CENTRO DE TRATAMENTO DE DOR: Acupuntura Médica, Ondas de Choque, Fisiatria e Fisioterapia.

Agendar avaliação
Medicamentos para dor · Dor neuropática

Anticonvulsivantes no tratamento da dor

Os anticonvulsivantes são usados na dor porque acalmam o nervo doente, reduzindo a hiperexcitabilidade da dor neuropática.

Resposta direta
  • Os anticonvulsivantes tratam dor porque diminuem a excitabilidade do nervo lesado: agem sobre canais de cálcio (gabapentina, pregabalina) ou de sódio (carbamazepina, oxcarbazepina), reduzindo a descarga elétrica anormal que gera a dor neuropática.
  • Não servem para dor comum de pancada ou inflamação. O alvo é a dor de nervo: neuropatia diabética, neuralgia pós-herpética, neuralgia do trigêmeo, dor neuropática em geral e, em parte dos casos, fibromialgia.
  • São de uso contínuo, com dose construída devagar (titulação) para reduzir tonteira e sonolência, sempre sob prescrição e acompanhamento.
4,9Google5,0Doctoralia

40+ anos · HC-FMUSP · USP · 30 salas · 1.500 m² · Fisioterapia e Pilates individual

Avaliação clínica

Dor tem Tratamento. Foco em tratamentos não cirúrgicos para dor, reabilitação.

Por que um remédio de epilepsia trata dor

A ponte entre epilepsia e dor é a hiperexcitabilidade neuronal. Na crise convulsiva, um grupo de neurônios dispara em excesso e de forma descontrolada. Na dor neuropática, um nervo lesado faz algo parecido em pequena escala: passa a disparar sozinho, com baixo limiar, mesmo sem estímulo real. O mesmo tipo de fármaco que acalma o disparo no cérebro pode acalmar o disparo no nervo doente.

Vale separar dois tipos de dor que tratamos de forma diferente. A dor nociceptiva é o aviso normal de um tecido machucado: uma torção, uma tendinite, uma artrose. Responde a analgésicos simples e anti-inflamatórios e ao tratamento da causa. A dor neuropática nasce de lesão ou doença do próprio sistema nervoso, que passa a gerar sinal de dor por conta própria.

É descrita como queimação, choque, agulhada, formigamento ou dormência dolorida, costuma seguir o trajeto de um nervo e, com frequência, vem com sensibilidade alterada na pele (um toque leve que dói, chamado alodinia). É justamente nessa segunda categoria que os anticonvulsivantes entram como primeira linha, ao lado de alguns antidepressivos.

Por isso o termo de busca “anticonvulsivantes”, quando ligado à dor, quase sempre se refere a esse uso fora da epilepsia: medicamentos que silenciam o ruído elétrico do nervo, em vez de bloquear a inflamação. Eles não anestesiam a área nem viciam como um opioide; modulam a forma como o nervo conduz e como a medula processa o sinal de dor.

Em uma frase

Anticonvulsivante na dor não é “calmante” nem analgésico comum: é um regulador da excitabilidade do nervo. Por isso costuma não fazer efeito em dor de pancada e fazer diferença real na dor de nervo, que queima e dá choque.

Dr. Marcus Pai aplicando acupuntura no antebraço de uma paciente deitada na maca, com amplas janelas e jardim ao fundo
Atendimento na clínica Dr. Marcus Pai em atendimento de acupuntura na clínica

Como agem: canais de cálcio e de sódio

Ilustração editorial de antebraço e mão com pontilhado fino representando formigamento e parestesia
Os anticonvulsivantes reduzem a hiperexcitabilidade neuronal, acalmando os disparos elétricos que sustentam a dor neuropática.

Os anticonvulsivantes usados na dor não formam um grupo único. Eles se dividem, na prática, por onde acalmam o nervo: uns reduzem a entrada de cálcio na terminação nervosa, outros bloqueiam canais de sódio que disparam o impulso. Entender essa divisão explica por que cada um tem o seu lugar.

Gabapentinoides (gabapentina e pregabalina): a frente do cálcio

A gabapentina e a pregabalina são chamadas de gabapentinoides. Apesar do nome, o efeito principal não é sobre o neurotransmissor GABA: ambas se ligam a uma subunidade (a alfa-2-delta) dos canais de cálcio dependentes de voltagem nas terminações nervosas. Ao ocupar esse ponto, reduzem a entrada de cálcio e, com isso, a liberação de neurotransmissores excitatórios (como glutamato e substância P) no corno dorsal da medula. O resultado é um nervo que transmite menos o sinal de dor amplificada.

