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Tratamentos · Terapia adjuvante da dor

Ventosaterapia e seus benefícios: para que serve e como funciona

A ventosaterapia (cupping) usa copos que criam sucção sobre a pele com a proposta de aliviar a dor miofascial e relaxar a musculatura.

Resposta direta
  • A ventosaterapia usa copos com sucção sobre a pele para mobilizar pele, fáscia e músculo. Ajuda sobretudo no alívio da dor miofascial cervical e lombar, como adjuvante.
  • Pode ajudar a reduzir a dor e a tensão muscular e a melhorar a função por algumas semanas, sempre como adjuvante: não é um tratamento isolado nem cura doenças.
  • As marcas roxas (equimoses) na pele são esperadas, benignas e desaparecem em dias. A técnica tem contraindicações claras, sobretudo o uso de anticoagulantes e a pele lesada.
  • Faz mais sentido somada ao exercício e à reabilitação, à acupuntura e ao agulhamento seco, dentro de um plano individualizado, do que sozinha.
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O que é a ventosaterapia

Duas ventosas de vidro aplicadas sobre as costas de uma pessoa, com a pele sugada para dentro de um dos copos e a mao do terapeuta ao lado.
O vácuo dentro do copo eleva a pele e os tecidos, criando a sucção que define a técnica da ventosaterapia.

A ventosaterapia, também escrita como ventosa terapia ou ventosoterapia e conhecida internacionalmente como cupping, é uma técnica milenar em que copos (as ventosas) são aplicados sobre a pele. Dentro do copo se cria uma pressão negativa, uma sucção, que puxa a pele e os tecidos logo abaixo para dentro da ventosa.

Essa sucção pode ser obtida de duas formas, e ambas seguem em uso na prática clínica:

  • Ventosa de fogo. Uma chama aquece o ar dentro do copo por um instante; ao encostar na pele, o ar resfria e contrai, e esse resfriamento gera o vácuo.
  • Ventosa com bomba manual. Um copo com válvula é acoplado a uma bomba que aspira o ar, o que permite graduar a sucção com precisão e sem uso de chama.

A escolha entre elas depende da região tratada, da intensidade desejada, da tolerância e da preferência técnica. O efeito mecânico de pressão negativa local é semelhante nas duas: muda a técnica de geração do vácuo, não o estímulo sobre o tecido.

A ventosaterapia faz parte de um conjunto maior de técnicas da medicina tradicional chinesa, ao lado da acupuntura, e hoje é usada também em um contexto musculoesquelético, como recurso de terapia manual sobre os tecidos moles. Trata-se de um adjuvante, um recurso que soma a um plano de tratamento e que rende melhores resultados quando combinado a outras frentes de cuidado.

Vale uma distinção de vocabulário desde já. As ventosas usadas aqui são de uso terapêutico sobre a musculatura e a fáscia. Não confundir com aparelhos de outras finalidades nem com a ideia de que a sucção “retira toxinas” do corpo, uma explicação popular que a fisiologia não sustenta. O que a ventosa faz é um estímulo mecânico local sobre o tecido, e é a partir desse estímulo que se discutem os mecanismos de alívio da dor.

Equipe da clínica reunida em congresso do CREMESP
Equipe médica Equipe da clínica em congresso do CREMESP

Tipos de ventosaterapia e como cada técnica é aplicada

A ventosaterapia não é uma técnica única. O termo agrupa variações que diferem em três eixos: como o vácuo é gerado (fogo ou bomba mecânica), se o copo fica parado ou em movimento, e se a pele permanece íntegra ou é puncionada. Essas escolhas mudam o estímulo aplicado ao tecido, o perfil de risco e a exigência de biossegurança. As marcas circulares arroxeadas que aparecem após a sucção são equimoses esperadas, detalhadas na seção sobre a sessão e na de segurança.

Tipos de ventosaterapia e como diferem
TipoComo é feitaBarreira da pele
Ventosa seca estáticaCopo fixado por sucção sobre o ponto e mantido parado por alguns minutosÍntegra
Ventosa deslizanteÓleo na pele e copo sob sucção leve deslizado pela musculaturaÍntegra
Ventosa a fogoChama aquece o ar do copo de vidro; o vácuo se forma ao esfriarÍntegra (risco de queimadura)
Ventosa a vácuo mecânicoBomba manual em copo de plástico ou silicone, com sucção graduávelÍntegra

Ventosa seca estática

O que é. A forma mais usada na dor musculoesquelética. Um ou vários copos são fixados por sucção sobre bandas musculares tensas e pontos-gatilho, em regiões como o trapézio superior, o elevador da escápula, a musculatura paravertebral cervical e a lombar, e mantidos parados por cerca de cinco a quinze minutos.

