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Dor torácica · Quando se preocupar

Dor torácica: o que pode ser?

Dor torácica é, até prova em contrário, uma queixa potencialmente grave: infarto, embolia pulmonar e dissecção de aorta se apresentam como dor no peito, e a triagem das emergências vem sempre primeiro. A origem musculoesquelética, que tratamos, é diagnóstico de exclusão.

Resposta direta
  • Dor torácica é, até prova em contrário, potencialmente fatal. Infarto, embolia pulmonar e dissecção de aorta se apresentam como dor no peito. Diante de dor com falta de ar, suor frio, irradiação para braço ou mandíbula, desmaio ou início súbito e rasgante, ligue para o SAMU 192 ou vá ao pronto-socorro agora, sem esperar passar.
  • Afastadas as emergências, o diferencial é amplo: causas cardíacas, pulmonares, gastrointestinais (refluxo e espasmo do esôfago), da parede torácica e da ansiedade. Cada grupo tem um padrão e um serviço próprios.
  • A dor musculoesquelética da parede do tórax (costocondrite, síndrome de Tietze, ponto-gatilho dos intercostais e do peitoral, neuralgia intercostal, dor da coluna torácica, fratura de costela) é frequente, mas é diagnóstico de exclusão: só se confirma depois de descartadas as causas que matam. É esse grupo que tratamos.
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Avaliação clínica

Dor tem Tratamento. Foco em tratamentos não cirúrgicos para dor, reabilitação.

Primeiro: isto é uma emergência?

Antes de qualquer coisa, dor torácica precisa ser triada quanto ao risco de vida. Um infarto, uma embolia pulmonar ou uma dissecção de aorta podem se apresentar como dor no peito, e a conduta nessas situações é imediata. A regra é simples e não admite hesitação: na presença de qualquer sinal de alerta abaixo, a avaliação é no pronto-socorro, não no consultório.

Emergência cardíaca ou pulmonar · ligue para o SAMU 192 ou vá ao pronto-socorro AGORA

Não espere passar se houver

  • Dor ou aperto no peito com falta de ar, suor frio (sudorese) ou náusea.
  • Dor que irradia para o braço (em geral o esquerdo), o ombro, o pescoço, a mandíbula ou as costas.
  • Dor de início súbito e intensa, como algo que rasga, ou a pior dor da vida, sobretudo quando migra para as costas ou o abdome (suspeita de dissecção de aorta).
  • Desmaio (síncope), tontura forte, palpitações ou sensação de morte iminente.
  • Falta de ar que piora rápido, tosse com sangue ou dor que aumenta ao respirar fundo, sobretudo após viagem longa, cirurgia ou imobilização (risco de embolia pulmonar).
  • Dor no peito em pessoa com diabetes, idosa, ou com fatores de risco cardiovascular, mesmo que o quadro pareça atípico.

Esses sinais não são para serem investigados em casa nem adiados para uma consulta eletiva. No infarto agudo, cada minuto conta para preservar o músculo cardíaco, e na embolia pulmonar e na dissecção de aorta o tempo de diagnóstico também muda o desfecho. Se você ou alguém perto de você apresenta qualquer um deles, o caminho é o serviço de emergência: ligue para o SAMU 192 ou procure o pronto-socorro mais próximo de imediato. Uma clínica de dor não é o lugar para avaliar uma dor torácica aguda com bandeiras vermelhas.

Em uma frase

Diante da dúvida entre coração e parede do peito, trate como coração até que a emergência seja descartada por quem tem estrutura para isso. É sempre melhor ir ao pronto-socorro e ser tranquilizado do que ficar em casa com um infarto.

Alunos em pe ao redor da mesa observando demonstração de eletroacupuntura
Ensino e formação Demonstração pratica de eletroacupuntura com a equipe reunida.

Causas cardíacas e da aorta: as que matam primeiro

O raciocínio sobre dor torácica começa pelo que pode matar em horas. As causas cardíacas e a dissecção de aorta encabeçam a lista não porque sejam as mais comuns, mas porque o atraso no diagnóstico muda o desfecho. A assinatura clássica é a dor ligada ao esforço: aperto ou peso retroesternal que aparece ao caminhar ou subir escada e alivia ao parar. Esse padrão quase nunca vem de músculo.