É um mecanismo de neuromodulação, não de anestesia. A pregabalina tende a ter absorção mais previsível e titulação um pouco mais rápida; a gabapentina é mais antiga, bastante usada e de custo menor. A escolha entre elas, a dose e o ritmo cabem ao médico.

Bloqueadores de canal de sódio (carbamazepina e oxcarbazepina): a frente do trigêmeo

A carbamazepina e sua parente oxcarbazepina agem por outra via: estabilizam canais de sódio dependentes de voltagem, o “gatilho” elétrico do impulso nervoso. Ao bloquear esses canais quando o nervo está disparando em excesso, reduzem as descargas repetitivas de alta frequência típicas da dor paroxística, aquela que vem em choques rápidos e fulminantes. É por isso que a carbamazepina é o tratamento de primeira linha na neuralgia do trigêmeo, em que o paciente descreve choques elétricos breves e intensos no rosto, disparados por gestos banais como falar, mastigar ou tocar a face.

A oxcarbazepina costuma ser preferida por parte dos médicos por um perfil de tolerância um pouco mais favorável e menos interações, embora exija atenção ao sódio do sangue. Aqui também a indicação e o monitoramento são médicos.

Existem ainda outros antiepilépticos que aparecem na dor em situações específicas, como o topiramato e o ácido valproico na prevenção da enxaqueca, e a lamotrigina em quadros neuropáticos selecionados. São usos de segunda ou terceira linha, individualizados, e não o foco desta página.

Ca++
Alvo dos gabapentinoides (alfa-2-delta)
Na+
Alvo de carbamazepina e oxcarbazepina
1ª linha
Dor neuropática e neuralgia do trigêmeo
Contínuo
Uso regular, não “só na crise”

Em quais dores eles entram

Render anatômico translucido de uma pessoa encolhida com pontos luminosos de dor na cabeça, coluna, ombros, joelhos e mãos.
As principais indicações envolvem dor de origem nervosa difusa: cabeça, coluna e articulações que mantém o sinal doloroso ativo.

Cada anticonvulsivante tem indicações em que a evidência é mais sólida. A tabela abaixo reúne as principais, com a observação clínica que orienta a escolha. Ela é um mapa de leitura, não uma receita: a definição do fármaco, da dose e da duração é sempre do médico que avalia o caso.

Anticonvulsivantes na dor: classe, indicação e observações
ClasseIndicação principalObservações clínicas
Gabapentinoide · gabapentinaNeuropatia diabética dolorosa, neuralgia pós-herpética, dor neuropática em geralTitulação gradual; sonolência e tonteira no início; ajuste de dose se houver problema renal
Gabapentinoide · pregabalinaDor neuropática, neuralgia pós-herpética, fibromialgiaAbsorção mais previsível; também usada na fibromialgia; tonteira, ganho de peso e edema possíveis
Canal de sódio · carbamazepinaNeuralgia do trigêmeo (primeira linha)Choques no rosto; exige controle de hemograma, sódio e função hepática; muitas interações medicamentosas
Canal de sódio · oxcarbazepinaNeuralgia do trigêmeo (alternativa)Perfil de tolerância em geral mais favorável; atenção à queda de sódio (hiponatremia)
Outros · topiramato, valproatoPrevenção de enxaqueca (uso selecionado)Não são analgésicos de uso agudo; topiramato pode causar formigamento e perda de peso; valproato é evitado na gestação

Repare no padrão: dor que queima ou dá choque, no trajeto de um nervo, é o território dos anticonvulsivantes. Na neuropatia diabética, a dor em queimação e o formigamento nos pés respondem bem aos gabapentinoides, frequentemente combinados ao controle rigoroso da glicemia e a outras medidas, como discutimos no guia sobre dores nas pernas de diabéticos. Na neuralgia pós-herpética, a dor que persiste depois do herpes-zóster (a “cobreiro”) é uma das indicações clássicas. Na neuralgia do trigêmeo, a carbamazepina costuma ser o primeiro passo medicamentoso, detalhado na página dedicada à neuralgia do trigêmeo.

Na fibromialgia, a pregabalina é uma das opções aprovadas, sempre dentro de um plano que inclui exercício e sono. E, na prevenção da enxaqueca, antiepilépticos como o topiramato têm papel reconhecido, embora não sejam usados para cortar a crise.

