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Dor na mastigação e nas articulações faciais: conheça a DTM

O que é DTM?

Uma disfunção temporomandibular (DTM) pode ser conceituada como o funcionamento anormal da articulação que fica entre a base do crânio (no mesmo plano do nariz) e a mandíbula. No entorno dessa articulação existem projeções ósseas e músculos, que na disfunção também operam de modo desordenado.

A expressão DTM, na verdade, inclui uma série de doenças dessa articulação, da musculatura responsável pela mastigação e de outras estruturas próximas a esse conjunto, inclusive estruturas ligadas ao ouvido.

Essas doenças são classificadas em dois grupos de acordo com a origem delas:

Articular

A causa da disfunção está na articulação, ou seja, na região óssea

Muscular

O problema começa porque ocorre funcionamento precário da musculatura que coordena os movimentos da mastigação: abertura e fechamento da boca, movimentação da língua e dos lábios.

Apesar de receber pouca atenção dos médicos em unidades básicas de saúde, a DTM tem implicação na qualidade de vida do seu portador, pois compromete a funcionalidade do aparelho mastigatório.

A dor na lateral da face pode estar presente, mas não em todos os casos.

Porém, quando há dor, ela é frequente e pode ser sentida também no pescoço, ouvido e/ou na cabeça.

 

Dificuldade para movimentar a mandíbula
Espasmos musculares
Quando movimentada, a articulação da mandíbula produz sons
A amplitude da abertura da boca pode estar diminuída
Sensibilidade aumentada na região da articulação, fazendo com que um estímulo simples, como a palpação, seja percebido como dor
Vertigem
Zumbido nos ouvidos.

A sensação dolorosa tem um impacto negativo sobre a vida dos portadores.

Muitos deles enfrentam prejuízos sociais, uma vez que a dor leva à incapacidade de estudar, trabalhar e se divertir.

Alguns relatam que o sono e o apetite diminuem.

Prevalência

Entre as doenças que levam a dores crônicas, a DTM ocupa a terceira posição em prevalência.

No Brasil, cerca de 40% a 60% da população sofre atualmente com DTM ou já foi acometida por ela em alguma época da vida. Geralmente as mulheres na faixa de 20 a 40 anos são as mais afetadas.

Uma vez que traumas físicos são capazes de provocar DTM (veja abaixo), os praticantes de algumas modalidades esportivas possivelmente estão mais susceptíveis a desenvolver a disfunção.

Um estudo revelou que, comparados a não atletas, a jogadores de rugby apresentavam uma frequência significativamente maior de DTM: 53,3% versus 14,3%.

Patogênese

A medicina ainda não é capaz de apontar uma causa única e exclusiva para a DTM.

Sabe-se que existem fatores considerados como gatilhos para a instalação dessa perturbação. Esses fatores são de ordem anatômica, neuromuscular, oclusal e psicológica.

Mais de um fator pode estar atuando ao mesmo tempo, e em intensidades distintas. Essa condição caracteriza  essa disfunção como multifatorial.

Alguns desses fatores são detalhados abaixo.

Traumas físicos na mandíbula

Como os causados por golpes ou movimentos bruscos durante acidentes. As dores típicas da DTM podem surgir meses ou anos após a ocorrência do trauma.

Processos infecciosos crônicos

Afetando a região próxima aos ouvidos

Infecções do nariz ou garganta

Com a presença de bactérias dos grupos Clamídia ou da espécie Staphilococus aureus. Em alguns casos, a infecção acarreta traumas à articulação mandibular.

Doenças autoimunes

Como artrite reumatoide, artrite psorítica, artrose, lúpus e gota.

O estilo de vida da maioria das pessoas é cercado por estresse e ansiedade. A ansiedade excessiva acarreta uma sobrecarga de trabalho muscular. Ainda que as pessoas ansiosas não percebam, mesmo durante o sono a musculatura temporomandibular está sob pressão de trabalho.

O bruxismo é conhecido como o apertar de dentes ou ranger de dentes, produzido inadvertidamente durante o período noturno. Os músculos da mastigação e de sustentação da mandíbula podem entrar em fadiga, uma vez que eles não relaxam nem mesmo à noite.

O bruxismo está associado ao desenvolvimento de DTM. Profissionais da saúde pública avaliaram essa questão em 776 pacientes de Recife (Pernambuco) com 15 anos ou mais. Eles verificaram sinais de bruxismo em 52% daqueles que eram portadores de DTM. O resultado foi independente do gênero e da idade do paciente.

