantido e contração isométrica, útil para a sensação de corpo rígido e para fatores posturais que somam tensão ao quadro difuso; é adjuvante, não substitui a base aeróbica.
Pilates clínico
Conduzido por profissional e adaptado à dor crônica, foca controle motor, respiração e estabilização do tronco com carga graduada; tem evidência de melhora de dor e função na fibromialgia quando feito de forma progressiva e individualizada.
Em todos, a lógica permanece a mesma: começar leve, progredir devagar e manter a constância. O atendimento individual, um paciente por sala, é o ideal para esse ajuste fino; o passo a passo da reabilitação está detalhado em fisioterapia para fibromialgia.
- O que esperar
- as primeiras sessões são de avaliação e de aprender o movimento na dose certa; o ganho de função e a redução da dor seguem o mesmo prazo do exercício em geral, com melhora ao longo de semanas e manutenção para prevenir recorrência.
- Limitações
- exige regularidade e a transição, com o tempo, para um programa que você sustente sozinho ou em grupo; RPG e Pilates isolados, sem o componente aeróbico, não entregam todo o benefício.
| Modalidade | Para que serve | Como começar |
|---|---|---|
| Aeróbico de baixo impacto (caminhada, bicicleta, hidroginástica) | Base do tratamento; reduz dor, fadiga e melhora o sono | 5 a 10 min leves, progredindo até 20 a 30 min, 2 a 3x/semana |
| Fortalecimento progressivo | Força, função e autoeficácia; combate o descondicionamento | Carga leve, 1 a 2 séries de 8 a 12 repetições, 2x/semana |
| Alongamento e mobilidade | Alivia rigidez matinal e melhora amplitude de movimento | Estiramento suave de 20 a 30 s, sem dor, diário |
| Tai chi e ioga | Dor, sono, estresse e regulação autonômica | Aulas adaptadas, prática regular e progressiva |
| Fisioterapia, cinesioterapia, RPG e Pilates clínico | Exercício supervisionado e individualizado; calibra dose e progressão | Avaliação e prescrição com profissional que conheça a fibromialgia |
Pacing e “start low, go slow”: o conceito-chave
Se há uma ideia para levar deste texto, é esta. O maior erro de quem tenta se exercitar com fibromialgia é o ciclo de arrebentar e quebrar: num dia bom, a pessoa faz muito, paga com dois ou três dias de surto, fica de cama, e quando melhora repete o exagero. Esse vaivém impede qualquer ganho e reforça o medo do movimento.
A alternativa é o pacing, ou gestão de energia: dosar a atividade de forma estável e previsível, baseada no que você consegue fazer num dia ruim, não num dia bom. A regra do start low, go slow traduz isso na prática: comece com uma dose pequena o bastante para ser facilmente tolerada, mantenha-a estável por uma ou duas semanas e só então aumente um pouco. O progresso parece lento, mas é o único que se sustenta.
Defina a linha de base
Encontre a dose de exercício que você tolera mesmo num dia ruim, sem piorar no dia seguinte. Essa é a sua linha de partida, ainda que pareça pequena.
Mantenha estável
Repita essa mesma dose nos dias programados por 1 a 2 semanas, mesmo nos dias bons. Resista à tentação de “aproveitar” e fazer muito mais.
Progrida cerca de 10%
Quando a dose atual estiver confortável, aumente pouco (cerca de 10% no tempo ou na carga). Um incremento pequeno por vez.
Recue sem culpa quando precisar
Em fase de surto ou de mais sintomas, reduza a dose temporariamente em vez de parar de vez. Voltar a um patamar menor e retomar é parte do plano.
Distribua o esforço como quem administra um orçamento. Numa fibromialgia, energia é um recurso finito do dia: gastar tudo pela manhã cobra a conta à tarde. Pequenas doses, espaçadas e constantes, rendem muito mais do que um grande esforço seguido de colapso.
Algumas observações recorrentes no consultório. A primeira é o padrão arrebentar e quebrar: a pessoa some por duas semanas, reaparece num dia bom, faz uma faxina inteira ou uma caminhada longa “para compensar” e volta de cama por três dias. Quase nunca o problema foi a intensidade de uma sessão; foi a oscilação. Por isso a dose de partida proposital e quase ridícula de pequena costuma ser a que de fato avança, porque é a que sobrevive aos dias ruins.
A segunda é o medo, quase universal, de que mexer no corpo vá causar um estrago, somado ao alívio visível quando se explica que não há um tecido lesionado para piorar. Mostrar ao paciente que os exames vieram normais e que a dor é de processamento, não de dano, muda a relação dele com o movimento mais do que qualquer prescrição de séries e repetições.
A terceira é o triângulo sono, humor e dor: quando a noite melhora, a dor do dia seguinte cede um degrau, e o exercício é uma das poucas alavancas que mexem nos três ao mesmo tempo. O que mais surpreende quem começa é a ordem da resposta, a disposição e o sono melhoram semanas antes de a dor recuar, e quem espera a dor cair primeiro costuma desistir antes da hora.
