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Fibromialgia · Tratamento medicamentoso

Medicamentos novos para fibromialgia: o que de fato funciona

Não há cura nem remédio único para a fibromialgia, mas alguns medicamentos têm benefício real sobre dor, sono e função.

Resposta direta
  • Para fibromialgia, os remédios com melhor evidência seguem sendo a duloxetina, a pregabalina e a amitriptilina; a ciclobenzaprina em dose baixa e o milnaciprano completam o grupo dos fármacos centrais com evidência internacional, embora a disponibilidade e o registro de cada um variem no Brasil.
  • As opções “novas”, como a naltrexona em baixa dose e os canabinoides, têm evidência ainda preliminar ou limitada e não substituem o que já está estabelecido; nenhum remédio cura a fibromialgia.
  • O medicamento é adjuvante. A base do tratamento que de fato muda o curso é o exercício aeróbico graduado, a educação em dor, o cuidado com o sono e técnicas como a acupuntura, individualizadas após avaliação.
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Avaliação clínica

Dor tem Tratamento. Foco em tratamentos não cirúrgicos para dor, reabilitação.

O que significa “medicamento novo” na fibromialgia

Ilustração das novas opções para fibromialgia (duloxetina, pregabalina e milnaciprana), com a estrutura química e o mecanismo de ação de cada uma.
As novas opções ampliam o arsenal além dos analgésicos: duloxetina e milnaciprana atuam na serotonina e noradrenalina, e a pregabalina nos canais de cálcio.

A busca por um medicamento novo para fibromialgia quase sempre nasce de uma frustração legítima: o tratamento atual não controla a dor o suficiente.

A fibromialgia é uma síndrome de dor crônica difusa que envolve sensibilização do sistema nervoso central, ou seja, uma amplificação no modo como a dor é processada, somada a sono não reparador, fadiga, dificuldade de concentração (a chamada “fibronévoa”) e, com frequência, ansiedade ou humor deprimido. Como o problema central não é uma inflamação nem uma lesão de tecido, anti-inflamatórios comuns e opioides têm desempenho ruim aqui, e os remédios que funcionam são os que atuam sobre a modulação da dor no sistema nervoso.

Vale separar dois sentidos de “novo”. O primeiro é o de moléculas recém-lançadas: nesse ponto, a verdade desconfortável é que não houve, nos últimos anos, um lançamento que tenha superado os fármacos clássicos. Os medicamentos com aprovação específica para fibromialgia em agências como a FDA (duloxetina, pregabalina e milnaciprano) continuam sendo a referência, e as diretrizes internacionais de reumatologia mantêm a recomendação centrada nessas classes.

O segundo sentido, mais útil na prática, é o de opções discutidas e estudadas mais recentemente como alternativas para quem não respondeu ao tratamento padrão, como a naltrexona em baixa dose e os canabinoides. Sobre essas, é preciso calibrar a expectativa: a evidência ainda é preliminar ou limitada.

O que muda o foco

Não é dor de inflamação

A dor da fibromialgia vem da amplificação central do estímulo doloroso, não de uma lesão local. Por isso os remédios eficazes agem no sistema nervoso, e não anti-inflamatórios.

Magnitude realista
~30%

de redução da dor é uma resposta considerada clinicamente relevante na literatura; “zerar” a dor não é uma meta realista.

Esse enquadramento importa porque define o que esperar. Um bom remédio para fibromialgia costuma reduzir a intensidade da dor, melhorar o sono e devolver capacidade de funcionar, e não eliminar o sintoma por completo. Quando a expectativa é a de uma cura medicamentosa, a frustração com qualquer fármaco é quase inevitável, o que leva à troca incessante de remédios em vez do ajuste do plano como um todo.

Dr. Marcus Yu Bin Pai sendo entrevistado ao microfone no estúdio da rádio 89 Rock
Na mídia Dr. Marcus Yu Bin Pai em entrevista na rádio 89 A Rádio Rock.

Os medicamentos estabelecidos para fibromialgia

Ilustração das classes de fármacos estabelecidos na fibromialgia: antidepressivo tricíclico, anticonvulsivante, relaxante muscular e analgésico.
Os fármacos já consagrados seguem como base do tratamento: antidepressivos tricíclicos, anticonvulsivantes, relaxantes musculares e analgésicos.