Ao desenvolver hábitos que supostamente aliviam a tensão do cotidiano (roer unhas – onicofagia, mastigar extremidades de canetas), indivíduos estressados fazem com que suas estruturas mandibulares fiquem submetidas a pequenos traumas. Portanto, o que é uma válvula de escape, se torna o trampolim para mais desordem funcional.

Uma vez que a DTM está instalada na articulação mandibular, outros fatores que podem fazer com que a desordem se perpetue e atinja um estágio crônico. Esses condicionantes podem também retardar a melhora dos sintomas, ainda que o indivíduo se submeta a tratamento.

Alguns desses fatores são:

Postura incorreta da cabeça
Ingestão inadequada de alimento, ou seja, uma mastigação precária em virtude da dor e do desconforto
Deficiência de vitamina C, considerando que essa participa de reações químicas de síntese da norepinefrina e serotonina, neurotransmissores que aliviam a dor
Privação de sono
Uso de próteses mal ajustadas
Uso prolongado de aparelhos ortodônticos.

Diagnóstico

De modo geral, um cirurgião-dentista é o profissional da saúde que diagnostica a DTM.

O conhecimento sobre a vivência de estresse emocional pelo paciente e os hábitos empregados para lidar com as emoções negativas são de grande importância para o profissional que for procurado. Isso porque, como esclarecido acima, a tensão nervosa é um fator etiológico da DTM.

Alguns procedimentos são adotados no consultório. A palpação do entorno da articulação mandibular é conduzida com o objetivo de verificar se existem desvios ou outro tipo de alteração, uma vez que o desenvolvimento de tumores (embora bastante raro) causa DTM.

Testes padronizados também devem ser feitos.

O teste do índice temporomandibular, por exemplo, propicia a identificação da gravidade do problema, assim como define a intensidade da dor através de uma escala analógica visual.

Já o teste com o questionário anamnésico de Fonseca é composto de questões às quais o paciente pode responder escolhendo as opções: sim, não e às vezes. As respostas recebem pontuações e a somatória dos pontos indica a severidade dos sintomas.

Tratamento

Atualmente as técnicas disponíveis para o tratamento da DTM são:

Placa oclusal (popularmente conhecida como placa de mordida)

Uma placa oclusal é instalada entre a maxila e a mandíbula, permanecendo ali durante a noite de modo a manter a mandíbula em posição ortopédica estável.

Dependendo do caso, pode ser recomendado o uso contínuo da placa oclusal, ou seja, também durante a vigília. Existem tipos diferentes de placas: de mordida anterior, de mordida posterior, pivotante ou macia e resiliente. Elas devem ser confeccionadas exclusivamente para o paciente em concordância com o quadro da sua disfunção.

Geralmente as placas são eficazes dentro de um certo tempo em diminuir as dores e desconforto causados pela DTM. Porém, o paciente se torna dependente do seu uso, sendo que a mudança de hábitos é que o recuperaria definitivamente.

Medicação

Analgésicos, anti-inflamatórios não esteroidais, relaxantes musculares e ansiolíticos costumam ser os fármacos prescritos para tratar os sintomas da DTM.

Assim como a técnica anterior, essa também precisa ser temporária e administrada com precaução, já que os medicamentos têm efeitos colaterais indesejados.

Fisioterapia

Exercícios praticados sob orientação de fisioterapeuta com o propósito de melhorar a elasticidade das fibras musculares.

Essa atividade física coordenada e frequente também é capaz de aumentar a produção do líquido sinovial que banha a articulação, diminuindo a intensidade da dor.

Os exercícios abrangem as seguintes modalidades: alongamento muscular, mobilização articular e estabilização segmentar cervical. As sessões de fisioterapia geralmente ocorrem uma ou duas vezes por semana.

Aconselhamento sobre hábitos lesivos à articulação mandibular

Consiste basicamente no estímulo à mudança de comportamento. Profissionais capacitados oferecem informações que promovem relaxamento, especialmente da musculatura da mandíbula.

Ademais, o portador recebe orientações para adoção de postura adequada que leva a um sono salutar.

Os profissionais também orientam sobre como realizar uma mastigação adequada, obter uma nutrição eficiente e completa, e oferecem recomendações específicas, como a de evitar a cafeína em períodos próximos da noite.

