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O que pode ser cansaço crônico e como combatê-lo

Você sente que está sempre cansado? Tem dificuldade para ficar acordado durante um filme ou até mesmo em um passeio de carro? A maioria de nós sabe como é estar cansado, especialmente quando temos um resfriado, gripe ou alguma outra infecção viral, mas quando você sofre de uma constante falta de energia e cansaço crônico, talvez seja sinal de que há algum problema com sua saúde.

O cansaço excessivo crônico é uma queixa muito comum que, por si só, é um sintoma, e não uma doença. Apesar disso, muitas enfermidades físicas e/ou psicológicas podem resultar na exaustão. Inclusive, há uma síndrome cujo principal sintoma é a fadiga constante.

Tipos de cansaço

Existem diferentes tipos de cansaço, que podem aparecer separados ou juntos.

Físico: uma pessoa cansada fisicamente não tem energia para ações simples, como subir escadas. Ela ainda pode apresentar fraqueza muscular.

Mental: o cansaço também pode afetar a concentração, causar sonolência e dificuldade em ficar acordado durante o trabalho.

Cerca de 20% dos brasileiros afirmam ter fadiga intensa o suficiente para interferir na vida normal.

O que é cansaço crônico

O cansaço pode ser uma resposta a atividades físicas e mentais, como praticar um esporte ou estudar, sendo completamente normal nesses casos. O problema surge quando ele ocorre na maior parte do tempo, ou seja, é crônico.

A sensação pode ser descrita como falta de energia física, mental ou uma combinação das duas.

O cansaço excessivo ou fadiga é comum.  Estima-se que uma causa física seja responsável 20% a 60% do tempo, enquanto causas emocionais ou mentais compreendem os outros 40% a 80% dos casos de fadiga.

Como o cansaço excessivo se manifesta?

Frequentemente, o cansaço excessivo tem início gradual, o que leva o paciente a não perceber quanta energia perdeu até comparar sua capacidade anterior de concluir tarefas à atual.

Muitas vezes, o cansaço é atribuído ao envelhecimento, o que pode levar ao atraso na procura por cuidados e à piora do quadro.

Indivíduos com exaustão costumam ter três queixas principais, embora isso possa variar de pessoa para pessoa. Em geral, relata-se falta de motivação ou capacidade de iniciar uma atividade, cansaço ao iniciar alguma atividade e fadiga mental ou dificuldade de concentração e memória.

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Causas de cansaço crônico

Existem inúmeras situações e condições que têm o cansaço crônico como sintoma. Elas variam desde suprimento insuficiente de sangue aos tecidos do corpo até doenças que afetam o metabolismo. Além disso, a exaustão é um efeito colateral comum de muitos medicamentos.

A seguir, explicamos mais sobre as principais causas de cansaço crônico:

Anemia

Uma das razões médicas mais comuns para sentir cansaço constante é a anemia por deficiência de ferro, também chamada de anemia ferropriva.

A doença é muito debilitante, visto que o ferro é um nutriente essencial para a produção de glóbulos vermelhos e o transporte de oxigênio para as células do corpo.

O problema é comum em mulheres com períodos menstruais de fluxo intenso, crianças e adolescentes em fase de crescimento, portadores de doenças intestinais crônicas, pessoas com úlceras estomacais, idosos, gestantes e pessoas que se submeteram à cirurgia bariátrica. Apesar do grupo de risco, qualquer pessoa pode desenvolver anemia se não receber a quantidade adequada de ferro na dieta ou tiver dificuldade de absorção de nutrientes.

Além do cansaço, a anemia ferropriva gera:

  • Palidez
  • Alterações no apetite
  • Apatia
  • Anormalidades no ritmo cardíaco

Quando a doença entra em estágio avançado, surgem alterações na pele, mucosas, unhas e cabelos, como fissuras nos cantos da boca e fios frágeis.

Quando surge em crianças, a anemia é potencialmente perigosa, pois pode afetar o crescimento e o desenvolvimento.