Mecanismo proposto, calibrado. A pressão negativa eleva e separa as camadas de pele, tecido subcutâneo, fáscia e músculo, em sentido oposto ao da compressão da maioria das terapias manuais. Postula-se que essa descompressão mobilize a interface miofascial e reduza a tensão na banda muscular; é uma hipótese plausível, não um efeito demonstrado em mecanismo. O estiramento dos mecanorreceptores cutâneos e profundos também pode contribuir para a neuromodulação da dor descrita na seção de mecanismo.

O que esperar. Sensação de pressão ou puxão firme, raramente dolorosa; marcas circulares que surgem na hora e somem em dias. O alívio, quando ocorre, tende a ser de curto prazo, o que sustenta o uso como adjuvante e não isolado.

Indicações. Componente miofascial localizado da dor cervical e lombar, somada ao exercício e à reabilitação.

Limitações. Efeito modesto e pouco duradouro; bolhas se a sucção for excessiva; contraindicada sobre pele lesada e com cautela em anticoagulação (ver «Segurança e contraindicações»).

Ventosa deslizante

O que é. Também chamada de massagem com ventosa. Aplica-se óleo na pele e o copo, sob sucção mais leve, é deslizado ao longo da musculatura, cobrindo áreas maiores como toda a faixa paravertebral.

Mecanismo proposto, calibrado. Soma o efeito de tração vertical da sucção a um cisalhamento dinâmico entre os planos teciduais, aproximando-se de uma liberação miofascial instrumental. Postula-se mobilização da fáscia e estímulo da microcirculação local; a tradução em benefício clínico mensurável permanece modesta.

O que esperar. Sensação de massagem profunda, em geral bem tolerada; eritema difuso mais do que marcas circulares bem definidas.

Indicações. Tensão muscular difusa em regiões extensas, quando se prefere um estímulo móvel ao estático.

Limitações. Mesmas cautelas da ventosa seca; requer pele íntegra e lubrificada para o deslize seguro.

Ventosa a fogo e ventosa a vácuo mecânico

O que é. Duas formas de gerar a mesma sucção. Na ventosa a fogo, método tradicional, uma chama aquece por um instante o ar dentro de um copo de vidro; ao encostar na pele e esfriar, o ar se contrai e cria o vácuo. Na ventosa a vácuo mecânico, mais usada em consultório, uma bomba manual acoplada a copos de plástico ou silicone aspira o ar, permitindo graduar a intensidade com precisão e sem fogo.

Mecanismo proposto, calibrado. O estímulo mecânico sobre o tecido é, na prática, equivalente entre os dois métodos; a diferença é operacional e de segurança, não de mecanismo de ação.

O que esperar. Resultado clínico semelhante; o método mecânico oferece controle fino da sucção e dispensa a manipulação de chama perto da pele.

Indicações. O vácuo mecânico é, em geral, preferível pela previsibilidade e ausência de fogo; a aplicação a fogo persiste em contextos de tradição.

Limitações. O método a fogo adiciona risco de queimadura cutânea, descrito entre os eventos adversos da técnica e evitável com o vácuo mecânico (ver «Segurança e contraindicações»).

Ventosa, acupuntura e agulhamento seco: técnicas que compartilham mecanismo

A ventosa raramente é aplicada de forma isolada. Na dor miofascial, ela costuma ser combinada, na mesma sessão ou no mesmo ciclo, com a acupuntura, a eletroacupuntura e o agulhamento seco, técnicas que dividem parte da lógica de neuromodulação. A diferença prática está no tipo de estímulo: a ventosa puxa e descomprime a superfície miofascial de forma difusa, enquanto a agulha atua de forma dirigida no ponto que dói.

Combiná-las busca somar a descompressão da sucção ao estímulo focal da agulha, dentro de uma sessão estruturada e reavaliada pela resposta. O detalhamento de cada uma como modalidade, com seu mecanismo, está na seção sobre o plano de tratamento («onde a ventosa entra no tratamento»).

