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Acupuntura médica · Saúde da mulher

Acupuntura no tratamento da TPM (tensão pré-menstrual)

A TPM não nasce de excesso de hormônio, mas da sensibilidade do cérebro à oscilação lútea da alopregnanolona e à dinâmica da serotonina. Isso define quais tratamentos têm base sólida e onde a acupuntura entra como camada complementar de neuromodulação, sempre somada ao acompanhamento ginecológico.

Resposta direta
  • A TPM e a TDPM não são causadas por dosagens hormonais alteradas, e sim por uma sensibilidade anormal do sistema nervoso central à flutuação fisiológica dos esteroides ovarianos na fase lútea, em especial a alopregnanolona, um neuroesteroide derivado da progesterona que modula o receptor GABA-A.
  • O diagnóstico é clínico e prospectivo: depende do registro diário dos sintomas por pelo menos dois ciclos, com um intervalo livre na fase folicular. A TDPM tem critérios definidos no DSM-5; a TPM, pelos critérios do ACOG.
  • Os tratamentos com base mais sólida são os inibidores seletivos da recaptação de serotonina em fase lútea e a supressão da ovulação por contraceptivos selecionados; a acupuntura é uma camada complementar, integrada ao acompanhamento ginecológico e nunca como substituto dele.
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Acupuntura médica

Centro de Referência no Brasil em Acupuntura Médica. Tratamento com base em evidências, na tradição da USP e do HC-FMUSP.

O que fazer agora

Antes de qualquer tratamento, o passo mais útil é confirmar o padrão: comece hoje um registro diário dos sintomas (um diário simples ou o instrumento DRSP), ao longo de pelo menos dois ciclos. É esse registro, não um exame de sangue, que confirma a TPM e orienta a escolha do tratamento.

  • Anote todos os dias a intensidade dos sintomas físicos e emocionais, mesmo nos dias sem queixa — o intervalo livre na fase folicular é o dado que fecha o diagnóstico.
  • Ajuste a base do dia a dia na fase lútea: sono regular, exercício aeróbico, e menos cafeína, álcool, sal e açúcar. É a fundação sobre a qual qualquer outro tratamento se apoia.
  • Para cólica ou dor de cabeça isoladas, um anti-inflamatório por período curto costuma bastar enquanto o padrão é esclarecido.
  • Mantenha o acompanhamento ginecológico mesmo que os sintomas pareçam leves — é ele que define o tratamento de base.

Procure avaliação sem demora se houver tristeza profunda, desesperança ou qualquer pensamento de se ferir, sintomas que não desaparecem na primeira semana após a menstruação, ou cólica progressiva e intensa, dor fora do período pré-menstrual ou dor durante a relação (ver «Quando a avaliação médica é essencial», abaixo).

O que é a TPM, a fisiopatologia e os critérios diagnósticos

A tensão pré-menstrual, ou TPM, é o conjunto de sintomas físicos e emocionais que surge na fase lútea do ciclo, nos dias que antecedem a menstruação, e que melhora de forma característica nos primeiros dias do fluxo. O que define a TPM não é um sintoma isolado, mas esse padrão cíclico e a presença de um intervalo praticamente assintomático na fase folicular, a primeira metade do ciclo.

É uma queixa muito comum: a maioria das mulheres em idade reprodutiva relata algum sintoma pré-menstrual ao longo da vida, e cerca de 3 a 8% preenchem critérios para o transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM), a forma grave. A circulação de listas com “150 sintomas da TPM” reflete a diversidade do quadro, mas confunde mais do que ajuda: na prática clínica o que importa não é colecionar sintomas, e sim documentar o padrão temporal e a perda de função que ele causa.

A fisiopatologia: sensibilidade, não excesso

O ponto que muda toda a leitura clínica é este: os níveis de estrogênio e de progesterona em mulheres com TPM são normais. O que difere é a resposta do cérebro a essas oscilações. O modelo fisiopatológico mais sustentado hoje envolve a alopregnanolona (ALLO), um neuroesteroide derivado da progesterona que sobe na fase lútea.

