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Síncope ou Desmaio: O que pode ser? Aprenda mais

Síncope é o termo médico para a perda de consciência transitória, que costuma ser seguida de uma recuperação rápida e espontânea. Conhecido popularmente como desmaio, o acometimento quase sempre é fruto de redução na quantidade de sangue que flui para o cérebro.

Embora também causem perda de consciência, convulsões, coma e choque não se encaixam na definição de síncope.

O problema afeta 3% dos homens e 3,5% das mulheres em algum momento da vida, sendo mais comum na terceira idade – com taxas de até 6% em pessoas com mais de 75 anos. Apesar disso, pode ocorrer em qualquer faixa etária e em indivíduos com ou sem boa condição de saúde.

Continue lendo e saiba mais sobre a síncope.

Como ocorre a síncope?

O cérebro possui várias partes, como dois hemisférios, o cerebelo e o tronco cerebral. Todas precisam de fluxo sanguíneo para fornecer oxigênio e glicose (açúcar) às células.

Para que o corpo esteja acordado, a área conhecida como sistema de ativação reticular, localizada no tronco cerebral, e pelo menos um hemisfério precisam estar funcionando.

Em desmaios, o sistema de ativação reticular ou os dois hemisférios do cérebro são privados de sangue, oxigênio ou glicose, o que leva ao desmaio.

Causas

Em geral, a síncope é fruto de alterações na parte do sistema nervoso que regula a pressão arterial e a frequência cardíaca

O problema costuma vir em resposta a um gatilho, como ver sangue, colher sangue, ser exposto ao calor e à iminência de lesões corporais.

Apesar de a maioria das situações serem benignas – apenas com o risco inerente à queda pelo desmaio –, existem casos que são frutos de acometimentos que oferecem chance de morte ao paciente. Entenda esses e outros tipos de síncope abaixo:

Síncope vasovagal 

´É caracterizada pela queda repentina da pressão arterial, de modo que o fluxo sanguíneo para o cérebro é reduzido rapidamente e o indivíduo se sente mal e/ou perde a consciência.

Tipo mais comum de síncope, a vasovagal é explicada pelo fato de a gravidade causar a sedimentação do sangue na parte inferior do corpo, abaixo do diafragma.

Ainda há casos do problema que são decorrentes de hipotensão ortostática, condição que diminui o calibre dos vasos sanguíneos quando o paciente permanece em pé, o que faz com que o sangue se acumule nas pernas e leva à queda rápida da pressão arterial.

Síncope situacional

Subtipo de síncope vasovagal, é fruto de ações e situações que afetam o sistema nervoso, como:

  • Desidratação
  • Estresse intenso
  • Ansiedade
  • Medo
  • Dor
  • Fome
  • Uso de álcool ou drogas
  • Hiperventilação (condição que ocorre quando a ventilação pulmonar é maior que a eliminação de dióxido de carbono, ou seja, aumento incomum da quantidade de ar nos pulmões)
  • Tosse com força
  • Uso de colarinho apertado (hipersensibilidade ao seio carotídeo)

Hipotensão postural

A hipotensão postural, também denominada síncope postural, acontece quando a pressão arterial cai devido a uma rápida mudança de posição, como deitar-se, sentar-se ou ficar em pé.

Normalmente, o cérebro luta contra a queda natural da pressão pela gravidade, estabilizando-a, mas nesse tipo de síncope isso não acontece. Como resultado, pode haver desmaio.

A condição gera queda de pelo menos 20 mmHg na pressão sistólica/superior e pelo menos 10 mmHg na diastólica/inferior.

Existem muitas causas para esse tipo de desmaio, tais como:

  • Desidratação por falta de líquido, vômito, diarreia ou perda de sangue
  • Uso de medicamentos para pressão arterial, diabetes e depressão
  • Consumo de álcool
  • Condições de saúde subjacentes, como diabetes, doença de Parkinson ou esclerose múltipla

Síncope cardíaca

Caracterizada pela redução do fluxo sanguíneo para o cérebro devido a anormalidades no coração ou nos vasos sanguíneos, como:

  • Problemas estruturais do coração, como isquemia miocárdica (bloqueio dos vasos sanguíneos), distúrbios das válvulas, cardiomiopatia dilatada, estenose aórtica, coágulo sanguíneo e insuficiência cardíaca;
  • Problemas elétricos no coração, como arritmias e síndromes como a de de Brugada (arritmia hereditária);
  • Outras patologias, como embolia pulmonar ou dissecção aórtica.

