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Dor na mastigação e nas articulações faciais: conheça a DTM

Os sintomas, relativamente comuns, podem ser causados pela Disfunção Temporomandibular e têm tratamento

Se você chegou até aqui, provavelmente é porque foi diagnosticado por um especialista ou ouviu de alguém que suas dores de cabeça e a dificuldade na mastigação ou outros sintomas correlatos podem vir de um problema chamado Disfunção da Articulação Temporomandibular, mais conhecida pela sua sigla, DTM.

A DTM, na verdade, não é uma patologia propriamente dita, mas um termo genérico que indica uma série de dores e sintomas da boca e da face. O equivalente ao termo “cefaleia”, que engloba vários tipos de dor de cabeça.

Entre as principais causas de DTM estão problemas na articulação que liga a mandíbula ao crânio, chamada articulação temporomandibular (ATM), localizadas exatamente em frente ao ouvido, em cada lado do rosto, e responsáveis pelos movimentos de abrir e fechar a boca e, consequentemente, pela mastigação.

Quando algo vai mal com essa articulação, os sintomas podem ser dos mais variados, como dor facial, na mastigação, movimento limitado, sensação de “boca travada”, estalos ao abrir a boca e ruídos anormais no ato de comer.

 

 

Anatomia da articulação temporomandibular (ATM)

A articulação temporo-mandibular oi ATM é composta pela junção do osso Temporal com a Mandíbula

A articulação temporo-mandibular oi ATM é composta pela junção do osso Temporal com a Mandíbula

 

A articulação temporomandibular (ATM), como você já viu, está localizada à frente de cada ouvido e é a responsável pelos movimentos da mastigação. Para senti-la, basta colocar os dedos próximos aos ouvidos, no rosto, e abrir e fechar a boca.

A ATM é formada pelo osso temporal, côndilo da mandíbula e disco articular, uma estrutura cartilaginosa semelhante à que amortece o movimento da articulação do joelho, o menisco. No caso da ATM, a função é parecida: esse disco acomoda as estruturas ósseas e diminui o impacto dos movimentos da boca.

 

 

DTM é comum?

Sim, é possível dizer que a disfunção da temporomandibular é relativamente comum, visto que estudos calculam que os sintomas afetam até 25% da população.

O que não é tão comum, no entanto, é a procura pelo tratamento: estima-se que apenas 5% das pessoas que têm algum tipo de sintoma na articulação temporomandibular procuram um médico em busca de uma solução.

Sabe-se que a DTM pode acometer pacientes de qualquer idade, mas os achados na prática clínica sugerem que a maior parte dos casos acontece nos adultos jovens, com idade entre 20 e 40 anos.

Mulheres

Outro dado curioso é que o diagnóstico é mais frequente em mulheres do que em homens.

A medicina não tem uma resposta exata para isso, mas desconfia-se que os hormônios femininos possam ter algum tipo de influência no aparecimento dos sintomas.

Um estudo brasileiro de 2014 sobre a DTM feito a partir dos prontuários de 1 mil pacientes já diagnosticados indicou que, da amostragem, mais de 80% dos pacientes eram mulheres, em uma proporção de 4,6 mulheres para cada homem afetado.

Além disso, nelas os sintomas também foram mais duradouros: enquanto para eles a duração dos incômodos variaram de 1 a 276 meses, para elas esse tempo foi de 1 mês a 468 meses.

Vale dizer quem, fora as mulheres, não existe exatamente um grupo de risco definido para DTM, mas os sintomas são mais comumente encontrados em músicos, sobretudo os que tocam instrumentos de corda e sopro.

Há também um aumento dos sintomas em pacientes com esquizofrenia devido a uma série de fatores, desde a má saúde bucal até fatores psicológicos.

 

 

Causas da DTM

O bruxismo parece estar mais relacionado às dores de cabeça do que um causador, sem fatores adicionais, de disfunção temporomandibular

O bruxismo parece estar mais relacionado às dores de cabeça do que um causador, sem fatores adicionais, de disfunção temporomandibular

 

A medicina ainda não tem todas as chaves para desvendar o que exatamente causa disfunção da articulação temporomandibular, mas o certo é que sua origem é multifatorial, ou seja, está relacionada a um conjunto de situações e acontecimentos.

Algumas das mais conhecidas incluem:

  • Alterações musculoesqueléticas
  • Cansaço dos tecidos do rosto
  • Traumas
  • Fatores anatômicos e patofisiológicos
  • Problemas psicológicos, tais como ansiedade e estresse, que podem levar a hábitos como roer as unhas, ranger os dentes ou mascar chiclete o tempo todo

Para entender melhor as causas das dores faciais, vale dizer que a DTM pode ser de dois tipos: articular ou muscular. A primeira é causada por alterações nas estruturas ósseas, capsulares, do disco cartilaginoso ou do líquido sinovial, que age como uma espécie de lubrificante.

