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Dor no quadril · Laser de alta intensidade

Laser de Alta Intensidade para Bursite Trocantérica

O laser de alta intensidade pode aliviar a dor da bursite trocantérica, mas funciona como recurso adjuvante, não como solução isolada. A base do tratamento dessa dor lateral do quadril é a reabilitação com gestão de carga.

Resposta direta
  • O laser de alta intensidade pode reduzir a dor e facilitar a reabilitação da bursite trocantérica, atuando por fotobiomodulação em profundidade. É um recurso adjuvante, não invasivo e indolor, não um tratamento que cura sozinho.
  • A maior parte do que se chama de “bursite trocantérica” é, na verdade, uma tendinopatia dos glúteos médio e mínimo (síndrome da dor do trocânter maior). Isso muda o tratamento: o foco passa a ser recuperar a carga do tendão, com a bolsa em segundo plano.
  • A base do tratamento é a reabilitação com exercício e ajuste de carga. Laser de alta intensidade, ondas de choque, agulhamento seco e infiltração entram como adjuvantes para abrir uma janela de menos dor, sempre dentro de um plano individualizado.
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40+ anos · HC-FMUSP · USP · 30 salas · 1.500 m² · Fisioterapia e Pilates individual

Avaliação clínica

Dor tem Tratamento. Foco em tratamentos não cirúrgicos para dor, reabilitação.

O que é a bursite trocantérica

Ilustração anatômica do quadril com as bolsas sinoviais inflamadas entre o músculo e o fêmur, rotuladas em português como bolsas inflamadas, músculo e fêmur.
As bolsas sinoviais ficam entre o tendão e o trocânter do fêmur; quando inflamam, surge a dor lateral do quadril.

A bursite trocantérica é a dor na parte lateral do quadril, sobre a saliência óssea do fêmur chamada trocânter maior. Costuma piorar ao deitar sobre o lado afetado, ao subir escadas e ao ficar muito tempo em pé, e é uma das causas mais comuns de dor lateral do quadril no consultório.

O nome clássico vem da bursa trocantérica, uma pequena bolsa cheia de líquido que reduz o atrito entre o tendão dos glúteos e o osso. Por muito tempo se acreditou que a dor vinha de uma inflamação isolada dessa bolsa, daí o sufixo “ite” de bursite. A pesquisa em imagem e cirurgia mudou esse entendimento: na maioria dos casos, a bolsa está apenas reagindo a um problema vizinho, que é a tendinopatia (desgaste e sobrecarga) dos tendões dos glúteos médio e mínimo na sua inserção no trocânter. Por isso o termo mais preciso e usado hoje é síndrome da dor do trocânter maior (GTPS).

Essa distinção não é detalhe acadêmico: ela muda a conduta. Se o problema fosse só a bolsa, faria sentido focar em “desinflamar”. Como o gerador costuma ser o tendão sobrecarregado, o tratamento que mais resolve é o que recupera a capacidade do tendão de tolerar carga, com exercício progressivo.

Os recursos como o laser ajudam a controlar a dor para que essa reabilitação aconteça. O quadro é detalhado na nossa página sobre dor no quadril e bursite trocantérica e, na perspectiva do tendão, na página sobre tendinite de glúteo.

Bursite trocantérica: o conceito antigo e o atual
AspectoVisão antiga (bursite)Visão atual (tendinopatia glútea / GTPS)
Onde está o problemaInflamação da bolsa (bursa)Sobrecarga e desgaste dos tendões glúteos; a bolsa reage de forma secundária
O que dóiAtrito da bolsaCompressão e tração do tendão sobre o trocânter
Foco do tratamento“Desinflamar” a bolsaRecuperar a tolerância do tendão à carga, reduzir a compressão
Papel do corticoide infiltradoTratamento de escolhaAlívio de curto prazo; uso parcimonioso, pode prejudicar o tendão se repetido
O que costuma piorar

Compressão lateral

Deitar sobre o lado dolorido, cruzar as pernas, dormir de lado sem travesseiro entre os joelhos e ficar de pé com o peso jogado num quadril só.