Mito

“Se é um remédio para epilepsia, então eu estou sendo tratado de convulsão, ou o médico acha que eu tenho algo no cérebro.”

Fato

O mesmo medicamento tem mais de um uso. Na dor, ele é prescrito pela ação sobre a excitabilidade do nervo, em doses e por motivos diferentes dos da epilepsia. Tomar um antiepiléptico para dor neuropática não significa ter epilepsia.

O que esperar: titulação e tempo de resposta

Há duas expectativas que precisam ficar claras desde o início, e que separam quem segue o tratamento de quem desiste cedo. A primeira é que a dose é construída aos poucos. A segunda é que o efeito demora a aparecer: não é um comprimido para a dor do momento.

A titulação é o nome dado a começar com dose baixa e subir devagar, em degraus, até a dose que controla a dor com a menor quantidade possível de efeitos adversos. Esse cuidado existe porque a tonteira e a sonolência são mais intensas no começo e tendem a melhorar quando o corpo se adapta. Subir devagar é o que torna o remédio tolerável. Por isso, o tratamento é planejado pelo médico em um esquema individual, e ajustar a dose por conta própria, para cima ou para baixo, atrapalha o resultado e pode trazer risco.

Início em dose baixa

Começa-se com uma dose pequena, muitas vezes à noite, para o corpo se acostumar à tonteira e à sonolência iniciais.

Subida gradual (titulação)

A dose sobe em degraus, conforme a resposta e a tolerância, ao longo de dias a semanas, sempre orientada pelo médico.

Dose de manutenção

Atinge-se a dose que controla a dor com o mínimo de efeitos adversos; é tomada todos os dias em horário fixo, inclusive nos dias bons, porque o efeito depende de uma concentração estável no sangue.

Reavaliação e retirada

Avalia-se o benefício após semanas; se for o caso de suspender, a dose é reduzida devagar, nunca interrompida de uma vez.

Sobre o tempo: o alívio costuma ser progressivo, ao longo de uma a algumas semanas depois de chegar a uma dose adequada, e não imediato. Na dor neuropática, considera-se uma boa resposta uma redução em torno de 30% a 50% da dor, o suficiente para dormir melhor, retomar atividades e depender menos de outros analgésicos. A meta é o controle da dor, não o seu desaparecimento completo. Se um anticonvulsivante não ajuda em dose adequada e por tempo suficiente, o médico troca a estratégia, em vez de insistir.

Semana 1 a 2

Adaptação

Dose baixa e subida inicial; tonteira e sonolência são mais comuns aqui e costumam diminuir com o tempo.

Semana 2 a 4

Busca da dose

A dose é ajustada até a faixa que controla a dor; o alívio começa a se firmar de forma progressiva.

Após 4 a 8 semanas

Avaliação do benefício

Mede-se a resposta de forma objetiva; mantém-se, ajusta-se ou troca-se a medicação conforme o resultado.

Da prática clínica

Algumas coisas se repetem no consultório e raramente estão na bula. A mais comum é o abandono precoce: a pessoa toma a dose baixa de início por alguns dias, não sente alívio, conclui que “não funcionou” e para, sem saber que aquela dose ainda era só o degrau de adaptação. Por isso costumo explicar o calendário da titulação antes de prescrever, e não depois. O segundo ponto é o efeito sobre a cabeça: a tonteira e a sensação de raciocínio mais lento nas primeiras semanas assustam mais do que a dor, e ajuste o horário da dose maior para a noite resolve boa parte dos casos. Vejo também a expectativa trocada: quem chega com dor mecânica de coluna ou de joelho, sem componente de nervo, em geral não tem benefício com gabapentinoide, e insistir só adiciona efeito adverso. E há a surpresa boa que vale dizer: quando o alvo é certo, parte da melhora aparece no sono e no humor antes de a nota da dor cair, porque dormir a noite inteira muda a forma como o cérebro processa a dor do dia seguinte.

O mecanismo da dor decide o fármaco

A pergunta clínica que decide o resultado é estreita: qual é o desenho da dor de nervo. Dor neuropática contínua, em queimação e formigamento (neuropatia diabética, pós-herpética), responde melhor aos gabapentinoides, que agem no canal de cálcio; já a dor em choques rápidos e fulminantes da neuralgia do trigêmeo é território dos bloqueadores de canal de sódio, com a carbamazepina à frente. Escolher pela categoria, e não pelo mecanismo da dor de cada paciente, faz um remédio correto parecer ineficaz.