Além dos sintomas clássicos da síncope, quem sofre do tipo cardíaco ainda pode apresentar dor no peito, palpitações e sintomas de desmaio durante exercícios físicos.

O perfil mais afetado pelo problema são homens acima de 60 anos e com histórico familiar e/ou pessoal de problemas cardíacos ou desmaios.

Por se tratar de uma condição diretamente ligada a um órgão vital do corpo, portadores de síncope cardíaca devem consultar um cardiologista para tratamento adequado.

Síncope neurológica

Esse tipo de síncope nervosa é causado por condições potencialmente graves que impedem que o cérebro obtenha sangue suficiente para suas atividades, como convulsão, acidente vascular cerebral (AVC), estenose carotídea, aneurisma ou ataque isquêmico transitório (AIT ou mini-AVC).

O problema ainda pode ser fruto de anormalidades nas artérias basilares, principais responsáveis por levar sangue para o cérebro, além da síndrome do roubo, que a reversão do fluxo das artérias que irrigam os braços.

Outros acometimentos menos comuns, como enxaqueca e hidrocefalia de pressão normal, também podem gerar o quadro.

Idosos, portadores de doenças cardiovasculares ou cerebrovasculares fazem parte do grupo de risco para o problema.

Além dos sintomas clássicos, podem ser experimentados movimentos descoordenados, dificuldade em ouvir e confusão.

Síndrome de taquicardia ortostática postural (POTS)

Ocorre pela elevação repentina da frequência cardíaca (taquicardia) quando uma pessoa fica em pé, depois de sentar ou deitar.

Comum em mulheres, o problema acontece em até 10 minutos após o indivíduo se levantar.

Sintomas de síncope

Síncope é um sintoma definido como perda súbita e transitória da consciência secundária a hipoperfusão cerebral difusa. Normalmente apresenta início súbito, curta duração e recuperação espontânea. A gravidade do quadro está na dependência da causa do desmaio.

Geralmente, há sinais de alerta antes dos episódios de desmaio, no entanto a síncope também pode ocorrer repentinamente e sem aviso prévio.

O paciente pode sentir um episódio de síncope chegando por meio dos seguintes sintomas premonitórios:

  • Tontura
  • Queda sem motivo
  • Sonolência
  • Náusea
  • Palpitação
  • Mal-estar
  • Sensação de instabilidade ao ficar em pé
  • Fraqueza
  • Alterações na visão, como ver manchas e luzes
  • Dor de cabeça

O que fazer ao sentir os sintomas?

É recomendado se deitar imediatamente para evitar a progressão do caso e, consequentemente, a queda pela perda de consciência. Vale ainda ficar com a cabeça baixa e as pernas levantadas, já que a posição ajudar a aumentar o fluxo sanguíneo para o crânio.

Caso não consiga se deitar, sente-se e coloque a cabeça entre os joelhos para elevar a quantidade de sangue para o cérebro

É indicado permanecer na posição até que os sintomas de síncope passem e, após isso, se levantar devagar para evitar o retorno deles.

Como ajudar uma pessoa com síncope?

Ao presenciar uma pessoa desmaiar, verifique se há ferimentos. Caso não haja, ajude-a a deitar-se de costas e com as pernas levantadas ou sentar-se de maneira confortável.

Verifique também se o indivíduo está respirando e se recupera a consciência rapidamente. Caso isso não ocorra, chame o serviço de emergência e espere-o junto à vítima.

O que fazer depois da síncope?

Alguns casos de síncope são presságios de uma condição grave de saúde, portanto vale procurar um serviço de emergência se o paciente for gestante, diabético ou portador de doenças ou em caso de desmaios frequentes, demora para o retorno da consciência, dor no peito, batimentos cardíacos irregulares, batida da cabeça, incontinência urinária ou fecal e ferimentos ou dores.

Independente disso, é importante que a pessoa acometida faça um check-up para atestar que o problema não é fruto de alguma doença.

Diagnóstico

Quem apresentou síncope deve consultar um médico clínico geral, que o encaminhará para um especialista – como cardiologista ou neurologista – para uma avaliação completa.