Estes são os remédios para fibromialgia com a melhor relação entre evidência e segurança. Todos têm em comum o fato de agirem sobre vias de modulação da dor no sistema nervoso central. A escolha entre eles depende do sintoma que mais incomoda (dor, insônia, fadiga, humor), das comorbidades e da tolerância de cada pessoa.

2
Antidepressivos duais centrais (duloxetina, milnaciprano)
1
Gabapentinoide (pregabalina)
2
Opções noturnas (amitriptilina, ciclobenzaprina)

Duloxetina

A duloxetina é um inibidor da recaptação de serotonina e noradrenalina (IRSN). O mecanismo relevante na fibromialgia é o reforço das vias inibitórias descendentes da dor, que partem do tronco encefálico e “abafam” o sinal doloroso na medula; a noradrenalina tem papel central nesse freio. É um dos fármacos com aprovação específica para fibromialgia em agências regulatórias internacionais.
Evidência
ensaios clínicos e revisões sistemáticas mostram benefício consistente sobre a dor e a função, com efeito também sobre o humor, o que ajuda quando há depressão associada.
O que esperar
costuma ser iniciada em dose baixa e ajustada de forma gradual; o efeito sobre a dor tende a aparecer ao longo de algumas semanas. Náusea, boca seca e sonolência ou insônia são os efeitos iniciais mais comuns e em geral cedem.

Pregabalina

A pregabalina é um gabapentinoide que se liga à subunidade alfa-2-delta dos canais de cálcio dos neurônios, reduzindo a liberação de neurotransmissores excitatórios e diminuindo a hiperexcitabilidade central. É outro fármaco com aprovação específica para fibromialgia.
Evidência
há benefício demonstrado sobre a dor e, de forma marcante, sobre o sono, o que a torna uma escolha interessante para quem tem insônia importante.
O que esperar
a dose é titulada para cima de forma lenta; tontura, sonolência, edema (inchaço) e ganho de peso são efeitos a monitorar. A gabapentina é uma alternativa da mesma classe, com perfil semelhante. A retirada de qualquer gabapentinoide deve ser gradual.

Amitriptilina

A amitriptilina é um antidepressivo tricíclico usado em dose baixa para dor crônica, bem abaixo das doses antidepressivas. Atua sobre a recaptação de serotonina e noradrenalina e tem efeito favorável sobre o sono.
Evidência
é um dos medicamentos com mais tempo de uso na fibromialgia e segue recomendada em diretrizes, sobretudo quando a queixa de sono não reparador é proeminente.
O que esperar
é tomada à noite, justamente por induzir sono; boca seca, constipação, sonolência matinal e retenção urinária são os efeitos típicos, mais frequentes em idosos, o que exige cautela. A nortriptilina é uma alternativa da mesma família, às vezes mais bem tolerada.

Ciclobenzaprina em dose baixa

A ciclobenzaprina é estruturalmente aparentada aos tricíclicos. Embora seja conhecida como relaxante muscular, na fibromialgia o interesse está no seu uso em dose baixa à noite, com o objetivo de melhorar a qualidade do sono e reduzir a dor, e não de “relaxar músculos” em crise.
Evidência
revisões apontam melhora modesta da dor e do sono.
O que esperar
sonolência e boca seca são comuns; por isso a dose noturna. Pelo parentesco com os tricíclicos, não se combina livremente com a amitriptilina nem com certos antidepressivos sem orientação. Tratamos a fundo essa classe no texto sobre relaxante muscular para fibromialgia.

Milnaciprano

O milnaciprano é outro IRSN, com aprovação específica para fibromialgia em parte das agências regulatórias, embora a disponibilidade varie entre países. Em comparação com a duloxetina, tende a ter um efeito relativamente maior sobre a fadiga.
Evidência
ensaios mostram benefício sobre dor, fadiga e função.
O que esperar
náusea, sudorese e elevação leve da frequência cardíaca ou da pressão estão entre os efeitos a acompanhar. A escolha entre os duais (duloxetina ou milnaciprano) é individual.
Visão geral dos fármacos centrais
MedicamentoClasse e alvo principalSintoma em que mais ajuda
DuloxetinaIRSN (vias descendentes da dor)Dor e humor
PregabalinaGabapentinoide (canal de cálcio alfa-2-delta)Dor e sono
AmitriptilinaTricíclico em dose baixaSono não reparador e dor
Ciclobenzaprina (dose baixa)Aparentado aos tricíclicosSono e dor, à noite
MilnacipranoIRSNDor e fadiga

Na prática clínica, é comum começar por um único fármaco escolhido pelo sintoma dominante, titular a dose com calma e reavaliar após semanas. Combinações (por exemplo, um dual de dia e uma medicação para o sono à noite) são possíveis, mas pertencem ao médico que acompanha o caso, justamente pelo risco de interações. Para um panorama mais amplo das classes de analgésicos e adjuvantes usados em dor, veja o guia de remédios para dor, e para entender por que antidepressivos tratam dor mesmo sem depressão, o texto sobre o que são antidepressivos.

