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Coluna cervical · Movimento e reabilitação

Yoga para dor no pescoço: melhores posições e quais os benefícios

A yoga pode ajudar na cervicalgia crônica como exercício, com evidência comparável à de outros exercícios terapêuticos. Não é cura nem serve a qualquer pescoço. Veja posturas e respiração seguras para a coluna cervical, os cuidados e quando não fazer.

Resposta direta
  • Para a dor crônica no pescoço, a yoga funciona sobretudo como exercício e movimento: revisões mostram redução da dor e melhora da função e da qualidade de vida, com efeito comparável ao de outros exercícios terapêuticos, e não superior a eles.
  • O ganho vem de mobilidade, fortalecimento da musculatura que sustenta a cabeça, consciência postural, respiração e regulação do estresse, fatores que alimentam a cervicalgia. A yoga não corrige hérnia, artrose nem retificação cervical.
  • Não é para todo mundo: na crise aguda intensa, na dor que desce pelo braço com formigamento ou fraqueza (radiculopatia) e diante de sinais de alerta, primeiro avalie, depois pratique, evitando posturas invertidas e hiperextensão brusca.
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Avaliação clínica

Dor tem Tratamento. Foco em tratamentos não cirúrgicos para dor, reabilitação.

Yoga ajuda na dor no pescoço? O que a evidência mostra

Ilustração editorial de pessoa vista de costas com arcos de tensão em terracota irradiando da nuca, representando dor e rigidez no pescoço
O pescoço sustenta a cabeça com sete vértebras móveis, e é essa região que o yoga busca mobilizar e estabilizar

A yoga não “cura” o pescoço; o que importa é onde ela se encaixa. Para a cervicalgia crônica inespecífica (a dor de pescoço comum, sem compressão de nervo nem doença grave por trás), a yoga é uma forma estruturada de exercício, e o exercício é a base do tratamento conservador: uma modalidade de movimento, entre outras, com benefício real e limites claros.

Revisões e ensaios clínicos que avaliaram programas de yoga para dor cervical crônica relatam redução da intensidade da dor, ganho de amplitude de movimento e melhora da incapacidade e da qualidade de vida ao longo de semanas de prática regular. Quando a yoga é comparada a outros exercícios terapêuticos bem feitos, o resultado tende a ser semelhante, não milagroso. O que mais importa é mover a coluna cervical de forma orientada e consistente; a “embalagem” pode ser yoga, fisioterapia motora, Pilates clínico ou um programa de fortalecimento, conforme a preferência e o quadro de cada pessoa.

Posturas (asanas), respiração e atenção ao corpo ajudam a dor crônica porque atuam sobre mecanismos que de fato a sustentam: rigidez, fraqueza dos estabilizadores cervicais, postura mantida em flexão, tensão muscular e estresse. O que a yoga não faz é reverter uma hérnia de disco, “desentortar” uma coluna cervical retificada ou eliminar uma artrose. Esses achados de imagem, aliás, são comuns mesmo em quem não sente dor, como detalhamos no guia sobre quando a dor no pescoço deve preocupar.

Síntese de evidênciaEvidência baixa a moderada

Yoga na cervicalgia crônica: alívio comparável a outros exercícios

Revisões de ensaios clínicos sugerem que programas de yoga reduzem a dor e a incapacidade na dor cervical crônica e melhoram a função e a qualidade de vida, com magnitude variável entre estudos e efeito comparável ao de outros exercícios terapêuticos. A certeza da evidência é limitada pela variação entre os protocolos. A yoga é uma boa opção de exercício para quem gosta dela, não uma terapia superior às demais.

Ver referências →
Mito

“A yoga corrige a coluna cervical retificada e cura a dor no pescoço de vez.”

Fato

A yoga ajuda a controlar a dor crônica e a melhorar mobilidade, força e postura, como qualquer bom exercício. Ela não reverte retificação, hérnia ou artrose, que muitas vezes nem são a causa da dor.

As posturas populares que machucam um pescoço dolorido

Algumas das posturas mais populares são exatamente as erradas para um pescoço dolorido. Parada sobre os ombros (sarvangasana), parada de cabeça (sirsasana) e a postura do arado (halasana) jogam grande parte do peso do corpo em flexão sobre a coluna cervical, justamente a região que dói. A versão segura da yoga para o pescoço não é a aula avançada com inversões: é a que pula essas posturas e troca por mobilidade suave, ativação dos flexores profundos do pescoço e trabalho de escápula. Saber o que não fazer protege o pescoço tanto quanto saber o que fazer.

