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Coluna cervical · Reabilitação

Exercícios para dor no pescoço

Os exercícios mais eficazes para a dor no pescoço (cervicalgia) não são alongar mais, e sim fortalecer os flexores profundos, soltar a mobilidade e estabilizar a escápula.

Resposta direta
  • Para a maioria das cervicalgias mecânicas, a combinação que mais funciona é fortalecimento dos flexores cervicais profundos (chin tuck / retração), mobilidade cervical suave, estabilizadores da escápula e mobilidade torácica, com alongamento de trapézio e elevador da escápula como complemento, não como peça central.
  • Exercício deve gerar, no máximo, um desconforto leve e tolerável que melhora em 24 horas. Movimento que dispara dor forte, que irradia para o braço ou que causa formigamento e fraqueza não é o exercício certo para aquele momento.
  • Em crise aguda intensa, dor que desce pelo braço (irradiação) ou qualquer déficit neurológico, não force a rotina: procure avaliação antes. Os exercícios entram quando a fase mais aguda cede.
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40+ anos · HC-FMUSP · USP · 30 salas · 1.500 m² · Fisioterapia e Pilates individual

Avaliação clínica

Dor tem Tratamento. Foco em tratamentos não cirúrgicos para dor, reabilitação.

Por que exercício, e não só alongamento

Ilustração editorial de pessoa vista de costas com arcos de tensão em terracota irradiando da nuca, representando dor e rigidez no pescoço
A dor no pescoço costuma vir da coluna cervical e da musculatura entre o crânio e os ombros, regiões que os exercícios buscam estabilizar.

A busca mais comum é por alongamento para dor no pescoço, mas a literatura é consistente em outro ponto: o que melhor reduz a cervicalgia e previne recaída é o exercício terapêutico, sobretudo o fortalecimento dos músculos que estabilizam a cabeça sobre a coluna. O alongamento alivia a sensação de tensão, porém esse alívio costuma ser curto se a musculatura profunda continua fraca.

A cabeça de um adulto pesa em torno de cinco quilos e fica equilibrada sobre a coluna cervical o dia inteiro. Quem sustenta esse equilíbrio em postura mantida (no computador, no celular, dirigindo) são os flexores cervicais profundos, o longo do pescoço e o longo da cabeça, junto com os estabilizadores da escápula. Quando esses músculos profundos perdem resistência, os superficiais (trapézio superior e elevador da escápula) entram em sobrecarga para compensar. O resultado é a queixa clássica: peso e aperto na base do pescoço, dor que sobe para a nuca e cansa ao fim do dia.

Por isso a rotina abaixo não começa por alongar o trapézio. Ela começa por reativar e fortalecer o que está fraco (o chin tuck), devolver mobilidade onde está rígido (cervical e torácica) e só então alongar o que está sobrecarregado. É a mesma lógica de reabilitação ativa que conduzimos na clínica, e que está detalhada no pilar sobre quando a dor no pescoço deve preocupar.

Por que o alongamento sozinho não segura a melhora

Quase todo vídeo e post de “exercícios para dor no pescoço” é uma sequência de alongamentos do trapézio e da nuca. Alongar um pescoço tenso dá um alívio real e imediato, e é por isso que esses conteúdos parecem funcionar. O que eles não contam é por que a dor sempre volta: o alongamento muda a sensação de tensão, mas não muda a causa mecânica, que costuma ser fraqueza dos flexores cervicais profundos e dos estabilizadores da escápula. Enquanto esses músculos não ganharem resistência, o trapézio continua compensando e a tensão se refaz em horas. O que de fato reduz a cervicalgia que recidiva é fortalecer o que está fraco (o chin tuck e o controle escapular) e usar o alongamento só como complemento. Por isso esta rotina inverte a ordem habitual: ativa e fortalece primeiro, alonga por último.

~5kg
Peso da cabeça que a cervical sustenta
2x/dia
Frequência típica da rotina, em séries curtas
4 a 6
Semanas até notar melhora consistente
<24h
Desconforto aceitável deve ceder neste prazo
Dr. Marcus Pai entrevistado no programa Você Bonita sobre dor cervical em estudio de TV
Na mídia Dr. Marcus Pai em entrevista no programa Você Bonita

Antes de começar: a regra do semáforo

Antes do primeiro movimento, defina o limite seguro. Use uma régua simples de intensidade da dor, de 0 a 10. Durante e após o exercício, o desconforto pode chegar a um nível leve, em torno de 3 ou 4, desde que volte ao seu patamar de base em até 24 horas. Esse é o sinal verde para progredir.