Em uma frase

Na dor musculoesquelética do dia a dia, a ventosa seca ou deslizante, por vácuo mecânico, é o que faz mais sentido como adjuvante. A ventosa a fogo agrega risco de queimadura sem ganho adicional, então o vácuo mecânico costuma ser a escolha preferível.

Como funciona: o mecanismo proposto

Terapeuta de jaleco branco aquece o interior de um copo de vidro com uma chama em pinça antes de aplica-lo nas costas da paciente.
Na ventosa de fogo, a chama consome o oxigênio do copo e gera o vácuo que adere o vidro a pele ao esfriar.

A ventosaterapia age por um estímulo mecânico sobre a pele e os tecidos moles, e há boas hipóteses sobre como essa sucção alivia a dor miofascial.

A primeira hipótese é o efeito sobre a fáscia e os tecidos moles. A sucção levanta e separa as camadas da pele, da fáscia e do músculo, em um movimento oposto ao da maioria das técnicas manuais, que comprimem. Postula-se que essa descompressão mobilize a fáscia, reduza aderências e diminua a tensão nas bandas musculares e nos pontos-gatilho, com efeito parecido ao de uma liberação miofascial feita por outras vias.

A segunda hipótese é o aumento local da microcirculação. A pressão negativa atrai sangue para a região tratada, o que explica, inclusive, as marcas arroxeadas. Esse afluxo poderia favorecer três coisas: a oxigenação local, a remoção de metabólitos e um ambiente menos propício à perpetuação da dor. É uma explicação coerente para parte do alívio percebido.

A terceira hipótese é a neuromodulação da dor. O estímulo intenso da pele e dos tecidos profundos ativa mecanorreceptores e fibras nervosas que, segundo a teoria da comporta da dor, podem inibir, na medula, a transmissão dos sinais dolorosos. Soma-se a isso a possível ativação de vias inibitórias descendentes e a liberação de substâncias analgésicas próprias do corpo, mecanismos que a ventosa compartilha, em parte, com a acupuntura e o agulhamento seco. Há ainda o efeito de relaxamento associado ao toque e à atenção terapêutica, que contribui para o alívio percebido.

Repare que nenhuma dessas hipóteses envolve “eliminar toxinas” ou “limpar o sangue”, explicações comuns no senso popular e sem amparo fisiológico. As marcas que surgem não são impurezas extraídas: são pequenos extravasamentos de sangue dos vasos superficiais, provocados pela sucção.

Benefícios da ventosaterapia

Bem indicada, a ventosaterapia oferece benefícios reais como parte do cuidado da dor miofascial. O principal é o alívio da dor de curto prazo, sobretudo na dor cervical e na dor lombar de componente muscular, acompanhado da redução da tensão nas bandas musculares e nos pontos-gatilho. Muitas pessoas descrevem ainda uma sensação agradável de relaxamento durante e após a sessão.

Esses ganhos aparecem com mais clareza quando a ventosa é usada como adjuvante, somada ao exercício, à reabilitação e a técnicas como a acupuntura e o agulhamento seco. Ela prepara o terreno e melhora o conforto para que a pessoa avance na reabilitação, que é o que sustenta o resultado ao longo do tempo. É um recurso de baixo risco quando bem indicado, e é assim, dentro de um plano, que rende seus melhores resultados.

Mito

“A ventosaterapia desintoxica o corpo, tira o sangue ruim e resolve a dor nas costas de vez.”

Fato

A ventosa não remove toxinas. Ela oferece alívio da dor miofascial e relaxamento como adjuvante, somada ao tratamento de base.

Há um ponto que muda a forma de interpretar a sessão: a cor da marca não mede o quanto a área estava “ruim” nem o quanto o tratamento funcionou. A intensidade do roxo depende de fatores mecânicos e individuais, e não da quantidade de “estagnação”, “toxina” ou “umidade” no local:

  • a força e o tempo de sucção aplicados;
  • a fragilidade dos capilares e a espessura da pele;
  • o uso de medicamentos que afinam o sangue.

Marcas mais escuras não significam uma sessão melhor; significam, sobretudo, que mais capilares superficiais se romperam ali. Por isso buscar marcas intensas não traz mais benefício: só aumenta o desconforto e o risco de bolha.