Já a DTM muscular é causada por tensão ou sobrecarga da musculatura da região e compõe a maior parte dos diagnósticos (cerca de 70%).

Um terceiro tipo, embora bastante raro, é de disfunção reumatológica, quando o problema é causado por algum tipo de degeneração do disco e da articulação.

DTM da articulação:

Muitos são os problemas que podem afetar a articulação temporomandibular e levar à dor orofacial ou a outros sintomas e incômodos ao falar e mastigar.

Entre eles, estão o desarranjo do disco articular, que pode ser de vários tipos, patologias como osteoartrite e artrite reumatoide, gota e outras artropatias, traumas (um acidente, por exemplo), além da hipo ou da hipermobilidade da articulação, ou seja, ela se movimente além do normal ou abaixo dele.

Outros fatores como infecções, alterações congênitas e tumores (em casos raros) também podem compor a lista de causadores da DTM.

 

 

Sintomas de dor na ATM

Como falamos anteriormente, os sintomas são variados e podem ser desde dor ao abrir e fechar a boca até a sensação de boca travada (o paciente não consegue abrir e fechar ou tem os movimentos restringidos) e zumbidos ou estalos.

Pesquisas sobre o tema concluíram que a dor foi um sintoma mais frequentemente relatado pelas mulheres do que pelos homens, mas as causas não estão claras.

Os principais sintomas são:

  • Dor na área da articulação ou nas proximidades, sendo na maior parte das vezes concentrada em frente à orelha, mas podendo se espalhar pela bochecha e têmpora
  • Movimentos da mandíbula reduzidos, com sensação de aperto ou de articulação “presa”
  • Cliques ou ruídos dentro da articulação ao mastigar ou movimentar a boca (os ruídos podem ser normais e esse sintoma só é relevante se estiver associado a outros, como dor, por exemplo)

Outros sintomas menos frequentes podem incluir

  • Dor de ouvido, zumbidos e tontura
  • Dor de cabeça
  • Dor no pescoço
  • Episódios de “bloqueio” (incapacidade de abrir ou fechar a boca)

 

 

Diagnóstico da DTM

Exame físico:

Em geral, o diagnóstico de DTM pode ser fechado por um especialista por meio de um exame físico, sem necessidade de métodos complexos de avaliação, como exames complementares de imagem.

Ao relatar seus sintomas ao médico, ele provavelmente irá apalpar a articulação, colocando as pontas dos dedos na região pré-auricular, na frente do trago da orelha, e pedir que você abra a sua boca. A ponta do dedo dele, então, vai cair na depressão deixada pelo processo do côndilo.

Feito isto, ele poderá ainda apalpar a cabeça, o pescoço e os músculos da mastigação em busca de áreas sensíveis pela disfunção.

Se houver queixa de “cliques” nas articulações, elas muitas vezes podem ser palpadas ou ouvidas com um estetoscópio na área pré-auricular.

O exame físico permitirá o médico avaliar ainda o movimento mandibular, avaliar estruturas orofaciais, como glândulas salivares, cavidade oral, dentição, orelhas e nervos cranianos.

 

 

Diagnóstico diferencial:

Algumas patologias que possuem tratamento distinto da DTM também podem causar sintomas de dor facial e oral e devem ser considerados e excluídos pelo especialista no diagnóstico. Os principais deles são:

 

 

Exames de imagem e laboratório:

Como já reforçado acima, casos simples não necessitam exames e testes adicionais além de um bom exame físico realizado pelo médico em consultório.

Porém, em alguns casos, como de suspeita de inflamação, os especialistas podem solicitar complementos. Alguns dos possíveis pedidos são:

  • Exames de sangue para detectar a existência de inflamação
  • Radiografias simples, que podem mostrar patologias ósseas, como degeneração ou trauma
  • Tomografia computadorizada ou ressonância magnética da articulação – esta última mostra bem os tecidos moles e o disco intra-articular
  • Ultrassom
  • Bloqueio diagnóstico do nervo (interrupção de impulsos sensoriais de um determinado nervo, eliminando ou diminuindo a dor)

 

Como tratar a DTM

dtm e dor na face

DTM e dor na face

 

Sobre o tratamento, é importante dizer que a maioria dos casos de disfunções da articulação temporomandibular respondem bem ao tratamento conservador, sem necessidade de tratamentos invasivos.

Além disso, ao receitar um protocolo ao paciente, é importante que o médico leve em consideração os aspectos psicológicos de gestão da dor, como transtornos de somatização, existência de outra dor crônica, estresse, depressão, etc.

Intervenções cirúrgicas podem ser necessárias, mas apenas em casos raros nos quais a doença não responder ao tratamento convencional.