Quem é mais afetado

Padrão típico

Mulheres na faixa dos 40 aos 60 anos, corredores e pessoas que aumentaram a carga de caminhada ou treino de forma abrupta.

Sala ampla de fisioterapia com várias macas de madeira e teto de concreto aparente na clínica
Reabilitação na clínica Sala ampla de fisioterapia com várias macas

O que é o laser de alta intensidade

Comparação: o laser de alta energia alcança o alvo profundo, enquanto o laser comum fica na superfície.
O laser de alta energia leva energia ao alvo profundo; o laser comum age só na superfície.

O laser de alta intensidade (laser de alta intensidade) é uma terapia por luz que entrega energia a tecidos mais profundos do que o laser de baixa intensidade tradicional. Não é o laser cirúrgico que corta tecido: é um laser terapêutico, aplicado sobre a pele com um cabeçote, sem incisão, sem agulha e sem anestesia. A sessão é, em geral, indolor, com sensação de calor leve no local. No quadril, o laser de alta intensidade é aplicado à dor lateral; a visão geral do recurso no controle da dor está em laser de alta intensidade no tratamento da dor.

A diferença para o laser de baixa intensidade (laser de baixa intensidade ou laserterapia comum, o “laserzinho” da fisioterapia) está na potência e na profundidade de alcance. O laser de alta intensidade usa comprimentos de onda e potências maiores, o que permite atingir estruturas profundas como os tendões glúteos na inserção do trocânter, difíceis de alcançar com aparelhos de baixa potência. Detalhamos essa comparação na página sobre as diferenças entre laser de alta e de baixa intensidade.

Mecanismo: fotobiomodulação

O efeito biológico do laser de alta intensidade é chamado de fotobiomodulação. A luz é absorvida por componentes da célula, sobretudo na mitocôndria (a enzima citocromo c oxidase), o que aumenta a produção de energia celular (ATP) e modula sinais inflamatórios. Na prática clínica, isso se traduz em três efeitos que interessam à dor lateral do quadril: um efeito analgésico, por modulação da condução e da sensibilização das fibras nociceptivas; um efeito anti-inflamatório local, reduzindo mediadores que perpetuam a dor; e um efeito sobre o reparo, favorecendo o ambiente para a recuperação do tendão. Há também um componente térmico controlado, que melhora a circulação local e relaxa a musculatura ao redor.

A fotobiomodulação cria condições mais favoráveis para o tecido se recuperar e reduz a dor que limita o movimento, mas não “regenera” o tendão sozinha nem substitui o estímulo de carga que o tendão precisa para fortalecer. Por isso o laser de alta intensidade é, por definição, um adjuvante: ele potencializa e acelera o que a reabilitação faz, não a dispensa.

O que esperar de uma sessão

O laser de alta intensidade é aplicado por um profissional habilitado, com proteção ocular para paciente e operador. O cabeçote é movido sobre a região lateral do quadril, sobre o trocânter e o trajeto dos tendões glúteos. Cada sessão costuma durar de 10 a 20 minutos. Os protocolos variam, mas o tratamento costuma ser feito em ciclos de algumas sessões por semana, ao longo de 2 a 4 semanas, com reavaliação ao final.

O alívio pode ser percebido já nas primeiras sessões em parte das pessoas, mas o ganho consistente costuma aparecer ao longo do ciclo, somado ao exercício. O número de sessões e a dose são ajustados à resposta de cada pessoa.

