Tríade da mulher atleta: amenorreia, energia e fraturas por estresse
A tríade da mulher atleta liga três problemas: baixa disponibilidade de energia, amenorreia (parar de menstruar) e perda de massa óssea, com risco de fraturas por estresse.
- A tríade da mulher atleta é a combinação de baixa disponibilidade de energia, disfunção menstrual (amenorreia) e baixa massa óssea. Hoje é entendida como parte de um quadro mais amplo, a Deficiência Energética Relativa no Esporte (RED-S).
- Amenorreia disfuncional é a ausência de menstruação por supressão do eixo hormonal devido ao déficit de energia, depois de afastadas gravidez e outras causas. É um sinal de alarme, não uma vantagem do treino.
- O tratamento que corrige a raiz é restaurar a disponibilidade de energia, com equipe multidisciplinar. Ao fisiatra cabem as fraturas por estresse, a dor e a reabilitação do retorno ao esporte; a parte menstrual, endócrina e nutricional é conduzida pelas especialidades próprias.
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O que é a tríade da mulher atleta
A tríade descreve a interligação de três condições em atletas e mulheres fisicamente ativas: baixa disponibilidade de energia (com ou sem transtorno alimentar), disfunção menstrual e prejuízo da saúde óssea. Não são três doenças soltas, e sim três pontos de um mesmo eixo, ligados por um fio comum: o corpo recebe menos energia do que gasta.
A peça central é a disponibilidade de energia (DE), definida de forma operacional como a energia da dieta que sobra para as funções fisiológicas depois de descontado o gasto do exercício, normalizada pela massa livre de gordura: DE = (ingestão energética menos gasto do exercício) dividido pela massa magra, em kcal por quilo de massa magra por dia. A faixa considerada adequada para preservar as funções vitais gira em torno de 45 kcal/kg de massa magra/dia; abaixo de um limiar aproximado de 30 kcal/kg de massa magra/dia, a literatura descreve, na média, supressão da pulsatilidade do hormônio liberador de gonadotrofina (GnRH) e queda dos marcadores de formação óssea. Esse limiar é uma referência populacional, não um corte individual rígido: a sensibilidade varia entre pessoas, e o que importa clinicamente são os sinais de que o organismo entrou em modo de economia.
Quando treino intenso e ingestão insuficiente se somam, sobra pouco combustível para o que mantém o organismo funcionando: o ciclo menstrual, a renovação óssea, o eixo tireoidiano, o sistema imune. O corpo então prioriza a sobrevivência imediata e reduz funções consideradas dispensáveis a curto prazo, a começar pela reprodução. Em termos endócrinos, isso aparece como queda de leptina, T3, IGF-1 e estradiol, e elevação de cortisol e grelina, o conjunto adaptativo que sinaliza ao cérebro que falta energia. Daí a sequência clássica: primeiro a energia cai, depois a menstruação some, por fim o osso enfraquece.
Esse déficit nem sempre vem de um transtorno alimentar. Em parte das atletas ele é não intencional, fruto de aumentar muito a carga de treino sem ajustar a alimentação, ou de uma busca por “leveza” e baixo peso em esportes como corrida de longa distância, ginástica, balé, triatlo e modalidades com categoria de peso. A pessoa pode estar comendo o que sempre comeu, mas o gasto subiu, e a conta não fecha.
A medicina esportiva ampliou esse conceito para a RED-S (Deficiência Energética Relativa no Esporte), que reconhece que o mesmo déficit energético afeta muito além dos três vértices originais, e também homens (ver «da tríade à RED-S»). Aqui, o foco é a versão na mulher e, sobretudo, as duas pontas que aparecem na rotina de fisiatria: a amenorreia como sinal de alerta e a fratura por estresse como consequência no aparelho locomotor.
“Parar de menstruar quando treino muito é normal e até prático. Sinal de que estou em boa forma.”
A perda da menstruação ligada ao treino é um sinal de que o corpo está em débito de energia, não de bom condicionamento. Costuma vir acompanhada de queda de desempenho e de risco aumentado de fratura por estresse.

Amenorreia: o que é e por que importa
Amenorreia é a ausência de menstruação. Chama-se primária quando a primeira menstruação não ocorre até os 15 anos, e secundária quando a mulher já menstruava e fica três meses ou mais sem menstruar (ou seis meses, se os ciclos já eram irregulares). Na atleta, o tipo mais comum é a secundária.
Quando a investigação afasta gravidez (a primeira causa a descartar sempre), uso de contraceptivo, doença tireoidiana, hiperprolactinemia, síndrome dos ovários policísticos e insuficiência ovariana, e o que sobra é a supressão do eixo hormonal pelo déficit de energia e pelo estresse do treino, chama-se amenorreia disfuncional, ou amenorreia hipotalâmica funcional. “Funcional” aqui quer dizer que não há lesão nos órgãos: o eixo hipotálamo-hipófise-ovário está estruturalmente íntegro, mas o cérebro reduziu o comando hormonal por falta de combustível.
