Serotonina: o que é, o que faz e por que ela importa no tratamento da dor
A serotonina é um neurotransmissor que participa do humor, do sono e do controle da dor. Por alimentar a via inibitória descendente, fármacos como a duloxetina tratam dor crônica, neuropática e fibromialgia, mesmo em pessoas sem depressão.
- A serotonina (5-hidroxitriptamina, ou 5-HT) é um neurotransmissor e hormônio local derivado do aminoácido triptofano. Ela é mais um mensageiro do corpo do que “o hormônio da felicidade”.
- Ela age em três grandes territórios: o sistema nervoso central (humor, sono, apetite, dor), o intestino (onde está a maior parte do total do corpo, regulando o trânsito) e as plaquetas (coagulação).
- No controle da dor, a serotonina é peça da via inibitória descendente, o sistema que freia o sinal doloroso. Por isso fármacos que aumentam a 5-HT e a noradrenalina disponíveis podem tratar dor crônica, mesmo sem depressão.
- Aumentar a serotonina não é, por si só, sinônimo de tratar depressão nem de aliviar dor: o tema é mais sutil do que o mito da “deficiência de serotonina”.
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O que é a serotonina
Serotonina é o nome popular da 5-hidroxitriptamina (5-HT), uma molécula que funciona ao mesmo tempo como neurotransmissor no sistema nervoso e como mensageiro químico em outros tecidos. À pergunta “a serotonina é um hormônio”: ela atua das duas formas, como neurotransmissor entre células nervosas e, em alguns contextos, como sinal hormonal local, o que ajuda a entender por que seus efeitos são tão variados.
O corpo fabrica a serotonina a partir de um aminoácido essencial da dieta, o triptofano, que é convertido em 5-HT por etapas enzimáticas. Uma vez liberada, ela ativa uma família grande de receptores (genericamente chamados de receptores 5-HT, com vários subtipos espalhados pelo organismo). Essa diversidade de receptores é a chave para compreender por que a mesma substância pode influenciar humor, sono, digestão, coagulação e dor: o efeito depende de onde e em qual receptor ela age.
Vale corrigir um equívoco comum de grafia e de conceito. As buscas por “cerotonina”, “ceratonina” ou “ceretonina” se referem todas à mesma molécula, a serotonina. E ela não é uma reserva de bem-estar que se “enche” ou “esvazia” como um tanque. É um sistema de sinalização dinâmico, regulado a cada momento pela produção, pela liberação, pela recaptação de volta ao neurônio e pela degradação.
Onde a serotonina age e o que faz
Embora a serotonina seja famosa pelo cérebro, a maior parte do total presente no corpo está no intestino, produzida por células especializadas da parede intestinal. Lá ela regula a motilidade (o ritmo das contrações que movem o bolo alimentar) e participa de reflexos digestivos. Esse é um dos elos do chamado eixo cérebro-intestino, e ajuda a explicar por que fármacos serotoninérgicos podem ter efeitos digestivos, como náusea no início do uso ou alteração do hábito intestinal.
No sistema nervoso central, a serotonina é produzida por um grupo restrito de neurônios concentrados no tronco encefálico, nos chamados núcleos da rafe, que projetam fibras para praticamente todo o cérebro e para a medula espinhal. Dessa posição estratégica, ela modula humor, sono, apetite, cognição e a percepção da dor. Nas plaquetas, a serotonina não é fabricada, mas captada e estocada, sendo liberada durante a coagulação para ajudar na agregação plaquetária e na constrição dos vasos. Esse detalhe tem relevância clínica: fármacos que mexem na recaptação de serotonina podem aumentar discretamente o risco de sangramento, sobretudo quando combinados com anti-inflamatórios.