Mito

“Tem que doer para fazer efeito. Quanto mais forço o pescoço, mais rápido melhora.”

Fato

O ganho vem da regularidade com carga tolerável, não da dor. Forçar o pescoço na amplitude máxima ou com dor forte tende a manter o ciclo de tensão e atrasar a recuperação.

Faça todos os movimentos devagar e sem prender a respiração. A amplitude correta é a que você controla com qualidade, não a máxima possível. Se um exercício específico dispara a sua dor, pule-o naquele dia e tente os demais; nem toda cervicalgia responde igual a cada movimento, e isso é esperado.

A rotina: 10 exercícios para o pescoço

Pessoa em quatro apoios sobre um tapete azul, com a coluna arqueada para cima na postura do gato, exercício de mobilidade da coluna.
Mobilizar a coluna em flexão e extensão, como no gato e camelo, prepara o segmento cervical antes dos exercícios de fortalecimento.

Esta é uma sequência completa de mobilidade, fortalecimento e alongamento para aliviar a dor no pescoço. Comece pelos primeiros itens (mobilidade e ativação), que preparam o terreno, e avance para o fortalecimento e o alongamento. Não é preciso fazer todos de uma vez: dois blocos curtos ao longo do dia funcionam melhor do que uma sessão única e longa.

Bloco 1 · Mobilidade cervical suave

  1. 1. Rotação cervical controlada

    Como fazer: sentado, coluna ereta, gire a cabeça lentamente para olhar por cima de um ombro e volte ao centro; repita para o outro lado. 8 a 10 repetições por lado. Cuidados: mantenha o queixo na horizontal, sem jogar a cabeça para trás; pare antes do ponto de dor. O que esperar: a amplitude tende a aumentar ao longo da série, com sensação de soltar a rigidez.

  2. 2. Inclinação lateral (orelha ao ombro)

    Como fazer: leve a orelha em direção ao ombro do mesmo lado, sem subir o ombro, segure 2 a 3 segundos e volte. 8 repetições por lado. Cuidados: movimento pequeno e fluido, sem balançar; nunca forçar com a mão nesta fase de mobilidade. O que esperar: leve estiramento na lateral do pescoço, sem dor aguda.

  3. 3. Flexão e extensão suave

    Como fazer: incline a cabeça levando o queixo em direção ao peito (flexão), volte e olhe um pouco para cima (extensão), dentro do conforto. 8 a 10 ciclos lentos. Cuidados: a extensão é a fase que mais incomoda quando há artrose ou irritação; reduza a amplitude para trás se sentir tontura ou dor. O que esperar: sensação de lubrificar o movimento; tontura é sinal para parar e avaliar.

Bloco 2 · Cinesioterapia: fortalecimento dos flexores cervicais profundos

Este é o movimento mais importante da rotina e o que mais costuma faltar em quem tem cervicalgia. O chin tuck (retração cervical) ativa o longo do pescoço e o longo da cabeça, os flexores profundos que estabilizam a cervical alta. Não confunda com “abaixar a cabeça”: é um deslizamento do queixo para trás, como quem faz papada de propósito.

  1. 4. Chin tuck (retração cervical) deitado

    Como fazer: deitado de barriga para cima, sem travesseiro alto, deslize o queixo para baixo e para trás em direção ao chão, alongando a nuca, sem levantar a cabeça. Segure 5 a 10 segundos, relaxe. 10 repetições. Cuidados: o movimento é sutil; você deve sentir os músculos da frente do pescoço, não a garganta apertar. O que esperar: nas primeiras vezes a musculatura cansa rápido, sinal de que estava mesmo fraca.

  2. 5. Chin tuck sentado, contra a parede

    Como fazer: de pé, costas e nuca apoiadas na parede, faça a retração levando a parte de trás da cabeça contra a parede sem inclinar o queixo para cima. Segure 5 segundos, 10 repetições. Cuidados: mantenha os ombros relaxados; o esforço é do pescoço profundo, não do trapézio. O que esperar: com as semanas, sustentar a postura ereta no dia a dia fica mais fácil e menos cansativo.