O mecanismo é uma cascata neuroendócrina bem descrita. A baixa disponibilidade de energia, sinalizada ao hipotálamo por mediadores como a queda da leptina e o aumento da grelina, reduz a atividade dos neurônios de kisspeptina, que comandam o gerador de pulsos de GnRH. Com o GnRH pulsando menos, a hipófise secreta menos LH e FSH (tipicamente com perda da pulsatilidade do LH), e os ovários, sem esse estímulo, deixam de amadurecer folículos e de ovular. O resultado é o hipoestrogenismo: estradiol baixo, de forma análoga ao que se vê na pós-menopausa, só que em uma mulher jovem.
O estrogênio baixo é o elo que conecta a amenorreia ao osso. O estrogênio freia a reabsorção óssea ao conter a ação dos osteoclastos (em parte por modular o sistema RANKL/osteoprotegerina). Sem ele, e com o déficit de energia que também derruba IGF-1 e a formação óssea, o osso passa a perder massa numa fase da vida em que deveria estar acumulando o seu pico.
Aí se abre caminho para a fratura por estresse. Por isso a amenorreia não é o problema isolado de “não menstruar”: é o sinal visível de um estado hormonal que enfraquece o esqueleto.
| Termo | O que significa | O que importa |
|---|---|---|
| Amenorreia primária | Primeira menstruação não veio até os 15 anos | Investigação específica; encaminhamento à ginecologia |
| Amenorreia secundária | Já menstruava e ficou 3 meses ou mais sem menstruar | Mais comum na atleta; afastar gravidez primeiro |
| Amenorreia disfuncional / hipotalâmica | Supressão do eixo por déficit de energia e estresse, sem lesão de órgão | Diagnóstico de exclusão; é o vértice menstrual da tríade |
| Oligomenorreia | Ciclos espaçados, acima de 35 dias | Forma mais leve da mesma disfunção; também merece atenção |
Um ponto prático costuma confundir: o anticoncepcional hormonal pode produzir um sangramento de privação mensal que parece menstruação, mas que mascara a amenorreia de base e não reflete a volta do eixo. Em uma atleta com suspeita de tríade, o sangramento induzido pela pílula não deve ser lido como sinal de que a energia foi restaurada. A investigação da causa, com afastamento de gravidez e das demais doenças, e o tratamento da amenorreia são conduzidos pela ginecologia e pela endocrinologia, em conjunto com a nutrição, e não pela fisiatria de forma isolada. O papel do médico da dor é reconhecer o sinal, articular esse encaminhamento e cuidar das consequências no aparelho locomotor.
Atleta que para de menstruar não está “em forma demais”: está dando o primeiro sinal de que falta energia, e o osso costuma ser o próximo a pagar a conta.
Da tríade à RED-S: o quadro mais amplo
A tríade clássica foca em três vértices: energia, menstruação e osso. A medicina esportiva percebeu que o mesmo déficit energético produz efeitos em muitos outros sistemas, e propôs o conceito de RED-S (Relative Energy Deficiency in Sport). A diferença não é semântica: a RED-S amplia o olhar para além do osso e da menstruação, e reconhece que homens também adoecem por baixa disponibilidade de energia, ainda que os marcadores sejam diferentes (no homem, queda de testosterona e da libido, em vez de amenorreia).
Os sistemas que a baixa disponibilidade de energia pode comprometer, descritos no consenso da área, incluem:
- Saúde óssea. Menor densidade mineral, menor taxa de formação e maior risco de fratura por estresse; é o vértice que mais traz a atleta à fisiatria.
- Função menstrual e reprodutiva. Da fase lútea curta e ciclos irregulares até a amenorreia franca, com redução da fertilidade.
- Metabolismo. Queda de T3 e da taxa metabólica de repouso, com adaptação que dificulta ainda mais o balanço energético.
- Sistema imune e hematológico. Mais infecções de vias aéreas, cicatrização mais lenta e maior chance de anemia ferropriva.
- Cardiovascular e lipídico. Alterações de perfil lipídico e de função endotelial associadas ao hipoestrogenismo prolongado.
- Trato gastrointestinal e crescimento. Em adolescentes, risco de comprometer o crescimento e o ganho de estatura final.
- Saúde psicológica. O déficit energético pode ser causa ou consequência de transtorno alimentar, ansiedade e depressão.
- Desempenho. Queda de força, resistência, coordenação, concentração e capacidade de treino, além de mais lesões; ao contrário do mito da “leveza”, o débito de energia piora o rendimento.
Esse mapa explica por que tratar só a fratura, ou só a amenorreia, não resolve: o problema é metabólico e atinge o corpo inteiro. Reconhecer a RED-S muda a conduta, porque obriga a olhar a atleta por inteiro, e não a lesão da vez, e a envolver as especialidades certas desde cedo.