Efeitos adversos e cuidados

Como todo medicamento de ação no sistema nervoso, os anticonvulsivantes têm efeitos adversos previsíveis, em geral relacionados à dose e mais fortes no início. Conhecê-los ajuda a não se assustar com o esperado e a reconhecer o que merece avaliação.

Gabapentinoides
Tonteira, sonolência, sensação de “cabeça lenta”, inchaço (edema) nos pés e ganho de peso. A dose precisa de ajuste em quem tem função renal reduzida, porque a eliminação é pelos rins.
Carbamazepina
Sonolência, tonteira, visão dupla e instabilidade no começo. Exige exames de controle (hemograma, sódio e função hepática) e tem muitas interações com outros remédios, porque acelera o metabolismo de vários deles.
Oxcarbazepina
Perfil em geral mais bem tolerado que a carbamazepina, mas com risco maior de queda do sódio no sangue (hiponatremia), que pode causar mal-estar, confusão e fraqueza.

Há pontos de segurança que merecem destaque. Os gabapentinoides têm potencial de uso indevido e dependência e podem somar depressão respiratória quando associados a opioides ou álcool, motivo a mais para o uso ser controlado e individualizado. A carbamazepina e a oxcarbazepina podem, raramente, causar reações de pele graves; em algumas populações, recomenda-se exame genético antes de iniciar, decisão que cabe ao médico.

Antiepilépticos, como classe, têm alerta de risco de pensamentos suicidas em uma minoria de pessoas, o que reforça a importância do acompanhamento. E nenhum desses medicamentos deve ser interrompido de forma abrupta: a suspensão é sempre gradual, sob orientação.

Procure avaliação · não espere

Avise o médico ou procure atendimento se, em uso de anticonvulsivante, surgir

  • Erupção na pele, bolhas, descamação ou feridas na boca, sobretudo nas primeiras semanas.
  • Confusão, sonolência exagerada, fraqueza importante ou desmaio.
  • Alteração de humor, ideias de morte ou de se machucar.
  • Febre, dor de garganta persistente ou manchas roxas sem motivo (sinais de alteração no sangue).
  • Falta de ar ou respiração muito lenta, em especial se houver uso de outros sedativos ou álcool.

Duas situações pedem cuidado extra e conversa específica com o médico: a gestação e a amamentação, em que alguns desses fármacos são evitados, e a presença de doença renal ou hepática, que muda a dose e a escolha.

Assista: ANTICONVULSIVANTES PARA DOR: O Que Você Precisa Saber!

O que realmente trata a dor

O anticonvulsivante é um adjuvante, não o tratamento. Na dor neuropática e na dor crônica, o que de fato muda o curso do problema é um plano ativo, conduzido na clínica, em que a medicação reduz a intensidade da dor e abre espaço para o que sustenta o resultado a longo prazo. O remédio para o nervo, sozinho, raramente resolve; dentro de um plano multimodal e individualizado, costuma render mais, com doses menores e menos efeitos adversos.

Por isso, antes de pensar no comprimido como solução, vale conhecer o arsenal não medicamentoso que forma a base do tratamento. São as ferramentas que tratam a função, a musculatura e o processamento da dor; o comprimido abaixa o volume do sintoma, enquanto essa base mexe na causa funcional que o sustenta. O gabapentinoide ou a carbamazepina entram como apoio a essa base, em especial quando a dor de nervo, que queima e dá choque, exige um adjuvante para acalmar a hiperexcitabilidade enquanto o trabalho ativo avança.

Reabilitação ativa: fisioterapia, RPG e Pilates

A base de todo o plano é o movimento orientado. A fisioterapia individualizada trabalha fortalecimento, controle motor e mobilidade, revertendo o descondicionamento que acompanha a dor crônica e devolvendo confiança ao corpo. Quando há um padrão postural ou uma rigidez que sustenta a sobrecarga, a RPG (reeducação postural global) e o Pilates clínico ajudam a reorganizar a mecânica do movimento e a distribuir melhor as cargas.

É essa frente que age sobre a causa funcional da dor, algo que nenhum anticonvulsivante faz: o remédio acalma o nervo, mas não corrige a fraqueza, o gesto que adoece nem a postura que perpetua o quadro. Na clínica, a reabilitação é individual, um paciente por sala, com progressão graduada e ajustada à tolerância de cada pessoa.