Segurança, contraindicações e como se escolhe o remédio

Nenhum desses medicamentos é isento de riscos, e o que faz sentido para uma pessoa pode ser contraindicado para outra. A escolha leva em conta idade, função do fígado e dos rins, pressão arterial, uso de outros remédios, risco de quedas e o sintoma que mais incomoda.

Sinais de alerta · quando procurar o médico ou o pronto-socorro

A maioria dos efeitos é leve e passageira; estes sinais, não

  • Síndrome serotoninérgica (emergência): agitação ou confusão, tremores ou abalos musculares, febre, suor intenso e coração disparado nas horas a dias após iniciar ou somar duloxetina, milnaciprano, amitriptilina, ciclobenzaprina, tramadol ou triptano. Procure o pronto-socorro.
  • Tricíclicos (amitriptilina) e ciclobenzaprina pedem cautela em idosos, glaucoma, arritmias e retenção urinária, pelo efeito anticolinérgico e cardíaco.
  • Gabapentinoides (pregabalina, gabapentina) causam sonolência e tontura, aumentam o risco de quedas e exigem ajuste na insuficiência renal; a retirada deve ser gradual.
  • IRSN podem elevar a pressão arterial e exigem atenção em quem tem doença cardiovascular; a suspensão abrupta provoca sintomas de descontinuação.
  • Gravidez, amamentação e plano de engravidar mudam a escolha do fármaco e precisam ser informados ao médico.
  • Pensamentos de morte ou de se ferir após iniciar ou ajustar um antidepressivo: contate o médico no mesmo dia; havendo risco imediato, procure o pronto-socorro.

Um ponto que merece destaque: anti-inflamatórios não esteroides e, principalmente, opioides têm papel muito limitado na fibromialgia. Os opioides, em especial, podem piorar o quadro a longo prazo por hiperalgesia (paradoxalmente, aumento da sensibilidade à dor) e risco de dependência, e não são recomendados. O tramadol, por ter também ação sobre serotonina e noradrenalina, é por vezes usado em situações pontuais, mas com as mesmas ressalvas de tolerância e interações.

Pérola clínica

Na prática, a falha de um remédio para fibromialgia raramente significa que “nenhum remédio funciona”. Com frequência a dose foi subterapêutica, o tempo de avaliação foi curto demais, ou o tratamento se apoiou só no comprimido, sem exercício, sono e educação em dor. Antes de declarar refratariedade, revê-se o plano inteiro.

A combinação errada de remédios serotoninérgicos é perigosa, e a interrupção ou a troca por conta própria pode provocar sintomas de retirada e piora da dor.

Da prática clínica

Algumas observações recorrentes no consultório, que ajudam a calibrar a expectativa em torno do remédio.
O ajuste é por tentativa e titulação, não acerto de primeira: é comum precisar trocar de fármaco ou de dose uma ou mais vezes até encontrar o que ajuda com efeitos colaterais aceitáveis, e isso não é fracasso, é o curso esperado.
O remédio raramente é o que mais muda a vida da pessoa: quando há melhora consistente, em geral ela vem junto com a retomada do exercício e a regularização do sono, e o comprimido funciona como apoio que torna esse resto possível.
O efeito é modesto, e dizer isso desde o início poupa frustração: quem chega esperando que o remédio “resolva” tende a abandonar cada um por achar que não funcionou, quando o ganho real era justamente o que se estava sentindo. O que costuma surpreender é descobrir que um antidepressivo em dose baixa foi receitado para a dor e o sono, e não para depressão, o que tem mais a ver com o mecanismo do que com o humor.

Opções novas e ainda em discussão

Aqui ficam as alternativas que respondem de forma mais direta à pergunta por um “medicamento novo”. São opções estudadas mais recentemente, sobretudo para quem não respondeu ao tratamento padrão.