Apneia do sono

Apneia do sono é uma condição na qual a garganta se estreita ou fecha durante o sono, de modo a interromper repetidamente a respiração.

O problema causa cansaço devido aos vários despertares à noite, os quais deixam o indivíduo sem energia no dia seguinte.

Além do cansaço, a apneia do sono se manifesta pelos seguintes sinais diurnos:

  • Sonolência
  • Dificuldade de concentração
  • Dor de cabeça pela manhã

Já durante a noite, seus sintomas são:

  • Ronco
  • Respiração ofegante
  • Sensação de sufocamento
  • Sono agitado

É mais comum em homens de meia idade e com excesso de peso, porém mulheres também podem desenvolver o problema. Outros fatores de risco são tabagismo, alcoolismo, uso de sedativos, tumores, amígdalas e/ou adenoides aumentadas e maxilar inferior encurtado.

Hipotireoidismo

A tireoide é uma glândula em forma de borboleta que produz hormônios que regulam muitas funções do organismo, como o metabolismo e o armazenamento de energia. Quando essa estrutura fica subativa, ou seja, gera quantidade insuficiente de hormônio, ocorre o hipotireoidismo.

Além do cansaço crônico, essa condição gera:

  • Alterações de peso
  • Pele seca
  • Dor e fraqueza nos músculos
  • Sensibilidade ao frio
  • Prisão de ventre
  • Rouquidão
  • Colesterol alto
  • Depressão
  • Queda do ritmo cardíaco
  • Queda de cabelo

O problema é mais comum em mulheres e idosos, mas também pode afetar pessoas com outros perfis, especialmente quem é portador ou tem histórico familiar de doença autoimune, faz uso de medicamentos que afetam a produção de hormônios, faz radioterapia, removeu a tireoide ou está grávida.

Doença celíaca

Essa é uma doença causada pela hipersensibilidade do sistema imunológico ao glúten, que é a proteína encontrada no pão, bolos e cereais. Ao longo do tempo, a reação gera inflamação que prejudica a saúde do intestino delgado, causando complicações e má absorção de nutrientes .

Outros sintomas da doença celíaca, além do cansaço, são:

  • Diarreia
  • Inchaço
  • Anemia
  • Perda de peso
  • Dores no abdômen
  • Indigestão
  • Flatulência
  • Enjoo
  • Coceira

O acometimento tem ligação com predisposição genética, sendo comum em pessoas cujos familiares são celíacos.

Síndrome da fadiga crônica

A síndrome da fadiga crônica (também conhecida como Síndrome do cansaço crônico, encefalomielite málgica, ou EM) é caracterizada por cansaço físico e/ou mental grave que dura pelo menos quatro meses e não melhora com o repouso.

Além da fadiga, outros sinais e sintomas são:

  • Dificuldade de concentração
  • Memória ruim
  • Dor muscular
  • Dor articular
  • Sono não reparador
  • Ansiedade
  • Gânglios inflamados

Apesar de esses serem os sintomas mais comuns, essa síndrome pode se manifestar de diferentes maneiras em cada pessoa.

Seus fatores de risco ainda não estão completamente claros, mas acredita-se que seja mais comum em pessoas com idade entre 40 e 50 anos, mulheres e indivíduos com alta carga de estresse.

Diabetes

Um dos principais sintomas de diabetes tipo 1 e tipo 2 é o cansaço crônico. Esse grupo de doenças é caracterizado pela produção ineficaz ou insuficiente de insulina, que é o hormônio que regula a quantidade de açúcar (glicose) no sangue

Outros sintomas incluem:

  • Sede e fome constantes
  • Alta micção
  • Perda de peso
  • Mudanças de humor
  • Enjoo e vômito
  • Formigamento nos pés e mãos
  • Infecções frequentes
  • Feridas com má cicatrização
  • Visão embaçada

A doença é mais comum em indivíduos com pressão alta, colesterol elevado, sobrepeso ou obesidade, doença renal crônica, síndrome de ovários policísticos e apneia do sono. O risco também é elevado para quem se trata com medicamentos da classe dos glicocorticóides.

