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Virilha · Acupuntura médica · São Paulo

Acupuntura para pubalgia e dor na virilha em atletas

A acupuntura, a eletroacupuntura e o agulhamento seco ajudam a controlar a dor na pubalgia do atleta como adjuvantes, tendo o exercício de adutores como base.

Resposta direta
  • A acupuntura, a eletroacupuntura e o agulhamento seco modulam a dor da pubalgia e desativam pontos-gatilho dos adutores e do iliopsoas, mas são adjuvantes: a base do tratamento é o exercício de fortalecimento dos adutores.
  • Servem para reduzir a dor e a tensão muscular e abrir uma janela para o atleta tolerar a carga de reabilitação, não para substituir o programa de exercícios.
  • O agulhamento seco já mostrou alívio duradouro em ensaio da nossa própria equipe, e a acupuntura ajuda no controle da dor musculoesquelética crônica.
  • O plano é multimodal, individualizado e não-cirúrgico, e o retorno ao esporte é decidido por critérios de força e função, não por calendário.
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40+ anos · HC-FMUSP · USP · 30 salas · 1.500 m² · Fisioterapia e Pilates individual

Avaliação clínica

Dor tem Tratamento. Foco em tratamentos não cirúrgicos para dor, reabilitação.

Onde a acupuntura entra na pubalgia do atleta

Dr. Marcus Pai aplicando acupuntura no antebraço de uma paciente na clínica.
Na clínica, a acupuntura é sempre aplicada pelo médico.

Na pubalgia, a acupuntura tem um lugar definido dentro de um plano: ela controla a dor e a tensão muscular para que o atleta consiga treinar a força que de fato resolve o quadro.

A pubalgia é uma dor crônica de sobrecarga na região da virilha e do baixo ventre, ligada à tração que os adutores, a parede abdominal e a sínfise púbica exercem sobre o osso púbico. No esporte, a apresentação mais comum é a dor relacionada aos adutores, com destaque para o adutor longo, que dói na parte interna e alta da coxa, junto à inserção no púbis, e piora com a adução contra resistência e ao chutar. O iliopsoas, principal flexor do quadril, é a segunda fonte mais frequente e dói mais à frente e mais profundo. Reconhecer qual estrutura está sobrecarregada importa, porque é nela que o agulhamento e o exercício vão atuar.

A dor sustentada por essa sobrecarga gera dois problemas que se retroalimentam: a nocicepção contínua na inserção tendínea e o componente miofascial, com bandas tensas e pontos-gatilho nos próprios adutores e no iliopsoas que projetam dor e limitam o movimento. A acupuntura e o agulhamento seco agem justamente sobre esses dois alvos. Eles não recuperam a capacidade do tendão de suportar carga, e por isso não substituem o exercício, mas reduzem a dor e a hipertonia que impedem o atleta de progredir na reabilitação.

A base que resolve

Exercício de adutores

O fortalecimento progressivo dos adutores, tipo Copenhagen, é o que devolve ao tendão a capacidade de suportar a carga do gesto esportivo. Tem a melhor evidência e não pode faltar.

O que a agulha soma

Controle de dor e tensão

Acupuntura, eletroacupuntura e agulhamento seco reduzem a dor e desativam pontos-gatilho, abrindo a janela para o atleta tolerar e progredir no exercício.

Mito

“Algumas sessões de acupuntura resolvem a pubalgia e eu volto a jogar.”

Fato

A agulha controla a dor, mas quem devolve a tolerância à carga é o exercício de adutores. Sem o fortalecimento, a dor tende a voltar quando o treino aumenta. As técnicas somam, não substituem.

Sala de fisioterapia com maca azul, bola de exercícios e barras paralelas.
Reabilitação na clínica Sala de reabilitação

Como a agulha modula a dor: o mecanismo

Ilustração do cérebro em corte sagital destacando ínsula, cíngulo anterior, tálamo, substância cinzenta periaquedutal e tronco encefálico, regiões que a acupuntura modula no controle da dor.
A acupuntura modula regiões cerebrais do controle da dor: ínsula, cíngulo, tálamo e a via de inibição descendente.