Tríade e RED-S descrevem o mesmo problema de base, a baixa disponibilidade de energia, em escalas diferentes. A tríade nomeia os três vértices mais visíveis na mulher; a RED-S nomeia o conjunto de sistemas afetados, em ambos os sexos. Na prática, a fratura por estresse e a amenorreia costumam ser a ponta visível de algo mais amplo.
A tríade não são três problemas a corrigir um a um: a menstruação que sumiu e o osso que trinca são o corpo avisando que está funcionando com pouco combustível, e quem dispara toda a cascata é o déficit de energia. Como a raiz é energética, a correção também é: comer o suficiente para a carga de treino, com uma equipe acompanhando, e não mais disciplina, mais dieta ou mais volume. Insistir em “ter mais foco” enquanto a conta de energia segue negativa só aprofunda o problema, porque ataca o sintoma e alimenta a causa.
Por que o osso enfraquece e a fratura por estresse aparece
A fratura por estresse é a manifestação que mais traz a atleta ao consultório de fisiatria. Ela não vem de um trauma único, e sim do acúmulo de microlesões: o osso é submetido a carga repetida (a passada da corrida, o salto, a aterrissagem) mais rápido do que consegue reparar. Em um osso saudável e bem nutrido, a remodelação acompanha a carga.
Na tríade, dois fatores rompem esse equilíbrio: o hipoestrogenismo acelera a reabsorção pelos osteoclastos, e o déficit de energia, com queda de IGF-1, prejudica a formação de osso novo pelos osteoblastos. O resultado é um osso que se desgasta mais do que se reconstrói.
Vale distinguir os dois tipos de tecido ósseo, porque eles não respondem igual. O osso trabecular (o “miolo” esponjoso de vértebras, colo do fêmur e calcâneo) tem renovação mais rápida e sofre mais cedo com o hipoestrogenismo; o osso cortical (a casca densa da diáfise dos ossos longos) responde melhor ao estímulo de carga mecânica e ao treino de impacto. Isso explica por que a perda óssea da tríade costuma aparecer primeiro em sítios ricos em trabecular, e por que o treino de força bem dosado tem papel protetor sobre o cortical.
O quadro clínico costuma seguir um roteiro reconhecível. A dor começa difusa, surge no fim do treino, depois passa a aparecer mais cedo na atividade e, por fim, dói também no repouso e ao apoiar. É uma dor localizada, que piora com a carga e melhora com o descanso, ao contrário das dores musculares difusas. Os locais mais frequentes na corredora são a tíbia, os metatarsos e o calcâneo.
Há, porém, sítios de alto risco, em que uma fratura por estresse tende a progredir para fratura completa ou a não consolidar, e que exigem cautela redobrada e imagem precoce: o colo do fêmur (sobretudo a cortical de tração, no lado superolateral), a cortical anterior da tíbia (a “linha negra do terror”), o navicular, o sesamoide e o sacro. Distinguir alto de baixo risco muda toda a conduta de carga.
A radiografia simples costuma ser normal nas primeiras 2 a 3 semanas, o que atrasa o diagnóstico de quem confia só nela. A ressonância magnética é o exame mais sensível para flagrar o edema ósseo (a reação de estresse) antes da fratura instalada, e permite graduar a gravidade (classificações que vão do edema de medula isolado até a linha de fratura visível, o que orienta o tempo de afastamento). A cintilografia óssea é sensível, mas menos específica e com radiação, hoje preterida em relação à ressonância. Em paralelo, quando a tríade é confirmada ou suspeita, a densitometria óssea (DXA) avalia a massa óssea.
Na atleta jovem em fase pré-menopausa, o parâmetro adequado é o escore Z (comparação com pares da mesma idade e sexo), não o escore T. Convém lembrar que atletas de esportes de impacto costumam ter densidade acima da média; por isso, em uma atleta de impacto, um Z-escore baixo para o esperado, ou mesmo “no limite”, já merece atenção, e valores abaixo do esperado para a idade indicam perda em uma fase que deveria ser de ganho.
O alerta de saúde óssea é direto: uma fratura por estresse em atleta jovem, sobretudo se recorrente ou em local de alto risco, não deve ser vista como azar isolado. É motivo forte para investigar a tríade por inteiro, incluindo a história menstrual e alimentar, em vez de apenas tratar a lesão e devolver a pessoa ao treino, porque parte da perda óssea acumulada pode não ser totalmente recuperável.
Algumas observações recorrentes de quem vê essas lesões no consultório. A atleta costuma chegar pela fratura por estresse, com frequência a segunda ou a terceira; só quando se pergunta sobre o ciclo é que aparece a menstruação que sumiu há meses, tratada até então como detalhe sem importância, ou mesmo como conveniência. É comum a própria pessoa, e às vezes o treinador, lerem o corpo magro e o treino pesado como sinais de que está tudo certo, quando são justamente o que acende o alerta.