Naltrexona em baixa dose (LDN)

A naltrexona é um antagonista de opioides usado, em sua dose habitual, para outras finalidades. Em baixa dose (a chamada LDN, low dose naltrexone), postula-se um efeito diferente: uma modulação da neuroinflamação por ação sobre a microglia (as células imunes do sistema nervoso central), o que poderia reduzir a dor da fibromialgia.
Evidência
é preliminar. Existem estudos pequenos, em geral de centros isolados, com resultados promissores, mas faltam ensaios grandes e bem controlados para firmar a recomendação. Por isso a LDN é, hoje, uma opção considerada caso a caso, fora de indicação aprovada (uso off-label), e não um tratamento de primeira linha.
O que esperar
costuma ser bem tolerada; sonhos vívidos e alterações leves do sono no início são relatados. Não deve ser usada por quem faz uso de opioides, pelo antagonismo.

Canabinoides (CBD e produtos à base de cannabis)

Os canabinoides atuam no sistema endocanabinoide, que participa da modulação da dor e do sono. O interesse é grande e a procura, frequente.
Evidência
é limitada e heterogênea na fibromialgia. Alguns pacientes relatam melhora da dor e, sobretudo, do sono, mas os estudos disponíveis são pequenos, com formulações e doses variadas, o que dificulta uma recomendação firme. Há também um aspecto regulatório: no Brasil, o acesso a produtos à base de cannabis é regulado pela Anvisa e depende de prescrição e de via específica de obtenção.
O que esperar
tontura, sonolência e alterações cognitivas são possíveis; há interações medicamentosas e contraindicações. Não é um tratamento de primeira linha e, quando considerado, deve ser conduzido por médico habilitado, dentro das normas vigentes.
Mito

“Existe um remédio novo que cura a fibromialgia, é só descobrir qual.”

Fato

Não há cura medicamentosa nem um fármaco que supere os já estabelecidos. As opções novas ajudam alguns pacientes, com evidência ainda preliminar ou limitada, e somam a um plano mais amplo.

O teto de benefício dos “novos” remédios para fibromialgia

Nenhum fármaco para fibromialgia é um avanço de patamar. Os que têm aprovação específica ajudam de forma modesta e apenas uma parte dos pacientes responde de modo clinicamente relevante, e os “novos” mais citados (a naltrexona em baixa dose e os canabinoides) têm evidência de baixa certeza, vinda de estudos pequenos e heterogêneos. Como o teto de benefício dos remédios é baixo, o ganho que de fato se sustenta ao longo do tempo continua vindo de exercício, sono e do manejo do ritmo de atividades, e o medicamento entra como suporte para tornar esse trabalho possível, não como o tratamento em si. Procurar a próxima molécula sem cuidar dessa base costuma render decepção repetida.

Outras moléculas e tecnologias seguem em investigação, e algumas são divulgadas como promessas antes de terem evidência sólida. A postura responsável é acompanhar a literatura sem antecipar conclusões: uma opção entra na prática quando há dados que sustentem o benefício e a segurança, não antes.

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O tratamento que de fato muda o curso da fibromialgia

Esta é a parte mais importante do texto, e a que costuma receber menos atenção quando a busca começa pelo remédio. As diretrizes internacionais são explícitas: na fibromialgia, a base do tratamento é não medicamentosa, e o fármaco entra como adjuvante. O plano é multimodal e individualizado, montado conforme o que mais limita cada pessoa, e o medicamento soma a ele, sem substituí-lo.

Exercício aeróbico graduado: o pilar

O exercício é a intervenção com a evidência mais robusta na fibromialgia, à frente de qualquer comprimido.
Mecanismo
a atividade física regular reduz a sensibilização central, melhora a resposta das vias inibitórias da dor, regula o sono e o humor e reverte o descondicionamento que o próprio quadro provoca.
O que esperar
o segredo está na palavra “graduado”. Começa-se com uma carga muito leve, abaixo do limiar que dispara a dor, e progride-se devagar, ao longo de semanas. É comum haver um leve aumento de sintomas no início, que costuma ceder com a continuidade; desistir nessa fase é o erro mais frequente. Caminhada, hidroginástica, bicicleta e exercícios na água estão entre as opções, e a regularidade importa mais do que a intensidade.

Educação em dor

Entender que a dor da fibromialgia é real, mas reflete uma amplificação do processamento, e não um dano que está se agravando, muda o comportamento diante dela.
Mecanismo
a educação em neurociência da dor reduz o medo do movimento e o catastrofismo, fatores que, por si sós, intensificam a dor e a incapacidade.
O que esperar
não é um “está tudo na sua cabeça”. É devolver controle, com estratégias de manejo da rotina, da carga de atividades e dos gatilhos. É também a base que sustenta a adesão ao exercício.