A acupuntura médica e a eletroacupuntura modulam a dor por mecanismos neurofisiológicos descritos. No nível da medula, a estimulação ativa a modulação segmentar no corno dorsal, dentro do que a teoria da comporta descreve, reduzindo a transmissão do estímulo doloroso. No nível central, recruta as vias inibitórias descendentes, com origem na substância cinzenta periaquedutal e no bulbo rostral ventromedial, e promove a liberação de opioides endógenos.

Na eletroacupuntura, a corrente de baixa frequência tende a recrutar mais esses sistemas opioides. A correspondência entre a descrição tradicional dos meridianos e essa neurofisiologia ainda é objeto de estudo.

O agulhamento seco tem um mecanismo mais local e específico do músculo. A agulha inserida diretamente no ponto-gatilho miofascial provoca a resposta de contração local (local twitch response), reduz a atividade elétrica espontânea da placa motora e diminui a liberação local de substâncias álgicas. O resultado é um efeito analgésico local somado a um efeito segmentar. Na pubalgia, isso se traduz em desativar a banda tensa do adutor longo ou do iliopsoas que mantém a virilha dolorida e rígida.

Acupuntura e eletroacupuntura

Neuromodulação segmentar e central

Comporta no corno dorsal, vias descendentes inibitórias e opioides endógenos. A baixa frequência da eletroacupuntura recruta mais esses sistemas.

Agulhamento seco

Resposta de contração local

A agulha no ponto-gatilho do adutor ou do iliopsoas gera a contração local, reduz a atividade da placa motora e a liberação de substâncias álgicas. Efeito local e segmentar.

Pérola clínica

Na virilha do atleta, o achado que orienta a agulha é a banda tensa dolorosa no ventre do adutor longo ou na transição do iliopsoas, e não um ponto genérico de “dor na virilha”. Quando a palpação reproduz a dor habitual do paciente e a agulha dispara a resposta de contração local naquele ponto, há um bom alvo miofascial para tratar, sempre confirmado pelo exame antes do procedimento.

O que a agulha pode fazer na pubalgia

Para a dor miofascial, o agulhamento seco funciona bem, incluindo em ensaio da nossa própria equipe. A acupuntura ajuda no controle da dor musculoesquelética crônica e da cefaleia, e entra em diretrizes em contextos selecionados. Para a pubalgia especificamente, a base ativa de exercício de adutores é a intervenção com a melhor evidência; o agulhamento entra como adjuvante para o componente miofascial e de dor, e não como tratamento isolado da sobrecarga do tendão.

Ensaio clínico · nossa equipe1 em cada 2

Agulhamento seco com efeito analgésico duradouro

Ensaio duplo-cego randomizado, conduzido pela nossa equipe no Grupo de Dor do HC-FMUSP e financiado por FAPESP e CNPq, mostrou efeito analgésico do agulhamento seco mantido por sete dias, com alívio significativo em cerca de 1 a cada 2 pessoas tratadas. O estudo foi feito na dor miofascial do ombro, não na virilha; o que se transfere é o alvo, o ponto-gatilho com banda tensa e contração local, que se comporta da mesma forma no adutor longo e no iliopsoas. A magnitude exata na pubalgia não foi medida nesse ensaio, e por isso a técnica entra como adjuvante do exercício. Pai MYB e cols., Pain Reports, 2021;6(2):e939.

Ver referências →
  • 1 em cada 2agulhamento seco para alívio significativo da dor miofascial (estudo da equipe)
  • 7 diasduração do efeito analgésico observado no ensaio
  • 3 a 6 mesesde programa de adutores bem conduzido antes de cogitar cirurgia na pubalgia
  • 48hdor leve à adução que costuma seguir o agulhamento na virilha e cede sozinha

O que define o resultado a médio prazo é a soma com o exercício, descrito adiante. Um alívio significativo em cerca de 1 a cada 2 pessoas significa que a cada poucos pacientes tratados um obtém alívio significativo, um efeito relevante para uma técnica de baixo risco.