O que esperar da sessão e as marcas na pele

Costas de uma nadadora mostrando várias marcas circulares avermelhadas deixadas pela aplicação das ventosas.
As marcas circulares avermelhadas são temporárias e desaparecem em alguns dias, sinal esperado após a sessão.

Uma sessão de ventosaterapia seca ou deslizante costuma durar de poucos a cerca de quinze minutos por região e é, em geral, bem tolerada. A sensação é de uma pressão ou puxão firme na pele, às vezes com leve ardência, raramente dolorosa. Na ventosa deslizante, soma-se a sensação de uma massagem profunda. A maioria das pessoas descreve a experiência como relaxante.

A consequência mais visível são as marcas arroxeadas circulares que aparecem onde os copos foram aplicados. É fundamental entender o seguinte: essas marcas são esperadas e benignas. Elas são equimoses, ou seja, pequenos extravasamentos de sangue dos vasos superficiais provocados pela sucção, e não um sinal de lesão grave ou de “toxinas saindo”.

A cor varia conforme a intensidade aplicada e a circulação local. Elas costumam desaparecer sozinhas em alguns dias a até cerca de duas semanas, mudando de tom como um hematoma comum, sem necessidade de tratamento.

Quem não pode ficar com marcas visíveis por motivos pessoais ou profissionais deve avisar o médico, que pode ajustar a intensidade ou preferir outra técnica. Como qualquer recurso adjuvante, a ventosa é avaliada pela resposta: se ajuda no alívio e permite avançar a reabilitação, mantém-se por algumas sessões; se não traz benefício, o plano é revisto, sem insistência. O alívio, quando ocorre, tende a ser de curto prazo, o que reforça a necessidade de um tratamento de base que sustente o resultado.

Da prática clínica

Quem procura a ventosa raramente chega por causa dela em si: chega depois de ter visto as marcas em atletas ou nas redes, ou trazendo uma dor cervical e lombar antiga em busca de alívio rápido. É comum a expectativa de que a sucção “puxe para fora” algo que estaria preso, a tensão, o “sangue ruim”, as toxinas. Faz parte da consulta desfazer com cuidado essa ideia, sem desmerecer a busca da pessoa: a marca é mecânica, não é impureza saindo, e isso costuma surpreender quem vinha medindo o resultado pela cor do roxo.

Onde a ventosa de fato ajuda, na nossa leitura, é como camada de conforto no componente miofascial difuso, sobretudo na musculatura paravertebral e no trapézio, quando somada ao exercício e a técnicas de agulha. Onde ela é mais vendida do que entrega é como tratamento isolado, como promessa de resolver hérnia, ciática ou causas estruturais, ou quando a intensidade é elevada só para deixar marca. O que surpreende boa parte dos pacientes é descobrir que o recurso de maior valor para a dor miofascial costuma ser a agulha, não a ventosa, e que a sessão mais útil é em geral a menos espetacular. Diante de uma dor que não cede, o passo seguinte é reavaliar o diagnóstico e o plano de base, não aumentar a sucção.

Segurança e contraindicações

A ventosaterapia, nas formas secas, é de baixo risco quando bem indicada e aplicada por profissional habilitado. Ainda assim, não é para todos, e algumas situações exigem cautela ou contraindicam a técnica. As marcas, já se viu, são esperadas; o que segue são as condições em que a ventosa deve ser evitada ou repensada.

Contraindicações e cautelas · avalie com o médico

A ventosaterapia deve ser evitada ou repensada quando há

  • Uso de anticoagulantes ou antiagregantes, ou distúrbios de coagulação, pelo risco aumentado de hematomas e sangramento.
  • Pele lesada, ferida, inflamada, com infecção, dermatite, queimadura ou sobre lesões de pele de natureza indefinida.
  • Sobre tromboses, varizes importantes, áreas de fragilidade vascular ou regiões com circulação comprometida.
  • Gravidez (sobretudo abdome e região lombossacra) e sobre proeminências ósseas, sem indicação e avaliação específicas.
  • Diabetes com fragilidade cutânea, uso de corticoide, imunossupressão ou qualquer condição que prejudique a cicatrização.
  • Febre, infecção ativa, fraqueza importante, ou pele com pouca sensibilidade na área a ser tratada.