| Território | O que a serotonina faz ali | Relevância prática |
|---|---|---|
| Sistema nervoso central (núcleos da rafe) | Modula humor, sono, apetite, cognição e o controle da dor | Alvo dos antidepressivos e dos fármacos usados na dor crônica |
| Medula espinhal (vias descendentes) | Freia o sinal doloroso antes que ele suba ao cérebro | Base do efeito analgésico dos fármacos duais e tricíclicos |
| Intestino (células enterocromafins) | Regula a motilidade e reflexos digestivos; concentra a maior parte do total do corpo | Explica náusea e alteração intestinal no início de alguns fármacos |
| Plaquetas | Estocada e liberada na coagulação; favorece agregação e vasoconstrição | Pode elevar risco de sangramento com certos fármacos |
| Vasos e trigêmeo (relevante na enxaqueca) | Participa da regulação vascular e da sinalização da dor de cabeça | Conecta a 5-HT ao tratamento da enxaqueca |
Quando um paciente estranha que um “remédio de depressão” tenha sido indicado para a dor, costumo explicar que estamos usando a serotonina pelo lado dela que controla a dor, na medula, e não pelo lado do humor. É a mesma molécula cumprindo papéis diferentes em territórios diferentes.
A serotonina e o “freio” da dor: a via inibitória descendente
Aqui está o ponto que mais interessa a quem trata dor. O sinal doloroso que nasce num tecido sobe pela medula espinhal até o cérebro, mas esse caminho não é uma estrada de mão única. O cérebro envia, de volta, um sistema de controle que pode amplificar ou frear a dor antes mesmo que ela chegue à consciência. Esse sistema é a via inibitória descendente, e dois de seus principais mensageiros químicos são a serotonina e a noradrenalina.
A via parte de regiões do tronco encefálico, sobretudo a substância cinzenta periaquedutal e o bulbo rostral ventromedial, e desce até o corno dorsal da medula, exatamente onde o primeiro neurônio da dor faz sinapse com o segundo. Ao liberar serotonina e noradrenalina nesse ponto, a via reduz a transmissão do sinal doloroso, como um botão de volume que abaixa a intensidade da dor que chega ao cérebro. É o mesmo conjunto de circuitos que sustenta, em parte, o efeito analgésico da acupuntura e da eletroacupuntura.
Em muitas condições de dor crônica, esse freio funciona mal. Na fibromialgia e em outros estados de sensibilização central, há evidência de que o controle descendente da dor está enfraquecido, ao mesmo tempo em que as vias que amplificam a dor estão hiperativas. O resultado é um sistema nervoso que “aumenta o volume” da dor: estímulos que não deveriam doer passam a doer, e a dor se espalha e persiste.
Reforçar a serotonina e a noradrenalina disponíveis nessa via é, então, uma forma racional de devolver potência ao freio. Esse mecanismo é discutido em detalhe na página dedicada à fibromialgia: causas, sintomas e tratamento.
O cérebro tem um freio para a dor
Do tronco encefálico descem fibras que liberam serotonina e noradrenalina no corno dorsal da medula e reduzem a transmissão do sinal doloroso.
São os dois mensageiros desse freio. Fármacos que elevam ambos tendem a aliviar mais a dor do que os que mexem só na serotonina.
Por que fármacos serotoninérgicos tratam dor, enxaqueca e fibromialgia
A consequência prática do que vimos é direta: medicamentos que aumentam a serotonina e a noradrenalina disponíveis na fenda sináptica reforçam a via inibitória descendente e, com isso, tratam a dor. Importante: esse efeito analgésico não depende de a pessoa estar deprimida e costuma aparecer em doses e em prazos diferentes do efeito sobre o humor. Por isso, no contexto da dor, esses fármacos recebem o nome de analgésicos adjuvantes ou moduladores: tratam pela via da dor, não pelo humor. O tema é tratado de forma ampla na página sobre antidepressivos: o que são.
Inibidores duais (IRSN): duloxetina e venlafaxina
Os inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina (IRSN), como a duloxetina e a venlafaxina, agem exatamente sobre os dois mensageiros da via descendente. Por isso estão entre os fármacos com melhor evidência em dor neuropática e em fibromialgia. A duloxetina, em particular, tem indicação consolidada na dor neuropática (por exemplo, a neuropatia diabética dolorosa), na fibromialgia e na dor musculoesquelética crônica.
O efeito analgésico costuma ser gradual, ao longo de semanas, e a dose para dor é definida individualmente pelo médico, com aumento progressivo para reduzir efeitos adversos. O papel da duloxetina na dor é detalhado em página própria, duloxetina para dor crônica.