A alopregnanolona é um modulador alostérico positivo do receptor GABA-A, o principal sistema inibitório do cérebro, o mesmo alvo de benzodiazepínicos e do álcool. Em quem tem TDPM, postula-se uma resposta paradoxal: em vez do efeito calmante esperado, a flutuação da alopregnanolona se associa a ansiedade, irritabilidade e disforia, provavelmente por uma plasticidade alterada das subunidades do receptor GABA-A diante da variação do neuroesteroide.

Soma-se a isso uma disfunção serotoninérgica. A sinalização da serotonina interage com os esteroides ovarianos, e a transmissão serotoninérgica parece reduzir-se na fase lútea em mulheres suscetíveis. Esse detalhe tem consequência terapêutica direta e explica por que os antidepressivos serotoninérgicos agem na TDPM em poucos dias, e não nas semanas habituais da depressão: o efeito aqui passa pela modulação rápida da síntese de neuroesteroides, além do aumento crônico da serotonina sináptica. A interpretação tradicional da acupuntura, de “estagnação do Qi do Fígado”, é o arcabouço de origem da técnica; a correspondência com essa neurofisiologia é objeto de estudo e não deve ser confundida com mecanismo demonstrado.

A promessa de “equilibrar os hormônios” parte de uma premissa errada. Como os níveis de estrogênio e de progesterona já são normais, não há um desequilíbrio bioquímico a corrigir, e é por isso que chás, suplementos e protocolos vendidos para “regular o hormônio” costumam decepcionar. O problema não está na quantidade de hormônio, e sim em como um cérebro suscetível responde à oscilação fisiológica da fase lútea. Isso reposiciona o papel de cada tratamento: a acupuntura é estudada por modular essa resposta do sistema nervoso, sem alterar a dosagem hormonal, e o que de fato muda o curso do quadro o faz modulando a serotonina e os neuroesteroides (os ISRS) ou removendo o próprio gatilho ao suprimir a ovulação.

Os sintomas costumam se distribuir em dois grandes grupos, que com frequência aparecem juntos. Os físicos incluem inchaço e retenção de líquido, dor e sensibilidade nas mamas (mastalgia), cólica (dismenorreia), cefaleia pré-menstrual, dores musculares difusas, fadiga e alterações do apetite e do sono. Os emocionais e comportamentais incluem irritabilidade, ansiedade, labilidade do humor (oscilação rápida e marcada), tristeza, tensão interna e dificuldade de concentração.

Sintomas da TPM e o que a acupuntura pode abordar
Sintoma da TPMComo costuma se manifestarO que a acupuntura pode auxiliar
Irritabilidade e labilidade do humorPavio curto, impaciência, reatividade nos dias pré-menstruaisModulação da resposta ao estresse e do tônus autonômico (em estudo)
Ansiedade e tensão internaInquietação, aperto no peito, sensação de estar “no limite”Tendência a deslocamento parassimpático e modulação do eixo HPA (em estudo)
Cólica menstrual (dismenorreia primária)Dor em cólica no baixo ventre, podendo irradiar para a lombarNeuromodulação da dor; vias inibitórias descendentes e opioides endógenos
Dor e sensibilidade nas mamas (mastalgia)Mamas doloridas, ingurgitadas, sensíveis ao toqueComponente analgésico e neuroendócrino (em estudo)
Cefaleia e enxaqueca menstrualDor de cabeça atrelada à queda do estrogênio no fim da fase lúteaModulação da dor com base na neurofisiologia da cefaleia
Insônia e fadigaSono fragmentado, cansaço desproporcional, baixa energiaEfeito sobre qualidade do sono e sobre o tônus autonômico (em estudo)

Como o diagnóstico é feito

A TPM e a TDPM não se diagnosticam por exame de sangue nem por uma única consulta na fase de sintomas. O padrão-ouro é o registro diário prospectivo por pelo menos dois ciclos consecutivos, com um instrumento validado como o DRSP (Daily Record of Severity of Problems). Esse diário é o que confirma o dado decisivo: os sintomas se concentram na fase lútea e desaparecem, ou quase, na primeira semana após a menstruação. Sem esse intervalo livre, o diagnóstico provável é outro, como um transtorno de humor ou de ansiedade que apenas piora na fase pré-menstrual.