Esforço, alivia parado

Angina estável

Isquemia do miocárdio por estreitamento coronariano. Aperto ou peso no centro do peito que surge ao esforço ou emoção, dura poucos minutos e cede com repouso ou nitrato. Pode irradiar para o braço esquerdo, a mandíbula ou o epigástrio. É a dor que piora quando o corpo trabalha, e essa relação com o esforço é a pista que tira o foco da parede torácica.

Não cede, suor frio

Infarto agudo do miocárdio

Oclusão de uma artéria coronária. Dor opressiva prolongada (mais de 20 minutos), em repouso, com sudorese fria, náusea, falta de ar e sensação de morte iminente. Idosos, diabéticos e mulheres podem ter apresentação atípica: só dispneia, mal-estar ou dor no epigástrio. Cada minuto de músculo perdido conta: é SAMU 192 imediato.

Rasga, migra para as costas

Dissecção aguda de aorta

Ruptura da camada interna da aorta. Dor súbita, intensa, descrita como rasgando ou lancinante, que migra para as costas ou o abdome e atinge o máximo desde o início. Pode vir com diferença de pulso ou de pressão entre os braços, sopro ou déficit neurológico. Emergência cirúrgica: hipertensos e portadores de doença do tecido conjuntivo têm risco maior.

Melhora inclinado para a frente

Pericardite aguda

Inflamação do pericárdio. Dor torácica que piora ao deitar e ao inspirar fundo e melhora ao sentar inclinado para a frente, às vezes após quadro viral. Pode haver atrito pericárdico à ausculta. Tem causa própria e tratamento próprio, e o tamponamento pericárdico, sua complicação, é emergência. Não é dor da parede do tórax.

A dor cardíaca nem sempre é típica e nem sempre é “no peito”. Pode aparecer como desconforto no braço, na mandíbula, no epigástrio ou apenas como falta de ar e fadiga, sobretudo em diabéticos, idosos e mulheres. Por isso o limiar para procurar o pronto-socorro é baixo em quem tem fatores de risco cardiovascular: hipertensão, diabetes, tabagismo, colesterol alto ou histórico familiar. Diante da dúvida, trata-se como coração até prova em contrário.

Causas pulmonares e pleurais

O segundo grupo que exige descarte rápido é o pulmonar. A pista comum é a dor pleurítica: dor que piora claramente ao respirar fundo ou tossir, porque a pleura inflamada ou distendida dói a cada incursão respiratória. Quando vem com falta de ar de início súbito, a urgência é maior, e a embolia pulmonar é o diagnóstico que não pode escapar.

Falta de ar súbita

Embolia pulmonar

Coágulo que obstrui a artéria pulmonar, em geral vindo de uma trombose venosa da perna. Dor pleurítica de início súbito com falta de ar, taquicardia e, às vezes, tosse com sangue. Fatores de risco: viagem longa, cirurgia ou imobilização recente, câncer, gestação e uso de anticoncepcional. Pode ser fatal e exige investigação de urgência.

Colapso súbito do pulmão

Pneumotórax

Ar no espaço pleural que colapsa o pulmão. Dor torácica e falta de ar de instalação súbita, mais comum em homens jovens, altos e magros, ou após trauma. O pneumotórax hipertensivo, com desvio do mediastino, é emergência imediata. A dor é unilateral e some a ausculta do lado afetado.

Febre e tosse

Pneumonia

Infecção do parênquima pulmonar. Dor torácica que piora ao respirar quando há comprometimento pleural, com febre, tosse com catarro, falta de ar e mal-estar. A dor acompanha o quadro infeccioso e não se reproduz à palpação da parede. É avaliação clínica, com radiografia e tratamento próprios.

Dói a cada respiração

Pleurite

Inflamação da pleura, muitas vezes após infecção viral. Dor aguda, em pontada, que aumenta na inspiração profunda e na tosse e melhora ao prender a respiração. Pode acompanhar derrame pleural. A dor pleurítica orienta o pulmão, mas exige afastar embolia antes de ser atribuída a uma causa benigna.