10 a 20
minutos é a duração média de uma sessão de laser de alta intensidade sobre o quadril
2 a 4
semanas é a faixa usual de um ciclo, com reavaliação ao final
0
agulhas, cortes ou anestesia: é uma terapia não invasiva, aplicada sobre a pele
linha é o exercício; o laser de alta intensidade entra como adjuvante para reduzir a dor
Evidência · sínteseCerteza baixa a moderada

O que a literatura mostra sobre laser de alta intensidade em tendinopatias e dor musculoesquelética

Ensaios e revisões em tendinopatias e dores articulares sugerem que o laser de alta intensidade pode reduzir dor e melhorar função no curto prazo, sobretudo quando combinado a exercício, com bom perfil de segurança. A qualidade dos estudos é heterogênea e há poucos dados específicos para a tendinopatia glútea, de modo que o benefício é apresentado com cautela, como adjuvante. Não há, hoje, evidência de que o laser de alta intensidade isolado supere um programa de reabilitação bem conduzido.

Ver referências →
Por que o laser isolado decepciona na bursite trocantérica

A maior parte dos textos vende o laser de alta intensidade como se a “bursite” fosse uma bolsa inflamada que a luz vai apagar. O ponto que quase ninguém diz é que o que dói, na grande maioria dos casos, não é a bolsa: é o tendão dos glúteos sobrecarregado na inserção do trocânter. Isso explica dois fracassos comuns. Primeiro, por que infiltrar corticoide na bursa e fazer laser sobre ela alivia por algumas semanas e depois a dor volta: tratou-se o sintoma da bolsa, não a causa no tendão. Segundo, por que o laser sozinho decepciona: tendão só engrossa e fica mais resistente quando recebe carga progressiva, e nenhum comprimento de onda substitui esse estímulo mecânico. O conserto que dura é o fortalecimento glúteo bem dosado; o laser de alta intensidade serve para comprar uma janela de menos dor que permite começar e sustentar esse fortalecimento. Quem inverte essa ordem fica preso em ciclos de alívio passageiro.

Como se confirma o diagnóstico

Imagem de ressonância magnética do quadril em corte coronal mostrando uma área branca de líquido inflamatório junto ao trocânter maior do fêmur.
Na ressonância, o sinal claro junto ao trocânter confirma a bursite e ajuda a descartar lesões dos tendões glúteos.

O diagnóstico da bursite trocantérica é, antes de tudo, clínico. A dor lateral do quadril, sobre o trocânter, que piora ao deitar sobre o lado, ao subir escada e ao ficar parado em pé, com dor à palpação direta da saliência óssea, já sugere fortemente o quadro. Manobras que colocam o tendão glúteo sob carga, como ficar apoiado em uma perna só por trinta segundos, costumam reproduzir a dor.

O exame de imagem entra para confirmar e, principalmente, para afastar outras causas, não para “fechar” o diagnóstico sozinho. A ultrassonografia e a ressonância magnética mostram bem o estado dos tendões glúteos, a presença de líquido na bolsa e eventuais rupturas. Mas, assim como acontece na coluna, achados de tendinopatia e de líquido na bolsa aparecem também em pessoas sem dor, então a imagem precisa ser lida junto com a história e o exame. O papel central do médico aqui é diferenciar a dor lateral do quadril de outras origens que exigem condutas distintas.

Dor lateral e ao redor do quadril: principais diagnósticos diferenciais
OrigemPadrão típicoPista que diferencia
Tendinopatia glútea / GTPS (bursite trocantérica)Dor lateral sobre o trocânterPiora ao deitar sobre o lado e ao apoiar em uma perna só; dor à palpação do trocânter
Artrose do quadril (coxartrose)Dor mais na virilha e na nádegaRigidez e perda de rotação interna; piora com a marcha; ver página dedicada
Síndrome do piriforme / dor sacroilíacaDor na nádega, por vezes irradiando para a coxaDor mais posterior; manobras específicas da articulação ou do músculo
Dor referida da coluna lombarDor que desce do lombar para o quadrilTrajeto de nervo, formigamento ou fraqueza; piora com a coluna
Canelite (síndrome do estresse tibial)Dor na perna, na borda da tíbiaNão é dor de quadril; surge ao correr; ver mais abaixo
Sobre a canelite