Vale separar as duas entidades. Pelos critérios do ACOG, a TPM exige ao menos um sintoma afetivo ou somático nos cinco dias que antecedem a menstruação, em três ciclos consecutivos, com alívio em até quatro dias do início do fluxo e prejuízo funcional. A TDPM é um diagnóstico psiquiátrico do DSM-5 e é mais exigente: na maioria dos ciclos do último ano, na semana final pré-menstrual, são necessários pelo menos cinco sintomas, dos quais ao menos um afetivo central: labilidade afetiva marcada, irritabilidade ou raiva acentuada, humor deprimido ou desesperança, ou ansiedade e tensão intensas.

Soma-se a esse núcleo uma lista de sintomas adicionais (anedonia, dificuldade de concentração, fadiga, alteração de apetite ou sono, sensação de descontrole, sintomas físicos), tudo com prejuízo marcante, confirmado por registro prospectivo de dois ciclos e não explicado apenas pela exacerbação de outro transtorno. A acupuntura pode entrar como medida complementar também na TDPM, mas nunca como tratamento isolado de um quadro dessa gravidade.

Professora demonstrando modelo de pontos de acupuntura para alunas em aula pratica
Ensino e formação Aula pratica de acupuntura com modelo de pontos

Por que a acupuntura pode ajudar: os mecanismos

Demonstração prática de eletroacupuntura com a equipe da clínica reunida.
A equipe domina a eletroacupuntura, técnica que potencializa o efeito das agulhas.

Do ponto de vista médico, o que sustenta o uso da agulha na TPM são mecanismos neurofisiológicos plausíveis e crescentemente investigados, que dialogam com a fisiopatologia descrita acima. A acupuntura não atua sobre a dosagem de hormônios; ela é estudada por sua possível ação sobre os sistemas que traduzem a oscilação dos esteroides ovarianos em dor, ansiedade e irritabilidade.

Neuromodulação da dor

A inserção da agulha em acupontos estimula fibras aferentes (sobretudo A-delta e fibras musculares do grupo III) e dispara respostas em vários níveis do neuroeixo. Na medula, há modulação segmentar no corno dorsal, em linha com a teoria da comporta. Em nível central, a estimulação ativa vias inibitórias descendentes, com participação da substância cinzenta periaquedutal e do bulbo rostroventromedial, e promove a liberação de opioides endógenos (beta-endorfina, encefalinas), além de envolver serotonina e noradrenalina nas vias descendentes.

A eletroacupuntura de baixa frequência tende a recrutar preferencialmente os sistemas opioides mu e delta. Esse é o substrato pelo qual a acupuntura pode auxiliar na cólica menstrual, na mastalgia e na cefaleia pré-menstrual, os componentes dolorosos da TPM.

Regulação do estresse e do tônus autonômico

Boa parte do sofrimento da TPM é afetivo, e aqui entra um segundo mecanismo. A estimulação de acupontos influencia o sistema nervoso autônomo, com tendência a deslocar o equilíbrio na direção parassimpática, o que pode ser objetivado por marcadores como a variabilidade da frequência cardíaca. Estudos de neuroimagem funcional descrevem modulação de regiões ligadas ao processamento da emoção, como a amígdala e o córtex cingulado. Na prática, isso pode se traduzir em menos reatividade, menos tensão interna e melhora do sono, embora a magnitude do efeito permaneça em investigação.

Eixo neuroendócrino e serotonina

A TPM se origina da sensibilidade do cérebro às oscilações hormonais, e não de um excesso de hormônio. A acupuntura é estudada por sua possível ação sobre o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HPA), o eixo do estresse, e sobre a sinalização serotoninérgica, que está no centro da fisiopatologia da TDPM. É um mecanismo plausível e coerente com o quadro, mas ainda em investigação. A acupuntura modula como o sistema nervoso responde à variação dos esteroides, sem “regular hormônios” de forma direta.

