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Cisto de Tarlov: Conheça essa doença rara

O cisto de Tarlov, também conhecido como cisto perineural ou perirradicular sacral, é uma bolsa de líquido cefalorraquidiano localizada no canal medular, na região entre as vértebras S1 e S4. 

A doença foi descrita em 1938 por Isadore M. Tarlov, que também lhe deu o seu nome. O distúrbio foi descoberto em meio a um estudo do filo terminal em autópsias. A pesquisadora observou a formação de múltiplos cistos extradurais em nervos da região sacral e coccígea. 

Apesar dos estudos realizados desde então, o cisto de Tarlov é ainda rodeado de mistérios. Não há até então nenhum dado estatístico a respeito da prevalência da patologia. 

O que se tem é uma estimativa base, baseada em um estudo com 500 participantes, que foram submetidos a ressonância magnética. Cerca de 4,5% dos indivíduos pesquisados apresentavam a doença. 

Geralmente, esses cistos se desenvolvem entre a bainha endoneural e perineural, na junção entre a raiz posterior e o gânglio espinhal. Não se sabe exatamente qual sua causa, sua etiologia ainda é muita discutida e diversas teorias permeiam o assunto. 

A curiosa doença é ainda assintomática, pelo menos na maioria dos casos. Quando ocorrem manifestações clínicas, são principalmente alterações nervosas, que vão desde mudanças na sensibilidade a problemas motores. 

Seu diagnóstico na maioria das vezes se dá por exclusão, sendo necessária uma bateria de exames confirmatórios para determinação do tratamento. 

Tire todas as suas dúvidas sobre o tema e aprenda a identificar um caso suspeito de cisto de Tarlov. 

O que é Cisto de Tarlov?

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O Cisto de Tarlov é uma doença rara, marcada pela formação de sacos com líquidos na região da base da coluna vertebral. Conforme vimos, essas bolsas geralmente se desenvolvem nas raízes nervosas, que acabam ficando inseridas na parede dos cistos, levando a dor e aos demais sintomas. 

Na maioria dos casos, a patologia é identificada de forma tardia, já que seu diagnóstico é dificultoso. Além de ser um problema raro, possui sintomatologia bastante similar a diversas outras doenças, que costumam ser consideradas em primeiro instância. 

Não são raras às vezes em que o Cisto de Tarlov é identificado como hérnia de disco ou aracnoidite, por exemplo. Nestas situações, a correção surge devido à manutenção do quadro doloroso apesar do tratamento.

Além da formação da bolsa de líquido cefalorraquidiano, podem haver outras lesões císticas na região acometida. 

A gravidade do quadro dependerá da localização, do tamanho do cisto e da sua relação com a raiz nervosa adjacente.

 

É composto por nervosas que lembram um fio dental, tecido conectivo vascularizado em sua parte externa, e tecido aracnoide internamente, além de células ganglionares.

De que é formado o Cisto de Tarlov

De maneira geral, o cisto de Tarlov é uma pequena bolsa de parede finas e fibrosas, que podem se romper facilmente ao toque, o que pode acabar levando a complicações.

A estrutura é composta por fibras nervosas que lembram um fio dental, tecido conectivo vascularizado em sua parte externa, e tecido aracnoide internamente, além de células ganglionares. 

Seu tamanho irá depender muito da quantidade de líquido em seu interior, o que também está diretamente relacionado aos sintomas. Em casos mais graves, podem ser acumulados até 2,5 litros de liquor. 

Quando muito grandes, podem comprimir até mesmo estruturas abdominais, levando a uma série de sintomas também nessa região. 

A doença pode se manifestar através de um único de cisto, ou mesmo de variadas estruturas, que geralmente se diversificam em tamanho e localização, podendo surgir unilateralmente ou bilateralmente. 

Causas

Ainda não se sabe exatamente quais são as causas por trás do cisto de Tarlov. Dentre várias teorias, as mais conhecidas afirmam que a doença é fruto de um processo inflamatório no interior da bainha nervosa ou mesmo de um trauma que lesiona essa bainha, provocando vazamento do líquido cefalorraquidiano.

Além destas, outra teoria também muito respeitada sobre o tema, afirma que há uma conexão congênita anormal entre o espaço subaracnoídeo, onde está localizado o liquor, e a região peridural, local de formação das bolsas. Neste caso, não necessariamente a pessoa irá desenvolver a doença, já que a condição pode, eventualmente, desaparecer. 

Flutuações na pressão do líquido cefalorraquidiano também podem estar envolvidas. Pressões mais altas podem provocar aumento dos cistos, levando ao agravamento do problema. 

Indivíduos com desordens do tecido conjuntivo demonstram uma certa predisposição, apresentando maior risco do que o restante da população. 