Em uma frase

Se você fizer só um exercício, faça o chin tuck. É a base do fortalecimento dos flexores profundos e o que sustenta o resultado dos demais: sem ele, o alívio do alongamento costuma durar pouco.

Bloco 3 · Estabilizadores da escápula

O pescoço não trabalha sozinho. A escápula é a base sobre a qual a musculatura cervical se ancora; quando os estabilizadores escapulares estão fracos, o trapézio superior assume o trabalho e vira fonte de dor. Fortalecer a escápula descarrega o pescoço.

  1. 6. Retração escapular (apertar as escápulas)

    Como fazer: sentado ou de pé, braços relaxados ao lado, “junte” as escápulas para trás e para baixo, como quem aproxima as omoplatas. Segure 5 segundos, 10 a 12 repetições. Cuidados: não levante os ombros em direção às orelhas; o movimento é para trás e para baixo. O que esperar: ativação na região entre as escápulas; alívio do peso no alto dos ombros.

  2. 7. Deslizamento na parede (escápula em W para Y)

    Como fazer: em pé, costas na parede, cotovelos e dorso das mãos encostados formando um “W”; deslize os braços para cima até um “Y” mantendo o contato com a parede. 8 a 10 repetições lentas. Cuidados: mantenha o chin tuck leve e as costelas baixas; se os braços saírem da parede, reduza a amplitude. O que esperar: trabalho da musculatura média das costas; melhora gradual da postura dos ombros.

Bloco 4 · Alongamento de trapézio e elevador da escápula

Agora sim, o alongamento, como complemento dos músculos que ficaram sobrecarregados. O alongamento do trapézio superior e o do elevador da escápula aliviam a sensação de aperto na base do pescoço e na nuca. Faça-os depois da ativação, e de forma suave.

  1. 8. Alongamento do trapézio superior

    Como fazer: sentado, segure a borda da cadeira com uma das mãos para fixar o ombro; incline a cabeça para o lado oposto levando a orelha ao ombro e, se confortável, ajude levemente com a outra mão. Segure 20 a 30 segundos, 2 a 3 vezes por lado. Cuidados: tração suave, sem puxões; o ombro fixado permanece baixo. O que esperar: estiramento agradável na lateral do pescoço e no alto do ombro.

  2. 9. Alongamento do elevador da escápula

    Como fazer: vire a cabeça uns 45 graus para um lado e olhe para baixo, em direção à axila, como quem cheira a própria axila; apoie a mão de leve na nuca. Segure 20 a 30 segundos, 2 a 3 vezes por lado. Cuidados: diferente do trapézio, aqui o olhar vai para baixo e na diagonal; tração mínima. O que esperar: estiramento mais para a base lateral do pescoço, onde o elevador se insere.

Bloco 5 · Mobilidade torácica

A coluna torácica (a parte de trás do tórax) rígida obriga a cervical a se mover demais para compensar. Soltar o tórax é um dos alívios mais subestimados na dor cervical postural.

  1. 10. Extensão torácica na cadeira

    Como fazer: sentado, mãos atrás da cabeça com cotovelos abertos, apoie a parte de cima das costas na borda do encosto e estenda o tórax para trás suavemente, expandindo o peito. 8 a 10 repetições lentas. Cuidados: o movimento é do meio das costas, não da lombar; não force o pescoço para trás, mantenha o chin tuck leve. O que esperar: sensação de abrir o peito e tirar peso da nuca; muitas pessoas relatam alívio imediato da rigidez.

Frequência sugerida: a rotina completa leva poucos minutos e pode ser feita uma a duas vezes por dia. O fortalecimento (chin tuck e escápula) responde melhor à constância diária; os alongamentos podem ser repetidos sempre que sentir tensão, inclusive em pausas no trabalho. A progressão é aumentar repetições e tempo de sustentação antes de aumentar a amplitude.