Em uma frase

A acupuntura não age sobre os hormônios em si, mas sobre os sistemas que traduzem a oscilação da alopregnanolona e da serotonina em dor, ansiedade e irritabilidade: a modulação da dor, o tônus autonômico e a resposta ao estresse.

O que a acupuntura pode fazer pela TPM

Na TPM, a acupuntura pode aliviar os sintomas e somar conforto ao longo do ciclo, com baixo risco, como camada integrada ao acompanhamento ginecológico. O ganho costuma ser mais nítido nos componentes de dor — cólica, mastalgia e cefaleia pré-menstruais — e na tensão emocional, com menos irritabilidade e melhor sono. A resposta varia de pessoa para pessoa e não é garantida.

O alívio da dor se apoia no mesmo mecanismo de neuromodulação que a acupuntura oferece na dismenorreia primária e na enxaqueca: a modulação por vias inibitórias descendentes e opioides endógenos, que pode atuar sobre a cólica, a mastalgia e a cefaleia pré-menstruais. Como esses sintomas frequentemente compõem o quadro pré-menstrual, é aí que a agulha costuma ter mais a oferecer.

Para os sintomas afetivos da TDPM, os tratamentos de maior evidência são os inibidores seletivos da recaptação de serotonina e a supressão da ovulação, detalhados na seção de tratamento; a acupuntura entra como camada complementar de conforto, sempre somada ao acompanhamento ginecológico.

Mito

“A acupuntura cura a TPM e dispensa o acompanhamento ginecológico.”

Fato

A acupuntura auxilia no alívio dos sintomas, mas não cura a TPM. Funciona como camada integrada ao acompanhamento ginecológico, ao tratamento de base e a mudanças de estilo de vida.

Assista: Acupuntura – Quando ela pode ser útil?

Tratamentos para TPM: o que tem evidência e onde a acupuntura entra

Aula prática com manuseio de agulhas e eletrodos de eletroacupuntura.
O manuseio correto das agulhas é parte central do treinamento.

Não existe um único tratamento para a TPM, e a acupuntura não é uma alternativa solitária. A decisão depende da intensidade do quadro e de quais sintomas predominam, físicos ou afetivos. A pergunta clínica não é “acupuntura ou remédio”, e sim como combinar as ferramentas para reduzir o sofrimento cíclico com a menor carga possível de efeitos adversos. O plano é multimodal e individualizado, construído junto ao ginecologista; as decisões medicamentosas são sempre dele.

Base: estilo de vida

Exercício aeróbico regular, sono adequado, redução de cafeína, álcool, sal e açúcar na fase lútea, e manejo do estresse. É a fundação sobre a qual todo o resto se apoia.

Sintomas leves a moderados

Acupuntura e auriculoterapia, suplementos com alguma evidência (cálcio) e medidas comportamentais; anti-inflamatórios por períodos curtos para cólica e cefaleia.

Sintomas afetivos predominantes ou TDPM

Inibidores seletivos da recaptação de serotonina, em geral em fase lútea, por prescrição do médico assistente; terapia cognitivo-comportamental como camada associada.

Quadros refratários

Supressão da ovulação por contraceptivo selecionado e, em casos resistentes, agonistas de GnRH com terapia de reposição, sempre em contexto especializado.