O método a fogo, por envolver chama perto da pele, adiciona um risco de queimadura que o vácuo mecânico evita; eventos adversos mais sérios são raros e, em geral, ligados à técnica inadequada. Respeitar as contraindicações e ajustar a intensidade é o que mantém a ventosa segura.

Efeitos colaterais leves e transitórios podem ocorrer mesmo nas formas secas: além das marcas, dor leve no local, sensibilidade cutânea por um a dois dias e, raramente, pequenas bolhas se a sucção for excessiva ou prolongada. Avaliar caso a caso, ajustar a intensidade e respeitar as contraindicações é o que mantém a técnica segura.

Assista: Ventosaterapia: entenda a técnica adotada por atletas da Olimpíada como Michael Phelps

Onde a ventosa entra no plano de tratamento

Médico de jaleco branco segurando dois copos de ventosa de vidro de tamanhos diferentes, com cartaz de pontos do corpo ao fundo.
Copos de calibres distintos permitem ajustar a sucção a região tratada dentro de um plano individualizado.

A ventosaterapia tem mais valor quando ocupa o lugar certo: o de um recurso adjuvante, somado a um plano de tratamento multimodal, individualizado e não-cirúrgico da dor musculoesquelética. Ela não é o eixo do tratamento e não substitui a base ativa. Pensar nela isoladamente é o erro mais comum, e o que mais frustra expectativas. A seguir, como ela se encaixa entre as demais frentes que a clínica utiliza.

Avaliação e educação

Entender a origem da dor, ajustar postura e rotina e manter-se ativo. O diagnóstico orienta quais recursos somam ao caso.

Exercício e reabilitação

A base do plano: fortalecimento progressivo, controle motor e mobilidade. É o que sustenta o resultado ao longo do tempo.

Técnicas adjuvantes

Ventosaterapia, acupuntura, eletroacupuntura e agulhamento seco para o componente miofascial, somadas ao exercício.

Procedimentos em casos selecionados

Infiltração de pontos-gatilho e outros recursos quando o quadro não responde ao plano de base bem conduzido.

Exercício e reabilitação: a base que sustenta o resultado

É a intervenção mais importante e segura na dor cervical e lombar, e o eixo de todo o resto. O foco é o controle motor, o fortalecimento progressivo e a dessensibilização ao movimento, para que a pessoa recupere a função e tolere a carga do dia a dia. A reabilitação ativa é o que dá durabilidade ao alívio; recursos como a ventosa preparam o terreno e ajudam no conforto, mas não constroem essa base. O tema é detalhado no guia de tratamento da lombalgia ou dor lombar.

Acupuntura e eletroacupuntura

É a parente próxima da ventosa dentro da mesma tradição, com um mecanismo de ação bem caracterizado. As duas compartilham parte da lógica de neuromodulação. A acupuntura modula a dor por mecanismos segmentares no corno dorsal da medula, pela ativação de vias inibitórias descendentes e pela liberação de opioides endógenos; na eletroacupuntura, a corrente de baixa frequência tende a recrutar mais esses sistemas, com papel reconhecido na dor cervical crônica, na lombalgia e na cefaleia.

Na prática, quando o paciente procura a ventosa atraído pela origem chinesa da técnica, é comum apresentar também a acupuntura, que oferece um efeito semelhante de modulação da dor. Para quem busca entender melhor esse recurso, há a página acupuntura funciona.

Agulhamento seco e infiltração de pontos-gatilho

Vale entender por que, na mesma sessão, costumamos preferir a agulha à ventosa quando a dor é claramente miofascial. O agulhamento seco insere uma agulha fina diretamente na banda tensa e no ponto-gatilho e provoca a resposta de contração local, um espasmo breve e involuntário do feixe muscular que reduz a atividade elétrica espontânea da placa motora, com efeito analgésico local e segmentar. É um estímulo dirigido ao ponto que dói, ao contrário da ventosa, cuja sucção atua de forma mais difusa sobre a superfície miofascial.

Quando o ponto-gatilho é resistente ao agulhamento e à terapia manual, a infiltração com anestésico local no mesmo ponto interrompe o ciclo dor-espasmo-dor. Para a dor miofascial, é frequentemente entre essas técnicas de agulha que está o maior ganho clínico; a ventosa entra como camada de conforto, não como a ferramenta que desativa o ponto-gatilho.