A dor no peito do lado direito que piora ao respirar é com frequência pleural ou da parede, e não exclui causa pulmonar. O detalhe que mais pesa aqui é o tempo e a companhia: dor pleurítica que surge de repente, com falta de ar e taquicardia, sobretudo após imobilização, vai para o pronto-socorro antes de qualquer rótulo muscular.

Causas gastrointestinais

O esôfago partilha inervação com o coração, e por isso a dor digestiva imita tão bem a dor cardíaca que a separação às vezes só é possível depois de descartar o coração. São causas comuns e benignas, mas o diagnóstico é de exclusão quando há fatores de risco. Pertencem à clínica médica e à gastroenterologia, não à medicina da dor.

Queima, piora deitado

Refluxo gastroesofágico

Retorno do ácido do estômago para o esôfago. Queimação retroesternal que piora ao deitar e após refeições grandes, com gosto ácido, regurgitação e arrotos. Pode aliviar com antiácido. É a causa que mais explica o sintoma de arrotos constantes com dor no tórax, e a conduta é clínica e gastroenterológica.

Aperto após engolir

Espasmo esofágico

Contração descoordenada do músculo do esôfago. Dor retroesternal em aperto, às vezes intensa, desencadeada por engolir, por líquidos muito frios ou quentes, podendo simular angina de forma convincente. Pode vir com dificuldade para engolir. Por imitar o coração, costuma ser diagnóstico de exclusão após a avaliação cardíaca.

Epigástrio e estômago

Gastrite e úlcera péptica

Inflamação ou lesão da mucosa gástrica. Dor ou queimação no epigástrio e na base do tórax, ligada às refeições, ao jejum ou ao uso de anti-inflamatórios. Náusea e empachamento acompanham. A irradiação para o tórax baixo confunde com dor cardíaca, e a investigação é digestiva.

Arrotos constantes com dor no peito e queimação que piora ao deitar apontam mais para refluxo do que para o coração ou para a parede do tórax. Ainda assim, o esôfago e o coração se confundem o bastante para que, na presença de fatores de risco, a dor digestiva só seja assumida depois de afastada a cardíaca.

Parede torácica e coluna: a dor que tratamos

Render 3D translúcido azul do tórax superior mostrando o esqueleto, com as duas clavículas e o esterno destacados em rosa, além das costelas e da coluna cervical.
Boa parte das dores torácicas vem da parede do peito: clavículas, esterno e articulações costais reproduzem a dor à palpação e ao movimento.

Afastadas as causas cardíaca, pulmonar e gastrointestinal, sobra um grupo grande e frequentemente subdiagnosticado: a dor musculoesquelética da parede do tórax. É uma causa comum de dor no peito que leva ao pronto-socorro, e a maioria desses pacientes não tem doença cardíaca. É exatamente esse subgrupo que avaliamos e tratamos, e ele é diagnóstico de exclusão: a dor da parede só recebe esse rótulo no fim de uma avaliação que descartou o perigoso, nunca no começo.

Essa dor tem características que ajudam a reconhecê-la. Costuma ser bem localizada, a pessoa aponta com o dedo onde dói. Tende a piorar com o movimento do tronco, ao respirar fundo, tossir ou apalpar a região, e a melhorar com o repouso da musculatura.

Não vem com falta de ar, suor frio ou desmaio, e não piora de forma progressiva ao esforço como a angina. A reprodução da dor ao apertar a junção costoesternal ou um ponto-gatilho dá confiança, mas soma ao quadro, não dispensa o restante do exame.

Aperta a junção, dói

Costocondrite

Inflamação das cartilagens que unem as costelas ao esterno, na linha do meio do peito. Dor localizada que piora ao apertar a junção costoesternal, ao respirar fundo e ao mover o tronco, sem inchaço visível. É uma das causas mais comuns de dor no meio do peito de origem benigna, e pode doer forte o bastante para levar à emergência.