Fisioterapeuta apoiando a cervical de uma paciente deitada na maca em sala com janela e bonsai
Reabilitação na clínica Mobilização cervical durante sessão de fisioterapia

Quais os benefícios da yoga para o pescoço

Mulher de top verde e legging azul executando a postura do triângulo sobre um tapete, com um braço estendido para cima e o tronco inclinado
Posturas que alongam a lateral do tronco e abrem os ombros ajudam a aliviar a tensão que se acumula no pescoço

Os benefícios da yoga na cervicalgia não vêm de uma postura mágica, mas da soma de vários efeitos que atacam, ao mesmo tempo, os fatores que perpetuam a dor no pescoço. Entender cada um ajuda a praticar com objetivo, e não no automático.

  • Mobilidade. Movimentos lentos e dentro do conforto recuperam a amplitude da coluna cervical, que costuma reduzir nos períodos de dor e de postura mantida.
  • Força dos estabilizadores. Posturas que pedem alinhamento da cabeça e da escápula recrutam os flexores profundos do pescoço e a musculatura escapulotorácica, justamente a que sustenta a cabeça.
  • Consciência postural. A prática treina a perceber e corrigir a cabeça projetada à frente, padrão que sobrecarrega a nuca e o trapézio ao longo do dia.
  • Respiração e estresse. A respiração diafragmática e a atenção ao corpo reduzem a tensão muscular e a hiperativação do sistema de alerta, que amplificam a dor crônica.

Esse último ponto merece destaque. A dor crônica no pescoço quase nunca é só mecânica: sono ruim, estresse e ansiedade aumentam a percepção de dor e a tensão da musculatura cervical. A yoga, ao combinar movimento com respiração e regulação, mexe nessa camada de uma forma que poucos exercícios isolados alcançam, e por isso costuma agradar a quem tem dor associada a tensão e estresse.

Ainda assim, ela soma a um plano, não o substitui. Para quem busca um trabalho mais focado de postura e alongamento da cadeia muscular, a reeducação postural global (RPG) é uma abordagem complementar conduzida por fisioterapeuta.

O que a yoga melhora na dor cervical, e por quê
BenefícioComo age no pescoçoO que esperar
Menos dorMovimento e fortalecimento reduzem a sensibilização e a sobrecarga muscularAlívio gradual ao longo de semanas, não imediato
Mais mobilidadeAmplitude cervical recuperada com movimentos lentos e controladosPescoço menos rígido para girar e olhar para os lados
PosturaConsciência e força para manter a cabeça mais alinhadaMenos “cabeça à frente” em frente a telas
Estresse e sonoRespiração e atenção reduzem tensão e hiperativaçãoTensão de nuca e trapézio costuma diminuir

Melhores posições e movimentos cervicais seguros

Mulher na postura da criança sobre um tapete azul, com o tronco dobrado para frente, a testa próxima ao chão e os braços estendidos
A postura da criança relaxa a musculatura cervical e da nuca sem forçar a coluna, sendo um bom ponto de partida

Abaixo está uma sequência segura para a coluna cervical, descrita em texto, voltada para a dor de pescoço crônica fora de crise. A regra que vale para todos os movimentos: lento, sem dor aguda, respirando, e parando antes do limite, e não no limite. Uma sensação de alongamento leve é aceitável; dor que aumenta, irradia para o braço, dá formigamento ou tontura é sinal para interromper. Se possível, aprenda com um profissional antes de praticar sozinho.

Respiração diafragmática (base de tudo)

Sentado com a coluna ereta ou deitado de costas, com os joelhos dobrados, apoie uma mão sobre o abdome. Inspire pelo nariz deixando a barriga subir, sem levantar os ombros nem “puxar” a respiração com o pescoço; expire devagar pela boca, soltando a tensão da nuca e do trapézio. Faça por dois a três minutos.

Quando você respira “pelo peito” e com os ombros, recruta músculos acessórios do pescoço, que ficam sobrecarregados. Reaprender a respirar pelo diafragma já alivia parte da tensão cervical.

Retração cervical suave (queixo para dentro)

Sentado e relaxado, deslize a cabeça para trás levando o queixo levemente para dentro, como quem faz “queixo duplo”, mantendo o olhar à frente, sem levantar nem abaixar o rosto. Não force, não empurre com a mão. Segure por 3 a 5 segundos e solte; repita 5 a 8 vezes. Esse movimento ativa os flexores profundos do pescoço e contrapõe a postura de cabeça projetada à frente, a mais comum em quem trabalha em telas.