Antes de agulhar: sinais de alerta

Nem toda dor na virilha do atleta é pubalgia miofascial, e tratar a agulha sem antes afastar outras causas é um erro. Alguns sinais indicam que a prioridade é investigar, não agulhar. Procure avaliação sem demora diante de qualquer um destes:

Sinais de alerta · não espere

Procure avaliação sem demora se houver

  • Dor na virilha após trauma de alta energia, queda ou impacto, sobretudo com incapacidade de apoiar o peso, pela hipótese de fratura ou de lesão por avulsão.
  • Dor no quadril com bloqueio mecânico, estalo doloroso ou perda de amplitude, que sugere causa articular e não muscular; ver a página de dor no quadril.
  • Febre, vermelhidão, calor local ou mal-estar, que levantam a hipótese de infecção e contraindicam o agulhamento na área.
  • Abaulamento na virilha que aumenta com o esforço ou a tosse, sugerindo hérnia verdadeira a ser avaliada.
  • Dor em repouso e à noite, perda de peso inexplicada ou história de câncer, que exigem investigação antes de qualquer procedimento.
  • Dormência, formigamento ou fraqueza que descem para a perna, apontando para um componente neurológico a esclarecer.

Na ausência desses sinais, a dor da virilha relacionada aos adutores e ao iliopsoas costuma ser benigna e de bom prognóstico. Há ainda cuidados próprios da agulha: cautela em quem usa anticoagulantes pelo risco de equimose, e atenção a infecção ativa na pele do local. A técnica é feita por médico com formação específica, o que torna esses cuidados parte da rotina. As síndromes da virilha no esporte e como diferenciá-las são detalhadas na página de dor na virilha em atletas.

O plano multimodal: a agulha junto do exercício

O tratamento é multimodal, não-cirúrgico e individualizado. A base é ativa, com o exercício de adutores, e as técnicas com agulha se somam para controlar a dor e a tensão que atrapalham essa base. O objetivo é reduzir a dor, recuperar a força e o controle da virilha e devolver o atleta ao esporte com segurança, com o menor uso possível de medicação. A sequência abaixo mostra como as peças se encaixam.

Ajuste de carga e educação

Reduzir temporariamente o gesto que dói (chute, arranque, mudança de direção) sem repouso absoluto, e explicar o porquê de cada etapa. Manter-se ativo dentro do conforto supera o repouso total.

Exercício de adutores: a base

Fortalecimento progressivo dos adutores, tipo Copenhagen, com estabilização do tronco e do quadril. É o que devolve a tolerância à carga e tem a melhor evidência.

Técnicas com agulha

Agulhamento seco, acupuntura médica e eletroacupuntura para controlar a dor e desativar pontos-gatilho dos adutores e do iliopsoas, abrindo a janela para progredir no exercício.

Procedimentos e retorno ao esporte

Infiltração de ponto-gatilho ou bloqueio em casos selecionados; retorno decidido por critérios de força e função, não por calendário.

Exercício de adutores: a base do plano

É a intervenção com a melhor relação entre evidência e segurança na dor da virilha relacionada aos adutores. O fortalecimento progressivo dos adutores, com o exercício de Copenhagen e suas variações, melhora a capacidade do tendão de suportar carga, aumenta a força de adução e corrige o desequilíbrio com os abdutores que contribui para a sobrecarga. O trabalho inclui estabilização do tronco e do quadril, porque a virilha é o ponto onde adutores e parede abdominal disputam tração no púbis.

O atendimento é individual. A resposta é gradual, ao longo de semanas, e a manutenção do programa é o que previne a recidiva quando o atleta volta a treinar.

Agulhamento seco e infiltração de pontos-gatilho

Pontos-gatilho no adutor longo, nos demais adutores e no iliopsoas são uma fonte frequente de dor e rigidez na pubalgia. No agulhamento seco, a agulha avança pela banda tensa do ventre do adutor longo, junto à inserção púbica, ou pelo iliopsoas mais profundo, até disparar a contração visível da fibra; essa resposta esgota a placa motora hiperativa e reduz a liberação local de substâncias álgicas, com efeito analgésico local somado ao segmentar. O agulhamento do iliopsoas exige domínio anatômico pela vizinhança do feixe femoral e da cavidade abdominal, e por isso requer conhecimento preciso do trajeto. Quando o ponto é resistente ao agulhamento e à terapia manual, a infiltração de ponto-gatilho com anestésico local, soro fisiológico ou, em casos selecionados, toxina botulínica, interrompe o ciclo dor-espasmo-dor e relaxa a banda tensa.

Na virilha, costuma haver dor à adução nas primeiras 48 horas após a sessão, que cede sozinha e não contraindica seguir com o exercício leve. É um recurso combinado com o exercício para sustentar o resultado, nunca isolado.