Resumo da rotina · alvo, dose e cuidado principal
ExercícioO que treinaDoseCuidado principal
Mobilidade cervical (rotação, inclinação, flexo-extensão)Amplitude e lubrificação articular8 a 10 reps cadaSem dor; cuidado na extensão
Chin tuck (retração)Flexores cervicais profundos10 reps, segurar 5 a 10 sDeslizar o queixo, não abaixar
Retração escapular e parede W para YEstabilizadores da escápula10 a 12 repsNão subir os ombros
Alongamento de trapézio e elevadorSoltar músculos sobrecarregados20 a 30 s, 2 a 3 vezesTração suave, sem puxão
Extensão torácicaMobilidade do tórax8 a 10 repsMover o tórax, não a lombar

Quando NÃO forçar a rotina

Exercício é o tratamento de base da cervicalgia mecânica, mas há momentos em que insistir atrapalha. Nestes cenários, segure a rotina e priorize a avaliação:

  • Crise aguda intensa. Nas primeiras 48 a 72 horas de uma crise muito dolorosa, com o pescoço travado, prefira movimentos mínimos e indolores; o fortalecimento entra quando a dor mais forte ceder.
  • Dor que irradia para o braço. Se a dor desce do pescoço para o ombro, o braço ou a mão, em trajeto de nervo, pode haver compressão de raiz (cervicobraquialgia); exercícios genéricos podem piorar e a abordagem precisa ser individualizada.
  • Formigamento, dormência ou fraqueza. Qualquer sinal neurológico no braço ou na mão muda a conduta e pede avaliação antes de exercitar.
  • Tontura, vertigem ou alteração visual ao mover o pescoço, sobretudo na extensão e na rotação, é sinal para parar e investigar.

Fora desses cenários, o desconforto leve que melhora em 24 horas é aceitável e até esperado no início. A regra prática: dor que aumenta dia após dia, que muda de qualidade ou que passa a irradiar não é “treino”, é sinal para reavaliar o plano.

Bandeiras vermelhas · não espere

Procure avaliação sem demora se houver

  • Fraqueza progressiva, dormência ou perda de força no braço ou na mão.
  • Dor após trauma significativo (queda, acidente, “chicote” no carro).
  • Febre, perda de peso sem causa, ou história de câncer com dor cervical nova.
  • Dor que acorda à noite e não alivia com mudança de posição.
  • Alteração de marcha, equilíbrio, ou dificuldade para usar as mãos em tarefas finas.
  • Perda de controle da urina ou das fezes associada à dor.
Assista: Dor de Cabeça Todo Dia? Pode Ser Seu Pescoço!

Como os exercícios se integram ao tratamento

Os exercícios são a base, mas raramente trabalham sozinhos na cervicalgia que já se instalou. O tratamento da dor no pescoço é multimodal, não-cirúrgico e individualizado: o exercício terapêutico sustenta o resultado a longo prazo, e outras técnicas ajudam a baixar a dor o suficiente para que você consiga, de fato, exercitar com qualidade. Elas somam, não substituem a base ativa.

Exercício e fisioterapia

Base do plano: flexão craniocervical (chin tuck), estabilização escapulotorácica e fortalecimento progressivo, com terapia manual como adjuvante.

Postura e ergonomia

Ajuste da tela à altura dos olhos, pausas posturais e uso consciente do celular para reduzir a carga mantida sobre a cervical.

Técnicas em clínica

Acupuntura, eletroacupuntura e agulhamento seco quando há componente miofascial associado, para baixar a dor e permitir a reabilitação.

Procedimentos guiados

Infiltração de pontos-gatilho, bloqueios e neuromodulação em casos selecionados que não respondem ao plano inicial bem conduzido.

Fisioterapia e reabilitação ativa: a base

É a intervenção com a melhor relação entre evidência e segurança na cervicalgia. O foco é o controle motor: ativação dos flexores profundos do pescoço (a flexão craniocervical, que você treina no chin tuck), estabilização escapulotorácica, fortalecimento progressivo e dessensibilização ao movimento. Na clínica, o atendimento é individual, um paciente por sala, e um profissional ajusta carga, amplitude e técnica ao seu quadro, corrigindo compensações que você não percebe sozinho.

A resposta é gradual, ao longo de semanas, e o programa é mantido depois do alívio para reduzir recorrências. A mesma lógica de reabilitação ativa vale para a coluna como um todo, como detalhamos no guia de tratamento da lombalgia ou dor lombar.