Rotações e inclinações lentas (mobilidade)

Para a rotação, gire a cabeça devagar para um lado, levando o queixo na direção do ombro, dentro do conforto, e volte ao centro; repita para o outro lado, 5 vezes para cada. Para a inclinação lateral, leve a orelha em direção ao ombro do mesmo lado, mantendo o ombro oposto relaxado e baixo, sem subir o ombro para encontrar a orelha; segure 10 a 15 segundos de cada lado. Movimentos sempre lentos, sem repuxões e sem completar a amplitude máxima nos dias de mais dor.

Alongamento do trapézio superior e do elevador da escápula

Sentado, deixe um braço pendido ou segure levemente a borda da cadeira para baixar o ombro. Incline a cabeça para o lado oposto (orelha em direção ao ombro contrário) para alongar o trapézio superior; para o elevador da escápula, a partir daí gire um pouco o rosto para baixo, na direção da axila, como quem cheira a própria axila. Sinta um alongamento suave na lateral e no fundo do pescoço, nunca dor; segure 15 a 20 segundos de cada lado. Esses dois músculos concentram boa parte dos pontos-gatilho da cervicalgia, e mantê-los alongados ajuda no dia a dia.

Posturas de yoga amigas da coluna cervical

Algumas asanas clássicas, em versão suave, abrem o peito e mobilizam a coluna torácica, o que tira carga do pescoço. A postura do gato e da vaca (marjaryasana e bitilasana), em quatro apoios, alterna arredondar e estender a coluna de forma lenta, mantendo o pescoço como um prolongamento natural da coluna, sem jogar a cabeça muito para trás. A postura da esfinge, deitado de bruços apoiado nos antebraços, estende suavemente a coluna mantendo o pescoço longo e o olhar à frente, evitando comprimir a nuca.

A postura da criança (balasana) relaxa as costas e o pescoço com a testa apoiada. Sempre na versão confortável: a ideia é mover sem dor, não buscar a foto da postura “perfeita”.

Pérola clínica

O melhor “asana” para o seu pescoço é o que você consegue fazer sem dor e repetir todos os dias. Consistência de movimento suave vence, e muito, uma postura avançada feita uma vez e que deixa o pescoço pior no dia seguinte.

Cuidados: o que evitar durante a sessão

A yoga é segura para a coluna cervical quando respeita alguns limites. A maior parte dos problemas vem de posturas que colocam carga sobre o pescoço ou que forçam a amplitude, em geral por excesso de ambição ou por copiar uma postura avançada sem preparo. Os cuidados abaixo valem para qualquer pessoa, e ainda mais para quem já tem dor cervical.

  1. Evite carga sobre a cabeça e o pescoço

    Posturas invertidas que apoiam peso na cabeça ou no pescoço, como parada de cabeça (sirsasana) e parada sobre os ombros (sarvangasana), sobrecarregam a coluna cervical e não são para iniciantes nem para quem tem dor.

  2. Nada de hiperextensão brusca

    Não jogue a cabeça para trás de forma rápida ou forçada. Em posturas de extensão, mantenha o pescoço longo e o movimento lento, sem comprimir a nuca.

  3. Sem repuxões nem mãos forçando

    Não puxe a cabeça com as mãos para aumentar o alongamento. O movimento deve ser ativo e dentro do conforto.

  4. Respeite a regra da dor

    Alongamento leve, sim; dor que aumenta, irradia para o braço, dá formigamento, tontura ou dor de cabeça forte, não. Interrompa e reavalie.

Posturas invertidas merecem atenção redobrada se você tem pressão alta descontrolada, glaucoma, tontura, alterações vestibulares ou qualquer sinal de alerta da seção seguinte. Nesses casos, prefira as versões com apoio e a orientação de um profissional.

Quando não fazer yoga (e quando avaliar antes)

Yoga é movimento, e movimento orientado é quase sempre bom para o pescoço. Mas há situações em que praticar por conta própria pode atrasar o diagnóstico certo ou piorar o quadro. Nesses cenários, a ordem correta é avaliar primeiro, tratar a fase aguda e só então retomar a prática, adaptada.