Acupuntura médica e eletroacupuntura

Modulam a dor pelos mecanismos segmentares e centrais descritos acima, com benefício para o controle da dor musculoesquelética crônica e para a redução da necessidade de medicação. Na pubalgia, ajudam a baixar o nível geral de dor e de tensão para que o atleta tolere a progressão do exercício de adutores. Na eletroacupuntura, costuma-se conectar a corrente de baixa frequência entre agulhas nos adutores e na cadeia segmentar lombossacral que inerva a virilha, buscando o efeito opioide endógeno mais marcado dessa frequência.

No atleta de calendário apertado, faz sentido casar as sessões com a fase de fortalecimento mais exigente da semana, para que a janela de menor dor coincida com o treino que mais dói; a contagem de sessões e o intervalo saem dessa lógica, não de um número fixo, e são reavaliados quando o squeeze test e a força de adução param de melhorar. A acupuntura é conduzida por médico com formação específica, capaz de palpar e diferenciar os pontos-gatilho dos adutores e do iliopsoas antes de agulhar e de integrar a sessão ao programa ativo.

PENS e neuromodulação

O PENS (estimulação elétrica nervosa percutânea) aplica corrente por agulhas percutâneas sobre trajetos nervosos, com efeito de neuromodulação periférica e segmentar da dor. É uma opção para componentes neuropáticos ou miofasciais selecionados que não respondem bem às demais técnicas, aplicada em ciclos com a resposta reavaliada. Como os outros procedimentos, entra de forma pontual e dentro do plano multimodal, sem substituir o exercício de base.

Semana 1 a 2

Controle da dor

Ajustar a carga, iniciar o agulhamento seco ou a acupuntura nos pontos-gatilho dos adutores e do iliopsoas e começar o exercício isométrico dentro do conforto.

Semana 3 a 6

Progressão da força

Avançar o fortalecimento dos adutores tipo Copenhagen, manter as técnicas com agulha conforme a resposta; a dor costuma começar a ceder e a tolerância à carga a melhorar.

Após 6 semanas

Reavaliação e retorno

Sem a resposta esperada, revê-se o diagnóstico e considera-se infiltração ou investigação adicional. Havendo critérios de força e função, planeja-se o retorno gradual ao esporte.

O acompanhamento na pubalgia se guia por marcadores concretos: a intensidade da dor numa escala de 0 a 10, a dor reproduzida no squeeze test e na adução resistida, a força de adução comparada ao lado sadio e a tolerância ao gesto esportivo. O retorno ao esporte é decidido por esses critérios, não por calendário: o atleta volta quando a força e o controle da virilha suportam o gesto que provocava a dor, com segurança e sem recidiva. Se o squeeze test e a força de adução não melhoram após algumas semanas de exercício bem dosado, a conduta é reabrir o diagnóstico, checando se a fonte real é o iliopsoas, a sínfise púbica, a parede inguinal ou o quadril, em vez de prescrever mais do mesmo. A meta é controlar a dor e devolver a função para o esporte, com prevenção mantida depois do alívio.

Da prática clínica

O arquétipo que mais aparece na virilha é o jogador de futebol ou corredor que vinha mascarando a dor com anti-inflamatório para não perder treino e chega quando a adução já dói para sair do carro. O erro mais comum que vemos é o foco isolado no alongamento do adutor: alongar uma inserção já irritada costuma manter o ciclo, enquanto o que vira o quadro é a carga progressiva. O limiar prático para chamar o agulhamento ou a infiltração à frente do exercício é quando a dor está tão alta que o atleta nem tolera o isométrico mais leve, porque aí a agulha abre a janela que a reabilitação precisa. E o que mais surpreende o paciente é que o repouso completo, que ele imaginava ser o tratamento, costuma piorar a tolerância à carga; manter movimento dentro do conforto é parte da cura, não o contrário dela.

A virilha não é um diagnóstico único

A virilha é uma região com várias fontes de dor, e a agulha só ajuda quando existe um componente miofascial real, com banda tensa e ponto-gatilho que reproduzem a dor habitual ao serem palpados. Se a fonte dominante é a sobrecarga do tendão do adutor, a parede inguinal ou o quadril, a melhor agulhada do mundo dá um alívio curto e a dor volta no treino seguinte, porque o problema não é miofascial. Por isso o passo que muda o resultado não é escolher entre acupuntura e agulhamento seco, e sim definir antes, no exame, o que de fato está gerando a dor e tratar essa fonte, com a agulha entrando onde o componente miofascial pesa.