Dentre as causas já relacionadas, podemos ainda citar: 

  • Infiltração de sangue causada por hemorragia
  • Inflamação das raízes nervosas
  • Preenchimento de cistos congênitos
  • Alterações na drenagem venosa
  • Lesões na coluna
  • Excesso de atividade física
  • Parto 

Em geral, o cisto de Tarlov se desenvolve progressivamente ao longo do tempo. Acredita-se que este crescimento contínuo seja provocado pelo fluxo causado pelos batimentos cardíacos, que leva o liquor a fluir para dentro da bolsa. Enquanto no interior destes sacos, o líquido é impedido de retornar por pequenas válvulas, que ainda não tiveram seu mecanismo compreendido. 

Sintomas

Dor nas costas

Estima-se que os sintomas estejam presentes entre 15 a 30% dos indivíduos diagnosticados, uma média baixa se comparada a outras patologias similares.

No entanto, apesar da ausência de sintomatologia, quando não tratado, o quadro tende a se tornar cada vez mais grave.  

Os pacientes que apresentam manifestações clínicas, sofrem com sintomas que predominam na região sacral da coluna vertebral.

Alguns deles queixam-se de alterações nervosas nos membros inferiores, o que depende muito da localização do cisto.

Tais sintomas são reflexo da compressão nervosa, causada pela formação desta estrutura inesperada.

Veja abaixo alguns dos principais sinais do cisto de Tarlov. 

  • Dor na região inferior das costas
  • Dor nas nádegas
  • Dor e dormência nas pernas
  • Parestesia 
  • Fraqueza 
  • Dor no peito, em especial ao tossir ou espirrar 
  • Dificuldades para esvaziar a bexiga 
  • Incontinência urinária e fecal 
  • Constipação
  • Dores de cabeça
  • Visão turba
  • Tontura
  • Sensação de queimação na região do cóccix

Sem dúvidas, a dor é a principal reclamação por parte dos pacientes acometidos. Geralmente o incômodo é intenso, e como vimos, não se restringe a região da coluna.

Diagnóstico

Anteriormente falamos um pouco sobre o diagnóstico do cisto de Tarlov, este é o momento de compreendermos melhor este processo. Na maioria dos casos, a identificação da doença se dá por eliminação. 

Por causa disso, além de um estudo cuidadoso dos hábitos de vida e do histórico de saúde do indivíduo, o médico geralmente pede por uma série de testes, em especial exames de imagem. 

Na maioria dos casos, a identificação da doença se dá por eliminação.

Para ser diagnosticado com este tipo de problema, o paciente deve apresentar sintomas relevantes e uma bolsa perineural já bem desenvolvida. 

Geralmente são prescritos ao paciente exames como ressonância magnética e tomografia computadorizada. Através destes testes, que permitem uma investigação mais detalhada do caso, é possível não só diferenciar esta de outras patologias similares, como também avaliar a localização e o tamanho dos cistos. 

Apesar da utilizada da tomografia computadorizada, a ressonância é tida como padrão ouro nesses casos. O exame permite averiguar a expansão do cisto no canal central sacral e possíveis compressões nas regiões adjacentes. 

O exame de neuroimagem da região sacral e coccígea também pode contribuir com o diagnóstico, sendo permitida a visualização da dimensão do problema e das estruturas envolvidas, ajudando a afastar outros distúrbios possíveis.

Além de identificar o cisto de Tarlov, tais procedimentos ajudam no estudo da gravidade do problema, o que é essencial a escolha do tratamento. 

Devido à dificuldade no diagnóstico e ao pouco conhecimento a respeito da doença, na grande maioria das vezes este distúrbio é descoberto acidentalmente em meio a investigações relacionadas a outras patologias do corpo. 

Quanto antes for feito o diagnóstico, melhor o prognóstico do caso. Normalmente, pacientes que aderem ao tratamento corretamente apresentam um bom resultado, tendo alívio das dores e controlando a evolução do quadro. 

Tratamento 

O primeiro passo no tratamento contra o cisto de Tarlov é o manejo dos sintomas. 

Quando o problema é simples e a bolsa pequena, a intervenção cirúrgica não é necessária. 

Nestes casos, geralmente é feita a retirada do líquido do cisto, o que leva a uma considerável melhora do quadro. 

A Estimulação Elétrica Transcutânea, mais conhecida como TENS, também é muito utilizada. Através do estímulo elétrico, a terapia age sobre os nervos,  ajudando a controlar a dor. O tratamento é seguro e não produz efeitos colaterais. 

Devido ao pouco conhecimento a respeito de suas causas, seu tratamento pode acabar se tornando bastante desafiador.

Além destes, outros recursos terapêuticos podem ser recomendados, como ultrassom, crioterapia e calor local. 

Devido ao pouco conhecimento a respeito de suas causas, seu tratamento pode acabar se tornando bastante desafiador. 

Os exercícios, por exemplo, muito utilizados em outras patologias da coluna, até mesmo em síndromes medulares compressivas, não tem demonstrado efeito contra o cisto de Tarlov. Pelo contrário, na maioria das vezes, levam a piora do problema. 

Muitos pacientes afirmam sentir melhoras por meio de mudanças alimentares. Aparentemente, incluir alimentos anti-inflamatórios na dieta, ajuda no controle da dor e dos demais sintomas. 