Sinais de alerta · avalie antes de praticar

Procure avaliação médica, e não inicie yoga por conta própria, se houver

  • Dor que desce pelo braço com formigamento, dormência ou fraqueza (sugere radiculopatia, dor de raiz nervosa).
  • Perda de força ou de coordenação nas mãos, dificuldade para segurar objetos ou alterações para urinar (sugerem compressão medular, urgência).
  • Dor cervical após trauma, queda ou acidente.
  • Febre, perda de peso sem explicação, história de câncer ou imunossupressão.
  • Crise aguda intensa, com o pescoço travado, ou dor que acorda à noite e não alivia com repouso.
  • Dor de cabeça nova e forte, tontura intensa ou alterações visuais associadas ao movimento do pescoço.

A radiculopatia cervical, em que a dor irradia pelo braço seguindo o trajeto de uma raiz, com formigamento ou fraqueza, é o cenário em que mais se erra. Forçar amplitude, fazer hiperextensão ou inversões nessa fase pode aumentar a irritação da raiz. O caminho é avaliação, controle da dor e, quando indicado, reabilitação específica antes de voltar a uma prática mais livre.

Na crise aguda comum, sem esses sinais, também não é hora de buscar amplitude máxima: priorize respiração, movimentos muito suaves e dentro do conforto, e progrida conforme a dor cede. O quadro completo de sinais de alerta e de quando investigar está no guia sobre dor no pescoço, quando você deve se preocupar.

Yoga conforme o momento da dor cervical
SituaçãoYoga é indicada?Conduta
Cervicalgia crônica inespecíficaSim, como exercício de basePrática regular e progressiva, dentro do conforto
Crise aguda intensa, sem sinal de alertaCom cautelaRespiração e mobilidade muito suave; progredir conforme melhora
Radiculopatia (dor no braço com déficit)Não, antes de avaliarAvaliação médica; reabilitação específica; evitar carga e inversão
Sinais de alerta (ver «quando não fazer yoga»)NãoProcurar avaliação sem demora
Assista: Dor de Cabeça Todo Dia? Pode Ser Seu Pescoço!

Como a yoga se integra ao tratamento da dor cervical

Fisioterapeuta de jaleco branco orienta uma paciente durante exercício de fortalecimento em um equipamento dentro de uma clínica
A prática orientada por profissional ajusta a carga e a postura, evitando que movimentos repetidos sobrecarreguem o pescoço

A yoga rende mais quando entra como uma das peças de um plano multimodal, individualizado e não-cirúrgico, e não como tratamento isolado. A base de tudo é o exercício orientado, e a yoga é uma das formas de fazê-lo. As demais técnicas a seguir somam, controlando a dor para que você consiga se mover melhor, e tratando o componente miofascial que costuma acompanhar a cervicalgia. O objetivo é reduzir a dor, recuperar a função e dar ao pescoço força e controle para tolerar o dia a dia, não perseguir uma postura perfeita nem apagar um achado de imagem.

Reabilitação ativa: fisioterapia, RPG e Pilates clínico

É a base do tratamento conservador da dor cervical e o terreno em que a yoga se apoia. O foco é o controle motor e a estabilização: ativação dos flexores profundos do pescoço (a flexão craniocervical, o mesmo princípio da retração de queixo descrita acima), estabilização escapulotorácica, fortalecimento progressivo e dessensibilização ao movimento, com terapia manual como adjuvante. A reeducação postural global e o Pilates clínico, com indicação médica, ajudam a corrigir padrões posturais que sobrecarregam a coluna cervical.

Na clínica, o atendimento é individual, um paciente por sala, com a carga ajustada ao seu caso. A yoga pode ser uma extensão prazerosa desse trabalho para fazer em casa, depois de aprender o que é seguro para o seu pescoço.

Acupuntura médica e eletroacupuntura

Para a tensão cervical que a yoga alivia em parte, a acupuntura médica oferece um caminho mais direto sobre a dor. São agulhas finas inseridas em pontos da nuca, do trapézio e da cintura escapular, conduzidas por médico; na eletroacupuntura, uma corrente de baixa intensidade conecta as agulhas e mantém o estímulo. No pescoço, o efeito analgésico passa por modulação segmentar nos níveis cervicais do corno dorsal da medula (a teoria da comporta), pela ativação de vias inibitórias descendentes e pela liberação de opioides endógenos, e a baixa frequência tende a recrutar mais esses sistemas. Há evidência moderada para a cervicalgia crônica, com recomendação de diretrizes em contextos selecionados, e ela é útil quando se quer baixar a tensão de nuca e ombros para que a prática de movimento renda.

Para o pescoço, costuma-se programar um número limitado de sessões semanais com reavaliação ao final, esperando alívio que se acumula sessão a sessão, e não cura em uma única aplicação. Aqui a acupuntura é conduzida por médicos com formação específica na técnica, integrada ao mesmo plano que orienta a sua yoga.