A piora inicial: o que é normal e o que não é
Uma piora leve da dor e do cansaço no começo é comum e esperada, e é o que faz muita gente desistir nas primeiras semanas. O corpo descondicionado reage ao novo estímulo, e o sistema nervoso sensibilizado interpreta esse esforço como ameaça. Isso não significa que o exercício está causando dano aos seus músculos ou articulações. É uma reação de adaptação, costuma ser transitória e tende a diminuir conforme a rotina se estabelece, desde que a dose esteja bem calibrada.
A chave para atravessar essa fase é não confundir desconforto de adaptação com sinal de alerta, e não usar a piora como motivo para abandonar. Se a dose escolhida provoca um surto que dura mais de um ou dois dias, a mensagem não é “pare”, e sim “começou alto demais”: recue para uma dose menor e progrida ainda mais devagar. Ao mesmo tempo, há sintomas que não devem ser atribuídos automaticamente à fibromialgia nem ao exercício e que pedem avaliação médica.
O exercício não explica estes sintomas; investigue
- Dor intensa, localizada e nova em uma articulação, com inchaço, vermelhidão ou calor.
- Dor no peito, falta de ar desproporcional ao esforço, palpitações ou desmaio durante a atividade.
- Fraqueza muscular real (perda de força), dormência ou formigamento persistente em um membro.
- Febre, perda de peso sem explicação ou inchaço de articulações que não cede.
- Dor que muda completamente de padrão, acorda você à noite de forma persistente ou piora de forma progressiva.
Esses sinais apontam para causas que vão além da fibromialgia e que mudam a conduta, de uma artrite inflamatória a um problema cardiovascular. Na ausência deles, a piora leve e passageira após o exercício faz parte do caminho, e a resposta certa é ajustar a dose, não desistir.
Onde o exercício se encaixa no tratamento multimodal
O exercício é a base ativa, mas não trabalha sozinho. A fibromialgia responde melhor a um plano multimodal e individualizado, em que outras frentes se somam ao movimento para reduzir a sensibilização central, melhorar o sono e baixar a carga de sintomas. Nenhuma delas substitui o exercício; todas o potencializam.
Acupuntura médica e eletroacupuntura
Vale dizer o que a acupuntura é, e o que ela não é, na fibromialgia. Na sensibilização central, o problema não está num ponto do corpo, e sim na forma como o sistema nervoso processa a dor; por isso a acupuntura aqui não trata um local doloroso isolado, e sim participa dessa recalibragem. Ela modula a dor por mecanismos segmentares no corno dorsal da medula, pela ativação de vias inibitórias descendentes (substância cinzenta periaquedutal e bulbo rostroventromedial) e pela liberação de opioides endógenos; na eletroacupuntura, uma corrente de baixa frequência conecta as agulhas e tende a recrutar mais esses sistemas opioides. As diretrizes europeias de 2016 (EULAR) citam a acupuntura apenas como recurso de força fraca, isto é, um adjuvante modesto: pode ajudar a reduzir a intensidade da dor e a melhorar o sono em parte das pessoas, sobretudo quando o objetivo é diminuir a dose de medicação, mas não muda o curso da doença e não substitui o exercício.
Em vez de prometer um número fixo de sessões, o critério prático é testá-la por algumas semanas com reavaliação objetiva (dor, sono, função): se houver ganho que justifique, mantém-se como camada de apoio; se não, não se insiste. Na clínica, é sempre conduzida por médico com formação na técnica e integrada ao programa de movimento, nunca como tratamento isolado.
Agulhamento seco para pontos-gatilho sobrepostos
Aqui é preciso separar duas dores que coexistem. A dor da fibromialgia é difusa e central, e o agulhamento seco não trata essa dor amplificada. O que ele pode tratar é uma camada à parte, frequente em quem tem fibromialgia: uma síndrome dolorosa miofascial sobreposta, com pontos-gatilho palpáveis e localizados em músculos como trapézio superior, elevador da escápula e suboccipitais, que acrescentam uma dor focal e mecânica ao fundo difuso. Quando esses pontos focais existem e são reprodutíveis ao exame, desativá-los retira um gerador a mais de aferência nociceptiva e costuma facilitar a janela para o paciente se mover.
A agulha, sem injetar qualquer substância, busca o ponto-gatilho e provoca a contração reflexa local da banda tensa, reduzindo a atividade espontânea da placa motora; o efeito é local e segmentar, restrito àquele músculo, e a resposta varia de imediata a algumas dezenas de horas, com dor leve no local por um a dois dias. É, portanto, um recurso pontual e dirigido a um achado focal, não um tratamento da fibromialgia em si.