Febre do beijo

A mononucleose infecciosa, também chamada de febre do beijo e febre glandular, é uma doença viral frequente que causa:

  • Cansaço
  • Febre
  • Dor de garganta
  • Glândulas inchadas

A maioria dos casos ocorre em crianças, adolescentes e adultos jovens, sendo que os últimos dois grupos costumam contrair a mononucleose pelo beijo ou contato íntimo com alguém infectado.

No geral, os sintomas desaparecem de 4 a 6 semanas, mas a fadiga pode permanecer por alguns meses.

Depressão

Depressão é um transtorno mental grave caracterizado principalmente por desânimo e tristeza persistentes. Além desses sentimentos, há:

  • Exaustão de energia
  • Culpa
  • Solidão
  • Alterações no sono
  • Falta de interesse em atividades que costumava gostar
  • Baixa autoestima
  • Falta de concentração
  • Redução ou aumento da fome
  • Isolamento
  • Ansiedade
  • Pensamentos suicidas

A doença costuma acometer indivíduos com histórico familiar ou pessoal de transtornos de cunho psicológico, especialmente os que enfrentam gatilhos, tais como abuso, uso de determinados medicamentos (como Isotretinoína e Interferon), luto, desemprego, término de relacionamento, brigas, mudança de profissão, aposentadoria e doenças crônicas.

Além de causar cansaço crônico por si só, a depressão prejudica o sono à noite, o que aumenta ainda mais a fadiga durante o dia.

Síndrome das pernas inquietas

Também chamada de síndrome de Ekbom, o transtorno das pernas inquietas é caracterizado pela vontade avassaladora de mexer as pernas, o que pode mantê-lo acordado à noite e deixá-lo cronicamente cansado.

Outros sintomas que afetam os membros inferiores são:

  • Desconforto
  • Dor
  • Formigamento
  • Arrepio
  • Pontada

O problema pode se manifestar em qualquer idade, embora seja mais raro na infância e mais comum na terceira idade.

Ansiedade

Sentir-se ansioso às vezes é perfeitamente normal, mas algumas pessoas têm constantes e incontroláveis sentimentos ​​de ansiedade que surgem de maneira tão intensa que afetam a vida cotidiana.

O denominado transtorno de ansiedade generalizada (TAG) é comum e costuma ter cunho genético. Ele afeta um pouco mais as mulheres que os homens, especialmente quem tem tendência ao estresse, irritação e preocupação.

Seus sintomas incluem:

  • Cansaço
  • Nervosismo
  • Falta de concentração
  • Medo irracional
  • Descontrole dos pensamentos
  • Insônia
  • Dor ou aperto no peito
  • Falta de ar
  • Sudorese
  • Tremores
  • Sensação de fraqueza
  • Boca seca
  • Mãos e pés frios ou suados
  • Enjoo
  • Dor muscular
  • Alterações intestinais
  • Dor no estômago
  • Tontura

Carência de vitaminas

Baixas dosagens de certas vitaminas, como a D e a B12, podem causar cansaço, visto que o papel desses nutrientes é ajudar na eliminação de toxinas e promover o bom funcionamento do organismo.

O problema é comum idosos, negros, pessoas com obesidade e aquelas que não se expõem à luz solar com frequência. Entre seus sintomas, estão:

  • Cansaço sem motivo aparente
  • Fraqueza muscular
  • Dores nas articulações e nos músculos
Obtenha ajuda de emergência se seu cansaço estiver relacionado a um problema de saúde mental e seus sintomas também incluem pensamentos de se machucar ou de suicídio, ou preocupação de que você possa prejudicar outra pessoa

Quando procurar um médico?