Antidepressivos tricíclicos: amitriptilina e nortriptilina
Os tricíclicos, como a amitriptilina e a nortriptilina, foram os primeiros a revelar esse efeito analgésico. Eles também bloqueiam a recaptação de serotonina e noradrenalina, e somam outras ações (sobre canais e receptores) que contribuem para o alívio da dor neuropática e para a profilaxia da enxaqueca. Na dor, são usados em doses baixas, bem menores que as antidepressivas, tomadas geralmente à noite, o que também ajuda no sono frequentemente prejudicado de quem tem dor crônica.
Exigem cautela em idosos e em quem tem certas condições cardíacas, por isso a escolha e o ajuste são sempre médicos. Veja a página específica sobre amitriptilina para dor neuropática em adultos.
Serotonina e enxaqueca
A enxaqueca tem uma relação particular com a serotonina, tanto nos circuitos centrais da dor quanto na regulação vascular e na via trigeminal. Isso aparece de duas formas no tratamento. Na profilaxia (prevenção das crises), a amitriptilina é uma das opções com efeito reconhecido.
E no tratamento da crise, há uma classe de medicamentos que age diretamente em receptores específicos de serotonina para abortar a dor de cabeça. Os mecanismos da enxaqueca e suas opções de tratamento são aprofundados na página enxaqueca: o que é, causas e tratamentos.
| Classe (exemplos) | Como age na dor | Onde costuma ser útil |
|---|---|---|
| IRSN duais: duloxetina, venlafaxina | Aumentam serotonina e noradrenalina na via descendente | Dor neuropática, fibromialgia, dor musculoesquelética crônica |
| Tricíclicos: amitriptilina, nortriptilina | Recaptação de 5-HT e noradrenalina, mais outras ações; dose baixa | Dor neuropática, profilaxia de enxaqueca, sono na dor crônica |
| Antagonistas de receptor de serotonina (crise de enxaqueca) | Atuam em receptores 5-HT específicos para abortar a crise | Tratamento agudo da enxaqueca, com prescrição médica |
| ISRS (foco no humor): fluoxetina, sertralina | Aumentam sobretudo a serotonina; efeito analgésico mais fraco | Mais para humor/ansiedade do que para dor isolada |
Repare numa pista importante da tabela: os fármacos que mexem nos dois mensageiros (serotonina e noradrenalina) tendem a aliviar a dor mais do que os que mexem só na serotonina. Esse contraste reforça que a analgesia depende do conjunto da via descendente, não da serotonina sozinha.
Aumento de serotonina, depressão e o mito da “deficiência”
Muita gente busca “aumento da serotonina” ou “aumento de serotonina” achando que existe um botão simples de bem-estar. Por décadas se popularizou a ideia de que a depressão seria causada por uma “deficiência de serotonina” no cérebro, e que os antidepressivos funcionariam apenas repondo essa falta. A ciência atual considera essa explicação incompleta e simplista demais. A depressão é multifatorial e envolve circuitos, plasticidade neuronal, fatores genéticos, inflamatórios e psicossociais, não um único neurotransmissor “em falta”.
Isso não significa que os fármacos serotoninérgicos não funcionem; significa que funcionam por mecanismos mais complexos do que a simples reposição de uma molécula. A mesma lógica vale para a dor: o benefício dos duais e dos tricíclicos não é “repor serotonina que faltava”, e sim modular ativamente o sistema de controle da dor. Por isso medir serotonina no sangue não serve para diagnosticar depressão nem para guiar o tratamento da dor, e suplementos ou alimentos vendidos como forma de “elevar a serotonina” não substituem avaliação e tratamento adequados.
“Depressão e dor crônica são só falta de serotonina, então basta aumentar a serotonina para resolver.”
São quadros multifatoriais. Os fármacos serotoninérgicos ajudam por modular circuitos complexos, não por repor uma molécula em falta. Não há exame de serotonina que feche esses diagnósticos.