Comparando o lugar de cada recurso

Nenhum desses recursos substitui o exercício; eles somam conforme o quadro de cada pessoa.

Onde cada recurso se encaixa na dor miofascial
RecursoPara que servePapel no plano
Exercício e reabilitaçãoBase do plano: força, controle motor, funçãoEixo do tratamento
Acupuntura / eletroacupunturaNeuromodulação da dorRecurso complementar consolidado
Agulhamento secoDesativar pontos-gatilho miofasciaisDirecionado ao ponto-gatilho
VentosaterapiaAdjuvante para alívio de curto prazo da dor miofascialCamada de conforto e alívio

A ventosaterapia pode ser uma camada útil de conforto e alívio de curto prazo para quem tem dor miofascial cervical ou lombar, desde que somada ao que de fato muda o curso do problema.

Referência reconhecida em dor

A clínica é um Centro de Dor listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED) e um Centro de Tratamento por Ondas de Choque listado pela SMBTOC, e é listada pelo CMBA (Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura).

SBED, Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor SMBTOC, Sociedade Médica Brasileira de Tratamento por Ondas de Choque CMBA, Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura

Perguntas frequentes

Para que serve a ventosaterapia?

A ventosaterapia serve, na prática clínica, como recurso adjuvante no alívio de curto prazo da dor miofascial, sobretudo cervical e lombar. Copos com sucção mobilizam pele, fáscia e músculo. Não é um tratamento isolado nem cura doenças: faz mais sentido somada ao exercício, à reabilitação e a técnicas como a acupuntura, dentro de um plano individualizado.

Quais são os benefícios da ventosaterapia?

Os principais benefícios são a redução da dor de curto prazo e o alívio da tensão muscular, como adjuvante, além de uma sensação de relaxamento durante e após a sessão. Não se deve esperar cura nem alívio duradouro por si só: a ventosa soma ao tratamento de base, não o substitui.

As marcas roxas da ventosa são perigosas?

Não. As marcas arroxeadas circulares são esperadas e benignas. São equimoses, pequenos extravasamentos de sangue dos vasos superficiais provocados pela sucção, e não impurezas ou toxinas saindo do corpo. Costumam desaparecer sozinhas em alguns dias a cerca de duas semanas, mudando de cor como um hematoma comum, sem necessidade de tratamento.

A ventosaterapia dói?

Em geral, não. A sensação é de pressão ou puxão firme na pele, às vezes com leve ardência, raramente dolorosa. Na ventosa deslizante, soma-se a sensação de uma massagem profunda. Pode haver leve sensibilidade no local por um a dois dias após a sessão. Se a sucção for forte demais, a intensidade deve ser ajustada.

Quem não pode fazer ventosaterapia?

Deve-se evitar ou avaliar com cautela em pessoas que usam anticoagulantes ou têm distúrbios de coagulação, sobre pele lesada, ferida, inflamada ou infectada, sobre tromboses e varizes importantes, na gravidez sem indicação específica e em quadros que prejudicam a cicatrização. A avaliação médica define o que é seguro no seu caso.

Ventosaterapia funciona para dor nas costas?

A ventosaterapia pode aliviar a dor lombar e cervical de curto prazo quando usada como adjuvante. Ela ajuda no conforto enquanto o tratamento de base, o exercício e a reabilitação, faz o trabalho de fundo. Não é um tratamento isolado para dor nas costas nem resolve causas estruturais.

Dr. Marcus Yu Bin Pai
Sobre o autor
Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP 158.074RQE 65.523 / 65.524 / 655.241

Médico especialista em Fisiatria e Acupuntura pela Associação Médica Brasileira, com área de atuação em Dor. Doutor em Ciências pela USP e médico colaborador do Grupo de Dor do HC-FMUSP.

Revisão médica e editorial

Conteúdo revisado clinicamente por Prof. Dr. Hong Jin Pai. Tem finalidade educativa e cita fontes.

Atualizado em 1 jun 2026 Leitura 9 min

Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação médica individual. A ventosaterapia é um recurso adjuvante; a resposta varia entre pessoas e o plano deve ser individualizado após consulta. Procedimentos têm indicações e contraindicações que só podem ser avaliadas por um médico.

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