Outro ponto que costuma escapar: o déficit de energia raramente é uma decisão consciente de “comer pouco”. Na maioria das vezes a alimentação ficou igual e o volume de treino subiu, e a conta deixou de fechar sem que ninguém percebesse. Por isso a conversa é conduzida sem julgamento: o problema é a falta de combustível para a carga, não falta de esforço ou de disciplina. O que surpreende quem chega é descobrir que a saída não é treinar mais nem se policiar mais, e sim comer o suficiente e, por um tempo, treinar menos.
Também é frequente a expectativa de que o fisiatra “resolva a fratura” e libere o retorno. A parte da clínica é real, proteger o osso, controlar a dor de compensação e reabilitar, mas tentar isso sem a equipe (nutrição e, quando há sofrimento com a comida ou o corpo, saúde mental) costuma terminar em recidiva. Vale lembrar ainda que a RED-S não é só feminina nem só óssea: aparece também em homens, em corredores e ciclistas que perderam libido, desempenho e disposição, sem nenhuma fratura à vista.
Como o quadro é avaliado e rastreado
A avaliação começa por reconhecer os três vértices e o que liga eles. A anamnese investiga a história menstrual com franqueza (idade da menarca, regularidade, há quanto tempo não menstrua, uso de anticoncepcional, que pode mascarar a amenorreia), a relação com a alimentação, o peso e a imagem corporal, e o treino: volume, intensidade, mudanças recentes de carga e histórico de lesões ósseas. Para a triagem do comportamento alimentar, instrumentos como o questionário LEAF-Q (voltado à baixa disponibilidade de energia na atleta) ajudam a estruturar a conversa.
O exame físico procura sinais de baixa disponibilidade de energia (baixo peso ou perda recente, bradicardia, extremidades frias, lanugo) e localiza a dor óssea, com manobras que reproduzem a carga sobre o ponto suspeito, como o teste do salto monopodal e a palpação seletiva. A investigação laboratorial e de imagem é dividida com as outras especialidades: à ginecologia e à endocrinologia cabem afastar gravidez (beta-hCG) e as demais causas de amenorreia (TSH e T4 livre, prolactina, FSH e LH, estradiol, e o painel da SOP quando indicado) e conduzir a parte hormonal; ao olhar musculoesquelético cabem a ressonância para a fratura por estresse e a densitometria para a massa óssea. A dosagem de vitamina D, cálcio e ferritina costuma somar, pelo impacto no osso e no desempenho.
Para decidir sobre a continuidade do treino e a competição, a medicina esportiva usa ferramentas de estratificação de risco. A Female Athlete Triad Cumulative Risk Assessment pontua fatores de risco (gravidade da baixa disponibilidade de energia ou do transtorno alimentar, idade da menarca, regularidade menstrual atual, Z-escore na densitometria e história de fratura por estresse) e soma esses pontos em um escore que classifica a atleta em risco baixo, moderado ou alto. Esse escore orienta a liberação para o esporte: do treino pleno, passando pela liberação condicional com acompanhamento, até a restrição da competição enquanto o quadro não se estabiliza. É uma forma de tornar objetiva a decisão de afastar ou liberar, em vez de deixá-la ao acaso ou ao calendário de provas.
- História dirigida e triagem
Menstruação, alimentação e imagem corporal, carga e mudanças de treino, lesões prévias; instrumentos de triagem para baixa disponibilidade de energia.
- Exame físico
Sinais de déficit energético (peso, bradicardia, lanugo) e localização da dor óssea, com testes de carga sobre o ponto suspeito.
- Laboratório compartilhado
Afastar gravidez e outras causas de amenorreia (TSH/T4 livre, prolactina, FSH/LH, estradiol) com ginecologia e endocrinologia; somar vitamina D, cálcio e ferritina.
- Imagem do osso
Ressonância magnética para reação de estresse e fratura precoce, com graduação; densitometria (DXA) com leitura por escore Z na atleta jovem.
- Estratificação de risco
Female Athlete Triad Cumulative Risk Assessment para orientar a liberação ao esporte (risco baixo, moderado ou alto).
Procure avaliação sem demora se houver
- Dor óssea localizada na virilha ou na frente da coxa que piora ao apoiar o peso, sugerindo fratura por estresse do colo do fêmur (sítio de alto risco).
- Dor que passou a doer em repouso, à noite, ou ao simplesmente apoiar o pé no chão.
- Mais de uma fratura por estresse, ou fratura em local atípico, em atleta jovem.
- Amenorreia por mais de três meses fora de gravidez, sobretudo com perda de peso.
- Sinais de transtorno alimentar, perda de peso acentuada, desmaios ou fraqueza ao treinar.