Inchaço sobre a cartilagem

Síndrome de Tietze

Variante da costocondrite em que, além da dor, há inchaço visível e palpável sobre a cartilagem afetada, em geral em uma única junção costal. O inchaço local é o que a separa da costocondrite simples. Costuma ter curso benigno e responde ao tratamento conservador.

Ponto-gatilho reproduz

Dor miofascial dos intercostais e do peitoral

Pontos-gatilho nos músculos intercostais, no peitoral maior e nos serráteis: bandas tensas que, à compressão, reproduzem e referem a dor para a parede do tórax. Desencadeada por tosse intensa, esforço repetitivo, treino de membros superiores ou postura mantida. Causa frequente de dor no peito de um lado, reproduzível à palpação dirigida.

Dói na frente, vem de trás

Dor da coluna torácica e costovertebral

As articulações costovertebrais e costotransversárias e as facetas da coluna dorsal referem dor para a frente do tórax. Quem fica horas em postura fixa, com a coluna arredondada, sobrecarrega essas juntas. A dor é sentida na frente, mas se origina atrás, e piora ao mover ou estender a coluna dorsal. A transição cervicotorácica costuma estar envolvida.

Faixa, queima, dá choque

Neuralgia intercostal

Irritação ou compressão de um nervo intercostal. A dor segue o trajeto da costela, em faixa, com queimação, formigamento ou choque. Causas: compressão na raiz torácica, sequela de herpes-zóster (a dor em faixa após a cobreiro) e trauma. É dor neuropática, e seu tratamento difere do da dor puramente muscular.

Após trauma ou tosse

Fratura de costela

Trinca ou quebra de uma costela após trauma direto, queda ou, em osso frágil, tosse intensa. Dor bem localizada que piora ao respirar fundo, tossir e à palpação do arco costal, com crepitação possível. Confirma-se com avaliação ortopédica e imagem. Fratura com falta de ar progressiva levanta suspeita de lesão do pulmão e vai ao pronto-socorro.

Esses quadros não são mutuamente exclusivos e costumam coexistir: um ponto-gatilho no peitoral pode somar-se à sobrecarga costovertebral, por exemplo. Por isso a avaliação examina a parede do tórax, a coluna dorsal e a musculatura como um todo. Para a dor especificamente sobre as costelas, há a página sobre dor na costela, neurite intercostal e fratura, e a costocondrite é detalhada na página sobre anti-inflamatórios que podem ajudar. O mecanismo da coluna se conecta ao que descrevemos em dor cervical e quando se preocupar.

Ansiedade e crise de pânico

A ansiedade é causa real e frequente de dor no peito, mas é, também ela, diagnóstico de exclusão: atribuir a dor ao pânico sem afastar o coração já custou caro. O quadro tem padrão próprio, e reconhecê-lo evita tanto a banalização quanto a investigação infinita.

Em crise, sem esforço

Crise de pânico

Aperto no peito de início abrupto com taquicardia, formigamento nas mãos e ao redor da boca, sensação de falta de ar e medo intenso, sem relação com o esforço físico. Costuma durar minutos e ceder. O formigamento simétrico vem da hiperventilação. Mesmo típica, na primeira vez ou com fatores de risco, afasta-se a causa cardíaca antes.

Difusa, o dia todo

Dor torácica do transtorno de ansiedade

Desconforto torácico difuso e persistente em quem vive em estado de tensão, muitas vezes com respiração superficial mantida que sobrecarrega a musculatura intercostal. Soma um componente de tensão da parede do tórax ao quadro de ansiedade, e o tratamento é conduzido em conjunto com a saúde mental.

Como diferenciar pelo padrão

O padrão da dor (o que a desencadeia, o que a alivia, o que a acompanha e o sinal-chave do exame) costuma apontar a origem antes de qualquer imagem. A primeira tabela separa o que ameaça a vida do que costuma ser benigno; a segunda detalha as causas da parede torácica.