Acupuntura médica e eletroacupuntura

O que é
Inserção de agulhas finas em acupontos por médico acupunturiatra, conforme o quadro predominante. Na eletroacupuntura, uma corrente de baixa intensidade conecta as agulhas.
Mecanismo
Modulação segmentar no corno dorsal (teoria da comporta), ativação de vias inibitórias descendentes e liberação de opioides endógenos; a baixa frequência recruta mais os sistemas opioides, o que ajuda quando há componente doloroso forte, como cólica ou cefaleia. Soma-se a possível influência sobre o tônus autonômico e o eixo HPA.
Evidência
O alívio costuma ser maior nos componentes de dor, como dismenorreia e enxaqueca, onde a neuromodulação tem base mais firme; na TPM como um todo, funciona como camada complementar. A resposta varia de pessoa para pessoa.
O que esperar
Por ser uma queixa cíclica, o estímulo é organizado ao longo de dois a três ciclos menstruais, com cerca de 6 a 10 sessões iniciais adensadas na fase lútea, quando os sintomas surgem. A resposta é lida ciclo a ciclo, comparando uma fase lútea com a seguinte pelo diário de sintomas, e não sessão a sessão.
Indicações
TPM com componente doloroso (cólica, mastalgia, cefaleia) ou de tensão emocional; útil quando se busca reduzir a necessidade de analgésicos.
Limitações
Desconforto ou equimose no local, geralmente leves; cautela em uso de anticoagulantes. Não corrige causa estrutural nem substitui o tratamento de base.

Auriculoterapia

O que é
Estimulação de pontos do pavilhão auricular, por agulhas semipermanentes ou por sementes fixadas com adesivo, que a paciente pode pressionar em casa ao longo dos dias pré-menstruais.
Mecanismo
A mesma lógica de neuromodulação; postula-se ainda uma via auriculovagal, pela inervação do ramo auricular do nervo vago em parte da concha, com possível efeito sobre o tônus parassimpático.
Evidência
Costuma ser avaliada em conjunto com a acupuntura corporal e tem a vantagem prática de prolongar o estímulo entre as sessões, mantendo o efeito nos dias pré-menstruais.
O que esperar
Costuma ser combinada à acupuntura corporal; os pontos são reposicionados a cada poucos dias. Técnica de baixa complexidade e bem tolerada.
Indicações
Componentes de ansiedade, irritabilidade e dor; opção para quem deseja manter um estímulo entre as consultas.
Limitações
Desconforto local e, raramente, reação ao adesivo. É uma camada complementar, somada ao tratamento de base.

Inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS)

O que é
Classe de medicamentos serotoninérgicos, em nomes genéricos a fluoxetina, a sertralina, a paroxetina e o escitalopram, com indicação estabelecida na TDPM e na TPM grave, por prescrição do ginecologista ou do psiquiatra.
Mecanismo
Além do bloqueio crônico da recaptação de serotonina, há um efeito rápido sobre a síntese de neuroesteroides, modulando a produção de alopregnanolona e a resposta do receptor GABA-A. É isso que explica o início de ação em poucos dias na TDPM, ao contrário das semanas necessárias na depressão.
Evidência
É o tratamento com evidência de maior qualidade para os sintomas afetivos: metanálises de ensaios controlados mostram benefício consistente, com resposta clínica em cerca de 1 a cada 3 ou 4 pessoas. O esquema em fase lútea (do meio do ciclo até a menstruação) tem eficácia comparável ao uso contínuo em boa parte das pacientes.
O que esperar
Alívio dos sintomas emocionais já no primeiro ou segundo ciclo de uso. A dose, a escolha entre uso contínuo ou luteal e a duração são definidas pelo médico, com ajuste conforme tolerância e resposta.
Indicações
TDPM e TPM com predomínio de sintomas afetivos (irritabilidade, labilidade do humor, ansiedade, disforia).
Limitações
Efeitos adversos como náusea, cefaleia, insônia e disfunção sexual; necessidade de orientação sobre suspensão. A indicação e qualquer ajuste são exclusivos do médico assistente.