Muita gente que pesquisa por bursite no quadril também busca por canelite e por exercícios para canelite, porque ambas surgem ao aumentar a carga de corrida ou caminhada de forma abrupta. São quadros diferentes: a canelite é dor na borda da tíbia, na perna, por estresse repetitivo do osso e da musculatura. O fio comum é o erro de carga, e o princípio do tratamento é o mesmo: ajustar volume e progressão, fortalecer e tratar a dor. Se a sua dor é na canela, e não no quadril, o caminho de avaliação é o mesmo, mas o alvo é outro.

Sinais de alerta

A dor lateral do quadril por tendinopatia glútea é benigna na imensa maioria das vezes. Ainda assim, alguns sinais indicam que a avaliação não deve esperar e que o quadro pode não ser uma simples bursite. Procure atendimento sem demora se notar:

Sinais de alerta · não espere

Procure avaliação sem demora se houver

  • Dor intensa após uma queda ou trauma, com dificuldade de apoiar o peso na perna, sugerindo fratura.
  • Febre, vermelhidão e calor sobre o quadril, que podem indicar infecção da bolsa (bursite séptica).
  • Perda de força para afastar a perna ou marcha “gingada”, que pode indicar ruptura do tendão glúteo.
  • Perda de peso sem explicação, dor que piora à noite e não alivia com o repouso, ou história de câncer.
  • Dor que desce pela perna com formigamento ou fraqueza, sugerindo origem na coluna e não no quadril.

Na ausência desses sinais, a dor da bursite trocantérica costuma responder bem ao tratamento conservador ao longo de semanas a poucos meses. A presença de qualquer um deles muda a investigação e, por vezes, o encaminhamento.

Assista: TENDINITE OU BURSITE? Qual a diferença?

Tratamento: onde o laser de alta intensidade se encaixa

Diagrama do quadril com o feixe do laser de alta intensidade aplicado sobre o trocânter e a inserção dos tendões glúteos.
No tratamento da bursite trocantérica, o laser de alta intensidade e aplicado sobre a face lateral do quadril, direcionado a inserção dos tendões glúteos no trocânter, para reduzir a dor e abrir uma janela para a reabilitação.

O tratamento da bursite trocantérica é multimodal, não invasivo e individualizado, e tem uma hierarquia clara. A base é a reabilitação com gestão de carga: nenhuma tecnologia substitui esse eixo. Os recursos como laser de alta intensidade, ondas de choque, agulhamento seco e infiltração entram como adjuvantes, com o papel de reduzir a dor o suficiente para que a pessoa consiga fazer a reabilitação e voltar às atividades. A cirurgia é exceção, reservada a rupturas tendíneas significativas que não respondem ao tratamento conservador.

Educação e ajuste de carga

Entender o quadro, reduzir a compressão do tendão (parar de cruzar as pernas, dormir com travesseiro entre os joelhos) e ajustar volume de caminhada e treino.

Exercício e reabilitação

Base do plano: fortalecimento progressivo dos glúteos (abdutores do quadril) e controle do tronco e da pelve, com progressão guiada.

Adjuvantes para a dor

Laser de alta intensidade, ondas de choque, agulhamento seco, acupuntura e infiltração de pontos-gatilho, para abrir uma janela de menos dor e destravar a reabilitação.

Casos refratários

Infiltração guiada parcimoniosa e, raramente, avaliação cirúrgica diante de ruptura tendínea.