Os anti-inflamatórios não-esteroides também podem ser usados. Esses medicamentos geralmente são prescritos para dores crônicas, em especial aquelas relacionadas a processos inflamatórios, como muitas vezes é o caso aqui. 

Temos também as injeções de corticosteroides, que contribuem para o alívio temporário da dor. 

Tratamento cirúrgico

Quando os tratamentos conservadores não surtem o efeito esperado, ou mesmo quando o cisto já está consideravelmente desenvolvido, havendo risco de complicações, a remoção cirúrgica pode ser aconselhada. Este é o principal tratamento recomendado para pacientes que demonstram dano neurológico progressivo. 

Dentre os tratamentos mais invasivos contra o cisto de Tarlov, tem-se a microfenestração. O procedimento consiste na produção de pequenos furos na parede da bolsa, permitindo a saída do liquor da cavidade cística, impedindo seu crescimento e controlando seus sintomas. 

Em alguns casos, podes ser necessárias outras alternativas de drenagem. O cistos podem ser drenados e fechados cirurgicamente. 

Apesar de temporária, a retirada do líquido geralmente impede que a doença se agrave, além de dar mais conforto ao paciente. 

Outras intervenções cirúrgicas podem ser realizadas, como a retirada completa do cisto. Este tipo de tratamento é mais perigoso, havendo risco de lesões nervosas definitivas, em especial quando o cisto já se tornou uma estrutura muito enervada. 

Se houverem danos ósseos, nervosos, dentre outros problemas estruturais, devem ser realizados procedimentos corretivos, como a colocação de placas metálicas de sustentação. 

Dúvidas Frequentes

imagem do cisto de Tarlov

Ainda não temos todas as respostas sobre o cisto de Tarlov. No entanto, graças as inúmeras pesquisas realizadas ao redor do mundo desde a sua descoberta, a cada ano surgem novas informações. 

Abaixo responderei algumas das dúvidas mais comuns sobre o tema.

O cisto de Tarlov tem cura?

Atualmente a cirurgia de remoção é o mais perto de uma cura definitiva possível. No entanto, mesmo com tratamento cirúrgico, há uma grande chance de reaparecimento dos cistos no futuro. 

A doença é hereditária? 

Ainda não se sabe ao certo sobre se há ou não um fator hereditário envolvido. Influências genéticas já foram relacionadas e diversos estudos tentam esclarecer tal relação. 

Acredita-se que a doença seja provocada pela combinação de fatores genéticos e ambientais. 

Como saber se eu tenho cisto de Tarlov?

Diante da suspeita de cisto de Tarlov, deve-se procurar ajuda especializada. Geralmente cabe ao neurologista o estudo desses casos. 

Como vimos, o diagnóstico da doença é dificultoso e requer uma investigação detalhada do caso. Na maioria das vezes, a doença é comprovada por meio de uma ressonância magnética da região sacral. 

Quanto maior a resolução da máquina, melhor, já que alguns cistos são muito pequenos  e difíceis de serem notados. 

Quem tem a doença pode se exercitar? 

Depende muito de cada caso. Em geral, costumam ser liberadas algumas modalidades mais leves, como caminhada, hidroginástica e natação. Nestes casos, diante de qualquer dor ou piora, a atividade deve ser interrompida. 

O paciente deve seguir com cautela cada uma das orientações do seu médico, inclusive a respeito da realização de atividades físicas. 

O sedentarismo faz mal a saúde e por isso não é recomendado. É preciso procurar formas de manter o corpo ativo apesar da doença.  

É possível conviver bem com o Cisto de Tarlov? 

As pessoas que fazem o tratamento adequadamente experimentam uma significativa melhora em seus sintomas. 

Os prejuízos a qualidade de vida são consideráveis, afinal, muitas vezes é preciso aprender a conviver com a dor. Este é talvez um dos maiores desafios dos indivíduos diagnosticados com cisto de Tarlov. 

Existem diversas terapias disponíveis, podendo ainda ser realizada uma combinação terapêutica. Além disso, muitos estudos continuam em processo, buscando melhores formas para combater e prevenir a doença. 

Fazer o acompanhamento adequado é com certeza a melhor forma de conviver bem com este tipo de problema. 

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 / RQE: 65523 - 65524 | Médico especialista em Fisiatria e Acupuntura. Área de Atuação em Dor pela AMB. Doutorando em Ciências pela USP. Pesquisador e Colaborador do Grupo de Dor do Departamento de Neurologia do HC-FMUSP. Diretor de Marketing do Colégio Médico de Acupuntura do Estado de São Paulo (CMAeSP). Integrante da Câmara Técnica de Acupuntura do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP). Secretário do Comitê de Acupuntura da Sociedade Brasileira para Estudo da Dor (SBED). Professor convidado do Curso de Pós-Graduação em Dor da Universidade de São Paulo (USP). Membro do Conselho Revisor - Medicina Física e Reabilitação da Journal of the Brazilian Medical Association (AMB).
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