Da prática clínica

Algumas observações recorrentes do consultório:

  • A armadilha do alongamento. Muita gente chega alongando o pescoço há meses, com alívio que dura minutos e nunca segura. Não é falta de esforço: é que alongar solta a tensão sem dar controle. Quando o chin tuck e a escápula entram, o quadro costuma virar.
  • O flexor profundo fraco. Na cervicalgia que vai e volta, o achado mais comum é o teste de flexão craniocervical fraco e que cansa rápido. A pessoa tem força para girar e inclinar, mas não para sustentar a cabeça alinhada, e é essa resistência que falta treinar.
  • O gatilho na tela. O começo da queixa quase sempre aparece junto com mais horas de tela, monitor baixo ou celular no colo. Subir a tela à altura dos olhos e fazer pausas curtas costuma render mais do que qualquer exercício isolado.
  • A dor de cabeça que cede. Surpreende muitos pacientes que a dor de cabeça tensional e o peso na nuca aliviem à medida que o pescoço fica mais forte: parte dessa cefaleia tem origem cervical, nos suboccipitais e na junção crânio-cervical.

Acupuntura médica e eletroacupuntura

Modulam a dor por mecanismos segmentares no corno dorsal da medula, pela ativação de vias inibitórias descendentes e pela liberação de opioides endógenos; na eletroacupuntura, a corrente de baixa frequência tende a recrutar mais esses sistemas. Na cervicalgia, os pontos costumam ser escolhidos sobre o trapézio superior, o elevador da escápula, os suboccipitais e os segmentos paravertebrais de C2 a C6, em vez de um protocolo fixo. Há evidência moderada para a dor cervical crônica, com recomendação de diretrizes em contextos selecionados, e a técnica é útil quando o objetivo é baixar a dor o bastante para que o chin tuck e o trabalho escapular sejam feitos com qualidade, reduzindo de quebra o uso de analgésico.

Em geral programamos algumas sessões semanais nas primeiras semanas e reavaliamos pela tolerância ao exercício, não pelo número de agulhadas: o efeito tende a ser cumulativo e some à reabilitação, que segue sendo o eixo do plano. A acupuntura médica aqui é ato médico, com diagnóstico cervical antes da agulha.

Agulhamento seco para os pontos-gatilho

O trapézio superior, o elevador da escápula e os músculos suboccipitais frequentemente desenvolvem pontos-gatilho que somam dor à cervicalgia e perpetuam o ciclo dor-espasmo-dor, justamente os músculos que você alonga na rotina. São também os que mais referem dor para a nuca e a têmpora, motivo pelo qual o agulhamento entra como adjuvante nessa apresentação. No agulhamento seco, a agulha fina chega ao ponto-gatilho do trapézio ou do elevador e busca a resposta de contração local, aquele tranco involuntário da banda tensa, reduzindo a atividade elétrica espontânea da placa motora, com analgesia local e segmentar. Na musculatura cervical é técnica de mão cuidadosa: a profundidade é controlada e respeitamos a anatomia do pescoço, evitando a fossa supraclavicular pelo ápice pulmonar.

Costuma render uma janela de menos tensão por alguns dias, que aproveitamos para avançar no chin tuck e na estabilização da escápula; pode haver dor surda no ponto por um ou dois dias. É adjuvante para destravar o músculo, e não tratamento isolado da cervicalgia.

A medicação tem papel de apoio e tempo definido, decidido em consulta conforme o tipo de dor. As classes disponíveis e o que esperar de cada uma estão no guia de remédios para dor.

Semana 1 a 2

Controle inicial

Mobilidade suave e ajuste de postura; iniciar o chin tuck com poucas repetições, mantendo-se ativo dentro do conforto.

Semana 3 a 6

Progressão

Aumentar repetições e tempo de sustentação, somar estabilizadores da escápula e mobilidade torácica; a dor costuma começar a ceder.

Após 6 semanas

Reavaliação

Sem a resposta esperada, revê-se o diagnóstico e consideram-se técnicas em clínica ou investigação adicional.

Referência reconhecida em dor

A clínica é um Centro de Dor listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED) e um Centro de Tratamento por Ondas de Choque listado pela SMBTOC, e é listada pelo CMBA (Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura).