Sono

Sono não reparador e fibromialgia se alimentam mutuamente: a má qualidade do sono amplifica a dor no dia seguinte, e a dor atrapalha o sono.
Mecanismo
tratar a insônia melhora o limiar de dor e a fadiga.
O que esperar
medidas de higiene do sono, abordagem de apneia quando presente e, quando há indicação medicamentosa, escolher um fármaco que também ajude no sono (como amitriptilina, ciclobenzaprina em dose baixa ou pregabalina à noite) resolve dois problemas com uma decisão. A terapia cognitivo-comportamental para insônia tem boa evidência.

Acupuntura médica e eletroacupuntura

A acupuntura médica consiste na inserção de agulhas finas em acupontos por médico com formação específica; na eletroacupuntura, uma corrente de baixa intensidade conecta as agulhas.
Mecanismo
modulação segmentar da dor no corno dorsal da medula, ativação das vias inibitórias descendentes e liberação de opioides endógenos; a baixa frequência tende a recrutar mais esses sistemas.
Evidência
há evidência de benefício na fibromialgia e em outras dores crônicas, com magnitude variável, e a eletroacupuntura costuma se destacar. É um recurso útil para quem quer reduzir a carga de medicamentos sem abrir mão do controle da dor.
O que esperar
o alívio na fibromialgia é progressivo e cumulativo, somando-se sessão a sessão em vez de surgir de uma vez; por isso a acupuntura é planejada como um curso, com reavaliação formal do ganho sobre dor, sono e fadiga antes de manter ou ajustar a frequência. Como atua sobre a modulação central da dor, dialoga bem com os fármacos centrais e pode ajudar a estabilizar o quadro enquanto a dose de um deles é titulada.

Reabilitação, fisioterapia e abordagem psicológica

A fisioterapia e a cinesioterapia individualizadas dão o suporte para o exercício progredir com segurança, trabalhando controle motor, força e dessensibilização ao movimento. Quando há ansiedade, depressão ou catastrofismo importantes, o acompanhamento psicológico, incluindo a terapia cognitivo-comportamental, tem evidência de benefício e potencializa o restante do plano. A fibromialgia se beneficia, de forma clara, de uma equipe que atua em conjunto.

A escada abaixo organiza essa lógica: começa pelo que tem a melhor evidência e o menor risco, e reserva o medicamento e os recursos mais específicos para somar, conforme a resposta.

Base não medicamentosa

Exercício aeróbico graduado, educação em dor e cuidado com o sono: o alicerce do tratamento, mantido a longo prazo.

Medicação adjuvante

Um fármaco central escolhido pelo sintoma dominante (duloxetina, pregabalina, amitriptilina, ciclobenzaprina em dose baixa ou milnaciprano), titulado com calma.

Técnicas em clínica

Acupuntura e eletroacupuntura para modular a dor; agulhamento seco para os pontos-gatilho miofasciais sobrepostos.

Casos refratários

Reavaliação do diagnóstico, ajuste do plano e, de forma individualizada e off-label, discussão de opções como a naltrexona em baixa dose.

Semana 1 a 4

Início

Educação em dor, primeiros passos do exercício leve e, quando indicado, início da medicação em dose baixa.

Semana 4 a 12

Progressão

Aumento gradual do exercício e da dose do fármaco; a dor e o sono costumam começar a responder. Acupuntura quando indicada.

Após 3 meses

Reavaliação

Sem a resposta esperada, revê-se o diagnóstico e o plano inteiro, em vez de apenas trocar o comprimido. A evolução não é linear.

A meta realista, alinhada desde o início, é reduzir a dor a um nível que não limite a rotina, melhorar o sono e a função e diminuir as crises, e não eliminar a dor por completo. A fibromialgia tende a ser uma condição de longo prazo, com altos e baixos; reconhecer isso direciona o esforço para o que de fato muda o curso, em vez da troca interminável de remédios. Para um panorama do tratamento como um todo, veja também a página sobre tratamento para fibromialgia e o pillar fibromialgia: causas, sintomas e tratamento.

Reconhecimento

Centro de Dor

Listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED)

Centro de Tratamento por Ondas de Choque

Listado pela Sociedade Médica Brasileira de Tratamento por Ondas de Choque (SMBTOC)

Clínica listada

Listada pelo Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura (CMBA)

Perguntas frequentes

Qual o melhor remédio para fibromialgia?