Reabilitação e exercício: a base de tudo

É a intervenção com a melhor relação entre evidência e segurança na tendinopatia glútea, e o eixo de todo o resto. O foco é recuperar a capacidade do tendão de tolerar carga e fortalecer os glúteos médio e mínimo, os músculos que estabilizam a pelve quando você se apoia em uma perna só. O programa começa por reduzir a compressão do tendão (evitar posturas que apertam o tendão contra o osso, como cruzar as pernas e dormir sobre o lado dolorido), avança para exercícios isométricos de baixa carga, que costumam aliviar a dor, e progride para fortalecimento dinâmico e funcional. A correção de padrões de marcha e o controle do quadril que “cai” para o lado completam o trabalho.

Sobre os alongamentos: na tendinopatia glútea, alongar de forma agressiva o lado de fora do quadril pode aumentar a compressão e piorar a dor, então a prescrição de alongamento para tendinite no quadril é cuidadosa e focada na musculatura adequada, não em “puxar” o tendão dolorido. A resposta é gradual, ao longo de semanas, e o programa é mantido depois do alívio para reduzir recorrências.

Laser de alta intensidade

Como detalhado acima, o laser de alta intensidade atua por fotobiomodulação, com efeito analgésico e anti-inflamatório em profundidade sobre o trocânter e os tendões glúteos. Na bursite trocantérica, seu papel é reduzir a dor e o componente inflamatório local para facilitar a entrada no programa de exercícios, especialmente na fase mais dolorosa. É indolor e não invasivo, o que o torna uma opção bem tolerada para quem não quer ou não pode fazer procedimentos com agulha de imediato.

O ciclo costuma ter algumas sessões por semana ao longo de 2 a 4 semanas. A evidência é de certeza baixa a moderada e mais robusta quando o laser é combinado com exercício, por isso ele nunca é oferecido como tratamento isolado.

Da prática clínica

A queixa que mais ouvimos não é “dói o quadril”, é “não consigo dormir do lado”, e essa frase costuma valer mais que muita imagem: a dor que acorda a pessoa ao rolar sobre o lado afetado e a fisgada ao subir o primeiro lance de escada são a assinatura da tendinopatia glútea, não de uma bolsa inflamada qualquer.

Surpreende muita gente descobrir que o que carimbaram como “bursite” é, na prática, tendão sobrecarregado, e que o caminho não é repouso e anti-inflamatório, mas carga bem dosada. Quando o laser de alta intensidade entra na fase aguda, ele tende a render seu melhor justamente como janela: ao baixar a dor lateral, a pessoa finalmente tolera deitar para fazer a isometria de glúteo e volta a apoiar a perna sem se proteger, e é aí que a reabilitação engata.

O outro lado também aparece no consultório: quem chega depois de uma temporada só de laser, sem ninguém ter prescrito o fortalecimento, costuma relatar a mesma curva, melhora enquanto faz as sessões e recaída semanas depois. Não por o aparelho ser ruim, mas por ter sido usado sozinho, sem a parte que de fato muda o tendão.

Ondas de choque

A terapia por ondas de choque entrega pulsos de energia mecânica ao tendão, estimulando uma resposta de reparo, modulando a dor e reduzindo a sensibilização local. É um dos adjuvantes com melhor base de evidência em tendinopatias, incluindo a tendinopatia glútea, e costuma ser uma escolha forte quando a dor é persistente. Em geral são 3 a 5 sessões semanais, com reavaliação. Pode causar desconforto durante a aplicação e dor local por um a dois dias.

Detalhamos o método na página sobre a terapia por ondas de choque. Laser de alta intensidade e ondas de choque não são concorrentes: a escolha depende da apresentação, da preferência e da resposta.

Agulhamento seco e infiltração de pontos-gatilho

A dor do trocânter raramente vem só do tendão. O glúteo médio acima da crista ilíaca, o tensor da fáscia lata na frente do quadril e o glúteo máximo atrás costumam abrigar pontos-gatilho que projetam dor justamente para a face lateral, imitando ou somando-se à tendinopatia, e que mantêm o quadril rígido e doloroso ao subir escada. No agulhamento seco, a agulha fina é levada até esse ponto duro dentro do músculo até disparar um espasmo breve e involuntário (a resposta de contração local); esse estímulo reduz a hiperatividade da placa motora e relaxa a banda tensa, devolvendo amplitude para abduzir o quadril sem dor. Quando o ponto é teimoso e volta a doer, a mesma punção com um pouco de anestésico local (a infiltração de ponto-gatilho) costuma quebrar de vez o ciclo.