Padrão que assusta versus padrão benigno
EixoSugere causa grave (cardíaca, pulmonar, aórtica)Sugere parede torácica (benigna)
GatilhoPiora ao esforço (caminhar, subir escada), alivia paradoPiora ao mover o tronco, respirar fundo ou apalpar
InícioSúbito e intenso, rasgando, ou aperto prolongado em repousoGradual, ligada a postura, esforço local ou tosse
CompanhiaFalta de ar, suor frio, náusea, desmaio, tosse com sangue, febreSem sintomas sistêmicos; dor isolada e localizada
ReproduçãoNão muda ao apertar nem ao mudar de posiçãoReproduz ao apertar a junção costoesternal ou o ponto-gatilho
CondutaPronto-socorro ou SAMU 192 agoraAvaliação eletiva, depois de afastado o grave
Diferenciando as causas da parede torácica
QuadroPadrão típicoPista que diferencia
CostocondriteDor no meio do peito, sobre as cartilagens costaisReproduz ao apertar a junção costoesternal; sem inchaço
Síndrome de TietzeDor em uma junção costal específicaInchaço visível e palpável sobre a cartilagem
Dor miofascialDor na parede do tórax, de um ladoPonto-gatilho que, ao ser pressionado, reproduz a dor
Coluna torácica / costovertebralDor referida para a frente, ligada à posturaPiora ao mover ou estender a coluna dorsal; dor à palpação das vértebras
Neuralgia intercostalDor em faixa, no trajeto da costelaQueimação, formigamento ou choque; pode seguir herpes-zóster
Fratura de costelaDor focal sobre o arco costal após trauma ou tossePiora à palpação e à respiração; crepitação possível
Mito

“Se eu aperto e a dor no peito aumenta, com certeza não é o coração e posso ficar tranquilo.”

Fato

A dor que reproduz à palpação aumenta a chance de ser da parede do tórax, mas não exclui infarto: parte dos pacientes com dor reproduzível à palpação que chegam à emergência ainda tem doença coronariana. O sinal que de fato assusta é o oposto: dor que aparece ao esforço e passa em repouso. A pergunta útil não é “dói quando aperto?”, e sim “dói quando me esforço, e passa quando descanso?”.

Como é avaliada

A primeira pergunta do exame não é “qual músculo”, e sim “isto é uma emergência”. A história busca a relação com o esforço, com a respiração e com a posição, a presença de irradiação, falta de ar, sudorese ou febre, e os fatores de risco cardiovascular e tromboembólico (cirurgia, imobilização, viagem longa). Esse filtro vem antes de qualquer manobra na parede do tórax.

Gatilho por esforço, início súbito e rasgante, dor pleurítica com falta de ar, sudorese
Triagem das causas que matam: havendo suspeita, a investigação é de urgência, não osteomuscular
Sinais vitais, ausculta cardíaca e pulmonar, comparação de pulsos e de pressão entre os braços
Atrito pericárdico, sopro, abolição do murmúrio e assimetria de pulso são alertas de causa grave
Palpação das junções costoesternais, intercostais, peitoral e coluna dorsal; movimento do tronco e respiração reproduzem a dor
Só depois de afastado o grave: confirma a origem na parede do tórax

A imagem e os exames são dirigidos pela suspeita, não pedidos de rotina.

Pergunta-chave

A suspeita é de uma causa que ameaça a vida?

Sim

Investigação em ambiente de urgência, dirigida pela suspeita: cardíaca → eletrocardiograma e marcadores; embolia → D-dímero e angiotomografia; pneumotórax e pneumonia → radiografia.

Não

Para o componente musculoesquelético, a imagem entra apenas quando há trauma (radiografia para fratura) ou quando o quadro não evolui como esperado. Confirmada a origem na parede, é dela que tratam o plano a seguir.

Assista: Costocondrite: Conheça a inflamação que causa dor no peito e nas costelas

O tratamento depende da causa

Não existe um remédio para dor no peito, porque o tratamento começa pela origem. Aliviar o sintoma sem definir de onde a dor vem funciona por pouco tempo e, na dor torácica, pode ser perigoso. As causas cardíacas, aórticas, pulmonares e gastrointestinais seguem caminhos próprios, e o papel aqui é reconhecê-las e encaminhar no tempo certo: a dor cardíaca e a dissecção vão ao pronto-socorro; a embolia, à urgência; o refluxo e o espasmo esofágico, à clínica e à gastroenterologia; a ansiedade, à saúde mental, junto com o cuidado da parede do tórax. O trabalho do consultório de dor recai sobre a dor da parede torácica, confirmada como tal depois de afastado o grave.