Não existe um “melhor” remédio universal. Ao escolher um medicamento para fibromialgia, os fármacos com melhor evidência são a duloxetina, a pregabalina e a amitriptilina, e a opção entre eles depende do sintoma que mais incomoda (dor, sono, fadiga, humor), das comorbidades e da tolerância. A definição cabe ao médico, após avaliação.

Existe medicamento novo para fibromialgia que cura?

Não. Não há cura medicamentosa para a fibromialgia, e nenhum lançamento recente superou os fármacos estabelecidos. Opções novas, como a naltrexona em baixa dose e os canabinoides, têm evidência ainda preliminar ou limitada e somam a um plano mais amplo, sem substituir a base.

Qual o melhor relaxante muscular para fibromialgia?

Os relaxantes musculares comuns têm papel limitado. A exceção mais discutida é a ciclobenzaprina em dose baixa à noite, pelo efeito sobre o sono e a dor. Não se trata de relaxar músculos em crise, mas de melhorar o sono. Veja o texto sobre relaxante muscular para fibromialgia.

A naltrexona em baixa dose funciona para fibromialgia?

A evidência é preliminar. Estudos pequenos sugerem benefício, mas faltam ensaios grandes e bem controlados. É uma opção considerada caso a caso, fora de indicação aprovada (off-label), e não um tratamento de primeira linha. Não deve ser usada por quem faz uso de opioides.

Anti-inflamatório ou opioide ajudam na fibromialgia?

Pouco. Como a dor não vem de inflamação local, os anti-inflamatórios têm desempenho ruim, e os opioides não são recomendados, pelo risco de hiperalgesia e dependência. Os remédios que funcionam atuam sobre a modulação da dor no sistema nervoso central.

Quanto tempo o remédio demora para fazer efeito?

Em geral algumas semanas, com a dose ajustada de forma gradual. Avaliar um fármaco por poucos dias, ou em dose subterapêutica, é uma causa comum de “falha” aparente.

Dá para tratar fibromialgia sem remédio?

A base do tratamento é justamente não medicamentosa: exercício aeróbico graduado, educação em dor e cuidado com o sono. Muitas pessoas melhoram de forma significativa com esse alicerce, e o medicamento entra como adjuvante quando necessário, não como o centro do plano.

Posso ajustar ou trocar o remédio por conta própria?

Não. A combinação errada de fármacos serotoninérgicos pode ser perigosa, e a interrupção abrupta provoca sintomas de retirada e piora da dor. Qualquer ajuste deve ser feito pelo médico que acompanha o caso.

Evidência científica · resumos da nossa biblioteca

Resumos em linguagem clara de estudos revisados pelo Dr. Marcus Yu Bin Pai.

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Dr. Marcus Yu Bin Pai
Sobre o autor
Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP 158.074RQE 65.523 / 65.524 / 655.241

Médico especialista em Fisiatria e Acupuntura pela Associação Médica Brasileira, com área de atuação em Dor. Doutor em Ciências pela USP e médico colaborador do Grupo de Dor do HC-FMUSP.

Revisão médica e editorial

Conteúdo revisado clinicamente por Prof. Dr. Hong Jin Pai. Tem finalidade educativa e cita fontes.

Referências3 fontes citadas neste artigoVerOcultar
  1. Macfarlane GJ, et al. EULAR revised recommendations for the management of fibromyalgia. Annals of the Rheumatic Diseases. 2017;76(2):318-328.
  2. Welsch P, et al. Serotonin and noradrenaline reuptake inhibitors (SNRIs) for fibromyalgia. Cochrane Database of Systematic Reviews. 2018;2:CD010292.
  3. Derry S, et al. Pregabalin for pain in fibromyalgia in adults. Cochrane Database of Systematic Reviews. 2016;9:CD011790.
Atualizado em 1 jun 2026 Leitura 13 min

Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação médica. Na fibromialgia a resposta a um mesmo medicamento difere muito de uma pessoa para outra, de modo que iniciar, ajustar, combinar ou suspender qualquer remédio é decisão exclusiva do médico assistente, nunca do próprio paciente.

Sem comentários

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  • Ana Maria Rodrigues

    Tenho fibromialgia é terrível já tentei o suicídio, será que não dão valor a quem sofre tanto?Na próxima vez me mato mesmo ajudem nos pelo Amor de Deus.

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