Sono: tratar é parte do tratamento
O sono não reparador é um dos pilares da fibromialgia e alimenta um círculo vicioso: dor atrapalha o sono, e o sono ruim amplifica a dor no dia seguinte. Cuidar da higiene do sono (horários regulares, reduzir telas e cafeína à noite, ambiente escuro e silencioso) e tratar distúrbios associados, como apneia, costuma melhorar diretamente a dor e a fadiga. O próprio exercício regular é um dos melhores indutores naturais de sono profundo, o que reforça por que ele está no centro do plano.
O remédio entra quando a dor atrapalha o sono ou impede o exercício, sempre por tempo definido e com prescrição; o que se usa, e por quanto tempo, está no guia de remédios para dor.
Exercício graduado
O centro de tudo: aeróbico de baixo impacto, fortalecimento e práticas mente-corpo, com pacing.
Acupuntura, agulhamento, sono e medicação
Reduzem a sensibilização e a carga de sintomas para o exercício render. Nenhuma substitui o movimento.
A fisioterapia merece destaque por ser a porta de entrada mais segura para estruturar e supervisionar o programa de exercícios, ajustando a dose ao seu caso e ensinando o pacing na prática; o passo a passo está detalhado em fisioterapia para fibromialgia.
Centro de Dor
Listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED)
Centro de Tratamento por Ondas de Choque
Listado pela Sociedade Médica Brasileira de Tratamento por Ondas de Choque (SMBTOC)
Clínica listada
Listada pelo Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura (CMBA)
Perguntas frequentes
Qual o melhor exercício para fibromialgia?
O exercício aeróbico de baixo impacto e graduado, como caminhada, bicicleta e hidroginástica, é o que tem a melhor evidência, somado a fortalecimento progressivo. Tai chi e ioga também ajudam. Mais importante do que escolher “o melhor” é começar leve, progredir devagar e manter a regularidade. A modalidade ideal é a que você consegue fazer de forma constante e sem desencadear surtos.
Caminhada é boa para fibromialgia?
Sim, e é uma das melhores opções para começar, por ser acessível e de baixo impacto. O segredo está na dose: comece com 5 a 10 minutos em ritmo confortável e aumente cerca de 10% a cada uma ou duas semanas, conforme a tolerância, mirando algo em torno de 20 a 30 minutos, 2 a 3 vezes por semana. Caminhar em terreno plano e com calçado adequado ajuda.
Academia é boa para fibromialgia? Posso fazer musculação?
Pode, sim. O fortalecimento melhora dor, força e função. O cuidado é a dose: carga leve, poucas séries, progressão lenta e, de preferência, com orientação de um profissional que conheça a fibromialgia. O que costuma dar errado é treinar pesado demais no início e desencadear um surto. Comece abaixo do que acha que aguenta e suba devagar.
É normal a dor piorar quando começo a me exercitar?
Uma piora leve e passageira nas primeiras semanas é comum e não significa que o exercício está causando dano. É uma reação de adaptação do corpo descondicionado e do sistema nervoso sensibilizado. Se a piora dura mais de um ou dois dias, foi sinal de que a dose começou alta demais: recue e progrida mais devagar, em vez de parar. Dor articular nova com inchaço, ou sintomas como dor no peito, são exceções que pedem avaliação.
A amitriptilina ajuda nos exercícios para fibromialgia?
A amitriptilina em dose baixa à noite é uma das medicações mais usadas na fibromialgia porque melhora o sono e reduz a dor, o que indiretamente facilita a adesão ao exercício. Ela é adjuvante: ajuda a baixar o volume dos sintomas para você conseguir se mover e dormir, mas não substitui a atividade física, que é a base do tratamento. A indicação, a dose e a duração são definidas pelo médico.
Quanto tempo até o exercício fazer efeito na fibromialgia?
Varia entre as pessoas. A disposição e o sono costumam melhorar primeiro, em poucas semanas. A redução mais clara da dor difusa tende a se consolidar entre a sexta e a décima segunda semana de prática regular. A evolução não é linear: há dias melhores e piores. Consistência ao longo do tempo importa mais do que a intensidade de qualquer sessão isolada.
Resumos em linguagem clara de estudos revisados pelo Dr. Marcus Yu Bin Pai.
Ver a biblioteca científica completaReferências2 fontes citadas neste artigoVerOcultar
- Busch et al. Exercise for Fibromyalgia: A Systematic Review. Journal of Rheumatology. 2008.
- Garrido-Ardila et al. Effectiveness of acupuncture vs. core stability training in balance and functional capacity of women with fibromyalgia: a randomized controlled trial. Clinical Rehabilitation. 2020. doi:10.1177/0269215520911992.
Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação médica individual. As doses, faixas de tempo e progressões aqui descritas são pontos de partida ilustrativos: a tolerância ao exercício na fibromialgia muda de pessoa para pessoa e de semana para semana, então o programa precisa ser individualizado caso a caso, de preferência com quem acompanha o seu quadro. Antes de iniciar a atividade física, sobretudo se houver outras condições de saúde como problemas cardíacos ou articulares, avalie com seu médico.