O tratamento conservador pode incluir ou não o uso de medicamentos, mas muitas vezes se resume em aconselhamento sobre hábitos de vida, descanso, reeducação do paciente – sobretudo acerca de hábitos que pioram as crises, como o de mascar chicletes, por exemplo, ou abrir e fechar a boca excessivamente ao comer alimentos muito macios, além de massagens nos músculos afetados, aplicação de bolsas de calor no local, e técnicas de relaxamento.

Essas técnicas costumam ser eficazes para boa parte dos afetados por problemas na articulação, mas o tratamento dito conservador também pode incluir o uso de placas oclusais, removíveis, e feitas por dentistas para serem usadas com o objetivo de auxiliar na má oclusão ou no bruxismo (ranger de dentes).

Alguns estudos têm demonstrado os benefícios destas placas, mas revisões sistemáticas não mostram evidências de benefícios.

Além dos métodos citados aqui, os pacientes ainda podem – e devem – buscar outros complementos de alívio dos sintomas, como a acupuntura, a fisioterapia, e técnicas comportamentais, que podem ajudar na mudança de hábitos, como treinamento postural e biofeedback.

Um estudo de 2011 feito por pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), no Rio Grande do Sul, com 40 mulheres entre 20 e 40 anos diagnosticadas com DTM concluiu que o uso da acupuntura foi eficaz na melhora do nível da dor e na gravidade da disfunção.

Elas foram divididas em dois grupos, sendo que um recebeu acupuntura duas vezes por semana durante cinco semanas ininterruptas, e o outro começou o tratamento apenas após o término do primeiro, para comparação.

Os pesquisadores concluíram que houve redução importante na dor no grupo que recebeu acupuntura, enquanto o grupo de controle não apresentou melhora alguma.

Sobre os medicamentos, quando receitados pelo seu médico, eles podem ser analgésicos e anti-inflamatórios não-esteroides ou ainda relaxantes musculares.

 

Tratamentos invasivos:

Caso o protocolo conservador não seja eficiente na resolução dos sintomas, o que é raro, o tratamento pode abraçar técnicas invasivas, como injeções intra-articulares com uso de esteroides ou ácido hialurônico (sendo que a eficácia deste ainda não é comprovada pela medicina).

Cirurgias também podem ser indicadas para alguns pacientes e é geralmente auxiliada por algum tratamento não-invasivo antes ou depois do procedimentos.

Essa cirurgia pode ser de mais de um tipo, e as opções disponíveis hoje incluem artroscopia terapêutica (vídeo-assistida), artrocentese (lavagem do espaço articular superior da ATM por meio de inserção de agulhas e irrigação com soro fisiológico, com a finalidade de eliminar tecidos necrosados ou resíduos de sangue), remoção de fragmentos ósseos soltos, remodelagem do côndilo, ou ainda procedimentos mais complexos, como a substituição da articulação.

 

 

Prognóstico da DTM

A maioria das disfunções da articulação temporomandibular respondem bem e em pouco tempo a tratamentos não invasivos, com recuperação completa do paciente e remissão dos sintomas.

Seu cuidado e a prevenção de novas crises, no entanto, depende, muitas vezes de fatores psicológicos. Por isso,é importante que o paciente tenha consciência disso e se beneficie de uma abordagem multidisciplinar do problema, que não considere apenas a parte física da patologia.

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 / RQE: 65523 - 65524 | Médico especialista em Fisiatria e Acupuntura. Área de Atuação em Dor pela AMB. Doutorando em Ciências pela USP. Pesquisador e Colaborador do Grupo de Dor do Departamento de Neurologia do HC-FMUSP. Diretor de Marketing do Colégio Médico de Acupuntura do Estado de São Paulo (CMAeSP). Integrante da Câmara Técnica de Acupuntura do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP). Secretário do Comitê de Acupuntura da Sociedade Brasileira para Estudo da Dor (SBED). Professor convidado do Curso de Pós-Graduação em Dor da Universidade de São Paulo (USP). Membro do Conselho Revisor - Medicina Física e Reabilitação da Journal of the Brazilian Medical Association (AMB).

3 Comentários

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  • Buenas tardes;
    Yo tengo un problema alrededor de la boca. Es una tension que me la deforma y me produce mucha preocupación. Es un problema básicamente estético. No tengo dolor. Las comisuras de los labios se van para abajo. El neurólogo me dice que es un tic pero no me ayuda a resolverlo, ni me propone nada. Pienso si no me ayudaría la acupuntura o algún tipo de masaje. Bueno eso es todo. Muchas gracias

  • Poderia fornecer as referências?
    Obrigada.

  • Tenho esse problema de DTM E sinto o nariz entupido e uma sensação de muco na garganta, isso eh normal?

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