Parede torácica: reabilitação, agulhamento seco e acupuntura

Confirmada a origem musculoesquelética, o tratamento é conservador, multimodal e individualizado, com a reabilitação ativa como base. A cinesioterapia devolve mobilidade à coluna torácica, frequentemente rígida em quem fica muito tempo curvado, alonga o peitoral e os intercostais e fortalece a musculatura postural que estabiliza o tronco. Trabalha-se também a respiração, já que o medo da dor leva a uma respiração superficial que mantém a tensão na parede do tórax; a reeducação postural global (RPG) e o Pilates clínico corrigem a postura que perpetua a sobrecarga.

Sobre essa base, o componente miofascial responde ao agulhamento seco e à infiltração de ponto-gatilho nos intercostais, no peitoral e nos paravertebrais dorsais, que reduzem a atividade da banda tensa e devolvem amplitude para reabilitar, e à acupuntura médica, que modula a dor no segmento dorsal correspondente. A região exige cautela técnica: como a pleura e o pulmão estão a poucos milímetros, a agulha é dirigida sobre o arco da costela, rasa e tangencial, longe do espaço intercostal, e o procedimento é conduzido por médico treinado, pelo risco de pneumotórax. Nas tendinopatias associadas da inserção muscular, as ondas de choque entram como adjuvante.

A medicação tem papel coadjuvante e prazo definido: anti-inflamatórios não esteroides, por período curto na crise, na menor dose eficaz, pesando comorbidades como gastrite, hipertensão e doença renal, abrem espaço para reabilitar, mas não corrigem a causa nem substituem a reabilitação.

Componente neuropático e quando a cirurgia entra

Quando há neuralgia intercostal, sobretudo após herpes-zóster, a dor é neuropática e o controle usa classes próprias: antidepressivos em dose baixa (amitriptilina, nortriptilina ou duloxetina) ou gabapentinoides (gabapentina, pregabalina), sempre com indicação, dose e duração definidas pelo médico e atenção a efeitos adversos. Em casos selecionados, o bloqueio anestésico do nervo intercostal abre uma janela para avançar a reabilitação, dentro do plano e nunca como tratamento isolado. A dor da parede torácica praticamente não é cirúrgica, e a indicação operatória, quando existe, pertence às causas estruturais que não são tratadas aqui, como uma fratura de costela instável ou complicações torácicas, sempre por avaliação da especialidade própria. Diante de uma dor que não cede ao plano, a conduta não é repetir as mesmas sessões: revê-se o diagnóstico, pergunta-se se um componente neuropático passou despercebido ou se algum sinal mudou, e reabre-se a investigação das causas graves.

O essencial

A segurança vem antes de tudo. Primeiro descarta-se a emergência, depois identifica-se a origem, e só então se trata. Uma dor torácica nova, intensa ou diferente do habitual deve ser avaliada por um médico, presencialmente, antes de ser atribuída a um músculo.

Reconhecimento

Centro de Dor

Listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED)

Centro de Tratamento por Ondas de Choque

Listado pela Sociedade Médica Brasileira de Tratamento por Ondas de Choque (SMBTOC)

Clínica listada

Listada pelo Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura (CMBA)

Perguntas frequentes

Dor torácica: o que pode ser?

As causas vão de cardíacas e pulmonares (que podem ser emergências) a gastrointestinais, ansiedade e musculoesqueléticas. A primeira tarefa é afastar a emergência: dor no peito com falta de ar, suor frio, irradiação para braço ou mandíbula, desmaio ou início súbito exige pronto-socorro imediato. Boa parte da dor na parede do tórax, porém, é musculoesquelética e benigna.

Dor no meio do peito, o que pode ser?