Esses achados mudam a conduta. A suspeita de fratura em local de alto risco interrompe a carga até o esclarecimento por imagem; sinais de transtorno alimentar pedem o suporte da psiquiatria e da nutrição; a amenorreia prolongada exige investigação hormonal. Na presença de transtorno alimentar grave ou de sofrimento psíquico, o cuidado precisa envolver saúde mental sem demora, e o Centro de Valorização da Vida (CVV) atende pelo 188, 24 horas por dia.
Tratamento da tríade da mulher atleta
O tratamento da tríade tem uma base que nenhuma técnica substitui: restaurar a disponibilidade de energia. Sem corrigir a conta entre o que se come e o que se gasta, a menstruação não volta de forma sustentada e o osso não se recupera. Esse é um problema metabólico, e o seu manejo é multidisciplinar; ao fisiatra e médico da dor cabe a outra metade, tratar a fratura por estresse, controlar a dor e conduzir o retorno seguro ao esporte.
As subseções abaixo seguem essa ordem de prioridade, da base que muda o curso do problema até o papel da clínica no aparelho locomotor. Nenhuma intervenção isolada costuma ser suficiente; o plano é multimodal e individualizado.
Restaurar a energia
Aumentar a ingestão e ajustar a carga de treino, com nutrição e equipe; é o que faz a menstruação voltar e o osso recuperar.
Equipe multidisciplinar
Nutrição, ginecologia, endocrinologia, psicologia e medicina do esporte conduzindo cada vértice em conjunto.
Saúde menstrual e óssea
Manejo conduzido pelas especialidades, a partir da correção energética, com decisões hormonais individualizadas.
Fratura, dor e retorno
O papel da fisiatria: proteger o osso lesado, controlar a dor e reabilitar o retorno ao esporte por critérios objetivos.
Restaurar a disponibilidade energética: a base nutricional
É a intervenção que corrige a raiz, e a única que reverte o mecanismo. O objetivo é fechar a conta energética, aumentando a ingestão, reduzindo o gasto do exercício, ou as duas coisas, até recuperar uma disponibilidade adequada.
- O que é
- Aumento progressivo e estruturado da ingestão de energia (com aporte adequado de proteína, carboidrato, cálcio e vitamina D) e ajuste da carga de treino, conduzido por nutricionista e equipe. Na prática, costuma significar acrescentar algumas centenas de quilocalorias por dia e, com frequência, um ou mais dias de menor volume de treino.
- Mecanismo
- Restabelecer a disponibilidade de energia acima do limiar reativa o gerador de pulsos de GnRH (via kisspeptina e recuperação de leptina e IGF-1), o que retoma LH, FSH e estradiol e, com isso, o ciclo menstrual; e reequilibra a remodelação óssea a favor da formação.
- Evidência
- A correção da baixa disponibilidade de energia é o pilar do manejo na maioria das diretrizes e consensos da área. A recuperação menstrual costuma preceder a recuperação óssea; o ganho de densidade é lento e nem sempre completo, o que reforça a intervenção precoce.
- O que esperar
- A retomada dos ciclos pode levar de alguns meses a mais de um ano, conforme o tempo e a gravidade do déficit. Marcos úteis incluem a recuperação de peso, a melhora de marcadores metabólicos e o retorno da menstruação espontânea (não a do sangramento induzido pela pílula).
- Indicações
- Toda atleta com baixa disponibilidade de energia, amenorreia funcional ou baixa massa óssea relacionada à tríade. É a base sobre a qual todas as demais medidas se apoiam.
- Limitações
- Exige adesão e tempo; quando há transtorno alimentar, depende do tratamento conjunto da saúde mental. A correção isolada de cálcio e vitamina D não substitui a recuperação da energia.
Abordagem multidisciplinar
A tríade não cabe em uma especialidade só. O cuidado eficaz é coordenado, com papéis definidos, em torno da atleta e, quando ela é jovem, da família e da comissão técnica.
- O que é
- Um plano conduzido em equipe: nutricionista (correção energética), médico do esporte ou fisiatra (coordenação, lesão e retorno ao esporte), ginecologista e endocrinologista (função menstrual, eixo hormonal e osso) e psicólogo ou psiquiatra (transtorno alimentar e saúde mental).
- Mecanismo
- Cada vértice tem um responsável, e as decisões se integram: a nutrição corrige a energia, a saúde mental sustenta a mudança de comportamento, a ginecologia e a endocrinologia cuidam do hormônio e do osso, e a fisiatria cuida da lesão e do retorno. Sem essa coordenação, trata-se a fratura e ignora-se a causa.
- Evidência
- O manejo multidisciplinar é a recomendação consensual para a tríade e a RED-S, com a ressalva de que a magnitude do benefício depende da adesão e da continuidade do acompanhamento.