No quadril, parte das pessoas já se levanta da maca andando mais solta; outras sentem o glúteo amolecer ao longo dos dois dias seguintes, às vezes com um dolorimento leve no ponto, como o de um treino. É o recurso que ataca o componente miofascial que quase sempre cavalga sobre a tendinopatia glútea, e por isso costuma ser o primeiro a destravar quem trava na isometria por dor.

Acupuntura médica e eletroacupuntura

A acupuntura médica e a eletroacupuntura modulam a dor por mecanismos segmentares no corno dorsal da medula, pela ativação de vias inibitórias descendentes e pela liberação de opioides endógenos; na eletroacupuntura, a corrente de baixa frequência tende a recrutar mais esses sistemas. Na dor lateral do quadril, agulhas em pontos sobre o glúteo médio e máximo e ao redor do trocânter, por vezes com eletroestimulação, ajudam a baixar a dor de fundo e a reduzir a necessidade de anti-inflamatório enquanto a carga é reintroduzida. Em quadros de tendinopatia glútea o número de sessões é guiado pela curva de dor ao deitar de lado e ao subir escada, com reavaliação a cada poucas sessões para decidir se vale manter, espaçar ou trocar o adjuvante. Na clínica, a acupuntura é ato médico, feita por médicos com formação na técnica e integrada ao mesmo plano de reabilitação, não como terapia paralela.

Infiltração com corticoide: alívio rápido, com cautela

A infiltração de corticoide sobre a bursa ou a região do trocânter pode trazer alívio rápido da dor, e por décadas foi o tratamento de escolha. Hoje sabemos que esse alívio costuma ser de curto prazo e que injeções repetidas de corticoide podem prejudicar o tendão já doente. Por isso é usada de forma parcimoniosa, em geral guiada por imagem, para casos de dor intensa que impede iniciar a reabilitação, e não como tratamento de manutenção. A decisão é sempre médica e ponderada caso a caso.

A medicação tem papel de apoio e tempo definido, decidido em consulta conforme o tipo de dor. As classes disponíveis e o que esperar de cada uma estão no guia de remédios para dor.

Semana 1 a 2

Controle inicial

Reduzir a compressão do tendão e a sobrecarga, iniciar isometria de glúteos e, quando indicado, começar laser de alta intensidade ou ondas de choque para a dor.

Semana 3 a 6

Progressão

Fortalecimento progressivo dos abdutores do quadril e controle de pelve; a dor costuma começar a ceder e a função a melhorar.

Após 6 semanas

Reavaliação

Sem a resposta esperada, revê-se o diagnóstico e consideram-se infiltração guiada, outros adjuvantes ou investigação adicional.

Referência reconhecida em dor

A clínica é um Centro de Dor listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED) e um Centro de Tratamento por Ondas de Choque listado pela SMBTOC, e é listada pelo CMBA (Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura).

SBED, Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor SMBTOC, Sociedade Médica Brasileira de Tratamento por Ondas de Choque CMBA, Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura

Perguntas frequentes

O laser de alta intensidade cura a bursite trocantérica?

O laser de alta intensidade pode ajudar a aliviar a dor e a inflamação local da bursite trocantérica, mas não é um tratamento que resolve sozinho. Ele atua como adjuvante, criando uma janela de menos dor para que a reabilitação com exercício, que é a base do tratamento, possa acontecer. O resultado varia de pessoa para pessoa e depende do plano completo.

Bursite trocantérica e tendinite de glúteo são a mesma coisa?