Acupuntura médica, eletroacupuntura e PENS na dor de nervo

Sobre essa base, somam-se técnicas de neuromodulação que dividem mecanismo com o próprio anticonvulsivante. A acupuntura médica e, sobretudo, a eletroacupuntura agem nas mesmas vias que importam na dor neuropática: modulação segmentar no corno dorsal da medula, ativação das vias inibitórias descendentes que partem da substância cinzenta periaquedutal e liberação de opioides endógenos. Na prática, são o recurso não medicamentoso que mais ajuda quando o objetivo é manter a dor de nervo controlada com uma dose menor de gabapentinoide, evitando a tonteira e a “cabeça lenta” das doses altas. Em dor neuropática de trajeto bem definido, a estimulação por baixa frequência tende a recrutar mais o sistema opioide, e o PENS (estimulação elétrica nervosa percutânea) leva essa neuromodulação para mais perto do trajeto do nervo, em ciclos reavaliados pela resposta.

Quando convive um componente miofascial, que é frequente em quem passou meses protegendo um segmento dolorido, o agulhamento seco e a infiltração de pontos-gatilho tratam essa camada muscular sobreposta, mas não são o eixo do tratamento da dor de nervo em si. A acupuntura aqui é ato médico, indicada e conduzida por quem também decide e ajusta a farmacoterapia, o que permite combinar as duas frentes sem somar efeitos sedativos.

Quando entram os procedimentos e os bloqueios

Em parte dos casos, quando o exame aponta uma fonte específica de dor, o médico pode considerar um bloqueio direcionado, com finalidade diagnóstica ou terapêutica, dentro do mesmo plano multimodal. São recursos reservados a situações selecionadas e não dispensam a reabilitação. Na dor neuropática, alguns bloqueios atuam justamente sobre o nervo ou o gânglio envolvido, ajudando a interromper o circuito de dor amplificada enquanto a base ativa do tratamento avança. O critério é sempre o mesmo: começar pelo que tem mais evidência e menos risco, escalar apenas quando necessário, reservar o procedimento para o que de fato não respondeu às camadas anteriores e reavaliar por metas objetivas, e não pela busca de uma solução única.

O lugar do remédio dentro do plano

É aqui que o anticonvulsivante encontra seu papel correto, ao lado de outros adjuvantes. Antidepressivos com ação na dor, como os tricíclicos em dose baixa (amitriptilina, nortriptilina) e a duloxetina, dividem com os anticonvulsivantes o posto de primeira linha farmacológica na dor neuropática, atuando nas vias inibitórias descendentes da medula. Em quadros com componente nutricional, a reposição de vitamina B1 (tiamina) e de outras vitaminas do complexo B é considerada em situações específicas, tema que detalhamos na página sobre vitamina B1 e dor neuropática. Para entender onde cada classe de remédio se encaixa, da dor de inflamação à dor de nervo, vale a leitura do nosso guia de remédios para dor. A lógica é sempre a mesma: identificar o tipo de dor, escolher a ferramenta certa para cada mecanismo e reavaliar por metas objetivas.

O anticonvulsivante é um adjuvante potente para a dor de nervo, e seu melhor uso é integrado a essa base ativa, com dose ajustada e acompanhamento, e não como uma solução isolada e definitiva. Na prática, a meta realista não é eliminar a dor com um comprimido, e sim reduzir a sua intensidade o suficiente para dormir, voltar a se mover e depender cada vez menos de medicação, enquanto a reabilitação trata a causa e consolida o resultado a longo prazo.

Reconhecimento

Centro de Dor

Listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED)

Centro de Tratamento por Ondas de Choque

Listado pela Sociedade Médica Brasileira de Tratamento por Ondas de Choque (SMBTOC)

Clínica listada

Listada pelo Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura (CMBA)

Perguntas frequentes

Por que um anticonvulsivante é usado para dor se eu não tenho convulsão?

Porque o mesmo mecanismo que acalma o disparo excessivo dos neurônios na epilepsia acalma o disparo anormal de um nervo lesado. Na dor neuropática, o nervo passa a gerar sinal de dor sozinho, e o anticonvulsivante reduz essa hiperexcitabilidade. Tomar o remédio para dor não significa ter epilepsia; é outro uso, com dose e finalidade próprias.

Para que serve a carbamazepina na dor?