- O que esperar
- Acompanhamento prolongado, com reavaliações periódicas e ajustes. A liberação para treino e competição segue critérios objetivos, como os da estratificação de risco da tríade.
- Indicações
- Toda atleta com tríade confirmada ou suspeita, especialmente quando há transtorno alimentar, fratura recorrente ou baixa massa óssea.
- Limitações
- Exige acesso a vários profissionais e boa comunicação entre eles; a pressão por desempenho e a resistência em reduzir o treino são obstáculos reais que precisam ser trabalhados.
Manejo da saúde menstrual e óssea
A parte hormonal e óssea é conduzida pela ginecologia e pela endocrinologia, sempre a partir da correção energética, que é o que de fato recupera o eixo. As decisões medicamentosas são individualizadas e definidas pelo médico assistente.
- O que é
- O conjunto de medidas para proteger e recuperar o osso e para tratar o hipoestrogenismo: garantir aporte de cálcio e vitamina D, otimizar o estímulo de carga, e, em casos selecionados, repor estrogênio.
- Mecanismo
- O estrogênio contém a reabsorção óssea; o cálcio e a vitamina D dão substrato à mineralização; a carga mecânica estimula a formação no osso cortical. Repor energia e estrogênio busca interromper a perda e favorecer a recuperação.
- Evidência
- Um ponto importante e contraintuitivo: o anticoncepcional oral combinado, isolado, não demonstrou recuperar de forma consistente a densidade óssea na amenorreia hipotalâmica, e ainda pode mascarar a volta espontânea da menstruação. Quando se indica reposição, a literatura tende a favorecer o estradiol transdérmico associado a progestagênio, por interferir menos na produção de IGF-1 hepático. A reposição não substitui a correção da energia.
- O que esperar
- A recuperação óssea é lenta e parcial; medidas hormonais são adjuvantes da base energética, não atalhos. Usamos densitometrias seriadas ao longo de meses a anos.
- Indicações
- Definidas caso a caso pela ginecologia e endocrinologia, conforme idade, tempo de amenorreia, gravidade da perda óssea e resposta à correção energética.
- Limitações
- Os bisfosfonatos, usados na osteoporose pós-menopausa, têm uso restrito e geralmente evitado em mulheres jovens em idade reprodutiva, pela meia-vida óssea longa e pela cautela na gravidez; sua indicação na tríade é excepcional e especializada. Toda decisão medicamentosa cabe ao médico assistente.
Fratura por estresse, dor e retorno ao esporte: o papel da clínica
É a frente conduzida pela fisiatria e medicina da dor, complementar à correção metabólica. Diante de uma fratura por estresse, o primeiro passo é retirar a carga que causou a lesão, por tempo que varia conforme o osso e a gravidade na imagem. Em sítios de baixo risco, mantém-se condicionamento sem impacto (natação, hidroginástica, bicicleta, conforme tolerado) para preservar a forma sem agredir o osso. A partir daí, a carga é reintroduzida de modo gradual e progressivo, respeitando a ausência de dor, com correção do gesto esportivo, do calçado e dos erros de treino (aumentos bruscos de volume), além do fortalecimento de quadril, core e cadeia posterior, que distribui melhor a carga sobre o membro.
O retorno ao esporte segue critérios objetivos e a estratificação de risco, não apenas o calendário de provas. Em sítios de alto risco, como o colo do fêmur, a conduta é mais conservadora e pode exigir avaliação do ortopedista. O fortalecimento progressivo e o estímulo de carga, quando o osso permite, também ajudam a manter a massa óssea cortical a longo prazo.
- O que é
- Reabilitação ativa individualizada: descarga inicial da fratura, condicionamento sem impacto, fortalecimento de quadril, core e cadeia posterior, correção do gesto e progressão de carga guiada por critérios. É a intervenção central do lado musculoesquelético.
- Mecanismo
- Protege o osso lesado enquanto consolida, restaura força e controle motor, corrige os fatores que sobrecarregaram o osso (gesto, calçado, salto de volume) e usa a carga gradual para estimular o remodelamento ósseo a favor da formação.
- Evidência
- A retirada de carga seguida de progressão gradual e correção de fatores de risco é o padrão de manejo da fratura por estresse; o tempo de afastamento depende do sítio e da gravidade na ressonância.
- O que esperar
- Em sítios de baixo risco, retorno em semanas com progressão por marcos de dor e carga; em sítios de alto risco, prazos maiores e conduta mais cautelosa. O retorno é guiado por critérios objetivos, não pela data da prova.
- Indicações
- Toda fratura por estresse e a reabilitação do retorno ao esporte na tríade.
- Limitações
- Não corrige a causa metabólica: sem restaurar a energia, a fratura tende a recidivar. A progressão precoce demais agrava a lesão.