Supressão hormonal da ovulação

O que é
Tratamento que elimina o gatilho do quadro ao suprimir a ovulação. A opção mais comum é o contraceptivo oral combinado, em especial as formulações com drospirenona em esquema com intervalo curto ou contínuo; em casos resistentes, recorre-se a agonistas do GnRH.
Mecanismo
Sem ovulação, não há a oscilação lútea dos esteroides ovarianos que dispara os sintomas; a drospirenona, um progestagênio com ação antimineralocorticoide, ainda ajuda na retenção de líquido e na mastalgia. Os agonistas de GnRH induzem um estado de hipoestrogenismo reversível, suprimindo todo o ciclo.
Evidência
Boa para os contraceptivos combinados com drospirenona em esquema apropriado nos sintomas físicos e em parte dos afetivos. Os agonistas de GnRH são muito eficazes, mas reservados a quadros refratários pelos efeitos do hipoestrogenismo.
O que esperar
Resposta ao longo de um a três ciclos. Os agonistas de GnRH exigem terapia de reposição (add-back) para proteger osso e atenuar sintomas de privação estrogênica em uso prolongado.
Indicações
TPM e TDPM com sintomas físicos importantes ou refratárias às medidas anteriores, sempre indicadas e conduzidas pelo ginecologista.
Limitações
Contraindicações dos contraceptivos combinados (risco tromboembólico, enxaqueca com aura, tabagismo após os 35 anos, entre outras); o hipoestrogenismo dos agonistas de GnRH limita o uso prolongado. Decisão sempre médica.

Exercício, terapia cognitivo-comportamental e suplementos

O que é
A base não medicamentosa: exercício aeróbico regular, terapia cognitivo-comportamental (TCC) e, com evidência calibrada, suplementação de cálcio. A leitura de outros suplementos, como o Vitex agnus-castus (agnocasto), deve ser cautelosa.
Mecanismo
O exercício atua sobre humor, sono e modulação do estresse; a TCC trabalha a regulação emocional e o enfrentamento dos dias sintomáticos; o cálcio tem racional ligado a alterações de sua homeostase na fase lútea.
Evidência
O exercício tem efeito consistente sobre sintomas pré-menstruais e é recomendado a todas. O cálcio (cerca de 1.000 a 1.200 mg/dia) reduziu sintomas em ensaios controlados. O Vitex agnus-castus tem dados favoráveis para mastalgia, porém heterogêneos e de qualidade variável; como fitoterápico, requer orientação e tem interações.
O que esperar
Benefício ao longo de semanas a poucos ciclos, e dependente de constância. São medidas de base que potencializam qualquer tratamento associado.
Indicações
Praticamente todas as pacientes, como fundação do plano; a TCC é especialmente útil quando o componente emocional é importante ou na TDPM.
Limitações
Exigem adesão; isoladamente podem não bastar nos quadros graves. Fitoterápicos não são isentos de risco e devem ser conversados com o médico, sem automedicação.

O que a acupuntura não faz

A acupuntura não corrige uma causa estrutural (como um mioma ou uma endometriose por trás da dor), não suprime a ovulação, não substitui um ISRS indicado na TDPM e não trata uma depressão. Onde a evidência de maior qualidade aponta para o ISRS ou para a supressão hormonal, a agulha é uma camada complementar de alívio sintomático, não um substituto. Se há suspeita dessas condições, a prioridade é a avaliação médica adequada.

O que esperar das sessões de acupuntura

O tratamento da TPM com acupuntura acompanha o calendário menstrual: o estímulo é concentrado na fase lútea, quando os sintomas surgem, ao longo de 6 a 10 sessões iniciais, 1 a 2 vezes por semana. A maior diferença costuma aparecer a partir do segundo ou terceiro ciclo de acompanhamento, raramente já na primeira agulha, o que torna o diário de sintomas a melhor forma de enxergar a evolução real, nem sempre linear.

Avaliação

Mapear o padrão

Confirmar o diagnóstico com registro prospectivo (DRSP), identificar quais sintomas predominam, físicos ou afetivos, e garantir o acompanhamento ginecológico e o tratamento de base.

Ciclo 1

Primeiras sessões

6 a 10 sessões, 1 a 2 vezes por semana, concentradas na fase pré-menstrual. O objetivo é começar a reduzir a intensidade dos sintomas e ajustar o protocolo à resposta.

Reavaliação

Medir e decidir

Comparar os sintomas com o ponto de partida pelo próprio diário. Conforme a resposta, mantém-se, ajusta-se ou se associam outras medidas.