Agulhamento seco para os pontos-gatilho do pescoço

A cervicalgia quase sempre carrega pontos-gatilho no trapézio superior, no elevador da escápula e na musculatura suboccipital, exatamente os músculos que os alongamentos da yoga descritos acima tentam soltar e que o estresse mantém contraídos. No agulhamento seco, uma agulha fina é inserida nesse ponto endurecido do músculo, sem injetar nenhuma substância, para disparar a resposta de contração local, uma contração breve e involuntária da banda tensa que reduz a atividade elétrica espontânea da placa motora e a liberação local de substâncias que geram dor, com efeito local e segmentar. No pescoço o alívio da banda tensa pode ser sentido logo após a sessão ou se firmar nos dias seguintes, com uma dor muscular leve no local que costuma ceder em um a dois dias. Soltar esses pontos costuma tirar o trapézio do caminho e fazer a mobilidade e a yoga renderem mais, porque o músculo deixa de travar o movimento que você tenta treinar.

Infiltração de pontos-gatilho e outros recursos

Infiltração de ponto-gatilho

Quando um ponto-gatilho resiste ao agulhamento seco e à terapia manual, a infiltração com anestésico local (ou soro fisiológico) interrompe o ciclo dor-espasmo-dor e relaxa a banda tensa, abrindo uma janela para a reabilitação.

Moderadaponto refratário

Laser de alta intensidade

Atua por fotobiomodulação, com efeito analgésico e anti-inflamatório, como adjuvante.

Limitadaadjuvante

Ondas de choque

Têm seu maior benefício em tendinopatias, com papel limitado na dor cervical axial pura.

Limitadapapel limitado

Todos esses recursos somam ao exercício, nunca o substituem.

O remédio serve para reduzir a dor enquanto a reabilitação avança. A indicação é médica e individual; veja o guia de remédios para dor.

Educação e movimento

Entender que dor cervical crônica costuma ser benigna, ajustar postura no trabalho e no uso de telas, e manter-se ativo; yoga e mobilidade entram aqui.

Reabilitação ativa

Base do plano: fortalecimento dos estabilizadores cervicais, controle motor, RPG e Pilates clínico, com a yoga como complemento para casa.

Técnicas em clínica

Acupuntura, eletroacupuntura, agulhamento seco e infiltração de pontos-gatilho quando há componente miofascial associado.

Recursos adicionais

Laser em casos selecionados que não respondem ao plano inicial bem conduzido.

Semana 1 a 2

Controle inicial

Reduzir a sobrecarga, ajustar postura e iniciar respiração e mobilidade muito suave; nada de buscar amplitude máxima.

Semana 3 a 6

Progressão

Fortalecimento e técnicas em clínica; a yoga progride em amplitude e em posturas conforme a dor cede e a função melhora.

Após 6 semanas

Manutenção e reavaliação

A yoga vira rotina de manutenção, alguns minutos quase todos os dias, para o pescoço não voltar a travar. Se a dor cervical não cedeu como se esperava, o passo é reabrir o diagnóstico e repensar o plano, e não só mandar repetir as mesmas posturas por mais semanas.

Da prática clínica

Na rotina do consultório, quem tem dor cervical crônica e adere à yoga melhora mais ou menos como quem adere a um bom programa de fortalecimento ou de Pilates clínico. A diferença raramente está na postura em si; está em quem mantém a prática. A yoga ganha pontos quando a pessoa gosta do componente de respiração e relaxamento e, por isso, segue fazendo, e adesão é o que de fato muda a dor crônica.

A ressalva que mais repito é sobre as inversões. Vejo pacientes que pioraram a nuca depois de aulas com parada de cabeça, parada sobre os ombros ou postura do arado, posturas que carregam a coluna cervical em flexão. Para quem tem pescoço sensível, oriento pular essas posturas e priorizar mobilidade gentil, ativação dos flexores profundos do pescoço e trabalho de escápula, com um instrutor que conheça o quadro e uma progressão lenta.

Também deixo claro o momento certo: yoga é ferramenta de manejo da dor crônica, não de crise aguda nem de pescoço com sinal de alerta. O que costuma surpreender o paciente é descobrir que a aula mais avançada não é a mais terapêutica, e que a sequência suave e repetível quase todo dia é a que sustenta o resultado.