Acupuntura, agulhamento seco e controle da dor associada
Atenção a um limite que vale repetir: a dor que mais importa nesta atleta é a dor óssea, e ela não deve ser silenciada para liberar o treino. O que as técnicas abaixo tratam é a dor miofascial e tendínea de compensação: ao tirar a carga do membro lesado e alterar o padrão de marcha, é comum surgir tensão e pontos-gatilho na musculatura do quadril, da coxa e da panturrilha do lado poupado, ou dor de sobrecarga no membro contralateral que passou a fazer o trabalho. É essa dor secundária, e não o osso em consolidação nem a amenorreia, que se busca aliviar para que a reabilitação avance com menos analgésico.
A acupuntura médica e a eletroacupuntura modulam essa dor por mecanismos segmentares no corno dorsal, ativação de vias inibitórias descendentes (substância cinzenta periaquedutal e bulbo rostroventromedial) e liberação de opioides endógenos. O número de sessões aqui é guiado pela duração do afastamento da fratura: enquanto a carga está suspensa e a compensação persiste, costuma-se manter atendimentos semanais e reavaliar à medida que a marcha normaliza e a dor de compensação cede, sem fixar um pacote de antemão. Para os pontos-gatilho da cadeia que assumiu a sobrecarga, o agulhamento seco tem como alvo a banda muscular tensa: a inserção da agulha no ponto desencadeia a resposta de contração local e reduz a atividade da placa motora, com efeito analgésico local e segmentar; pontos mais resistentes podem responder à infiltração com anestésico local.
Quem indica e aplica a agulha é o médico que acompanha a atleta, dentro do mesmo plano que trata a fratura e corrige o déficit de energia com a equipe, e não como recurso à parte. Nenhuma dessas agulhas faz a menstruação voltar nem acelera a consolidação óssea: elas tratam a dor de compensação que anda junto.
Recursos como ondas de choque, com benefício principal em tendinopatias e dores de inserção, e laser de alta intensidade, por fotobiomodulação, entram de forma seletiva e adjuvante para essas condições associadas, e não como tratamento da tríade em si. Quanto à medicação, analgésicos simples ajudam na dor da fase aguda; os anti-inflamatórios não hormonais são usados com cautela na fratura por estresse, por haver preocupação teórica de interferirem na consolidação óssea. O medicamento não silencia a dor óssea para liberar o retorno antes da hora: o objetivo é controlar a dor de compensação enquanto o osso consolida.
Proteger e investigar
Retirar a carga sobre o osso lesado, controlar a dor e acionar a equipe para corrigir a energia e investigar a amenorreia.
Recuperar e fortalecer
Condicionamento sem impacto, fortalecimento de quadril e core e reintrodução gradual de carga conforme a tolerância à dor.
Critérios objetivos
Voltar ao treino guiado por ausência de dor, por marcos de carga e força e pela estratificação de risco, com a base energética restabelecida e a menstruação em recuperação.
Medimos a intensidade da dor numa escala de 0 a 10, a tolerância progressiva à carga, a evolução na imagem quando indicada e, do lado metabólico conduzido pela equipe, a retomada dos ciclos menstruais e a estabilização da massa óssea em densitometrias seriadas. A recuperação da massa óssea é lenta e nem sempre completa, e parte do que já se perdeu pode não ser totalmente recuperado, o que reforça a urgência de tratar cedo. A meta é interromper o ciclo, recuperar a função e devolver a atleta ao esporte com o osso protegido, e não apenas curar a fratura da vez.
Prevenção e o que a atleta pode fazer
A melhor forma de tratar a tríade é evitar que ela se instale, e isso passa por equilibrar treino e alimentação e por tratar a menstruação regular como um sinal vital, e não como um estorvo. Pequenos cuidados constantes valem mais do que reações tardias depois da primeira fratura.
- Ajustar a ingestão de energia ao volume de treino, sobretudo ao aumentar a carga, evitando cair abaixo do limiar de disponibilidade energética.
- Tratar a ausência de menstruação como sinal de alerta, não como vantagem do esporte.
- Progredir a carga de treino de forma gradual, evitando saltos bruscos de volume.
- Incluir treino de força e estímulo de carga, que ajuda a construir e manter o osso cortical.
- Garantir aporte adequado de cálcio e vitamina D e buscar avaliação ao primeiro sinal de dor óssea localizada que piora com o treino.
Reconhecer cedo os sinais reduz o risco de fratura e de perda óssea.
Manter-se ativa segue sendo positivo, e a atividade física regular é parte do que protege a saúde óssea e geral ao longo da vida, como discutido em como tornar a atividade física parte da sua vida. O problema da tríade não é treinar, e sim treinar em débito de energia e ignorar os sinais que o corpo dá. Treino bem dosado, alimentação adequada e atenção ao ciclo menstrual permitem competir e render sem hipotecar o esqueleto.