A história do “baixa serotonina causa depressão” está ultrapassada: revisões recentes não sustentam essa relação simples. E a serotonina interessa à dor por um motivo diferente do humor: junto da noradrenalina, ela forma um freio descendente sobre os sinais de dor na medula. É por isso que a duloxetina e os tricíclicos aliviam dor crônica agindo sobre vias de dor, e não por elevarem o ânimo, com efeito que pode aparecer mesmo em quem não tem depressão. Trocar o rótulo de “molécula da felicidade” pelo de “molécula que regula o volume da dor” muda o que se espera, e o que se teme, de um tratamento serotoninérgico.
Síndrome serotoninérgica: o alerta de excesso
Se faltar serotonina não é uma explicação que se sustente sozinha, o excesso de atividade serotoninérgica, esse sim, é uma situação clínica real e potencialmente grave. A síndrome serotoninérgica ocorre quando há atividade serotoninérgica excessiva no sistema nervoso, em geral pela combinação de mais de um fármaco que eleva a serotonina, por doses altas, ou por interações com certos analgésicos, medicamentos para enxaqueca, antidepressivos e até produtos naturais. É o principal motivo pelo qual nunca se deve combinar esses medicamentos por conta própria.
Procure atendimento de urgência se, após iniciar ou combinar medicamentos serotoninérgicos, surgir
- Agitação, inquietação, confusão mental ou alucinações.
- Tremores, abalos musculares, rigidez ou reflexos muito exaltados.
- Febre, sudorese intensa, calafrios.
- Coração acelerado, pressão alta, pupilas dilatadas.
- Náusea, vômitos ou diarreia associados aos sintomas acima.
O quadro pode variar de leve a grave e tende a surgir nas primeiras horas após iniciar ou aumentar um fármaco, ou após associar dois deles. Na suspeita, a conduta é suspender o medicamento e procurar avaliação médica imediata; nos casos intensos, é uma emergência. Esse risco é exatamente o que torna a prescrição uma decisão médica: a escolha das combinações, das doses e a checagem de interações protegem o paciente, e o médico precisa conhecer todos os medicamentos e suplementos em uso.
No dia a dia da dor, o que mais reposiciona a conversa é apresentar a serotonina como parte de um freio da dor, ao lado da noradrenalina, e não como um “hormônio da felicidade”. Quando o paciente entende que a duloxetina ou a amitriptilina foram indicadas para reforçar esse freio na medula, e não porque o achamos deprimido, a adesão melhora e o estigma do “remédio de cabeça” diminui.
Costuma surpreender duas coisas. A primeira é que a maior parte da serotonina do corpo está no intestino, o que ajuda a entender por que náusea e alteração do hábito intestinal aparecem no começo do tratamento e quase sempre cedem. A segunda é que esses fármacos agem devagar na dor, ao longo de semanas, em ritmo diferente do que muita gente espera de um analgésico comum.
O ponto que reforço com mais insistência é de segurança: nunca somar por conta própria dois agentes que elevam a serotonina. A combinação silenciosa que mais vejo passar despercebida é a de um antidepressivo de uso contínuo com o tramadol receitado para uma crise, ou com um triptano da enxaqueca; por isso peço a lista completa de medicamentos e suplementos, inclusive os “naturais”.
Como a modulação da serotonina entra no tratamento da dor
Na medicina da dor, a serotonina não é um tratamento isolado, e sim um dos alvos de um plano multimodal, individualizado e não-cirúrgico. A lógica é reforçar a via inibitória descendente por mais de um caminho ao mesmo tempo: parte pela reabilitação ativa, que é a base; parte por técnicas que modulam a neurotransmissão, como a acupuntura; e, quando indicado, parte pela medicação serotoninérgica. Cada peça soma, nenhuma substitui as demais. A seguir, o papel de cada uma, com mecanismo, evidência e o que esperar.
Reabilitação ativa e exercício
A base do tratamento da dor crônica, com efeito sobre o controle central da dor e sobre o humor.
Acupuntura e eletroacupuntura
Modulam neurotransmissores e ativam a via inibitória descendente, recrutando 5-HT, noradrenalina e opioides endógenos.
Agulhamento seco para o componente miofascial
Trata os pontos-gatilho que somam dor ao quadro e perpetuam o ciclo dor-espasmo-dor.