Dor no meio do peito, sobre o esterno, pode ser cardíaca e, na presença de sinais de alerta, deve ser avaliada na emergência. Quando esses sinais são afastados, uma causa muito comum nessa região é a costocondrite, a inflamação das cartilagens que ligam as costelas ao esterno, que dói ao apertar a junção e ao respirar fundo. O refluxo também causa dor e queimação atrás do esterno.

Como saber se a dor no peito é muscular ou no coração?

A dor muscular da parede torácica costuma ser bem localizada, piorar ao mover o tronco, respirar fundo ou apalpar o local, e não vem com falta de ar nem suor frio. A dor cardíaca tende a ser um aperto que piora ao esforço, com irradiação para braço ou mandíbula. Mas esse padrão orienta e não garante: na dúvida, ou com fatores de risco, a emergência é descartada primeiro no pronto-socorro.

Dor no peito do lado direito é preocupante?

A dor no peito do lado direito é frequentemente muscular ou ligada à parede torácica, mas pode ter origem pulmonar (como pleurite) ou em outros órgãos. Se vier com falta de ar, febre, tosse com sangue ou início súbito, procure a emergência. Sem esses sinais, e quando piora ao mover o tronco ou apalpar, costuma ser musculoesquelética e responde ao tratamento conservador.

O que tomar para dor no peito?

Não há um remédio único, porque o tratamento depende da causa, e dor no peito pode ser emergência. Quando a dor é confirmadamente musculoesquelética, anti-inflamatórios em períodos curtos podem ajudar na fase aguda, sempre com indicação médica que considere suas comorbidades, somados à reabilitação. Diante de qualquer sinal de alerta, o caminho é o pronto-socorro, não a farmácia.

Caixa torácica doendo e aperto no peito ao respirar fundo, o que é?

Dor na caixa torácica que piora ao respirar fundo e ao mover o tronco sugere origem na parede do tórax, como costocondrite ou dor miofascial dos intercostais. Por outro lado, dor que piora ao respirar com falta de ar súbita pode indicar causa pulmonar, como embolia, e é emergência. A diferença é avaliada por um médico; na presença de bandeiras vermelhas, procure o pronto-socorro.

Dr. Marcus Yu Bin Pai
Sobre o autor
Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP 158.074RQE 65.523 / 65.524 / 655.241

Médico especialista em Fisiatria e Acupuntura pela Associação Médica Brasileira, com área de atuação em Dor. Doutor em Ciências pela USP e médico colaborador do Grupo de Dor do HC-FMUSP.

Revisão médica e editorial

Conteúdo revisado clinicamente por Prof. Dr. Hong Jin Pai. Tem finalidade educativa e cita fontes.

Referências5 fontes citadas neste artigoVerOcultar
  1. Gulati M, Levy PD, Mukherjee D, et al. 2021 AHA/ACC/ASE/CHEST/SAEM/SCCT/SCMR Guideline for the Evaluation and Diagnosis of Chest Pain. Circulation. 2021;144(22):e368 a e454. acessar
  2. McConaghy JR, Sharma M, Patel H. Acute Chest Pain in Adults: Outpatient Evaluation. Am Fam Physician. 2020;102(12):721 a 727. acessar
  3. Mott T, Jones G, Roman K. Costochondritis: Rapid Evidence Review. Am Fam Physician. 2021;104(1):73 a 78. acessar
  4. Afonso et al. Eletroacupuntura guiada por ultrassom para síndrome de dor miofascial torácica. Cureus. 2023. ver resumo
  5. Sollie et al. Acupuntura superficial no tratamento da neuralgia pós-herpética crônica. British Journal of Pain. 2022. ver resumo
Atualizado em 1 jun 2026 Leitura 9 min

Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação médica individual. Dor torácica pode ser emergência: na presença de qualquer sinal de alerta, procure o pronto-socorro ou ligue para o SAMU 192 antes de pensar em causa muscular. As condutas descritas para a dor da parede do tórax só se aplicam depois de afastadas as causas cardíaca, pulmonar e aórtica, e o plano é sempre individualizado a cada caso após exame.

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