Assista: Acupuntura – Quando ela pode ser útil?

Tratamento não farmacológico: reabilitação e exercício

As técnicas com agulha abrem a janela de alívio; é a reabilitação ativa que mantém essa janela aberta e converte o alívio em retorno ao esporte sem recidiva. O exercício de adutores é a base, e RPG, Pilates clínico, cinesioterapia e terapia manual organizam, progridem e sustentam essa base. São abordagens conduzidas dentro da clínica, sempre individuais, um paciente por sala, e desenham o programa que devolve à virilha a força e o controle que o gesto esportivo exige.

A lógica é comum a todas: na pubalgia, o tendão do adutor e a parede abdominal continuam dolorosos porque não suportam a carga que recebem do chute, do arranque e da mudança de direção. Devolver capacidade de carga, força e controle à virilha, e corrigir o padrão lombopélvico que sobrecarrega a sínfise púbica, é o que retira o terreno onde a dor se reinstala. Por isso a progressão importa mais do que a intensidade, e o programa é mantido depois do alívio, justamente para reduzir a recidiva quando o volume de treino aumenta.

Cinesioterapia e fisioterapia: o exercício de adutores

Fortalecimento progressivo dos adutores (Copenhagen e variações), isométrico na fase dolorosa e controle motor do tronco e do quadril até o gesto esportivo. Recupera a capacidade de carga do tendão, corrige o desequilíbrio com os abdutores e reduz a tração sobre o púbis.

Base do plano

Terapia manual como adjuvante

Mobilização de tecidos moles, liberação miofascial e mobilização articular do quadril sobre adutores e iliopsoas. Reduz a tensão local e dessensibiliza a área, criando uma janela de conforto para avançar a reabilitação ativa.

Curto prazo

Cinesioterapia e fisioterapia: o exercício de adutores

O que é
A reabilitação ativa propriamente dita: prescrição individualizada do fortalecimento progressivo dos adutores (exercício de Copenhagen e suas variações), isométrico na fase dolorosa, treino de controle motor do tronco e do quadril e progressão até o gesto esportivo, conduzida e progredida por fisioterapeuta.
Mecanismo
Um tendão adutor mais forte e mais bem controlado recupera a capacidade de suportar a carga da adução e do chute, corrige o desequilíbrio com os abdutores e reduz a tração sobre o púbis; soma-se a dessensibilização ao movimento e a ativação das vias inibitórias descendentes da dor.
Evidência
O fortalecimento dos adutores é a intervenção com a melhor evidência na dor da virilha relacionada aos adutores, tanto no tratamento quanto na prevenção, com benefício consistente quando mantido.
O que esperar
A fisioterapia organiza o começar baixo e progredir devagar, monitora a dor no squeeze test e a força de adução e ajusta a carga; é um programa para manter ao longo dos meses.
Indicações
Praticamente todo atleta com pubalgia relacionada aos adutores se beneficia.
Limitações
O resultado depende de continuidade e de progressão bem dosada; iniciar com carga excessiva exacerba a dor, e terapias apenas passivas não sustentam o ganho.
Fase inicial

Destravar e iniciar

Isométrico do adutor na fase dolorosa, RPG e terapia manual para reduzir rigidez e dor, criando conforto para começar a mover.

Progressão

Carga e controle

Fortalecimento progressivo dos adutores (Copenhagen) e Pilates clínico, com a carga guiada pela dor no squeeze test e pela força de adução.

Manutenção

Voltar ao esporte

Progressão até o gesto esportivo e programa mantido ao longo dos meses, para reduzir a recidiva quando o volume de treino aumenta.

O fio condutor é claro: na pubalgia, o movimento supervisionado e graduado é tratamento, e a melhor reabilitação é a que o atleta consegue manter. A escolha e a combinação entre RPG, Pilates e cinesioterapia dependem do perfil, da preferência e da tolerância de cada pessoa, e com frequência se somam ao longo do tempo.

Reconhecimento

Centro de Dor

Listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED)

Centro de Tratamento por Ondas de Choque

Listado pela Sociedade Médica Brasileira de Tratamento por Ondas de Choque (SMBTOC)

Clínica listada

Listada pelo Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura (CMBA)

Perguntas frequentes

A acupuntura sozinha resolve a pubalgia?