Na prática, hoje são entendidas como faces do mesmo problema, reunidas sob o nome síndrome da dor do trocânter maior. O que se chamava de bursite (inflamação da bolsa) costuma ser, na verdade, uma tendinopatia dos glúteos médio e mínimo, com a bolsa reagindo de forma secundária. Por isso o tratamento foca o tendão e a carga. Veja a página sobre tendinite de glúteo.

Quanto tempo demora para a dor da bursite no quadril melhorar?

A maioria dos casos melhora ao longo de semanas a poucos meses com tratamento conservador bem conduzido. A dor costuma começar a ceder nas primeiras semanas com ajuste de carga e adjuvantes para a dor, e o ganho de força progride ao longo de algumas semanas. Casos mais antigos ou com tendinopatia avançada podem levar mais tempo. A reavaliação por metas guia o ritmo.

Qual a diferença entre laser de alta e de baixa intensidade?

A principal diferença está na potência e na profundidade de alcance. O laser de baixa intensidade atua em tecidos mais superficiais; o laser de alta intensidade usa potências maiores e atinge estruturas profundas, como os tendões glúteos no trocânter. Ambos são terapêuticos e não cortam tecido. A escolha depende do alvo e da apresentação. Veja a página sobre as diferenças entre laser de alta e baixa intensidade.

O laser de alta intensidade dói ou tem efeitos colaterais?

A aplicação costuma ser indolor, com sensação de calor leve no local. É uma terapia não invasiva, sem agulha e sem corte. Usa-se proteção ocular durante a sessão. Efeitos adversos são raros e leves, como um discreto aumento transitório do calor ou da sensibilidade local. O tratamento é contraindicado em situações específicas, como sobre áreas com tumor ativo, o que é avaliado pelo médico antes de iniciar.

Quais exercícios e alongamentos ajudam na bursite trocantérica?

O foco é fortalecer os glúteos médio e mínimo, começando por exercícios isométricos de baixa carga, que costumam aliviar a dor, e progredindo para fortalecimento funcional. Alongamentos agressivos do lado de fora do quadril podem piorar, pois aumentam a compressão do tendão sobre o osso, então a prescrição de alongamento é cuidadosa. O ideal é que o programa seja individualizado por um profissional, e não baseado em vídeos genéricos.

Evidência científica · resumos da nossa biblioteca

Resumos em linguagem clara de estudos revisados pelo Dr. Marcus Yu Bin Pai.

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Dr. Marcus Yu Bin Pai
Sobre o autor
Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP 158.074RQE 65.523 / 65.524 / 655.241

Médico especialista em Fisiatria e Acupuntura pela Associação Médica Brasileira, com área de atuação em Dor. Doutor em Ciências pela USP e médico colaborador do Grupo de Dor do HC-FMUSP.

Revisão médica e editorial

Conteúdo revisado clinicamente por Prof. Dr. Hong Jin Pai. Tem finalidade educativa e cita fontes.

Referências2 fontes citadas neste artigoVerOcultar
  1. Conselho Federal de Medicina (CFM). Resolução sobre publicidade médica e princípios da relação médico-paciente. Brasília: CFM.
  2. Kjeldsen T; Hvidt KJ; Bohn MB; Mygind-Klavsen B; Lind M; Semciw AI; Mechlenburg I. Exercise compared to a control condition or other conservative treatment options in patients with Greater Trochanteric Pain Syndrome: a systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials. Physiotherapy. 2024. doi:10.1016/j.physio.2024.01.001. PMID:38295551.
Atualizado em 2 jun 2026 Leitura 9 min

Este texto é educativo e não substitui a avaliação médica individual. Quanto vale o laser de alta intensidade, quantas sessões fazer e em que ordem combiná-lo com exercício e demais adjuvantes na sua dor lateral do quadril é uma conduta individualizada, que cabe ao seu médico assistente definir após examinar o caso.

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