Medicação serotoninérgica adjuvante
Duais e tricíclicos em dose ajustada, quando há indicação, para reforçar o freio da dor.
Reabilitação e exercício: a base que também modula a dor central
O exercício terapêutico orientado é a intervenção com a melhor relação entre evidência e segurança na dor crônica, e o eixo de todo o resto. Seu mecanismo vai além de fortalecer músculos: a atividade física regular melhora o controle central da dor (a chamada modulação descendente), reduz a sensibilização e tem efeito favorável sobre humor e sono, todos intimamente ligados à sinalização serotoninérgica. Na fibromialgia, em especial, o exercício aeróbico de baixo impacto é uma das condutas com melhor suporte de evidência. O que esperar: a resposta é gradual, ao longo de semanas, e o programa é progressivo e mantido para sustentar o resultado. Na clínica, a reabilitação é individualizada, com um paciente por sala.
Acupuntura e eletroacupuntura: modulação direta de neurotransmissores
- O que é
- de todas as técnicas deste plano, é a que mais diretamente toca o assunto deste texto. Na acupuntura médica, agulhas finas são posicionadas em acupontos selecionados; na eletroacupuntura, conecta-se a elas uma corrente elétrica de baixa intensidade, com frequência e parâmetros escolhidos conforme o objetivo.
- Mecanismo
- a estimulação recruta exatamente a via inibitória descendente descrita nas seções anteriores. Estudos experimentais e de neuroimagem associam o efeito analgésico à liberação de serotonina e noradrenalina nas projeções que descem dos núcleos da rafe ao corno dorsal, somada à liberação de opioides endógenos e à modulação segmentar local (a teoria da comporta); a estimulação de baixa frequência tende a mobilizar mais os sistemas opioides, e a de alta frequência outros mediadores. Ou seja, a agulha reforça por uma porta o mesmo freio que os fármacos duais reforçam por outra.
- Evidência
- moderada para dor cervical crônica, lombalgia e cefaleia/enxaqueca, com respaldo de diretrizes em situações selecionadas; uma das referências deste texto descreve, por neuroimagem, alterações nos circuitos serotoninérgicos da rafe após acupuntura na dor cervical.
- O que esperar
- o efeito é cumulativo e aparece ao longo de uma sequência de sessões, em geral semanais ou quinzenais, reavaliada por metas de dor e função; é um recurso útil quando se quer apoiar o controle da dor reduzindo a carga de medicação. A acupuntura é conduzida por médicos com formação na técnica, dentro de uma linha de ensino e pesquisa em dor desenvolvida pela equipe ao longo de décadas.
Agulhamento seco para o componente miofascial
- O que é
- a punção mecânica de um ponto-gatilho miofascial com uma agulha fina, sem injetar qualquer substância. Entra aqui porque, num quadro mantido por uma via descendente enfraquecida, os músculos com pontos-gatilho funcionam como geradores periféricos que somam estímulo doloroso e realimentam a sensibilização central.
- Mecanismo
- a agulha no ponto-gatilho costuma evocar a contração reflexa local da banda tensa, e a esse fenômeno se associa queda da atividade elétrica espontânea da placa motora e redução dos mediadores inflamatórios e álgicos no microambiente do ponto; o resultado é alívio local e segmentar, distinto do efeito sistêmico, mediado por monoaminas, que se busca com a medicação serotoninérgica.
- O que esperar
- a resposta varia, com parte do alívio surgindo logo após a sessão e parte ao longo dos dias seguintes; é comum dor leve no local por um ou dois dias, e a técnica é aplicada em poucas sessões guiadas pela resposta. Tratar os pontos-gatilho não corrige o freio central, mas retira uma fonte de dor que o sobrecarrega.
Medicação serotoninérgica adjuvante
- O que é
- o uso, quando indicado, de fármacos que reforçam a via descendente, sobretudo os duais (duloxetina, venlafaxina) e os tricíclicos em dose baixa (amitriptilina, nortriptilina).
- Mecanismo
- aumentam a serotonina e a noradrenalina disponíveis no corno dorsal da medula, potencializando o freio natural da dor, como detalhado nas seções anteriores.