A carbamazepina é o tratamento medicamentoso de primeira linha da neuralgia do trigêmeo, em que a pessoa sente choques elétricos breves e intensos no rosto. Ela estabiliza os canais de sódio do nervo e reduz essas descargas em choque. Também pode ser usada em outras dores neuropáticas. Exige exames de controle e tem muitas interações, por isso o uso é sempre sob prescrição e acompanhamento.

Qual a diferença entre gabapentina e pregabalina?

As duas são gabapentinoides e agem no mesmo alvo, a subunidade alfa-2-delta dos canais de cálcio, reduzindo a liberação de neurotransmissores excitatórios. A pregabalina costuma ter absorção mais previsível e titulação um pouco mais rápida; a gabapentina é mais antiga e de custo menor. A escolha, a dose e o ritmo de subida dependem do caso e são definidos pelo médico.

O anticonvulsivante para dor causa dependência?

Os gabapentinoides (gabapentina e pregabalina) têm potencial de uso indevido e podem causar dependência em algumas pessoas, sobretudo em doses altas ou associados a outras substâncias, e não devem ser parados de forma abrupta. Esse é mais um motivo para o uso ser controlado, com dose definida e acompanhamento médico, e nunca por automedicação.

Quanto tempo leva para o anticonvulsivante aliviar a dor?

O efeito é progressivo, não imediato. Como a dose é construída devagar (titulação), o alívio costuma se firmar ao longo de uma a algumas semanas depois de atingir uma dose adequada. Uma boa resposta na dor neuropática é uma redução em torno de 30% a 50% da dor. Se não houver benefício em dose e tempo suficientes, o médico revê a estratégia.

Posso parar de tomar quando a dor melhorar?

A decisão de suspender é do médico, e a retirada é sempre gradual, nunca de uma vez. Parar de forma abrupta pode trazer sintomas de retirada e, no caso de quem usa o medicamento também para epilepsia, riscos maiores. Mesmo quando a dor está controlada, o ajuste e a suspensão são planejados em conjunto, dentro do acompanhamento.

Dr. Marcus Yu Bin Pai
Sobre o autor
Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP 158.074RQE 65.523 / 65.524 / 655.241

Médico especialista em Fisiatria e Acupuntura pela Associação Médica Brasileira, com área de atuação em Dor. Doutor em Ciências pela USP e médico colaborador do Grupo de Dor do HC-FMUSP.

Revisão médica e editorial

Conteúdo revisado clinicamente por Prof. Dr. Hong Jin Pai. Tem finalidade educativa e cita fontes.

Referências6 fontes citadas neste artigoVerOcultar
  1. Finnerup NB, Attal N, Haroutounian S, et al. Pharmacotherapy for neuropathic pain in adults: a systematic review and meta-analysis. Lancet Neurol. 2015;14(2):162 a 173. doi:10.1016/S1474-4422(14)70251-0 acessar
  2. Wiffen PJ, Derry S, Bell RF, et al. Gabapentin for chronic neuropathic pain in adults. Cochrane Database Syst Rev. 2017;6(6):CD007938. doi:10.1002/14651858.CD007938.pub4 acessar
  3. Derry S, Bell RF, Straube S, et al. Pregabalin for neuropathic pain in adults. Cochrane Database Syst Rev. 2019;1(1):CD007076. doi:10.1002/14651858.CD007076.pub3 acessar
  4. Wiffen PJ, Derry S, Moore RA, Kalso EA. Carbamazepine for chronic neuropathic pain and fibromyalgia in adults. Cochrane Database Syst Rev. 2014;2014(4):CD005451. doi:10.1002/14651858.CD005451.pub3 acessar
  5. Lynch ME, Watson CPN. Farmacoterapia da dor crônica: uma revisão baseada em evidências. Pain Research & Management. 2006. ver resumo
  6. Bouhassira D, Lantéri-Minet M, Attal N, et al. Dor Crônica com Características Neuropáticas: Estudo Nacional na População Francesa. Pain. 2008. ver resumo
Atualizado em 31 mai 2026 Leitura 9 min

Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação médica individual. Os medicamentos citados aparecem sem indicação de marca, dose ou esquema de uso.

Equipe médica · Jardim Paulista · 40+ anos

Centro de Tratamento de Dor, Fisiatria e Acupuntura Médica.

Quatro décadas de medicina da dor não cirúrgica, tudo em um só endereço:

Na mídia Globo Folha de S.Paulo Estadão UOL Band SBT IstoÉ ESPN Vogue Marie Claire TV Gazeta