SBED, Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor SMBTOC, Sociedade Médica Brasileira de Tratamento por Ondas de Choque CMBA, Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura

Perguntas frequentes

Quais são os melhores exercícios para dor no pescoço?

Os de maior evidência são o fortalecimento dos flexores cervicais profundos (chin tuck ou retração cervical) e a estabilização da escápula, somados à mobilidade cervical e torácica suave. O alongamento de trapézio e elevador da escápula entra como complemento. Fortalecer o que está fraco costuma dar mais resultado e mais duradouro do que apenas alongar.

Alongamento para dor no pescoço resolve sozinho?

O alongamento alivia a sensação de tensão no trapézio e na nuca, mas o efeito costuma ser curto se a musculatura profunda continua fraca. Por isso ele é parte da rotina, e não a peça central. A combinação de alongar e fortalecer, mantida com regularidade, é o que sustenta o alívio.

Posso fazer exercícios para aliviar dor no pescoço durante uma crise?

Na fase mais aguda e intensa, prefira apenas movimentos mínimos e indolores; o fortalecimento entra quando a dor mais forte ceder, em geral após as primeiras 48 a 72 horas. Se a dor irradia para o braço ou há formigamento e fraqueza, não force a rotina e procure avaliação antes.

O que é o chin tuck e como sei se estou fazendo certo?

O chin tuck é a retração do pescoço: você desliza o queixo para trás, como quem faz papada de propósito, alongando a nuca, sem abaixar a cabeça nem olhar para baixo. Feito certo, você sente os músculos da frente e profundos do pescoço cansarem, e não a garganta apertar. É o exercício central para os flexores cervicais profundos.

Quantas vezes por dia devo fazer os exercícios?

Para a maioria das pessoas, uma a duas vezes por dia é suficiente. O fortalecimento responde melhor à constância diária; os alongamentos podem ser repetidos sempre que sentir tensão, inclusive em pausas no trabalho. Vale mais a regularidade com carga tolerável do que sessões longas e esporádicas.

Quanto tempo até a dor no pescoço melhorar com os exercícios?

O fortalecimento dos flexores profundos é lento porque é ganho de resistência: a maioria das pessoas nota a base do pescoço menos cansada ao fim do dia em quatro a seis semanas de chin tuck e trabalho escapular diários. A evolução costuma ser em degraus, com dias melhores e piores. Se a dor piora a cada dia, muda de qualidade ou passa a descer pelo braço, é hora de reavaliar o diagnóstico, não de insistir na mesma rotina.

Evidência científica · resumos da nossa biblioteca

Resumos em linguagem clara de estudos revisados pelo Dr. Marcus Yu Bin Pai.

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Dr. Marcus Yu Bin Pai
Sobre o autor
Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP 158.074RQE 65.523 / 65.524 / 655.241

Médico especialista em Fisiatria e Acupuntura pela Associação Médica Brasileira, com área de atuação em Dor. Doutor em Ciências pela USP e médico colaborador do Grupo de Dor do HC-FMUSP.

Revisão médica e editorial

Conteúdo revisado clinicamente por Prof. Dr. Hong Jin Pai. Tem finalidade educativa e cita fontes.

Referências2 fontes citadas neste artigoVerOcultar
  1. Kim et al. Meta-Analysis of the Effects of Physical Modality Therapy and Exercise Therapy on Neck and Shoulder Myofascial Pain Syndrome. Osong Public Health and Research Perspectives. 2020. doi:10.24171/j.phrp.2020.11.4.15.
  2. Gross A; Kay TM; Paquin JP; Blanchette S; Lalonde P; Christie T; Dupont G; Graham N; Burnie SJ; Gelley G; Goldsmith CH; Forget M; Hoving JL; Brønfort G; Santaguida PL; Cervical Overview Group. Exercises for mechanical neck disorders. The Cochrane database of systematic reviews. 2015. doi:10.1002/14651858.cd004250.pub5. PMID:25629215.
Atualizado em 1 jun 2026 Leitura 9 min

Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação médica individual: a rotina aqui é genérica e a dose certa de carga, amplitude e progressão para o seu pescoço só se define em consulta, com a conduta individualizada ao seu exame. Diante de dor que irradia para o braço, formigamento, fraqueza ou qualquer sinal de alerta, procure avaliação antes de exercitar.

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