- O que esperar
- o efeito analgésico é gradual, costuma levar de uma a poucas semanas, e a dose é titulada aos poucos para reduzir efeitos adversos; nos tricíclicos, a tomada noturna também auxilia o sono.
- Limitações
- não são primeira linha para toda dor, têm contraindicações e interações relevantes (lembrando a síndrome serotoninérgica), e a prescrição, a dose e a duração são sempre definidas pelo médico, com atenção a comorbidades. A medicação alivia e abre espaço para a reabilitação, mas não substitui a base ativa. Uma visão geral das opções medicamentosas para dor está no guia de remédios para dor.
Início e ajuste
Começam a reabilitação e, quando indicado, o fármaco em dose baixa, com aumento progressivo; efeitos digestivos iniciais costumam ceder.
Resposta analgésica
O alívio da via descendente tende a aparecer de forma gradual; somam-se acupuntura e técnicas para o componente miofascial.
Reavaliação por metas
Revê-se a dor (escala de 0 a 10), o sono e a função. Se a meta foi atingida, mantém-se e planeja-se o desmame; se a resposta foi parcial, ajustam-se dose, classe e as demais peças do plano, em vez de simplesmente repetir o que não funcionou.
A clínica
A clínica é um Centro de Dor listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED) e um Centro de Tratamento por Ondas de Choque listado pela SMBTOC. É também listada pelo CMBA, Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura.
Conheça a clínica

Perguntas frequentes
A serotonina é um hormônio?
A serotonina (5-HT) atua principalmente como neurotransmissor, o mensageiro químico entre células nervosas. Em alguns tecidos, porém, ela também age como sinal hormonal local. Por isso é correto dizer que ela cumpre os dois papéis, o que explica seus efeitos sobre humor, sono, digestão, coagulação e dor.
O que faz a serotonina no corpo?
No sistema nervoso central, participa do humor, do sono, do apetite e do controle da dor. No intestino, onde fica a maior parte do total do corpo, regula a motilidade. Nas plaquetas, ajuda na coagulação. Para quem trata dor, o papel mais relevante é alimentar a via inibitória descendente, o freio natural da dor.
Como aumentar a serotonina de forma segura?
Hábitos como atividade física regular, sono adequado e exposição à luz natural se associam a um sistema serotoninérgico mais saudável e fazem parte do cuidado com dor crônica e humor. Já elevar a serotonina com medicamentos é uma decisão médica, pelo risco de efeitos adversos e de síndrome serotoninérgica. Não existe um suplemento que substitua avaliação e tratamento adequados, e não se deve combinar fármacos por conta própria.
Por que um antidepressivo foi indicado para a minha dor, se eu não tenho depressão?
Porque alguns desses fármacos, sobretudo os duais (duloxetina, venlafaxina) e os tricíclicos em dose baixa (amitriptilina, nortriptilina), reforçam a serotonina e a noradrenalina na via que controla a dor na medula. Esse efeito analgésico independe do humor e costuma ocorrer em doses diferentes das antidepressivas. No contexto da dor, eles são analgésicos adjuvantes.
Falta de serotonina causa depressão?
A antiga ideia de que a depressão seria apenas “falta de serotonina” é hoje considerada incompleta. A depressão é multifatorial, e os medicamentos serotoninérgicos funcionam por mecanismos mais complexos do que simplesmente repor uma molécula. Não há exame de serotonina no sangue que diagnostique depressão.
O que é a síndrome serotoninérgica?
É um quadro causado por atividade serotoninérgica excessiva no sistema nervoso, em geral pela combinação de medicamentos que elevam a serotonina. Cursa com agitação, tremores, febre, sudorese, coração acelerado e, nos casos graves, é uma emergência. É o principal motivo para nunca combinar esses medicamentos sem orientação médica.
Referências5 fontes citadas neste artigoVerOcultar
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Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação médica individual. A serotonina e os fármacos que atuam sobre ela aparecem aqui de forma informativa, sem promoção de qualquer produto, marca ou dose. Como o papel da serotonina na dor depende do diagnóstico, das comorbidades e dos demais medicamentos em uso, a indicação e o ajuste precisam ser individualizados caso a caso.