Da prática clínica

Boa parte das mulheres chega na própria semana de sintomas, convencida de ter um “hormônio desregulado” e pedindo agulha para equilibrá-lo, sem nunca ter registrado o ciclo. O passo mais útil costuma vir antes da agulha: o diário prospectivo que confirma, ou afasta, o padrão cíclico. Sem ele, trata-se às cegas.

A decisão muda conforme o que predomina. Quando o sofrimento é sobretudo emocional, com irritabilidade, disforia e prejuízo funcional claro, a conversa se volta para o ginecologista ou o psiquiatra e para o ISRS, e a acupuntura fica como camada de conforto. Quando o que pesa são os componentes de dor, como cólica, mastalgia e cefaleia, a agulha tem mais a oferecer.

O que mais surpreende as pacientes é o ritmo da avaliação. Espera-se sentir diferença logo após a sessão, mas a comparação que importa é a de uma fase lútea contra a seguinte, e o ganho mais nítido costuma aparecer só a partir do segundo ou terceiro ciclo. Quem entende isso no começo abandona menos o tratamento no meio do caminho.

A acupuntura médica é, em mãos treinadas, um procedimento de boa segurança. Os efeitos mais comuns são leves e locais: pequeno desconforto na inserção, ou eventual equimose (mancha roxa) no ponto. Há cautela em pessoas em uso de anticoagulantes, que devem informar o médico. Para acompanhar o resultado de forma objetiva, o mesmo diário de sintomas usado no diagnóstico segue útil: anotar dia a dia a intensidade da irritabilidade, da ansiedade, da cólica e da mastalgia ajuda a enxergar a evolução real, que nem sempre é linear, e a decidir sobre o plano.

6 a 10
Sessões no ciclo inicial
1 a 2x
Por semana, em geral
Fase lútea
Quando os sintomas surgem
Complementar
Somada ao cuidado ginecológico

Quando a avaliação médica é essencial

Tratar os sintomas com acupuntura nunca dispensa investigar a causa. Alguns sinais indicam que a prioridade é a avaliação ginecológica ou de saúde mental, antes ou em paralelo a qualquer terapia complementar. Procure avaliação médica diante de qualquer um destes:

Quando procurar avaliação médica

Não trate apenas o sintoma se houver

  • Sintomas emocionais graves: tristeza profunda, desesperança, ou qualquer pensamento de se ferir, o que exige avaliação imediata em saúde mental.
  • Sintomas que não desaparecem na primeira semana após a menstruação, o que afasta o padrão cíclico da TPM e sugere um transtorno de humor ou de ansiedade subjacente.
  • Cólica progressiva e intensa, dor fora do período pré-menstrual ou dor durante a relação, que podem sugerir endometriose ou outra causa ginecológica.
  • Sangramento muito intenso, irregular ou fora do padrão habitual do seu ciclo.
  • Dor de cabeça nova, diferente ou que piora de forma progressiva, em especial se associada a sintomas neurológicos ou aura.

Quando o sintoma dominante é a dor de cabeça atrelada ao ciclo, vale entender o componente hormonal da cefaleia, ligado à queda do estrogênio no fim da fase lútea: tratamos esse cenário em cefaleia ou enxaqueca hormonal e, de forma mais ampla, no guia sobre enxaqueca: causas e tratamentos. Sobre o uso racional de analgésicos para os componentes dolorosos, com nomes genéricos e suas indicações, veja o guia de remédios para dor.

Reconhecimento

Centro de Dor

Listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED)

Centro de Tratamento por Ondas de Choque

Listado pela Sociedade Médica Brasileira de Tratamento por Ondas de Choque (SMBTOC)

Clínica listada

Listada pelo Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura (CMBA)

Perguntas frequentes

A acupuntura funciona mesmo para a TPM?