Não. A acupuntura, a eletroacupuntura e o agulhamento seco controlam a dor e a tensão muscular, mas quem devolve a tolerância à carga é o exercício de adutores. Por isso a agulha entra como adjuvante de um plano multimodal cuja base é o fortalecimento. Veja a página de pubalgia para o tratamento completo.

Qual a diferença entre acupuntura e agulhamento seco na virilha?

O agulhamento seco insere a agulha diretamente no ponto-gatilho do adutor ou do iliopsoas para provocar a resposta de contração local, com efeito mais local. A acupuntura e a eletroacupuntura modulam a dor por vias segmentares e centrais, com efeito mais amplo. As duas técnicas podem ser combinadas dentro do mesmo plano.

Quantas sessões são necessárias?

Não há número fixo. As sessões de agulha são feitas em ciclos curtos com reavaliação, e a conta depende menos do calendário e mais de dois marcadores: a queda da dor no squeeze test e o ganho de força de adução. Enquanto esses dois melhoram a cada semana de exercício, a agulha segue como apoio; quando estabilizam ou a dor persiste, em vez de repetir sessões revê-se o diagnóstico. Na virilha, o agulhamento seco costuma dar o primeiro alívio logo nas primeiras sessões, com dor leve à adução por um a dois dias depois.

A eletroacupuntura dói? E tem riscos?

O desconforto costuma ser leve, com sensação de peso ou formigamento na eletroacupuntura. Os efeitos mais comuns são dor leve no local e equimose, em geral passageiros. Há cautela em quem usa anticoagulantes e cuidado com infecção ativa na pele. O procedimento é feito por médico com formação específica.

Posso continuar treinando durante o tratamento?

Em geral sim, com ajuste de carga: reduz-se temporariamente o gesto que dói, como o chute e a mudança de direção, sem repouso absoluto. Manter-se ativo dentro do conforto e progredir o exercício de adutores é parte do tratamento. O retorno pleno ao esporte é decidido por critérios de força e função.

Quando a dor na virilha não é pubalgia?

A virilha é uma região, não um diagnóstico. A dor pode vir do iliopsoas, da região inguinal, da sínfise púbica ou do próprio quadril, além de causas que exigem investigação, como fratura, hérnia ou problema articular. As síndromes e como diferenciá-las estão na página de dor na virilha em atletas e na de dor no quadril.

Quanto tempo até voltar a jogar?

Varia conforme a gravidade e a resposta. Muitos quadros começam a melhorar em algumas semanas de tratamento consistente, mas o retorno ao esporte segue critérios objetivos de força e função, não um prazo fixo. Voltar cedo demais, com a virilha ainda sem força, é a principal causa de recidiva.

Evidência científica · resumos da nossa biblioteca

Resumos em linguagem clara de estudos revisados pelo Dr. Marcus Yu Bin Pai.

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Dr. Marcus Yu Bin Pai
Sobre o autor
Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP 158.074RQE 65.523 / 65.524 / 655.241

Médico especialista em Fisiatria e Acupuntura pela Associação Médica Brasileira, com área de atuação em Dor. Doutor em Ciências pela USP e médico colaborador do Grupo de Dor do HC-FMUSP.

Revisão médica e editorial

Conteúdo revisado clinicamente por Prof. Dr. Hong Jin Pai. Tem finalidade educativa e cita fontes.

Referências2 fontes citadas neste artigoVerOcultar
  1. Pai MYB, et al. Dry needling has lasting analgesic effect in shoulder pain: a double-blind, sham-controlled trial. Pain Reports. 2021;6(2):e939.
  2. Alsirhani AA; Muaidi QI; Nuhmani S; Thorborg K; Husain MA; Al Attar WSA. The effectiveness of the Copenhagen adduction exercise on improving eccentric hip adduction strength among soccer players with groin injury: a randomized controlled trial. The Physician and sportsmedicine. 2024. doi:10.1080/00913847.2024.2321958. PMID:38376593.
Atualizado em 31 mai 2026 Leitura 7 min

Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação médica individual. Na pubalgia, a resposta às técnicas com agulha e ao exercício de adutores difere conforme a fonte da dor e a fase do quadro, e a conduta só pode ser definida após exame presencial.

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