É recomendado buscar um médico caso o cansaço atrapalhe sua vida, faça você sentir mal-estar, indisposição ou infelicidade.

É ainda mais importante buscar um médico em casos nos quais o cansaço vem acompanhado de perda de peso sem motivo aparente, além de outros sinais de alerta, como tossir sangue, alterações intestinais ou nódulos no corpo.

Marque uma consulta com seu médico se sua fadiga persistir por duas ou mais semanas, apesar de se esforçar para descansar, reduzir o estresse, escolher uma dieta saudável e beber bastante líquido.

Diagnóstico

Para tentar descobrir a causa da fadiga, o médico pedirá detalhes sobre seu quadro, como quando começou, se piorou gradualmente e como está afetando sua rotina.

Ele também precisará fazer algumas perguntas, como:

  • Você tem algum outro sintoma?
  • Você dorme bem?
  • Você ronca?
  • Seu parceiro notou alguma alteração na sua respiração à noite?
  • Você se sente triste ou mais preocupado do que o normal?
  • Você está sob estresse?
  • O seu peso mudou?
  • Como é seu período menstrual
  • Você bebe álcool? Com qual frequência?
  • Você está tomando algum medicamento?

Em um segundo momento, o médico fará um exame físico, que poderá incluir pesagem, ausculta do coração, observação do aspecto dos olhos, busca de inchaço nas articulações e verificação das glândulas do corpo.

Exames

Para fechar o diagnóstico, o profissional de saúde poderá solicitar exames, como análise de urina e hemograma. Na maioria dos casos, esses testes visam investigar:

  • Baixos níveis de ferro (anemia)
  • Níveis baixos de hormônio tireoidiano (hipotireoidismo)
  • Diabetes
  • Deficiências de vitaminas como B12 ou vitamina D
  • Doença celíaca
  • Inflamações no organismo
  • Problemas com a função do fígado ou rins
  • Testes para infecções específicas, como mononucleose

Dependendo dos achados, podem ser requeridos outros testes, como raio-x, ultrassom e tomografia computadorizada.

Tratamentos

Não existe tratamento específico para cansaço crônico, por isso o segredo é tentar controlar sua causa. Ou seja, se a origem for uma doença, tratá-la irá ajudar a resolver o quadro.

Por exemplo, a anemia pode ser tratada com suplementos de ferro, já o hipotireoidismo é controlado com pílulas com a versão sintética do hormônio tireoidiano que está faltando no organismo. Já a síndrome de fadiga crônica e os transtornos psicológicos, como depressão e ansiedade, poderão ser amenizados por meio de terapia psicológica e/ou medicação.

Em todos os casos, o exercício físico moderado pode ser notavelmente eficaz no tratamento do cansaço crônico, assim como uma alimentação equilibrada e hábitos saudáveis de vida, como não fumar e beber álcool moderadamente.

Terapias alternativas, como acupuntura, reflexologia, homeopatia e meditação, também podem amenizar o cansaço crônico, desde que sejam feitas por profissionais qualificados e em acordo com o médico responsável.

Não existe uma resposta única para o tratamento do cansaço, mas certamente uma boa investigação clínica é capaz de determinar e tratar a causa e devolver sua vitalidade.

 

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 / RQE: 65523 - 65524 | Médico especialista em Fisiatria e Acupuntura. Área de Atuação em Dor pela AMB. Doutorando em Ciências pela USP. Pesquisador e Colaborador do Grupo de Dor do Departamento de Neurologia do HC-FMUSP. Diretor de Marketing do Colégio Médico de Acupuntura do Estado de São Paulo (CMAeSP). Integrante da Câmara Técnica de Acupuntura do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP). Secretário do Comitê de Acupuntura da Sociedade Brasileira para Estudo da Dor (SBED). Professor convidado do Curso de Pós-Graduação em Dor da Universidade de São Paulo (USP). Membro do Conselho Revisor - Medicina Física e Reabilitação da Journal of the Brazilian Medical Association (AMB).
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