A acupuntura pode ajudar a aliviar os sintomas da TPM, com base mais firme nos componentes de dor, como cólica e enxaqueca, e também sobre a tensão emocional. Para os sintomas afetivos da TDPM, os tratamentos de maior evidência são os ISRS e a supressão da ovulação. A acupuntura entra como terapia complementar, integrada ao acompanhamento ginecológico. A resposta varia de pessoa para pessoa e não é garantida.

Por que os antidepressivos agem rápido na TDPM e não na depressão?

Porque o efeito na TDPM não depende só do aumento crônico da serotonina. Os ISRS modulam rapidamente a síntese de neuroesteroides, em especial a alopregnanolona, que atua no receptor GABA-A. Por isso o alívio costuma aparecer em poucos dias, o que viabiliza o uso apenas na fase lútea em parte das pacientes. A indicação e o esquema são sempre do médico.

Quais sintomas da TPM a acupuntura pode aliviar?

Os mais estudados são cólica menstrual, dor e sensibilidade nas mamas, cefaleia pré-menstrual, além de irritabilidade, ansiedade e alterações do sono. O benefício maior tende a aparecer nos componentes de dor, por neuromodulação, e na tensão emocional, por regulação da resposta ao estresse.

Quantas sessões são necessárias?

Costuma-se programar um ciclo inicial de cerca de 6 a 10 sessões, 1 a 2 vezes por semana, concentradas na fase lútea. A resposta é progressiva e cumulativa, e muitas vezes a maior diferença aparece a partir do segundo ou terceiro ciclo de acompanhamento. O plano é reavaliado conforme a sua resposta, com base no diário de sintomas.

Como sei que é TPM e não outro problema?

O diagnóstico é prospectivo: registrar os sintomas dia a dia por pelo menos dois ciclos, com um instrumento como o DRSP. O dado decisivo é o intervalo livre na primeira semana após a menstruação. Se os sintomas não somem nesse período, o quadro provável é outro, como um transtorno de humor ou de ansiedade que piora na fase pré-menstrual, e a investigação muda.

Acupuntura substitui o anticoncepcional ou o remédio do ginecologista?

Não. A acupuntura é complementar e não suprime a ovulação nem substitui um ISRS ou um contraceptivo indicado pelo médico. Em parte dos casos pode ajudar a reduzir a necessidade de analgésicos, mas nenhuma medicação prescrita deve ser suspensa por conta própria. Qualquer ajuste é decisão do médico assistente.

A acupuntura para TPM tem riscos?

Em mãos treinadas, é um procedimento de boa segurança. Os efeitos mais comuns são leves e locais, como pequeno desconforto na inserção ou eventual equimose no ponto. Há cautela em pessoas que usam anticoagulantes, que devem informar o médico antes do tratamento.

Prof. Dr. Hong Jin Pai
Sobre o autor
Prof. Dr. Hong Jin Pai
CRM-SP 36.399RQE 29.862

Médico com atuação em Acupuntura Médica, dor, ensino clínico e formação médica continuada. Diretor técnico da Clínica Dr. Hong Jin Pai.

Revisão médica e editorial

Conteúdo revisado clinicamente por Dr. Marcus Yu Bin Pai. Tem finalidade educativa e cita fontes.

Referências4 fontes citadas neste artigoVerOcultar
  1. American College of Obstetricians and Gynecologists. Premenstrual syndrome (PMS): critérios diagnósticos e manejo. Diretriz de prática.
  2. American Psychiatric Association. Transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM). In: DSM-5-TR; critérios diagnósticos.
  3. Revisões sistemáticas e metanálises de acupuntura e auriculoterapia na síndrome pré-menstrual e no transtorno disfórico pré-menstrual: síntese da literatura, com certeza baixa.
  4. Cochrane Database of Systematic Reviews. Acupuntura e acupressão no manejo da dismenorreia primária.
Atualizado em 04 jun 2026 Leitura 12 min

Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação médica individual. A acupuntura é uma abordagem complementar e não substitui o acompanhamento ginecológico. A resposta depende da intensidade do quadro e de quais sintomas predominam, físicos ou afetivos, e o plano é definido caso a caso após consulta, em conjunto com o ginecologista.

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