Abordagem multiprofissional

Os serviços de profissionais da odontologia, que desenvolvem a placa oclusal para o portador da DTM são os mais procurados. Porém, na abordagem multiprofissional, o portador conta adicionalmente com as técnicas terapêuticas descritas acima. Além disso, é possível introduzir na rotina do paciente:

  1. a reeducação alimentar
  2. a aplicação de massagens
  3. acupuntura
  4. laser de baixa intensidade.

Esse último é uma técnica menos invasiva do que a acupuntura. Uma vantagem adicional do laser é que ele atua como regenerador de tecidos da mandíbula. Estudos mostram que tanto a educação do paciente quanto a submissão a sessões de laser diminuem as sensações dolorosas.

Intervenções cirúrgicas quase não são usadas para o tratamento da DTM. São indicadas somente quando os meios tradicionais de tratamento não apresentam sucesso algum.

Referências

Bonotto, D., Penteado, C. A., Namba, E. L., Cunali, P. A., Rached, R. N., & Azevedo-Alanis, L. R. (2019). Prevalence of temporomandibular disorders in rugby players. General Dentistry, 67(4), 72–74.

da Costa Dutra, L., Seabra, E. J. G., da Fonseca Dutra, G. R. S., da Silva, A. P., de Medeiros Martins, Y. V., & Barbosa, G. A. S. (2016). Métodos de tratamento da disfunção temporomandibular: revisão sistemática. Revista de Atenção à Saúde, 14(50), 85-95.

de Araújo Cruz, J. H., Sousa, L. X., de Oliveira, B. F., de Andrade Júnior, F. P., Alves, M. A. S. G., & de Oliveira Filho, A. A. (2020). Disfunção temporomandibular: revisão sistematizada. Archives of Health Investigation, 9(6), 570-575.

Lima, L. F. C., Silva, F. A. de J. C., Monteiro, M. H. A., & Oliveira Júnior, G. (2020). Depression and anxiety and association with temporomandibular disorders – literature review. Research, Society and Development, 9(7), e579974540.

Magalhães, B. G., Freitas, J., Barbosa, A., Gueiros, M., Gomes, S., Rosenblatt, A., & Caldas Júnior, A. F. (2018). Temporomandibular disorder: otologic implications and its relationship to sleep bruxism. Brazilian Journal of Otorhinolaryngology, 84(5), 614–619.

Clinica Hong Jin Pai Sao Paulo e1621991307344

RUA SAINT HILAIRE 96 – JARDIM PAULISTA – SÃO PAULO – SP

Clínica de Dor, Fisiatria e Acupuntura Médica

Clínica médica especializada localizada na região dos Jardins, próximo à Av. Paulista, em São Paulo — SP.

Centro de Dor, com médicos especialistas pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

Tratamento por Ondas de Choque, Infiltrações, Bloqueios anestésicos e Acupuntura Médica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 / RQE: 65523 - 65524 | Médico especialista em Fisiatria e Acupuntura. Área de Atuação em Dor pela AMB. Doutorado em Ciências pela USP. Pesquisador e Colaborador do Grupo de Dor do Departamento de Neurologia do HC-FMUSP. Diretor de Marketing do Colégio Médico de Acupuntura do Estado de São Paulo (CMAeSP). Integrante da Câmara Técnica de Acupuntura do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP). Secretário do Comitê de Acupuntura da Sociedade Brasileira para Estudo da Dor (SBED). Presidente do Comitê de Acupuntura da Sociedade Brasileira de Regeneração Tecidual (SBRET). Professor convidado do Curso de Pós-Graduação em Dor da Universidade de São Paulo (USP). Membro do Conselho Revisor - Medicina Física e Reabilitação da Journal of the Brazilian Medical Association (AMB).  

3 Comentários

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  • Buenas tardes;
    Yo tengo un problema alrededor de la boca. Es una tension que me la deforma y me produce mucha preocupación. Es un problema básicamente estético. No tengo dolor. Las comisuras de los labios se van para abajo. El neurólogo me dice que es un tic pero no me ayuda a resolverlo, ni me propone nada. Pienso si no me ayudaría la acupuntura o algún tipo de masaje. Bueno eso es todo. Muchas gracias

  • Poderia fornecer as referências?
    Obrigada.

  • Tenho esse problema de DTM E sinto o nariz entupido e uma sensação de muco na garganta, isso eh normal?

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