Referência reconhecida em dor

A clínica é um Centro de Dor listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED) e um Centro de Tratamento por Ondas de Choque listado pela SMBTOC, e é listada pelo CMBA (Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura).

SBED, Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor SMBTOC, Sociedade Médica Brasileira de Tratamento por Ondas de Choque CMBA, Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura

Perguntas frequentes

Yoga é boa para dor no pescoço (cervical)?

Sim, para a dor cervical crônica inespecífica a yoga é uma boa forma de exercício: revisões mostram redução da dor e melhora da função, com efeito comparável ao de outros exercícios terapêuticos. Funciona por mobilidade, fortalecimento, postura e regulação do estresse, mas não cura nem reverte achados como hérnia ou retificação. Fora de crise e sem sinais de alerta, é segura e útil.

Quais as melhores posições de yoga para a coluna cervical?

As mais amigas do pescoço são as que mobilizam sem sobrecarregar: gato e vaca (em quatro apoios), esfinge suave, postura da criança, além de retração cervical, rotações e inclinações lentas e alongamento do trapézio superior e do elevador da escápula. Em todas, o pescoço deve ficar longo e o movimento lento, sem dor. Evite posturas invertidas que apoiam peso na cabeça.

Como alongar o trapézio superior com segurança?

Sentado, baixe o ombro do lado a alongar (deixe o braço pendido ou segure a cadeira) e incline a cabeça para o lado oposto, levando a orelha em direção ao ombro contrário, sem subir o ombro. Sinta um alongamento suave, nunca dor, e segure 15 a 20 segundos de cada lado. Não puxe a cabeça com a mão. O trapézio superior concentra pontos-gatilho frequentes na cervicalgia.

Yoga pode piorar a dor no pescoço?

Pode, se forçar amplitude, fazer hiperextensão brusca ou posturas invertidas com carga sobre o pescoço, sobretudo em crise aguda ou em radiculopatia (dor que desce pelo braço com formigamento ou fraqueza). Respeite a regra da dor, evite inversões sem preparo e, diante de sinais de alerta, avalie antes de praticar. Movimento suave e dentro do conforto raramente piora.

Quem tem hérnia de disco ou cervical retificada pode fazer yoga?

Em geral sim, com adaptação e fora de crise, já que hérnia e retificação são achados comuns mesmo em quem não tem dor. O cuidado maior é se houver dor irradiada para o braço com déficit (formigamento ou fraqueza), quando se deve avaliar antes e evitar carga e inversão. O ideal é aprender com um profissional o que é seguro para o seu caso.

Yoga substitui a fisioterapia para o pescoço?

Não. A yoga é uma forma de exercício e movimento que complementa o tratamento, mas o plano da cervicalgia é multimodal: reabilitação ativa como base, mais técnicas como acupuntura e agulhamento seco para o componente miofascial. A yoga rende mais quando some a esse conjunto, depois de uma avaliação que defina o que é seguro e adequado para você.

Evidência científica · resumos da nossa biblioteca

Resumos em linguagem clara de estudos revisados pelo Dr. Marcus Yu Bin Pai.

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Dr. Andrew Seung Ho Park
Sobre o autor
Dr. Andrew Seung Ho Park
CRM-SP 157.730RQE 102.227 / 102.228 / 131.737

Médico com atuação funcional em dor persistente, reabilitação e Acupuntura Médica.

Revisão médica e editorial

Conteúdo revisado clinicamente por Dr. Marcus Yu Bin Pai. Tem finalidade educativa e cita fontes.

Referências2 fontes citadas neste artigoVerOcultar
  1. Cramer H; Klose P; Brinkhaus B; Michalsen A; Dobos G. Effects of yoga on chronic neck pain: a systematic review and meta-analysis. Clinical rehabilitation. 2017. doi:10.1177/0269215517698735. PMID:29050510.
  2. Li Y; Li S; Jiang J; Yuan S. Effects of yoga on patients with chronic nonspecific neck pain: A PRISMA systematic review and meta-analysis. Medicine. 2019. doi:10.1097/md.0000000000014649. PMID:30813206.
Atualizado em 1 jun 2026 Leitura 9 min

Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação médica individual. A prática de yoga para a dor no pescoço deve respeitar os limites da sua coluna cervical, evitar as posturas que carregam o pescoço (parada de cabeça, parada sobre os ombros e a postura do arado) e, idealmente, ser orientada por um instrutor experiente que conheça o seu quadro. O que é seguro para um pescoço pode não ser para outro, por isso a sequência e a progressão precisam ser individualizadas a partir do seu diagnóstico.

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