O médico fará perguntas detalhadas sobre os sintomas e os episódios de desmaio, tais como:

  • O que você estava fazendo antes de desmaiar?
  • Quais sinais e sintomas você sentiu antes de desmaiar?
  • Você já desmaiou antes? Se sim, o que você estava fazendo?
  • Você toma algum medicamento? Qual?
  • Você sofre de alguma doença? Qual?
  • Você já teve ferimentos na cabeça?
  • Alguém na sua família morreu repentinamente de problemas cardíacos?

Em seguida, o médico fará um exame físico, no qual escutará o coração e medirá a pressão arterial. O profissional também pode massagear as principais artérias do pescoço e perguntar como você se sente.

Exames

Para fechar o diagnóstico, podem ser solicitados exames para verificar as condições do coração, como frequência, volume e fluxo sanguíneo em diferentes posições.

O eletrocardiograma é um dos testes recomendados para investigar a causa da síncope. De baixo custo, ele fornece informações sobre a saúde do coração e, por não ser invasivo, pode ser feito por pessoas de todas as idades.

Outros exames, como teste ergométrico, Holter, tomografia computadorizada, ressonância magnética e ecocardiograma, podem ser necessários para descartar causas cardíacas.

Se tais avaliações não forem suficientes para definir o diagnóstico, o paciente poderá ser submetidos ao tilt-test, popularmente chamado de teste de inclinação. Nele, a pressão sanguínea e a frequência cardíaca são medidas enquanto o indivíduo fica deitado em uma prancha inclinada para cima. Pessoas com síncope geralmente desmaiam durante o procedimento e retomam a consciência quando são colocadas na posição horizontal novamente.

Síncope pode matar?

A síncope não leva o paciente à morte por si, visto que não gera danos cerebrais e o retorno à consciência ocorre instantes depois do episódio.

Há poucos casos de pacientes cujo acometimento tem relação maligna – como parada cardíaca. O risco maior, todavia, são os acidentes que podem ocorrer pela perda da consciência, como queda de lugares altos e colisões automobilísticas.

Tratamentos

A síncope pode ser um sinal de uma condição mais séria, por isso é importante buscar atendimento médico após um episódio. Além disso, a maioria dos pacientes consegue evitar crises quando obtém um diagnóstico preciso e recebe tratamento adequado.

Pessoas com síncope que não apresentam uma condição médica séria costumam ser tratadas em ambulatório, geralmente por clínicos gerais. Já os idosos podem ser recebidos por um especialista em geriatria.

Remédios

Em caso de perda da consciência frequente devido à pressão arterial baixa, pode ser indicado um medicamento para estabilizá-la, chamado acetato de fludrocortisona. Inibidores seletivos da serotonina também podem ser usados.

Terapias e outros tratamentos

Caso a origem do desmaio tenha sido desidratação, é recomendado aumentar a ingestão de sal e líquidos para evitar novos episódios. Essa recomendação, assim como redução ou retirada de remédios diuréticos ou que reduzem a pressão, também pode ser indicada para pessoas que sofrem de síncope situacional. Se o nível de desidratação for crítico, a reposição dos líquidos deve ser por via intravenosa.

Pessoas cuja síncope é fruto de doenças estruturais do coração têm uma ampla gama de tratamentos, como implante de marcapasso para manter a frequência cardíaca regular ou de desfibrilador cardíaco para corrigir ritmos anormais.

Cuidados caseiros

Vale realizar exercícios físicos, usar meias de compressão e tensionar os músculos dos membros inferiores quando estiver em pé – e evitar a posição por longos períodos.

Além da ingestão adequada de água, podem ser indicadas alterações na dieta, como realizar refeições pequenas e várias vezes ao dia, comer mais sal, aumentar a quantidade de potássio na alimentação e evitar cafeína e álcool.

Vale ainda ser cauteloso ao se levantar, além de erguer a cabeceira da cama ao dormir.

Quem tem síncope pode dirigir?

Pacientes que apresentaram desmaios nos últimos doze meses são contraindicados a dirigir, pelo risco de acidentes. Já aqueles que não tiveram o problema nesse tempo estão liberados.

E pode fazer atividades físicas?

Atletas devem se submeter a uma avaliação cardiovascular com um profissional de saúde antes de retomar esportes. Os que apresentam o gatilho de esforço físico devem ser constantemente monitorados.

 

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