Referência reconhecida em dor
A clínica é um Centro de Dor listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED) e um Centro de Tratamento por Ondas de Choque listado pela SMBTOC, e é listada pelo CMBA (Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura).
Perguntas frequentes
Amenorreia, o que é?
Amenorreia é a ausência de menstruação. É primária quando a primeira menstruação não veio até os 15 anos, e secundária quando a mulher já menstruava e fica três meses ou mais sem menstruar. Na atleta, a forma mais comum é a secundária, ligada ao déficit de energia do treino. A primeira causa a ser sempre afastada é a gravidez.
O que é amenorreia disfuncional?
É a ausência de menstruação por supressão do eixo hormonal devido à baixa disponibilidade de energia e ao estresse do treino, depois de afastadas gravidez, doenças de tireoide, excesso de prolactina, ovário policístico e outras causas. Também é chamada de amenorreia hipotalâmica funcional. “Funcional” significa que não há lesão de órgão: o eixo está íntegro, mas o cérebro reduziu o comando hormonal (menos kisspeptina e GnRH, menos LH e FSH, menos estrogênio) por falta de combustível. É o vértice menstrual da tríade da mulher atleta.
Qual o tratamento da amenorreia na atleta?
O tratamento que corrige a raiz é restaurar a disponibilidade de energia: aumentar a ingestão, ajustar a carga de treino, ou ambos, com acompanhamento. Isso costuma fazer a menstruação retornar de forma sustentada, embora possa levar meses. A investigação da causa e as decisões hormonais são conduzidas pela ginecologia e pela endocrinologia, com apoio da nutrição e, quando há transtorno alimentar, da saúde mental. Vale saber que o anticoncepcional, isolado, não recupera de forma consistente o osso e pode mascarar a volta da menstruação. A fisiatria entra na fratura por estresse, na dor e no retorno ao esporte.
O que é RED-S e qual a diferença para a tríade?
RED-S (Deficiência Energética Relativa no Esporte) é um conceito mais amplo que a tríade. A tríade descreve três vértices na mulher (energia, menstruação e osso); a RED-S reconhece que a mesma baixa disponibilidade de energia afeta também o metabolismo, a imunidade, o sistema cardiovascular, o trato gastrointestinal, a saúde mental e o desempenho, e que atinge ambos os sexos. Na prática, a fratura por estresse e a amenorreia costumam ser a ponta visível de um problema metabólico mais abrangente.
Parar de menstruar quando treino muito é normal?
Não. A perda da menstruação ligada ao treino não é sinal de bom condicionamento, e sim um aviso de que o corpo está em débito de energia. Costuma vir junto com queda de desempenho e risco aumentado de fratura por estresse. Merece avaliação, e não deve ser ignorada nem tratada como vantagem.
Como sei se minha dor é uma fratura por estresse?
A fratura por estresse dá uma dor óssea localizada que piora com a carga e melhora com o repouso, e que tende a progredir: começa no fim do treino e passa a doer cada vez mais cedo, até em repouso. A radiografia simples costuma ser normal nas primeiras semanas; a ressonância é o exame mais sensível. Diante dessa dor, sobretudo na virilha, na perna ou no pé, procure avaliação antes de continuar treinando, em especial nos sítios de alto risco como o colo do fêmur.
A perda de massa óssea da tríade tem volta?
A recuperação da massa óssea é lenta e nem sempre completa, e parte do que se perde pode não ser totalmente recuperado, o que torna o tratamento precoce ainda mais importante. Restaurar a energia, retomar os ciclos menstruais e manter treino de força ajudam a estabilizar e, em parte, a recuperar o osso. Por isso o foco é interromper o ciclo cedo, antes que a perda se acumule.
Resumos em linguagem clara de estudos revisados pelo Dr. Marcus Yu Bin Pai.
Ver a biblioteca científica completaReferências3 fontes citadas neste artigoVerOcultar
- Mountjoy M, et al. International Olympic Committee (IOC) consensus statement on Relative Energy Deficiency in Sport (RED-S): 2018 update. Br J Sports Med. 2018;52(11):687-697.
- De Souza MJ, et al. Female Athlete Triad Coalition consensus statement on treatment and return to play of the female athlete triad. Br J Sports Med. 2014;48(4):289.
- Nattiv A, et al. American College of Sports Medicine position stand: the female athlete triad. Med Sci Sports Exerc. 2007;39(10):1867-1882.
Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação médica individual. A tríade e a RED-S são quadros multidisciplinares: a profundidade do déficit de energia, o tempo de amenorreia e a gravidade da perda óssea variam de atleta para atleta, e a conduta precisa ser individualizada, sem fórmula única de número de sessões, prazos de afastamento ou tempo de retorno ao esporte. A investigação da amenorreia e qualquer decisão sobre hormônios ou medicação para a massa óssea cabem à ginecologia e à endocrinologia.
